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Me Dê Motivos Para Não Generalizar

Todas tem seus nomes.
Eu lembro de cada uma das pessoas, do nome de todas, de todas as expressões, de todos os tons de voz. Eu lembro de cada pessoa que fez com que eu derramasse uma lágrima injusta enquanto eu me esforçava para dar o melhor dos meus abraços.

Isso é algo que nunca vou esquecer.
E pensando bem, me faz tão bem arquivar as histórias que vivi ao invés de encontrar alguma maneira de simplesmente deletar da minha vida.

Eu preciso me lembrar que sofri para aproveitar quando eu for feliz.

Só terei a companhia das minhas experiências e de todas as ocasiões que exibi o melhor dos meus sorrisos, elas sim viverão para sempre comigo, agora todas as outras ocasiões contrárias não passam de motivos para me lembrar que eu não devo acreditar tão cegamente em um coração que não seja o meu. E isso não quer ser que eu desconfie do coração alheio. Eu só preciso me priorizar.

As sextas-feiras que alguns comemoram quando chegam, pra mim não passam de um novo dia em que é celebrado algo que eu não tenho, um dia em que eu vou escolher uma poltrona no cinema, ao invés de duas. E a merda é que hoje eu penso assim por causa das pessoas que impiedosamente pisaram nos meus sonhos e em todas as pequenas coisas que eu sempre valorizei.
Ninguém sabe o quanto eu torço para que as pessoas que vivem o privilégio de passear pela avenida de mãos dadas nesses dias tão esperados saibam valorizar isso. Se eu pudesse, ah se eu pudesse… Pararia cada par de pessoas que vejo nas ruas só pra falar: “Não deixem isso morrer, não deixem que agridam o sentimento de vocês! Cultivem pelo outro o que gostaria que cultivassem por você”

Só que eu não passo, então eu escolho um lugar para jantar e esperar as horas correrem.

Aquelas pessoas que mencionei nas quais me fizeram mal, cada uma delas, são responsáveis por eu custar a acreditar em sorrisos amarelos.
Plantaram em mim uma preguiça em acreditar em alguém.
Pode soar bonito quando a gente assiste nos filmes, mas eu posso dizer que não é algo à ser comemorado quando se vive de segunda à segunda.

Só que talvez, no fim das contas, eu tenha me acostumado de um jeito errado.
Inclusive, ultimamente tudo que eu quero é acreditar que as pessoas não são o lixo que algumas se mostraram ser pra mim. Quero acreditar que os sonhos que construí ao longo dos anos ainda podem ser reais e que ninguém é capaz de me fazer fraquejar. Eu juro que eu quero. Por isso eu me dou uma chance todos os dias.

Se eu levanto da cama, é porque eu quero que o dia seja diferente.

E as chances que me dou são as mesmas que dou à todas as pessoas. São as chances que dou aquele que me cumprimenta com um “bom dia” por etiqueta, por aquele que me empurra antes de entrar no transporte público e por aquele que diz que o fato de eu ver as coisas de um jeito meu significa um defeito.

Todos os dias eu pisoteio problemas para manter acesa em mim alguma chama de dias melhores.
E as palavras que me trazem um saudoso sorriso, bem como as melodias que me fazem suspirar, servem de abrigo nos momentos em que eu me vejo na ausência de uma mão estendida.

Eu não quero acreditar que as pessoas são iguais. Eu juro que não quero conhecer uma pessoa e pensar “acho que não vai dar certo”, ou acabar me limitando de ser quem eu sou com um medo de tentar.

Quanto maior o medo de tentar, maior a distância de conseguir.

Se eu não tenho em mãos alguma cartilha com respostas na última página sobre como viver, o que me resta é arriscar e permitir que novos braços se tornem novos abraços.

A felicidade que eu desejo pra mim é melhor aproveitada se for vivida por dois.
Vou seguindo me dando chances e dando chances para me convencer que eu devo voltar a acreditar.

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Eu Não Perdi Tempo, Aprendi Com Ele

E o sorriso que me escapa ao lembrar que depois de tanto sofrimento – e muito aprendizado, é bem verdade – finalmente hoje eu posso falar que encontrei quem eu realmente posso confiar, pelo menos por enquanto. Parece meio loucura essa descrença aí no fim, né? Mas não é bem isso, na verdade é só pé no chão.

Não que eu tenha perdido a confiança nas pessoas, mas hoje eu considero tudo delas.

E essa história de considerar é algo bem simples. Não acredito naquele negócio de “nossa, essa pessoa nunca faria isso”. Sim, ela faria. E mais, ela poderá fazer muito pior! Então, quando a gente considera tudo das pessoas a gente se protege. Não vai evitar uma possível dor na decepção, mas não vai surpreender mais. Por isso eu sou pé no chão.

Engraçado que você é a única pessoa que tira esses meus pés do chão. Eu sei que você não canta em nenhum grupo de axé “tira o pé do chãooo!”, me refiro a outra maneira de fazer a mesma coisa, rs. Me leva ao céu e me faz perder as estribeiras sem muito esforço. Qualquer abraço de “como é bom te ver” ou uma SMS confessando saudade já me faz parar na rua, encostar numa parede e agradecer à Deus por ter te colocado na minha vida. Sua presença me faz acreditar naquela história de que tudo tem sua hora e lugar, porque se eu parar pra pensar em tudo que já passei, em todos os relacionamentos desastrosos nos quais me envolvi, todas as pessoas em que confiei e que no fim me provaram não serem nada de especial além de mais uma pessoa, eu provavelmente teria mais motivos pra desistir da vida do que continuar por aí vivendo.

Eu não quero mais falar de coisas que eu vivi antes de você, e na verdade, eu nem lembro direito.
Sempre tive ansiedade acumulada dentro de mim. Aí você apareceu, e só piorou tudo. Você consegue me trazer nervosismo em absolutamente todas as vezes que a gente vai se ver. Me olho no espelho centenas de vezes antes de você chegar, olho o relógio outras centenas. É muita ansiedade. Chego mais de meia hora antes de você nos lugares onde a gente combina de se encontrar. Essa mesma ansiedade já me atrapalhou demais em vezes em que eu acelerava os passos da minha vida. Nunca gostei da fase “estamos nos  conhecendo melhor”, pra mim, as coisas deveriam ser decididas rápidas: ou quer, ou não quer. Aí o tempo passou, cresci, chorei e sorri e hoje respeito, acima de tudo, o tempo com que as coisas acontecem.

Então você aconteceu em minha vida.
Aconteceu inesperadamente, e incrivelmente no momento em que eu nem estava pensando em ter alguém comigo agora.

Eu nunca me importei com a opinião dos outros e não vai ser agora que vou ouvir qualquer coisa que me falarem. “Calma, você está indo rápido demais, você está demonstrando gostar demais” QUE SACO! A felicidade vem na mesma intensidade da dor, ou seja, eu não consigo controlar nada e nem quero isso! Se for pra eu me ferrar de novo por ser como eu sou, que seja, eu só não vou medir o meu sentimento, freiar o meu coração, deixar de provar que gosto. Sentimentos bons devem ser comemorados. E jogo no lixo aquela história de “não grite sua felicidade, a inveja tem bons ouvidos”, eu grito até essa inveja morrer de surdez! Quero que se dane a inveja e eu sinto dó das pessoas que a sentem! Passei por cada coisa até aqui e agora que estou feliz tenho que “dosar” a minha felicidade? AH NÃO! Comigo isso não cola!

A história que estamos construindo é blindada pelo que sentimos um pelo outro.

No entanto, É CLARO que eu não saio fazendo anúncios de como eu sou feliz e tenho um relacionamento bom, tenho lucidez, entenda, quando me refiro a não me dosar, estou falando sobre “me controlar” pela opinião das pessoas. Isso, eu não vou deixar!

Eu tenho sede demais por felicidade e vou lutar por ela até que eu tenha vida. E pra mim, é indescritível saber que tenho ao meu lado alguém que compartilha dessa ideia. Alguém que tem sim um monte de defeitos, assim como eu, mas que os assume e respeita os meus, e juntos, a gente vai convivendo, acertando aqui e errando ali. O direito a felicidade pertence a todas as pessoas.

Eu não tenho um relacionamento perfeito dos sonhos, mas sempre sonhei ter um como eu tenho.

E me basta saber que eu sou o bastante pra alguém.