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Não Vejo a Menor Graça em Ser Assim

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=zNK_r2QAXAo&w=420&h=315]

Funciona da seguinte maneira: A gente raramente sabe como agir, e quando sabemos, na verdade nem sempre sentimos o que achamos que sentíamos. Esse negócio de lidar com alguém em nossa vida não é algo que podemos chamar de fácil, o que não significa, claro, que não seja algo que podemos chamar de bom.

Só que a vida parece mais fácil nos filmes.

Eu não sei bem o que aconteceu comigo nos últimos anos, mas o fato é que pouca coisa me brilha os olhos, pouca coisa me encanta e pouca, mas bem pouca coisa mesmo me impressiona, sendo assim, eu fico triste em não conseguir retribuir os sentimentos que pra mim são direcionados, e o pior, isso não é de hoje, já faz muito tempo que eu não me reconheço muito bem e não sei até que ponto isso me faz bem.

Eu simplesmente não consigo sentir o mesmo.
É uma merda porque acabo saindo das histórias como a pessoa insensível e isso não é verdade, só que sei lá, eu não consigo fingir algo que eu não sinto, não consigo dizer que amo se ainda estou apenas gostando, não consigo dizer que sinto falta quando na verdade estou bem vivendo a saudade saudável.

Minha sinceridade é o meu pior defeito.

E só eu sei como eu fico quando chego em casa e me vejo dentro dessa situação. Sem conseguir demonstrar qualquer sentimento, ou melhor, até demonstrando uma certa indiferença que por mais surreal que pareça, jamais é na maldade ou com o objetivo de esconder algum outro sentimento.
Nesse sentido, eu poderia encontrar aqui mil possibilidades que justifiquem como a vida tem sido pra mim, mas eu acho que consigo resumir em uma só coisa: Está tudo estranho, ou talvez eu seja uma pessoa estranha demais. Vai saber.

Poucos sabem, até por eu não demonstrar praticamente nada, mas eu fico feliz com os finais felizes dos filmes e com as histórias de amor que ouço por aí, sendo assim, é claro que eu gostaria de viver algo parecido, sei lá, sentir esse tal de frio na barriga antes de encontrar alguém especial, querer mandar SMS carinhosas e coisas do tipo, mas eu não consigo. Do contrário, eu fico na minha sem ver a necessidade de muito esforço e quando me dou conta estou fazendo uma pessoa sofrer de novo. Já perdi as contas de quantas vezes eu tentei parar tudo e entender como eu sou – ou tenho sido, sei lá – mas eu nunca consegui explicar o que nem eu consigo entender.

Se eu pudesse, eu não seria quem eu sou.

Sem querer me prolongar demais, mas talvez faça sentido a tese de que me tornei uma pessoa próxima ao gelo tamanha a sensibilidade, devido as experiências que coleciono nessa vida. Não são tantas a ponto de completar um álbum, mas nem sempre quantidade significa intensidade, na verdade, quase nunca.

Inevitavelmente, eu penso em algumas coisas que já passei desde a adolescência, alguns problemas que pareciam pequenos para algumas pessoas enquanto pra mim era a maior das gotas d’água. Isso envolve uma questão de subvalorização de mim mesmo, onde me via inferior à maioria dos meus amigos e onde parecia que o mundo girava mais devagar pra mim. Só pra mim.
Talvez por isso, pouco a pouco eu fui me distanciando do senso comum de gostar de alguém, fui me distanciando da tal necessidade de ter alguém pra dividir as coisas do dia a dia. O lado bom é que acabei aprendendo a dar um valor inestimável à mim mesmo, que serei, pra sempre, a minha própria companhia.

Reparei que quando a gente depende de alguém, a gente acaba esquecendo de ser nós mesmos.

Posso nunca ter sido a pessoa ideal nos meus relacionamentos, mas nunca poderei ser questionado por falta de sinceridade. Nunca enganei ninguém, e se eu vivi histórias que acabaram da noite pro dia, foi porque me vi numa situação que não era honesta comigo, quanto menos com a pessoa com quem eu estava.

A perda é igual pra todos, o que muda é a forma que ela se manifesta e seus efeitos.

Histórias, talvez traumas, da infância fazem sentido em uma linha de raciocínio ao tentar explicar o que eu me tornei hoje, bem como eu sei que fui fundamental para que muitas das pessoas que já compartilhei beijos, abraços e noites no edredom aprendessem a considerar todos os tipos de pessoas, inclusive, aquelas que não conseguem demonstrar direito os próprios sentimentos. Tipo eu.

Ainda a respeito das lições da vida, outra muito boa que aprendi é que as coisas mudam, quer queira, quer não. O mundo dá voltas iguais de formas diferentes. Os dias não nascem iguais, o canto dos pássaros nunca é o mesmo e as formas das nuvens também são diferentes umas das outras, isto é, eu sei que eu posso mudar e muito ainda, que amanhã posso ser uma pessoa completamente diferente em milhares de sentidos que hoje me norteiam como consolidados. E quer saber? Se isso realmente acontecer eu vou achar maravilhoso, porque se tem uma coisa que eu gosto nessa vida e demonstro pro mundo o quanto gosto, é de aprender alguma coisa. Primeiro porque eu evoluo com isso, segundo que eu posso compartilhar com mais alguém esses meus aprendizados.

Está vendo, eu sinto muitas coisas e consigo demonstrar, só não consigo forçar tudo isso.

Ele já foi inundado por tanta lágrima que ao invés de secarem, o transformaram em gelo. Mas de qualquer maneira o que eu tenho aqui continua sendo um coração.

Que só espera pra ser despertado na hora que ele quiser.
As coisas já tem mudado, comecei a me permitir mais.

Me Avisa se Eu Estiver Indo Rápido Demais?

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=EIPe-SaP_OM&w=420&h=315]


Às vezes bate um medo.

É estranho, bate um medo de estar fazendo tudo errado de novo.
Nem que eu tente eu não vou conseguir explicar ao certo que sensação horrível, mas só de não ser boa já é algo que me preocupa.

E você não tem nada a ver com as minhas neuroses. Elas são só minhas.

Talvez seja o excesso de vontade em fazer as coisas finalmente darem certo que me deixa assim. E como sabemos, nenhum excesso é bem vindo, nem o excesso de amor.
E acho que é mais ou menos por aí.
Nas outras histórias que vivi, fui tachado de ser quem mais gosta, sempre fui aquele que está gostando mais dos dois, como se eu forçasse isso, como se eu tentasse impressionar alguém. E nunca foi bem assim. E pior que isso tudo, me falavam isso como se fosse algo ruim, com se fosse algo que atrapalhasse! Isso nunca fez sentido! É inacreditável existir reclamação por alguém se empenhar em fazer outro alguém feliz! Eu não entendo e nunca vou entender isso, a não ser pela justificativa disso ser apenas um motivo para camuflar outros reais motivos para a história não ir adiante.

Levei um tempo pra ver que não é qualquer pessoa que está pronta para a dedicação que eu tenho pra dar. O que dirá, todo o meu sentimento.

Nesse mundo onde os refrões exaltam uma vida sem saudade, me vejo com a solitária bandeira de sonhar com uma história sincera e com o melhor de duas pessoas.

Comecei a me rever e a pensar no que diabos está acontecendo. E são exatamente nesses momentos que aquela minha preocupação que eu falei volta à tona.
Isso não inclui você diretamente, é mais um peso em meus ombros, um trauma por em tese já ter errado mais de uma vez. É horrível o peso de ter que me limitar em ser alguém “na medida” enquanto quero ser alguém pra ser lembrado pra sempre. E repito, não que eu force isso, eu sou assim.

E desse vez, eu juro, dessa vez eu não quero errar, não quero errar com você.

Você que me apareceu numa fase em que eu não contava com isso, afinal, estava acostumado em ser carta fora de qualquer baralho, até por quê não é qualquer baralho que me interessa. Vivia uma fase mais reclusa, focando nas minhas coisas, minhas metas e objetivos. Já era normal ver o calendário correr tão de pressa. Aí veio você e como um freio de mão, me parou completamente me pedindo pra descer da nave em que eu flutuava, me fazendo voltar a ser quem sou e me fazendo ter vontade de querer ser melhor ainda.

Isso não é sobre a sua importância na minha vida, é sobre o meu medo de me tornar não importante na sua.

É sério, eu cansei.
Tive dedos apontados na minha cara com as conclusões mais surreais sobre o modo que eu me comportava diante das coisas que eu vivia, até que eu parei de me dividir tanto.

Tem horas que precisamos ser um só para deixarmos de ser só um.

E pouco a pouco eu fui me permitindo agir da forma que eu considerava interessante, da forma que embora me trouxesse mais chances de sofrer, era uma forma que mais me preenchia no aqui, no agora e no amanhã, dispensando o talvez e o futuro.

Ainda é cedo para pedir alguma coisa para você, mas eu te confesso que gostaria que essa fosse a última experiência na minha vida, queria que eu não precisasse mais ter ninguém para provar nada. Entenda que isso não significa que não quero viver coisas novas, conhecer lugares e experimentar sabores, claro que não, isso só significa que eu quero fazer isso tudo com uma só pessoa, quero fazer isso com você, até que durem meus dias nesse planeta. Não vivo para colecionar histórias de amor, tão menos acho vantagem perder a conta de quantas bocas já beijei quando na verdade eu quero ter uma única para beijar sempre que eu quiser.
Eu não quero mais me ver fingindo coisas que eu não sinto, postando frases na internet que não dizem nada pra mim, só para aparentar uma “vida tranquila”. Pode achar isso uma imbecilidade, mas eu fiz, e mais um monte de gente faz também.

Aprendi a desconfiar de qualquer aparência.

Você pode me avisar?
Por favor, você pode me avisar se as minhas SMS ou ligações surpresas de “bom dia” estiverem te incomodando?
É muito estranho pedir que eu seja avisado para parar de ser quem eu sou, mas eu não sei até que ponto ser quem eu sou nos fará bem, até que ponto estarei agradando.
A verdade é que eu nunca vou fazer algo que eu não queira de verdade, muito menos se isso tiver relação com demonstrar o que eu sinto. Nem pra você, nem pra qualquer pessoa. Só que mais do que qualquer outra vez e qualquer outra pessoa, estou me abrindo agora pra você e te pedindo que converse comigo se as coisas estiverem estranhas pra você.

Eu vou errar, eu sei que vou, muitas vezes, faz parte, é normal.
O meu grande problema até hoje foi acreditar que o meu maior erro sempre foi ser quem eu sou. Ou, as pessoas que me fizeram acreditar nisso.
Nunca me entrou na cabeça que demonstrar o que eu sinto fosse o meu principal ponto negativo.

Demorei pra encontrar alguém que eu finalmente me sentisse a vontade para me dedicar.

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