Author: Márcio Rodrigues (page 46 of 70)

Resultado de um “Vamos Marcar de Sair?” e Finalmente Sair

A gente se via às vezes.
Ou melhor, eu a via às vezes, porque ela nem sabia da minha existência.
Reparei que ela usava camiseta de bandas que eu gosto. E disso, eu gostei ainda mais.
Só que eu sou assim: tenho vergonha até de elogiar. Que negócio estranho. É que sei lá, esse mundo anda tão louco que até o fato de elogiar alguém pode parecer que você possui segundas intenções. Não que eu não tivesse com ela. Mas enfim, rs.

Carência é ver em um elogio alguma outra intenção além de ser elogiado.

Comecei a encontrá-la mais vezes. Nas mesmas e corriqueiras situações de transporte coletivo.
Meio que tinha virado uma rotina, pois era impressionante: quase todo santo dia (não, espera… “santo” não porque ela não é tão religiosa assim), quase todo dia, (agora sim!), a gente se encontrava, e sabe sobre o que conversávamos? R: NA-DA. Ué, eu dentro do meu direito de ser tímido, e ela no direito dela de não fazer nada, afinal, tenho minhas dúvidas se ela sabia que eu existia… Na minha cabeça, aquilo tudo só existia pra mim, tendo em vista que eu nunca reparei se ela olhava pra mim, ou melhor, ela até olhava, mas só quando eu já estava olhando e praticamente “secando”, sabe? Eu não sei lidar com flertes. Que bagunça!

Paciência é a cereja da vida.

Depois de tanto tempo com a gente se encontrando sem querer (pausa: confesso que muitas das vezes que nos encontramos, eu forcei isso hehe, corria pra estar no lugar de sempre na hora de sempre!) finalmente resolvi tomar alguma atitude, porque olha, pelo jeito que as coisas caminhavam, nosso destino seria se conhecer tão bem a ponto de decorar a roupa um do outro, mas, sem nunca falar um “oi”.

Pela falta de tentativa é que não se deve morrer nessa vida.

Esperei a oportunidade ideal e fui conversar com ela. Os assuntos eu nem quero lembrar direito, e pra ser sincero, nem lembro exatamente direito, porque eu fiquei tão nervoso com essa ansiedade de falar com ela, de ouvir a voz, de poder falar um ‘oi’ e talvez ganhar um beijo no rosto de brinde *-*, que eu praticamente congelei no mesmo lugar. Tá, exagerei totalmente um pouco. ÓBVIO que eu lembro de como foi, do jeito que eu falei e de como eu fiquei.
Ela foi muito simpática. Trocamos e-mails e contatos na internet para continuarmos a conversa. Lembro que no dia seguinte eu fiquei desesperado, mal dormi, mal comi meio ansioso para falar com ela de novo. A vida sorriu pra mim, e pela internet, voltamos a conversar. Falávamos de amenidades, nada muito profundo e não dei detalhes das minhas intenções, na verdade eu nem sabia o que falar sobre intenções. Como sempre, sem novidades.
Conversamos algumas vezes durante a semana e eu até que mencionava uns ousados “vamos marcar de sair” tirando coragem sei lá de onde pra falar isso, e ela respondia uns elegantes “vamos, claro!” que óbviamente, como 90% das histórias das pessoas, nunca saíram do papel. Ou do computador.

A gente pode até não ter uma vida surpreendente, mas podemos fazer com que seja uma vida recheada de surpresas.

Depois de mais uma conversa virtual, e as minhas esperanças de qualquer outra coisa indo pelo ralo, fui dar uma dormida. Era umas 19hs de sábado.
Até que a vida (olha ela aí de novo!) sorriu pra mim caprichosamente, foi até minha cama e falou: “HOJE TEM!”, ou em outras palavras, foi quando meu telefone tocou, e adivinha? Era ela: uma moça vendendo cartões de crédito. Sério.
Aí o mundo deu voltas, a  vida =D e o telefone tocou de novo: “Meu, você falou que queria fazer alguma coisa, vamos sair agora?!” Não posso comprovar, mas eu senti que o meu semblante naquele momento foi o mesmo de quando a vi pela primeira vez. Vez ou outra eu penso em tatuar “Vamos sair agora?” tamanha a surpresa e alegria pela atitude dela! Eu achei sensacional o fato dela querer me ver e ir atrás de mim, sem ficar naquela ladainha de “os homens tem que vir atrás”, (até porque se ela esperasse, no meu caso, nos encontraríamos num asilo qualquer um dia!) ela sentiu, quis sair, ME LIGOU e fim. Honestíssima, mais mulher que muitas que eu vejo por aí postando foto na internet pra ganhar like, já que abraço não vai ganhar.
Respondi: “Sim, claro!”, meio sem entender direito, e já fazendo mil planos do que fazer, pra onde sair, a que horas, se eu tinha dinheiro, se eu teríamos como voltar, se eu tinha roupa legal, se meu cabelo estava bom, essas coisas de menina qualquer pessoa ansiosa.

Criativo, sugeri uma passeio surpreendente: irmos ao cinema.
(Por quê????????? Meu cérebro gritava escandalosamente!)
“Jura que é isso que você vai me chamar pra fazer?” tenho 99% de certeza que ela pensou algo do tipo. MAS UÉ, era um sábado a noite, convidar pra ir em um restaurante tailandês é o que eu não faria. Por óbvias questões financeiras.

SAÍMOS! Ela estava bem bonita, eu lembro.
Pra mim aquilo tudo era um sonho doido. Comecei a lembrar das primeiras vezes que nos vimos – ou que eu a vi! – e de todas as outras que eu queria falar com ela sem nunca ter coragem.
Na sala de cinema, nos beijamos! ♥ Olha, pode escrever, foi um dos momentos mais especiais da minha vida.

Depois de tudo isso, a gente resolveu deixar as coisas mais sérias, se é que me entendem.
Mas não durou muito tempo, e como na maioria das vezes da minha vida, ela que quis dar um fim, alegando que éramos muito diferentes e que não ia fazer bem pra gente. Foi algo que eu não entendi direito, afinal, o que a gente busca na vida são pessoas diferentes da gente, pois se for pra encontrar alguém igual, que fiquemos com nós mesmos. Mas o que eu podia fazer? Pedir pra voltar? Pedi. E o que ela poderia fazer? Pensar melhor e dar uma chance pra gente? Não pensou nada e não deu chance coisa nenhuma.

Hoje ela tem outro namorado.
E eu tenho uma história muito especial pra contar, que aliás conto com o maior =D no rosto.

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Fazendo das Pequenas as Melhores Coisas

10h13.
Invadem o quarto alguns insistentes raios de sol.
Quando me dei conta que realmente acordei percebi que você continuava dormindo. Recalculei meus movimentos para não te atrapalhar.
Delicadamente retirei sua perna de cima das minhas e sua mão do meu peito e levantei da cama até a janela para juntar as cortinas, e assim pode esconder um pouco da luz do sol para prolongar aquele climinha de madrugada.
Voltei para a cama.
Não sei se você estava acordada ou se eram movimentos involuntários, mas você entendeu que eu havia voltado e prontamente recolocou suas pernas sobre as minhas e usou meu peito como travesseiro.
Com uma mão atrás da cabeça, escolhi não mudar esse cenário e fiquei olhando pro teto. Naquela altura, o maior som era o da minha respiração e eu conseguia te ver levantando e abaixando em meu peito.
Procurei me certificar que seus pés estavam cobertos. E não estavam. Pausadamente os cobri novamente fazendo dos meus pés meus braços.
Voltei para a primeira posição mas eu já não tinha sono para voltar a dormir, já você, parecia que estava apenas começando a entrar em sono profundo.

Os melhores carinhos são os que a gente menos espera.

Continuei com uma mão entre minha cabeça e o travesseiro, mas coloquei a outra em seu cabelo. Separava uma porção de fios para trás da orelha; ia para o rosto e fazia pequenos círculos com efeito de massagem. Quando você se retorcia, aparentemente acordando, eu parava. Então, após perceber que eram movimentos em sono, voltava para o meu trabalho.

A felicidade tem imprevisível data de validade.

11h23.
Percebi que já tinha passado muito tempo desde que acordei e eu continuava ali: querendo continuar ali. Os bons modos dizem que é importante acordar cedo para o dia render mais, mas quem disse que eu meu não estava rendendo? Eu não me importava com o que eu a gente ia fazer no resto do dia, só queria continuar ali naquele momento.
Então você se movimentou, levando minha mão para si indicando que ficaria de costas, mas que gostaria da presença do meu abraço. Não hesitei.
Fechei a conchinha e por ali ficamos. Como de costume, nossas pernas flexionadas se encaixaram perfeitamente e partir daquele momento, fisicamente, éramos um só. Envolvi meu braço por cima do seu corpo até chegar próximo ao seu rosto e encontrar suas duas mãos que ocupavam um pequeno lugar entre parte da sua bochecha e o travesseiro. Lugar, no entanto, com espaço o bastante para caber uma das minha mãos. E por ali ficamos.

Quando estamos deitados, nossos corpos atuam como atalho para o encontro dos nossos corações. Não é só deitar juntos, é sentir um ao outro.

Nossas cabeças estavam praticamente coladas e eu encaixei meu rosto atrás do seu pescoço, fazendo com que você sentisse detalhadamente a minha respiração pausada.
Meu ângulo não favorecia com que eu continuasse observando o relógio, portanto, não consegui mais ver os minutos passando, e ao mesmo tempo, não conseguia embalar no mesmo sono que você. Só que eu também não queria sair dali.
A sensação de te ter assim tão perto, de sentir a maior quantidade de células possíveis do seu corpo é algo que me arrepiava ao passo que me trazia solitários e tímidos sorrisos.
Me afastei um pouco deixando meu braço na região da sua barriga. É que eu queria ver seu corpo melhor.
Impressionante como você parece ter sido projetada centímetro por centímetro, tamanha a simetria de curvas com o tom de pele. É possível enxergar tua sensibilidade exalando por todo o corpo.

Eu gosto tanto de te ver dormir.
Gosto tanto de te ver.
Gosto tanto.

Aos olhos de fora, estávamos apenas deitados, mas para mim, estávamos ali unidos, materializando tudo o que acreditamos como importante para nós: a cumplicidade de um para o outro. E dentro disso, todos os movimentos fazem sentido. Seu jeito de deitar em meu peito como se procurasse refúgio; minha mão no seu cabelo e no seu rosto como se eu falasse “Estou aqui!”; sua atitude em mudar de posição e me levar para ainda mais perto de você; meu braço por cima do seu corpo até o seu rosto no maior gesto de segurança. Tudo faz sentido.

Mudando a forma de ver, a gente vive diferente.
E eu nunca vi nossos gestos e nossos momentos como algo meramente normal.
Pra mim, cada segundo que você tem influência na minha vida é um segundo que eu considero especial.
Da sua mensagem de saudade ao seu jeito de me pedir conchinha.

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Me Deixa Ir Já Que Você Não Quer Ficar

Esse mundo já pode parar pra eu descer.
É que a gente – mundo e eu – não tem combinado muito bem ultimamente ou é só uma questão de ponto de vista. Não sei ao certo se estou pronto pra esse mundo ou se é ele que não está pronto pra mim. Das únicas certezas, uma dela é que eu não estou mais a fim de sofrer. Não por você, exatamente.

Durante muito tempo me dediquei em dar palavras que te estimulassem a ver a vida e os problemas dela com outros olhos. Nunca me importei em passar horas no telefone te ouvindo falar as mesmas coisas, enquanto eu me esforçava pra te explicar outras mesmas coisas de formas diferentes, enquanto eu me esforçava pra falar alguma coisa que te fizesse parar de chorar que te fizesse esquecer a parte ruim da vida.

Lembra, eu me dediquei.

Nesse tempo eu me superei. Fiz coisas que me impressiono até hoje ao lembrar, ultrapassei todos os meus limites com o objetivo de te ver bem. Eu nunca esperei nada em troca.

Me valia ver reciprocidade em um sorriso seu.

E sabe, eu suportei tanta coisa que você fez que acho que nem faz ideia e nem adianta fazer o discurso furado de “um dia eu vou pagar por não te valorizar” porque ele não me traz de volta os dias que já passaram e as páginas que já escrevi. Deixei de fazer muitas das coisas que eu gosto, deixei de aprender novas coisas, conhecer novas pessoas, só pra correr atrás dos teus sonhos, das tuas metas de vida. Não me arrependo, pois em um certo momento eu me vi dividindo suas conquistas e me preenchia te ver feliz com a minha ajuda, me preenchia ser útil pra você.

Tão importante quando a nossa própria felicidade é a que a gente proporciona.

Nas minhas voltas pra casa eu só pensava em alguma maneira de te surpreender. Já sabendo seu gosto, me atentava as novidades no fim de semana pra quando a gente fosse se ver eu mostrasse algumas coisas que consegui pra gente. Shows, cinemas, restaurantes ou até mesmo horas ouvindo música falando sobre a vida. Nunca me importei com o que eu fosse fazer, contanto que fosse com você.

Quando eu gosto, gosto tanto que gosto por dois.
E isso não é sufocar ninguém, o tal do “acho que você gosta mais de mim do que eu de você” é só uma desculpa pronta pra justificar sentimentos reais, pois se as pessoas soubessem valorizar o quanto é bom ter alguém que gosta da gente incondicionalmente, certeza, eu ia gostar mais desse mundo. Quando eu falo sobre gostar por dois significa que literalmente vivo a história que eu escrevo, que eu realmente fico mal quando alguém que eu gosto não está legal, ao passo que fico igualmente feliz quando vejo o mesmo alguém feliz. É fácil mas as novelas só confundem em efeito viral.

Aparentar uma vida que não é a nossa, um sentimento que não é o nosso, só nos faz perder tempo com coisas que realmente gostamos e com motivos reais para inspirar bons dias.

Sentimentos bons e ruins disputam um mesmo coração onde nós somos os juízes.

Só que aí você partiu.
E eu deixei.
Lutei contra a minha cabeça e todas as minhas vontades. Pensei muito se era isso mesmo que eu gostaria, e apesar de concluir que não era, percebi que era algo que eu não poderia evitar, que nem sempre a vontade supera a necessidade.

Vivi sobre a dor de querer uma coisa, mas precisar fazer outra; precisar aceitar outra.

Então me vi numa luta que não ia chegar a lugar nenhum e por isso te deixei ir. Resolvi te deixar voar pra bem longe dos meus olhos, mas nunca te senti longe do meu coração.

A gente precisa respeitar a velocidade com o que o relógio trabalha.

De longe te vi na vida que sempre quis. Só observava como você parecia uma pessoa completa, e embora as coisas estivessem diferentes entre nós, eu ainda me sentia bem em te ver bem. E sempre odiei essa minha bondade em demasia.

Pena que de todas as coisas que mudaram durante todo esse tempo que a gente ficou longe, o que eu sinto por você continua lá no último lugar na fila de mudanças, deixando com que outras coisas passem à frente. Isto é, o tempo muda nossas vidas mas nem sempre o sentido delas. Por isso, de uma maneira injusta e até mortal, vez ou outra me pego aqui querendo te ver feliz, me pego te fazendo ser de novo um sentido na minha vida, pois todo o sentimento que cultivei ainda rende frutos aqui em mim.

Essas e outras coisas você não precisa ouvir da minha boca por ti já beijada. Eu não quero mais me fazer presente na sua vida, não quero ser nada além de um contato no seu número de celular no caso de urgência. E querer ser isso, ainda é muito!

Eu preciso que você também me deixe partir.
Já que eu não consigo viver em outro planeta que não seja o mesmo que o seu, eu preciso encontrar maneiras de viver outro oxigênio e de não mais partilhar da sua companhia, da sua risada terrivelmente contagiante e do seu jeito de mover os lábios ao dizer.
Preciso respirar inéditos ares, preciso viver pra ver se só eu sinto o que eu sinto, se algum dia alguém vai sentir por mim o que eu senti – e droga, ainda sinto! – por você. Então, por favor, me deixa ir também.

Já que o mundo ficou pequeno demais pra nós dois, pega ele pra você.

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É Que Quando a Gente Gosta… Bem, Deixa Pra Lá

Quanto mais o tempo passa, menos entendo quem eu sou e mais longe ainda fico de fazer ideia do que significam todas os meus sentimentos, muito embora, é bem verdade, sei que todos são bons. Não estou nessa vida pra propagar a parte infeliz dela. Desde que me conheço por gente procuro manter uma postura positiva e ocupar meus dias com mais sorrisos do que com qualquer outra coisa.

De remédio para as minhas dores de cabeça, você se tornou o motivo por todas elas.
Mas a culpa não é sua.

Você é um medicamento que venceu o prazo de validade.

Fico pensando como a vida é realmente incontrolável. Outro dia eu só conseguia lembrar da gente viajando pra praia com nossos amigos, dormindo juntos no chão dividindo o mesmo colchão de solteiro sem reclamar, e agora o que eu tenho feito é lembrar exatamente das mesmas coisas, só que o que não acontecia antes hoje é normal: hoje dói.

Sabe, eu penso tanto na gente.
Não que eu fique pensando pra encontrar uma maneira de reviver o passado ou desenhar um futuro, eu só penso pra me preencher, penso porque de um jeito estranhamente inexplicável até que me faz bem.
É uma merda, eu não consegui mais me envolver com outra pessoa, e não foi por falta de tentativa. Até hoje não entendo porque o meu coração nunca mais bateu do jeito que ele batia por você, até hoje me pergunto o que raios você tem de tão especial que só de ouvir seu nome mesmo sem ser exatamente sobre você, eu me abalo e procuro evitar.

Desabo só de imaginar outro alguém te vendo dormir e acordar.

Penso também se alguém conseguiu te entender tão bem quanto eu, se alguém sabe respeitar o lado da cama que você gosta de dormir, se alguém sabe que o seu jeito rude não é por mal e que no fundo você é só uma pessoa que carece de abraços mais apertos que os convencionais. Sabe, eu penso tanto se você tem voltado pra casa em segurança, se você tem se alimentado direito e penso até se você tem diminuído os desgastes com seus pais. Mesmo sem ter por quê eu ainda lembro muito de você e você não faz ideia do quanto.

Será que ainda sei o seu filme favorito? Será que você ainda quer viajar pelo mundo? Será que você ainda tropeça nas ruas sem querer? Não faz muito bem lembrar tanto assim, mas eu prefiro confessar minha fraqueza do que fingir esforço.
Se por acaso não conseguir parar de gostar de alguém for sinal de ser uma pessoa incapaz, então eu sou a mais incapaz de todas.

A gente não escolhe quando deixa de gostar.
No calendário não dá pra ver a data que o sentimento acaba.

Foram muitas as vezes em que eu passei pela sua casa e pensava se você estava bem. Já cuidei tanto de você sem você saber.

Hoje não sei bem se o que eu sinto é saudade, pois essa tal saudade é algo que a gente sente quando não temos mais, e sei lá, pode ser coisa de outro planeta, mas eu não sinto que não te tenho mais, não sinto que acabou, não sinto que a gente viveu tudo que a gente tinha que viver. E pode parecer loucura – como meus amigos inclusive dizem! – mas eu gosto de te manter com vida aqui dentro do meu peito. É óbvio que não sei explicar e mais óbvio ainda que eu gostaria que fosse diferente, mas eu não consigo fazer nada.

Não fala pra eu te esquecer, fala pro meu coração.

O tempo foi passando mas ainda tenho sua lembrança viva nos meus passos e em muitos dos meus sorrisos. Consigo sentir nossas mãos transpirando ao caminharmos nas tardes do verão, bem como sinto quando elas congelam nas impiedosas noites de inverno. E também como nossos pés batem quando nossas meias se perdem sob o edredom. Vejo como se fosse um filme a gente na praia quebrando as ondas com mergulhos desajeitados ao som das nossas próprias risadas e você perdendo a estribeira com a quantidade de sal no seu cabelo enquanto eu te jogava água em punhados.

Ouvi tanta gente dizer sobre a gente.
Foram tantas pessoas que tentaram me convencer que eu o que sinto é injusto, que tem um monte de gente lá fora querendo 1% do que eu tenho pra oferecer e que hoje só ofereço pra você. Muita gente me disse também que se você gostasse como eu digo que gosta ainda, você já teria vindo atrás. Chuva de lenga-lenga.

Eu nunca pedi pra ter razão, nunca esperei compreensão, eu só vivo pelo meu coração.

E pouco me importo se ele é otário e insiste em bater mais por você, que eu nem vejo mais direito, do que por meia dúzia de elogios que ouço numa noite qualquer.

Hoje eu queria ser outra pessoa.
Queria ser quem eu era quando tinha você comigo.
E queria que a gente fosse de novo juntos o que já fomos um dia.
Felizes.
Do nosso jeito. Felizes.

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Pode Não Ser a Solução, Mas Já é Um Bom Começo

A gente consegue viver bem sem ninguém, mas só podemos ir além tendo alguém.
Só que ter alguém está totalmente relacionado ao fato de se aceitar sem ninguém.
Parece uma equação confusa, mas é tão precisa e definitiva quanto a matemática.
Em tese, não é através das suas fotos sensuais nas redes sociais que está a pessoa que você vai se orgulhar de postar “hoje é dia de filminho!”; também não é nos tombos pelas ruas ou no metrô durante aquelas incertas voltas pra casa pela madrugada, que está te esperando quem você quer dar presentes nas datas especiais e roubar a pipoca durante o filme no cinema.

As coisas começam a acontecer quando a gente muda a forma de ver.

Talvez a timidez daquela pessoa com quem tem falado a tanto tempo seja realmente um problema pra ela, talvez você nem faça ideia do quanto essa pessoa gostaria de te chamar pra sair e te fazer ter uma noite especial. Talvez aquela outra pessoa fale demais porque sente vergonha de ficarem sem assunto; talvez “sair para tomar um sorvete” é o máximo que a pessoa pode fazer naquele momento mas que mesmo assim gostaria de fazer com você. Talvez se você fizesse mais na mesma proporção com quem espera que as coisas sejam feitas, tudo daria mais certo.
O erro está em querer as coisas do jeito que gostaríamos e não do jeito que merecemos.

Nem todo tempo gasto é tempo desperdiçado.
E pelo contrário, tudo é aprendizado.

Outra coisa, qual o problema de você se interessar por uma pessoa que seus amigos não julgam ser um exemplo de pessoa ideal? Qual problema em você sentir atração por alguém não convencional, alguém que anda pelo contramão, fora dos padrões de uma pessoa “normal”? O que é o normal?

A primeira impressão só fica se a gente quiser.

Nos clichês a gente pode confiar, e dentro deles, vale destacar a verdade de que nada vale se a pessoa usa a roupa mais cara ou a mais barata, afinal, somos seres humanos iguais e queremos a mesma coisa.
Somos nós que julgamos o que torna alguém interessante pra gente, e dentro disso, todos os costumes são lixo.

Amor é o coração batendo tão forte que anula a visão.
Aí então, faz sentido que ela seja cego.

Sobre ela,
O fato de por acaso ela não ter o corpo das capas de revista, soltar sem querer um palavrão aqui e outro ali, gostar mais de novelas do que de telejornais ou mais coisas do tipo, não a torna pior que nenhuma outra, e mais, você já se perguntou se realmente pode exigir alguém como imagina? A gente espera demais, mas pouco reconhece. Ela pode não ser alvo de elogios alheios (ser alvo, é vantagem?) por aí ou alguém pra você exibir na internet em busca de repercussão vazia, mas é ela, somente ela que não vai ter nojo na hora de te ajudar com a unha encravada, ela que não se vai importar em voltar pra casa dirigindo depois de você ter tomado uma dose a mais; ela que vai se esforçar em preparar algo no cozinha só pensando na sua reação ao experimentar; ela que vai te pedir pra ficar um pouco mais mesmo sabendo que já é tarde demais.

Sobre ele,
Ele também pode não ter o corpo dos sonhos, pode não ter beleza que suas amigas reconhecerão, pode não conseguir escrever uma ou outra frase de efeito e pode até nem saber muito bem o que é uma frase de efeito, mas é ele, é somente ele que vai guardar um dinheiro pra te dar um presente que imaginou que gostaria; ele que compra roupas novas pra não fazer feio andando ao seu lado no shopping; ele que não vai se importar se a “make” ficar boa ou não, se você fizer escova ou não, se você pintar as unhas ou não, porque ele gosta de quem você é e não exatamente de quem você pode ser.

Quando a gente muda a forma de ver, a gente viver melhor.

Apesar do destino ser incerto, dá pra gente fazer uma ou outra coisa pra garantir que ele seja certamente melhor.

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O Meu Endereço Você Sabe

No fim das contas eu não posso fazer mais nada.
E na verdade, nem que tivesse algo que eu ainda pudesse fazer eu não sei se faria.
Demora, mas a gente encontra o fim da linha.
Pior seria se eu me enganasse que isso é mentira, que não existe fim, que só se dá bem aqueles que continuam a insistir, insistir e insistir como se a insistência garantisse resultados favoráveis.

Então pode ir.
A partir de hoje eu vou te deixar partir pra bem longe daqui.
Como posso te ter se nem a liberdade eu te dou?

Eu vou deixar o tempo passar.
Cansei da luta que nunca me trouxe sorriso no fim. Hoje eu vou deixar você respirar, vou deixar você fazer o que pensa ser certo.

Isso não tem nada a ver com deixar de gostar, eu só estou aproveitando para me desprender de você. Quero que vá, inclusive pra me deixar respirar um novo ar.

Aos olhos de fora, aqueles mesmos olhos que nos rotulavam como “o casal perfeito” pode soar estranho esse meu desprendimento, só que a verdade não é exatamente essa,  é mais uma questão de liberdade, de hoje querer quem me queira, de ser querido, de também querer ser conquistado. Embora eu não me arrependa de nada da história que escrevemos, até porque durante o tempo que senti, dediquei meus esforços pra ver o melhor dos seus sorrisos, pra te ouvir feliz ao telefone, pra te ver feliz sempre que te via, eu preciso sentir isso também, isto é, no fim, isso tudo vai fazer muito bem pra mim.

Eu vou sentir sua falta na hora do jantar com meus pais. Vou sentir saudade da sua ansiedade contagiante para ver as estreias do cinema, mas vou aprender a superar, e apesar de saber que vai demorar, muito mais até do que eu posso imaginar, tenho certeza que por maior que for a dor não será motivo para eu morrer.

Pode ir.
Vou transformar sua lembrança em abraço quando o frio apertar; vou te ver sorrindo quando o sorvete mais gostoso eu experimentar; vou te sentir comigo cantando na mais alta voz quando o refrão tocar. Não mais em primeira pessoa, mas como uma pessoa especial.

E se mudar de ideia pode voltar.
É meio difícil pra mim tentar prever como vai ser minha reação se isso acontecer, mas se quiser, pode voltar.

A gente ama a mesma pessoas várias vezes na vida.

A soma de todos os minutos que senti amor por você permitem a sua volta.
Se temos que conquistar a mesma pessoa todos os dias, é egoísta desperdiçar segunda chances de conquista, logo, antes de ser uma chance pra você caso queira voltar, será uma chance pra mim, pra eu me sentir a vontade em ter de volta.

Sei que a minha clareza de pensamento aterroriza.
O convencional diz que ao te ver partir devo encontrar alguma maneira de te fazer ir ainda mais rápido, só que eu não consigo pensar assim. E não tenho respostas pra isso. Eu só penso que da mesma forma que estou te deixando ir hoje, você pode voltar um dia. Considero as voltas que o mundo dá.
Por outras vozes ouvi que o ideal pra mim seria te sentenciar como uma vez que passou, uma página que virou ou uma chuva que acabou. Eu não gosto dessa tese, mas também não me rendo em súplica pra você. Não me torno refém dos seus caprichos, mas também não vou me fazer de desentendido se o meu coração apertar.

Só a gente sabe o que é bom pra gente.

Quem acredita em qualquer certeza cega além do amor está sujeito a solidão.

Por isso, faço dos pontos de vista que me emprestam, motivos pra eu aprender mais. Junto todos em um só e equilibro do jeito que julgo ser ideal pra mim. Por esse motivo, não queimei suas fotos como me sugeriram, nem cacei bocas virgens de beijos meus noite adentro.

A primeira coisa é deixar você ir.
A segunda é me deixar ir.
A terceira é a gente se encontrar, de alguma maneira, algum dia, em algum lugar.

Então pode ir,
mas se quiser voltar
a gente pode conversar.

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Esse Negócio de Felicidade Não Está Com Nada

E sério que você ainda cai nessa?
Fico até pensando que estou fazendo maldade de verdade quando você não entende minhas brincadeiras. Fica tranquila que quando eu digo que não estou com saudades é quando eu mais estou; quando eu digo que quero um tempo pra mim é quando eu mais quero um tempo pra nós dois.

A gente teve que aprender com a distância que o melhor pra nós dois seria mesmo tentar até que nossos corações parassem de bater. E é assim que temos seguido desde então.
Não foi fácil ter que fazer sozinho as mesmas coisas que a gente fazia juntos. Procurei focar nas minhas coisas e na minha vida, só que eu percebi a influência que você tem nela e em como eu consigo ser uma pessoa um pouco mais, digamos, responsável, com você ao meu lado. Tipo, pra me lembrar que estou gastando um dinheiro que não posso. Brincadeira, eu pensei em muitas outras coisas.

Só não te dou mais amor porque eu não tenho mais pra dar.

Então eu te faço cócegas, o que na prática significa a mesma coisa.

Porque é quando a gente está pertinho, numa noite de frio, sob o edredom quentinho, com um filme na TV é quando eu agradeço à vida pode me dar a oportunidade de viver uma história como a nossa.
Comecei a ver nos seus defeitos as respostas para muitos dos meus. Por exemplo, entendi que até que sou uma pessoa paciente, só não tanto pra te esperar trocar de roupas 300x quando a gente marca de sair; sou uma pessoa muito sensível, só não entendo quando você insiste tanto pra eu falar no diminutivo igual você, quando vê bebês nas ruas. Sei lá, eu gosto de fazer o mesmo, só que com filhotes de cachorros.
Tudo bem que eu não gosto tanto de dobrar as cobertas quando a gente acorda, ou de ter que sorrir para as 9878941 pessoas da sua família nos almoços de domingo, mas acho que são coisas absolutamente toleráveis. Não é algo assim tãããão grande, pra você chamar de defeito e tal, né? Hihi

É na falta que um faz ao outro que a gente vê se estamos fazendo a coisa certa.

Somos deliciosamente diferentes.
Apesar de aparentemente bem parecidos.
Eu que não sou louco de tentar fazer as contas das vezes que já perguntaram se éramos irmãos.
Até entendo as pessoas fazerem essas perguntas, pois não é comum ver um casal que não fica se esfregando na frente de todo mundo, que não fica mostrando a língua para o shopping inteiro e que não fica de mimimi nas escadas rolantes. A gente faz as mesmas coisas, só que do nosso jeito.

A gente prefere ir vivendo de uma forma que nos traga mais sorrisos do que uma vida falsa de felicidade passageira.

A felicidade não é uma conquista, é um estilo de vida.
Tem gente que tem pouquíssimos motivos pra comemorar mas ainda assim tem força pra exibir o melhor dos sorrisos.

E dentro do nosso estilo de vida, cheio de risadas de doer a barriga e comidas gostosas em lugares novos, que a gente vai construindo a nossa história, totalmente passível de ajustes e correções.
Vejo as pessoas falando por aí que o que mais sonham é “encontrar alguém e ser feliz”, como se essa tal de felicidade fosse um objetivo a ser alcançado, e que depois disso, é só relaxar e curtir os privilégios de uma vida feliz. Sei lá, eu pelo menos não concordo muito com isso.

Tento fazer a minha parte pra gente manter uma regularidade de boas fases em nossa relação. Não tem por quê eu não tolerar que a gente discuta sendo que isso é uma coisa normal, mas do contrário, eu não gosto que a gente estenda muito os efeitos das discussões. E nisso, nós concordamos.

Nos momentos de fraqueza em que criei alguma dúvida sobre o nosso futuro, me apeguei em todos os bons momentos que a gente viveu e com base nisso, todos os melhores ainda que a gente pode viver. Daí, usei um pouco desse meu cérebro e percebi que seria bobagem fazer a loucura de abrir mão do seu sorriso de saudade e da sua mensagem de “chega logo”.

Não que você seja uma pessoa perfeita, mas você tem pra mim os mais perfeitos pontos positivos capazes de me fazer uma pessoa melhor.
Por isso eu não me preocupo muito em sair por aí falando que sei o que é felicidade, especialmente que para pode dizer algo do tipo, preciso estar com a vida 100% e assim nunca estamos. Prefiro me esforçar em ser uma pessoa feliz e com isso te fazer uma pessoa mais feliz.
Esse negócio de felicidade existe só pra vender presentes caros.
Não que eu não goste deles, mas isso é outra história.
Felicidade é uma coisa, ser feliz é outra.

Uma Vida Baseada na Importância da Capinha do Celular

Pra que vou gostar do que eu gosto,
se posso fingir gostar de outra coisa só pra ser uma pessoa aceita?
E assim a vida vai escorrendo pelas mãos de muitas pessoas.
Os seus motivos para gostar do que gosta são todos motivos de chacota,
porque o que vale mesmo é aparentar uma vida que não é a sua, uma vida atualmente sem verdade ou uma verdade sem uma vida.
Pra ser mais claro, hoje não faz tanta diferença o seu destino, contanto que antes você poste uma foto na internet mostrando a sua roupa, contabilizando elogios-prontos e preenchimento nulo na sua vida.

É mais legal aparentar algo do que ser algo de fato.

O que dá pra gente ver de longe em pessoas que se escondem em celulares de última geração, noitadas desenfreadas com goles de coragem em um bar qualquer, é uma fraqueza sem limites. “Como então ser uma pessoa que não aparenta fraqueza sem limites?” De repente, começando a ser quem você de fato é, assumindo todos os seus sentimentos, sem ter vergonha dos seus gostos.

Não há a vida correta, há a vida que você julga ser correta pra você.

Mas há um senso comum nessa sociedade do que é ter uma vida interessante, e caso você escolha por nadar contra a maré, já pode prever uma reação absolutamente insignificante. A roupa que você usa é capaz de dizer o quão legal e interessante você pode ser. Pelo menos é o que tem parecido por aí.

Se esses são alguns pontos de vista sobre os valores das pessoas hoje em dia, imagina então os valores dados aos sentimentos das pessoas?

Pra que escolher ter uma boca para beijar se é possível ter tantas outras em um mês?

Todos que viram a noite em busca de alegria descartável, querem mesmo é uma noite virada assistindo a filmes e seriados com alguém interessante. Mas isso é outra história.

O jeito que somos e a fase que vivemos não nos torna pior que ninguém, nos torna real.

“Isso se eu casar um dia!”
É o tipo de frase que não é difícil de se ouvir em uma conversa ou outra. As esperanças de dias melhores são nulas, e nesse sentido, faz sentido aparentar uma vida que não é real, porque lá nesse mundo irreal as coisas dão certo, as baladas são as melhores, as marcas aquecem mais que o tecido vestido, a capinha do celular tem mais importância do que uma ligação para alguém especial.

E que diferença faz sentir amor?
Os mais famosos refrões atuais falam sobre como a vida desenfreada é mais interessante que uma vida real e sólida; falam sobre rápidas e indolores formas de superar um amor; falam sobre a relação em ter um carro potente e a quantidade de bocas para beijar.
Só que quem canta tudo isso a uma só voz, na verdade só quer outra coisa.
Sem julgamento de qualidade, não vale entrar nesse mérito, a proposta aqui é gerar uma reflexão sobre como os amores eram vividos antigamente e em como eles tem sido atualmente. Sobre a troca de valores, sobre a urgência que existe em virar uma página que ainda não pode ser virada.

Quanto mais rápido se tenta acelerar o tempo, mais sequelas ele enterra no coração.

E aí, não adianta se espantar ao ver que ainda não superou, ao ver que apesar de “já fazer tanto tempo” ainda dói como nunca imaginou ver alguém que um dia jurou amor. É normal e é algo que pode ser previsto, especialmente se você for das pessoas que prezam mais pela quantidade de “curtidas” do que por quem curtiu de verdade. E nós sabemos quem são essas pessoas.

A gente pode ser melhor, as coisas podem dar mais certo,
só não podemos perder a única coisa que temos grátis nessa vida: nossos sentimentos. E dentro deles, nossos sonhos.

Você tem dado valor ao que realmente merece?

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Você Está Fazendo Isso Errado

Acho que não é muito bem por aí.
Não que eu exija demais, só que eu acho que as coisas não são muito do jeito que você está tentando fazer.
Bem, pra começar, vamos entender que estamos falando de nós dois e das coisas que você me falou esses dias, nas quais respeito e valorizo muito e me considero uma pessoa de muita sorte por conseguir despertar tantos bons sentimentos em você.

Só que não é bem assim.
Declarações não garantem relações. Potencializam.

Sei muito bem do que estou falando pois já passei por isso antes. E inclusive, na sua posição de ser quem gosta tanto. Lembro que demorei tanto pra falar, decorei algumas frases, tudo pra de alguma maneira provar que o que eu sentia não era brincadeira, que era real e muito sério. Só que as coisas não correram conforme o meu esperado e foi aí que aprendi.

O que isso tem a ver com a gente é que eu acho que você tem usado um jeito estranho e isso não está fazendo bem.

Pior do que não querer é não facilitar.
E esse não é meu caso. Eu gosto de você, mas não queira me obrigar a te amar.
Entenda que todos os seus esforços com o objetivo de me comover não tem dado muito certo. Todos os presentes, alguns aparentemente bem caros, fazem com que eu me sinta uma pessoa especial pra você, mas não asseguram que aconteça algo entre nós.

Transborde amor, mas não se afogue na enchente.

Não precisa se preocupar em me acompanhar na volta pra casa, em me dar os livros que  eu comento ou em me comprar os DVD’s das músicas que eu posto na internet, não precisa ir por esse lado.

O jeito de dizer uma palavra impressiona mais do que a palavra dita.

É claro que não acho que esteja tentando me comprar, não vou entrar nesse mérito. Até porque desde que nos conhecemos já deixei bem claro esse essa é uma das coisas que mais odeio nas pessoas em geral. O seu problema é esse seu esforço cego.

A diferença entre convencer e conquistar é o que eu preciso sentir da sua parte.

Você já me convenceu do quanto gosta de mim, do quanto me faria feliz e do quanto a gente poderia viver muitas coisas boas juntos, mas você tem se esquecido de me conquistar.

Seus presentes me trazem sorrisos mas não aquecem meu coração.

E eu gostaria que não encarasse isso como insensibilidade, e sim como sinceridade, pois eu poderia me aproveitar e deixar no ar o quanto os seus agrados me fazem feliz, só que eu prefiro deixar claro que tudo isso é bonito, mas não é especial.

Não que eu seja um produto com um manual de como conquistar, mas as premissas são simples e foram elas que aprendi nas vezes que me vi nos eu lugar.

Ao invés de se fazer presente curtindo todos os meus posts e fotos na internet, poste algo que mostre como você é e como você pensa; ao invés de me falar sobre as coisas que tem comprado, me diga algo que você consiga fazer que não precise de dinheiro.

Isso não é lição de moral, só estou dizendo que pelo menos comigo algumas das coisas que tem feito não estão dando resultado.

Tudo que eu espero de qualquer pessoa é que ela seja pra mim exatamente o que ela é pra todas.

E você é uma pessoa boa, não precisa me provar isso, só precisa me deixar ver.

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Sozinho, Farei as Mesmas Coisas que Fizemos Juntos

Tudo bem se tem que ser assim.
Eu não vou tentar te explicar como vejo tudo isso. Eu cansei.

A gente precisa ter a grandeza de admitir quando a melhor saída é o fim, rasgar as datas comemorativas e os filmes assistidos.

É claro que eu não vou conseguir esquecer tão fácil, mas também, isso nem é algo que eu quero. Esse negócio de transformar o carinho em rancor não é comigo e até tenho certa dó das pessoas que fazem isso. Ninguém tem sangue de barata, eu sei, mas também não precisamos sair por aí cultivando exatamente as coisas que não queremos colher, isto é, eu não preciso te transformar em algo ruim na minha vida por mais que você já tenha me feito sofrer, por mais que eu ainda sofra depois de tudo. Dos momentos que a gente viveu eu prefiro levar os bons comigo.

Meu amigos me perguntam se eu sou real em pensar assim.
Explico que por mais estranho que pareça, sim, eu penso exatamente dessa maneira sobre essas cosias. A estranheza deles justifica a carência em pessoas que pensam assim, ou melhor, que tentam pensar e encarar de um jeito diferente, fora do convencional “Quero que você morra!”. No entanto, eu não acho isso algo impossível, não me considero melhor que ninguém, eu só tento – e não é fácil – escolher o caminho das boas lembranças e das lições a ter que pensar em tudo que deu errado.

De todas as coisas que a gente vive na vida, as boas são as que a gente menos lembra e deveriam ser as únicas à serem lembradas.

Lembramos do maior trânsito, da maior fossa, do chefe mais chato, da pior dor de cabeça. E parece tão difícil lembrar de quando não teve trânsito, de quando a gente superou, dos chefes mais legais e do dia que demos o melhor dos nossos sorrisos.

Ao buscar a vida perfeita a gente deixa a felicidade passar em frente os nossos olhos.
Mais do que na conquista, a felicidade está em como você você conquistou.

Esse discurso todo soa bonito demais. Sendo assim, a verdade é que eu também desejo muito que você colha tudo que tenha plantado, desejo com todas as minhas forças que você encontre alguém que te teste, que aponte seus defeitos, que te mostre que nem sempre tem razão. Eu torço para que as coisas deem certo pra você exatamente como você faz dar certo para as outras pessoas na sua vida. A consciência é de cada um.

Só que na sua frente eu não choro mais.
Notícias minhas você não terá.

Não se trata de fuga ou covardia, se trata de respeito. Preciso de um tempo pra entender as coisas e pra relacionar que o que eu tinha até um mês atrás, não vou ter amanhã. Preciso de um tempo pra aprender a escolher os filmes sem ninguém, pra poder desassociar os cheiros à você, preciso de um tempo pra me ocupar com outras coisas.

O tempo ensina a gente a amar sozinho tudo o que já amamos com alguém.

Por mais que não faça sentido para ninguém, eu não te quero mal. Estou me esforçando ao máximo para preservar as nossas boas lembranças, pois elas são as histórias que eu quero contar à meus filhos um dia. “Olha só filho, eu já vim aqui antes, faz um tempão atrás e foi muito legal!”. É o tipo de coisa que eu quero viver um dia.

A gente lembra mais da lágrima que do riso.

É natural, o mundo conspira pra acontecer isso. Ainda mais em um mundo onde a felicidade está diretamente relacionada ao fato de ter alguém. Nos é condicionado como vida ideal aquela que se tem alguém ao lado, algo que até concordo, no entanto, a vida pode ser tão boa quanto, sem a necessidade de alguém. O mundo é esse sofrimento porque a gente esquece que antes de fazer bem à alguém, devemos fazer bem à nós mesmos. E de boas intenções nós sabemos qual lugar está cheio.

Só que eu estou tentando ir na contramão.
O único sentimento que combate a dor é a iniciativa, e dela, nasce a superação.
Por isso, bem aos poucos, estou tentando atravessar tudo isso de um jeito que não me abale tanto, de um jeito que me faça mais bem do que mal, de um jeito que mais do que você pra mim, que faça eu me sentir especial.

Não vai ser fácil, mas por falta de tentativa é que eu não vou morrer nessa vida.

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