Há uma confusão sobre a ideia de recomeços.
Não raro existe o desejo de deletar alguma coisa toda vez que recomeçar é necessário.
Um emprego. Um lugar. Uma pessoa.
Mas não há reinício que seja absoluto.
E isso não é exatamente negativo.
Ainda que o eventual recomeço não seja desejado, ele sempre vai partir de algum lugar percorrido.
Este lugar é cada dia que foi vivido.
A gente é uma coleção.
Muitos tênis já passaram pelos seus pés até existir o seu mais novo preferido.
O problema é buscar paixão.
O sentimento mais curto do mundo.
No trabalho, na casa e por alguém.
O que sobra depois que a paixão vai embora?
Sempre sobrou você.
Porque a gente é uma coleção.
Uma prateleira de sentimentos.
Em pensar que você tinha certeza que aquele amor de escola seria pra sempre.
Aí a gente quer recomeçar do zero.
Só que a graça de recomeçar é justamente não partir do zero.
É somar.
Há urgência em entender que recomeços são possíveis porque existiram começos.
E em cada um deles, você foi um você diferente.
No meio tempo entre um recomeço e outro muita coisa foi vivida.
Filmes, shows, viagens e pães pela manhã.
Mas lembrar raramente dá prazer.
O novo é o que dá.
Que você sempre possa voltar, mas nunca para a estaca zero.
Ainda que deseje, sempre vai ser, no mínimo, pela estaca um.
Que também nunca desperdice um recomeço.
A sua melhor versão só vai existir quando você lembrar do papel das outras.
🙂
Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com

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