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Daria Tudo Pra Não Passar Por Isso

Ah, como seria melhor se eu pudesse simplesmente dormir, acordar no dia seguinte e perceber que nada disso está acontecendo. Só que não é e nunca vai ser assim.
Desde que comecei a entender que o meu coração é quem manda em tudo que eu sinto, percebi que é em vão tentar lutar contra o que ele quer. Eu posso contrariá-lo, mas isso não significa solução. Uma pena.

A gente estava indo muito bem, tudo indicava que a história seria bem longa, mas eu só não contava com a imprevisibilidade dos dias. Devo te falar que é muito grande a sua parte para este desgaste todo. Não foi uma, nem duas, nem 10 vezes que sentamos e eu sempre tentei explicar meu ponto de vista, mas você nunca quis entender, e pior, tentava me convencer a todo momento de que você que tinha razão, e pior ainda – como se não pudesse ficar pior -, você ficava furiosa por eu não concordar com você. Eu só não te contava, e na verdade até tentei algumas vezes, mas me chateei tanto com teu comportamento. Isso tudo já me fez tão mal, só que eu cansei de te lembrar todas as vezes que eu merecia mais respeito, até por eu te dar o máximo do meu respeito.

Tudo bem, você disse várias vezes que nunca vai mudar, não vou tentar ajudar quem não quer ser ajudada, mas que você vai mudar, ah isso vai, só não consigo dizer quando ou como.

Só que eu acho que não tenho mais forças pra te esperar. Não tenho mais paciência pra te ouvir gritar – e foram tantas as vezes que já ouvi – não tenho mais saúde pra aguentar todo o monte de ofensa que você me falava. Desculpa, eu não consigo mais.
E o pior é pensar que a culpa não foi toda sua. Acontece que eu não podia prever que eu voltaria a pensar em outro alguém nesse meio tempo, e menos ainda que esse outro alguém já passou pela minha vida antes de você.

É isso.
Pronto, aos seus olhos, agora sou a pior das pessoas. Faz sentido pensar assim, só não é verdade.
Eu nunca consegui controlar os meus sentimentos e posso dizer que já sou adulto o bastante pra entender que isso é impossível.
Se você quer saber, eu realmente não sei o que fazer. O que eu estava fazendo era aproveitar a tua ausência fazendo coisas que você nunca me apoiou tanto, como sair com meus amigos – que você conhece todos -, ou simplesmente ficar em casa e curtir minha família ou curtir eu mesmo, você sempre foi possessiva demais e sempre apelou pro sentimentalismo para eu deixar de fazer as minhas coisas e ir te encontrar, e o problema é que se pelo menos a gente ficasse juntos numa boa, até vai, tudo bem, sem problemas pra mim, até porque eu gosto muito de você, mas o que tem acontecido é que todas as vezes em que a gente fica junto começamos a brigar por alguma coisa, e concorde comigo, 90% delas tem a ver com teu comportamento explosivo que te torna incapaz de resolver as coisas conversando.

Você tem o direito de pensar o que quiser de mim a partir de agora, eu não vou me chatear, pois estou com a consciência limpa de que estou sendo honesto com você ao invés de inventar qualquer outra desculpa esfarrapada. O resumo é que não consigo mais continuar com a gente e estou pensando mais do que eu deveria em alguém com quem já vivi uma história. Ou seja, preciso decidir o que fazer da vida mas num primeiro momento de decisão, não vai ser saudável pra você e nem pra mim que eu te tenha em minha vida.

Olha, eu não espero ser compreendido, até porque nem eu mesmo entendo o que está acontecendo, só tenho certeza que preciso resolver isso logo antes que eu morra de angústia. Eu não quero te culpar, mas gostaria que entendesse e que refletisse que muito disso estar acontecendo se justifica pelo modo que a gente estava levando a nossa história, pela intransigência que estava te dominando na qual não há mais espaço para eu conviver.

Pode ser que tudo se resolva o mais rápido possível e não passe de um furacão, de uma fase conturbada, mas eu prefiro que a gente pense que acabou, assim, você poderá viver sem a dor da dúvida e eu sem a dor da injustiça.

Sei que não é fácil pra você, e acredite, que por mais que possa parecer o contrário, pra mim também não é.

Eu preciso de respostas e só vou conseguir encontrá-las, desta vez, sozinho.

Eu Não Perdi Tempo, Aprendi Com Ele

E o sorriso que me escapa ao lembrar que depois de tanto sofrimento – e muito aprendizado, é bem verdade – finalmente hoje eu posso falar que encontrei quem eu realmente posso confiar, pelo menos por enquanto. Parece meio loucura essa descrença aí no fim, né? Mas não é bem isso, na verdade é só pé no chão.

Não que eu tenha perdido a confiança nas pessoas, mas hoje eu considero tudo delas.

E essa história de considerar é algo bem simples. Não acredito naquele negócio de “nossa, essa pessoa nunca faria isso”. Sim, ela faria. E mais, ela poderá fazer muito pior! Então, quando a gente considera tudo das pessoas a gente se protege. Não vai evitar uma possível dor na decepção, mas não vai surpreender mais. Por isso eu sou pé no chão.

Engraçado que você é a única pessoa que tira esses meus pés do chão. Eu sei que você não canta em nenhum grupo de axé “tira o pé do chãooo!”, me refiro a outra maneira de fazer a mesma coisa, rs. Me leva ao céu e me faz perder as estribeiras sem muito esforço. Qualquer abraço de “como é bom te ver” ou uma SMS confessando saudade já me faz parar na rua, encostar numa parede e agradecer à Deus por ter te colocado na minha vida. Sua presença me faz acreditar naquela história de que tudo tem sua hora e lugar, porque se eu parar pra pensar em tudo que já passei, em todos os relacionamentos desastrosos nos quais me envolvi, todas as pessoas em que confiei e que no fim me provaram não serem nada de especial além de mais uma pessoa, eu provavelmente teria mais motivos pra desistir da vida do que continuar por aí vivendo.

Eu não quero mais falar de coisas que eu vivi antes de você, e na verdade, eu nem lembro direito.
Sempre tive ansiedade acumulada dentro de mim. Aí você apareceu, e só piorou tudo. Você consegue me trazer nervosismo em absolutamente todas as vezes que a gente vai se ver. Me olho no espelho centenas de vezes antes de você chegar, olho o relógio outras centenas. É muita ansiedade. Chego mais de meia hora antes de você nos lugares onde a gente combina de se encontrar. Essa mesma ansiedade já me atrapalhou demais em vezes em que eu acelerava os passos da minha vida. Nunca gostei da fase “estamos nos  conhecendo melhor”, pra mim, as coisas deveriam ser decididas rápidas: ou quer, ou não quer. Aí o tempo passou, cresci, chorei e sorri e hoje respeito, acima de tudo, o tempo com que as coisas acontecem.

Então você aconteceu em minha vida.
Aconteceu inesperadamente, e incrivelmente no momento em que eu nem estava pensando em ter alguém comigo agora.

Eu nunca me importei com a opinião dos outros e não vai ser agora que vou ouvir qualquer coisa que me falarem. “Calma, você está indo rápido demais, você está demonstrando gostar demais” QUE SACO! A felicidade vem na mesma intensidade da dor, ou seja, eu não consigo controlar nada e nem quero isso! Se for pra eu me ferrar de novo por ser como eu sou, que seja, eu só não vou medir o meu sentimento, freiar o meu coração, deixar de provar que gosto. Sentimentos bons devem ser comemorados. E jogo no lixo aquela história de “não grite sua felicidade, a inveja tem bons ouvidos”, eu grito até essa inveja morrer de surdez! Quero que se dane a inveja e eu sinto dó das pessoas que a sentem! Passei por cada coisa até aqui e agora que estou feliz tenho que “dosar” a minha felicidade? AH NÃO! Comigo isso não cola!

A história que estamos construindo é blindada pelo que sentimos um pelo outro.

No entanto, É CLARO que eu não saio fazendo anúncios de como eu sou feliz e tenho um relacionamento bom, tenho lucidez, entenda, quando me refiro a não me dosar, estou falando sobre “me controlar” pela opinião das pessoas. Isso, eu não vou deixar!

Eu tenho sede demais por felicidade e vou lutar por ela até que eu tenha vida. E pra mim, é indescritível saber que tenho ao meu lado alguém que compartilha dessa ideia. Alguém que tem sim um monte de defeitos, assim como eu, mas que os assume e respeita os meus, e juntos, a gente vai convivendo, acertando aqui e errando ali. O direito a felicidade pertence a todas as pessoas.

Eu não tenho um relacionamento perfeito dos sonhos, mas sempre sonhei ter um como eu tenho.

E me basta saber que eu sou o bastante pra alguém.

Se Existe Lembrança Boa, Da Sua Eu Não Preciso

Eu troco ter alguém por ter você longe da minha vida.
Esse negócio de ter que conviver com a lembrança enquanto você faz pouco caso da minha vida, não faz o menor sentido. Confesso que teve um tempo em que eu não facilitava, tipo, eu não fazia questão de ter longe. Era uma época em que eu gostava da sua presença ausente. Vou concordar se chamar isso de loucura.

Eu estava num nível que não me importava você estar comigo, não me importava você não querer mais nada. Você não querer mais nada significava que pelo menos o “nada” comigo. Você queria algo. É uma situação muito desesperadora. A gente se vê refém de um acontecimento fora do nosso controle, onde a nossa vontade de querer reviver não significa nada, e a gente custa a acreditar no irreversível.

Os fins, justamente por justificarem os meios, nunca me convenceram.

Pelo menos posso comemorar a cura daquela doença. Deixei de viver mais por você do que por mim.
Pensando agora, sabe o que é engraçado? Você não faz ideia de nada. Não sei também se o fato de saber mudaria alguma coisa, eu nunca quis arriscar nesse sentido. E um lado terrível dessa situação toda é que muitas vezes eu me senti a pior das pessoas, independente de ouvir outras me falarem o quanto sou especial e o quanto “mereço ter alguém especial” DANE-SE, esse monte de bobagem nunca me aqueceu mais que o abraço que já tive. É óbvio que eu sei que mereço alguém especial, todas as pessoas merecem, se todos nós tivéssemos alguém especial, não existiria 100% das coisas ruins desse mundo, ou seja, NADA DE RUIM, pois haveria amor e as pessoas se amando ficariam sem tempo para viver ou remoer outros sentimentos. Portanto, essa falácia de previsão do futuro ou votos de felicidade que escuto aqui e ali não me preenchem nada!

Olha aí.
Bate o desespero, o nervosismo e me descontrolo ao tocar num assunto sobre as pessoas me desejando coisas boas. É a tal da loucura.

O problema não foi a nossa história durar pouco tempo, mas sim em eu viver como se fossem mil anos juntos. Aquilo de “viver com intensidade”, sabe? É então, sendo redundante, a minha intensidade é intensa demais. A história acabou, mas continuei com a preocupação sobre você, continuo pensando em como está, como está sua família, se tem dormido direito, se tem comido direito, aquelas coisas normais. Aí eu fico péssimo, me sinto um lixo, ao imaginar que você não sente 1% do que eu sinto. Enquanto eu me preocupo quando a noite cai e o frio chega ao pensar se você está de blusa, não há a menor importância na sua vida o fato de eu estar bem ou não.

Bom, é meio que isso aí.
Não é fácil pra ninguém e pra mim também não seria, mas uma coisa eu te garanto, a partir de hoje, darei a minha pra poder esquecer a sua. E toda vez que eu achar que não está dando certo, vou tentar de novo.

Mas olha, da minha vida, eu queria que você sumisse levando inclusive as lembranças boas. Não vejo lado bom da saudade.

Você Não Faz a Menor Ideia

A gente não depende de ter alguém pra viver, é claro, só que tem horas que a casa cai, e pior, parece cair bem em cima da nossa cabeça.
Sabe, sempre ouço aquelas histórias de ciclo, de que é só uma fase, de que tudo tem a sua hora, ouço tudo e concordo. Agora, tente fazer meu coração ver sentido nisso tudo. Se eu sou ansioso, meu coração é urgente! É que ele me comanda e sente muita coisa ao mesmo tempo, o que pra mim, sinceramente, é uma merda.

É bem complicado ter que conviver com um monte teoria positivista no frio que tem feito nessa cidade. “A sua hora chega” ajuda mas não me conforta como o abraço que eu gostaria de receber. E aí eu ando pelas ruas a noite, vejo tantas pessoas, tantos casais, que chego a me perguntar se eu atraio cenas iguais as que eu vejo, porque olha, aonde quer que eu vá eu vejo gente de mão dada, se beijando, se abraçando, se gostando, e aí eu olho pra mim e não vejo graça alguma. Essa é uma parte que incomoda. É chato quando a gente não se sente atraente, quando a gente acha que tem as piores roupas e quando não temos dinheiro para uma distração qualquer. Essas e outras coisas são algumas das coisas que eu queria dizer para as pessoas que defendem o “tudo tem a sua hora”. Vocês falam de dor, mas não sabem o que eu vivo.

Repito, não que eu dependa de ter alguém pra ser feliz, mas tem algumas coisas que ando vivendo que teria um sabor especial se eu tivesse com quem compartilhar. E sem aquela história de “compartilha comigo, somos amigos, estou aqui para o que precisar”, porque você que diz isso sabe muito bem sobre o que me refiro exatamente.

E quando a gente começa a lembrar de histórias que já vivemos? Meu deus… é uma dor que parece inesgotável. Porque a gente começa a julgar as nossas próprias atitudes em histórias que nem existem mais. Que loucura! “Nossa, mas eu errava pra caramba nisso e naquilo”. A gente lembra, mas esquece que o leite já derramou.

Algumas vezes eu prefiro não contar pra ninguém o que eu tenho passado. Não é egoísmo ou coisa que o valha, é só uma defesa, porque em muitas dessas vezes o motivo é sempre o mesmo e ter que contar a mesma história para as mesmas pessoas não é algo que me agrada e nem agrada a quem ouve. O negócio é que eu conto a mesma história com intensidades diferentes, tem dias que estou deprimido, tem outros que quero morrer, já tem outros que eu não ligo mais. Não tem que fazer sentido pra ninguém mesmo. Só não gosto de pedir opinião para pessoas que dizem saber como eu estou me sentindo mas que na hora de falar alguma palavra boa só vomitam o mesmo discurso de que “você não está fazendo a sua parte, por isso fica assim”. PORRA, VEM AQUI VER SE NÃO ESTOU FAZENDO A MINHA PARTE! ODEIO GENTE QUE FALA DE UM JEITO COMO SE EU ESTIVESSE GOSTANDO DE VIVER O QUE ESTOU VIVENDO.

Aí os amigos se reduzem.
E eu prefiro subir uma ladeira qualquer falando sozinho ou com o vidro do ônibus numa volta pra casa. O silêncio consola mais que muitas palavras.

Tem os dias também que eu me vejo com uma esperança tão vã que até desacredito. Sabe quando você torce muito para acontecer uma coisa que você tem quase certeza que não vai acontecer? O famoso “dar murro em ponta de faca”. A faca, no caso, é o meu próprio coração. Só que assim, da mesma forma que ele, meu cérebro também é involuntário mas quando é estimulado por alguma memória, acaba se tornando refém daquela situação e no fim quem paga o pato sou eu, por ter que conviver com um monte de lembrança idiota, uma saudade praticamente infinita de algo que não vai voltar.

Olha, sinceramente, sabe o que me faz acordar todos os dias?
O pensamento de que quanto mais longe eu fico do que eu queria ter, mais perto eu fico do que eu realmente mereço.

Continue Fazendo Sua Parte Que A Vida Faz A Dela

12 de Junho de 2012.

Antes de continuar lendo estas palavras, se possível, dê play na música que mais gosta. Se não possível for, apenas concentre-se nas novas palavras a seguir.

Te convido agora a congelar os próximos minutos da sua vida para refletir sobre o modo que tem lidado com você mesmo. Quero, se não for pedir muito, que pare e analise cada atitude sua ao longo desse último e exato 1 ano completado hoje. Repense tudo, seu trabalho, estudos, comportamento, família, amigos, relação com o mundo, com absolutamente tudo, reflita, não se preocupe com a velocidade, é importante que faça uma análise profunda dentro de você. Vou te dar um tempo para se adaptar e entender o mecanismo, ok?

Pronto, seu tempo acabou. Vamos lá.

Talvez após essa análise você tenha percebido o quanto chorou de um ano pra cá, talvez você tenha notado que ao que que parece, definitivamente a felicidade chegou para te fazer companhia sem passagem de volta, ou quem sabe, com sorte, você tenha reparado em alguns dos erros que cometeu nesse período. Ou talvez tenha chegado a conclusão de que aconteceu tudo isso nesse tempo todo.

Uma das coisas mais legais da vida é a forma como ela caprichosamente é imprevisível. Entenda comigo partindo princípio de que é impossível prever o amanhã. Se você não estiver conseguindo entender isso, concorde que está querendo demais. Não é você que espera a vida, ela que te espera. O caminho não vem até você, é você quem vai até ele.

Pense comigo sobre todo o sentimento que você chamou de saudade nesses últimos 12 meses. Aquelas cenas voltavam para a sua vida com se a pessoa ainda estivesse lá, os mesmos gostos, o som da risada, a ligação de boa noite, a mensagem de “oi”, a surpresa, a soma de vocês dois aí na sua cabeça, a dita perfeição, tudo era maravilhoso e isso tudo virou só saudade. Posso imaginar que houve vezes em que você se sentiu dentro da mais completa incapacidade de saber lidar com a saudade. E olha que interessante, nasce aqui uma analogia entre incapacidade e saudade. Vai ver você nem foi assim tão incapaz, mas você se sentiu assim, o que é muito pior. Isso pode ter acontecido por diversos fatores. Você pode ter se sentido frágil demais ao ver uma fotografia na internet daquela pessoa que não está mais em sua vida, por ter sentido aquele perfume de novo em qualquer lugar, por ter ouvido o nome, por passar perto de onde mora, por reler e-mails, por não apagar mensagens de texto, enfim, e aí você, em tese, se viu incapaz de saber falar qualquer palavra que fosse, pasme, qualquer palavra CAPAZ de influenciar em seus acontecimentos com essa pessoa. Parece confuso? Explico: Se o teu caso é esse, de certa maneira foi você que abriu mão do que tinha nas próprias mãos. Pior que perder é deixar perder.
E se não foi bem assim, na receita da vida a saudade é dos mais importantes ingredientes.

Ainda está comigo aqui em cada palavra? Mesmo que não esteja fazendo sentido para a sua vida até agora? Que bom, fico feliz! É importante saber de histórias que não está vivendo para que possa ter ideia de como é, para então, caso passe por isso, já saber, inicialmente, como lidar com os fatos.

Voltando lá para aquela análise a qual espero que você tenha feito – caso contrário, favor clicar no x vermelho no canto superior direito desta página -, talvez seu último ano tenha se resumido em tentativas em vão, desapontamentos, decepções – redundância, é nóis -, mágoas e tudo que envolver algo que não seja bom, tudo que for triste. Aí você para pra pensar nas vezes em que repetiu “De novo comigo? Por quê só comigo? Será que eu sou tão ruim assim? Está todo mundo por aí tendo uma história legal e eu só encontro gente que não presta, ou gente que só quer se aproveitar de mim, que saco!” Não precisa ser essas palavras, mas com essas ideias, consegue lembrar de quantas vezes se repetiu isso? Imagino. Sabe o que acontece? Eu não sei, mas será que você não se cobra demais! A sua ansiedade em viver algo igual nos seriados americanos é tão grande que acaba te atrapalhando de viver um simples capítulo, imagina então uma série toda. Claro, vou ser justo, existe mesmo muita gente fdp nesse mundo, que brinca com o que as pessoas sentem, que são desonestas e que também são ótimas na arte de interpretar o que parece ser. Tipo, “é claro que eu gosto de você!” e no fim essa afirmação cair por terra sem ter 1% de verdade.
Olha, não há motivo para tristeza! Ainda não deu certo, mas isso é só uma questão de “ainda”, e não de “pra sempre”, sabe? Entendo que rola aquele lance “poxa, mas eu quero sair de mão dada na rua, quero comprar aliança, quero fazer planos, viagens, quero comprar presentes, quero mudar status do facebook” e etc, faz todo sentido pensar assim e aliás é muito bonito! Só que nem todas as pessoas pensam igual. Tem gente que só quer o mais que famoso ~um lance~. E é uma merda, né? Quando a gente já se vê envolvido na história e de uma hora pra outra o ouvido é obrigado a receber o tal do “desculpa, não rola mais!” ou coisa que o valha. Veja bem, isso é normal. A tua dor não é a pior de todas, tua solidão, tua ansiedade, tua vontade, desejo, enfim, tua vida nunca é a pior. Entenda que é só uma fase, independente de quanto tempo esteja durando, é só uma fase, tipo aquela regra de redação que aprendemos na escolha com “começo, meio e fim”. Se pintar um lance, vive esse danado! Esse mesmo lance pode se transformar, lembra ali em cima da parte da vida ser imprevisível? Então!

E  você?
E você que esperou tanto pelo dia de hoje? E você que vai comemorar pela primeira vez? Ou pela segunda? Ou vigésima, que seja! O exercício também se aplica a você aí. Reflita sobre como tem lidado com essa história toda. Esse é um ótimo momento para colocar as coisas no lugar. Sem a outra pessoa saber, tem que ser por você, sabe? Você precisa ser uma pessoa boa para merecer uma pessoa boa. Como tem sido a sua relação? É tão perfeita que realmente não há o que melhorar? Sempre há. É tão ruim que não dê para reverter? Sempre dá. Só que ninguém vai bater na sua porta e dizer: “Oi, vim inspecionar a sua relação e fazer um check-up”, entende? É você que tem que fazer alguma coisa pra melhorar ainda mais, ou pra resolver qualquer crise. Você tem que acreditar no teu sentimento, em como se doa à essa pessoa, em como está te fazendo bem viver algo legal ao lado dela, você trilha o teu destino.

Ninguém é isento do julgamento de um coração vivo.

Ainda estão aqui comigo nisso tudo? Conseguiram pensar um pouco? A proposta aqui é levar vocês até o céu sem saírem do lugar. Lá no alto, no mesmo céu azul que eventualmente se escurece e fica o mais assustador possível, mas não deixando de ser céu. O coração é tipo o céu. Só que não. Sério agora, rs, o coração é um céu vermelho e o céu é um coração azul. Independentes e controladores, o coração manda em você e o céu manda em todo o resto. Um tem que ser aliado do outro, e perceba, você pode transitar nos dois mundos, isso é especial!

A saudade, a dor e o amor é o que te mantém aí com vida. Esses, e outros, sentimentos precisam ser vividos, de certa maneira todos precisam de atenção pois cada um deles exerce papel preponderante nos seus dias.
Não esquece.

Para os casais, Feliz Dia Dos Namorados! E espero que façam o dia de hoje ser diferente! E que esse pensamento permaneça no dia 13, 14, 15, etc, todos os dias!
Para os ainda não casais, Feliz 12 de Junho, estejam prontos para a vida celebrando todos os dias!

Sabe aquilo lá do melhor?
Então, ele está por vir, está chegando!
Cada coisa a seu tempo!

Um Travesseiro Para Dois <3
Com amor,
Márcio.

Nosso Banho Na Hidro Fica Pra Próxima

Ah que preguiça que dá.
Tem dias que acordo sem forças até pra escovar os dentes. Por mim eu ficaria na cama com você, zapeando a TV, sem qualquer preocupação.
Hoje é um dia desses.
Você lembra a hora que dormimos? Porque eu não lembro!
Eu só lembro que delicadamente tentei te seduzir na intenção de fazermos uma coisinha legal e tal sabe, aí lembro também que consegui um “chega pra lá” seu. Você com sono fica muito irritada. Esqueci disso e lembrei que preciso revisar meus métodos.

Vamos ficar por aqui mesmo, enrolar um pouco mais, depois a gente toma um banho juntos e tomamos o café. A gente se basta.
Só que eu te conheço, sabia que você ia querer levantar pra escovar os dentes e ver o cabelo. Coisas de mulher. E que visão privilegiada é a minha ao te ver saindo da cama. Coloca os pés pra fora e busca o chinelo, não encontra, se ajoelha no chão, coloca um pouco de cabelo atrás da orelha para facilitar a visão e procura embaixo da cama.

“Que droga, cadê o chinelo?”
“Ali amor, na ponta da cama!” te aponto.

Levanta, calça e caminha até o banheiro. De roupas íntimas. Vejo teu corpo e analiso cada parte enquanto você faz uma pausa em frente ao espelho. Teu corpo não é daqueles das capas de revista, mas isso nem me importa, até porque aqueles corpos não são reais, o seu é, do teu jeito, cada centímetro ali é seu e eu gosto de cada um deles.

Aí você vai ao banheiro e mexe em mil coisas. Não sei de onde tira tanta disposição, prefiro ficar aqui olhando o teto, nem quero abrir a persiana. Olho o relógio até a visão ficar turva e viajo na noite que tivemos e nos dias que temos tido até aqui. Todos tão nossos e tão especiais.

“Pronto, me sinto melhor!” você diz.

Vem você do banheiro fazendo um rabo de cavalo no cabelo, reclamando com o surgimento de uma nova espinha e dizendo que é melhor eu me levantar.

“Ahh xiu e vem aqui, vai!” te puxo pra cima de mim ainda na cama. E por alguns segundos meu cérebro estaciona na minha visão do teu rosto. Faço círculos nas suas bochechas e acaricio cada célula.
Faz parte de você ser toda resistente, mas acaba cedendo e cai sobre o meu corpo, repousando a cabeça sobre o meu peito após um rápido selinho.

“O que você está achando de tudo isso?” me pergunta.
“Como assim de tudo isso?”
“De tudo isso sabe, da gente, de como estamos lidando com a nossa história”.

Engulo a seco sem entender muito bem o por quê da pergunta, respiro e respondo:

“Eu estou achando tudo nosso…”
“Como assim, NOSSO?” pergunta se levantando do meu peito e apoiando o queixo sobre ele pra me olhar nos olhos.

Coloco as duas palmas das minhas mãos atrás da minha cabeça e explico:

“Eu poderia dizer que tudo é perfeito entre a gente, mas seria a maior bobagem dita. Não há perfeição, a gente tem um jeito nosso de lidar com nós mesmos. Parece confuso, né? Mas deixa eu terminar. Você tem o teu jeito, teu temperamento e eu tenho meu. Por exemplo, você gosta de acordar e já ir ao banheiro, já eu, por mim nem escovaria os dentes hoje. É tipo isso, o jeito que cada um de nós somos completa o que nos falta. E a gente vai vivendo assim, brigando alumas vezes, rindo outras, nos amando em algumas outras. Até que somos um casal equilibrado, sabe?” Concluo já fazendo carinho no seu cabelo.

Você não diz uma palavra, se aproxima do meu rosto e me brinda com um beijo oficial de bom dia.

“Mas por quê você me perguntou disso?” pergunto curioso.

“É que eu queria saber se a gente ainda pensa igual” responde misteriosa.
“E e que sabe agora?”
“Que pensamos cada vez mais igual” e me silencia com um novo beijo acariciando meu rosto.

11:45! 11:45! 11:45! 11:45! 11:45! 11:45! 11:45!

MEU DEUS DO CÉU, PERDEMOS A HORA! Temos que sair do quarto, nosso pernoite acabava as 11h! Falei pra você se levantar, poxa!
Então nos levantamos na velocidade da luz, rindo um do outro!

“Poxa, é tão legal fingirmos que é nossa casa!” eu falo, você ri de mim e diz:
“Bobo, sei que é, também gosto muito, mas vai ser melhor ainda quando tivermos a nossa casa de verdade e não só um quarto alugado! Agora seja rápido!”

Mandona, esse é teu jeito.

Quanto mais aprendo a lidar com você, menos aprendo a lidar com horários de Motel.

Não Tenho O Direito De Reclamar

Sinceramente eu não esperava que isso poderia acontecer. A gente diz que sim, mas no fundo nunca consideramos efetivamente todas as consequências que algumas atitudes nossas podem trazer.
Eu nunca imaginei que seria fácil pra você, acontece que eu não ia conseguir viver fingindo que eu estava bem, eu sempre preferir ser sincero e não foi diferente na última vez. A minha maior certeza era que não estava mais dando pra gente continuar. Sei lá, não sei explicar direito, eu não estava conseguindo ser a pessoa que você esperava, eu queria viver outras coisas, que saco, não sei explicar.

Eu não só esperava que isso aconteceria.
Só não esperava te ver com outra pessoa.

Dei fim a nossa história acreditando que seria o melhor pra nós, especialmente pra mim, e claro que considerei que você ficaria mal, eu só não esperava que você fosse se recuperar tão rapidamente. Hoje te vejo feliz como nunca vi antes, vejo suas postagens na internet, vejo as declarações, vejo tudo, vejo como você realmente parece ter encontrado uma pessoa maravilhosa na sua vida…

… enquanto eu estou aqui cansado de viver uma mentira.

Eu me arrependi.
Sei que obedeci meu coração dizer pra terminar, mas tudo que eu queria agora era poder voltar atrás e desfazer esse erro. Poxa, eu queria tanto refazer nossos planos, continuar nossos sonhos, voltar a ir ao cinema e dar a risada que a só a gente dá, ir aos restaurantes que a gente tanto gosta, sei lá, eu queria você de volta. É isso.

Na certeza de estar fazendo a escolha certa eu fiz a pior delas.

E o pior de tudo é não poder voltar atrás. Não é nem questão de refazer alguma coisa, mas não faz sentido eu te procurar agora e dizer: “olha, eu errei, volta?” ou algo do tipo. Não faz sentido eu aparecer na sua vida como uma ferida não cicatrizada, não faz sentido eu atrapalhar a sua visível felicidade, e justamente eu, que tanto torci e torço para que você seja feliz. Então eu fico aqui de longe só te observando. Fico imaginando que agora outra pessoa tem o teu abraço antes de dormir e a ligação preocupada no celular de “já almoçou? está comendo direito?”. Me tortura pensar que você compartilha o teu edredom com outra pessoa. Imagino se ainda faz aquelas mesmas piadas, aquelas que eu gosto tanto e morria de rir. E essa dor só piora quando o sinto o seu perfume-saudade quando ando por aí.

O arrependimento é um vírus que desintegra qualquer coração.

Mas também que droga, você nunca me falou que gostava tanto de mim, sei lá, você nunca me provou.

Ou fui eu que nunca me toquei.

Eu  já não sei mais de nada.
Por um lado, foi importante acontecer isso com a gente. Primeiro porque eu me sentia sufocado e como eu disse, precisava ouvir meu coração, segundo que talvez eu tenha aprendido uma das lições mais importantes da minha vida: dar valor enquanto tenho comigo, porque depois que se vai, dificilmente volta.

Pior é saber que não foi você que partiu, foi eu que te deixei.

Continuo querendo que você seja feliz, que de repente essa pessoa que está com você realmente esteja te fazendo bem como vocês tem mostrado por aí. E olha que eu nem quero lembrar da vez que vi vocês dois na fila do cinema… Saí praticamente correndo pra não ser visto e pra não presenciar aquilo. Vocês estavam felizes, você parecia dar o maior dos carinhos e o pior, pra mim, era visivelmente recíproco. Era uma cena feliz de um casal mais feliz ainda. Eu fico relembrando e sofro ainda mais, que droga!

O problema é que agora não consigo me imaginar com outra pessoa que não seja você. Não consigo imaginar que vou achar graça de brincadeiras novas, que alguém vai me atrair, qualquer coisa, eu não consigo me imaginar fazendo nada que não seja com você, e a pior parte disso é saber que, de um jeito ou de outro, vou ter que aprender a conviver com essa verdade. É, não tenho o direito de reclamar se fui eu que quis assim.

Todas as pessoas para quem contei essa história me disseram que a dor do arrependimento uma hora passa, mas acho que talvez tenham se esquecido de me avisar que não seria rápido.

O Problema É Você E Não Eu

Na verdade é bem isso mesmo e não ao contrário. Não que eu você tenha alguma obrigação de se comportar de alguma maneira específica e imutável, longe disso, a gente pode mudar sempre, todos os dias, contanto que toda e qualquer mudança não afete outra pessoa, pois a partir do momento que você começa a compartilhar uma história com ela as consequências já não são só suas, são dos dois. Pelo menos seria justo se fosse assim, apesar de eu saber que não é.

E veja bem, não estou dizendo que eu gostaria de prever o futuro ou que eu gostaria que as coisas fossem como eu bem entendesse, aqui estou falando sobre justiça, em como tem horas que a gente se vê numa tristeza tão grande que parece que ao invés de sairmos do poço, estamos entrando ainda mais. Aquelas vezes que a gente se pergunta: “Mas o que diabos aconteceu agora pra tudo dar errado de novo?” Falo da situação de quando você se vê vivendo uma história normal, com todos os altos e baixos, repito, normal, mas que de repente é surpreendido por uma decisão feita por outra pessoa e que vai influenciar complemente o decorrer dos próximos dias, semanas, meses, eventualmente, anos.
É isso que você está fazendo. Você não lembrou como eu me sentiria ao agir de maneira que resolvesse como você estava se sentindo.

Eu já nem falo mais de sentimento, daquela história de se colocar no lugar do outro. Eu só estou naquela fase de insistir em querer entender sabendo que isso nunca vai acontecer.
Foi você quem mudou e não eu.
Foi você que parece estar de saco cheio de mim e da gente. E só eu sei como me senti quando te vi me olhando como se dissesse: “estou com dó de você, mas vai ter que ser assim”. É… Pior que não existir mais nada é a forma que essa nada começa a existir. Nesses momentos que eu falo de justiça que é quando me pergunto se eu merecia passar por isso. De novo. Acabo pensando que se existe vida anterior, olha, devo ter feito muita coisa de errado pra merecer tanta coisa ruim na minha vida quando o assunto é essa merda de amor.

Outra vez, não é muita novidade, fui vítima da sinceridade cruel e certeira.

Até aqui eu lamento o jeito que as coisas terminaram. Me conforta, no entanto, saber que a culpa disso tudo não foi minha, pois eu tinha planos reais de coisas para fazermos nos próximos meses, e devo te falar, você não faz ideia de todas as coisas que eu planejava.

Eu nunca sofri pra sonhar.
Muito menos nos sonhos em que eu incluía você.

É que eu sou daquelas pessoas que, pelo menos, faz a própria parte para que a vida seja recheada de momentos eternos. Muito embora, é bem verdade, quase sempre essa dedicação toda não dar muito certo, vez ou outra me pego pensando nas coisas que eu quero viver, aí extermino essa tristeza com a arma da ansiedade pela felicidade.

Bem que você poderia me dizer desde quando começou a pensar dessa maneira, né? Sei lá, desde quando começou a me ver como um problema e não mais um prazer em sua vida. Seria a pior coisa a se ouvir, mas por incrível que pareça eu ia ficar mais feliz em ouvir qualquer coisa além de “desculpe, estou em outra fase”. É claro que está em outra fase, foi você que mudou, você que rasgou tudo, você que não deu a mínima para mim, pra gente e muito menos para o que você sente.

Eu sinceramente, por tudo que mais dou valor nesse mundo, espero que não se arrependa do que está prestes a fazer. Respeito e respeito muito tudo isso que está acontecendo, porque olha, não é a primeira vez que sofro com isso, mas meu sofrimento costuma durar no máximo 24 horas, depois que passa, tudo que eu menos quero é ouvir o nome da pessoa que me fez ficar assim. E o teu nome já entrou pra essa lista.
Eu não sinto raiva, nem decepção, neste momento eu só penso na justiça, ou na injustiça.

Já parou pra pensar se isso é mesmo justo?
Em outra fase eu juro que tentaria te convencer que podemos acertar tudo se mantivermos a calma aliada a tudo de mais bonito que sentimos um pelo outro, mas, infelizmente, dessa vez, o problema é você e não eu.

Caso se arrependa de tudo isso, sabe bem onde me procurar, só não espere me encontrar.

Pode Parecer Estranho Mas A Gente Gosta Assim

E em dias como esse quando o almoço demora mais tempo pra terminar é quando eu tenho certeza que quero viver isso mais vezes.
A gente senta pra comer, vez ou outra te ofereço uma garfada de algo que você gosta ou tento te convencer a experimentar algo que tem preconceito de sequer saber se é bom. Esse é teu jeito.
A gente costuma almoçar fora e sempre ficamos mais de que o normal olhando o cardápio decidindo o que vamos pedir. Tem dias que a gente arrisca alguma coisa nova, outros eu pergunto uma sugestão pro garçom, outros você pede “o de sempre”.

E enquanto a gente espera a comida chegar começamos a comentar sobre as coisas mais rasas da vida. Quando temos sorte em ter como vizinhos de mesa algumas crianças ou bebês, quase que é lei a gente comentar “nosso filho será desse jeito, olha só” e começamos então a debater sobre os nomes que eles terão, mesmo termos decidido já meses atrás.
Aí a gente encerra essa história e nos damos as mãos sobre a mesa. Geralmente você me avisa que sujei meu braço em restos de comida assim como eu nunca te viso quando restos de verduras insistem em ficar nos seus dentes. A gente se entende.

Depois de comermos de forma absolutamente satisfatória nasce um dos mais delicados debates: “o que vamos pedir para a sobremesa?”. Normalmente, nossos olhos são maiores que a nossa barriga. Eu sou fã daquelas mega taças de sorvete, já você prefere algum doce com frutas e não sei o quê. Em geral decidimos de forma adulta e como pessoas civilizadas que somos: no par ou ímpar. Tudo porque a gente gosta de dividir a mesma tigela, assim como dividimos todos os acontecimentos da nossa vida.
Após escolhermos a sobremesa, pedimos ao garçom, que a essa altura já o chamamos pelo nome tamanho o nosso imediatismo no entrosamento, ou em palavras, tamanho o saco que a gente enche do profissional.
Comemos e finalmente decidimos ir embora, pagamos a conta e aliás acho financeiramente lindo o fato de você querer dividir comigo, afinal, temos que ter dinheiro para passarmos na locadora ao fim do dia, e lá, a gente sabe, lá se vai mais algum dinheiro com filmes e uma dúzia de guloseimas. De jeito nenhum gostamos de comer.

Desde que entendi o jeito que a gente conduz a nossa história eu parei de procurar resposta pra 90% das coisas que acontecem na minha vida. É que eu entendi que as coisas são naturais, cada pessoa interpreta a mesma coisa de uma maneira diferente, cada pessoa tem uma felicidade ímpar e exclusiva de si mesmo. E aí que você aceitou ficar ao meu lado pra compartilhar os próximos momentos da minha vida, então, abri mão de qualquer tese pra começar a viver os dias de sol, chuva, frio e calor do jeito que a gente bem entender.

Nossa história é escrita assim, repleta de situações que aos olhos de quem vê pode parecer estranho e imaturo, mas que pra gente é uma forma nossa e muito íntima de lidarmos um com ou outro e com o que estamos construindo dia após dia. Já passamos da fase de explicar para as pessoas porque somos assim, porque às vezes discutimos se voltaremos pra casa de ônibus ou metrô ao invés de discutirmos por algo relativamente mais sério, é que o nosso conceito de discussão é tão nosso que o que para as pessoas parece uma briga, para nós é um processo de conclusão.

Do contrário de não nos entendermos tão rapidamente em assuntos sérios a nível de “quem é melhor? sorvete ou manga?” não dura mais que um piscar de olhos o jeito que a gente entende um ao outro em todos outros assuntos efetivamente sérios.

E aliás, vez ou outra a gente escolhe sorvete de manga.

Não É Você E Eu, Somos Nós Dois

Há quem diga que exagero demais no meu jeito de ser. Não sei essas pessoas, mas eu prefiro errar pelo excesso do que pela falta. Acredito não ter nascido nesse mundo pra ser meio porcento, comigo ou as coisas são intensas ou não chegam nem a ser coisas.
Tem dias que questiono o meu comportamento com você. Sei lá, fico pensando se eu realmente deveria ter mandado tal mensagem, se eu deveria ter feito aquela surpresa te acordando com uma ligação simples numa segunda-feira clássica de mau humor no mundo. E claro, com o teu mau humor também. Aí eu paro pra pensar e concluo que na verdade eu quero que se dane o que as pessoas pensam sobre o meu modo de agir, na verdade, eu quero que se dane qualquer pessoa que questione o meu modo de agir para o bem. Aceito críticas, mas recuso subestimação de sentimentos. Cada um gosta e demonstra de um jeito diferente.

Desde o meu primeiro amor de colégio que eu me comporto do mesmo jeito e isso nunca me fez mal. Em todas as relações que eu tive até aqui eu me comportei da mesma maneira: fazendo com que o HOJE se torne PRA SEMPRE. E não é diferente depois que te conheci, sabe.

As relações que temos durante a vida servem para nos completar, para nos mostrar que existem pessoas infinitamente diferentes umas da outras, que elas tem milhões de defeitos e também milhões de qualidade, mas que sobretudo, podemos aprender muito com todas elas. Sempre aprendi alguma lição enquanto me desdobrava em lágrima em algum momento da vida, especialmente se essa lágrima era causada por alguém. Chega uma hora que a gente não vê mais as coisas ruins como tão ruins assim, a gente não vê mais como “porque comigo?” e sim como “bom, vamos lá, tinha que ser comigo!”.
Tudo que eu sou hoje pra você e por nós é resultado de tudo que eu vivi lá atrás e eu posso te garantir uma coisa, ainda não fui nem 10% do que eu quero ser pra você desde que ouvi o teu “aceito”.

Por isso eu celebro todas as noites e agradeço a  Deus, a todas forças do bem e ao destino por ter te colocado no meu caminho. Você só me mostra o quanto eu posso ser melhor, o quanto estou longe do que acho que sou, o quanto sou alguém que posso me surpreender. E você não me diz isso, você me prova.
Sinto isso quando você me retorna a ligação dizendo “Olha, a gente não merece isso, vamos parar de brigar?” e toda a minha pose cheia de razão cai por terra diante da atitude mais linda e sincera que eu poderia prever.

Se eu falar que eu te conheço bem eu estarei mentindo. Ainda não sei direito quem você é, e gosto desse mistério, de certo modo, até me excita, pois de óbvio e previsível já basta as novelas da TV. Gosto de te conhecer um pouquinho a cada dia, de saber que você tem instabilidade de vontade, que ora quer comer hot-dog e no minuto seguinte quer lasanha, que deseja muito viajar para fora do país como também deseja passar uma temporada em Campos do Jordão. A sua pluralidade de sonhos me encanta.

E eu quero estar ao seu lado até que não reste mais motivos. A gente não precisa firmar contrato, não precisamos fazer mil promessas embasadas no “quem sabe” ou precisaremos de qualquer prova de que “ficaremos juntos para sempre”, a gente só precisa um do outro, assim, do nosso jeito.
Pra quem vê de fora pode parecer que estou falando da perfeição em um relacionamento.  Mas não, não é. Talvez eu esteja aqui fazendo um testemunho de como é mais interessante respeitar o jeito da outra pessoa do que julgá-lo. Não acho inteligente perder tempo debatendo o jeito que alguém é ou deixa de ser se todo esse tempo pode ser aproveitado por algo que traga muito mais prazer.

Pode não fazer muito sentido e parecer meio vazio demais toda essa conversa, mas essas e outras coisas eu aprendi com você, esses e outros pontos de vista eu desenvolvi depois que a minha mão encontrou companhia na sua, depois que o meu coração se sentiu seguro ao encontrar o seu. E isso é só o começo.
A gente começou uma história que é impossível prevermos um fim.
Antes de sentir medo de como será quando terminarmos, talvez faça mais sentido eu tentar acabar com o medo de parque de diversões, aquele que você tanto gosta.

Como tem sido e como vai ser até que o nosso “pra sempre” dure, eu só quero aprender com você.

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