Author: Márcio Rodrigues (page 19 of 70)

Quando alguém é interessante

Quando alguém é interessante a nossa risada fica solta. A gente passa a se amarrar em mergulhar dentro da pessoa e cada pedacinho mais que conhecemos é um pedacinho excitante.

Quando alguém é interessante a gente se empolga e não para de falar. A gente entra na madrugada e parece que são três da tarde. A gente conversa sem saber o que a pessoa vai responder. A gente consegue falar de qualquer assunto e, quando não existe assunto, a gente inventa.

Quando alguém é interessante é quando esse alguém é ele mesmo e não alguém para nos impressionar, sabe? É que tem gente que encara um personagem só para chamar a atenção quando, na verdade, o que impressiona mesmo é o quanto esse alguém é real, seus valores e o modo que ele vê a vida. Alguém interessante é alguém que a gente gosta. Não precisa ter faculdade, saber a banda do momento, não precisa conhecer o mundo, não precisa falar sete línguas, não precisa ser todas aquelas cópias de pessoas. Não precisa um monte de coisa. Alguém interessante é alguém que sabe o que quer da vida, que ouve a música que gosta, que sonha viver o mundo de um jeito próprio, que fala a língua da verdade e que gosta, acima de tudo, de ser alguém especial para alguém.

A gente se interessa (ou deveria) por quem não é interessado unicamente em si mesmo.

Quando alguém é interessante a gente só quer encontrar uma maneira de falar ainda mais com esse alguém. Respondemos escondido no trabalho, vamos ao banheiro para ouvir o áudio no Whatsapp. Aproveitamos a volta para casa digitando em todos os lugares: caminhando, sentado e até esmagado no metrô digitando com uma mão só.

Quando alguém é interessante a gente não quer que esse alguém perca o interesse na gente também.

Quando alguém é interessante a gente começa e mencionar essa pessoa para os nossos amigos. Confidenciamos para aquele mais próximo: “preciso falar com você sobre alguém”. A gente se encanta e vem sorriso sem sorrir de canto. A gente quer saber dos sonhos da pessoa, da rotina dela, do que ela ama e do que odeia.  Tudo é assunto. “Me conta o que comeu hoje”. Tudo é assunto.

Quando alguém é interessante a gente quer saber tudo e tudo ainda é muito pouco.

Mas, afinal, como é alguém interessante?
A primeira coisa é que todos somos, mas muita vezes não mostramos tudo o que somos.
É um monte de coisa, mas é simplesmente alguém de verdade. Alguém que não usa o recurso da mentira só para nos chamar atenção. Alguém que até erra e comete algumas gafes, mas é alguém que tem senso de humor para relevar. Senso de humor conta muito. É alguém que não te julga e não joga na sua cara as próprias conquistas. É alguém que vê a vida do jeito que ela é, totalmente imperfeita, mas constrói formas de vivê-la de um jeito mais legal. É tipo alguém que te explica porque gosta de sopa no calor, sabe? Alguém interessante não necessariamente é alguém com talentos, que saiba tocar violão, cantar bem ou desenhar.

A maior habilidade de alguém interessante é nos fazer sentir vivos.

Alguém interessante, sobretudo, é alguém que se interessa pela gente também exatamente do jeito que somos.

Alguém interessante é alguém que ouve a gente e diz o que sente. Não é sobre beleza, nem sobre o dinheiro na carteira, mas é sobre os olhos, aqueles da visão na atenção que nos dá e aqueles do coração que se entra para nós só no tocar da nossa mão.

Será que você não está desperdiçando alguém interessante?

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

 

 

Eu me arrependo

O plano é sempre claro: fazer as coisas que me dão vontade. O problema, porém, é que na hora H as coisas não saem como o esperado e eu acabo me privando de fazer as coisas que sinto que devo fazer, sabe? Confuso, né? Em outras palavras, eu quero fazer uma coisa, mas faço outra – por mil motivos.

Eu queria puxar assunto com você, mas eu tive medo de você não gostar dos meus assuntos, afinal, muito se fala que é preciso ter lábia para conhecer alguém. A gente já vive uma pressão antes mesmo de falar com alguém. Tá vendo? Minha cabeça se confunde entre o que dizem que deve ser feito e o que eu quero fazer mesmo. E, no fim, me arrependo.

Eu queria ter aceitado te ver de novo quando perguntou o que eu ia fazer na sexta, mas me disseram que é preciso ficar meio longe pra não ser fácil demais, se não ia parecer que eu estava gostando muito de você. No fundo, eu queria ter saído.

Quando a gente se viu eu quis tanto te beijar. Você estava tão linda. Eu queria ser seu naquela noite. É que não identifiquei exatamente uma hora boa para isso, eu sou tímido e não sei construir clima, não sei perceber sinais e fiquei preocupado em parecer precipitado. Muito se fala sobre perceber se rolou química, mas eu não conseguia enxergar isso. Eu só queria me aproximar, te abraçar e te dar o meu melhor beijo. Mas eu não fiz nada e voltei para casa com os fantasmas na minha cabeça.

Teve a vez também que me arrependo até hoje por não ter pedido desculpas. Tomado pelo orgulho, preferi manter a distância por algo mal resolvido, do que a proximidade por uma história bem conversada. Eu não quis passar a imagem que acabei passando. Não sou a pessoa que mostrei ser.

O problema de se arrepender é que a gente acaba engolindo uma incerteza. A gente fica vivendo em função do que poderia ter acontecido. Passa pela nossa cabeça a possibilidade de ter dado certo o que a gente queria – e isso dói. O problema de se arrepender é que, muitas vezes, não dá para viver aquilo de novo. É questão de uma única chance. Talvez a gente não saia de novo, talvez você não me responda mais, talvez você até quisesse que eu tivesse te beijado sei lá, mas eu não dei um primeiro passo – apesar de que você também poderia ter dado esse passo, mas isso é outra história. O problema de se arrepender é que a gente só quer tentar se for para dar certo e, na verdade, muitas vezes não dá. Por isso, o valor está muito mais na tentativa de ter do que na conquista do que a gente quer.

Eu me arrependo sim de muitas atitudes não tomadas, mas o meu maior arrependimento é por eu não ter feito o que eu SENTIA que devia fazer. E o lado bom de todos esses arrependimentos é a lição que aprendi: a única opinião que eu devo seguir é a do meu coração. Ele pode até errar, mas sempre vai ser sincero comigo e eu sempre vou poder dormir com a paz de ter feito o que ele me disse para fazer.

Muita gente fala o que a gente deve fazer, mas ninguém coloca a cabeça no travesseiro ao nosso lado quando o resultado não é bom.

Então, eu me arrependo mas não vou me arrepender mais. E, se eu tiver outra chance, eu vou mostrar o quanto posso fazer bem a alguém. Se a chance não vir, eu vou construir outras oportunidades.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

 

Seu amor não vale nada

Me desculpe os contrários, mas eu preciso deixar claro que todo o seu amor não vale nada. É isso mesmo. Esse seu amor inteiro aí é uma bosta. E daí que você ama? Então que faz provas de amor? E daí que o que sente “é o maior amor da sua vida”? Ele não significa nada no fim das contas, ou melhor, nada como você imagina e insiste em errar ao pensar que significa alguma coisa.

Nós estamos viciados em colocar o peso de tudo na vida nas costas do amor. Falamos o quanto amamos para nos desculpar por cada uma das nossas cagadas com as pessoas que estão com a gente. Amor virou um escudo. “Mas eu te amo, não me deixe”. “Desculpe por isso, eu te amo”. “Eu te amo muito”. FODA-SE. Esse amor todo não quer dizer nada. Amor não sustenta nada.

Amor não é tudo, é só uma pedaço do todo.

Pare de usar seu amor como manobra de chantagem emocional ou qualquer outro instrumento. Para de fazer do amor um adereço para as merdas que você faz.

Um milhão de vezes mais valioso que o amor é a paciência. Não diga que ama, tenha paciência com quem ama. Não repita frases de efeito sobre o amor, tenha paciência para os dias de merda da sua história. A paciência é pra lá de uma virtude, é basicamente um pilar de sustentação de qualquer relação. O amor não te assegura nada, a paciência pode ser que sim.

Estamos jogando no lixo tudo o que construímos alegando que “poxa, mas eu te amo”. FODA-SE ESSE SEU AMOR DE MERDA SE VOCÊ NÃO SOUBE TER PACIÊNCIA PARA SUPERAR AQUELA BRIGA, LEMBRA? Lembra daquele seu surto de ciúmes? Lembra que você fez “quem você ama” ficar longe dos amigos? Lembra das noites que dormiu BRIGADO COM QUEM VOCÊ FAZ AMOR? Lembra das palavras que usou para ofender quem você BEIJA A BOCA? Você lembra disso?

Do que adianta falar que ama, se você não tem paciência para deixar o amor florescer? E sabe o que é isso? É saber respeitar a outra pessoa e todas as diferenças entre vocês. Você me parece ser do tipo que pensa assim: “Pronto, já falei que ama, a pessoa já disse que também, então tudo certo, agora é só regar a plantinha”. NÃO É NADA DISSO, É ALGO MUITO LONGE DISSO.

O amor não está no “eu te amo” que você fala, mas está no jeito que você ouve a outra pessoa dizer o que ela quer. Amor é atitude. Amor é postura. Amor é conversar para ficar bem, ao invés de ficar com indiretinhas. Amor é não admitir dormir brigado. Amor é respeitar as manias do outro. Amor é não querer mudar o outro. Amor, inclusive, é ver que o outro quer ser livre e deixá-lo voar. Amor não é prisão. Amor é uma soma de energias, não uma subtração. Amor não é sua grosseria desgraçada. Amor não é o seu like na foto de alguém que está ao seu lado esperando ouvir uma palavra boa sua. Você entende? Seu amor não presta para nada se você não for paciente. Relação nenhuma se mantém de pé só com amor. Amor não segura família. Amor sozinho não faz alguém voltar e não faz conquistar alguém. Amor enquanto definição é só uma porra de detalhe, amor é O JEITO QUE VOCÊ TRATA QUEM VOCÊ GOSTA.

Só quem ama sabe o quanto é difícil amar alguém, aceitar diferenças, respeitar defeitos, não lutar contra pontos negativos, não tentar transformar a pessoa em uma cópia de si, não querer ser dono da razão, não querer vencer brigas, não querer se superior e dar sermão. Tudo isso é sobre ter paciência que, me arrisco a dizer, significa muito mais do que um eu te amo.

Amor é para todos, amar é para poucos.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Por quê você não chega nele?

Antes de qualquer coisa: Só não me diga que ainda é daquelas que acredita que se ele quer, o homem que tem chegar, pois se for, vou te dizer que você parou no século passado. Você está fazendo isso muito errado.

Você já se perguntou por quê não chega nele? Por quê não esclarece suas intenções? Para um pouco de se alimentar com quase nada. É que você sabe, né? É só ele curtir uma foto sua que você já pensa mil coisas e, bem, sabemos que foi só um like na sua foto. Pelo menos por enquanto. Você coleciona sinais que só existem na sua cabeça.

Por quê ainda usa indireta? Você confia demais que ele vai entender algo subentendido. “Ah, mas ele não é idiota, dei uma super indireta” – não é sobre ser idiota, é sobre ele parar um minuto e pensar: “Será que? Não pode ser”.

Por quê você ouve tanto as pessoas dizendo o que deve fazer e ignora o que você sente que deve fazer? Por quê?

Por quê você não puxa assunto e é sincera para que não existam dúvidas? Por exemplo, um “Oi, eu quero te ver essa semana” pode significar mais do que imagina e é muito diferente de “vamos combinar qualquer dia?” Agora, se ele despistar, você já vai ter sua resposta. Você percebe isso? Ou vai me dizer que tem sido bom dormir dia após dia com um desejo sem previsão de se realizar? Se é que vai, né.

Eu acho que você deve tomar alguma atitude.
Sei que, hoje em dia, para muitas mulheres, isso de esperar atitude do homem é passado, ou seja, se ela quer ela vai atrás. Mas, sabemos também que isso não é uma unanimidade. E para aquelas que esperam demais que quero falar. Aquelas mulheres que não percebem o quanto estão complicando as próprias vidas.

Imagino que exista medo. Rola um negócio meio “mas aí ele vai achar que sou fácil demais”– e eu entendo. O homem, de um modo geral, carrega a histórica imagem de interpretar as coisas de um jeito que fará bem a ele e de um jeito para contar aos amigos: “Cara, sabe aquela mina? Então, acho que ela está me dando ideia. Vou comer daora!”. Esta é uma imagem horrível e dificílima de ser desconstruída, cuja qual só conhecendo homens diferentes que se tem a amostra de que isso é real ou não. Porém, é necessário: os homens não são iguais. Bem, dá para pensarmos diferente, isto é, se você tomar uma atitude para um homem e ele te achar fácil demais, basicamente ele não é homem ainda, mas sim um garoto na puberdade que se acha superior por ter uma garota a afim dele trocando bilhetinhos no intervalo da sétima série.

O homem que sabe o quão excitante é uma mulher determinada, sabe bem que atitudes diferenciam. O homem que sabe fazer bem a uma mulher, sabe como é do caralho que ela também diga que gosta e dê o primeiro passo – e o quanto isso fará bem aos dois. Não é uma disputa sobre quem ganha mais, pois ambos vão beijar, ambos vão transar, ambos vão se fazer Também não é sobre estragar as coisas e ir escrachando tudo, acabar com a graça do mistério ou algo do tipo, nada disso, é sobre preferir viver do que jogar. É sobre chegar nele e encontrar uma maneira de ser clara sobre suas intenções e sobre ele saber valorizar que, em meio a tantos caras do mundo, é ele quem você quer.

Eu realmente não queria focar tudo isso na reação do homem, mas sim na atitude da mulher e sobre o quanto só um homem de verdade sabe valorizar uma mulher com iniciativa.

Chame no chat. No Whatsaap. Mande uma mensagem.

Por quê você não chega nele? Eu sei que você pensa muito no lado ruim, no não dar certo.

Mas e o lado bom? Ninguém perde tempo, os dois ganham prazer e você mais segurança para viver como deve ser: sem saber o final.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Para de reclamar um pouco

Você está sendo tudo o que odeia: reclama demais, nada está bom, tudo atrapalha e notícia boa não aparece. Reclama tanto que não consegue ver quando algo está bom, quando algo funciona e quando notícias boas aparecem. É tão lógico que dá até raiva.

Reclama do salário, mas não procura outro emprego. Reclama de não ter ninguém, mas não facilita alguém chegar e apavora todos que se aproximam. Reclama que precisa de férias, mas só deixa dois dias de uma semana com sete para se divertir. Sua vida é uma rotina por sua culpa. Você está envelhecendo 10 anos por mês e não percebe.

Se faz frio, reclama. Se faz calor, reclama. Se chove, reclama. Se não chove, reclama. Se o cabelo acorda bem, reclama que poderia ser todo dia. Se alguém está afim de você, reclama que está indo rápido demais. Se o sexo foi bom, reclama que já teve melhores. Se te dão atenção, reclama que está sendo grude demais.

Reclama até do horóscopo, coitado. Olha o signo, compartilha signo, olha ascendente, respeita o que falam sobre você mas não respeita o que sente.

É claro que eu falando tudo isso também sou alguém reclamando, mas você é mais inteligente do que a interpretação de que só estou sendo um reclamão também. Você sabe onde quero chegar.

Cuide um pouco mais de você.
Reveja sua vida inteira e analise o que dá para melhorar. Sempre dá. O mundo não nos obriga a fazer nada e nós somos responsáveis por muitas das coisas que odiamos. Nós somos uma máquina de problemas.

É que já tá ruim demais para você reclamar tanto, principalmente nas relações. Você está numa fase tão estranha que até quando a pessoa boa você procura um motivo para reclamar; até quando a pessoa te dá um presente você questiona; até quando a pessoa só diz que gostou de ficar com você, você já leva na maldade e sugere que isso significa outra coisa. Já percebeu essas coisas?

Para de reclamar um pouco. A vida já é sofrida e você parece querer sofrer. Reserva uns minutinhos para agradecer também. Olha que legal ter um emprego, olha que surpresa o cabelo acordar bom, olha que gostosa que é a chuva, olha como tem alguém puxando papo com você com uma conversinha daquelas de esfriar a barriga e interromper a rotina.

Se você reclamar menos, vai perceber como a vida vai acontecer mais.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

(+18) A gente se dá bem

A gente se entende. E ainda não precisa ter compromisso pra isso. É só se respeitar, gostar de estar um com o outro escolher ficar juntos algum dia ao invés de sozinhos em todos eles.
A gente se da bem na cama do enroscar das pernas no edredom ao seu cabelo colado no meu corpo suado. Eu gosto, você gosta? Parece. Gostamos.

Bom te ver de novo.
Bom que vamos dormir juntos hoje, acabou a noite, mas: começou a madrugada. Tão pouca luz nesse quarto. Eu no último sono, você no penúltimo, 1 segundo acordado, uma mão aqui e outra ali e o sono foi para outro mundo. Encosta seu rosto no meu, isso. Acordamos. Te beijo enquanto passeio pelos seus cabelos só para te relaxar ainda mais. Pode ser assim fofo? Essa outra mão vai descer aqui pelas suas costas. Isso. Assim, sem pressa. Vou descer te massageando. Ainda fofo, juro. Parte do seu cabelo vem para o meu rosto e você ri: “hehe, ê cabelo né”, tudo bem, vamos seguir. Segura meu pescoço, comanda nosso beijo. Opa, o momento fofo parece começar a ir embora.

A gente se dá bem – e muito. Você então, dá bem demais pra mim, digo, comigo.
Vira o corpo, me mostra que quer ficar por cima. O shorts que uso pra dormir escorrega pelo seu quadril. Você está de vestido. Camisola? Como chama? Cabelos soltos. Queria te ver melhor, queria acender a luz. Abaixa a cabeça em direção ao meu rosto. Morde cada pedacinho de mim que, ali, já estou entregue. Pode vir. Faça o que te faz bem.

Respira devagar. Beija meu peito com uma mão, com a outra arranha sem pressa. “Sou eu que mando” é como se comporta. E pra mim tudo bem, vamos ver. Sei lá que horas são. Abaixo meus olhos para tentar flagrar algum detalhe do seu rosto e na mesma hora a gente se olha e você sorri mordendo a boca. Penso: “agora pronto.” Levanta se mantendo sentada. Acho que é isso. Boa noiNÃO PERA, ELA QUER MAIS. Ergue os braços e começa a prender o cabelo. Já eu, prendo a respiração por segundos. Prendeu, fodeu. Te vejo descer lentamente. Você sabe acabar comigo. Tira meu shorts e já estou sem nada, mas com você. E então começa. Fica ali, com algum som mas nenhuma palavra. Algum cuidado, mas nenhuma demora. Muito prazer e toda a sensualidade. Eu me retorço entre os lençóis. Edredom no chão. Controle remoto caiu. “O que você está fazendo comigo, hein?” penso. E deixo. Se te faz bem, me faz bem.

E então você sobe pelo meu corpo. E antes de chegar em meu rosto, com o pouco de força que me restou, eu saio de baixo e te deixo lá.

Agora eu quero ficar por cima, mas antes, senta aqui na minha frente, levante os braços. Tchau camisola. Agora pode deitar.

Agora sou eu. (E aquele sono, né? Cadê?). Encosto meu peito nos seus seios. O tato fala muito. Afasto o cabelo do seu rosto, mordo o seu lábio e te olho para despir sua vergonha na cara. Separo sua mão colocando para trás da sua cabeça. Pode confiar. Vai ser bom. Tento mostrar sem precisar falar. Vou descendo pelo seu pescoço até o seus seios. Tão bonitos e delicados que merecem mesmo o meu beijo naquele momento. Um, outro, dois, vários. Vou trocar, agora vou morder devagar. Pressa pra quê? Como é bom fazer bem a você. E você prende suas pernas nas minhas pernas. Vou de um seio para o outro. Percorro a sua volta com a língua, só para sentir a temperatura do seu corpo. As coisas estão quentes. Vou descer. Mais. Um. Pouco. Cheguei. Aqui. Pronto. Uma conexão íntima, um beijo e um movimento simples e intenso. Você passa a tremer. Te sinto suar e, depois de um tempo, me puxa pra cima de você. Já afasta as pernas, indica sem falar e relaxo para me tornar nós. Isso. Agora somos nós. Vou começar. Já comecei. Quer mais? Vai ter. Está gostando? Bom saber. Me dá parte desse seu cabelo aqui, levanta essa cabeça e me olha com cara de prazer. Alguma pressão, mais pressão. Você não quer que eu pare. Você não quer outra coisa além que eu continue. E os vizinhos? Eles também fazem, ué. Mais, um pouco mais, vem e vai, grita e puxa, arranha e beija, respira e inspira, suór e arrepio. Isso. É ISSO! SIM É ISSO! Foi… Foi isso. Sério. Tá foda. Foi foda. Você é foda. A gente é foda. Que foda.

A gente se dá bem.

É bom te ver, é muito bom ter você e espero que esteja sendo bom também para você me ter.

Quero te ver de novo.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Obrigado por me ouvir

Talvez eu pudesse mergulhar no clichê e enumerar algumas coisas que gosto em você.
Poderia começar pelo seu corpo e parar no seu respeito.
Daria para dizer também que você tem um bom coração.
E também daria para falar que amo o jeito que cuida da sua família.
Tudo isso são coisas que te fazem especiais diante de todas as pessoas que já passaram pela minha vida, mas eu queria destacar uma delas:

A atenção que você me dá é o que eu mais gosto em você.

O jeito que quando fala comigo está realmente comigo e não com a cabeça em outro lugar. É bom me sentir perto de você. Inclusive isso é algo que preciso melhorar, eu quero te dar mais atenção. Ser mais o bastante para você.

Eu falaria dias sobre como me sinto seguro quando a gente está junto e sobre como é bonito em você esse cuidado que tem só no ouvir.

A gente tem falado demais e ouvido tão pouco as pessoas. Queremos opinar tanto, queremos saber de tudo e nos posicionar sobre tudo. Mas você, eu sinto que você só tenta me ouvir quando eu começo a falar. É como se parasse o mundo para me deixar contar tudo o que quero – por menores que sejam as coisas.

Não se sinta na obrigação de me dizer o que sente também. Está tudo bem.
Hoje eu quis falar sobre o que eu mais gosto em você; hoje quis falar sobre a atenção que você me dá.

É que sexo eu poderia encontrar em outras pessoas, uma mão para dar na rua também, puts… muitas coisas eu poderia encontrar em outro alguém por aí, mas eu acho que atenção não, porque atenção é algo que você dá, não empresta. É algo que a gente abre mão e dá para alguém ter pra si.

E isso é o que eu mais gosto em você. O jeito que me deixa derramar histórias na sua vida. O jeito que para o seu dia para me ouvir falar – às vezes sem parar. Eu gosto disso. O jeito que questiona interessada pelo meu assunto. O jeito que opina afim de me ajudar. O jeito, enfim, que se coloca a disposição para a minha vida. Eu me sinto confortável e profundamente agradecido.

Ter toda a sua atenção para mim é ter um pedacinho da sua vida comigo, para que eu possa me refugiar sempre que o mundo parecer pesado demais. Obrigado e conte comigo.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

 

 

 

 

 

 

 

Você vive uma história que não te faz feliz

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Pelo menos não como já te fez um dia, né?
É que no fundo você é uma pessoa acomodada e sair de toda essa zona de conforto não é opção. Você não quer considerar o fim pelo pavor dos recomeços. Tudo isso te faz mal só de pensar. Realmente não dá. Eu sei.

Não é de hoje que acumula momentos em que se questiona sobre o que está vivendo. É que você sabe muito bem – melhor que ninguém – o quanto não tem sido leal à história que tem vivido. Está tudo errado e não é de hoje.

Existe alguém com você mas você não existe com esse alguém.

Um dia após o outro, bem aos pouquinhos mas cada vez mais, você vai sabotando a sua importância para essa história. E isso tudo te faz alguém cada vez menos interessado em continuar vivendo tudo isso. Mas, como sabemos, o fim não parece uma opção.

Tem muita coisa envolvida, né? Tem o respeito e o grande carinho pela pessoa que está com você – essa pessoa que não faz ideia do que você pensa quando apoia a cabeça no travesseiro. E a regra de respeitar a pessoa fala mais alto que a de respeitar seu coração e a si mesmo.

Você já se perguntou, com todas as letras, se está sendo feliz vivendo isso? Ou só disfarçou esse sentimento alegando ser só mais uma crise entre vocês? É que realmente não é fácil ponderar prós e contras para chegar numa conclusão. E então, sabe o que a gente faz? A gente vai empurrando com a barriga só pra ver até onde vai dar. A gente vai levando.

Quando te perguntam como vão as coisas entre vocês, você responde: “tá tudo bem”, mas você sabe que não está. Sabe que não queria mais faz tempo.
É que você também não gosta de enfrentar. Você não gosta de olhar para os problemas, só que desse jeito você acaba criando problemas novos. É um beco sem saída.

Eu fico pensando em quem está com você agora. Essa pessoa tem se dedicado por vocês mas a preguiça de tudo só aumenta para você. Não é raiva, não é descaso, é só uma legítima preguiça de corresponder. E aí começa a ficar sério, porque a paciência começa a esgotar, as brigas começam a aumentar e a dor começar a torturar, ainda que seja disfarçada pela certeza cega de que amanhã tudo vai melhorar. Só que não vai. Você não quer que melhora. Você quer sair dessa.

Talvez seja essa a hora de você parar e prestar atenção. Desacomodar. Realmente encarar, saber equilibrar, perceber e concluir que o que vive pode ser tudo, menos vida. Que o sorriso no seu rosto tem vindo de outras pessoas – e algumas delas tentações proibidas -, que você não se empolga mais, que o que era tudo virou tanto faz. Talvez seja a hora de perceber que tem alimentado um amor com migalhas. E, principalmente, talvez seja essa a hora de você perceber que tem mergulhado nos raros momentos bons só para anestesiar a cabeça e te fazer pensar menos, ao invés de aproveitar mais.

Você vive uma história que não te faz feliz. Mas só você pode mudar isso. Se o fim não é uma opção, então qual seria a ideal para respeitar de verdade quem está ao seu lado, enquanto você gostaria de estar em outro lugar ou com outro alguém?

por Márcio Rodrigues.
@marciorodrigues

Aceite os elogios

Eu sei que a sua blusinha é velha, mas alguém achou ela bonita hoje. Eu sei que sei cabelo está bagunçado, mas alguém gostou da bagunça dele hoje. Eu sei que você não fez nada demais, mas alguém achou que você fez muito. Eu sei que pode não parecer assim tão real, mas você tem negado todo o seu lado bom, justamente aquele lado que frequentemente se questiona se ainda existe mesmo.

A gente tem uma tendência a olhar o lado ruim da nossa própria vida. Vemos o metrô lotado, o chefe chato e o amor acabado, mas não vemos o transporte, o salário e o amor vivido. Que seja então meio piegas falar sobre o lado bom das coisas, mas é tão básico quanto raro.

“Ah, é que eu não sei lidar com elogios”, mas não tem que saber LIDAR, tem que aceitar. Reconhecer e agradecer. Tem que torná-lo benéfico para sua autoestima. Faz sentido? É tão lógico. Um elogio sincero é revigorante e nos leva para o mundo que nem sempre estamos: aquele mundo onde as coisas dão certo.

E nessas da gente não aceitar elogios, acabamos eliminando a possibilidade com que apareçam novamente. Uma vez negado, meio que automaticamente, não vamos receber de novo – e pior, podemos até não elogiar mais ninguém. Não se trata, obviamente, do elogio com segunda intenção cheio de malícia, mas sim, do elogio por origem: o ato de simplesmente destacar algo positivo em alguém em determinado momento.

Não é preciso ter faculdade para saber que se o elogio fizesse mais parte das nossas vidas, todos nós seríamos felizes. Se elogiássemos mais nossos colegas de trabalho, o ambiente seria melhor. Se elogiássemos mais nossa família, a união seria maior. Se elogiássemos mais nossos amigos, a amizade seria mais forte. Se elogiássemos mais o nosso parceiro de amor, o amor seria invencível.

Isso significa, portanto, que você precisa aceitar mais os elogios – e praticá-los também. Precisa aceitar mais quando querem destacar algo em você, por menor o destaque que você pensa existir. E precisa saber enxergar algum destaque em alguém.

É uma mecânica simples: olhe mais com o coração para as pessoas ao seu redor, se algo te chamar a atenção de um jeito bom, faça ela saber disso. Talvez ela nunca ouvirá de alguém na vida. E, do contrário, se alguém te falar que gostou de alguma coisa em você hoje, aceite, profundamente, aceite e seja grato.

O elogio é um beijo carinhoso em forma de palavra em um pedaço bom que a gente tem. E como todo mundo sabe: cada beijo é diferente, mas todos são bons.

Vamos, então, beijar mais com palavras os pedaços das pessoas?

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Não sabemos mais amar para sempre

O combinado na maior escala de uma relação é: “viverão juntos até que a morte os separe”. Não é esse? Não continua sendo esse?

Será que já matamos o que só a morte ia separar?

Todo mundo fala que quer um amor para sempre. Um daqueles de ficar bem velhinhos mas ainda conseguir dar umas bitocas no seu mozão. Todo mundo começa a viver uma história, passa pouco tempo e sai falando que ama e logo sai respondendo que ama também. E até aí tudo bem. Não se trata da hora em que as coisas são ditas. O ponto é: será que estamos prontos mesmos para amar para sempre? Ou a gente só gosta de colocar “pra sempre” nas legendas das fotos e cantar nos refrões das músicas? Por quê a nossa paciência acaba na terceira briga e já consideramos a possibilidade de jogar tudo para o alto – inclusive a pessoa que está com a gente?

O casal da foto deste texto viveu 62 juntos. E sua última história, quanto tempo durou? Será que você é alguém pronto para amar para sempre? O que sustenta uma relação por tanto tempo assim? O que você fez para que sua última história perdurasse? Qual é o seu papel no papo de ser feliz com alguém?

De novo porque é impressionante: o casal da foto viveu juntos por 62 anos. Por quê a gente acaba as histórias antes delas começarem? Por quê as pessoas estão se importando cada vez menos em respeitar as outras, e pior, em respeitar aquelas em que dividem a cama? No que diabos estamos transformando o amor? Por quê eu preciso demorar para te responder? Quem inventou que você não pode me valorizar se eu responder rápido, só se eu demorar?

Por quê você tenta tanto controlar a vida de alguém que ama? Qual é o seu problema? Se você sabe qual é, por que não tenta tratar? Olha a quantidade de perguntas até aqui. Tem tanta coisa errada que é difícil exclamar algo.

Estamos nos tornando tijolos. Operários do amor, ao invés de construirmos histórias, amontoamos pessoas que passam pela nossa vida, uma seguida da outra. “Essa é boa, vou deixar aqui um pouco mais”, “Essa não é boa, vou jogar fora”. Na verdade, olha que louco, os tijolos parecem ser muito mais inteligentes que nós. Eles ficam ali, grudados um no outro, aguentando churrasco na sua casa, parente bêbado, chuva, frio, calor, solidão e tudo mais. Mas eles estão juntos e vão continuar para sempre juntos até que a morte os separem. Espera, isso é interessante:

Até os tijolos na parede ficam juntos até que a morte os separe, enquanto a gente já repensa se vale seguir com a pessoa na terceira briga.

É claro que cada história tem o seu para sempre, podendo durar 1 dia ou 1000 anos e toda aquela verdade de que seja eterno enquanto dure, mas será que não conseguimos mais fazer durar para sempre? Será que você não consegue mais começar uma história planejando viver 62 anos com este alguém? Começamos algo já esperando o fim chegar? O que está acontecendo? Não temos mais tempo. Não temos mais saco. “Mandei mensagem tem 5 minutos e não me respondeu? Não aguento mais, vou terminar”. Estamos egoístas diante do amor. “Tenho o mundo inteiro para viver, me deixa”. “DEIXO, MAS POXA, QUE TAL A GENTE VIVER O MUNDO INTEIRO JUNTOS?”

A soma das nossas risadas pode ser mais engraçada que a sua sozinha.

Não estamos mais cuidando de quem a gente gosta. Estamos sem forças para dificuldades. Estamos decepcionados pela vida não ser mais igual era na terceira série da escola. As pessoas estão nos dando preguiça. A gente se entedia rápido demais. Perceba os monstros que nos tornamos e o quanto quem antigamente era fundamental, hoje não passa de um tanto faz. Planejamos o próximo fim de semana, não a viagem do ano que vem, que até lá pode sofrer dificuldades.

Queremos uma coisa, mas estamos fazendo outra. Queremos um amor para sempre, mas estamos jogando fora todos os candidatos. Exigimos muito como se fôssemos tudo isso também.

O casal da foto deste texto viveu juntos por 62 anos. Será que ainda conseguimos manter alguém perto da gente, sem celular, sem TV, sem distrações, por 62 minutos?

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

foto: http://dailym.ai/1pSvCS0

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