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Pelo menos não como já te fez um dia, né?
É que no fundo você é uma pessoa acomodada e sair de toda essa zona de conforto não é opção. Você não quer considerar o fim pelo pavor dos recomeços. Tudo isso te faz mal só de pensar. Realmente não dá. Eu sei.
Não é de hoje que acumula momentos em que se questiona sobre o que está vivendo. É que você sabe muito bem – melhor que ninguém – o quanto não tem sido leal à história que tem vivido. Está tudo errado e não é de hoje.
Existe alguém com você mas você não existe com esse alguém.
Um dia após o outro, bem aos pouquinhos mas cada vez mais, você vai sabotando a sua importância para essa história. E isso tudo te faz alguém cada vez menos interessado em continuar vivendo tudo isso. Mas, como sabemos, o fim não parece uma opção.
Tem muita coisa envolvida, né? Tem o respeito e o grande carinho pela pessoa que está com você – essa pessoa que não faz ideia do que você pensa quando apoia a cabeça no travesseiro. E a regra de respeitar a pessoa fala mais alto que a de respeitar seu coração e a si mesmo.
Você já se perguntou, com todas as letras, se está sendo feliz vivendo isso? Ou só disfarçou esse sentimento alegando ser só mais uma crise entre vocês? É que realmente não é fácil ponderar prós e contras para chegar numa conclusão. E então, sabe o que a gente faz? A gente vai empurrando com a barriga só pra ver até onde vai dar. A gente vai levando.
Quando te perguntam como vão as coisas entre vocês, você responde: “tá tudo bem”, mas você sabe que não está. Sabe que não queria mais faz tempo.
É que você também não gosta de enfrentar. Você não gosta de olhar para os problemas, só que desse jeito você acaba criando problemas novos. É um beco sem saída.
Eu fico pensando em quem está com você agora. Essa pessoa tem se dedicado por vocês mas a preguiça de tudo só aumenta para você. Não é raiva, não é descaso, é só uma legítima preguiça de corresponder. E aí começa a ficar sério, porque a paciência começa a esgotar, as brigas começam a aumentar e a dor começar a torturar, ainda que seja disfarçada pela certeza cega de que amanhã tudo vai melhorar. Só que não vai. Você não quer que melhora. Você quer sair dessa.
Talvez seja essa a hora de você parar e prestar atenção. Desacomodar. Realmente encarar, saber equilibrar, perceber e concluir que o que vive pode ser tudo, menos vida. Que o sorriso no seu rosto tem vindo de outras pessoas – e algumas delas tentações proibidas -, que você não se empolga mais, que o que era tudo virou tanto faz. Talvez seja a hora de perceber que tem alimentado um amor com migalhas. E, principalmente, talvez seja essa a hora de você perceber que tem mergulhado nos raros momentos bons só para anestesiar a cabeça e te fazer pensar menos, ao invés de aproveitar mais.
Você vive uma história que não te faz feliz. Mas só você pode mudar isso. Se o fim não é uma opção, então qual seria a ideal para respeitar de verdade quem está ao seu lado, enquanto você gostaria de estar em outro lugar ou com outro alguém?
por Márcio Rodrigues.
@marciorodrigues

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