Author: Márcio Rodrigues (page 24 of 70)

Às vezes eu quero, às vezes não

Não há exatamente uma ordem.
Minha cabeça é meio estranha e eu já desisti de tentar me entender.
Nada de diferente, sou só mais um clichê no meio de tanta gente.

Tem dias que sim: o que eu mais quero é uma companhia para o famigerado cinema da sexta-feira. Tem outros, porém, que eu me prefiro em casa com a companhia do meu eterno amor: Netflix. Eu sei que esse meu jeito não faz bem a mim mesmo, porque eu acabo nunca me decidindo exatamente sobre o que eu quero, mas enquanto não encontro uma solução para isso, eu respeito meu jeito.

Às vezes eu quero, às vezes não.
Às vezes eu me animo com o match no app do celular, às vezes eu tenho preguiça até de responder no Whatsapp. Às vezes eu até compro uma roupa nova e invento uma moda no cabelo antes de sair, outras vezes eu só respondo o mais do que conhecido: “beleza, qualquer coisa eu te aviso” depois de um convite.

Como eu disse, reconheço que só eu perco com esse meu jeito – só eu ganho também. Mas sabe, deixa eu explicar, eu tenho preguiça de roteiros – talvez isso contribua para o meu vício em postergar. Tenho conhecido pessoas previsíveis demais e não precisa de muito para que eu identifique as reais intenções. Entendo, no entanto, que nem sempre será assim e que alguém diferente pode aparecer, mas não tem aparecido. É basicamente isso.

Ao mesmo tempo, olha como me falta parafuso, eu me pego pensando em como seria gostoso um novo alguém com aquele roteiro óbvio de frio na barriga, conhecer a família, primeiro beijo, histórias para lembrar, datas para comemorar, presentes para dar e tudo mais que tem direito. Eu sei o quanto isso faz bem, mas, às vezes eu quero, às vezes não.

Indo bem além de toda essa parte fofa, às vezes eu quero sim facilitar para que alguém perceba o quanto eu só quero uma noite de sexo para me aliviar. Às vezes eu quero sim acordar com alguém que eu nem sei direito o nome – só pra gente se fazer bem naquela noite. Mas por outro lado, veja só, às vezes eu me canso disso tudo e acabo escolhendo ficar em casa com uma boa comida e um bom filme para me fazer gastar mais horas do que palavras.

Eu que não me atrevo a tentar me entender.
Vai ver é por isso que não exijo tanto, uma vez que eu não posso me comprometer a dar tudo o que me exigem.

Apesar de tudo isso, eu gosto do meu jeito. E aqui assino o papel da maior loucura da face da Terra. Explico: eu prefiro assumir que quero alguém e que no outro dia não quero mais, do que enrolar esse alguém só para ficar lá me esperando quando eu quiser.

Eu não cultivo expectativas para alimentar outras pessoas. Apesar de me alimentar de algumas que cultivam.

Mas esse é o ponto: eu não julgo ninguém justamente porque eu não quero que me julguem. Assim como já quis transformar aquele caso em algo maior, já quiseram comigo e eu não quis.

Às vezes eu quero, às vezes não.
Às vezes vou atucanar meus amigos com a minha ansiedade em ter uma resposta, às vezes vou estar com meus amigos sem a preocupação em ter que dar uma resposta.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees

Parece que você não entende

Dificilmente será fácil um dia.
Quanto mais velho a gente fica, mais e maiores problemas a gente enfrenta. Só que mais força a gente tem também – é uma compensação da vida. O dragão de ontem não é páreo para o de amanhã – mas nossa vitória de ontem nos dá mais força para vencer amanhã.
Dificilmente será fácil um dia.

Está tudo lá escrito no Manual da Dor: “A vida raramente vai acontecer como você deseja” –  felicidade não é uma moleza. Isso não significa, porém, que você não pode ser a exceção; que a sua vida não pode ser diferente.

Olha a altura que seus pés ficam do chão quando você sonha alto.
Isso é bom e ruim. Bom porque você sempre vai além e provavelmente vai se superar, ruim porque altura demais também é perigoso para cair. Ou seja: toma cuidado antes de esperar tanto.

Vezenquando banho de água fria é bom para acalmar um coração febril.

Mas até hoje nenhum pé na bunda foi forte o bastante para matar alguém – não que eu saiba e que tenha saído nos portais: “Morre fulano de tanta dor por fulana ter terminado namoro”. As contas para pagar não esperam a gente chorar para sempre. Nos jornais nunca saiu a notícia de alguém que tenha falecido porque a mensagem lida não foi respondida.

Você consegue ver como até as coisas ruins são pequenas?
E eu sei que existem os famigerados “casos e casos”, ou seja, há dores que levam anos para sumir. E há choro que leva dias para cessar – mas soem e cessam. Também há como reciclar o olhar sobre tudo isso e amenizar qualquer sofrimento.

Lembra, você já comemorou um monte de coisa nessa vida.
Lembra daquela resposta da entrevista? Você quase morreu de alegria – só que também não há documentado na imprensa alguém que tenha ido a óbito de tanta felicidade. E aí a euforia acalmou.

Fique feliz por ficar feliz e não pelo tempo que ficou feliz.
Isto é, e daí que o amor durou menos do que esperava? Não foi do caralho já ter vivido um amor? Isso é totalmente óbvio mas também totalmente esquecido.

Eu queria andar de balão.
Lá do alto eu queria poder ficar bem perto das nuvens – e trazer um pedaço para casa. Queria aproveitar e gritar coisas sem incomodar ninguém. Certeza que eu ficaria tão eufórico que ia rir de salivar sem querer em alguém. Mas também, dane-se né, estarei andando de balão! Eu queria! Eu queria, mas já que por enquanto não posso, preciso lembrar das economias que preciso fazer para andar de balão.

Se o seu balão é só uma mão para encaixar na sua, cuide de você para se sentir alguém que outro alguém possa querer – e principalmente, cuide de você para se sentir alguém que você sempre quis ter.

Essas palavras fáceis não contam nenhuma novidade para você. É claro que você sabe de tudo isso, mas parece que você não entende.
Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees

 

Você me deixa assim

Cantando refrões estranhos.
Rindo do que nunca vi graça.
E encontrando seu perfume nos ares do metrô.
Vez ou outra a vida ainda me brinda com uma coincidência de ouvir ou ler seu nome em lugares em que eu não esperava. Acho que isso tem a ver com a gente querer que aconteça algo que faz bem pra gente, né?

Quando a gente quer o bem, o bem começa a querer a gente também.

E ando me sentindo meio bobo demais. Mas é um bobo com “bo” de bom.
O frio na barriga vem me visitar só com o seu “Oi, tá fazendo o quê?” na notificação do celular. É meio louco. Logo eu, que tão cedo sempre dormia, hoje não me incomodo em atravessar a madrugada falando com você sobre como foi o dia. Você me deixa assim.

E eu não sei disfarçar.
Vou logo visitando o seu perfil no instagram e, espalhafatoso que sou, acabo curtindo uma ou outra foto sua sem querer e pensando: “Será que a notificação vai chegar?”, “Será que se eu descurtir ela não vai perceber?” Vou curtindo suas fotos enquanto não curto você, hehe.

O mais engraçado disso tudo é que eu nem sei nem o que temos.
Os aplicativos de relacionamentos me ensinaram a te chamar de crush, meus amigos preferem “um lance” e eu, bem, eu estou te chamando de apelidos no diminutivo. Olha onde me enfiei! Como vou manter minha pose de durão diante dos apelidos que te dei?

Esse negócio de uma vida entrar na outra é um caminho sem volta.
É sempre o clichê de que ninguém esperava nada e quando damos conta, estamos lá: com a pessoa mais dentro da nossa vida do que nós mesmos somos. E aí a gente passa a querer contar todos os detalhes, fazendo de uma volta ao trabalho um filme bom de se imaginar.

Você me deixa assim. Eu gosto disso. Não vou renunciar meus sentimentos e mentir que não gosto desse começo com cheiro de futuro bom. Também não vou me precipitar e reservar o melhor lugar da minha vida para você encostar a sua; já aprendi lições com a dor, mas estou gostando desse jogo sedutor de ver se o que temos um dia vai se chamar amor.

Você me deixa assim. Falando de você mil vezes por dia. Repetindo você para os mesmos amigos. Enumerando qualidades sem ignorar defeitos. Já mencionei os refrões que não saem da minha cabeça? É que isso é bem louco mesmo. Parece que as histórias que me conta ecoam na minha mente mil vezes por dia. Até as suas gírias eu me vejo balbuciando.

É tudo muito estranho, mas tudo muito bom. Sem rótulo para envelopar, mas com carinho bom de lembrar.

Você me deixa assim meio sem chão, mas a fé no meu coração me guia para te permitir.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees

Você não gosta de ser feliz


Você não dá a mínima para isso. Confesse.
Te torra a paciência esse negócio de ver as coisas dando certo.
Para você, a pior parte do dia é quando sorri.
E quando algo sai exatamente como você planeja? Aff, você odeia tanto.
Essa pessoa é você? A carapuça caiu bem?
Você não gosta de ser feliz.

Me deixa te explicar, presta atenção.
Para começar é preciso lembrar o que é ser feliz. Será que ser feliz é viver o que a gente quer ou viver o que a vida quer de um jeito que a gente gosta?
Pensemos, não é preciso muito para ser feliz, só é preciso usar a inteligência que todos nós temos – e não é uma inteligência de curso superior, é só aquela de respirar oxigênio.

Te digo que não gosta de ser feliz porque você não valoriza quando é.
O que te alegra o dia?
O atalho para a felicidade é alegria.

O quanto você comemora quando seu dia acaba bem? Você agradece por mais uma chance de fazer a sua parte para as coisas darem certo? Você se perdoa por insistir em mandar uma mensagem que não vai ser respondida? Você dorme com a paz da missão cumprida?

Você não gosta de ser feliz.
É só as coisas começarem a dar certo que lá vai você cavando motivos para criticar – você reclama até quando TUDO VAI BEM. É quando conhece alguém interessante e começa a procurar defeitos; é quando o aumento de salário vem, mas não é bastante; é quando a reunião é ótima mas poderia ser mais curta; é quando o trânsito está indo bem, mas não está perfeito. Você é responsável em assassinar a sua felicidade. Você transforma os minutos de alegria em segundos. Você perde o sorriso num piscar de olhos.

Presta atenção em como cuida da sua felicidade.
E não me venha com esse papo de ansiedade pois ansioso todo mundo é, no seu caso parece mais ser alguém que só vai se sentir feliz no dia que a vida acontecer como deseja. Mas, você precisa saber, isso raramente vai acontecer. Talvez nunca.

Então, por quê ao invés de reclamar do atraso no trabalho você não repara em como o seu cabelo acordou bom? Por quê ao invés de reclamar que não te ligaram no dia seguinte não lembra de como a noite passada foi gostosa? Por quê ao invés de reclamar que o aumento foi pouco não agradece por pelo menos ter tido? Por quê ao invés de reclamar por não ter ninguém, você não valoriza o fato de não ter um bosta de alguém?

Você consegue ver o quanto parece não gostar de ser feliz? Consegue ver o quanto depende de você?

Os momentos da vida são como cabides numa arara de roupas.
Você vai lá, pega um e começa a investigar a peça. Alguma coisa te chama a atenção rapidamente e te agrada. Daí você vira para ver melhor e nota que tem uma parte ali que não é tão legal assim. Olha para outro lado, porém, e tem a surpresa de uma combinação perfeita. Moral da história: você olha a peça de roupa 1000x antes de definir se gosta ou não. E o mesmo deve acontecer com os momentos: antes de reclamar, olha também a parte boa.

É claro que você gosta de ser feliz.
Mas você esquece o quanto isso depende de você.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees
snapchat: marciorodrigs

Eu queria a gente de volta

Assim, desse jeito direto.
Queria a gente de volta.
Queria voltar a te ter na minha rotina. Queria voltar a colocar o seu nome em apelido na agenda do celular. Queria de volta o nosso jeito e a felicidade que a gente vivia. Eu queria a gente de volta, assim repetida e desesperadamente. Eu preciso assumir que a minha pose durona nem sempre se sustenta e, hoje, eu queria a gente de volta.
Queria até as nossas brigas de volta. Aquela sua mania de me criticar e a impressão que ficava de que eu raramente acertava, tudo isso, sem tirar nem pôr, tudo isso eu queria de volta pois era tudo isso que fazia de mim ser nós.

Mas eu não sei se a gente consegue voltar, sabe?
No fundo, eu acho que já fomos o que tínhamos que ser. Acho que já te somei o que eu conseguia e você já me marcou como deveria.

Mas que merda, foda-se essa história de “já fomos o que tínhamos que ser”, hoje tudo o que eu queria mesmo era a gente de volta. Hoje eu não aguento mais a ideia de não te ter mais. E o pior, hoje eu não me suporto ao lembrar que grande parte da culpa do fim foi minha. Eu que transformei em caos aquela sua curtida na foto daquele alguém que odeio, por exemplo. Mas também, pudera, não sei como você não via como aquilo era absurdo – e eu não sei como eu transformava aquilo em um absurdo. Veja a minha loucura ao lembrar e me censurar. É que ainda ecoa em mim os transtornos que fiz e até hoje não lido muito bem comigo mesmo, talvez nunca saberei.

É claro que eu aceitaria mudar se eu tivesse essa chance. Claro que eu gostaria de voltar no passado, naquelas noites que perdemos brigando ao invés de abraçados, naquelas vezes que surtei enquanto poderia ter te amado – eu achava que amanhã tudo ia se resolver, mas não se resolveu. Eu voltaria nesses momentos para poder respirar um pouco mais antes de explodir e descarregar em você um peso que nem eu mesmo posso suportar.  Isso quer dizer que talvez eu no seu lugar não teria aguentado o tanto que aguentou. Talvez eu não teria tido a paciência que teve por tanto tempo.

Eu queria a gente de volta.
Queria aquele jeito seu de me chamar. Queria suas manias e até os seus costumeiros atrasos. É que entre tantos detalhes, inclusive aqueles que nos desgastaram, eu queria também a parte boa de tudo – e isso me dá vontade de chorar ao lembrar. Como eu queria de volta nossos filmes no fim de semana, o nosso “onde vamos jantar hoje?” e toda e qualquer manifestação de carinho sua – todas daquele jeito seu.

Hoje eu não quero pensar nos motivos para fim mas quero lembrar dos motivos para começar.

Minha cabeça é uma confusão e meu coração é um furacão.
Mas agora, mastigando a sua saudade, eu daria tudo por uma nova chance para a gente voltar.

Estou aqui lutando para lidar com a sua falta, desejando a gente de volta e reconhecendo o erro que foi exagerar quando eu poderia ponderar, reclamar quando eu poderia aceitar. Eu sei que o leite derramou, mas estou aqui assumidamente chorando cada gota. Estou aqui lembrando de como fui inocente ao te querer perto de mim como se você nunca fosse sentir vontade de me querer longe.

Hoje eu queria a gente de volta.
Mas eu sei que isso dificilmente vai acontecer e talvez eu mereça viver tudo isso para me reavaliar e aprender.
Assim, desse jeito direto.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees
snapchat: marciorodrigs

Eu não sei ir devagar

Bem que eu queria, mas é difícil demais para mim.
E eu sei bem que quem mais sofre com tudo isso sou eu. Sou eu quem acha que está vivendo uma coisa quando na verdade essa coisa é outra. Sou eu que pensa estar fazendo certo quando estou fazendo o contrário.

O preço em ser real é caro demais.

Não consigo respirar antes de falar o que sinto. Me custa pouco dizer o muito que alguém tem significado para mim. Eu preciso de quase nada para ter certeza que alguém é quase tudo para mim. E eu sei bem que nem sempre é assim. Às vezes, já aconteceu, às vezes era só uma pessoa para ocupar a minha carência, mas na hora que começa a minha cabeça não pensa e eu quero mergulhar sem olhar para o fundo.

Eu não sei ir devagar. Já me falaram muitas e muitas vezes que essa minha ansiedade me prejudica, que sou quem colabora para que as coisas não aconteçam como espero, mas, de verdade, eu não consigo ser diferente e vez ou outra até me pergunto se eu gostaria de ser caso pudesse.

Eu sei que o meu sentimento bom também é aquele assusta.
Sei que a minha vontade de ficar perto pode afastar quem está comigo.
Sei disso e mais um monte de coisa, mas também sei o quanto é incrível alguém sentir algo real pela gente. E sei disso pelas vezes que senti que acontecia comigo. E tem mais: eu gosto de fazer bem com quem está comigo só porque eu também gosto de sentir o mesmo.

Sabe, apesar de eu me preocupar um pouco com isso, eu sei que só o tempo vai me ajudar a saber controlar. Já faço minha parte em saber que não é tão legal assim quanto imagino e saber que por mais que saiba o quanto é bom, nem todo mundo vai achar também. Só que eu também não assumo o peso de ser assim como se fosse um desejo meu. Eu não pedi para nascer gostando de falar o quanto eu gosto – e daí que é “tão rápido?” Que saco!  -, não escolhi ser quem gosta de saber “se chegou bem em casa”, por Deus, eu basicamente não escolhi ser quem eu sou, mas isso é algo que venho aprendendo a lidar todos os dias.

Como que fala para o coração bater devagar?
Como que segura para gente o que sentimos por outra pessoa?
Como que guarda dentro do peito o que queremos que outra pessoa saiba?
Como que se esconde dentro de si o bem que o outro alguém faz para a gente?

Eu não sei essas respostas, nem tantas outras.
Mas eu sei que não consigo ir devagar.
Sei que meu jeito nem sempre é tão bem-vindo assim. Sei que já perdi muitas oportunidades sendo quem sou. Sei que já fiz algo terminar mesmo antes de começar. Eu vivi cada uma delas e por isso sei das minhas consequências.

Acho que isso é algo que vai acontecer caso a caso.
Hoje há quem prefira fugir do meu desejo de ficar perto, amanhã pode haver quem escolha ficar ainda mais perto dos meus desejos.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees
snapchat: marciorodrigs

É bom que a gente aprende

A única vantagem de as coisas darem errado é vermos o quanto temos que aprender nessa vida; ou pelo menos deveríamos aprender com tudo isso.
Eu acho que, na verdade, nunca aprendemos. Somos um eterno murro em ponta de faca, mas também tem aquilo né: gostamos de tentar sempre. Daí se pensamos que já tentamos o bastante, paramos e pensamos de novo: “Mas e se dessa vez eu fizer isso?” A gente meio que cava motivos para continuar insistindo no que claramente não está dando certo. E isso até é meio bonito, mas completamente doloroso.

Por isso que o bom das coisas não darem certo é que a gente aprende que nem sempre darão.

É bom a gente pedir para voltar chorando, telefonar desesperado, prometer mundos e fundos e no fim: esse alguém não voltar. É só um sinal da vida como se falasse: “não adianta, dessa vez não vai dar, saiba medir seu esforço”.

É bom a gente não querer voltar porque aí quando a gente quiser não vão querer mais. E aí a gente aprende que é fundamental não entrar nesse jogo de se vingar pelo outro. Sabe quando a gente quer uma coisa, mas faz outra, só para a outra pessoa sentir o gosto que a gente sentiu? Então, isso é uma bosta. Você sabe.

Também dá para aprender um monte de coisa quando a gente demora para dizer o que sentimos. Porque aí vai chegar essa hora, a gente vai se sufocar de tanta vontade, vamos e tentamos falar, mas: a pessoa não sente igual. E quando não é pior: ela já chegou a sentir um dia, mas também não sabia se a gente sentia. E a vontade de deitar no asfalto que dá na gente, né?

E quando a gente fica correndo atrás de alguém que só faz mal para a gente? Você cancela compromissos, adia passeios com os amigos, produz menos no trabalho; mas muito no chat privado, demora mais no banheiro, às vezes sai mais cedo, outras entra mais tarde, se profissionaliza em inventar desculpas para terceiros, tudo isso só para dar um pouco mais de nós para que pensamos merecer. Mas esse alguém que pensamos merecer só se diverte com os nossos esforços. Responde uma outra mensagem só para usar de isca para que possamos ficar lá no pé. Recebe uma ou outra indireta só para gente parar de mandar. Puxa um ou outro assunto com um “oi” só para manter a gente ali no controle. E aí, finalmente quando damos conta do tempo perdido, já não tem mais como voltar. E aí a gente aprende o valor de saber enxergar quanto tempo perdemos com quem não quer aproveitar com a gente.

E aí tem também aquelas vezes em que categoricamente alegamos um “não me sinto bem para algo sério agora”. Como se, nooossa, existisse uma hora exata, algum dia que vamos acordar pensando: “Pronto! Agora quero algo sério”. E aí a gente rejeita boas pessoas que tentam entrar na nossa vida, a gente rejeita bons sentimentos e pessoas que sabemos que nos farão bem, só porque, veja bem: ridiculamente pensamos que “não é a hora”. Os dias passam e tudo que a gente sonha de volta é aquela hora que tentaram nos apresentar.

Sério, sofrer é bom porque a gente aprende.
Porque a gente é muito idiota sim nessa vida. A gente é tão idiota que tem vezes que sabemos que estamos sendo e mesmo assim continuamos. A gente é tão idiota que sabemos como estamos sofrendo mas continuamos tentando, continuamos puxando assunto, continuamos curtindo a foto, respondendo o whatsapp mais rápido que a luz, continuamos no “Sexta? Posso sim!” mesmo sabendo que não podemos, continuamos no “que pena não que vai dar, mas vamos marcar outro dia?” e tudo mais, dando aquele famigerado IBOPE. E essas são coisas que só o tempo nos ensina a saber dosar o quanto fazer. Ouvimos conselhos por um ouvido e soltamos por outro, afinal, sabemos o que e quanto sentimos e seguimos nisso até o fim, não é alguém que vai nos dizer como ou não fazer.

E é só assim, escrachando o quanto somos idiotas, lembrando de todas as vezes que fomos – e que talvez ainda estamos sendo? – Que nasce uma voz lá no fundo falando: “Liga não, é bom que a gente aprende”. E a gente tem que ouvir, a gente tem que prestar atenção a esses sinais, a gente tem que prestar atenção quando quem queremos não presta atenção na gente.

E quando a gente aprende que não é tão divertido assim ser idiota nessa vida, a gente começa a aproveitar as vezes que aparece alguém mostrando como é divertido ser feliz.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees
snapchat: marciorodrigs

 

 

 

Você precisa se decidir

Sabe que, no fundo, já enrolou demais.
É preciso ter alguma definição. Alguma resposta.
Ficar em cima do muro assim não dá mais. Dizer sim com medo de dizer não ou dizer não com medo do sim não te alivia mais. “Amanhã eu resolvo” já foi repetido na sua cabeça milhões de vezes. Não há mais o que esperar.

Vai esperar os dias passarem para ver se tem certeza mesmo? Vai fugir ou ignorar alegando que “essa semana está corrida”? O que você vai fazer?

Você precisa lembrar que o tempo que está perdendo não vai voltar.
E enquanto não decide também não consegue aproveitar.

Você já teve que tomar decisões piores antes.
E não leve essas coisas assim tão protocoladas. Não faça de uma decisão em arriscar ou não um erro impossível de consertar. A gente não precisa acertar sempre, mas sempre devemos nos posicionar quando outro alguém espera pela gente.
“Eu tenho medo de falar e estragar tudo”, “tenho medo de que me entenda mal” – e medo de ser feliz, você tem também? É que falando isso parece que você não liga para a sua própria vida. E aí faz com que essa demora toda em definir te mate um pouco de cada vez por dentro.

Coloca a cabeça no lugar e faça o que deve ser feito. Diga o que deve ser dito.
Não precisa escolher palavras bonitas, escolha o coração.
Quando alguém fala com a gente de verdade a gente reconhece. E tudo que você precisa agora é passar alguma verdade.

Desculpe pegar tão pesado ali no começo, mas eu não aguento essa história toda. Penso em você e em quem espera por você. Nada disso vai se resolver enquanto você não fazer a sua parte em se decidir.

Não é você quem compartilha frases de autoconfiança? Não é você quem posta fotos celebrando a vida sempre com uma aparência segura e consistente? E é justamente você que está aí agora sem saber exatamente o que fazer. Vê agora os tapas que a vida nos dá? Vê como dizer saber nem sempre significa que a gente sabe mesmo?

Vista sua melhor energia e tome uma decisão.
Assegure-se de que mais do que agradar ou não no que responder, você precisa respeitar e lembrar que lida com um alguém diferente de você.

Eu tenho certeza que depois você vai se sentir bem.
Não sei exatamente o que vai decidir, mas sei que escolherá o melhor para você. E é nisso que deve focar. Não se preocupe em machucar, se você ir pela sinceridade do que uma ou duas palavras decoradas, você não vai machucar ninguém.

Fiz meu papel em te falar coisas que você precisava ouvir.
Agora faça o seu e diga outras que precisa dizer.
Não peça opinião, ouça o seu coração.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees
snapchat: marciorodrigs

Transou, acordou e partiu

Essa pessoa é você. Não quem te deixa dormindo na cama.
Transou sim e foi bom sim.
É preciso entender até que ponto vale argumentar que “ele só queria me comer e sumiu”, sendo que você, como alguém que prefere viver o presente, sabia que isso poderia acontecer. Não que ele só quis te comer, você quis viver isso também.
Ninguém te obrigou a nada e a vontade foi dos dois. E foi uma delícia para os dois.
Ambos acharam que deveria acontecer e aconteceu. Um flertou o outro aceitou, os dois aproveitaram. Você se deu sim ao trabalho de sair de casa sabendo que o fim poderia ser esse. Você se deu o trabalho de aceitar “um convite para ver um filme aqui em casa” sabendo que, definitivamente, nada seria assistido. Você quis, aceitou e aproveitou tudo isso.

E isso que te fez uma pessoa independente e segura.
Sua personalidade de viver o que te dá na telha e, desculpem o termo, ligar o foda-se para o que vão pensar de você. O que pensam de você quando está triste? Nessas horas poucos aparecem para ajudar, então no que diabos pode influenciar na sua vida pensarem algo de você quando está feliz?

Você acordou e foi embora. Às vezes com a mesma roupa da noite anterior, às vezes com uma camisa velha emprestada com o aviso de “depois te devolvo”. Mas que esse depois não ia acontecer.
Você ficou, transou, dormiu e foi embora. E não foi a primeira vez. Talvez não será a última também.

É preciso viver fazendo o que nos faz bem. E isso pode significar fazer o sexo com quem quiser ou fazer o esforço para alguém voltar. Se te faz bem é o que deve fazer.

As vidas inteiras de uma noite só não podem ser assim tão depreciadas. E essa depreciação existe por causa do modelo padrão sobre como a vida deve ser vivida. É preciso ser uma pessoa bem-sucedida, é preciso ter um bom salário e uma casa bacana, é preciso constituir uma família tradicional – com orientação sexual padrão – com filhos que você leva ao clube nos fins de semana, é preciso ter condições para se encaixar na aparência de ter uma vida de sucesso na sociedade. E isso é uma grande bosta! É preciso ser feliz e nada demais, é preciso que essa única noite que você transa loucamente seja gostosa para você.

E se, ao acordar, você quiser ir embora e nunca mais ver a cara do outro, que bom para você.
Se, ao acordar, a pessoa que dormiu com você levantar e for embora, que bom para a vida.

Estas não são palavras para te fazer viver o que nunca viveu, são palavras para te lembrar que bom mesmo é viver o que você gosta.

Se for para dormir junto e nem lembrar o nome depois, ok.
Se for para dormir junto e acordar separado, ok.
Você sabe que há dias que nem aguenta a si mesma e que a saída pode ser uma única noite com alguém que te faça bem. E que mal tem?

Este mundo não está totalmente pronto para pessoas que se sentem preparadas.
Ele ainda vai estranhar se você tiver uma camisinha na bolsa na hora H. Ele é quem “deveria” estar prevenido para essas coisas. Mas, sinceramente: “Deveria” é o caralho! Você sabe o quanto gosta disso e o quanto isso não tem exatamente uma hora para acontecer. Na verdade, a única coisa que acontece são as oportunidades que você abre antes de abrir outras coisas. E isso é algo que te faz sentir convencida dos seus desejos. Você sempre está preparada, segura de si e das vontades que quer saciar.

Transou sim e foi bom sim. Às vezes com alguma pessoa indicada por um amigo, às vezes com alguém que conheceu numa festa, às vezes com alguém que conheceu num aplicativo no celular. Que pague então suas contas quem te diz como ser feliz. Ou melhor, ninguém precisa te pagar nada, pois você luta pelos seus sonhos todos os dias.

Você arranhou e gritou como sempre gostou e queria, mas não precisa necessariamente querer ficar depois de acordar.
Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees

Eu já estive pior

É um passo por dia. Um dia passado.
Não adianta eu querer acelerar as coisas. Já acelero o bastante tudo o que tem velocidade certa para acontecer. Um dia eu já disse que amava sem ter certeza, já disse que não queria mais e me arrependi na segunda vez que pensei. Tudo isso só para exemplificar.

Se eu pudesse escolher pularia para aquela fase da vida em que coisas já dão certo. Quem não gostaria? Se fosse possível, quem não escolheria evitar sofrer?

Não existe dor boa mas existe dor que a gente precisa sentir.

É mastigando o fim que a gente lembra como é bom o sabor do começo.

Eu devo admitir que ainda não me sinto tão bem como eu gostaria, mas já estive pior. E mais valioso do que reconhecer o quanto dói é lembrar o quanto já doeu. Já houve dias em que eu não quis levantar. Eu já quis morar na minha cama só para não ter que enfrentar a vida lá fora e a falta que você fazia em mim. Já foi tão mais difícil do que tem sido.

Um pouquinho por dia eu vou encaixando a sua existência na minha vida. Vou mentir se disser que vou te esquecer, mas no fim eu nem quero mesmo. Gosto das coisas que vivemos e da parte boa que conheci em mim ao te conhecer, mas já que o mundo girou dessa forma eu vou encontrar um jeito de deixar em uma das voltas que ele dá.

Eu já estive pior.
Meus amigos já não me aguentavam mais ouvir falar de você. Já te escrevi coisas que hesitei em enviar. Houve uma época que eu visitava seus perfis nas redes sociais só para saber o que estava vivendo. Tudo isso só começou a mudar quando eu comecei a mudar. Foi te vendo viver bem sem mim que eu percebi que você foi uma bonita paisagem nessa viagem que é a vida. Comecei a perceber o tempo que eu perdia lamentando a saudade da sua companhia e enquanto isso lá estava você: com outras risadas para acompanhar a sua. Hoje não te acompanho mais e passei a acompanhar mais o que desejo para mim.

É por isso que eu já estive pior. Porque eu já pensei que, pasme, não conseguiria mais viver sem você. Era um pensamento que te colocava a frente da minha própria felicidade, que relacionava a minha felicidade ao fato de te ter e é aí que estava o problema: a felicidade não está no “eu também” depois de um “eu te amo” ou durante o “desliga você primeiro” numa ligação.

A felicidade está onde eu quiser, existindo ou não alguém comigo.

E da mesma forma como eu já estive pior é a que eu vou ficar melhor.
É um passo por dia. Um dia passado. Hoje com alguém, amanhã sem ninguém ao meu lado. E continua tudo bem.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees
snapchat: marciorodrigs

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