Autor: Márcio Rodrigues (Page 60 of 71)

Trilha Sonora Para Ninguém Em Especial

Não é saudade de alguém, é saudade do que alguém pode fazer por mim.
E quer saber, eu não estou nem aí para as pessoas que falam x ou y quando eu posto alguma coisa depressiva, ou quando eu volto a falar do mesmo assunto que me machucou dias atrás.

Se eu fosse de vidro, talvez as dores seriam menores. Mas aqui é carne e osso.

E eu vou continuar cantando saudade até que alguém me apresente outra música.
Porque o que eu canto sozinho nas ruas dessa cidade, nas viages de ônibus, nas frases que eu leio ou nas cenas de casais que eu vejo, nada mais é que no fundo uma vontade de viver algo parecido. Só que com alguém ao meu lado.
Eu já vivi muita coisa boa comigo mesmo, agora eu tenho muita vontade de dividir as próximas coisas com alguém.

Eu não tenho medo de morrer sem uma aliança no dedo.
Também não sinto nenhum pânico em ficar meses sem conhecer outra boca. O que acontece hoje – e o hoje é o que importa – é que eu estou sentindo falta de uma ligação de 3 horas recheada de assuntos sem sentido, estou sentindo falta da minha mão suando abraçada a outra, estou sentindo falta de que sintam falta de mim. Parece drama, né? Parece roteiro de novela mexicana, eu sei. Mas vem aqui viver o que eu vivo e como eu vivo e depois me diga se parece mesmo. Não que os meus problemas sejam maiores que de alguém, mas eles são meus.

E é claro, eu tenho amigos, bons amigos. Mas estes amigos tem a vida deles, que aliás eu torço para a felicidade, e eu não posso ficar cobrando presença dos meus amigos em todas as horas, porque a minha fase é muito chata e tem dias que nem eu mesmo me suporto. É por isso que eu ando rejeitando convites de baladas. Porque pelo menos em casa, em silêncio, mais de horas sem falar uma palavra, eu consigo me preservar e não falar bobagens por aí.

E eu nunca fui de exigir demais! Repito, não é tanto a falta de ter alguém comigo que grita mais alto. Eu poderia ter alguém por um fim de semana, mas que esse alguém conseguisse me convencer que eu fiz diferença nas horas que ficamos juntos.
Por isso que eu falo que não me adianta comprar uma roupa pra usar numa balada qualquer, na tentativa de chamar a atenção de alguém, na expectativa dessa atenção resultar em algo, e que esse algo seja algo que eu goste.

Não são todos os beijos que fazem sentido pra mim. Alguns eu dou com os lábios, outros com o coração. São os do coração que estão me fazendo falta.

Mas também, vou te falar, se for pra matar essa minha falta com alguém que não me acrescente nada além de um número a mais na soma de pessoas com quem dividi meu ar, prefiro permanecer em casa com meus filmes e livros.

Eu já cansei de viver coisas por viver. Cansei da parte da vida que comemora o: “não se preocupa com o amanhã, vai lá e faz”. Eu quero ter um número de telefone pra ligar amanhã, sim!

É só um desabafo, não espero que me entenda, só que me ouça.
Eu te respeito muito, Tempo.

Discutindo O Amor, Perdemos Tempo Para Fazer Amor

Nós dois sabemos que está tudo errado.
Que muitas coisas não tem se encaixado na nossa história e isso não é de hoje.
É você de um lado dizendo que não aguenta mais minha preocupação exagerada que beira o rastreamento, meus ciúmes e o meu modo de falar com você em público. Já eu, por outro lado, não ando tendo muitos motivos pra sorrir com você se comportando assim tão histérica, urgente e sem paciência para, sequer, se colocar em meu lugar.

Você ouve tanto as suas amizades, mas só a gente sabe o que estamos vivendo.

Eu devo te confessar que ando cansado.
É muita coisa para eu pensar. Planos que insistem em não dar certo, pessoas que parecem me ouvir grego quando tento explicar o simples, família que me cerca e me sufoca limitando até a forma que eu falo no telefone. Não está sendo fácil pra mim. E eu sempre te falei que o meu único motivo para comemorar a chegada de um dia novo era saber que tenho você comigo. Quando a tristeza me assaltava o coração, eu olhava para um dedo em especial na minha mão. Lá tinha um pouco de você.

Eu tenho mais razões do que você imagina pra te dar espaço.

Mas eu não quero isso.
Se for para eu te dar espaço, que eu esteja nele. Por isso estou aqui pra gente se entender. É só pela nossa felicidade, só por quem eu me tornei depois que te conheci, que eu estou aqui, na sua frente, te pedindo pra esquecer as lágrimas.
Hoje eu quero falar de mim, do teu jeito e teus defeitos a gente conversa num outro momento. Hoje eu preciso te deixar claro quanto a importância que tem em meus dias. Preciso deixar claro que não brinco quando digo que você é o meu “pra sempre.”

A gente já perdeu tempo demais brigando por menos.

E eu reconheço que a culpa é minha muitas dessas vezes. Exijo tua compreensão por coisas que eu mesmo não entendo. Isso é totalmente irracional.
Isso é uma merda. Não tenho você pra me sentir superior, pra competir sobre quantas vezes vamos ficar bem,  em quantas estarei certo, quantas conseguirei te convencer que está errada. Tenho e quero ter você comigo pra me lembrar que nem sempre virar a direita é uma boa opção.

Me desculpa.
Mais do que em mim ou em você, eu confio na nossa história.

Foi você que naquele dia, lembra, no terraço do apartamento daquela sua amiga, me chamou a atenção a soma de sensações que a gente pode ter quando nos atentamos as estrelas, a noite, ao vento. Pode parecer filosófico demais, mas lições como essa, pontos de vista como esses, como os seus, todos eles, eu nunca aprendi, nunca me apresentaram. São em momentos como esses que eu sei que pode existir um mundo melhor. Você desenha um mundo em que eu sempre sonhei viver.

Vamos continuar?

Não quero prometer, mas quero te garantir que mais do que nunca, darei o meu máximo para não cometer os mesmos erros. Reincidência de lágrima é como abrir a porta da solidão. Eu não quero mais colaborar para as nossas brigas.

Não é justo com a nossa vida perdermos tanto tempo discutindo assuntos que não vão chegar a lugar nenhum. Eu prefiro que aproveitemos nosso tempo estando de conchinha, ou disputando a maior parte do edredom. Chega de intermináveis debates sobre assuntos onde você tem a sua verdade, eu a minha, às vezes coincidentes, muitas não. Somos diferentes, fim. Eu nunca quis alguém igual a mim, se fosse para ser assim, eu poderia ficar sozinho. E eu gosto de você por me mostrar o quão melhor eu consigo ser. Por isso, de novo, me desculpa.

Eu não falaria tanto se não fosse importante. Eu não perderia meu tempo aqui se não acreditasse no que temos construído, e mais que isso, eu não tentaria tanto te convencer se não fosse pra provar à mim mesmo que eu posso ser melhor.

Eu quero honrar o dia que você me respondeu “aceito”.

Contanto Que Você Não Use Legging, Ok!

Olha, eu acho que tá tudo bem, pra mim sempre esteve.
Mas vou te falar, quando você coloca uma coisa na cabeça não tem quem tire, não é mesmo? Ainda acho que é influência dessas que você diz ser “suas amigas” ou desse monte de revista estranha que você lê.

Pra mim, está tudo OK com você.

Eu nunca me importei com a tua celulite ou com as tuas estrias. A propósito, qual a diferença delas mesmo? Calma, calma! Eu sei que celulite são aqueles furinhos deselegantes no corpo, que em casos graves lembra o tal do queijo suíço, e sei que estrias são aquelas cobrinhas brancas, tipo veinhas, né? Tá vendo, eu sei bem o que é, sendo assim, tenho propriedade pra dizer que eu não me lembro de ter visto nada muito estranho em você.

Prefiro você com a tua celulite do que com a clavícula à mostra.

É claro que, sendo justo, se eu perceber que você está aumentando o teu peso em 10Kg por mês, serei obrigado a te alertar que a casa está caindo. E a pele também. Mas acho que isso não vai acontecer. ESPERO, né? Brincadeira, hehe.

O problema é que você entra numas doideras de se enquadrar em algum “padrão de mulher”, daí você para de comer tudo que mais gosta: de chocolates aos hambúrgueres no fim de semana. Tá, tá, já sei, aí você diz agora:

Eu nunca quis a mulher estilo capa de revista, eu queria alguém assim igual você. Do teu jeitinho.

“Você fala isso porque não é com você né? Não é o teu corpo! Você é magro!”

E eu te respondo de novo e de novo que não tem nada a ver. Eu falo isso por que pra mim você está com tudo em cima, amor! Olha, saúde a gente sempre deve ter, preocupação com a alimentação e o sedentarismo e tal, mas eu não quero que perca as suas bochechas nem a sua barriguinha – que pra mim é sexy – só pra tentar ser “mais gostosa”, ora, eu te acho toda gostosona, sérião!
Mas, como eu sou muito tranquilo e te amo demais, pra não haver briga ou debate, eu vou entrar nessa com você. Até porque você tem olhado muita revista com esses atores famosos & sarados, e eu aqui todo magrinho fico deprimido com isso, então, vamos entrar nos trinquis, mas com calma e muita cautela, sem neurose, ok?

Pensando pelo lado bom, vai ser divertido, vamos à academia!
Já viu que tem aquelas especializadas em mulheres? Lá não tem nem espelho pra não desanimar, legal né?

AI MEU DEUS, CALMA! Eu não quis dizer que não quero que você vá comigo na academia “normal/unissex”. Tá vendo? Você distorce tudo, nasce então um novo problema. É a mesma situação quando eu sorrio ao agradecer às atendentes de lanchonete e você TODAS AS VEZES insiste em dizer que estou “cheio de graça” pra cima delas.

Sabe, eu te amo, muito, como nunca ninguém antes, mas você é tão doida que às vezes me dá raiva.

Chega vai!
Vamos então juntos pra academia de homens e mulheres sem problemas, treinaremos juntos!
Contanto que você não use legging. Ok.

Esta É A Parte Baixa Da Minha Gangorra

Eu decidi que vou te guardar.
Vou te guardar nas fotos que eternizei recheadas de sorrisos seus,
Te guardarei nos abraços quentes do frio, nós óculos do verão.
E em uma dúzia de beijos que me aqueciam o peito
Eu decidi.

É que eu finalmente me dei conta que não adianta mais.
Não há mais uma palavra sequer que mudará este agora,
Que mudará aquele ontem; ontem enquanto você dizia que era sério.
É meio covarde, eu sei. Desisti de insistir. É que foi por mim.
Esta é uma das primeiras coisas na minha vida que eu faço por mim.

Mas eu mentiria ao negar que domina alguns dos pensamentos meus.
É que é difícil te encontrar nos vidros do metrô ou nos perfumes da cidade.
E não é por falta de tentar. De perto, alguns dizem que sim, mas eu sei que não.
Hoje o meu sonho é te enterrar. Te matar da minha cabeça.
Não há uma lembrança sua que não me corta o peito.

Hoje quando cheguei eu peguei meu violão.
Eu não tinha uma música certa pra tocar.
A gente nunca teve “a nossa música” pra cantar.
Mas enquanto eu escorregava meus dedos pelas notas,
Eu me sentia – sei lá porque – mais perto de você.

E eu lembro com um sorriso curto da vez que dançamos.
Você caiu em meu colo e me apresentou um novo conceito de sorriso.
Eu nunca imaginei encontrar tanto fascínio assim.
Tchau.
Eu só não aguento mais um monte de coisas
E uma delas é você.

Eu sei que me arrependeria profundamente por desejar,
Mas algumas vezes eu preferia a morte
A ter que conviver com esse monte de coisa ruim em mim.

Tchau,
Foi quando entendi que você falava sério.

Por Isso Eu Não Troco A Fronha Do Travesseiro

Eu não gosto dessas horas.
Mesmo sabendo que tem data pra acontecer de novo, eu não gosto de viver o “é só por enquanto”.
Eu tenho ansiedade demais, planos demais, vontade demais de viver coisas novas que eu não suporto a ideia de ter que abortar os planos assim, do nada.

Pra mim é assim, do nada. Assim, cruelmente.

É como se a gente estivesse vivendo uma felicidade incalculável e acordássemos nos dando conta que tudo não passou de uma ilusão, de um sonho. Só que nesse caso, eu preferia chamar de pesadelo. Ter a nossa felicidade adiada por motivos de força maior faz com que eu me sinta incapaz. Pelo menos, concordo, são motivos de força maior.

Eu não gosto de te ver indo embora. Eu não gosto do nosso último beijo do fim de semana.

Sei lá, que se dane, pode parecer mimo da minha parte, pode parecer que eu seja grude demais, dane-se, eu simplesmente odeio os momentos que eu preciso te ver indo pra um lado sendo que eu vou para o outro. Odeio! Que saco, eu passo a semana na correria dessa cidade, desejando como nada na vida que chegue logo o nosso fim de semana pra num piscar de olhos as horas voarem e eu ser obrigado a te ver longe de mim.

É claro que ainda bem que eu tenho as SMS trocadas durante a semana, as rápidas ligações, algumas conversas no chat do facebook, algumas trocas de e-mails, enfim, algumas ferramentas que tentam servir alívio da saudade que eu sinto todos os dias.
O lado bom dessa nossa ingrata distância é que a gente aprende a se gostar mais.

É na sua ausência que eu percebo que sou uma pessoa melhor com a sua presença.

E por mais longe que possamos estar alguns dias, você sempre está comigo por onde quer que eu ande. Seja na música que fez a trilha do nosso fim de semana, nas vitrines refletidas de sorrisos seus ou na fronha do travesseiro, que absove todo o teu perfume da noite passada, sendo minha companhia nos dias seguintes através das lembranças dos momentos que vivemos. Alguns deles de amor no seu máximo, outros do mais alto nível de bobagem com as risadas intermináveis e escandalosas sobre algo sem sentido.

Pelo menos é bom saber que você vai voltar.
A distância me faz ter tempo de planejar coisas novas. E especialmente nessa semana, terei tempo pra comprar aquelas sapatilhas que você babou ontem a tarde no shopping.

Não que eu seja assim, eu sou assim com você.

A Corda Amor, Acorda!

Mesmo aqui distante, tão distante agora da sua presença, que ódio da ausência, me aproximo de você com o atalho do pensamento bom.
Aqui do meu quarto onde o mundo é só meu, uso minha memória e desenho sentado dias em que eu ainda vou lutar pra viver.

Eu cuido tanto de você mas você nunca vai saber.

Das minhas crises todas, algumas tão banais, naturais, de quem sonha até demais com dias mais do que especiais, pego lições para aplicar no momento que os abraços forem estendidos até os braços não mais aguentarem. Em outras palavras, pego a minha própria dor pra servir de remédio pros dias que faltarem amor.

E eu não estou aqui esperando aplausos.

Meu caso agora é que eu não tenho por perto da visão, o que não significa estar longe do meu coração, muito pelo contrário. É na distância que a saudade arde e queima no peito aquela vontade remota de jogar o que se viveu por água abaixo.

Quando eu estava decidido em soltar a corda, fui assaltado pela lembrança da primeira vez que o meu despertador foi o seu “Amor, Acorda!”

Não é porque o mundo todo diz, que eu vou conseguir esquecer. Ninguém me perguntou se era isso que eu queria, entende? Ninguém nunca se importou com o o que eu sentia quando confessava um amor maior que eu mesmo. E os “eu te entendo” já foram mais eficazes, hoje uma dose de silêncio já me traz preenchimento.

Todavia, é importante saber que tudo me vale de experiência. Embora ainda aqui cuidando de você, na esperança vã de ver o gelo do teu peito derreter, eu continuo acreditando que estou sim fazendo sempre o meu melhor, ora por qualquer pessoa, ora por mim.

Resolvi me dedicar mais e melhor. Não por recompensa, mas por prazer.

Talvez a saudade que eu disse arder, seja um misto do amor com o prazer, a saudade do prazer. Prazer do beijo molhado, demorado, enroscado, entrelaçado, linguado, algumas vezes até engraçado. Prazer de sentir a temperatura do seu (nosso?) corpo.

Eu posso te ajudar, sempre pude e não é agora que vai ser diferente.
Mas eu não consigo fazer o carro andar sem que você dê ignição. E o mecanismo que imagino aqui pra consertar essa nossa confusão, ou não, é o de sinceridade com o nosso próprio coração.

Aqui é meu quarto, na verdade um mundo tão seu quanto meu.

Meu telefone nunca mais tocou a nossa valsa. Havia configurado um toque particular pra quando fosse você a me ligar. Talvez eu eternize aquelas notas que me fazia comemorar. Não sei, ainda tenho muito tempo pra pensar.

É você que não tem.
E eu disse que posso te ajudar, mas não disse que posso te esperar.

Tão distante, mesmo assim, sequer imagine palavras em minha boca.
Se for pra gente viver de ilusão, que seja igual no dia que combinamos construir uma escada infinita, capaz de acalçar o céu, trazendo nuvens de algodão e também restos de uma chuva de papel.

É um mundo tão meu. Seu.
Se lembra?

Todos Os Dias Chegam, Você Chegou Em Um Desses

Eu aprendi a ver novas cores em dias de Sol como o que faz hoje.
Não me irrito mais com o calor que faz porque agora eu vejo como faz bem pra minha saúde respirar um ar de verão.
Sem muito esforço, e na verdade com a sua ajuda, eu aprendi a enxergar um mundo que eu vivia mas não via, sabe?

A gente anda da mãos dadas, as minhas mãos suam; as suas tão cheirosas.
Chega o vento (sempre bem-vindo!) e chama teus cabelos pra dançar; que se entregam num gesto simples de liberdade. E eu só admiro. Eu amo te ver vivendo e sendo abençoada pela natureza de todos esses nossos dias. Mesmo na chuva quando a tua maior vontade é procurar um abrigo.

Me preocupo com você nos momentos em que não dividimos o mesmo ar. Me preocupo se tem comido direito, se levou guarda-chuva (você sempre esquece!), se passou protetor solar. Coisas de quem gosta e cuida.

Eu sempre quis te falar algumas coisas mas tive alguns receios – como sempre – de parecer precipitado demais, de parecer gostar demais, mais que você, do que estamos vivendo.
Sempre quis te contar que eu chorei na primeira vez que li você escrevendo “te amo” pela internet. Sempre quis contar que eu não dormi naquela noite que você me respondeu “sim”.

Eu tento prolongar as minhas emoções mais especiais.

É engraçado lembrar de noites que passei encostado na janela do meu quarto, viajando sem sair do lugar, eu e o céu, às vezes chovendo, quando não, ouvindo barulho dos carros lá de longe na avenida. Eu vivi tantos dias como esses. Eram dias que eu desenhava na minha cabeça como seria ter abraços com fins adiados, como eu poderia materializar algumas palavras em algo que representasse o que é estar feliz. Eu nunca pedi nada pra não parecer injusto com o meu destino e as forças do bem que tanto me ajudam, mas eu sempre fiquei ansioso pra viver uma fase como essa que vivemos. Eu sempre quis poder falar alto “É que a minha namorada… mimimi”. Sempre imaginei como seria ter alguém que se bastasse em ter meu corpo e toda a força da minha vida direcionada à ela, ao invés de reclamar por eu não ter o conforto de um carro.

Você faz com que eu ame os ônibus dessa cidade. Quando juntos, torço para que a viagem se estenda ainda mais.

Andando pelas ruas a gente faz planos de lugares pra visitar.  “Vamos ali qualquer dia?” “VAMOS, CLARO!”. E eu comemoro em silêncio porque são lugares que eu sempre quis visitar, mas nunca sozinho.

Teu jeito traduz tudo que eu imaginei ser felicidade.

Me ensina o que é ter responsabilidade quando brigo com meus pais. Me mostra uma verdade que eu não quero enxergar quando digo que o trabalho não está me fazendo bem, me estende a mão, me dá o melhor conforto dos ombros.

Você me faz ser melhor sem precisar dizer uma palavra. É a tua beleza que, por exemplo, me inspira e me faz ter certeza que eu realmente não tenho do que reclamar.
Hoje eu comemoro o fato de ter ao meu lado, secando as minhas mãos suadas (blé!), você pra me dizer “vai” quando a minha vontade é de ficar, você pra me perguntar “tem certeza?” quando eu mais tenho certeza, você pra me fazer achar graça da forma que os marrecos nadam no lago do parque, você pra me fazer brincar de correr atrás da minha própria sombra, você pra me lembrar que o ideal não é comer com colher, você pra me lembrar que eu sempre posso ser melhor.

E se hoje eu estou aqui é porque você me fez chegar até aqui, mesmo sem saber, mesmo indiretamente.
Muito de mim hoje eu dedico pra ver um novo sorriso teu e não espero nada em troca. Não vivo uma competição, não quero ser melhor nem mais empenhado que você em nada, eu só quero o que é real.

É assim.
Sabe, sei lá.
São só palavras e alguns pensamentos de dias em que sonhei serem reais.
Todos os dias chegam.
Você chegou.

Pega Esse Teu VIP E Enfia Lá

É que tem horas que a gente não consegue mais.
Eu nunca fui dessas pessoas que se preocupa muito com o futuro, e com isso, acabam deixando de viver muitas coisas legais do presente. Acontece que simplesmente tem horas que a gente cansa e para.
Chega um momento que os sábados a noite regados de álcool e alguma felicidade já não me fazem tanto sentido e eu me vejo na necessidade de uma ligação de “Você está bem?” e não mais de um SMS de “Então, já sei pra onde vamos hoje, tenho VIP! Uhul!” Sabe?

A gente vive diversas felicidades e todas elas cansam em algum momento.

E quando nos vemos cansados de algumas dessas felicidades é que nos damos conta de como são importantes e especiais algumas antes esquecidas ou simplesmente largadas por nós.
Eu sei que eu já briguei tanto pela mensagem não respondida, mas agora eu sinto saudade até dessa não resposta. Tipo, sinto saudade do que eu não tive, entende?

É estranho de imaginar mas é verdade.
Já não me faz tão bem comprar uma roupa nova pra balada do fim de semana só pra ganhar algum elogio óbvio cheio de segundas intenções. Já não me faz tão bem –  e nunca soube se fez algum dia – os beijos aleatórios na madrugada. Beijos esquecidos com o passar dos minutos. Na verdade também, eu fico pensando em como fui capaz de entregar meu corpo pra alguém que só queria uma aventura. É claro que falo isso sem ser uma questão de arrependimento, mas sim, numa questão de “eu precisava mesmo disso?” sabendo que a resposta é não. Porque por mais que eu estivesse vivendo a melhor esbórnia da minha vida, não sou mais criança, eu nunca esqueci quem sou de verdade, nunca esqueci que o que eu gosto mesmo é do teu chocolate surpresa e não de mais um contato de beijo dado na agenda do meu celular.

Às vezes a gente fica cego demais pra dar o braço a torcer.
Eu posso fugir de tudo, de você que já tive um dia, de quem eu posso ter, das tristezas e etc, eu só não posso fugir da verdade quando a noite vem, pois é quando a noite chega que eu penso em como estou. Esse é um pensamento que me ocorre sei lá, no subconsciente, sabe? Eu tenho medo de assumir que estou sendo uma pessoa estranha comigo mesmo.

Nessa vida em busca de uma felicidade desenfreada e desregrada, eu perdi a total noção do que é felicidade.

Hoje eu posso dizer que me encantei com quem dizia ser meu amigo me falando: “É um mundo novo, olha o tanto de gente nova, olha pra pista, bebe isso aqui, se anima comigo, a gente não merece ficar mal com uma vida dessas”. No fim, eis uma lição aprendida: “a gente não merece ficar mal com uma vida dessas”, contanto que sejamos sinceros com nós mesmos.

Ninguém gosta de pessoas tristes por perto, mas poucas pessoas tentam entender e esclarecer essa tristeza, é tão mais conveniente esquecer, nem que seja por algumas horas.

Eu cansei.
Cansei de contatos de pessoas x, de elogios furados, das minhas risadas charmosas falsas, da disputa pela quantidade de beijos, sem a menor qualidade. Cansei de me ver numa manhã sem roupa ao lado de outro corpo igualmente sem roupa sem nem saber de onde veio. Já aproveitei manhãs de formas mais especiais. Eu cansei de viver uma vida que eu não quero.

É muito fácil ter a felicidade da sexta-feira que chegou, precedendo o fim de semana de papaparty que eu e meus amigos tanto esperamos, mas quem vai pagar minhas contas na segunda-feira? Meus amigos tem as contas deles.

Não que seja fácil e muito menos que vai ser amanhã, mas eu estou voltando. Não necessariamente pra você, estou voltando a ser quem eu era deixando de ser quem me fizeram ser, estou voltando pra vida, pro sorriso sincero. É tudo uma fase.

Estou acordando e em breve eu volto.
Queria que fosse pra você, mas se não for, mais uma lição será aprendida.
Estou acordando.

 

 

 
///

#20000ACESSOS

De coração, muito obrigado à todos vocês que acessam este blog! Chegamos a marca de 20.000 acessos em menos de um ano de vida. Pra mim isso é muito especial e compensador! Obrigado de verdade!

E se eu puder pedir algo, gostaria que continuassem vendo a vida de outra maneira, sempre de uma maneira nova e mais especial. Ela sempre pode ser melhor do que a primeira impressão diz.

Mostre o blog para os seus amigos!
Obrigado!

O melhor está por vir!
Márcio Rodrigues.
por um mundo mais =) e menos =(  

Me Procura Quando Fizer Sentido Para Você

Você está fazendo tudo errado.
Não foi desse jeito que a gente havia combinado e muito menos do jeito que a gente sempre procurou fazer. Estava tudo muito bem quando da noite pro dia você enlouquece e quer meter os pés pelas mãos jogando tudo que construímos por água abaixo.

Essa não foi a vida que eu sonhei pra gente.

Não era num comportamento igual ao teu hoje que eu pensava quando escolhia uma blusinha pra te dar de surpresa. Eu só queria aquele teu sorriso convincente.

Eu tenho saudade de você.
Saudade de quem você era, das roupas que usava, das cores de esmalte e de como achava graça nos programas de TV. Sinto saudade da nossa competição pelo controle remoto, das nossas apostas de corridas pelas ruas do teu bairro. Mas você mudou e hoje isso deve fazer parte do “monte de bobagem” que às vezes você se queixa sobre mim. Eu só não sei o que eu faço pra te provar que você nem sequer me respeita mais, que o seu “tudo e você?” quando te ligo e pergunto se está tudo bem, me soa mais como uma ofensa do que uma preocupação.

Você desaprendeu a gostar de mim. Ou na verdade você nunca gostou.
É nesse sentido que digo que está fazendo tudo errado, pois eu nunca te pedi nada além da sinceridade, e aliás, mais do que pra mim, você deveria ter sinceridade em seu caráter. Mas não sei o que aconteceu que com você que agora só me responde: “Estou normal, ué”.

Tudo que eu mais quero hoje é conseguir colocar na tua cabeça que você está fazendo tudo errado, que ao invés de ter pelo menos o meu carinho nem que o fim chegue pra nós, você está acabando com qualquer tipo de sentimento bom que eu possa ter por você. Você está acabando com tudo. Estava rasgando o livro da nossa história.

Você se deixou levar por quem te prometia amizade e se esqueceu de quem te apresentava à felicidade.

Acho que a gente precisa de espaço. Eu, sinceramente, cansei. O meu amor é que não. Ele ainda sobrevive forte dentro de mim, me movendo, te trazendo nas lembranças enquanto atravesso as faixas de pedestres, te trazendo quando sinto o teu perfume em corpos alheios e aleatórios. E eu tenho certeza que o meu, o seu, o nosso amor também te visita, nem que seja na sua última piscada de olho antes de dormir.

Você está fazendo tudo errado. E perceba, em nenhum momento eu disse que estou fazendo algo certo.
É que você, bom, você se refugia numa falsa noite de sexta, enquanto eu… Ah, o Eu já não me importa agora.
Quem sabe volta a importar um dia.

Muita coisa acontece enquanto você dorme. E não estranhe se teu olho arder pela manhã, em outras palavras, isso pode ser o arrependimento te fazendo uma visita durante a noite em forma de lágrima.

Você está fazendo tudo errado.
Mas eu confio em você.
No que a gente sente.

Foi Só Um Ensaio De Felicidade

Então vai ser assim, sem saber se essas palavras chegarão até você um dia, ainda mais agora que você está morando tão longe de mim, sem acesso a quase nenhum meio de comunicação, –  você que nunca demonstrou ter apreço a algumas das minhas coisas -, inclusive minhas cartas, eu vou escrever aqui agora o que eu quiser e sentir, assim como faço com a minha vida, sempre ouvindo meu coração, sem planejar com o cérebro. A razão eu deixo pra coisas mais exatas e previsíveis. Sentimentos vivem de coração.

Estou em casa, é noite, subi para o meu quarto, faz um pouco de calor, o suficiente pra eu ficar sem camiseta. E agora pouco revi algumas fotos da gente, do dia do shopping, dos shows que fomos e algumas fotos suas.

Tenho fotos suas de quando não tinha você comigo.

São fotos tão sinceras que hoje não me fazem sentir outra coisa além de saudade. E devo mencionar que essa saudade tem passado uma temporada hospedada – bem longa aliás – na minha vida. O lado bom é que eu sei que ela vai embora. Todas as diárias de hotel acabam.

Eu te esperei aquele dia mas você não apareceu, eu te mandei aquela mensagem mas você não me respondeu, eu fui até a sua porta sem você saber, pra te fazer uma surpresa, mas você não desceu, eu te confessei o meu maior e mais puro amor mas você não se comoveu, eu te liguei mas você não me atendeu, eu comprei alguns presentes que você nem recebeu, escrevi cartas que você não leu, tive sonhos pra nós que você não viveu, vivi felicidades falsas e você nunca percebeu, fiz até algumas orações em que nada resolveu.

Você nunca se preocupou em saber se eu tinha vida.
Enquanto isso eu te mantinha nas minhas orações de pensamentos bons, na torcida pelo teu reconhecimento no trabalho, na torcida para que pegasse ônibus vazios, na torcida que sua banda favorita marcasse um show logo. Eu fiz tanto por você sem você nem fazer ideia do quanto.

E em geral, a gente é assim quando gosta. Não é o nosso sentimento, é o nosso limite que nos humilha, pois não há alguém além de nós mesmos que possa nos convencer de tudo que pode ser feito já foi feito. Entra na história do “Eu seria capaz de fazer tudo”. E o tudo é subjetivo. Para alguns, o Tudo pode ser uma serenata na calçada, para outros, pode ser se jogar na frente de um carro pra salvar a vida.

As pessoas se cobram demais em serem impressionantes, ao passo que esquecem que o que impressiona é a sinceridade, seja ela no presente em forma de carro 0km ou na mensagem de “Que você tenha um ótimo dia!”.

Mais sinceridade e menos aparência.
É tão fácil aparentar felicidade ou tristeza. As risadas que já dei na internet nem sempre foram reais. As carinhas de “=(” nem sempre representavam o que símbolo diz.
Mas você nunca me procurou pra saber o que eu queria dizer. Do contrário, você preferiu interpretar do seu jeito e me julgar.

Real é aquele que vive o sentimento do outro.

E olha, eu te digo agora que eu seria capaz de fazer tudo de novo, diante de todas as suas negativas.
Talvez eu não sinta o amor que Romeu sentiu, talvez eu ainda viva um amor que vai me mostrar que tudo que senti até hoje foi só um ensaio de felicidade. Talvez eu acorde amanhã e pense: “O que eu estou fazendo?” Talvez você acorde e pense na mesma pergunta. É uma chuva de talvez.

E lembra que eu falei lá em cima que eu escreveria aqui sem roteiro? Que a intenção não seria criar frases de efeito ou te comover (como se fosse possível)? Eu já nem lembro o que eu escrevi ali em cima, acontece que prefiro desaguar em palavras todo o mar de coisas que penso por segundo.

Eu não precisava de nada até saber que eu preciso tanto de você. Eu acho.
Eu sou a pessoa que precisa das coisas mais imprecisas desse mundo.
Talvez esteja aí a resposta, eu não sou pra esse mundo. Talvez eu seja de um mundo doido, particular, surreal e encantado, onde corações tem orelhas respeitadas, onde o sorriso precede um abraço entre cachecóis, camisetas regatas ou corpos nus, onde o “Mensagem enviada com sucesso” seja comemorada no recebimento com a mesma emoção que foi no envio.

Acordei de uma história que foi um ensaio da felicidade que me espera.

Neste ou em outro mundo – nem que seja o meu! – eu também te espero enquanto me fizer sentido o “pra sempre.”

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