Autor: Márcio Rodrigues (Page 68 of 71)

Salada de Interrogações.

Polar.
Eu sinto um ódio tão grande de tudo isso que eu sinto por você.
Você que não faz a mínima questão da minha existência, de saber se a minha vida está bem ou se está caindo de um penhasco.
Eu queria ser igual a você nesse sentido também. Queria não me importar com a droga da tua vida! Queria rasgar todas as memórias que tenho de você, essas coisas não me levam a nada.
Não tenho capacidade de me colocar a frente de você num pensamento que seja. Ando pelas ruas dessa cidade a noite, olho as vitrines, e tudo, mas tudo te traz pra perto de mim no mesmo instante. Eu quero morrer em momentos como esses! E não é por falta de iniciativa em mudar as coisas, estou tentando, estou tentando viver melhor e não é de hoje. A minha vida está um caos. Problemas por todos os lados, estou com uma deficiência sem fim de me manter estável.
Bipolar.
Me faz tão bem saber que você está bem. Quando leio suas postagens na internet falando de coisas que anda fazendo, sinto uma alegria particular. Você anda com os mesmos amigos que criamos juntos e o engraçado é que ando com eles também. Você já fez viagens pra lugares que planejávamos juntos. Quantas fotos! Você se envolveu com umas 3 pessoas depois de mim. Viveu tanta coisa. E porque será que não deu certo? Mais que isso, porque será que as minhas relações depois da gente também não deram certo? Depois do nosso fim, eu comecei a dar valor a quem dava pra mim. Conheci pessoas interessantes, que falavam sobre assuntos que eu gostava, que até tinham alguns planos que eu também tinha, havia sintonia. Mas não era tudo, então terminava. Aprendi também que não adianta procurar você em outro alguém. Eu gosto do jeito que você dá sinal pro ônibus parar, não do jeito que outros dão. Entende? Talvez, você também tenha passado por isso em seus relacionamentos. Lembro de uma vez que disse não conhecer alguém que chama o garçom melhor que eu.
Tripolar.
Pensando agora com mais calma percebo como estou ficando louco. Te odeio no mesmo momento que te quero de volta.
Talvez você também esteja passando por isso, a diferença é que não tenho problemas em gritar com o mundo quando tudo está errado na minha vida, já você, parece preferir viver o teu mundo desenhando momentos como deseja, na tentativa de esconder os momentos como realmente são.
Depois que aprendi a considerar o Talvez, comecei a viver melhor.

Ainda Não Chegou a Melhor Parte

Desde o momento que “percebi” como eu era diferente das outras pessoas já imaginei que a minha vida não seria algo que eu pudesse chamar de “fácil”. No entanto, isso nunca foi problema pra mim, até porque eu nunca me desesperei em encontrar as minhas respostas e também nunca me preocupei em saber se iam ou não me entender.
Quando eu menos esperava mudanças nessa vida tão imprevisível, você me aparece. Eu lembro de todos os detalhes de como a nossa história teve início, mas eu não quero fazer questão de lembrá-los aqui. São detalhes nossos, guardo pra gente.
Do primeiro segundo que falei com você até o último que nos falamos horas atrás, você tem me feito bem de uma forma indescritível.
A gente escreveu a primeira página juntos já sabendo o quão difícil seria termos novos capítulos. Concordamos quanto as dificuldades que encararíamos, todas elas, desde a minha pessoal com minha família, até a sua com toda a sua família rigorosa.
Isso sem contar a distância. São quilômetros que me impedem de ver como é teu rosto todo dia quando acorda. Mas essa distância toda, acredite, não é capaz de me afastar de você por um minuto sequer do meu dia. Eu durmo zelando pelo teu sono, acordo torcendo pelo teu dia. Nossa conexão é feita sem a ajuda dos olhos.
De todas as dificuldades que enfrentamos todos os dias, essa tal da distância é a mais simples. Depois que te conheci, me disciplinei em manter meu celular com créditos. Mensagens de texto ocupam confortavelmente o lugar do teu abraço.
Sempre, sempre que tenho condições de fazer um esforço com o meu não muito salário, eu corro pra te visitar. Compro as passagens na rodoviária como se fosse o ingresso pro céu. Pego o ônibus, encaro longas horas na estrada sem fim, cansaço, muito cansaço, pouco dinheiro, mas no fim tudo compensa. Eu tenho a felicidade de contar com uma amiga que me acompanha nessas minhas aventuras pra te ver. Ela é incrível, única na minha vida, se acha engraçada igual eu me acho, talvez por isso nos damos tão bem, haha. Ela é capaz de me entender quando nem eu mesmo me entendo. Cinquenta por cento do que eu sou hoje eu devo a ela, seja pela oferta do sorriso sincero ou pelo modo que nos xingamos nos amando no telefone. Quanto amor, haha! Ela me ajuda muito.
Lembra quando a conheceu? Vocês se deram super bem! Foi um dos momentos mais surreais da minha vida, ter a minha melhor amiga/irmã e você perto de mim. Eu juro, eu até poderia morrer ali tamanha minha felicidade.
Eu te amo.
Não tenho mais pra que esconder isso de ninguém! Todos que me conhecem já sabem disso, minha família já sabe, e mais que isso, EU SEI, e no fundo é o que conta.
Me preocupei com você quando me contou que revelou a seus pais o que estava acontecendo com a gente. Eu poderia imaginar que reagiriam de maneira agressiva, mas não fazia ideia quanto o tamanho dessa agressividade. Só eu sei o quanto rezei por você e o quanto eu queria estar contigo só pra lhe oferecer meu ombro. Você passou por tanta dor, tanta repressão, injustiça, julgamentos, tudo. Tenho nossas conversas no MSN salvas aqui e dezenas de tuas mensagens eu nunca apaguei.
Eu nunca pensei que seria fácil e sei que você também não. Sei também que a gente não pode esperar que as pessoas nos entendam, que nos aprovem ou coisa do tipo, a gente sente, simplesmente isso, a gente sente, danem-se todos! O amor alheio causa desconforto.
Todavia, os dias, semanas e meses estão passando, e todos que nos julgaram até aqui estão se rebaixando diante do que sentimos, do que estamos construindo, diante do que somos. E o melhor ainda está por vir, viu? Sempre serei otimista!
A gente vai se ver em breve, enquanto isso, eu faço o teu desenho aqui na minha mente, em cada gota de chuva, em grau negativo do frio, cada raio do sol, cada chão que eu piso. Te eternizei em mim por mim.
Até pode ser que um dia tudo acabe, mas eu quero que saiba que eu nunca, eu disse nunca, vou deixar que outro alguém ocupe o lugar que você tem ocupado em meu coração, que aliás, é teu.
Te amo, tudo vai ficar bem com a ajuda do Senhor da Razão. Cuido de você aqui de longe, torço pelas alegrias e pelo fim das tristezas, com a condição de você me contar em detalhes tudo que está acontecendo, do café da manhã que tomou ao último programa que assistiu na TV.
Só temos o nosso sentimento.
Abre tua janela, sinta o vento, estou fazendo o mesmo por aqui. A gente encontra meios de driblar a distância com o carinho da natureza.
Um beijo.

Baseado em uma história real.

 

…Off By Heart

Chegará um dia que você vai me entender.
Tem algumas horas nessa vida que a gente se sente tão perdido, é eu sei, sou igual a você. Ao mesmo tempo tem outras horas que a gente encontra a salvação numa carta que revela saudade de momentos recentes ou nem tão recentes assim.
Chego em casa cansado do trabalho, corro pra um banho, e depois faço questão de pegar algumas das nossas fotos. Óbviamente você nem faz ideia disso.
Eu gosto de reviver alguns momentos que já tivemos. A minha melhor lembrança sua são os instantes que registrei em fotografia uma porção de sorrisos seus. Lembra de quando fomos ao Parque de Diversões? Eu sou tão medroso, não andei em brinquedo algum, já você, toda aventureira, encarou todos com uma coragem sem igual.
Página 1, página 2.
E esse dia, ahh, esse dia…
A gente pegou uma chuva tão grande! Corríamos pela calçada da Avenida Paulista procurando abrigo em um ponto de ônibus. Morríamos de ódio de alguns motoristas idiotas que passam a toda velocidade e nos banhavam com água de sarjeta. Você ria. Você gostava de me ver com raiva, que coisa mais doida! E depois, ainda ficava brava comigo porque eu ria da tua blusinha molhada que mostrava o teu sutiã (?).
Página 3…
Esse dia também foi muito especial. Foi um dos nossos primeiros encontros!
Eu não sabia se pagava a conta toda do restaurante ou se deixava você pagar a tua parte como queria. Acabei pagando tudo, fiquei mais sem dinheiro do que nunca, mas paguei. E essa foto do comprovante de pagamento eu fiz questão de revelar pra tornar eterna.
Relevei tantas fotos, você nem imagina.
Essa semana tem feriado prolongado. Estou pensando ainda se te levo algumas fotos ou se deixo comigo, pra minha vida, pro meu mundo. Vai depender.
Vai depender se você aceitar ver aquele filme comigo: “Hoje Juntos, Amanhã Não Importa”. Tenho certeza que vai achar meio brega, mas eu gosto, vi o trailer e achei a nossa cara.
Chegará um dia que você vai me entender.
Tem pessoas que entram na nossa vida pra se tornarem eterna. Entre as coisas que eu torço, meu interesse em te ver bem sempre mesmo quando estiver longe dos meus olhos é uma das principais.
Página 4…
Ah, e essa foto então, do dia que agente sentou no parque e pela primeira vez encontramos nossos nomes nas nuvens. Ficamos lá por horas, a noite chegou, e você teve o talento de conseguir apontar nossos nomes também nas estrelas. Eu nunca vi nada igual na minha vida inteira.

Tem essa foto também…

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“…Off By Heart” – City And Colour
Inspiração de título e conceito do texto. 

Obrigado, obrigado, obrigado!

Olá, queridos “leitores”, haha, tudo bem?

Meu útlimo post “Parcelei em 3 Vezes” teve 78 acessos! Record aqui nesse humilde blog! Fiquei muito feliz com a repercussão absolutamente inesperada! Então, pensei em agradecer a todos que aqui visitam e dar mais detalhes sobre o que este blog! Vamos lá?

Como Começou.
Meu nome é Márcio, tenho 24 anos e sempre gostei de escrever. A chegada da internet em casa foi o empurrão para eu escrever ainda mais. Tudo começou com o fotolog. Lá eu postava as coisas do meu dia-dia, detalhes dos relacionamentos que tive, minhas impressões sobre tudo que eu estava (ou não) envolvido. Aí conheci o mundo dos Blogs! O primeiro deles era super pessoal. Eu comentava com muito coração as coisas que eu vivia, confessava tudo, citando nomes, quase um diário. Me cansei e criei outro, dessa vez mais “sério”. Nesse segundo foi quando a coisa começou a rolar. A ideia inicial era também falar das “coisas da vida”, acrescentando fotos, vídeos, músicas e etc, mas vi que essa maneira não é muito a minha praia. Então, este ano, criei o Um Travesseiro Para Dois. Ainda tem muita coisa nova que eu quero aplicar aqui, muita mesmo, preciso me organizar e fazer tudo com bastante calma.

Conceito & Projeto.
Eu não sou nenhum tipo de intelectual. Não tenho esse blog pra ficar famoso ou pra receber elogios; nunca me forço a escrever algo para impressionar alguém, a minha exclusiva intenção aqui é estimular as pessoas a verem TUDO de outra maneira. Para isso, uso a ferramenta do AMOR em suas mais variadas manifestações!
Estarei mentindo se eu falar que NADA do que escrevo tem a ver comigo. Sim, em alguns momentos sim, pego um referência de algo que vivi ou tenho vivido. Contudo, 99% dos temas são situações que eu vejo nas outras pessoas. Optei por escrever em primeira pessoa pra dar um tom mais pessoal e facilitar com que nos sintamos naquele momento retratado. Em todos os lugares nós vemos as mais diversas situações de casais ou solteiros: carinhos, brigas, stress, risadas, solidão, angústia, incerteza, timidez, raiva, felicidade, cumplicidade, enfim, milhares de sentimentos. É óbvio que por mais observadores que sejamos, nunca teremos a certeza do que realmente está acontecendo com essas mesmas pessoas. Bingo! No meu caso, vejo uma situação e dou a minha interpretação sobre aquele momento! Eu construo a história inspirada num instante! Aquele casal que você vê se beijando, pode estar a 10 anos juntos ou há 15 segundos, não é mesmo? Tudo depende da forma que nos vemos!
Propago a Morte da Visão Óbvia! Uma vez pensei numa frase que consegui sintetizar o que eu penso: “Tudo é especial se quisermos que seja!”
Livro. Vou escrever um livro. Isso já está certo! Ultimamente tenho esboçado algumas coisas, mas não é tão fácil quanto parece, ou talvez eu seja mais exigente do que pensei! Ou as duas coisas! HAHAHA! Ainda estou pensando em qual direcionamento, mas um dia vou imortalizar o conceito do Um Travesseiro Para Dois na literatura mundial, HAHAHA, aqueles!

Obrigado!
Quero agradecer a todos que leem meus textos! Eu ia adorar se fossem menos tímidos e começassem a comentar nos posts, poxa! HAHA! Queria conhecer quem me acompanha aqui!
O Blog vai continuar e pretendo trazer novidades em breve!
Obrigado pelo carinho de sempre e mais, escrevam também! Vamos todos escrever mais sobre o que gostamos! Tem horas que não existe melhor remédio do que ir escrevendo sem rumo sobre qualquer coisa! Experimente!

Obrigado e comam mais vegetais!

Márcio Rodrigues.

Parcelei em 3 Vezes

Faz tempo que eu olho essa vitrine.
Esse shopping está no meu caminho de volta pra casa e ás vezes dou uma passada pra ir ao banheiro ou pra tomar um sorvete.
Só não gosto muito de vir aqui sem você. Sei lá, tem tanto casal andando junto por aí e isso me deixa meio deprê, mas esqueço disso rapidinho quando olho pro celular pra ver as horas e ganho uma mensagem sua.
Mas então, hoje eu resolvi ficar mais tempo nesse shopping. Você tem aula essa noite.
Antes de qualquer coisa mereço uma parada especial naquele restaurante colorido que tem tudo que a gente gosta, tipo: arroz a grega, salada de ervilha com milho e refrigerante citrus. Ops, nada de refrigerante mas sim suco de laranja sem açúcar pra ajudar no regime de guloseimas, haha.
Faz tempo que eu olho essa vitrine. É estranho. Parece que aquele vestido tem o teu nome, parece que você já me falou dele em algum lugar, sei lá não lembro direito. O fato é que eu não consigo imaginar esse vestido em outra pessoa que não seja você.
Entrei na loja e me aterrorizei com o preço. Não a toa não estava exposto na tal vitrine. Andando pelos cabideiros me perguntei porque roupa de mulher custa tão caro. Logo na sequência notei a resposta na lotação da loja e na alegria com que as mulheres vão embora. Mulheres não se importam com o dinheiro e sim com o bem que ele pode proporcionar, ou seja, comprar roupas não tem preço.
Ok, fui atendido pela vendedora simpática que tentou fazer eu levar a loja inteira. Resisti e peguei apenas o teu novo vestido. “Crédito, por favor!” – Passei o cartão na maquininha como se fosse uma foice no meu peito. Acho que eu nunca comprei nada com tantos zeros, haha.
Saí feliz do shopping e adorei a embalagem do presente. Gosto de embalagens.
Dois ônibus, avenida movimentada e fiquei na porta do teu curso.
Um pouco de atraso-clássico e você sai com cara de “o que raios você está fazendo aqui do nada? adorei!”
Sem te deixar falar uma palavra eu digo:
“Oi, como você tá? Olha, Feliz Dia Qualquer. Hoje não é nada demais, nenhuma data, nenhum marco em nossa vida. Sei lá, Feliz Hoje! Espero que goste.”
Você adorou! Fiquei extremamente recompensado pela tua reação!
Tudo lindo, tudo especial!
Mas.
Ok.  Tivemos que voltar no dia seguinte no mesmo shopping pra trocar o tamanho P pelo M.
Esqueci que o regime ainda não surtiu o efeito que deseja.

Onde Vamos Sentar?

Hoje eu tenho um encontro!
Ansioso, acordei bem cedo, mais do que deveria, tudo pra poder escolher a roupa ideal. Por sorte, tenho uma camiseta que comprei e nunca usei por não encontrar o “momento ideal”, sabe? Chegou esse momento!
Um almoço rápido e já posso sair. Mas antes, uma conferida no meu saldo em minha conta bancária via internet. É, a coisa não está tão boa assim, mas com um esforço aqui e outro ali vou poder gastar alguma coisa hoje. Mereço!
Eu tenho um perfume super caro. Só uso aos fins de semana quando as ocasiões são mais especiais. Ok, a intenção real é economizá-lo. Hoje é fim de semana. Logo?
Combinamos às 17h em frente a bilheteria do cinema. Cheguei às 16:40. Tem muitas pessoas aqui, vários casais, família inteiras, adolescentes desbravando os corredores. Acho uma boa ir na livraria me atualizar quanto as revistas do mês.
“Heeey, me desculpa, estou chegandoo, não briga cmg!” Leio tua mensagem de texto e me tranquilizo.
Volto pro local de encontro e às 17:20 você chega. Linda. Extremamente deslumbrante! Eu nem sei como está minha cara, se meu cabelo está horrível, eu não sei de nada, que vergonha, mas você está linda. Te confesso.
Entramos na fila do cinema. Já tínhamos escolhido o filme.
“Nota Fiscal Paulista?” – “Não, obrigado!” Bilhetes comprados.
Você sugere comermos algo antes do filme, diz que não é muito fã de pipoca na poltrona. Eu, óbviamente, aceito. E lá se vai me seu salário tentando te impressionar com restaurantes legais.
Subimos pra sala. Entramos, e chega o momento que dará a letra dos outros que virão a seguir: Onde sentaremos? Deixo a escolha em suas mãos e você opta por um cantinho da sala.
O filme começa, o filme termina. E nós continuamos da mesma forma que começamos. Amigos. Vamos embora. Você parece contente, não para de falar como o filme é bom, como era inesperado! Fiquei feliz com tua reação.
Saímos do shopping e me prontifiquei em levá-la ao ponto de ônibus.
A partir desse momento meu peito começa a formigar, eu não consigo pensar em nada decente pra te falar, não consigo falar do filme, não consigo falar sobre como eu gostei de hoje, não consigo! E como eu odeio isso!
Fiquei de costas para os ônibus na avenida, não quero imaginar você indo embora, não quero imaginar esse dia acabando.
“É, lá vem meu ônibus…” Você me corta o peito com essa frase.
Penso que essa é a hora, chega, preciso parar de tanta vergonha, vou falar alguma coisa, sei lá, vou fazer alguma coisa, mas vou ter alguma atitude.
Me beija, me abraça e diz “Obrigada por hoje, fica bem!”
Você parte.
E me parte.
Sem a mínima culpa da situação toda. Não existem culpados.
Eu não consigo nem te olhar entrando no ônibus pra dar um último tchau. Saio caminhando sem olhar pra trás. Sem olhar pra trás. Ora, óbvio que você não tem culpa de “não querer nada comigo”, até porque, você nem sabia que eu queria algo… Como eu fui covarde COMIGO MESMO! Queria voltar, queria pegar o próximo ônibus e ir atrás de vocês. Nessas horas a coragem vem.
Mas tudo bem, sem problemas, foi a primeira vez que saímos juntos, essas coisas acontecem.
Não sei se haverá uma segunda vez com você, nem tenho ideia de onde te chamar pra ir, mas eu tenho certeza de uma coisa: eu nunca mais vou deixar de ouvir e atender aos gritos do meu coração lunático e sincero.

“Espero que esteja bem, adorei hoje, de verdade, e ah, você estava tão bonitinho :)… bjo”

Mensagem de texto recebida.
Eu li essa frase durante as 5 horas seguintes.

No Meio Do Caminho Tinha Uma Pedra

Erramos, sabemos disso.
Provavelmente erraremos outras dezenas de vezes, mas tenho certeza que não pelos mesmos motivos. A lição dói como uma pedrada no peito, no entanto se faz presente em sua verdade absoluta. Nos faz repensar em todas as nossas atitudes.
Eu gosto tanto de você. Sou a favor que nos cobremos menos, não somos culpados assim pela velocidade que os dias passam. Mais dias passando, são mais momentos vivendo juntos. Não somos culpados, não temos como controlar, a menos que colocássemos algemas em nossos corações. Difícil.
Tem muita coisa boa pra acontecer ainda, sabemos disso. Tudo está no início, podemos nos ajudar muito ainda. Temos direcionamentos diferentes pra vida, nossas idades automaticamente impõem isso, mas temos desejos e sonhos parecidos e acredito que se alinharmos nossos pensamentos, e mais, se nos somarmos, conseguiremos tudo o que queremos na hora certa.
Deslizes acontecem. Não somos imunes a eles, a gente considera tudo, contudo, mais do que tudo, temos muita energia do bem pra direcionarmos a melhor resposta de todas. Tudo vai ficar bem, estamos crescendo com as experiências. Não vejo a hora dessa angústia toda acabar da melhor maneira para que nós finalmente possamos fazer nossas compras preferidas. Você gosta de chás e eu de creme de avelã. Estou ansioso também para que possamos inciar nossos passeios gastronômicos. Você é uma profunda conhecedora de temperos, e eu um mero degustador, com um certo gosto específico.
Vem cá, me dê sua mão, sente o calor aqui, é 1% do que tenho a oferecer. Traz teu rosto pra perto, fica a vontade pra utilizar meu ombro de travesseiro. Um travesseiro.
Conte comigo, tudo vai ficar bem, pensa nisso comigo, a tempestade vai dizer adeus, precisamos que passe, reservei duas diárias num hotel no litoral para comemorarmos o “Dia Sem Motivo Especial”.
 

Bolso Vazio, Coração Cheio

Celebramos todos dos dias. Celebramos toda a vida.
Aprendi a comemorar o fato de eu estar vivo. Hoje, além da minha própria felicidade me preocupo com a sua que está comigo.
Estamos a algum tempo dividindo as mesmas preocupações. Estas, que não me cabe julgar importância. São preocupações que passeiam entre a Cor do Esmalte ao Desânimo Com o Atual Emprego.
Cumplicidade. Aprendi a respeitar e valorizar este sentimento que ás vezes esquecemos perante alguns que, teoricamente, se sobressaem, ou que eventualmente nos são impostos a acreditar que são mais importantes. O comércio em geral nos condiciona a crer em um sentimento vendável.
Você odeia o comércio.
E você odeia tanta coisa: despertador, quando acaba o achocolatado, odeia dividir pedaço de pudim, odeia quando chove e molhe suas meias. Ranzinza, se faz de difícil pra si mesma. E eu sou sua plateia num show de humor.
Sou eu quem enxerga beleza na forma que diz “Não me enche!” ou quando sorri e anuncia: “Isso é demais!”.
Odiamos datas. Não somos fã da aparência vã que alguns casais fazem questão de ostentar por aí. Acho que não somos normais. E aí está o encanto.
Você ama ser estranha.
E penso ser verdade quando revela que me ama, mesmo eu sendo tão estranho quanto. Talvez eu possua uma estranheza que te excite. Vai saber.
Hoje é mais uma data comum do mundo. Todavia, como não somos “comuns”, não consideramos o dia de hoje como algo surreal. Praticamos o que sentimos todos os segundos que podemos.
Eu até pensei em te comprar alguma coisa, quase me rendi a pressão da TV, pensei naquele livro que tanto quer ou aquela blusinha daquela loja que suga meu pouco salário em uma fração de segundos. Os vendedores de lá me amam por motivos óbvios.
Mas eu não vou te dar nada hoje. Eu quero que se dane o tal “Dia dos Namorados” e eu tenho certeza que você também não está preocupada com isso. Não é uma data que vai fazer com que todos os outros dias do ano sejam melhores. Nós fazemos isso!
Hoje é domingo, dia especial, gostamos de domingos. Macarrão, sorvete de creme e flocos e filmes no DVD. Não temos dinheiro pro cinema, não temos dinheiro pra pipoca de microondas. Temos milho, panelas e um fogão.
Cumplicidade. A gente transforma os nossos momentos.
Tanto você, como eu, não somos obrigados a gastar rios de dinheiros com algum presente por aí pra provarmos um ao outro quão importantes somos um ao outro.
Preciso de você pra enxugar minha lágrima quando eu precisar e pra dividir um sorriso quando eu estiver feliz. E você é capaz de muito mais que imagina. Eu também.
“Você Não Faz Ideia do Quanto”. Aluguei esse filme, embora bobo parece legal, se não for, tudo bem, a gente devolve o DVD e continuamos o filme da nossa história da forma que acharmos conveniente. Já temos todo o roteiro.
Podemos jogar STOP também.
Podemos tudo.

Tudo e Você?

É pra ser só mais uma ligação pra saber como foi o seu dia.
Mas nunca é. A gente sempre faz questão de prolongar todos os assuntos.
É automático! Nem que tenhamos conversado durante todo o dia, a noite, na última conversa antes de dormir, relembramos alguns momentos de horas atrás e lembramos de coisas novas pra contar.
A primeira coisa que faço antes de te ligar é procurar uma posição confortável no sofá. Arrasto pra perto de mim um puff que gosto muito – aquele que adora também -, repouso meus pés, quando faz frio pego um edredon, no calor não faço nada.
Durante a conversa alguns assuntos polêmicos surgem, como o debate sobre “Qual Cor do Esmalte Você Deve Passar Ainda Hoje”, mas são coisas que com muita destreza nos ultrapassamos. Conversamos também sobre outras amenidades como “Estou Sem Dinheiro Mas Estou Louco Pra Viajar, Você Fecharia Fazer Uma Loucura Comigo?” e seguimos um ouvindo o outro. Quando a conversa chega numa ponto desses, eu já estou de ponta-cabeça no sofá, com os pés na parede. O controle remoto da TV já foi para “O Mundo dos Controles Remotos de TV”.
Ás vezes me bate uma fome. Vou até a cozinha preparar algo enquanto revela sua fúria com o seu chefe. Respondo com “uhum” confirmando que estou ouvindo tudo. Não falo mais nenhuma palavra por simplesmente estar impossibilitado de dizer algo devido as bolachas que eventualmente como enquanto desabafa.
Vou até o banheiro, faço xixi. Lavo e seco as mãos, saio do banheiro. Tudo isso com o telefone. Muito provavelmente você também está mudando de posição freneticamente, de repente enroscada com teu edredon, ou se olhando no espelho fazendo caretas ao tentar estourar uma espinha danada.
Chega uma hora que as orelhas começam a arder mas não o suficiente pra diminuir nossa vontade de conversar com o outro, de nos certificarmos que está tudo bem, de fazermos planos pro fim de semana, de até brigarmos ás vezes. Mas sempre nos falamos.
Você não faz ideia de como me faz bem te ouvir falar qualquer coisa. Gosto da ideia de ser o escolhido pras suas revelações, ou até mesmo para sua queixa sobre o metrô lotado de todos os dias. Gosto de saber que você conta comigo. E é meio óbvio que sinto o mesmo por você, né? De maneira alguma eu passaria fáceis 2 horas no telefone com alguém que não fizesse sentido pra mim.
Tem dias que eu passo as horas ansioso em chegar a noite e eu finalmente poder saber como foi teu dia. Gosto de ser quem te recomenda comer melhor, quem te lembra do remédio de 8 em 8 horas.
No final, o que menos vai me importar é se terei dinheiro pra pagar a fatura do telefone no fim do mês. Com um esforço aqui, outro ali, e um corte de leve na quantidade de filmes que a gente aluga, eu consigo pagar.

Açúcar ou Adoçante?

Essa mania que eu tenho de achar graça na forma que tira o cabelo do rosto.
Desde o nosso primeiro “oi” comecei a achar graça em coisas que sempre considerei bobas. Revi meu conceito sobre consideração das coisas, especialmente das coisas bobas.
A gente senta numa cafeteria qualquer, fazemos nosso pedido e enquanto esperamos, você se aproxima de mim. Nos encostamos no balcão, você com seu cotovelo sobre a mesa coloca a mão em meu cabelo e começa a fazer círculos com os fios. Comento de um assunto qualquer, do frio que está fazendo hoje, e então somos interrompidos pelo garçom e a chegada do nosso pedido.
Dois cafés.
Você segura a asa da xícara com extremo cuidado para não queimar os dedos. Enquanto tomo o meu café, de rabo de olho observo tua dificuldade em fazer o teu esfriar. Se irrita com tanta fumaça. E eu rio.

E eu rio.

Comemora o fato das mãos agora já não estarem mais frias demonstrando a nova temperatura ao acariciar meu rosto. E eu sempre fecho os olhos quando passa a mão sobre meu rosto. Não tenho resposta para isso, acho que é uma das coisas bobas que aprendi a gostar também.
Pedimos a conta, pagamos e partimos.
Te deixo sair primeiro pela porta e quando saio você me surpreende com um abraço não-convencional. “Feliz hora do café!”  – é o que me diz.
Sem ententeder muito bem, ou melhor, sem entender nada, eu concordo e retribuo sua sincera felicitação. Você é estranha, mas gosto disso. Será que sou tão estranho quanto?
Saímos pela calçada, teu braço envolvendo minhas costas, e o meu sobre seus ombros. Partimos selados.
Chutamos folhas secas do Outono, brincamos com cachorros e eventualmente até apostamos corridas. Pregamos peças nas pessoas nas ruas ao apontarmos as coberturas dos edifícios como se realmente estivesse acontecendo algo. Todos olham. Nós rimos, rimos feito bobos. E a coisa boba se faz presente denovo entre nós.
Obrigado. Talvez seja algo nesse sentido que eu deva te falar por me fazer sentir tão especial, por sei lá, delimitar as coisas e a forma que eu falo (nunca achei que seria necessário, mas hoje sei que é). Obrigado por ser você.
Qualquer dia te conto sobre o que penso de você, de repente seria uma boa oportunidade pra isso acontecer quando voltarmos a cafeteria, e eu mais uma vez, poder ver como fica seu rosto quando se irrita com a fumaça do café.
Coisa boba que eu gosto tanto.

 

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