Deitados aqui nesse sofá eu rezo para que o relógio quebre.
Trabalho tanto durante a semana, você estuda e trabalha, daí quando chega o fim de semana, quando nos vemos, não acho justo que este tempo seja curto. Tem assuntos que eu anoto só pra dividir com você. Tem fotos que eu tiro pra vir te mostrar de momentos que lembrei de você. Não acho justo que o tempo corra.
Os meus momentos Fazendo Nada com você são os melhores. Até consigo achar graça nos programas de calouros na TV. Tô meloso demais hoje né?
É meio bobo, acho que nunca te contei, mas todo dia olho seu nome gravado em minha aliança. Pra mim é como se você estivesse comigo nesses momentos. Exibo por onde eu ando, e quando me perguntam “Está gravada?” eu prontamente mostro! É muita alegria!
Acho que eu tenho um sentimento meio infantil. Eu não sei gostar de forma adulta, e que saber? Nem me importo com isso! Também não me importo da forma que você gosta de mim, como me prova isso. Se eu fico feliz em mostrar minha aliança às pessoas , e você não vê a mínima graça nisso, não tem problema, não somos iguais.
Se fosse pra eu ter alguém igual a mim eu ficaria comigo mesmo.
É melhor eu parar de falar. Começo e nunca termino, né? Mas estou melhorando, vai! Eu já nem puxo assunto com as atendentes das lanchonetes e nem faço tantas perguntas para os garçons, melhorei vai. E não adianta ficar quietinha aí também, vai negar que você sempre ri quando eu falo com pessoas que a gente nem conhece. Faço amizades rapidamente, falei como o “rei dos amigos” agora né? Brincadeira!
Então, como vai ser, a graça que vejo nos programas de TV é meio curta, não leve as coisas que eu falo tão a sério assim, haha, posso trocar de canal?
Hey, posso trocar de canal?
Ahh legal, certo, falei esse monte de coisa melosa-bonitinha aqui e você está dormindo. Entendi.
Autor: Márcio Rodrigues (Page 67 of 71)
(Conteúdo Levemente +18)
“Não me deixa morrer na imaginação de alguns momentos, por favor.
Você tem uma mania, e um dom incrível, de me fazer perder o ar com meia dúzia de palavras, e que palavras, heim? Deixa eu chegar em casa. Também estou com saudade.”
Abri a porta. Pendurei a chave e tirei o casaco. Fazia frio.
Já era tarde e imaginei que estivesse dormindo, preferi então ir à cozinha preparar algo pra comer. Limitei meus movimentos pra evitar qualquer barulho, tudo que eu não queria aquela hora era de incomodar. Não estava com vontade de comer algo muito pesado, optei por um lanche com requeijão.
Abri a geladeira e, como de costume, comecei a pesquisar onde raios estaria o pote de requeijão.
Aí a luz foi embora.
Fui devidamente vendado por um toalha com um perfume que eu já conhecia. Também fui impedido de falar. Um dedo indicador me silenciou.
A porta da geladeira foi fechada suavemente a ponto de eu conseguir ouvir o barulho da fechadura. Me fez lembrar também de consertá-la assim que possível. Eu estava parado, de pé, vendado, de frente pra uma geladeira.
Veio, respiração pausada, começou a me beijar como se anunciasse quem estava ali tomando de conta de todo aquele momento. Pescoço. Uma porção de lambidas extremamente calculadas que escorregavam pela minha pele. Uma das mãos veio por debaixo da minha camiseta chegando até o zíper da calça. Abria e fechava, abria e fechava. Me abraçou e passou a outra mão pelo meu peito. Me virou para frente. E eu ainda sem visão e sem voz. Preferi deixar ver até onde isso ia dar. Só confesso que fiquei um pouco incomodado com o barulho do meu estômago reclamando por comida. Mas tudo bem, naquele momento, eu estava envolvido com outra coisa.
Pegou minha mão, levou até seu corpo como se estivesse me apresentando cada pedaço. Lentamente, me fez percorrer algumas extremidades. Me fez lembrar da sensação que tenho quando acaricio teu seio. A partir daí eu comecei a respirar mais rápido e tive que tirar a toalha. Pra minha surpresa ainda estava tudo escuro, você tinha planejado tudo. Te abracei e levei contra a parede. Escuro. Fiz teu pescoço matar a saudade do meu jeito de dizer o quanto ele é incrível. Enquanto isso você me abraçava e arranhava as minhas costas, parecia ter cultivado suas unhas a semanas.
Subitamente me virou e me colocou contra a parede. Habilidosa, com uma das mãos abriu meu zíper e o botão da minha calça, que aliás, caiu automaticamente. Com a outra mão segurava a minha nuca e puxava o meu – não longo – cabelo. As mordidas se fizeram presente novamente. Beijo longo, forte, rodízio de posição das bocas. Começou a descer pelo peito. Tua boca passeava por toda a extensão da minha pele. Naquele momento eu já tinha nenhuma peça de roupa da cintura pra baixo. E foi lá que você chegou. Escuro. Me fez lembrar o quanto é capaz de me fazer ter arrepios, o quanto sou fraco diante das tuas vontades. Ao mesmo tempo que faz com carinho, imprime uma força e domínio tão grandes que sempre me surpreendem. Novamente habilidosa, me prova que sabe usar a boca – e como sabe – pra muitas outras coisas além das habituais a todos os humanos. Movimentos retilíneos, sons novos, sensação descomunal. E como sabe. Usa a língua como ferramenta e me ganha, conquista o território. Regressa para o meu peito e selamos este momento com um novo beijo um pouco diferenciado. De repente me vejo puxado em direção a mesa de jantar. Barulho ensurdecedor. Tudo que tinha separado pra preparar algo pra comer caiu no chão.
Algo pra comer.
Cansei de ver até onde isso ia dar e comecei a fazer minha parte na história. Te levantei e a fiz sentar na borda da mesa. Eu de pé e você sentada. Enquanto te beijava, mais do que lentamente fui retirando sua calcinha. Me despedi da boca e desci pelo corpo. Seios. Lembrei de como eu gosto de beijá-los. Tua respiração acelerava ao passo que a minha se estacionava. Continuei descendo, cheguei nas pernas. Te deitei na mesa. Fiz igual a você e utilizei a mesma ferramenta que usou momentos atrás. Língua. Minha língua conhece algumas das suas zonas erógenas. Pele lisa, bem cuidada e perfumada. Me deliciei desbravando cada centímetro. Você se contorcia sobre a mesa. Falava algumas palavras indecifráveis e começou a gemer. Gemidos. Altos, gritos, gemidos, demonstrava estar gostando. Me puxou – você adora me puxar – pra cima de você. Na mesa mesmo. Arrancou minha camiseta com uma pressa e aparente ódio. Fiz o mesmo com a camiseta – minha, aliás – que usava. A partir dali era só corpo. Nos selamos.
Abriu levemente as pernas deixando claro sua vontade. E eu, como bom entendedor, compreendi o recado. Nossos corpos constavam uns 40°C naquele momento.
Movimento.
Intensifiquei a pressão sobre seu corpo. Transpiração. Segurei suas mãos acima da cabeça e tomei o poder. Movimento, muito movimento. Ida e volta. Força, vontade, tesão. Amor, muito amor. Mais força. Gemido, grito, muito grito. Mais pressão. Vai e vem. A transpiração já dava lugar ao suór, muito suór. Calor. Corpos quentes. Não sei como, mas conseguiu soltar os braços e me abraçou com raiva. Minhas costas provavelmente já estavam sangrando tamanha a força que me arranhava. E eu não me importei. Levantou as pernas pra cima das minhas costas. Você demonstra o que e como quer. Posição nova. Mais pressão, mais força, muito calor. Novos sons vindos através da nova posição e do movimento frenético e ininterrupto. Beijava seu pescoço enquanto puxava teu cabelo com força. A palavra é essa: força! Com as mãos voltei para os seios, mais pressão. Gritava. Gritava alto. Mas nenhuma palavra foi dita. Grito, unhas, aperto e prazer. Me empurrou de cima de você e foi me conduzindo até sala. Me jogou no sofá. Meia luz. Esquecera de um abajur ligado, mas você é muito espertinha, acho que deixou de propósito. Sentou em meu colo, retomou a condição de domínio. Corpos nus. Você sobre meu colo. Sobe e desce. Apoiei minha cabeça olhando pro teto. Gritos, mais gritos. Por um segundo me preocupei com os vizinhos. Reparei que fazíamos uma sombra na parede. Teu cabelo todo para trás, cabeça pro alto, olhos fechados.
De repente tudo ficou ainda mais intenso. Ainda mais intenso. Mais velocidade, mais força, mais e muito mais prazer. Nova posição. Saiu de cima de mim, me puxou pra ficar de pé. Apoiou os cotovelos no sofá e me mostrou o caminho com um rápido olhar. De quatro. Entendi. Me aproximei e novamente me fiz presente com bastante delicadeza mas com não menos intensidade. Os mesmos movimentos em posições diferentes proporcionam prazeres inenarráveis. Vai e vem repetido uma centena de vezes. Sem cansaço, sem perder o pique e com cada vez mais tesão. Cada vez mais.
Segurei teu cabelo para trás, demonstrei controle, você não demonstrou resistência. Isso não é submissão é entrega, é momento, é vida, é amor, éramos nós dois, do nosso jeito. Grito, mais grito. Zero de palavras.
Senti seu corpo se aquecer e suar ainda mais. Começou a se contrair totalmente. Entendi o sinal e não significava parar. Contração forte e um longo grito.
Ainda não tinha acabado.
“Vai!”.
A única palavra dita.
Suór, calor, pressão, movimento, força. Juntos. Selados. Literalmente encaixados.
Intensifiquei o que me restava de força e fui conforme me pediu. Grito prolongado. Fomos. Juntos. Corpos que antes se incendiavam agora latejavam. Deitei no sofá te assegurando que poderia vir comigo. Respiração. Muita respiração, dessa vez mais devagar. Lentamente se acalmando. Repousou a cabeça sobre meu peito. Dois corpos. Comecei a pentear teus cabelos com as minhas mãos. Meu coração ainda estava muito acelerado. Mas eu estava feliz. Inesperado, assim é especial. Você parecia feliz. Silêncio. Meia luz do abajur. Fazia círculos no meu peito. Se sentia confortável. Respiração e temperatura do corpo voltando ao normal…
“Procurava requeijão né? Eu sabia, fiz questão de esconder no armário. Fiz mal?”
“Que requeijão?”
Quando o coração e o corpo gritam.
Tem horas que eu me pego envolvido em alguns refrões. Eu posso estar em casa, no trânsito, ou até mesmo de passagem por um local
qualquer e ouvir uma música que nem gosto, mas aquele refrão te traz pra perto de mim. Te tenho comigo mesmo quando eu não estou com você. Me explica isso? Talvez algumas sensações como essa fazem parte da série Coisas Que Nunca Entenderemos. A gente reforça nossos laços no abraço. Tem abraço que é melhor e mais sincero que muito sexo.
Esses dias fui ao parque sozinho. Ás vezes é importante pra mim ter a minha própria e exclusiva companhia. Chegando lá, foi inevitável não ser invadido por dezenas de lembranças suas. Lembrei da primeira vez que rolamos na grama e quase caímos no lago com grandes chances de amassarmos os coitados dos patos (gansos?), da vez que inventamos de fazer um piquenique, e que fomos extremamente inteligentes a ponto de esquecermos lençol para forrar a grama, ou seja, sentamos no chão acompanhados por um gigante formigueiro, comida, doces, formigueiro, chão, shorts, bom, daquela história eu não quero lembrar. Nem das manchas que ficaram em mim.
Mas é engraçado que quando a gente está criando uma história com alguém, as menores cosias ao nosso redor começam a fazer grande diferença. Eu nunca reparei nos manequins cor de abóbora até você me chamar a atenção pra isso. E penso que também nunca havia percebido que as faixas de pedestres, em geral, possuem 12 listras. Tudo bem que “aprendizados” como esses não são lá dos mais relevantes né? Mas quer saber, quem aqui está pensando em relevância quando eu perco a razão e o domínio dos meus movimentos quando te vejo, ou até mesmo quando nos falamos? Se nem meu cérebro é relevante numa hora dessas, o que dirá 12 listras nas ruas.
A gente constrói a nossa relevância.
Confesso que ainda estou tentando ver o rosto do Mário Bros nas nuvens como você jurou ver.
Clique: “Morada” – Forfun
Faz parte de mim, não me cabe ir muito além do que plantar os pensamentos bons sobre a gente e sobre quem gostamos, especialmente nos momentos em que não estou com você.
Eu penso tanto nas lições que aprendo contigo. É tão relevante pra mim analisar a tua forma de ver a vida. Você grita por liberdade, exala a vontade de se libertar de qualquer tipo de amarra. Quer beber vida em todos os momentos ao passo que chora por uma companhia que seja conivente aos teus sonhos, por mais surreais que sejam. Esse sou eu, eventualmente vestido de um fantasia de receios. Eu sou apenas um célula na imensidão de possibilidades que esse mundo nos traz. Estou esperando a oportunidade correta pra te provar que também enxergo beleza no cantar dos sabiás. Mas não estou aqui pra te convencer de como eu sou, ou posso ser, pra você. Como eu disse antes, cabe a mim plantar minha conduta e a cultivar a lavoura de sonhos que desenho pra nós todos os dias. Acontece que eu quero colher com você. Te respeitando por completa, até mesmo quanto a maneira mal-humorada de me retribuir o “bom dia” quando te surpreendo em uma manhã qualquer.
Não vim ao mundo pra dar ou encontrar explicações e faz alguns meses que concluí que também não capaz de encontrar palavras que descrevam a tua importância aos meus dias.
Estamos a algum tempo construindo uma história inédita pra mim. Eu nunca parei pra ver o céu e a dar tanta importância a uma estrela como faço com você. Também nunca imaginei que ás vezes perder o horário em um lugar especial fosse me fazer tão bem. Você me fez jogar as regras no lixo.
Confie em mim.
Se eu tenho uma missão nessa Terra que a gente vive, talvez ela seja a de compartilhar o amor que tanto tenho pra oferecer. E eu escolhi você.
Te escolhi e automaticamente designei meu coração a missão mais complexa que já tivera: manter ou quiçá superar a velocidade da pulsação na mesma daquela primeira vez que te vi, naquele frio que fazia.
Devo te contar que essa danado de coração tem obtido muito sucesso nesse desafio.
Interpretação pessoal sobre o conceito e título da música.
Hoje eu acordei certo de que vou fazer a minha parte pra nossa história ser pra sempre. Mas isso eu não vou te contar.
É que ontem fui dormir pensando em como eu estava agindo ultimamente. Pensei, e repensei, que eu preciso ser um pouco mais paciente com você. Justo eu, que sempre quis alguém um pouco mais diferente de mim, agora não consigo respeitar essas diferenças. Vou mudar.
Não acho justo com você que eu me incomode pelo seu modo de segurar o talher, ou pela forma que ri no MSN ou até mesmo por insistir em roubar meu lençol enquanto dormimos, são coisas tão pequenas que na hora eu acabo não me importando, mas no momento da briga maior, com certeza muito da minha “raiva” vem desses momentos de stress.
Revendo todos os meus conceitos, também repensei a parte boa. Acho que estamos precisando de umas doses extras de “Reconhecimento do Outro”. Especialmente da minha parte. Devo te falar que a tua pipoca de microondas é a mais incrível que já comi, que o teu gosto para os meus presentes são sempre ótimos, que tem um senso de humor fora do comum e sim eu rio das suas piadas, que sempre que eu falo “não concordo” no fim eu concordo – um pouco – e fico pensando horas a respeito, mesmo sendo teimoso e ás vezes falando que está errada.
Sei lá, vou mudar tudo, quero ser pra sempre pra você, quero que tenha orgulho de andar com essa aliança e de falar pras amigas sobre a gente, que se sinta feliz ao olhar o Status de Relacionamento “Namorando” por aí.
Hoje eu acordei decido em fazer a minha parte pra minha, sua e a nossa vida ser a mais especial possível. E pra começar a revolução, sou eu hoje que vou levar os copos do refrigerante e os pires do pudim na cozinha, só espero que aproveite esse tempo e essa minha ação caridosa (!) pra já ir agilizando o próximo filme no DVD.
Vou fazer a minha parte, tudo vai ser diferente.
Passei do frio para a neve na barriga.
No começo não era assim, agora virou doença.
Aí você chega, me cumprimenta, diz oi, pergunta se estou bem. E eu só respondo e respondo. Me abre a porta pra um assunto novo e eu simplesmente não entro.
O engraçado é que eu mal durmo a noite pensando: “amanhã a gente vai se ver e ela vai me cumprimentar”. Que pensamento imbecil e pobre. Passou da hora de mudar isso.
Gasto praticamente um frasco de perfume toda vez que eu vou sair de casa e sei que vou te ver. E o legal é que você nunca disse: “Nossa, que perfume gostoso!”. Mereço, né?!
A verdade é que eu não sei muito bem o que fazer não. Tenho uma centena de amigos que dizem “Faça isso, faça aquilo”, queria ver mesmo é um deles no meu lugar vivendo o que eu vivo. Eu sei que é desinteligência minha não te contar logo tudo o que eu sinto, acontece que tua presença me causa um nervosismo que eu nunca tive na vida. Acho que só vivi algo parecido quando achei que ia ficar de Recuperação na escola, e olha, vou te contar, isso faz algumas centenas de meses. A propósito, estou me sentindo nessa mesma época de escola, com aqueles Amores de Lista de Chamada, que é quando a professora chama o nome da pessoa que a gente está “gostando” e dá um treco no nosso peito que ninguém sabe. Amores assim a gente não gosta muito de dividir, só com aquele amigo de fazer prova em dupla.
Já não sou mais nenhuma criança mas me vejo na mesma fase, os mesmos medos, receios por simplesmente não tentar. Acho que chega, né? Isso, chega! Estou bem grandinho pra deixar essa timidez juvenil tomar conta de mim, DENOVO!
Eu vou resolver isso tudo, vou te contar tudo! Não mereço mais passar por tanta agonia! Eu prometo que dentro de 60 dias eu te conto tudo! Eis uma definição, já é uma evolução, na época da escola, meus Amores de Lista de Chamada nunca souberam nada de mim.
Nunca dissemos que seria “mil maravilhas” a partir daquele teu “Sim” ou “Aceito”, não lembro direito. A gente é tão diferente em algumas coisas, ao mesmo tempo que somos absolutamente iguais em outras. Acho até que somos parentes, mas só acho, rs.
E já faz um tempo que aprendi a respeitar teu jeito e você o meu. Encontramos a harmonia pra nossa vida nos dias divididos. Você gosta de música pesada, eu de músicas dançantes. Você adora desenhar e eu gosto de escrever. Tá vendo, é aquela história que sempre conversamos, a gente dá certo porque a gente se completa. Eu até já me submeti a ir num show doido com você, e você, lindamente, aceitou ir numa balada comigo e “dançamos”, (ps: eu danço bem, ok!) até nossos pés cansarem. Lembro desse dia, você não aparentava a pessoa mais feliz mundo, mas me dava segurança ao transmitir a felicidade só de estar comigo ali naquele lugar, fazendo a minha vontade. E eu sinto o mesmo quando faço as coisas pra você, por você.
Eu sinto falta se passo muitas horas sem falar com você. Não gosto. Você sempre tem algum assunto pra comentar, uma sugestão pra onde irmos, até a forma como me diz pra gente não fazer nada me encanta. Tão inteligente, fico orgulhosa quando fala dos seus trabalhos de faculdade (que acabou agora, eee!) e dos seus planos profissionais, e eu vou estar do teu lado pra comemorar todos esses momentos, da mesma maneira que sei que estará comigo nos meus momentos. Cumplicidade. Comemoramos tudo, de ônibus vazio ao aumento de salário. E sabe, é com muita dor que falo isso, mas mesmo que um dia você decida partir pra outro caminho, vai ser difícil alguém conseguir ocupar o teu lugar. Mas quer saber? Se decidir ir pra outro caminho, eu vou com você, simples!
Já temos uma história sólida, mas não é nem metade do que temos pra viver pela frente. Eu quero muito mais revéillons estilo o último que tivemos, com muitos amigos queridos, sinceridade e eu e você. Lembrando desse último, de certa forma seria até mais perfeito se tivesse só eu e você naquele cenário tão especial, né? Ah, mas isso a gente pode organizar qualquer outro dia ou em alguns dos outros milhares de revéillons que teremos.
Sabe, eu acredito em nós, no que sentimos, na tua sinceridade, no meu coração, na nossa história. Temos muito o que comemorar todos os dias! Prometo que um dia trago tua banda preferia pra uma festa surpresa de aniversário, ok? Ou quem sabe a gente não organiza uma viagem pra ver um show deles? Mas você vai ter que aceitar ir comigo praquela Semana Internacional de Milão ver você sabe que.
Todo dia eu comemoro nós dois.
Baseado numa história real.
—
“Birthday” – Kings of Leon
Inspiração de título e conceito do texto.
@umtravesseiro
Já estava cansando de usar as mesmas roupas todos os dias, criei vergonha na cara e fui ao shopping ver se encontrava algo que eu gostasse. Resolvi, inclusive, ir num shopping que não conheço muito bem, só pro passeio durar mais tempo. Só esqueci que o shopping que escolhi tem umas 3mil lojas e andar por todas me cansaria um bocado. Gostei da vitrine de uma dessas milhares de lojas e resolvi entrar. Tem tanta opção, desde umas roupas muito legais e estilosas até umas que eu não consigo imaginar alguém comprando. Peguei algumas peças e fui procurar um provador. Desastrado, deixei cair uma calça no chão. Com muita dificuldade devido as outras roupas que tinha pego, abaixei pra pegar e percebi que fui auxiliado por alguém que se antecipou a mim. Me ergui agradecendo escondido entre a montanha de peças, e quando olhei.
E quando olhei. Foi a simplesmente a visão mais incrível da minha vida. Cabelos lisos, presos em rabo de cavalo, regata branca deixando preguiçosamente um pedaço da alça do sutiã a mostra, rosto virgem de Sol recente, pele irretocável.
“HAHA, cuidado! Toma, espero não ter sujado, é uma calça muito legal!”
Eu não sabia o que responder, pensei em algo, se perguntava o teu nome, na verdade eu nem sabia como respirar.
“Ah, sim, obrigado!”
E foi essa frase inteligente que eu disse.
Ela me deu a calça e partiu rumo a sessão de meias.
Fui para o provador com a cabeça lá no corredor pensando naquela cena toda. Experimentei as roupas, gostei muito, especialmente da calça que ela salvou. Me olhava no espelho como se fosse pra ela. Minha vontade era sair vestido já com as roupas novas na tentativa de impressioná-la. Eu sou tão desesperado.
Devolvi as fichas das peças e saí com as sacolas em direção ao caixa.
Enquanto eu esperava a minha vez de pagar, procurava pela garota da regata branca em todas as sessões da loja. Nem sinal. Comecei a me dar conta que tudo não passou de uma gentileza simples, e que nem que eu a visse novamente não ia adiantar, afinal, o que raios eu poderia puxar de assunto com ela? “Então, brigado mesmo naquela hora, salvou minha calça” Seria digno de prêmio de Retardado Rei. É, achei até melhor não encontrá-la.
Paguei as roupas, feliz com as compras fui saindo da loja. Então ela surge na minha frente do nada vindo de um corredor x. Nos esbarramos e minhas sacolas caíram no chão (Por deus! Essa calça não queria ir embora hoje! Pensei).
Antes de qualquer movimento teu, dessa vez abaixei e peguei as sacolas com muita velocidade. Você só ria, não sei se de mim ou pra mim. Eu estava me incendiando de calor tamanha a timidez com aquele momento. Regata branca, sutiã à mostra, rabo de cabelo, sacola no chão, minha cara deve estar horrível. Não conseguia organizar minhas ideias. E você não parava de rir. Comecei a ficar intrigado. Foi então que percebi nas sacolas, que acabei pegando umas calcinhas que estavam no chão caídas de uma mesa. Nesse momento eu já estava em erupção de calor tamanha a vergonha.
“Sério, me desculpa rir desse jeito, mas achei tão engraçado você nem reparando que estava pegando as calcinhas!”
Me senti o mais idiota do mundo e, pra variar, não sabia o que comentar.
“É então, haha, você viu só, haha, acontece!”
ACONTECE? Como pude dar uma resposta tão anta! Por Deus! Quando eu teria uma nova oportunidade de ter assunto com alguém assim como ela? Jamais me perdoaria! Tive vontade de jogar aquelas sacolas ridículas no lixo, nunca passei tanta vergonha na minha vida!
“Deixa eu falar, desculpa a indelicadeza mas, me fala como é teu nome no Facebook, quero te adicionar, posso? Se não quiser, tudo bem, eu entendo!”
Regata branca, alça do sutiã à mostra, rabo de cavalo, sacola com calcinhas sem querer, “acontece”, risadas sem fim, pedir meu Facebook. É a mesma garota? O que está acontecendo?
“Faz assim, me passa o teu, que eu mesmo te procuro, tudo bem?”
“Ah, que legal, perfeito! Mas não esquece tá? E ó, qualquer dia quero ver você com aquela calça lá, haha, tenho que ir, beijo!”
Eu nunca dei tanto F5 num site antes.
“Olha, eu vou te falar uma coisa, não que eu exija demais, mas eu acho que as coisas já podem começar a mudar, né? De maneira alguma estou te desrespeitando, ou te cobrando qualquer coisa, não cabe a mim, acontece que tem muita coisa errada acontecendo. Desculpe, eu sou sincero preciso te falar tudo que eu sinto. Eu acho que você exagera em muitas coisas, e pior que isso, fica em silêncio quando percebe que errou, eu tento conversar numa boa, tento fazer com que a nossa relação seja a mais harmoniosa possível, mas você tem uma teimosia que não é desse mundo. Extremamente volúvel, ora quer fazer isso, ora aquilo e depois foge de assumir a responsabilidade das suas escolhas. Isso parou de me incomodar e começou a me desgastar, tipo aquela famosa história da fatia do bolo, entende? Eu sei que eu não sou nenhuma referência sobre “perfeição” e na verdade nem quero ser, gosto da lição dos meu erros, mas não é de hoje que eu venho te dando toques sobre como está a nossa relação, sobre como você quer ser superior, como você parece não ouvir uma palavra quando levanto algum assunto mais sério e preciso da tua opinião pra me guiar. Tudo isso está me fazendo mal. Não tem como eu não sentir saudade da época em que éramos menos “responsáveis”, que nossas preocupações eram as menores possíveis e que os nossos prazeres moravam nas pequenas coisas. De um tempo pra cá, você tornou tudo mais sério, rigoroso e ás vezes parece que até começou a me testar, algo que a propósito, eu odeio.
Bom, só estou te falando essas coisas porque eu ainda acredito na gente, no bem-estar de tudo isso que estamos construindo desde o início e de tudo que ainda vamos (vamos!) construir juntos. Eu só queria te entender melhor, queria que contasse comigo, só quero o teu, o meu e o nosso bem, e essas coisas dependem umas das outras, você sabe. Vamos parar com tantas indiretas, sejamos mais claros um com outro, afinal mais do que qualquer outra importância nós somos amigos, nos cuidamos e plantamos o bem sempre. Isso não é uma briga, é uma análise do que estamos vivendo. E aliás, aprendi a ver as coisas de outra forma graças a você. Eu não acho justo que a gente crie mais motivos pra ficarmos mal, pra novos desentendimentos. Quero viver em paz com você.
Vamos tentar?
Não precisa dizer nada se não quiser, pelo teu calor eu já sei a tua resposta, você nunca foi de falar muito mesmo, hehe. Olha, tudo vai ficar bem, espero que tenha me entendido da mesma forma como eu tento te entender. Aproveitei este momento pra contar coisas que estavam me torturando. Zelamos pela sinceridade. Apesar dos pesares, da teimosia, do irritante silêncio, é bom saber que vou ter você pra sempre. Coração bobo.”
Eu acordei num dia como outro qualquer. Apertei o creme dental pelo fim como eu sempre preferi.
Optei pelo requeijão no lugar do creme de avelã. Estava frio, saí pra trabalhar.
O dia passou até que rapidamente, fim de expediente.
Resolvi não voltar pra casa tão cedo. Tive a ideia de almoçar fora, sozinho mesmo. Te mandei uma mensagem: “Nossa, estou em um lugar que é a sua cara”. Você não tinha créditos, eu não tive resposta.
Pedi água no lugar do suco.
Comi, pedi sobremesa, era um milkshake novo, lembrei de você, acho que gostaria.
Paguei a conta, fui embora.
Sentado no ponto do ônibus, deixei passar alguns. Era noite e o frio da manhã estava redobrado aquela hora. Tinha muita gente passando por mim, de casais a aspirantes a maratonista com seus cachorros.
Veio uma senhora me vender chocolate, agradeci mas recusei, eu não tinha dinheiro em espécie naquele momento. Na verdade eu nunca ando com dinheiro.
Bom, decidi que ia pegar o próximo ônibus. E justamente por isso ele demorou muito pra aparecer. Nesse meio tempo me dei conta que já estava mais tarde do que eu imaginava. Cruzando os braços, apertei ainda mais o gasalho na tentativa de simular um abraço.
Dei sinal. O ônibus parou. Agradeci com “Obrigado!” ao motorista e entrei. Pensei em sentar antes da catraca, mas vi bancos disponíveis ao fundo. Cumprimentei o cobrador e parti rumo ao banco escolhido. Tinham umas 5 pessoas no ônibus.
Sentei, apoiei minhas pernas no ferro embaixo do banco da frente. Me senti confortável. Olhei a hora no celular e relaxei.
O motorista exagerava na velocidade, tinha que me segurar.
Então olhei mais atentamente para o banco a minha frente.
Olhei pro banco.
E vi algo histórico: “Estamos marcando aqui hoje um dos capítulos mais importantes da nossa história! É só começo!”
Lembrei do dia que, com muita dificuldade devido ao mesmo motorista tentando ser piloto, escrevemos isso neste banco meses atrás.
Tirei uma foto.
Engraçado, eternizamos nossa história em lugares que nem lembramos.
Perfeccionista, vou tratar essa foto que está bem escura e depois te mando juntamente com o lembrete do teu médico na quarta-feira, às 13:30.
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