Category: Uncategorized (page 20 of 39)

Falo Normalmente Sobre os Motivos Que Eu Poderia Explodir

Leia ouvindo: www.youtube.com/watch?v=Bpfw47x5a90

Nosso relacionamento não é uma prisão.
A verdade é que antes de começarmos nossa história e mesmo que um dia ela acabe, sempre teremos as nossas próprias vidas e isso é algo que não podemos esquecer. Só que assim, enquanto estamos juntos acho importante que a gente cuide um do outro, sei lá, que a gente se respeite, que por mais difícil que seja que a gente tente se colocar no lugar um do outro, sabe? Essas coisas.
Ok, já dei muita volta, vamos ao foco, a questão é que eu não tenho gostado de algumas coisas que você tem feito. E ok, eu assumo que isso nada mais é que ciúmes. Você pode achar infantil, desnecessário, o que for, mas o fato é que ele existe e eu sinto.

Não acho elegante você curtindo tantas fotos como tem feito. Também não me sinto confortável ao ver seu perfil cheio de mensagens de pessoas que eu até conheço, mas sobre assuntos que eu não conheço. E sim sim, eu sei que a depois você vai me explicar tudo, que são coisas simples e muito pequenas, mas é chato pra mim, eu fico com ciúmes, o que também pode ser chamado de uma curiosidade desenfreada em querer saber sobre o que estão falando.

Olha, entenda que não estou brigando, que não é uma reclamação sobre o seu comportamento – pior que parece que é né? hihi -, é que eu quero que você se coloque no meu lugar, já pensou como seria?
Imagina você vendo eu curtir um montão de fotos por aí, fazer comentários sobre assuntos que você não sabe do que se trata, essas coisas, sabe? Repito que eu entendo que é tudo bobagenzinha, mas uma monte de bobagenzinha se torna uma bobagenzona, um clima péssimo, uma briga, enfim, se torna algo que não precisa acontecer. E é por isso que eu estou vindo falar com você. Sabe por quê?

Porque eu gosto de você, porque eu me preocupo em falar todas as coisas que eu sinto, das boas as ruins. Gosto de compartilhar com você tudo que eu penso, afinal, compartilhamos de uma mesma história na qual cumplicidade é um dos pilares, por isso faço tanta questão da gente se entender.

Tem gente que diz que me preocupo demais. Até considero este ponto de vista, mas prefiro pensar que eu não consigo guardar algo que está me incomodando, sabe? Eu prefiro falar, resolver esse pepininho e depois aproveitar a gente.

Eu sinto ciúmes sim, você sabe, não é de hoje.
Pense pelo lado bom, pelo menos não é aquele ciúme doentio de não permitir que você fale com outras pessoas, ou aquele de te colocar na cruz por olhar as pessoas nas ruas, isso não faz sentido, como eu disse, isso é doença. E devo dizer que não me importo se te olham também. Você acha que eu não percebo? HA-HA, você que pensa! Eu percebo tudo nisso aí, sei muito bem quando estão te olhando, a diferença é no modo que eu lido com isso. Em geral, as pessoas torcem o nariz, olham feio, arrumam confusão, nossa, caem o nível, e pra mim isso é totalmente desnecessário. Penso assim, se estão te olhando é sinal que você é uma pessoal especial e chama atenção de alguma forma, mas o fato é que EU estou com você e não as pessoas que te olham, EU estou com a minha mão dada a sua e sou EU quem vai te ver acordar de manhã e não essas pessoas, por isso não vale entrar em climão por causa disso. E digo mais, concordo com tantas olhadas, afinal, você é realmente incrível, se não fosse eu não estaria com você hahaha.

Mas só pra retomar, você está me entendendo? Mais que isso, você está me levando a sério?
Estou falando numa boa, até fazendo brincadeiras, mas o assunto é sério. Poxa, é muito chato pra mim, não sei explicar muito bem por quê mas é. E tem aquele negócio, uma coisinha boba que eu vejo, não gosto e não te conto, acaba se tornando um ingrediente pra uma coisa grande que pode arruinar tudo um dia.

Problemas não resolvidos se tornam problemas irreversíveis.

Por favor, peço que entenda também que eu poderia esperar essa situação ficar insustentável, mas aí eu já não posso me garantir sobre o tom que eu falaria com você, e se tem uma coisa que eu não quero é que a gente se desrespeite.

Quanto mais raiva a gente tem, menos razão também temos e mais involuntários ficamos.

Além do mais, não faz sentido eu esperar uma coisa pequena se tornar algo maior a ponto de eu ter que me segurar pra não falar coisa que não preciso. Isso seria burrice.

Você consegue ver como é prático?
E pra esclarecer de uma vez por todas, não quero te pedir pra parar de fazer nada, só quero que imagine como seria se fosse você no meu lugar. O que hoje é grande pra mim e pequeno pra você, pode ser exatamente vice-versa amanhã. E eu quero evitar esse amanhã.

Eu só quero ficar bem. Tudo pra gente parar de perder tempo conversando sobre coisas chatas ao invés de aproveitarmos com tudo o que mais gostamos: um do outro.

É Tão Inacreditável Que Parece Brincadeira

É bom começar explicando uma coisa: o fato de vivermos no mesmo mundo não significa que temos controle um sobre o outro, ok? Então assim, antes de mais nada, é importante colocar na cabeça que o mundo é o mesmo, mas as pessoas são diferentes, que essas pessoas diferentes possuem os mesmos sentimentos mas demonstram e vivem de formas diferentes. Ficou claro até aqui? Espero que sim.

Agora sobre o que eu ia falar de fato, me diz uma coisa, o que aconteceu na sua vida? O que te fez ficar agir assim? Gostaria de saber, porque olha, pra uma mudança tão drástica assim do nada deve ter acontecido algo muito sério.
Entenda que não quero ser insensível, mas vamos refletir sobre o que está acontecendo.

Depois tanto tempo, tanto esforço, tanta coisa que eu fiz com você nunca se importando, sempre argumentando que as minhas tentativas eram em vão, que acabou, que a hora passou, que a página virou e mais aquele monte de merda, é isso mesmo, um monte de merda que você me falava com se fosse a pessoa mais certa do mundo, depois de tudo isso, você simplesmente tem a cara de pau de me procurar e pedir pra gente começar do zero?

Ah, por favor, presta atenção, como você não consegue ter vergonha disso? E é claro que não me entra na cabeça um negócio desse, não tem o menor cabimento e vou te explicar por quê. Como eu já disse, dediquei muito tempo da minha vida pra gente ficar bem, tentei de mil formas te convencer que a nossa história merecia uma chance pelas coisas que já tínhamos vivido, repito, dediquei MUITO tempo, e daí que simplesmente do nada, e pior, quando eu finalmente consigo andar por essa cidade com a cabeça livre, quando eu finalmente consigo virar essa merda de página como você adorava me pedir “ah, vira a página, já deu” você vem com esse discurso de “vamos tentar de novo?”. Sinceramente? A minha vontade é rir da sua cara, talvez por dó, talvez por raiva, talvez pelas duas coisas misturadas e multiplicadas.

Não, não vai ter nada de recomeço nenhum, não vai ter “tentar outra vez” e essa é a minha resposta pra você.
Olha, pare pra pensar e tente se lembrar das coisas que eu fiz, tente se lembrar para não dizer depois que eu não me esforcei, porque eu não consigo lembrar de uma pequena coisa que eu não tenha dito ou feito pra você e por você. Só que de nada valeu, nada te mudou, te tocou, não aconteceu nada e o que eu mais ouvia de você era pra eu parar com isso, que eu já estava me humilhando, que a nossa história tinha sido bonita, mas já era passado.

Que chame de rancor, que chame do que for, estou pouco me importando para o que você pode chamar isso ou pelo que pode achar de mim, acontece que diferente de você, eu não consigo levar a minha vida sem sinceridade, eu não consigo fingir que sinto alguma coisa, e mais, eu não consigo destratar as pessoas igual você fez comigo. Por isso – o que já é o bastante – e por mais um monte de coisa que eu te digo NÃO.

Você preferiu abrir mão de tudo a ter que considerar tudo.

Eu sou uma das pessoas que mais valorizo segundas chances nesse mundo, acho saudável e realmente pode dar certo. Penso que as pessoas podem sim mudar. Só que no nosso caso, ou melhor, no teu caso, você me fez muito mal, você me desrespeitou, você me ignorou, você não se importava comigo, você fugia, você mentia, você desaparecia. E essas coisas, pouco a pouco, foram criando uma casca dentro de mim, na verdade foram criando uma armadura contra você, algo que me blindasse ao tentar fazer algo por você.
Devo confessar, no entanto, que me bate a curiosidade de saber o que aconteceu com você, se alguém te falou algo, se te deram o maior fora da sua vida, queria saber o que fez você baixar a bola assim.

É claro que eu ainda gosto de você, só que agora eu gosto mais de mim.

Hoje eu sou mais eu, como nunca fui antes, hoje eu só quero perto de mim as pessoas que me querem por perto, hoje eu só quero ouvir a risada de quem realmente achou graça, hoje eu só quero uma mensagem no celular de quem realmente sentiu saudade, hoje eu só quero a vida de verdade. E dessa minha vida você não faz parte.

Parece grosseria da minha parte, né? Entendo você. É que vendo de fora assim né, você com toda a razão do mundo se fazendo de vítima, se fazendo da pessoa que mais errou nesse mundo comigo, se fazendo a pessoa que mais pode mudar, você desse jeito todo é claro que vai parecer grosseria ouvir meia dúzia de verdade.

Seria bom pra você se eu falasse o que quer ouvir, mas aí não seria eu.

Portanto, até aplaudo sua atitude e certa coragem, valorizo a tentativa, pena que vai ser em vão, porque das poucas certezas que tenho na minha vida, uma delas é que eu não quero que você faça parte dela de novo.

A gente vive no mesmo mundo, mas somos pessoas diferentes, vontades diferentes e absolutamente nada é como a gente quer que seja, elas são como devem ser.
Pega isso pra sua vida. Pensa pelo lado bom, algum bem ainda estou tentando te fazer.

Você Espera Eu Parar de Falar “Eu Também”?

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=UuA3mDHEbTk

Quando é com a gente, a gente não quer acreditar. Para o mal isso é normal, mas para o bem também acontece.
Quando chega a nossa vez na fila da felicidade, a gente custa muito a acreditar, é meio louco isso. Mas são extremos né, ou a gente pensa que nunca seremos felizes ou pensamos que somos infinitamente felizes em todos os momentos, em todas as relações, nas mais primárias trocas de abraços. Mas isso é algo que tem o lado bom, é aquele lado de viver tudo em chamas, nas mais absoluta intensidade.
A gente tem medo da felicidade, rola uma ansiedade, talvez até um desespero por algo, de fato, sólido.

E e eu tenho vivido assim ultimamente depois de pensar sobre a gente. Quando o fim de semana acaba e eu volto pra casa, geralmente fico pensando bastante tempo na gente. Não quero dizer que fico estudando como estamos vivendo, o que temos feito ou algo do tipo, eu penso em mim, em como as coisas acontecem no meu mundo e em como você apareceu assim meio sem querer, completando os meus dias. É louco, sério, é bem louco.
Acho que faço parte do grupo de pessoas que já passaram por tantos maus bocados nessa vida que acabaram criando uma casca de incerteza, de insensibilidade e de óbvia fraqueza. O medo, essa tal da fraqueza, de começar algo novo já pensando no sofrimento que o fim causa, de ter que viver as brigas e todas as coisas negativas –  embora triviais – de um relacionamento, me afastou de considerar que eu teria novas chances pra ser feliz.

Em pensar que estou falando do medo de uma história dar certo, que coisa estranha, não? É que sei lá, pode ser a maior bobagem do mundo, mas fico preocupado em saber como agir com você. Tenho medo de errar no mais do mesmo, medo de exagerar na mão em seu cabelo ou nas ligações de “bom dia”; medo de me entregar e me precipitar ao revelar amor mais uma vez… E o pior disso tudo é que eu quero viver isso tudo. Já mencionei o quanto isso é uma loucura?
Eu quero te provar como se tornou especial pra mim, como me faz bem, como quero você pra dividir minhas coisas, como eu estava precisando de alguém pra isso, mas apesar de eu já ter dito mil vezes aqui, eu sinto medo.

Você tem muitas das coisas que esperei de alguém, e diria mais, você tem muitas coisas que eu sonhei em encontrar alguém, e não estou falando de dinheiro, status ou uma beleza unânime – daquelas onde é impossível discordar -, estou falando do jeito, estou falando do teu jeito. Você prende os cabelos de um jeito que eu sempre achei bonito, se maquia fazendo caretas bonitinhas, você me faz carinho em partes do meu corpo em que nunca me tocaram, tipo nos meus braços e costas. Mas nem tudo são flores, você aperta o creme dental no meio e isso é algo a ser trabalhado, haha.
Olha, sei lá como, mas a verdade é que em todas as vezes que estamos juntos, da primeira até hoje, você conseguiu me surpreender com seu jeito. Desde o teu olhar compassivo aos moradores de ruas e um discurso engajado que não soasse chato e moralista, mas sim especial e real, até o jeitinho que acorda, bocejando preguiçosa depois de termos uma noite nossa.

Nunca me senti tão bem, querido e amparado em uma noite dormindo de conchinha como são em todas as nossas.

Todos os dias novos em nossas vidas são diferentes um do outro. E não estou falando de coisas grandes, passeios caros, viagens incríveis, porque essas coisas são muito fáceis de se ter, com algum dinheiro isso se torna possível, estou falando de coisas diferentes como a sua preocupação comigo. Me pergunta se comi bem, se dormi bem, como foi meu dia, se meu chefe foi gente boa, me cobra estudo, me lembra que preciso arrumar meu guarda-roupas, me conta uma novidade da internet que apesar de eu já ter visto, sempre deixo você contar de novo só pra te ouvir falar, briga comigo por eu brigar com a minha mãe. Sabe, é o teu jeito.

Existem as pessoas que nos fazem bem e as que nos fazem sentir vivo.

Por essas e por muitas outras coisas que eu prometo tentar, não por você, nem por mim, mas pela gente. Eu prometo tentar voltar a ser quem já fui, prometo retribuir a forma como você me faz bem, porque a felicidade é o mínimo que você merece pela pessoa que é.
Já entendi que essa minha busca por algum defeito em você ou algo que comprometesse nosso envolvimento está sendo em vão, não encontrei motivos convincentes o bastante para ter dúvidas sobre a gente. Ceguei a conclusões como essas depois de tanto pensar sobre a gente, sobre o que merecemos.

Não sei se estou pronto para o “eu te amo” igual você já me falou, mas eu prometo me permitir nadar com você nessa nossa história e tenho certeza que tudo correndo bem, o resto será consequência. Preferi não falar por falar para que não soasse tão falso, além de desonesto comigo e com você, mas se você tiver paciência pra me esperar, essa hora vai chegar. E aliás, devo dizer que não há nada que você possa fazer pra acelerar isso, você já me faz as melhores coisas, agora é a hora da gente respeitar meu coração e se você puder me esperar, em breve eu paro de responder com o involuntário “eu também” pra dar voz ao que meu coração sentir.

É que eu tenho medo, não lembro como lidar com essa parte bonita da vida. Só que tudo começa com a vontade e isso eu tenho de sobra, aí a gente espera um pouco mais, vive um pouco mais e num piscar de olhos teremos os dois, em sintonia pela busca da felicidade que eu tanto sinto saudade e tanto sinto medo de reviver.

É que quando é com a gente, a gente não consegue acreditar. E na verdade, eu já acreditei demais e muito rápido em outras histórias, mas você não merece que eu tenha dúvida, você merece que eu seja seu.

Alguém Está Esperando Uma Atitude Sua

Eu falo de gostar de alguém, gostando assim de verdade, sabe? Não gostando por ocasião, algo do tipo: “Ah que vontade de dar uns beijos”, ou, “Estou com vontade de ter uma noite frenética na cama com alguém”, aí você vai lá, posta “que tédio” em todos os lugares, procura alguns nomes e o primeiro que aceitar você se satisfaz. Isso não é gostar, isso é saciar, isso é calar. E é algo pelo qual todos nós passamos, é normal mas não é gostar de alguém.

Quando a gente gosta de verdade, abrimos mão das possibilidades e nos esforçamos por uma só vontade: a de fazer alguém feliz.

Ser reconhecido por tentar fazer alguém feliz é fácil, difícil mesmo é reconhecer quem tenta fazer a gente feliz, quem se esforça pelo nosso bem, quem nos convence de que tudo o que quer da gente é um sorriso nosso.
E vocês que acham que isso não passa de blá blá blá, vocês são os que mais sentem falta de gostar de alguém. Percebam.

Só que a gente exige demais.
As coisas nunca são o bastante e ninguém nunca é completo o suficiente pra gente. Ou a pessoa é menos bonita do que gostaríamos que fosse – e em muitos casos, levamos em consideração o que será que nossos amigos vão achar dessa pessoa -, ou mora longe demais, ou é bonita mas não é tão inteligente, ou é inteligente mas é tímida, ou a pessoa é bonita, inteligente, mora perto, não é tímida, mas a diferença de idade é muito grande. É tudo julgamento! Isso nada mais é do que a gente tentando definir o que julgamos ser a maneira ideal de gostar de alguém.

Não há maneira ideal de gostar de alguém, há a sua maneira, a minha e a de cada pessoa.

Todo mundo merece ter a quem gostar, o complicado é tentar escolher a quem.

“A pessoa x fez um monte de merda, agora vou dar uma chance pra pessoa y”. Isso não é ser sincero, isso não é ter coração, isso não é nenhum sentimento além do “amor por conveniência”. Em tese, agindo assim, parecemos a pessoa mais certa do mundo, mais justa, mais perfeita e mais completa na qual temos o direito de escolher com quem ficar, mas aí entra um detalhe, agindo assim estaremos passando por cima do que realmente queremos e só será levado em consideração apenas o que nos faz bem naquele momento.
Complicado, né? É. Mas se fosse fácil se chamaria outra coisa e não “gostar de alguém”. Isso porque nem estamos falando de amor…

É claro que no exemplo da pessoa x e y existe um outro ponto de vista. Aquele negócio sobre exigir demais faz sentido nisso. Tem horas que a gente abre mão de oportunidades só porque estamos esperando a pessoa certa ser essa tal oportunidade. A gente cancela,  a gente não responde, a gente humilha, a gente some, a gente não retorna a ligação, a gente não faz nada simplesmente porque queremos fazer tudo isso com outra pessoa.

A procura pelo que queremos nos afasta do que realmente merecemos.

E o que isso significa, afinal?
Significa viver todas as horas de todos os dias e não ficarmos planejando como queremos que as coisas sejam. O teu sonho pode ser uma viajem internacional com alguém especial, mas a sua realidade é ter sábados na sorveteria do teu bairro, não com essa, mas com uma outra pessoa, igualmente especial. É tudo uma questão de aproveitar as oportunidades. As coisas não são tão definitivas como parecem, a gente que faz com que elas pareçam ser.

A exceção das situações em que ele se faz o mais perfeito incontrolável, o coração nos  respeita e fica esperando a nossa permissão. Se ele tivesse voz, falaria algo do tipo: “Então, já que você vai sair com essa pessoa, posso gostar dela?” e aí muito depende da gente bloquear os momentos a seguir materializando a “pessoa ideal” pra nós, ou vivermos com tudo o que somos, com cada célula, sendo nós mesmos, dando o melhor dos nossos sorrisos, sendo a melhor companhia que podemos, dando o melhor de nós mesmos. Isso sim, é ser real, é gostar, é gostar da gente para que possam gostar também.

Você sabe todas as oportunidades que já desperdiçou e sabe o que pode fazer para tentar desfazer essa bobagem. Não há receita, há uma atitude sua.

Eu falo de gostar de alguém, gostando assim de verdade, sabe? Falo sobre a gente aproveitar as oportunidades, respeitar nossas vontades, viver os dias, sem planos, sem esperas, sem ansiedade, sem desespero, sem previsão. Falo sobre aceitar convites, falo sobre fazer as coisas com vontade, falo sobre o hoje, falo que o amanhã pode não chegar, falo que aquela pessoa que você tanto pensa pode nem se importar se você tem vida, falo que tem gente esperando um sorriso seu, e mais, tem gente lutando por ele, falo sobre as coisas que estão por vir, falo sobre aproveitar. Eu falo, aqui, neste momento, sobre gostar de alguém.

E não cabe entrar no mérito de gostar de quem gosta da gente, porque isso não podemos nos obrigar, falo sobre a permissão que o nosso coração espera.

Mais do que a felicidade que você deseja, pense sobre a felicidade que você merece.

Permita-se. Comece pensando nesse alguém aí que está esperando que você faça algo.

Parei no Tempo ou o Tempo me Parou?

Não sou muito diferente de todas as outras pessoas deste mundo.
Vivo a minha rotina, tenho preguiça de acordar cedo, morro de sono depois do almoço, comemoro a chegada da sexta-feira e no domingo eu morro de preguiça até de viver.

Fisicamente também não fico nem acima e nem abaixo, faço parte da média. Não possuo beleza unânime de ganhar olhares pelas ruas – e das vezes que recebo acho que estou com a roupa suja, sei lá, não sei lidar com elogios e/ou flertes – não tenho tanto dinheiro para ir nos lugares mais descolados da cidade, não conheço muito de tecnologia e não vi os filmes mais cult que se tem notícia.

Eu sou normal e o que há de mais especial em mim é quem eu sou. E isso é tudo o que eu posso oferecer. Mas em um mundo normal isso não deveria ser o bastante?

Tem dias que acordo sem vontade de levantar e se fosse pela vontade de continuar na cama eu entenderia, mas é pela preguiça de encarar mais um dia. Tenho preguiça das pessoas, preguiça da mediocridade, do pensamento pequeno, da atitude desleal. Tem dias em que daria tudo pra ficar em casa a ter que encarar gente mal humorada com a vida, que desconta a raiva me esmagando no metrô como um monte de lixo, enquanto estou no melhor refrão nos meus fones.

Eu não sou diferente de ninguém, tenho minhas manias, um milhão defeitos e uma dúzia de qualidades. Tenho também muito, mas muito amor pra dar a quem fizer meu coração acelerar, ou, vendo diferente, a quem convencer meu coração que ele pode acelerar de novo. É que eu tenho muita dor também, embora eu saiba que isso é péssimo de se guardar. Acontece que as experiências que me fizeram dar o “bom dia” hoje de manhã me machucaram demais e eu acabei me blindando de qualquer nova frequência de sentimento na minha vida. Desculpa esfarrapada, eu sei.

Mas eu quero mudar isso. Estou com saudade de sentir saudade, me faz uma tremenda falta a competição sobre quem vai desligar primeiro o telefone toda a noite.

Esses dias me peguei pensando sobre o que exatamente eu quero. Afinal, se me considero normal, não posso exigir alguém fora do normal, sei lá, alguém incrível, acima da média, tendo em vista que no máximo eu estou na média. Só que como eu disse ali em cima, é tanta dor que tive que viver que não sei quais valores são importantes hoje em dia.
Continuo igual desde a última vez que gostei de verdade de alguém. Lembro que eu admirava o bom humor, a inteligência, a forma de articular um pensamento, o tempo que durava nossos beijos e abraços e o riso vinha quando as mãos inevitavelmente transpiravam. Então, esses dias fiquei sabendo que atualmente o importante é saber se a pessoa é conhecida, se possui um emprego que recheia a carteira, se tem uma beleza de invejar os amigos, enfim, essas coisas, coisas que se tornaram requisitos cruciais para nascer uma história. É esse o mundo em que estamos vivendo? Me peguei, portanto, pensando se estou vivendo na fase errada, tanto é que comecei a frequentar lugares e fazer coisas que eu nunca fiz na vida só pra perceber se é assim que tem que ser. Comprei roupas que eu nunca mais usei, bebi coisas que nunca mais beberei e não lembro de coisas que eu gostaria de lembrar.

Era uma tentativa desesperada de me tornar o que eu não sou e nunca vou ser.
Ou uma tentativa de matar em mim tudo aquilo que eu mais admiro: ser normal.

Mas pelo menos uma das melhores coisas da vida são as lições que temos todos os dias. E essa fase lunática que vivi me mostrou tudo aquilo que eu não quero pra mim. Já ouvi que sou “brega”, que “do jeito que eu me visto” nunca vou encontrar alguém, que das músicas, filmes e livros que eu gosto ninguém gosta. Ouvi tanta coisa que só me provou aquele ditado que de boas intenções…

Não sou muito diferente de todas as outras pessoas deste mundo.
Ou o mundo mudou muito e eu não soube acompanhar.

Troco todo o dinheiro gasto com jantar num lugar bacana + cinema, por uma tarde procurando figuras nos desenhos das nuvens.
E isso deveria bastar, não?

Só Te Desejo o Que Você Merece

Já que teve que ser como foi, que seja como tem que ser daqui em diante.
Abro mão da saudade do seu beijo e do teu perfume nas minhas roupas e em troca quero paz. Não é paz de vida, é paz no coração.

É que tem horas que o mundo não tem girado pra mim.
E são em momentos com esses em que eu me sufoco e me sinto refém de uma chuva de interrogações. Ora, se já não faz sentido, se o que existia agora está morto, mereço conviver com um fantasma seguindo meus passos? Já não basta ter que carregar para o resto do meus dias a experiência de ter dividido o que eu sentia com alguém que no fim se mostrou mais uma cópia de tudo de tantas outras que já existem por aí, ainda tenho que vez ou outra ter a sua presença nas coisas que eu faço?

Eu que perdi horas da minha vida em busca de uma resposta idiota pra me convencer e me fazer aceitar que definitivamente as coisas são como são e não há força que faça mudar o que já está escrito. Eu que beirei o choro de sangue pela dor que eu sentia em meu peito recheado de injustiça plantada por você, acho que não preciso mais de qualquer migalha do que diz respeito a sua vida na minha.

Quero a sua distância, quero apagar teu nome, quero seus presentes no fogo. E vou falar mais, estou pouco me lixando com o que me falarem de consideração e respeito pelo que vivemos, pois mesmo que tenham vivido a mesma coisa que eu, a mesma situação com as mesmas circunstâncias, ainda assim serão experiências diferentes, tendo em vista que apesar desse mundo tão plural, somos pessoas completamente singulares.

E todo o dolorido vazio que ficou em mim depois do fim foi preenchido com uma certeza na qual me faz acordar todos os dias: a sua hora vai chegar! E por mais que pareça, eu não te desejo mal, só desejo que colha absolutamente as mesmas coisas que plantou. Que você viva todas as suas experiências fruto de todas as que compartilhou. Os dias vão passar, nós vamos mudar, mas não adianta, o que é meu e o que é seu está guardado. E entre as nossas diferenças, uma delas é determinante: quanto à sinceridade, a minha consciência está tranquila.

Passei da fase de te encontrar sem querer, trocar ois e tchaus e ainda ensaiar um recomeço. Já vivi muitas histórias com você sem nem você saber. Já imaginei viagens, lançamentos no cinema, surpresas em datas comemorativas, e tudo sem você saber, tudo, depois de você.

Mas agora deu e a tempestade por mais forte que possa ser sempre passa.

Não me envergonho do meu comportamento. As opiniões nais quais posso considerar eu sei de quem são. É que as pessoas gostam de saber a resposta pra tudo, gostam de falar o que fazer, como pensar, se deve-se ignorar, correr atrás, enfim, tudo, as pessoas sabem tudo sobre as outras pessoas menos sobre elas mesmas.
Ouvi gente dizer que o problema era que eu gostava demais, aí fico imaginando como essas pessoas vivem, se elas determinam até onde gostar de alguém, tipo: “pronto, só posso gostar até aqui, passando disso, já é demais”. Gente com isopor no lugar de um coração. Porque né.

O fato é que das coisas que eu sinto, pra quem e como demonstro eu sei bem. E de você eu sinto pena. “Ah como é horrível sentir pena”, um monte de gente julgando até o que eu acho das pessoas. Eu sinto sim pena de você, sinto dó, dá até vontade de pegar no colo.

Dá vontade de te pegar no colo e abrir seus olhos com os dedos pra te fazer entender o quão idiota você é.

E o que me traz alívio hoje além das chuvas nas tardes dessa primavera, é saber que quem perdeu nessa história toda não fui eu.
Sabe-se lá por quê, ainda te tenho eventualmente na minha cabeça. Considerei normal depois que entendi que foi algo que fez parte da minha vida, e que além de impossível, seria infantil tentar ignorar.

Já que o mundo parece não girar pra mim, eu vou girar ao redor dele.
E vou viver todas as coisas que estão pra acontecer na minha vida, vou distribuir todos os meus sorrisos, quantos, pra quem e como eu quiser. Vou prolongar os abraços naqueles que me fazem especial, vou ouvir mais aqueles que esperam por um ponto de vista meu, vou tomar mais sorvetes para brindar os fins de tarde.

Vou fazer sem ninguém tudo que eu tentei fazer com você. E isso, é pra você entender que da minha vida eu sei cuidar.

Já você, já sei o que fazer, nas horas em que sua saudade invadir meu corpo, vou lembrar de usar o mesmo sentimento que usou comigo: Indiferença.

Meu Desafio é Conviver Comigo Mesmo

Não há reza que mude quem e o que eu sou.
Embora eu gostaria de ser diferente, não adianta, eu não posso fazer nada pra isso. Só se eu nascesse de novo.
É triste porque eu me vejo diferente demais de muitas outras pessoas, diferente das pessoas que você parece gostar. Eu não me encaixo no perfil que te chama atenção, eu não conheço as músicas que você mais gosta, não li os livros que já leu, tampouco vi os filmes da sua vida, e muito, muito menos tenho o corpo que você admira.

E se o problema fosse eu não me encaixar no seu perfil até tudo bem, mas não, na verdade eu me sinto bem abaixo da média de todas as outras pessoas. Não consigo me sentir atraente, sinto vergonha e costumo recusar elogios que recebo. Não sei pelo que você se interessaria em mim. O problema está em mim.

Aquele discurso de que “o que importa é o que você é” eu já sei décor. “Beleza interior” também já cansei de ouvir. E não foi uma ou duas vezes, foi uma centena delas. Mas sabe, é difícil, é bem difícil.

Tenho defesas por coisas que nem são ameaças pra mim. Se alguém me olha no metrô, instantaneamente eu acho que é algo em mim que está errado; minha roupa suja, meu sorriso com resto de almoço, qualquer coisa do tipo.
Eu não admito ser um motivo para ser admirado.
E também não preciso ouvir de ninguém que isso não é algo bom de se pensar. Como eu disse, gostaria de ser diferente, mas já não tenho tempo pra isso e o que tem feito é aprender a conviver com quem eu sou.

Gostaria de ser efetivamente especial na sua vida. Mais do que te convencer, gostaria de me convencer que sou importante. Gostaria de ser um motivo de orgulho, gostaria de ver um sorriso sincero no seu rosto se um dia a gente andasse pelas ruas. Mas tudo o que eu consigo ter certeza é de que eu não sou como as pessoas esperam. Não sou como você espera.

Vejo nas ruas um monte de gente que vive sem a menor possibilidade de ter sua imagem contestada. Pessoas que se garantem. Garotas que são charmosas ao fazerem um rabo de cavalo e garotos estilosos que se fazem presente, enquanto isso eu me vejo sendo só mais uma pessoa entre todas desse mundo.

Não é fácil.
Guardarei pra sempre o dia que alguém me convencer de que isso tudo é bobagem, porque eu simplesmente não aguento mais. Eu não aguento mais te ver curtindo foto de pessoas bonitas, não aguento mais ver as pessoas bonitas postando fotos, enquanto no meu caso a cada 10 fotos 1 é minha.

Talvez uma saída pra mim nessa história toda em que te incluí seja te deixar partir. Você é incrível, possui uma beleza estonteante e não merece nada menos que alguém à sua altura, alguém para se orgulhar ao apresentar ou mostrar fotos aos amigos, alguém para a sua família ficar feliz, alguém para você carregar uma foto 3×4 junto com todos os seus passos.

Eu me esforcei tanto pra chamar a sua atenção. Comprei as mesmas roupas que aquelas pessoas usavam nas fotos que você curtiu, comecei a falar sobre os mesmos assuntos, tentei me enquadrar, tentei me garantir perto de você. Tentei tanto.

Eu não queria ter cortado o meu cabelo, mas uma vez você disse que gostava desse estilo, fui lá e fiz. Eu não acho que eu precisava de academia, mas você elogiou as pessoas que cuidam do corpo e eu me inscrevi pra cuidar do meu também. Eu nunca soube inglês igual a você, mas me inscrevi num curso pra aprender a falar o nome das bandas que você gosta. Foi muito esforço.

Tem horas que a gente deve reconhecer que não dá mais pra insistir.

E não pense que eu sofro pensando tudo isso, já aceitei o jeito que eu sou e até a onde eu posso ir. Já descartei a possibilidade de te impressionar, já considerei a possibilidade de viver aqui vendo meus seriados favoritos esperando algum convite pra fazer algo legal.

Conclusão: não tenho nenhum diferencial e nada pra te oferecer a não ser quem eu sou.
Só que eu preciso pensar com calma, preciso ter certeza que a minha hora chegou, acho que preciso definir sem ninguém quando vai ser o momento de ter alguém. Eu preciso gostar de mim para que alguém possa gostar.

Na pior das hipóteses, pelo menos eu tenho tentado.
Eu juro que tenho tentado.

Ontem mesmo retribuí um sorriso que ganhei no ônibus com outro sorriso. Já me senti especial.

 

 

 

 

Mas ó, eu vou gostar se você me aceitar assim como eu sou.

Se Você Não Conseguir, Posso te Empurrar

Ainda bem que não vai dar tempo nem de sentir saudade.
Algumas coisas nós esquecemos na mesma velocidade com que vivemos. E você foi assim na minha vida. Apareceu como um furacão devastando tudo que via pela frente, ignorou as minhas vontades e as minhas forças, não deu a mínima para os planos que eu fazia na minha vida e simplesmente virou tudo do avesso.

E sabe, foi tão bom.
Foi tão especialmente bom poder matar a saudade do frio na barriga que cheguei a pensar que nunca mais sentiria de novo. Você atingiu a perfeição nesse sentido. Me fez ver a vida e as coisas boas que ela oferece pra gente de um modo que ninguém nunca conseguiu antes.

Na ousadia de uma história nova, vivemos uma porção de momentos que podemos chamar “nossos”.

E o tempo foi nosso carrasco nisso. Os dias não passaram, correram, enquanto o coração chegava a doer de tanto acelerar. Em alguns momentos, confesso, considerei a possibilidade de tudo isso ser um grande, horroroso e fulminante pesadelo, daqueles que fazem a gente perder o sentido nas coisas, que faz a gente correr deitado na cama como se tivesse caindo de um penhasco, sabe? Eu sonhei muito e a minha saída era colocar na cabeça que isso era uma loucura, que era algo que eu estava vivendo justamente por querer viver algo parecido. Louco, não? É sim.

Na minha cabeça desenhei dias que seriam os melhores pra nós e que só exigiriam o básico de nós. Materializei o que seria de mais especial em nossas vidas e isso tudo eu fiz sem você saber. Geralmente eu planejava nas minhas voltas pra casa na ansiedade de chegar logo pra poder falar com você.

E então quando eu estava começando a assimilar essas novidades e o turbilhão de coisas nas quais eu não parava de pensar e pedir aos céus que acontecessem, tudo mudou. Tudo, caprichosamente, mudou. E fui então surpreendido pela imprevisibilidade do tempo que tratou de se esgotar exatamente nessa fase.

No fim, eu sei que você foi embora pra dar lugar a quem realmente merece.

O problema é convencer meu coração de que isso tem um lado bom. A dor que eu sentia por ele quase me rasgar o peito de tão forte que batia, foi substituída pela dor de não ter com o que preencher o espaço vazio que você deixou em mim.

No silêncio da sua ausência era onde eu procurava pelos seus abraços.

E não há quem diga: “Posso imaginar o que você passou…” porque ninguém poderá. Os sentimentos são comuns à todas as pessoas, mas as manifestações são particulares em cada uma delas, e aparentemente, as coisas pra mim parecem sempre ser um pouco mais complicadas. Ou eu penso nisso como se me trouxesse algum alívio.

Você se foi e ainda bem que não demorou pra isso, pois não sei como eu lidaria caso tivesse que conviver um pouco mais com a sua ilusória companhia.
Apesar da velocidade com que as coisas aconteceram, no fim eu te agradeço por ter participado de alguns momentos especiais na minha vida, nos quais independente de você querer isso ou não, levarei pra sempre na minha.

Vai ver a vida dá dessas: testa a gente pra saber até onde iremos, o quanto suportaremos, e o quanto seremos capazes de aprender e a crescer com os acontecimentos. Sei lá, estou filosofando aqui naquela clássica, embora vã, tentativa de encontrar respostas para as coisas.

Você preferiu ir embora me deixando com as sacolas de compras nas mãos. Já tinha economizado dinheiro e comprado algumas coisas que você não parava de falar que queria. Eu queria te surpreender, apesar do pouquíssimo tempo juntos. Eu queria te fazer sentir especial, eu queria entrar pra sua história, eu queria ser representativo, queria ser alguém, queria ser eu, queria ser seu.

Ainda bem que não vai dar tempo nem de sentir saudade, porque eu prometi a mim mesmo – e não faz muito tempo -, que as minhas dores e ataques de saudade durariam no máximo um dia, afinal, se não é algo bom, não há por quê gastar tanto tempo e energia com coisas que não me fazem bem.

Você pode ir da mesma forma que chegou. Pode ir como um furacão, levando e lavando todos os lugares onde passou pra chegar, e não precise se preocupar comigo, estarei ocupado demais refazendo planos que eu nunca deveria ter interrompido. E se você não conseguir sair da minha vida, eu posso te empurrar pra fora dela.

Pode ir.

Eu Sei Que o Problema Está Em Mim

Se pelo menos fosse uma novidade pra mim, eu poderia parar e pensar: “Nossa, mas o que eu faço agora? Não sei lidar com isso e tenho medo!” Só que não é. E mesmo assim, eu paro e penso a mesma coisa. Os anos vão passando, vou crescendo e aprendendo um monte de coisa nessa vida mas continuo sem entender muito bem como lidar comigo mesmo.
Já tentei de tudo pra resolver isso com o objetivo de me fazer ter vida de novo. Em muitas das vezes que tentei, pensei como seria bacana sei lá, acordar no dia seguinte, sem peso na consciência e pensar: “Como é bom o gosto de ter tentado!”. Só que eu não consigo.

Desisto das coisas que quero sem nunca sequer ter tentado.

E ninguém precisa me falar o quanto isso errado e me faz mal, afinal, da minha vida e de todos os meus problemas eu sei bem. Valorizo uma opinião de fora, sob outro ponto de vista, só não abaixo a cabeça para definições alheias sobre como eu sou ou como eu devo ser.

O negócio é que mais uma vez eu me vejo sem nenhuma direção, sem querer saber nenhuma opinião, mas querendo tomar alguma decisão.
A gente já se conhece a um tempinho, nos falamos com certa frequência e sério, eu tentei, tentei com tudo que eu tenho de força, tentei não me render, tentei resistir, tentei te evitar, tentei não te chamar pra conversar, tentei de tudo, mas todos os meus esforços foram em vão. Eu simplesmente não consegui.

Eu não consegui parar de gostar de você. Na verdade eu só estou começando.
E se esse fosse o maior problema eu poderia comemorar, o negócio é que você nem sabe disso. E eu, ah eu, como todas as outras vezes na minha vida, não sei nem como te dizer.
Nunca encarei momentos como esses de forma normal, como algo natural, sempre considerei tudo muito especial e talvez esteja aí meu erro.

É que eu gosto demais, choro demais, rio demais, sinto saudade demais, sinto raiva demais, sinto amor demais. Sinto amor demais. É que eu… sinto amor demais.
Aqueles que me conhecem sabem que não estou mentindo e que não preciso disso pra tentar comover ninguém, até porque, eu nunca tive alguém de fato, logo, nunca tentei.

É uma merda porque eu vejo os dias passando, a gente conversando, já fez mais de mês, não foi 1 nem 2, foram mais de 3 e continuo aqui sem novidades sobre o que eu sinto por você. Sem coragem pra falar o que eu tenho sentido.
É claro que tem muito a ver com medo. Morro de medo de que você se afaste de mim, de ouvir o mais cruel “não” que já ouvi. Tenho medo de fazer papel de ridículo, tenho medo de parecer gostar demais, tenho medo de te sufocar.

Em outras palavras, tenho medo de tentar ser feliz.

Simplesmente porque me dói a barriga imaginar que vou ter que te encarar e dizer olhando para os seus olhos, as coisas que eu só dizia treinando para o espelho. Acho que eu fico assim meio sem chão porque eu sei que o que sinto é real e eu gostaria muito que fosse correspondido.

Gosto das coisas da vida como se ela fizesse os meus gostos.

Pagaria pra ver sua cara se eu te contasse tudo que faço com você sem nem você perceber. Percebo que você não está bem pela quantidade de risadas que publica na internet. Algo não deu muito certo quando a foto que você posta é de algum ângulo inusitado dessa cidade. Parece loucura, parecem pequenas coisas demais, mas são as pequenas coisas que fazem todo o resto ser grande.

Não tenho certeza sobre como vai ser na próxima vez que a gente se ver, não sei se vou conseguir matar essa minha angústia e tentar falar logo tudo de uma vez ou se vou deixar comigo uma vez mais.

Entre todas as minhas dúvidas sobre o que fazer com o que eu sinto por você, tenho uma certeza: é real.

Quem sabe um dia.

Afinal, o Que Falta pra Gente?

Já que eu não posso voltar no tempo, fico aqui todo dia usando toda a minha força pra pensar como eu faria diferente se você me ligasse de novo, se você me chamasse pra dar uma volta qualquer, sem motivo especial, só por dar uma volta. De novo.
Me torturo em silêncio e longe de você porque recusei todos os seus convites, dos mais ousados aos mais simples. Em pensar que faz tanto tempo que não vou ao parque… Neguei acreditando que teriam outras oportunidades, que você poderia me esperar e mais, neguei porque eu não queria cancelar meus planos já definidos em todas as vezes que me convidou. O curioso de tudo isso é que se eu parar pra lembrar nas coisas que fiz nas vezes que, sei lá como dizer, te “dispensei”, vou perceber que não fiz nada que realmente fosse especial a ponto de me fazer levar pra vida.
E pode até não parecer, mas eu procuro fazem coisas que me sirvam de algo, não vivo pelas mesmices, tão menos sobrevivo com migalhas. Gosto de coisas inteiras e de histórias capazes de se tornar lembranças pra compartilhar depois. Tudo que faço na minha vida eu vejo dessa maneira. E lembro que exatamente todas as vezes em que não quis sair com você, os “rolês” não me renderam nada mais que novos buracos na minha já esburacada conta bancária.

Só que agora eu me vejo aqui, sem perspectiva de nada interessante para fazer, sem vontade de aceitar os convites que recebo, sem vontade de sair de casa.
Eu só fico pensando nas vezes em que eu te disse “não”.
Acho que você ia estranhar se eu te chamasse no chat pra conversar agora. E mais que isso, tenho medo de você usar da frieza pra falar comigo – justa, eu sei, com seus motivos – mas tenho medo de não conseguir dizer que eu só quero aceitar um convite antigo seu.

Das pessoas que contei sobre os convites que me fez, ouvi dizerem que eu deveria ter aceitado um ou outro e que mesmo depois de recusado, eu poderia ter mandando uma mensagem agradecendo e dizendo que a gente poderia marcar uma próxima vez. Teve gente também que disse que fiz a melhor coisa, afinal, que coisa mais chata passar a tarde de sábado no parque, né?

Mal sabem o quanto eu gosto e o quanto eu sinto saudade de fazer isso, e mais, mal sabem que só não faço isso porque não recebo convites do tipo.

Eu errei e deixei as oportunidades saírem das minhas mãos. Acho que não faz sentido eu pensar nisso agora, você deve estar fazendo alguma coisa legal por aí com alguém igualmente legal, sei lá, e na verdade até quero que esteja, quero que esteja se divertindo.

Eu sou total responsável pelas coisas que não acontecem na minha vida.
Faz parte. Mas…

(…)

Eu tenho todos os motivos pra não dedicar nenhum segundo da minha vida pra você; não mover um dedo, não dedicar um pensamento. Mas tem horas que isso não dá tão certo assim e me vejo querendo falar com você de novo e de novo. Que coisa estranha. Das pessoas que dividi essa minha situação, ouvi dizerem que o problema é que eu me apego demais e muito rápido e que isso além de sufocar as pessoas, sufoca a mim mesmo, então, eu preencho os espaços vazios na minha cabeça com possibilidades que não passam de possibilidades.
Não foi uma nem duas vezes que te chamei pra dar uma volta pela cidade. Se eu tivesse mais dinheiro, certamente o convite seria mais sofisticado e eventualmente irrecusável. Uma famosa peça de teatro e um jantar em um restaurante de pompa seriam opções, só que tudo o que eu tenho a oferecer pra você e para quem quer seja sou eu mesmo.

Às vezes leio o histórico das nossas conversas. Pode parecer meio deprimente, mas me faz bem rever algumas coisas que já disse e todos momentos de risada que já demos pelos motivos mais bobos, eu revivo e rio de tudo de novo como se fosse a primeira vez.

Eu queria me sentir confortável de te convidar mais uma vez pra sair. E essa é uma das coisas que meus amigos não podem saber, porque nas vezes que eu só mencionei essa possibilidade, tive dedos apontados para o meu resto como se eu estivesse falando a pior das coisas. Entendo eles e vendo de fora, provavelmente eu falaria e faria algo parecido. Tem aquele discurso pronto sobre humilhação e de amor próprio, né? Sei como é.

Por isso que algumas coisas que eu vivo procuro guardar pra mim, assumindo todas as consequências de darem certo ou errado, prefiro guardar pra mim.
Se eu me sentisse a vontade de falar com você de novo eu te contaria um segredo: tenho guardado dinheiro pra poder pagar o táxi na sua volta pra casa. Dia desses perguntei para um taxista quando daria de tal shopping até a sua casa, ele me falou mais ou menos e a partir daí resolvi poupar um dinheiro. Melhor seria se eu tivesse um carro, com alguma música agradável, tudo ficaria mais gostoso e divertido, mas infelizmente ainda não é o caso. Então, por enquanto, eu tento me virar como posso e acho que você vai gostar de voltar pra casa de táxi ao invés de metrô e ônibus.

Olha que coisa doida, tenho feito planos pra quando sairmos sem mesmo ter te feito um novo convite. É que eu quero me preparar para a próxima vez, não quero ganhar mais um “não” pra minha coleção.
Depois das vezes em que tentei e não deu certo comecei a pensar em como eu estava fazendo. Notei que eu estava ansioso demais. Notei também que convites para o cinema e passeios pelo parque não são assim tão irresistíveis como em tempos atrás. E ninguém tem culpa disso, as coisas mudaram bastante e eu que fiquei estacionado no tempo.
Por isso tudo e pelo meu medo de errar de novo, estou me organizando para quando eu tiver coragem de te chamar pra sair mais uma vez. Ah, é verdade, enquanto pensava nas vezes em que não deu certo, me veio a mente que você recusava por pensar que em todas elas eu ia tentar algo com você, talvez um beijo roubado ou uma mão a mais. E olha, vou confessar que você é sim absolutamente atraente e vou mentir se eu disser que não sonhei com a possibilidade de acontecer algo, só que antes de qualquer pensamento desses eu sempre imaginei no quanto seria agradável a gente sair pra conversar sobre os pontos de vista que temos das coisas.

Em todas as vezes que você me disse “não”, eu só queria um “sim” pra aprender com você.

Mas tudo bem, é passado, são coisas que não voltam.
Vi no celular que faz um tempinho que não trocamos mensagens, acho que essa é uma boa hora para te mandar um ‘oi’ qualquer, aí, quem sabe, se eu tiver alguma coragem, te convido pra fazer alguma coisa.

Pelo menos a sua volta pra casa estará confortavelmente garantida.
Eu tenho passes de metrô pra mim.

Older posts Newer posts