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Faça Um Favor a Si Mesmo

Gente que valoriza mais uma briga do que um noite de conchinha. Quantas milhares?
Vejo tanta valorização de problema e banalização das coisas boas que às vezes me sufoca e me pego enlouquecendo sozinho.

Eu não entendo a briga de um casal no telefone por uma mensagem não respondida, enquanto tem gente em todos os lados querendo um par pra ser um casal, com mensagem respondida ou não. Não entendo por quê o ciúmes sobressai diante de todas as coisas, por quê é tão incontrolável a ponto de matar todo o tempo brigando, ao invés de ser vivido sendo feliz. É um raciocínio teórico, mas, tendo em vista que toda prática parte de uma teoria, sugiro a reflexão.

Você aí, para de ser tão chata, para de ser tão insuportável assim com ele! E você, para de ser tão ridículo e tão insensível com ela.

Da mesma maneira que somos urgentes em querer que as coisas aconteçam, devemos também ser urgentes para resolver problemas, para valorizar o agora, para dizer que ama, para dizer que não gosta mais ou para dizer que sente saudade.

É muita desinteligência ir dormir com o clima de briga-não-resolvida. Não acho possível viver um dia inteiro, para resolver este problema só no próximo dia a noite, e olhe lá. É que as pessoas são nervosas, não gostam de falar de cabeça quente, né? E se o problema for justamente o motivo de estar com a cabeça quente? Nem sempre o motivo de toda aquela briga é algo que realmente valha uma conversa.

Um relacionamento significa ceder. Às vezes estamos certos, outras não e outras só podemos deixar de lado pois não vale nem o julgamento.
Somos uma plantação de problemas. Quando a lavoura parece fraca, a gente faz questão de plantar alguma coisa aqui ou ali, que seja reclamar no por quê do amarelo ser tão amarelo, entende? A impressão que dá é que a tranquilidade incomoda e o bom mesmo é quando o bicho pega. Me diz, pra quê?

“Ah, mas que mentira, claro que não, bom é quando tá tudo bem ué” você deve estar dizendo aí. Ok, agora vem cá, tenta lembrar das últimas vezes que discutiu com a pessoa que gosta, agora, pense nos motivos da discussão. Perceba ali em cima o que dissemos sobre urgência. Tente se lembrar se foi você que correu atrás ou você esperou que a pessoa viesse.

“Ah, mas eu sempre corro, toda vez sou eu quem faz isso!” E isso é motivo de chateação? Ora, burra é a pessoa que não valoriza a sua atitude, talvez o problema seja ela. Se você, honestamente, for sempre quem corre atrás e tenta resolver, entenda, só felicidade te espera. Agora, se você tem aquela merda de orgulho e prefere esperar que façam algo pra você, sugiro que resolva todos os problemas saltando do viaduto mais próximo.

Em nenhum momento aqui estamos discutindo a facilidade das coisas. É um raciocínio sobre o que devemos ou não fazer e sobre o que fazem ou não pela gente.

“Ah meu, mas é muita coisa envolvida né, e falando assim até parece fácil, mas só quem vive sabe o que é”. É né, muita coisa envolvida, e também é muita coisa boa envolvida pra ser vivida das formas mais fáceis que existem. Pra sempre vou bater na tecla do “dê peso ao que merece ter peso”, ao “destorce esse nariz e manda essa mensagem”, ao “enquanto você espera que façam algo, tem gente fazendo no teu lugar”. São situações genéricas, e que por serem justamente isso, são facilmente aplicadas em qualquer pessoa, inclusive em você que leu tudo isso até aqui.

Se ninguém nunca te estendeu a mão, faz de conta que esse texto serve pra isso, eu quero te ajudar. Quero que acalme-se e pense nas cagadas que fala e faz, na sua falta de atitude em resolver as coisas, na sua esperança infantil e vã para que as pessoas façam algo por você.

Você aí, não perca outra noite sono e não ganhe uma fatura gorda de telefone polemizando explicações na madrugada, faça algo que realmente solucione. Menos “É culpa sua”, mais “Vamos ficar bem?”.

E você aí, não chore por um amor que não tem, mexa-se, saia de casa, vista sua melhor roupa, chame seus amigos, saia sem ninguém, encontre um jeito e vá atrás das oportunidades, respeitando e considerando as possibilidades. Exija menos e viva mais.

No fim, em qualquer situação, o ideal é menos teoria e mais prática, por favor.

Depois Não Diga Que Eu Não Tentei

Dias desses finalmente parei pra pensar.
Foi em uma corriqueira viagem de ônibus voltando pra casa. Abri mão de um delicioso livro que tenho lido ou de uma porção de minutos divertidos dedicados ao celular e parei pra pensar e analisar como eu estava me comportando ultimamente. Depois de um tempo de dor instantânea provocada por algumas malditas lembranças, cheguei a conclusão que eu estava errando demais. O lado bom é que os erros são reversíveis.
Voltando para as coisas que pensei até cansar de pensar, a principal delas é você. Parece que eu sentia medo de te colocar na lista de pendências da minha vida, vai ver era uma tentativa de defesa por medo de sofrer. Vai saber.

Só que eu esgotei feito gota em fim de chuva.

Vamos pelo início: você não fez nada pra mim. Esse é o início, meio e fim.
É exatamente esse motivo que me fez cansar de você, e se fosse eu no seu lugar, penso que seria interessante brindarmos esse acontecimento, pois pior seria eu pegar nojo do seu rosto e do seu nome e numa circunstância dessas tudo seria muito mais desastroso e definitivo. A verdade é que você me cansou pelo teu jeito de ser. Pelo menos comigo.
Não lembro de outra vez nessa vida em que fui tão paciente quanto todas as vezes em que conversamos. Sem entender muito bem o por quê – só sabendo que eu queria fazer – fui uma, duas, três, 100 vezes, falar com você e te fazer convites para que valorizasse a sua vida.

“Vamos sair?”, “Ah, não vai dar”, “Vamos ao show tal?”, “Ah, vai acabar tarde”, “Por quê não me respondeu a mensagem?”, “Ah, desculpa, esqueci”.

Só que agora eu nem quero mais e acho importante escancarar meu ponto de vista para que de repente, se existir ainda algum resto de inteligência na sua cabeça, que não repita essas mesmas coisas com uma pessoa nova, pois eu, ah, eu, já falei ali, eu cansei de você, só que eu gosto tanto de você que ainda sou capaz de te apontar tudo que me fez desistir.

Sabe, muitas das nossas tristezas são provocadas pela gente mesmo.
Eu fiquei tanto tempo procurando resposta pelo teu jeito indiferente – e que você jura ser coisa da minha cabeça – que acabei vivendo momentos em que sem pestanejar eu apertaria o botão delete na minha vida. Gostaria mesmo de esquecer, no entanto, se não fosse tudo o que você me faz passar, eu não estaria hoje aqui com essa força pra te olhar nos olhos e dizer que você não faz a menor ideia do que perdeu sem sequer ter tentado, você só vai se dar conta quando se ver relendo todas as minhas mensagens no seu celular, e sabe onde eu vou estar quando essa hora chegar? Eu também não sei, só sei que vai ser longe de você e a culpa disso é só sua.

Você foi covarde com o teu coração, foi covarde comigo, covarde com o que eu sinto. Apesar que agora, parando pra pensar e me colocando em seu lugar, começo a ver sentido em toda a sua displicência comigo. Acho que eu não me encaixo no padrão que você gosta, não faço parte da futilidade que te atrai, não uso de artifícios baixos só pra chamar a sua atenção, tipo aquele monte de gente que você gosta. Pronto, vendo por essa lado, nem eu no seu lugar me importaria em aceitar um convite pra sair, que seja pra dar uma volta no parque.

Eu não cheguei a te falar o que eu sinto e você não se deu a oportunidade de viver os melhores momentos da sua vida. É claro que eu não posso garantir que seria como imagino, mas do contrário, garanto que eu não mediria esforços pra te ver bem acima de tudo, e isso, entenda e coloque na sua cabeça, ninguém nunca vai se esforçar mais do que eu queria.

Parece que estou supervalorizando tudo isso, né? Vamos usar a prática então. Acontece que eu cansei do teu jeito de fingir gostar de mim, dos teus elogios prontos nos quais nunca se deu o trabalho de falar de outra maneira. Cansei de correr atrás de você pra te ver, pra saber se está bem, cansei de te convidar pra lugares que de repente você nunca vai visitar na vida, e são em situações como essas que eu fico com raiva, pois não me entra na cabeça o fato de existir gente tão burra como você.

A felicidade é uma soma de oportunidades. Pode ser uma só vez, por de ser trinta delas, mas em todas, a felicidade sincera, real e inédita pode ser vivida. Só que tem gente que não gosta de aproveitar.
Tipo você.

O lado bom é que os erros são reversíveis, neste caso, os meus erros. Dessa vez preferi não virar, mas sim, rasgar a página e pretendo não ser assim na minha próxima.

Te Espero na Roda Gigante

Ê tempo, tempo que passa devagar quando a gente quer que ele corra, que passa depressa quando queremos que demore. Tempo que é inconstante e acima de tudo incontrolável. Tempo severo, que tem horas que tortura, tem outras que alivia. E acima do tempo, estamos nós, eu, você, todos nós, correndo atrás ou na frente do tempo.

É que temos muita ansiedade também, né? A gente não gosta de esperar. Esse negócio de esperar não está com nada! O tempo que a gente perde esperando poderíamos estar aproveitando fazendo, né? É. E não é. Quem pode ter certeza, né? Coloque uma dose de café e temos aí assunto pra uma noite inteira.

Uma noite inteira.
Tem horas que o que bate não é nem saudade, é uma dor de angústia de querer viver uma noite inteira. Ter uma noite felizmente não dormida, celebrando alguns seriados na TV ou algumas revelações na madruga. Uma noite inteira para brindar um ao outro. Todo mundo quer. Eu, você, nós.

E nós, como ficamos nessa história?
Alguns dizem que nós temos que esperar, dizem que temos que fazer por onde, dizem que devemos relaxar, só que tudo é dito pra quem não precisa ouvir. A gente até entende, mas o problema não são ouvidos, é aquele músculo involuntário, também conhecido como coração, que nos mantém vivo. Quero ver alguém convencê-lo desse monte de teoria.

Ter que convencer alguém.
Que coisa mais complicada de se fazer. As pessoas se sufocam nos próprios sentimentos, na própria vontade de fazer com que as coisas aconteçam. As pessoas, repito, eu, você, nós. A gente se enrosca nas palavras de amor, nas palavras de despedida, nas palavras de talvez. Somos um liquidificador de sentimentos. Somos um furacão onde queremos tudo ao mesmo tempo, e ao mesmo tempo, não queremos nada, onde amanhã amamos e depois de amanhã detestamos. A gente quer convencer alguém que o que sentimos é real e único, queremos deixar claro sobre o quanto gostamos, queremos deixar claro sobre o quanto não estamos gostando mais. Queremos ouvir uma declaração de alguém que talvez ouvirá uma despedida nossa. Abraçamos as possibilidades. “Não tem problema se terminar amanhã, mas fica comigo hoje!”, nos entregamos à submissão da incerteza. Certamente somos uma incerteza. “Continue comigo nesta dança, se caso for, repito a música”, passeamos com a esperança de que algo aconteça, no entanto, com a certeza de que faremos que o amanhã seja especial.

E o amanhã.
Que saudade do amanhã que já tivemos um dia, que ansiedade pelo amanhã que queremos ter, que raiva do amanhã que não chega, que dor pelo amanhã que já chegou.

E chegou o dia de revelar as fotografias.
Criamos álbuns para materializar sentimentos. “Olha que sorriso lindo era o seu naquele dia!” suspira aquele que ama à quem deseja dividir os próximos dias. E a beleza está aí, não na revelação das fotos, mas nos resultados e nos comentários a seguir. A beleza está aí, em toda célula que podemos oferecer.

Isso tudo somos nós, eu, você e nós. Somos uma ferida não cicatrizada, uma ferida ainda não acontecida.
E a verdade suprema é que a gente quer ter alguém pra dizer coisas ao pé do ouvido. Alguém pra suar as mãos dadas num calor ao meio-dia, alguém pra achar graça na travesseia da faixa de pedestres, alguém pra se arriscar na cozinha, pra dizer que ganhamos peso, alguém pra nos ajudar no provador de roupas. Nós queremos alguém, nós, eu, você, nós.

No fim, no fim de tudo mesmo, no fim de todas as fases, nós só queremos alguém.
Nós, eu, você, nós.
Ê tempo.

Quando o Inesperado é o que Torna Especial

Fazia um tempo que a gente não se via, e apesar disso, lembro de todos os detalhes da última vez, lembro até que roupa você usava, onde estávamos e o que falamos. Não que eu seja louco a ponto de guardar tudo na minha cabeça, mas é automático, gosto de quando minha memória funciona e guarda coisas pra lembrar depois, muito embora, é bem verdade, há coisas que eu simplesmente gostaria de não ter vivido, imagina então ter na lembrança. Mas enfim, é algo que eu tenho que saber lidar.

Nem me passava pela cabeça a próxima vez que a gente ia se ver, não por nada especial, é que a gente estava meio distante, só via as coisas que você postava na internet e você as minhas, a gente se falava quando tinha alguma novidade ou quando um dos dois “sumia” por muito tempo. Nunca fizemos planos, nem marcamos data, nossa convivência beira uma amizade natural e simples com alguns momentos de plus, confesso.

Só sei que de última hora deu na telha que a gente combinou de sair. Postei na internet que eu queria ir num show x e você comentou dizendo que também queria ir mas estava com muita preguiça. Te chamei pra conversar particularmente e consegui te convencer pra gente ir juntos.
Combinamos de eu te pegar as 19h mas foi as 19h30 que eu cheguei acompanhado de algumas mensagens suas de “Atrasadinhooooo!”, boazinha, tranquila, mas com uma pitada de impaciência em ter que esperar.

Cheguei e vi que você estava na porta do condomínio. Estava bonita, lembro de ter te elogiado enquanto abria a porta do carro pra você.
Durante o percurso conversamos sobre amenidades, coisas corriqueiras do dia-dia. Você  me contou como estava seu trabalho e eu como estava o meu. A gente sempre se dá muito bem.

Chegamos no lugar do show, alguns amigos presentes e a gente ficou o tempo todo meio perto um do outro, acho automático, afinal, viemos juntos, não faria sentido eu me deslocar tanto, nem você.
Os shows foram acontecendo até que um certo momento uma coisa aconteceu entre a gente e vivíamos então um novo episódio da nossa “história”. Nos permitimos viver um ao outro e um beijo selou esse momento.
Decidimos ir embora, já era meio tarde e estávamos cansados.
No caminho, mais uma porção de conversa sobre a vida até chegarmos na sua casa. Em frente a portaria, nos despedindo, você me disse “Quer beber alguma coisa? Aí você aproveita e conhece minha casa nova”. “Ah, legal, tudo bem!” respondi prontamente.

Já no elevador até chegar em seu apartamento, tentei e consegui te roubar um beijo ou outro no melhor estilho reality show, sendo vigiados pelas câmeras de segurança.
Antes de entrar você me sugeriu que eu falasse o mais baixo possível pois seus pais estavam em casa. Nessa hora, sinceramente, eu pensei em me jogar da janela mais próxima, afinal, eu não sabia que eles estavam lá, esqueci de perguntar quando aceitei o convite, e se eu soubesse, bom, se eu soubesse, acho que eu aceitaria da mesma maneira. A mesma oportunidade raramente acontece uma segunda vez.

Entramos, você acendeu um abajour da luz da sala e me convidou para ir ao terraço ver a vista. É uma paisagem urbana, repleta de prédios e indústrias, mas tem lá sua beleza e eu achei bonito, talvez pelos acontecimentos daquela noite até ali. Mal sabia eu.
Sentamos no sofá e veio sua cachorrinha incrivelmente em silêncio – como se soubesse que estávamos ali – pedir mimo. Brincamos com ela uns 2 minutos até cruzarmos nossos olhares. A partir daí…
Bom, a partir daí voltamos a nos beijar. Enrosquei meus dedos no seu cabelo e te trouxe pra perto de mim. Você subiu em meu colo e o seu peso natural pressionava meu corpo contra o sofá causando uma sensação incrivelmente boa. “Xiiiu”, você me alertava pra gente manter o silêncio. Nessas horas minha cabeça rodava porque eu pensava no que estávamos fazendo, na tal “aventura” que estávamos enfrentando, sem nos importar com  seus pais, sua irmã, sua cachorra, vizinhos, nada. E olha, quer saber? A sensação era muito boa!

Entre os milhares, longos e intensos beijos você me indicou que queria parar pra fazer uma coisa. Saiu de mim e virou-se para o lado. “Acho que assim fica mais divertido!”, me disse acendendo a lareira. Em pensar que a uma hora dessas era pra eu estar em casa me preparando para dormir… Demais!
Acendeu o bastante para que nossos corpos criassem sombras. O bastante para, literalmente, incendiar ainda mais aquele momento.
Voltou para mim e dessa vez me orientou a deitar no sofá. Deitando em mim, arranhava meu peito por de baixo da camiseta enquanto eu já totalmente rendido àquele momento puxava seu cabelo para trás demonstrando que eu estava ali 100%. O clima realmente estava esquentado no sofá, a certa altura eu já estava sem a minha camiseta e o misto daquele momento, com o ingrediente de ser você, da saudade que estava de você, da surpresa como tudo estava acontecendo e com o os seus pais em ca… SEUS PAIS! “Meu Deus, olha ali rapidinho!” Tive que interromper pra te mostrar que uma luz havia acendido no quarto que você disse que era deles. Ficamos parados, intactos esperando o que ia acontecer e naquele momento eu já mandava beijos pra minha mãe pois eu tinha certeza que daquele andar eu seria jogado pelo seu pai.
Então a luz apagou e conseguimos ouvir: “Tomar remédio essa hora é sempre muito chato”, era sua mãe reclamando.
Nos olhamos, rimos e sem falarmos uma palavra nos beijamos de novo e de novo. A partir desse momento, com esse auge de medo/adrenalina perdi minhas estribeiras. Tirei sua blusinha e ficamos os dois sem a parte de cima de nossas roupas. Te levantei andamos pela sala nos beijando, esbarrando nos móveis. Fomos pro terraço. Sentei em uma das cadeiras e você sentou em mim, com os cabelos caindo no rosto, beijava o seu pescoço enquanto tentava abrir o tão misterioso sutiã. Até que consegui e fui tirando suas alças, uma de cada vez. Despi um dos seios e o beijava delicada e intensamente enquanto com uma mão abaixava a alça do outro. Nós já estávamos totalmente envolvidos àquele momento e não nos importamos com o terraço, com as janelas vizinhas, com os vizinhos de condomínio, só importava nós dois. Tirei seu sutiã por completo e me perdi em seus seios, delicados, cheirosos, sensíveis. Beijava e aplicava micro mordidas. Você despencava a cabeça para trás demonstrando estar gostando. E eu continuava, mordia, apertava, lambia, mordia de novo. Então você nos levantou e entramos na sala novamente, eu andando de costas sendo guiado por você que parecia estar certa de onde iríamos naquele momento. Os dois de olhos fechados, lareira acesa, eu sem camiseta, você sem sutiã. Até que entramos no banheiro e eu só me dei conta pela força da luz, mas não falei nada e deixei ver onde ia dar. Me empurrou contra a parede, deixou só a luz do espelho acesa – você adora o ingrediente meia-luz – veio beijando cada célula do meu rosto, pescoço, percorrendo o peito, descendo para a barriga. Tirou meu cinto com força, desabotoou e abriu o zíper da minha calça enquanto a retirava de mim. Fiquei de cueca. Beijava minha coxa, minha virilha enquanto com uma mão me arranhava a perna e com a outra o peito. Naquele momento entendi quando lá no terraço você deixou a cabeça para trás. Fiz o mesmo contra a parede quando subitamente tirou minha cueca. E então eu estava ali entregue à você. Minhas costas na parede fria, na minha frente suór e você prazerosamente fora de si. Beijava, apertava com as mãos, revezando uma a outra toda a minha região mais sensível. Inevitavelmente olhei pra baixo na ansiedade de ver se o que estava acontecendo era real, então você, com a boca delicadamente ocupada, me olhou e deu uma piscada que foi capaz de me incendiar por dentro.
Te ergui e dessa vez fui além, entrei com você dentro do box. Estiquei seus braços na parede e segurei deixando claro que eu iria comandar a partir dali. Você, inteligente, entendeu e não manifestou reação. Então desci seu peito, beijando seus seios, fiz um tempo em sua barriga enquanto lentamente abria a sua calça. Percebendo o que fiz, você deu uma pequena e fatal rebolada para facilitar a calça cair. E deu certo. Me levantei para o seu rosto para matar a saudade do seu beijo. Você tentou me tocar e novamente segurei seus braços. Desci, lentamente mordendo a lateral da sua calcinha, a retirei. Então. Então. Então. Dei os meus mais delicados e intensos beijos e mordidas e lambidas circulares naquele que é lugar mais sensível do seu corpo. Senti seu corpo arrepiar. Segurava seus joelhos e já sem poder controlar suas mãos, notei que vez ou outro puxava meu cabelo, quando não, batia na parede do banheiro até que ligou o chuveiro. Ali era a gente, entregues um ao outro, despidos e embaixo d’água, tudo estava incrível demais, até que:

“Tomando banho uma hora dessas?”

Era seu pai perguntando lá de fora. Um balde não, ali foi um caminhão de água fria na minha cabeça.

“É pai, estou cansada, qual o problema? Vai dormir” respondeu.
“Ah, sim, tudo bem, durma cedo, boa noite”, ele se despediu.

Entre um riso e outro, ficamos um tempo no banheiro, o suficiente para ele voltar a deitar.
“Vamos fazer o seguinte!” você anunciou sem dizer o quê, me dando uma toalha e pegando outra. Abriu a porta do banheiro e eu fiz uma mímica do tipo “Você tá louca?” e você me pediu silêncio com o dedo indicador. Me puxou pelo braço e me levou.

Era o seu quarto. Entramos, fechou a porta e então. E então. Praticamente rasgamos nossas toalhas tamanho o envolvimento, nos jogamos na cama a zero luz. Sem mais nada que pudesse atrapalhar, notei que você deu uma volta na chave da porta depois que fechou.
Jogados na cama, nos enroscando nos lençois, instantaneamente te senti em meu colo delicadamente. Nos tornamos um. Que noite! QUE NOITE! Eu só conseguia falar em silêncio isso, QUE NOITE! Começou a se movimentar em cima de mim, forte, forte, MUITO FORTE, vez ou outra se debruçava em mim encostando os seios no meu peito. Eu já não sabia se era água do chuveiro ou suór tudo o que estava entre a gente. Só sabia que era bom, era ótimo, era demais! Segurei em seu quadril e direcionei os movimentos, cima baixo, cima baixo, cima baixo, estamos entregue àquele momento mais do que nunca antes naquela noite. Aí você saiu e se virou para cama me puxando para cima. Entendi o recado e me fiz presente. Afastei suas pernas e lentamente me aproximei de você. Diferente da hora do box, deixei seus braços livres, para vivermos um momento livre e vivermos como quiséssemos. Então, novamente, nos juntamos e nos tornamos um, mas dessa vez eu estava no controle. Fisicamente no controle e sentimentalmente descontrolado. Iniciei os movimentos de frente e trás, enquanto você optou por entrelaçar suas pernas em minhas costas. Aumentei a força, mais força e você pedia mais, começou a gemer, forte e pra evitar barulho, mordia um lençol, mas eu não parava, eu não queria parar, você não queria que eu parasse, era o nosso momento, poderia não acontecer nunca mais, a gente queria viver aquilo, era nosso, era só nosso.
Me aproximei para o seu rosto escondendo algum cabelo atrás da orelha. Que rosto lindo! Nos beijávamos enquanto vivíamos aquilo lá de uma forma muito especial. Que noite, QUE NOITE!
Me sugeriu que sentasse na borda da cama, obedeci, veio de costas contra mim e sentou em meu colo… E sentou em meu colo… E então você sentou em meu colo… Desabei na cama enquanto você se fazia proprietária de todo aquele momento naquela atitude. Eu só via suas costas, suas desenhadas costas. Você não parava, era um prazer tão incontrolável que eu tinha vontade de rasgar o lençol, que sensação incrível! E o mais especial de tudo era saber que era com você.
Continuou e continuou até ter um logo e sonoro suspiro…
Um longo e sonoro suspiro…
Um longo e sonoro…
Um longo e…
Um longo…
Um…
Desabou então sobre meu peito com o corpo ainda tremendo. Nós dois cansados, exaustos, molhados, incendiados… Que noite, que momento. O que eu estava vivendo? O que era tudo aquilo? Era real mesmo? Eu ia acordar e perceber que só sonhei? A gente nem ia sair, te convenci e olha onde eu parei.
Não tínhamos mais força pra nada, tudo que eu conseguia fazer era alguma porção de carinho no seu rosto que eu nem conseguia ver, afinal, vivemos tudo aquilo no seu quarto. Sem luz.
Só sei que nos rendemos a exaustão e ali adormecemos. Fui embora antes das 5, pra que ninguém me visse, corri pra secar o chão da casa e me certifiquei que a lareira tinha apagado. Não sei se você vai lembrar, mas chegamos a nos despedir e lembro que te falei:

“Oi, vou sair antes que seus pais me encontrem aqui, mas eu queria te dizer que essa foi a melhor noite da minha vida, fica bem e me liga amanhã. E ah, adorei sua casa nova!”
E você falou:
“Obrigada por hoje, estava com saudades e foi realmente muito incrível! Te ligo”.

“Você não sabe o que aconteceu! Minha mãe achou meu sutiã no terraço e me perguntou o que ele estava fazendo ali, só sei que eu desconversei hahaha, que noite!”

Foi a SMS que você me mandou horas depois.

Bem que Eu Gostaria que Fosse Brincadeira

Pronto.
Agora estou me vendo no TOP 3 situações mais complicadas da minha vida. Não sei o que fazer – como se fosse novidade, né? – não sei o que falar, se é que devo falar algo, não sei se devo sumir, se devo enfrentar, se devo relevar. Em pensar que o que eu queria era só ter alguém pra dividir o edredom num sábado a noite.
Voltando ao começo de tudo. Até que eu me interessei muito por alguém. Senti como nunca antes que se eu fizesse algum esforço as coisas poderiam mudar e uma linda história começaria a ser escrita. Você me fez pensar assim, sem fazer nada de muito especial a não ser sendo quem você é.

Foi por você e não por quem você é que eu me interessei.

Ah se eu te contasse. Se eu te contasse todos os pensamentos infantis que eu desenhei na minha cabeça você certamente iria rir de mim. Rir com aquele sorriso que só você tem.
O negócio é que eu não esperava gostar de você assim dessa maneira, tanto, a ponto de me fazer perder algumas valiosas horas de sono e alguns outros momentos importantes do meu dia. Acha que é fácil ficar pensando em uma pessoa um dia todo? Não é mole não, e se for, eu tenho a maior fraqueza e não sei lidar com isso.

Mas o problema não é gostar de você, mas sim, saber que outra pessoa também gosta. E mais, conhecer essa pessoa que gosta de você e como se não pudesse piorar, eu ainda me dou muito bem com essa pessoa.
É Vida, você poderia ser mais fácil, mas caprichosamente  fez com que as coisas fossem assim, né? Não é uma queixa, é uma constatação.

Conclusão: Gosto de você e conheço quem também gosta.

Eu poderia voltar para a minha vida antes de você aparecer. Eu não estava tão feliz, mas também não tinha motivos pra me preocupar. Hoje sou protagonista de uma história onde não sei se encaro e respeito o que eu sinto, se respeito o que essa outra pessoa sente, se ignoro tudo e sumo, enfim, eu não sei muito bem o que fazer.

Eu só sei que quero te ver bem, de qualquer maneira, comigo ou não. E se pra eu te ver feliz for necessário abrir mão do que sinto por você, eu faço isso. Não vai ser esforço pra mim, também não vou comemorar, mas vou ter alívio ao saber que você está sinceramente feliz ao lado de alguém que eu sei – e como sei – que gosta de verdade de você. Amanhã eu conheço um novo motivo para o meu coração acelerar novamente e tudo volta ao normal, e você, você vai ser só uma aventura não vivida, um arco-íris não visto, um dia de sol na sombra.

Eu não lembrava mais como é essa história de gostar de alguém, sabe? Estou me sentindo na época da escola, onde vivi várias paixonites que não passaram de paixonites, até por quê ninguém nunca soube do que eu sentia. Sempre procurei me reservar e não escancarar meu sentimentos. Perdi algum tempo sendo assim, mas ganhei cedo uma visão inédita e valiosa do que é gostar de alguém.

O problema é que eu gosto de você.
E você nem sabe disso.
Você já me fez sofrer sem nem saber o que eu sinto. E não é culpa sua, claro, não é de ninguém, eu sofro em silêncio, sofro ao falar de você com aquela outra pessoa que também gosta de você. Olha, não é nada confortável, não é nada interessante.

Eu não sei muito bem como isso tudo vai se resolver, só sei que de um jeito ou de outro, quero muito que você alcance toda a felicidade que eu imagino. Mesmo não sabendo que um dia alguém gostou de você e abriu mão do próprio sentimento só pra te facilitar as coisas e te ver feliz mais rápido.

Tudo Bem, A Gente Faz Isso Na Semana Que Vem

Será que são em fases na vida como a que estou vivendo que a gente entende e o verdadeiro valor das coisas? Porque olha, se não for, eu não imagino outra situação. Eu sou um exemplo de que é possível dar valor a algo sem precisar perder.
Se a gente guardar cada momento especial vivido lá dentro do coração, é sim possível que dar valor e ter ainda por perto.

A vontade de ser feliz está diretamente relacionada ao seu esforço em não deixar partir.

A gente se dá tão bem. Nossas conversas pelo telefone duram o bastante para eu me assustar quando chega a conta no fim do mês. Nossas trocas de mensagens já me forçaram pedir para que ninguém mais me enviasse mensagem, só pra eu ter espaço para guardar as suas. “Eu não gosto muito de escrever, me liga, é mais fácil” é o que respondo quando me dizem “Te mando uma mensagem!”.

É que a gente mora longe né. Mas não longe o bastante para eu pensar menos em você e também não é nada capaz de sequer arranhar o meu sentimento e a minha vontade de ter de novo, de novo e de novo.
Já vivi algumas histórias antes de você, mas nunca aprendi tanto quanto agora na que vivemos. Todos os dias são lições. Todo dia eu entendo o que é gostar de alguém, o que se esforçar pra ter alguém, o que é tentar resolver na hora, o que é aprender a lidar com dificuldades incontroláveis, o que é lidar com a mais forte dor da saudade, o que é lidar com a ausência física, e sobretudo, todo dia aprendo que o importante é ter no coração, que ao alcance dos olhos é especial, mas dentro do coração é valioso.

Na certeza cega, um dos olhos é o amor e o outro é o valor.

Falto morrer de saudade quando você dá o último tchau e cai a fica que só nos veremos no próximo fim de semana. Não sei se já te contei, mas acho que ninguém no mundo sabe mais dos feriados do que eu. Risquei todos os dias a mais que teremos no ano, o que pra mim significa todos os nossos novos momentos especiais que estão por vir.

Sempre me perguntam como eu aguento manter um relacionamento com uma pessoa que mora longe. E eu sempre respondo que também não sei, só sei que eu sinto algo muito forte que supera qualquer dificuldade, e mais, que transforma toda e qualquer dificuldade em incentivo para viver novos dias. Tem gente que entende e acha bonito, tem gente que me sentencia por loucura, enquanto isso eu continuo sentindo.

Pode parecer fácil lidar com isso falando assim, né? É claro que não é. Gostaria de poder correr na sua casa depois de um dia de stress, gostaria de ver algumas peças de teatro que só passam na semana, gostaria de tanta coisa que a distância dificulta. Mas não é problema. A nossa história nasceu assim e nós dois sabíamos das consequências. Só que repito, não é problema.

Será que faz sentido agora quando eu digo que só aprendo com a gente? Que perto da nossa, todas as outras histórias que vivi foram só histórias? Eu nunca pensei que passaria por isso, mas nunca pensei também que seria tão importante para a minha vida, para o meu crescimento como pessoa, para a minha visão das coisas. Gostar de alguém, ter esse alguém mas não poder tocar esse alguém da forma que a gente gostaria. Quem gostaria de viver isso? Só que a gente não escolhe o futuro e no meu estava você.

E mesmo de longe, todo dia eu te agradeço em pensamento por estar na minha vida.

Faz Assim: Se Coloca No Meu Lugar

O problema é que você pensa que tudo é fácil demais, que eu tenho a obrigação de te entender, que você é assim mesmo e que cabe a mim aceitar, e pior, que justamente por a gente estar juntos a tanto tempo é que eu devo aceitar mais o teu jeito. Só que não é assim que funciona na prática.

Eu convivo com teus defeitos, mas não me peça pra aceitá-los.
Tem horas que esse teu jeito me machuca. É uma inconsequência de atitude tão grande que me faz perder o ar, porque você justifica tudo com “eu não faço por maldade, eu sou assim”, ok se você assim, mas que mude ou que pense que todas as suas atitudes influenciarão a minha vida. Quero muito que pense que os teus atos não são mais só teus, eles refletem em mim.

Parece que tem horas que não te faz a menor diferença se estou bem ou não. Percebo isso quando me sinto na angústia e te procuro só pra pedir emprestado um dos teus ombros ou meia dúzia de palavras para me manter em pé, mas você não percebe, você só olha para o próprio umbigo e quando eu reclamo justifica dizendo que o que eu falo não faz o menor sentido. É claro que não faz né, é comigo, é sobre mim e não com você.

E sabe o que me dá ainda mais raiva? É que apesar do seu aparente desinteresse nas coisas que eu te digo, eu ainda me preocupo com você e pergunto se está tudo bem, se teu dia foi legal, se teve algum tipo de problema ou se quer conversar sobre qualquer coisa. Eu me esforço pra te ver bem, tudo que eu quero e não meço esforço pra isso é te ver bem, entende?

Não estou pedindo que seja igual a mim, de você eu só quero o mínimo que qualquer pessoa pode fazer pela outra. Não peço e nem espero que mude, mas seria interessante se você pensasse e se colocasse no meu lugar, seria bom se imaginasse como seria pra você se eu fosse quem não me importasse, quem não ligasse, quem não fizesse esforço. Tenho certeza que você, com toda a sua inteligência – sem ironia, juro -, sabe do que estou falando.

Eu deveria ter te falado isso muito antes, eu sei, mas eu tentava encontrar uma maneira de pensar que eu estou exagerando, sei lá. Sempre parei pra pensar muito nos motivos pelos quais fico triste e em todas às vezes eu encontrava um motivo para me culpar por isso, aí eu tentava reverter, fazendo o quê? Fazendo de conta que não aconteceu o que você me fez. Só que eu cansei.

Não pense que estou falando tudo isso pra gente dar um fim e acabar por aqui mesmo, muito pelo contrário, eu sinto amor você, amor que pra mim é muito real e não é de hoje, acontece que eu acho justo que a gente conserte algumas coisas para que os dois, embora muito diferentes um do outro, possam viver em sintonia de sentimento, para que eu não precise sentir receio de dizer que gosto de você, para que eu não me torture em pensamento quando me perguntarem sobre o teu jeito. Entende?

Não precisa mudar quem você é, só precisa me tratar diferente.
Só precisa lembrar de me fazer sentir especial.
Você só precisa me emprestar um ombro quando eu te pedir.

Daqui de Cima Eu Vou Me Jogar Sem Medo

Quanto mais você acha que sabe o que quer, mais a vida te surpreende como se chegasse na sua frente dizendo: “Hey, pare de planejar as coisas, pare de organizar seus sonhos, pare de querer que eu faça seus desejos! Confie em mim, faz a sua parte que com certeza farei a minha”. E sabe que isso é uma das coisas mais legais que podem acontecer?

É bom sentir o frio na barriga, mas é ainda melhor tê-la aquecida por outra.

A questão da urgência, do susto, do “não esperava”, do “sério que comigo?”, do “sério que por mim?”, preenchem nossos dias e não por acaso. São essas questões que nos estimulam a refletir sobre o que estamos vivendo, afinal, se existe pergunta na cabeça é porque existe uma possibilidade a ser considerada, não é mesmo? E as possibilidades, todas elas, existem pra gente observar as coisas de outras maneiras.

Pelo amor às tentativas infinitas de felicidade é que atravessamos os dias.

A gente tenta aqui, erra ali, acerta acolá, mas continuamos sempre dando o segundo passo.
Tem gente que julga a gente, né? “Ah, você faz tudo rápido demais, deveria fazer x ou y”, “ah você é lento demais”, “ah você espera que façam demais”, todo mundo cheio de receita de como ser como se ninguém precisasse de um empurrãozinho pra pular no mar.

Viver é um salto no mar de olhos fechados.

A gente fica na ponta da pedra, olha lá pra frente, olha pra baixo, cria coragem, pensa se vale a pena o risco, vê como o mar é bonito, imagina como deve ser a boa a sensação de entrar naquela água com ondas que fazem músicas quando beijam nas pedras, aí a gente salta. Os segundos que precedem a queda são equivalentes aos segundos de espera por uma resposta, da aproximação de dois corpos, do deslizar de um beijo, do afastar de cabelos no rosto. Aparentemente são só segundos, remotos segundos, mas eles mesmo assim tão rápidos são capazes de tornar especial tudo aquilo que era chamado de simples.

Bobagem é acreditar que existe receita pra ser feliz. No entanto, o interessante é acreditar que a tristeza só dura enquanto a gente quiser. Pra que tenha mudança, é necessário que a gente queira. Uma joaninha não pousa na sua mão se você não estiver apto à recebê-la, se você não demonstrar que está confortável para que ela possa chegar e desfilar pelos dedos.

Chega uma hora na vida – e isso depende de pessoa pra pessoa – que a gente simplesmente esgota de sofrer tanto. A ficha cai e somos forçados a entender que: ou mudamos as coisas ou elas continuarão iguais, sendo cicatrizes que nunca fecham. A ideia aqui é falar por A + B que juntos podemos entender alguns pontos de vista sobre o que é aproveitar a vida e tudo que ela nos tem a oferecer. Junto de quem só vocês sabem quem são.

Se você é das pessoas quem não tem paciência para falar sobre o coração, muito provavelmente você não tem um.
Ou nunca usou.

É difícil termos que conviver com a gente mesmo. É difícil acreditar que se partimos do princípio que somos responsáveis pelo que fazemos e pensamos, porque fazemos tanta coisa errada e pensamos tanto em coisas piores ainda? Talvez seja uma questão de reaproveitar o tempo. Uma questão de saber valorizar quem e o que nos valoriza, saber correr atrás de quem deseja o nosso abraço, saber responder “=D” na sinceridade e saber parar com o “:)” por conveniência.

Em um mundo onde os sorrisos são descartáveis, sábios são aqueles que encontram fascínio no privilégio de ter por quem, com quem e para quem sorrir.

Há um mar inteiro ansioso pra receber o seu salto.
Feche os olhos.

Inclusive Pelo Jeito Que Você Pede a Pizza

Tem horas que eu gostaria de ver como eu sou por dentro. Sei lá, gostaria de ver como o meu organismo funciona, especialmente como funciona meu coração. Imagina que legal entender quando ele acelera, quando ele diminuiu a velocidade, quando ele aperta, quando dói, quando fica feliz, enfim, seria no mínimo interessante. Mas, como eu não posso fazer isso, eu prefiro obedecer tudo que ele pede para eu fazer. E é por isso que eu te ligo às vezes bem na hora do seu almoço só pra saber se você está comendo devagar como combinamos, ou melhor, pra saber se pelo menos você está comendo algo de verdade. Porque agora você colocou na cabeça que precisa de um regime e está nessa moda de comer pouco. Quero só ver quanto tempo isso vai durar.

É inevitável, quando a gente começa uma história, tudo o que queremos é viver os novos capítulos com esse alguém que passou de uma pessoa estranha pra uma pessoa especial na nossa vida, né? Eu quero fazer tudo com você! Mas como eu não posso, eu penso que faço tudo. Olha, se dependesse de mim eu passaria o dia trocando SMS’s com você só pra dividir todas as coisas que eu vejo e fico com vontade de te contar. Todas as coisas, das mais bobas tipo a vez que veio uma cliente no meu trabalho com um vestido exatamente igual àquele que você tanto quer, lembro que tentei tirar uma foto, mas não deu, até as coisas mais sérias, sei lá, não consigo pensar agora em nada sério, rs. Eu só lembro que esqueci de te contar dessa moça.

É engraçado, eu sei que não sou tão normal haha – é que eu acho bem doido às vezes – só que tem horas que eu tenho certeza que eu sou doido. É que eu me pego rindo sozinho quando releio suas mensagens e as pessoas ao redor não entendem nada e fazem cara de “Mas do que diabos ele está rindo?”, aí eu fico com vergonha e abaixo a visão pra parecer mais sério. Tem as vezes também que eu fico reparando em casais esmagados nos apertados bancos dos ônibus. É que eu lembro de como a gente fica. Eu fico meio que comparando como eles são e como a gente é, aí sabe quando você olha tanto pra um lugar que a visão dilata? Então, é péssimo, haha, porque eu não me dou conta que estou olhando assim até perceber que eles ficaram sem graça, mas o fato é que eu não estou ali, estou vendo a gente naquela situação.

O pensamento é uma ferramenta pra encurtar a saudade.

Tem as vezes também que estou na rua, indo pra um lugar qualquer, ouvindo música no modo aleatório e de repente toca alguma que você gosta muito. É claro que me vem à cabeça o jeito que você fica quando ouve essa música. Toda vez você inventa de querer dançar, e pior, inventa de me puxar pra dançar sem se lembrar que como dançarino eu sou um ótimo ouvinte de música.

Quando a gente vive uma história, a gente respira momentos.
Vou te falar que no tempo que a gente fica longe eu também penso em como vai ser se terminar um dia. Não é sempre, mas eu penso. De certa maneira é meio idiota, mas eu já fiquei muito triste por pensar na possibilidade da gente terminar um dia e eu não ter mais por perto a sua visão antes de dormir e nem poder mais presenciar a sua demora pra se arrumar. Aí me bate um desespero tão grande que eu me forço a pensar em outra coisa, no trabalho, no trânsito, enfim, procuro alguma maneira de pensar em algo melhor que a sua ausência.
Talvez eu justifique esses pensamentos pelas coisas que eu vivi antes de você. É, pensando bem, aí faz algum sentido. Porque eu já passei por uma coisas bem horríveis e não gosto de pensar em passar por tudo de novo. Mania involuntária de mexer no passado.

Tem horas que eu gostaria de ver como eu sou por dentro. Queria ver o que existe de tão especial em mim pra você ter dito “sim” quando eu te perguntei se gostaria de começar uma história. Lembra? É que eu não me acho bonito, então, devo ter algo bem especial dentro do meu corpo. As pessoas chama de “beleza interior”, né? Dever ser isso mesmo! Ou não, vai saber. Teve uma vez que a minha mãe disse que eu sou bonitinho e você concordou. Soltaria fogos de artifício naquele dia!
Brincadeiras à parte, acho que eu não queria ver como eu sou por dentro não, pois se eu soubesse como o meu coração é e como ele funciona, eu ia acabar prevendo como iam ser minhas reações diante de você. Tipo, você é maravilhosamente linda ajeitando a alça do sutiã e eu sempre acho muito bonitinho, então, se eu soubesse como sou por dentro, eu não sentiria o que eu sinto ao te ver em momentos como esse. E de previsível, a gente não precisa de nada nessa vida.

Gosto das minhas reações inéditas diante da cada atitude sua repetida.

O jeito que escova os dentes, que segura o celular, que amarra o cadarço, que pega a carteira, que anda de bicicleta, tudo é muito comum e repetitivo, só que toda vez eu vejo de um jeito diferente. Eu sempre vejo de um modo novo, de um ponto de vista inesperado. Gosto de perceber em cada ângulo em você, mesmo você furiosa e querendo sempre tirar foto do mesmo ângulo porque você diz que é “o seu melhor”. Boba. Eu nem ligo. Eu gosto mesmo é de você de qualquer jeito, seja de pijama descabelada, maquiada ou xingando a atendente da operadora de celular. Apesar que aquela ousadia naquele corte de cabelo não caiu muito bem, mãs, haha, brincadeira!

Pensando bem, melhor que saber como eu sou por dentro, é saber que eu tenho você aqui dentro.

Gostava Mais de Você Quando Não Te Conhecia

A gente poderia fazer de conta que nada aconteceu.
Eu poderia fingir que você nunca existiu e você poderia fingir que falou a verdade quando disse que gostava de mim. Sei lá, a gente poderia recomeçar do zero. Voltar lá pro primeiro momento que a gente se falou, aquele momento em que reparei no jeito que amarrava o cabelo e que você disse que eu ria engraçado. A gente se dava tão bem.

Ouvi falar que no começo é sempre assim: os dois românticos e tudo é lindo e perfeito. Eu só não contava que eu me sentiria assim pelo resto dos dias, diferente de você. Vou te falar que já torci para que você morresse, tamanha a injustiça que me tratou, quis te ver na pior só pra você sentir algo parecido com toda a dor que eu já senti por você, mas eu pensei melhor e concluí que isso seria fraqueza demais da minha parte. Entendi que não faria o menor sentido te desejar coisas ruins, porque o tempo que eu perderia fazendo isso eu ganharia desejando coisas boas à mim mesmo.

Só que ainda acho que a gente deveria fingir que nada aconteceu.
Aí eu voltaria para a fase da minha vida onde eu lia no horóscopo que tinha um amor pra chegar, e você voltaria para a sua fase dos beijos sem nomes e somas de pessoas que passaram pela sua vida mais rápido que uma brisa na madrugada. Sabe, aquela fase que você tanto gostava e se orgulhava de viver. É claro que você sabe.
Já pensei que tudo o que você conseguiu ser na minha vida foi um grande e caprichoso erro, que tudo o que você me fez de bom eu poderia ter vivido sem ninguém, que tudo o que você me fez de ruim, eu poderia ter evitado. Só que o erro estava em pensar assim. Nós simplesmente não conseguimos nos completar, não vemos da mesma maneira, que sei lá, víamos no começo. Ah o começo… aquele começo todo lindo, com um agradando o outro, até que as vontades e defeitos gritam e só continuam vivendo a história quem realmente valoriza.
Eu e a minha mania de valorizar o simples.

É preciso assumir a dor para que ela possa ir embora.

Acho que essa ideia de tentar te deletar da minha cabeça nada mais é que uma tentativa desesperada de matar toda essa saudade que eu sinto. É uma merda, porque eu não deveria sentir nada por você, muito menos saudade já que ao ouvir seu nome eu só lembro de tudo que chorei, mas eu não consigo, eu sinto saudade. Apesar que se eu parar pra pensar um pouco mais, essa saudade não é necessariamente sua, mas do teu jeito naqueles raros momentos em que a gente trocava uma risada ou nos estendíamos madrugada a dentro no telefone que já queimava nossas orelhas. Lembra?
Vou confessar que me pergunto se você pensa ou se pelo menos lembra dessas coisas, pois apesar de fazer pouco tempo que não estamos mais juntos, pela forma que aconteceu, tudo o que eu imagino sobre você é que todas as coisas que passamos não passam de passado. E olha, eu não nasci pra ser passado.
Por isso eu demoro tanto pra me envolver com alguém. Porque quando eu acredito na história, não admito que tenha data de vencimento. Eu só aceito viver coisas que podem contribuir para me fazer melhor, coisas com potencial de tornar eterna alguma parte da minha vida.

Mesmo assim, sério, mesmo assim, a gente poderia fingir que nada aconteceu. Que nunca nos conhecemos antes, que não sabemos onde o outro mora, que não sabemos que um gosta de refrigerante e outro de água, que um prefere a manteiga na pipoca e o outro no pão, que um prefere o cinema 3D e o outro o normal mesmo, que um ri de piadas na internet e o outro da TV, que um gosta de verde e o outro acha exagerado… É, pensando bem, não dá pra esquecer assim fácil quem eu conhecia tão bem.

A não ser que eu comece a pensar que na verdade eu nunca te conheci direito e que tudo o que vivemos foi um sonho.
E que acordar dói, é muito chato, mas é o melhor a se fazer.

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