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Continue Fazendo Sua Parte Que A Vida Faz A Dela

12 de Junho de 2012.

Antes de continuar lendo estas palavras, se possível, dê play na música que mais gosta. Se não possível for, apenas concentre-se nas novas palavras a seguir.

Te convido agora a congelar os próximos minutos da sua vida para refletir sobre o modo que tem lidado com você mesmo. Quero, se não for pedir muito, que pare e analise cada atitude sua ao longo desse último e exato 1 ano completado hoje. Repense tudo, seu trabalho, estudos, comportamento, família, amigos, relação com o mundo, com absolutamente tudo, reflita, não se preocupe com a velocidade, é importante que faça uma análise profunda dentro de você. Vou te dar um tempo para se adaptar e entender o mecanismo, ok?

Pronto, seu tempo acabou. Vamos lá.

Talvez após essa análise você tenha percebido o quanto chorou de um ano pra cá, talvez você tenha notado que ao que que parece, definitivamente a felicidade chegou para te fazer companhia sem passagem de volta, ou quem sabe, com sorte, você tenha reparado em alguns dos erros que cometeu nesse período. Ou talvez tenha chegado a conclusão de que aconteceu tudo isso nesse tempo todo.

Uma das coisas mais legais da vida é a forma como ela caprichosamente é imprevisível. Entenda comigo partindo princípio de que é impossível prever o amanhã. Se você não estiver conseguindo entender isso, concorde que está querendo demais. Não é você que espera a vida, ela que te espera. O caminho não vem até você, é você quem vai até ele.

Pense comigo sobre todo o sentimento que você chamou de saudade nesses últimos 12 meses. Aquelas cenas voltavam para a sua vida com se a pessoa ainda estivesse lá, os mesmos gostos, o som da risada, a ligação de boa noite, a mensagem de “oi”, a surpresa, a soma de vocês dois aí na sua cabeça, a dita perfeição, tudo era maravilhoso e isso tudo virou só saudade. Posso imaginar que houve vezes em que você se sentiu dentro da mais completa incapacidade de saber lidar com a saudade. E olha que interessante, nasce aqui uma analogia entre incapacidade e saudade. Vai ver você nem foi assim tão incapaz, mas você se sentiu assim, o que é muito pior. Isso pode ter acontecido por diversos fatores. Você pode ter se sentido frágil demais ao ver uma fotografia na internet daquela pessoa que não está mais em sua vida, por ter sentido aquele perfume de novo em qualquer lugar, por ter ouvido o nome, por passar perto de onde mora, por reler e-mails, por não apagar mensagens de texto, enfim, e aí você, em tese, se viu incapaz de saber falar qualquer palavra que fosse, pasme, qualquer palavra CAPAZ de influenciar em seus acontecimentos com essa pessoa. Parece confuso? Explico: Se o teu caso é esse, de certa maneira foi você que abriu mão do que tinha nas próprias mãos. Pior que perder é deixar perder.
E se não foi bem assim, na receita da vida a saudade é dos mais importantes ingredientes.

Ainda está comigo aqui em cada palavra? Mesmo que não esteja fazendo sentido para a sua vida até agora? Que bom, fico feliz! É importante saber de histórias que não está vivendo para que possa ter ideia de como é, para então, caso passe por isso, já saber, inicialmente, como lidar com os fatos.

Voltando lá para aquela análise a qual espero que você tenha feito – caso contrário, favor clicar no x vermelho no canto superior direito desta página -, talvez seu último ano tenha se resumido em tentativas em vão, desapontamentos, decepções – redundância, é nóis -, mágoas e tudo que envolver algo que não seja bom, tudo que for triste. Aí você para pra pensar nas vezes em que repetiu “De novo comigo? Por quê só comigo? Será que eu sou tão ruim assim? Está todo mundo por aí tendo uma história legal e eu só encontro gente que não presta, ou gente que só quer se aproveitar de mim, que saco!” Não precisa ser essas palavras, mas com essas ideias, consegue lembrar de quantas vezes se repetiu isso? Imagino. Sabe o que acontece? Eu não sei, mas será que você não se cobra demais! A sua ansiedade em viver algo igual nos seriados americanos é tão grande que acaba te atrapalhando de viver um simples capítulo, imagina então uma série toda. Claro, vou ser justo, existe mesmo muita gente fdp nesse mundo, que brinca com o que as pessoas sentem, que são desonestas e que também são ótimas na arte de interpretar o que parece ser. Tipo, “é claro que eu gosto de você!” e no fim essa afirmação cair por terra sem ter 1% de verdade.
Olha, não há motivo para tristeza! Ainda não deu certo, mas isso é só uma questão de “ainda”, e não de “pra sempre”, sabe? Entendo que rola aquele lance “poxa, mas eu quero sair de mão dada na rua, quero comprar aliança, quero fazer planos, viagens, quero comprar presentes, quero mudar status do facebook” e etc, faz todo sentido pensar assim e aliás é muito bonito! Só que nem todas as pessoas pensam igual. Tem gente que só quer o mais que famoso ~um lance~. E é uma merda, né? Quando a gente já se vê envolvido na história e de uma hora pra outra o ouvido é obrigado a receber o tal do “desculpa, não rola mais!” ou coisa que o valha. Veja bem, isso é normal. A tua dor não é a pior de todas, tua solidão, tua ansiedade, tua vontade, desejo, enfim, tua vida nunca é a pior. Entenda que é só uma fase, independente de quanto tempo esteja durando, é só uma fase, tipo aquela regra de redação que aprendemos na escolha com “começo, meio e fim”. Se pintar um lance, vive esse danado! Esse mesmo lance pode se transformar, lembra ali em cima da parte da vida ser imprevisível? Então!

E  você?
E você que esperou tanto pelo dia de hoje? E você que vai comemorar pela primeira vez? Ou pela segunda? Ou vigésima, que seja! O exercício também se aplica a você aí. Reflita sobre como tem lidado com essa história toda. Esse é um ótimo momento para colocar as coisas no lugar. Sem a outra pessoa saber, tem que ser por você, sabe? Você precisa ser uma pessoa boa para merecer uma pessoa boa. Como tem sido a sua relação? É tão perfeita que realmente não há o que melhorar? Sempre há. É tão ruim que não dê para reverter? Sempre dá. Só que ninguém vai bater na sua porta e dizer: “Oi, vim inspecionar a sua relação e fazer um check-up”, entende? É você que tem que fazer alguma coisa pra melhorar ainda mais, ou pra resolver qualquer crise. Você tem que acreditar no teu sentimento, em como se doa à essa pessoa, em como está te fazendo bem viver algo legal ao lado dela, você trilha o teu destino.

Ninguém é isento do julgamento de um coração vivo.

Ainda estão aqui comigo nisso tudo? Conseguiram pensar um pouco? A proposta aqui é levar vocês até o céu sem saírem do lugar. Lá no alto, no mesmo céu azul que eventualmente se escurece e fica o mais assustador possível, mas não deixando de ser céu. O coração é tipo o céu. Só que não. Sério agora, rs, o coração é um céu vermelho e o céu é um coração azul. Independentes e controladores, o coração manda em você e o céu manda em todo o resto. Um tem que ser aliado do outro, e perceba, você pode transitar nos dois mundos, isso é especial!

A saudade, a dor e o amor é o que te mantém aí com vida. Esses, e outros, sentimentos precisam ser vividos, de certa maneira todos precisam de atenção pois cada um deles exerce papel preponderante nos seus dias.
Não esquece.

Para os casais, Feliz Dia Dos Namorados! E espero que façam o dia de hoje ser diferente! E que esse pensamento permaneça no dia 13, 14, 15, etc, todos os dias!
Para os ainda não casais, Feliz 12 de Junho, estejam prontos para a vida celebrando todos os dias!

Sabe aquilo lá do melhor?
Então, ele está por vir, está chegando!
Cada coisa a seu tempo!

Um Travesseiro Para Dois <3
Com amor,
Márcio.

Nosso Banho Na Hidro Fica Pra Próxima

Ah que preguiça que dá.
Tem dias que acordo sem forças até pra escovar os dentes. Por mim eu ficaria na cama com você, zapeando a TV, sem qualquer preocupação.
Hoje é um dia desses.
Você lembra a hora que dormimos? Porque eu não lembro!
Eu só lembro que delicadamente tentei te seduzir na intenção de fazermos uma coisinha legal e tal sabe, aí lembro também que consegui um “chega pra lá” seu. Você com sono fica muito irritada. Esqueci disso e lembrei que preciso revisar meus métodos.

Vamos ficar por aqui mesmo, enrolar um pouco mais, depois a gente toma um banho juntos e tomamos o café. A gente se basta.
Só que eu te conheço, sabia que você ia querer levantar pra escovar os dentes e ver o cabelo. Coisas de mulher. E que visão privilegiada é a minha ao te ver saindo da cama. Coloca os pés pra fora e busca o chinelo, não encontra, se ajoelha no chão, coloca um pouco de cabelo atrás da orelha para facilitar a visão e procura embaixo da cama.

“Que droga, cadê o chinelo?”
“Ali amor, na ponta da cama!” te aponto.

Levanta, calça e caminha até o banheiro. De roupas íntimas. Vejo teu corpo e analiso cada parte enquanto você faz uma pausa em frente ao espelho. Teu corpo não é daqueles das capas de revista, mas isso nem me importa, até porque aqueles corpos não são reais, o seu é, do teu jeito, cada centímetro ali é seu e eu gosto de cada um deles.

Aí você vai ao banheiro e mexe em mil coisas. Não sei de onde tira tanta disposição, prefiro ficar aqui olhando o teto, nem quero abrir a persiana. Olho o relógio até a visão ficar turva e viajo na noite que tivemos e nos dias que temos tido até aqui. Todos tão nossos e tão especiais.

“Pronto, me sinto melhor!” você diz.

Vem você do banheiro fazendo um rabo de cavalo no cabelo, reclamando com o surgimento de uma nova espinha e dizendo que é melhor eu me levantar.

“Ahh xiu e vem aqui, vai!” te puxo pra cima de mim ainda na cama. E por alguns segundos meu cérebro estaciona na minha visão do teu rosto. Faço círculos nas suas bochechas e acaricio cada célula.
Faz parte de você ser toda resistente, mas acaba cedendo e cai sobre o meu corpo, repousando a cabeça sobre o meu peito após um rápido selinho.

“O que você está achando de tudo isso?” me pergunta.
“Como assim de tudo isso?”
“De tudo isso sabe, da gente, de como estamos lidando com a nossa história”.

Engulo a seco sem entender muito bem o por quê da pergunta, respiro e respondo:

“Eu estou achando tudo nosso…”
“Como assim, NOSSO?” pergunta se levantando do meu peito e apoiando o queixo sobre ele pra me olhar nos olhos.

Coloco as duas palmas das minhas mãos atrás da minha cabeça e explico:

“Eu poderia dizer que tudo é perfeito entre a gente, mas seria a maior bobagem dita. Não há perfeição, a gente tem um jeito nosso de lidar com nós mesmos. Parece confuso, né? Mas deixa eu terminar. Você tem o teu jeito, teu temperamento e eu tenho meu. Por exemplo, você gosta de acordar e já ir ao banheiro, já eu, por mim nem escovaria os dentes hoje. É tipo isso, o jeito que cada um de nós somos completa o que nos falta. E a gente vai vivendo assim, brigando alumas vezes, rindo outras, nos amando em algumas outras. Até que somos um casal equilibrado, sabe?” Concluo já fazendo carinho no seu cabelo.

Você não diz uma palavra, se aproxima do meu rosto e me brinda com um beijo oficial de bom dia.

“Mas por quê você me perguntou disso?” pergunto curioso.

“É que eu queria saber se a gente ainda pensa igual” responde misteriosa.
“E e que sabe agora?”
“Que pensamos cada vez mais igual” e me silencia com um novo beijo acariciando meu rosto.

11:45! 11:45! 11:45! 11:45! 11:45! 11:45! 11:45!

MEU DEUS DO CÉU, PERDEMOS A HORA! Temos que sair do quarto, nosso pernoite acabava as 11h! Falei pra você se levantar, poxa!
Então nos levantamos na velocidade da luz, rindo um do outro!

“Poxa, é tão legal fingirmos que é nossa casa!” eu falo, você ri de mim e diz:
“Bobo, sei que é, também gosto muito, mas vai ser melhor ainda quando tivermos a nossa casa de verdade e não só um quarto alugado! Agora seja rápido!”

Mandona, esse é teu jeito.

Quanto mais aprendo a lidar com você, menos aprendo a lidar com horários de Motel.

Não Tenho O Direito De Reclamar

Sinceramente eu não esperava que isso poderia acontecer. A gente diz que sim, mas no fundo nunca consideramos efetivamente todas as consequências que algumas atitudes nossas podem trazer.
Eu nunca imaginei que seria fácil pra você, acontece que eu não ia conseguir viver fingindo que eu estava bem, eu sempre preferir ser sincero e não foi diferente na última vez. A minha maior certeza era que não estava mais dando pra gente continuar. Sei lá, não sei explicar direito, eu não estava conseguindo ser a pessoa que você esperava, eu queria viver outras coisas, que saco, não sei explicar.

Eu não só esperava que isso aconteceria.
Só não esperava te ver com outra pessoa.

Dei fim a nossa história acreditando que seria o melhor pra nós, especialmente pra mim, e claro que considerei que você ficaria mal, eu só não esperava que você fosse se recuperar tão rapidamente. Hoje te vejo feliz como nunca vi antes, vejo suas postagens na internet, vejo as declarações, vejo tudo, vejo como você realmente parece ter encontrado uma pessoa maravilhosa na sua vida…

… enquanto eu estou aqui cansado de viver uma mentira.

Eu me arrependi.
Sei que obedeci meu coração dizer pra terminar, mas tudo que eu queria agora era poder voltar atrás e desfazer esse erro. Poxa, eu queria tanto refazer nossos planos, continuar nossos sonhos, voltar a ir ao cinema e dar a risada que a só a gente dá, ir aos restaurantes que a gente tanto gosta, sei lá, eu queria você de volta. É isso.

Na certeza de estar fazendo a escolha certa eu fiz a pior delas.

E o pior de tudo é não poder voltar atrás. Não é nem questão de refazer alguma coisa, mas não faz sentido eu te procurar agora e dizer: “olha, eu errei, volta?” ou algo do tipo. Não faz sentido eu aparecer na sua vida como uma ferida não cicatrizada, não faz sentido eu atrapalhar a sua visível felicidade, e justamente eu, que tanto torci e torço para que você seja feliz. Então eu fico aqui de longe só te observando. Fico imaginando que agora outra pessoa tem o teu abraço antes de dormir e a ligação preocupada no celular de “já almoçou? está comendo direito?”. Me tortura pensar que você compartilha o teu edredom com outra pessoa. Imagino se ainda faz aquelas mesmas piadas, aquelas que eu gosto tanto e morria de rir. E essa dor só piora quando o sinto o seu perfume-saudade quando ando por aí.

O arrependimento é um vírus que desintegra qualquer coração.

Mas também que droga, você nunca me falou que gostava tanto de mim, sei lá, você nunca me provou.

Ou fui eu que nunca me toquei.

Eu  já não sei mais de nada.
Por um lado, foi importante acontecer isso com a gente. Primeiro porque eu me sentia sufocado e como eu disse, precisava ouvir meu coração, segundo que talvez eu tenha aprendido uma das lições mais importantes da minha vida: dar valor enquanto tenho comigo, porque depois que se vai, dificilmente volta.

Pior é saber que não foi você que partiu, foi eu que te deixei.

Continuo querendo que você seja feliz, que de repente essa pessoa que está com você realmente esteja te fazendo bem como vocês tem mostrado por aí. E olha que eu nem quero lembrar da vez que vi vocês dois na fila do cinema… Saí praticamente correndo pra não ser visto e pra não presenciar aquilo. Vocês estavam felizes, você parecia dar o maior dos carinhos e o pior, pra mim, era visivelmente recíproco. Era uma cena feliz de um casal mais feliz ainda. Eu fico relembrando e sofro ainda mais, que droga!

O problema é que agora não consigo me imaginar com outra pessoa que não seja você. Não consigo imaginar que vou achar graça de brincadeiras novas, que alguém vai me atrair, qualquer coisa, eu não consigo me imaginar fazendo nada que não seja com você, e a pior parte disso é saber que, de um jeito ou de outro, vou ter que aprender a conviver com essa verdade. É, não tenho o direito de reclamar se fui eu que quis assim.

Todas as pessoas para quem contei essa história me disseram que a dor do arrependimento uma hora passa, mas acho que talvez tenham se esquecido de me avisar que não seria rápido.

O Problema É Você E Não Eu

Na verdade é bem isso mesmo e não ao contrário. Não que eu você tenha alguma obrigação de se comportar de alguma maneira específica e imutável, longe disso, a gente pode mudar sempre, todos os dias, contanto que toda e qualquer mudança não afete outra pessoa, pois a partir do momento que você começa a compartilhar uma história com ela as consequências já não são só suas, são dos dois. Pelo menos seria justo se fosse assim, apesar de eu saber que não é.

E veja bem, não estou dizendo que eu gostaria de prever o futuro ou que eu gostaria que as coisas fossem como eu bem entendesse, aqui estou falando sobre justiça, em como tem horas que a gente se vê numa tristeza tão grande que parece que ao invés de sairmos do poço, estamos entrando ainda mais. Aquelas vezes que a gente se pergunta: “Mas o que diabos aconteceu agora pra tudo dar errado de novo?” Falo da situação de quando você se vê vivendo uma história normal, com todos os altos e baixos, repito, normal, mas que de repente é surpreendido por uma decisão feita por outra pessoa e que vai influenciar complemente o decorrer dos próximos dias, semanas, meses, eventualmente, anos.
É isso que você está fazendo. Você não lembrou como eu me sentiria ao agir de maneira que resolvesse como você estava se sentindo.

Eu já nem falo mais de sentimento, daquela história de se colocar no lugar do outro. Eu só estou naquela fase de insistir em querer entender sabendo que isso nunca vai acontecer.
Foi você quem mudou e não eu.
Foi você que parece estar de saco cheio de mim e da gente. E só eu sei como me senti quando te vi me olhando como se dissesse: “estou com dó de você, mas vai ter que ser assim”. É… Pior que não existir mais nada é a forma que essa nada começa a existir. Nesses momentos que eu falo de justiça que é quando me pergunto se eu merecia passar por isso. De novo. Acabo pensando que se existe vida anterior, olha, devo ter feito muita coisa de errado pra merecer tanta coisa ruim na minha vida quando o assunto é essa merda de amor.

Outra vez, não é muita novidade, fui vítima da sinceridade cruel e certeira.

Até aqui eu lamento o jeito que as coisas terminaram. Me conforta, no entanto, saber que a culpa disso tudo não foi minha, pois eu tinha planos reais de coisas para fazermos nos próximos meses, e devo te falar, você não faz ideia de todas as coisas que eu planejava.

Eu nunca sofri pra sonhar.
Muito menos nos sonhos em que eu incluía você.

É que eu sou daquelas pessoas que, pelo menos, faz a própria parte para que a vida seja recheada de momentos eternos. Muito embora, é bem verdade, quase sempre essa dedicação toda não dar muito certo, vez ou outra me pego pensando nas coisas que eu quero viver, aí extermino essa tristeza com a arma da ansiedade pela felicidade.

Bem que você poderia me dizer desde quando começou a pensar dessa maneira, né? Sei lá, desde quando começou a me ver como um problema e não mais um prazer em sua vida. Seria a pior coisa a se ouvir, mas por incrível que pareça eu ia ficar mais feliz em ouvir qualquer coisa além de “desculpe, estou em outra fase”. É claro que está em outra fase, foi você que mudou, você que rasgou tudo, você que não deu a mínima para mim, pra gente e muito menos para o que você sente.

Eu sinceramente, por tudo que mais dou valor nesse mundo, espero que não se arrependa do que está prestes a fazer. Respeito e respeito muito tudo isso que está acontecendo, porque olha, não é a primeira vez que sofro com isso, mas meu sofrimento costuma durar no máximo 24 horas, depois que passa, tudo que eu menos quero é ouvir o nome da pessoa que me fez ficar assim. E o teu nome já entrou pra essa lista.
Eu não sinto raiva, nem decepção, neste momento eu só penso na justiça, ou na injustiça.

Já parou pra pensar se isso é mesmo justo?
Em outra fase eu juro que tentaria te convencer que podemos acertar tudo se mantivermos a calma aliada a tudo de mais bonito que sentimos um pelo outro, mas, infelizmente, dessa vez, o problema é você e não eu.

Caso se arrependa de tudo isso, sabe bem onde me procurar, só não espere me encontrar.

Pode Parecer Estranho Mas A Gente Gosta Assim

E em dias como esse quando o almoço demora mais tempo pra terminar é quando eu tenho certeza que quero viver isso mais vezes.
A gente senta pra comer, vez ou outra te ofereço uma garfada de algo que você gosta ou tento te convencer a experimentar algo que tem preconceito de sequer saber se é bom. Esse é teu jeito.
A gente costuma almoçar fora e sempre ficamos mais de que o normal olhando o cardápio decidindo o que vamos pedir. Tem dias que a gente arrisca alguma coisa nova, outros eu pergunto uma sugestão pro garçom, outros você pede “o de sempre”.

E enquanto a gente espera a comida chegar começamos a comentar sobre as coisas mais rasas da vida. Quando temos sorte em ter como vizinhos de mesa algumas crianças ou bebês, quase que é lei a gente comentar “nosso filho será desse jeito, olha só” e começamos então a debater sobre os nomes que eles terão, mesmo termos decidido já meses atrás.
Aí a gente encerra essa história e nos damos as mãos sobre a mesa. Geralmente você me avisa que sujei meu braço em restos de comida assim como eu nunca te viso quando restos de verduras insistem em ficar nos seus dentes. A gente se entende.

Depois de comermos de forma absolutamente satisfatória nasce um dos mais delicados debates: “o que vamos pedir para a sobremesa?”. Normalmente, nossos olhos são maiores que a nossa barriga. Eu sou fã daquelas mega taças de sorvete, já você prefere algum doce com frutas e não sei o quê. Em geral decidimos de forma adulta e como pessoas civilizadas que somos: no par ou ímpar. Tudo porque a gente gosta de dividir a mesma tigela, assim como dividimos todos os acontecimentos da nossa vida.
Após escolhermos a sobremesa, pedimos ao garçom, que a essa altura já o chamamos pelo nome tamanho o nosso imediatismo no entrosamento, ou em palavras, tamanho o saco que a gente enche do profissional.
Comemos e finalmente decidimos ir embora, pagamos a conta e aliás acho financeiramente lindo o fato de você querer dividir comigo, afinal, temos que ter dinheiro para passarmos na locadora ao fim do dia, e lá, a gente sabe, lá se vai mais algum dinheiro com filmes e uma dúzia de guloseimas. De jeito nenhum gostamos de comer.

Desde que entendi o jeito que a gente conduz a nossa história eu parei de procurar resposta pra 90% das coisas que acontecem na minha vida. É que eu entendi que as coisas são naturais, cada pessoa interpreta a mesma coisa de uma maneira diferente, cada pessoa tem uma felicidade ímpar e exclusiva de si mesmo. E aí que você aceitou ficar ao meu lado pra compartilhar os próximos momentos da minha vida, então, abri mão de qualquer tese pra começar a viver os dias de sol, chuva, frio e calor do jeito que a gente bem entender.

Nossa história é escrita assim, repleta de situações que aos olhos de quem vê pode parecer estranho e imaturo, mas que pra gente é uma forma nossa e muito íntima de lidarmos um com ou outro e com o que estamos construindo dia após dia. Já passamos da fase de explicar para as pessoas porque somos assim, porque às vezes discutimos se voltaremos pra casa de ônibus ou metrô ao invés de discutirmos por algo relativamente mais sério, é que o nosso conceito de discussão é tão nosso que o que para as pessoas parece uma briga, para nós é um processo de conclusão.

Do contrário de não nos entendermos tão rapidamente em assuntos sérios a nível de “quem é melhor? sorvete ou manga?” não dura mais que um piscar de olhos o jeito que a gente entende um ao outro em todos outros assuntos efetivamente sérios.

E aliás, vez ou outra a gente escolhe sorvete de manga.

Não É Você E Eu, Somos Nós Dois

Há quem diga que exagero demais no meu jeito de ser. Não sei essas pessoas, mas eu prefiro errar pelo excesso do que pela falta. Acredito não ter nascido nesse mundo pra ser meio porcento, comigo ou as coisas são intensas ou não chegam nem a ser coisas.
Tem dias que questiono o meu comportamento com você. Sei lá, fico pensando se eu realmente deveria ter mandado tal mensagem, se eu deveria ter feito aquela surpresa te acordando com uma ligação simples numa segunda-feira clássica de mau humor no mundo. E claro, com o teu mau humor também. Aí eu paro pra pensar e concluo que na verdade eu quero que se dane o que as pessoas pensam sobre o meu modo de agir, na verdade, eu quero que se dane qualquer pessoa que questione o meu modo de agir para o bem. Aceito críticas, mas recuso subestimação de sentimentos. Cada um gosta e demonstra de um jeito diferente.

Desde o meu primeiro amor de colégio que eu me comporto do mesmo jeito e isso nunca me fez mal. Em todas as relações que eu tive até aqui eu me comportei da mesma maneira: fazendo com que o HOJE se torne PRA SEMPRE. E não é diferente depois que te conheci, sabe.

As relações que temos durante a vida servem para nos completar, para nos mostrar que existem pessoas infinitamente diferentes umas da outras, que elas tem milhões de defeitos e também milhões de qualidade, mas que sobretudo, podemos aprender muito com todas elas. Sempre aprendi alguma lição enquanto me desdobrava em lágrima em algum momento da vida, especialmente se essa lágrima era causada por alguém. Chega uma hora que a gente não vê mais as coisas ruins como tão ruins assim, a gente não vê mais como “porque comigo?” e sim como “bom, vamos lá, tinha que ser comigo!”.
Tudo que eu sou hoje pra você e por nós é resultado de tudo que eu vivi lá atrás e eu posso te garantir uma coisa, ainda não fui nem 10% do que eu quero ser pra você desde que ouvi o teu “aceito”.

Por isso eu celebro todas as noites e agradeço a  Deus, a todas forças do bem e ao destino por ter te colocado no meu caminho. Você só me mostra o quanto eu posso ser melhor, o quanto estou longe do que acho que sou, o quanto sou alguém que posso me surpreender. E você não me diz isso, você me prova.
Sinto isso quando você me retorna a ligação dizendo “Olha, a gente não merece isso, vamos parar de brigar?” e toda a minha pose cheia de razão cai por terra diante da atitude mais linda e sincera que eu poderia prever.

Se eu falar que eu te conheço bem eu estarei mentindo. Ainda não sei direito quem você é, e gosto desse mistério, de certo modo, até me excita, pois de óbvio e previsível já basta as novelas da TV. Gosto de te conhecer um pouquinho a cada dia, de saber que você tem instabilidade de vontade, que ora quer comer hot-dog e no minuto seguinte quer lasanha, que deseja muito viajar para fora do país como também deseja passar uma temporada em Campos do Jordão. A sua pluralidade de sonhos me encanta.

E eu quero estar ao seu lado até que não reste mais motivos. A gente não precisa firmar contrato, não precisamos fazer mil promessas embasadas no “quem sabe” ou precisaremos de qualquer prova de que “ficaremos juntos para sempre”, a gente só precisa um do outro, assim, do nosso jeito.
Pra quem vê de fora pode parecer que estou falando da perfeição em um relacionamento.  Mas não, não é. Talvez eu esteja aqui fazendo um testemunho de como é mais interessante respeitar o jeito da outra pessoa do que julgá-lo. Não acho inteligente perder tempo debatendo o jeito que alguém é ou deixa de ser se todo esse tempo pode ser aproveitado por algo que traga muito mais prazer.

Pode não fazer muito sentido e parecer meio vazio demais toda essa conversa, mas essas e outras coisas eu aprendi com você, esses e outros pontos de vista eu desenvolvi depois que a minha mão encontrou companhia na sua, depois que o meu coração se sentiu seguro ao encontrar o seu. E isso é só o começo.
A gente começou uma história que é impossível prevermos um fim.
Antes de sentir medo de como será quando terminarmos, talvez faça mais sentido eu tentar acabar com o medo de parque de diversões, aquele que você tanto gosta.

Como tem sido e como vai ser até que o nosso “pra sempre” dure, eu só quero aprender com você.

Não Me Resta Mais Nada A Não Ser Aceitar

Já faz tanto tempo e eu ainda me vejo aqui refém dos teus caprichos e do teu modo de me (des)tratar. Como é de se imaginar, isso não tem me feito nada bem. É estranho porque parece, ou melhor, de fato é, que estou travando uma batalha contra mim mesmo, me esforçando todos os dias pra te apagar de uma vez por todas da minha cabeça. Mas eu não tenho vencido essa guerra. Eu não enxergo mais um lugar onde encontrar força.

E só piora o fato de eu ter uma mania de ficar imaginando o que será que você está fazendo. Ás vezes bate uma vontade de te ligar pra te ouvir rindo sobre qualquer assunto que conversarmos, aí eu penso que vou te atrapalhar, que provavelmente você estará se arrumando pra alguma balada, sei lá. Eu não consigo parar de te levar comigo por todos os lugares que eu passo. Nos meus momentos de felicidade eu penso como seria legal ter a sua presença pra compartilhar comigo, nos momentos de tristeza eu penso como eu gostaria que você fosse a primeira pessoa a saber de tudo.

Eu te vejo comigo, mesmo você nem lembrando que eu existo.

Eu juro, por tudo que é mais sagrado, que eu queria te apagar da minha cabeça. Eu queria fugir, queria me mudar de país, queria ir pra um lugar onde eu não conhecesse ninguém justamente pra conhecer novas pessoas e formas de pensar. Eu queria muito aumentar a nossa distância física na esperança de conseguir alguma distância sentimental.

Como eu queria me tornar livre da sua lembrança.

Já até imaginei a morte como única alternativa para acabar com esse sofrimento que você me causa, ou melhor, que eu me causo por você. Porque a minha maior raiva é que o problema não é você, sou eu, Você tem vivido sua vida normalmente desde que a histórica acabou, e com uma intensidade nunca antes vista, e eu? Ah eu, eu tenho vivido a minha como se esperasse a hora da gente continuar a viver a nossa história de novo.

Todas aquelas minhas risadas e coisas engraçadas que me vê postando na internet não passa de defesas. Não quero que tenha certeza das minhas fraquezas, então eu me refugio em situações e comportamentos para que sirvam de alívio pra mim. É uma loucura tentar explicar algo que nem eu consigo entender.

Eu realmente já desejei a nossa volta como se fosse a última coisa que eu pudesse desejar nessa vida. Só que hoje, nas circunstâncias que me encontro, não acho que seria  a melhor coisa pra gente, especialmente pra mim. Eu já não sei se você me faz mais bem do que mal, não sei até que ponto vale alimentar esse sentimento meu pelas migalhas que você me doa algumas vezes. Cansei de parecer atingir a maior felicidade da vida ao ter uma SMS minha respondida por você, cansei de achar que os dias realmente são melhores e até mudam de cor quando a gente se fala pelo telefone, independente do assunto. Não aguento mais forçar situações da vida com o exclusivo motivo de te surpreender acreditando que isso te daria felicidade.

Enfim,
Talvez eu esteja desistindo de ser quem um dia era feliz só por te ver feliz.

Especialmente Quando Perde Suas Meias

Hoje pensei que o dia não ia acabar mais.
É que com esse frio todo parece que os fins de semana ficam cada vez mais distantes. E  são nos fins de semana que a gente se vê.
Por mim eu ficaria o dia todo durante a semana trocando SMS com você. Sei lá, te ligaria todo horário de almoço no trabalho, mandaria e-mails, não sei, eu faria qualquer coisa pra te manter o mais perto de mim durante o dia todos os dias. No entanto eu sei que essa  distância é importante, e mais que isso, é saudável pra gente.
Do contrário de algumas pessoas que pensam “é bom ficar longe pra sentir saudade”, eu prefiro ver de maneira que a distância é boa pra gente ter tempo de focar nas nossas coisas particulares, sabe? É que não consigo me concentrar em mais nada quando a gente se encontra… Daí a semana serve para gente colocar no lugar todas aquelas coisas dessa vida tão atribulada.

Mas se não posso te ver como eu gostaria, invento maneiras de ficar perto de você sem que você saiba.

Geralmente releio a mensagem de “dorme bem” do domingo passado, releio e-mails com promoções de viagens que você viu e pensou em a gente comprar, revejo algumas das fotos que a gente tira no fim de semana, enfim, é um jeitinho meu de te levar comigo durante a semana.
E é claro que nós temos total liberdade para tentarmos nos encontrar no meio da semana – até já aconteceu algumas vezes – numa terça-feira qualquer, eu sempre vou achar maravilhoso, mas eu sei que a gente precisa se respeitar e precisamos dar espaço um ao outro.

Não posso querer que as coisas sejam da minha maneira, elas são do jeito que devem ser.

Às vezes me bate uma vontade tão grande de te ligar logo quando eu acordo ou durante o caminho até o trabalho, aí eu paro, respiro e largo a ideia. A última coisa que eu quero que sinta de mim é que estou sendo algum tipo de grude pra você, de jeito nenhum! É que eu sou assim, gosto de ficar perto sempre, não enjoo da tua presença e de te ouvir falar qualquer coisa. Tem horas no dia que eu me pego rindo de alguma piada boba que disse no sábado ou rindo do teu jeito eventualmente irritada de amarrar os cabelos ou de quando lindamente se irrita mais ainda quando perde as meias durante a noite. Aliás, outras horas, lembro da gente dormindo e de como parecemos um só depois que o sono chega. A gente se gruda de conchinha e eu coloco minha perna sobre as suas duas como se eu dissesse: “Estou te protegendo, nem o frio vai chegar perto de você”, aí eu também te coloco o braço por cima do corpo até chegar na sua mão que é quando as nossas duas se entrelaçam e não se soltam mais em nenhum momento. Ok, exceto quando você de propósito sem querer me quase derruba da cama.

As noites de frio não fazem tão frio assim quando a gente dorme juntos.

São coisas como essas que eu me pego lembrando pra tentar ficar perto de você.
Mas bem que o frio poderia ser o bastante para congelar o tempo dos nossos fins de semana.
Eu ia adorar.

É só isso então, sabe.
É uma pontinha de saudade, aliada a muito respeito e cumplicidade ao momento particular que devemos ter. É que é inevitável, você me conhece, acabo lembrando da gente e fico assim desse jeito.
Do jeito que só você me faz ficar.
De um jeito que eu gosto de ficar porque é por você.

E que amanhã passe bem rápido.

Não Tenho Mais Tempo Para O Que Não Presta

A gente cansa de tudo: do mesmo trabalho, da rotina, dos estudos, das mesmas pessoas, putz, de muitas coisas. Agora o cansaço voltou pra mim de novo, mas é um cansaço novo: Me cansei das coisas ruins.
Eu sei que a gente só aprende na dor e tal, conheço esse discurso de trás pra frente, mas o que eu não quero mais é me ver viciado nesse treco de dor, sabe? Por isso eu vou me afastar.

Vou começar a determinar o fim das coisas, cansei que determinem por mim.

É que a gente se entrega, eu sei.
E aí quando nos vemos envolvidos já não dá mais tempo de voltar pela mesma ponte. Então tudo bem, vou começar a procurar outras pontes.
Posso começar a mudar as coisas parando de pedir para que o destino me traga felicidade. Tenho aquela mania de esperar a felicidade do meu jeito, de acordo com o que eu vivo nas noites em que sonho ou com que vejo em outras vidas por aí. Mania errada.
Ao invés de pedir realizações em minhas orações, talvez seja interessante eu pedir sabedoria. Sabedoria pra poder enfrentar tudo que a vida me trouxer. Não posso exatamente escrever como eu quero, mas eu sou protagonista do meu destino! Posso tentar influenciar as coisas pra acontecerem da melhor maneira ao invés de querer que aconteçam da minha maneira.

Não dá pra se planejar um sonho. Dá pra sonhar só. Sonhar, só. Sonhar só.

Tem muita gente na nossa vida com vontade de ver a gente cair do abismo. Tem gente que sente inveja do pouco que temos, e quando não é do que temos, é pior, é de quem somos. Não posso acreditar num mundo onde existe alguém que sinta inveja do jeito que um ser humano é, como se esse mesmo ser humano fosse melhor que alguém. Penso que a magia está em valorizar e enaltecer o que de diferente as pessoas tem. Se fulano é mais engraçado que você, ótimo, parabéns pra ele, talvez você seja mais charmoso que ele, sabe? Ninguém é completo.

E eu sei que tem horas na vida que a gente acha que nos tornamos completos. Aquelas horas quando aparece alguém. Os gostos parecidos, as formas de ver algumas coisas, tudo nos faz acreditar que encontramos a peça que faltava no quebra-cabeça da nossa vida. Aí o tempo passa, dias de chuva e sol se vão e a gente vê que não era exatamente assim. Que essa pessoa que a gente achou que nos completava outrora, na verdade apareceu para compor a nossa história. Tem gente que funciona como carga da nossa caneta enquanto escrevemos a nossa história. Aparecem para nos ajudar a continuar, mas não para chegar até o fim. E isso é tão normal, embora achemos inadmissível quando estamos vivendo esse momento.

Eu cansei de dar chance pra dor.
Cansei de me viciar em “Se”, em “porquês”, em “talvez”, vivendo como se essas dúvidas ou indagações fossem preponderantes para eu acordar no dia seguinte. Se o telefone não tocar essa noite, amanhã eu vou acordar da mesma maneira. Esse vício é que nos mata. Às vezes nos vemos viciados em não querer sair do lugar, viciados em “deixar como está”, em “a vida dá um jeito”. Nenhum vício presta, nem o vício à si mesmo.
Por isso eu larguei tudo e todos que me fazem algum tipo de mal. Isso não significa que não vou mais sofrer, que estou tipo blindado pra dor, pelo contrário, mas significa que farei tudo que estiver ao meu alcance para não dar oportunidades para que façam mal a mim e as pessoas que eu gosto. Se a vida der uma brecha que algo de ruim está para acontecer, vou encontrar uma maneira de tampar essa brecha.

A tentativa é a maior ameaça da covardia.

E essa vida é muito promissora pra gente se entregar a covardia. O mundo é infinito e não vale a pena a gente ficar se preocupando com gente que não retorna nossas ligações, com a falta de resposta na internet, com a falta de consideração, que se dane tudo! Sempre temos algo melhor para dar atenção do que para tudo aquilo que sabemos que não presta. Você sabe exatamente do que gosta e do que não gosta, só precisa lembrar de dar mais valor ao que gosta. Das coisas às pessoas.
Especialmente as pessoas.

Em nenhum momento eu disse que vai ser fácil.
Em nenhum momento eu disse que você não é capaz.
Você, eu, nós.

Meu Final Feliz Não Inclui Você

É, seria fácil eu ficar aqui falando de como eu sofri depois que tudo acabou. Todos os detalhes renderiam um excelente roteiro para um filme de dor, mas acho que se você não merece mais minha atenção, quanto menos a minha lembrança, ainda mais se forem lembranças de tudo de ruim que me fez passar. Por isso, talvez seja interessante eu pensar em todo o bem que me fez e faz.

Você não faz ideia do bem que me fez ao sair da minha vida.

Eu estava de saco cheio de tanta briga e em praticamente todas elas eu ter que quase me humilhar pra você me desculpar, ter que fazer promessas rasas sobre as situações mais ridículas, tipo: “ok, ok, não vou mais comentar na foto de ninguém na internet” ou algo assim. Parando pra pensar agora, é impressionante como você se importava com cada lixo de coisa, como você perdia tempo sentindo ciúmes idiota com umas coisas que nunca fizeram o menor sentido pra mim e também não deveriam fazer pra você. Também não estou dizendo que você não poderia se chatear, claro que sim, mas eu procuro ver as coisas de outra forma, ou seja, ao invés da gente perder tanto tempo discutindo por um motivo estúpido a gente poderia ganhar tempo fazendo algo que gostássemos, de repente e simplesmente, ficando juntos.

Mas não.
Você é do tipo de pessoa que arruma problema quando não existe nenhum.

Dane-se também, já não tenho mais essa dor de cabeça para os meus dias. A gente estava numa situação que eu começava a prever qual seria o novo motivo pra brigar. Isso é um absurdo! Lembro que as suas razões pra debates iam do “você não me respondeu “te amo” na mensagem” até o “você não para de olhar as pessoas na rua!”. Agora eu fico me perguntando como eu aguentei tanto isso e já sei a resposta.

O amor é uma das certezas cegas da vida.

E eu te amei.
De dentro da história ficaria impossível eu avaliar o que estava acontecendo, e mais que isso, era impossível eu perceber que estava merecendo um prêmio de humilhação pelo tanto que fiz por você, por nós, pelo tanto que aguentei, e ter que ver você no fim rindo da minha cara quando o que eu mais queria era que a gente se acertasse.

Aí eu rasguei as folhas do calendário e joguei no lixo junto com o que a gente viveu.

É claro que tiveram momentos bons, os nossos aconteceram antes de eu te conhecer de verdade, antes de você se mostrar quem é de fato. Você pode até ser uma boa pessoa, mas não foi uma pessoa boa pra mim. E não que eu exija demais, pelo contrário, mas eu vejo as nuvens de um jeito, você de outro, eu rio de uma coisa, você de outra, eu dou peso a uma coisa, você a outra, e isso na verdade nem seria motivo pra problema porque a gente ia se equilibrando nas diferenças, o problema mesmo é você ser intransigente e não ceder nunca. Você sempre achou que a verdade era sua e isso me fez pegar nojo.

Olha, só de lembrar já começa a me voltar toda a dor.
Sofri depois do fim, mas percebi que era um preço que eu deveria pagar para aprender alguma lição. Ninguém aprende sorrindo, ninguém evolui na felicidade, ninguém encontra a felicidade sem perdê-la.
Por essas e por outras coisas que eu preciso te agradecer por ter sumido da minha vida.
Eu não te desejo o mal, se é o que você pensa, desejo que seja muito feliz, só que longe de mim. Você fez com que toda a imagem boa que eu poderia – e estava tentando – ter de você se transformasse em repugnância.

Acredita que eu não me arrependo de nada?
Sério, de nada! Porque eu sempre fui meu máximo e você me mostrou que eu consigo me surpreender sempre! Consigo ir mais além! Consigo dar mais carinho do que imagino, consigo provar tudo que eu sinto, consigo fazer sempre mais por quem eu gosto, você me mostrou que eu basicamente não tenho limites quando a corrida é pela felicidade. E isso é muito legal! Porque agora eu faço ideia de até onde eu posso chegar por mim e por quem eu gosto, e olha, não que eu esteja procurando alguém, mas se o destino trazer até mim, posso afirmar que tenho novas e maravilhosas lições à serem aplicadas e tenho consciência de todo o meu melhor que posso oferecer à essa pessoa.

Taí, até que ainda restou uma parte boa de você comigo. Te devo essa.

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