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Tomara Que Caia Mais Vezes

(Conteúdo do texto recomendado para maiores de 18 anos!)

Não tinha acordado muito bem hoje e pra ser sincero a única vontade que eu tinha era de dormir o dia todo. Tem horas que isso é bom! Mas esqueço que tenho amigos, e mais que isso, esqueço que meus amigos são muito baladeiros e eis que me convencem a aproveitar a noite da cidade que não dorme.

Nem tenho roupa pra essas ocasiões, não sou de baladas, não tenho roupas descoladas nem nada. Decidi usar meu bom, velho e infalível xadrez. Tipo o pretinho básico das mulheres.

Combinamos ás 23hs no metrô. Éramos cinco pessoas: duas meninas e três meninos, todos muito amigos de muito tempo.
Já saí de casa com o roteiro certo, aquela balada nova que toca umas músicas moderninhas de bandas que eu não sei pronunciar o nome direito e que digo que sou o maior fã quando estou conversando com alguma garota que gosta.

Na porta da balada uma longa e lenta fila. Seguranças mal encarados, garotas com vestidos usados antes somente pelos manequins que os exibia nas vitrines. Acho que rola uma competição entre as meninas, sobre a que vai abalar mais, desde a maquiagem ao sapato, tudo devidamente pensado.

Minutos depois, entramos. Eu, meu xadrez e meus amigos.
Não sou de beber, mas não quis parecer nerd demais no meio de uma balada e peguei uma bebida que me custaria o rim pra pagar na hora de ir embora de tão cara. A noite é assim mesmo. Não é elegante beber suco de laranja numa balada. Não que eu me importe, mas tem outras e mais adequadas opções.
Enquanto eu esperava o barman que estava no melhor estilo “oi, quero mostrar como sou foda no controle das garrafas” terminar o malabarismo com a minha bebida, notei uma garota observando o mesmo cardápio que eu havia observado.

Ela era bastante bonita, cabelos deliciosamente desarrumados e pouca maquiagem. Ela estava de xadrez.

Óbviamente, eu não fiz absolutamente nada por mais que fosse oportuno dizer algo com um sorriso meu. É medíocre mas eu tenho vergonha.
Ela parecia bastante indecisa, percorria o cardápio com o dedo indicador apontando todas as bebidas. “Será que ela também não é de beber e fica se perguntando o porquê dos nomes estranhos desses drinks?” eu me perguntava. Eu sempre espero que as pessoas reajam da forma que eu reajiria, baita tolice.
Notei que ela finalmente escolheu e ficou aguardando a chegada da bebida. Diferente de mim, ela deu as costas pro malabarista, digo, pro garçom, e ficou olhando pra pista batendo o pé direito no ritmo na música. Aquele era um momento que eu deveria saber e falar pelo menos o nome da banda que o DJ estava tocando na tentativa de engatar algum assunto, não com objetivo concreto, mas pra conversar mesmo, afinal, naquela hora meus amigos estavam espalhados pela balada. Eu não consegui dizer uma palavra.

Minha bebida ficou pronta, a dela também. Eu fiquei no bar, ela saiu.

No meio do drink me apertou vontade de ir ao banheiro. Banheiros de balada são descolados de mais pro meu estilo, ás vezes são até unissex. Quando me deparo com algum desses imagino a cara da minha mãe em saber onde está seu filho, deve ser engraçada.
O banheiro estava ocupado, então quando uma porta abre e eu finalmente poderia me aliviar, e garota de xadrez estava lá dentro. Nos olhamos por 10 segundos. Fiquei meio sem ter o que dizer, ela também, foi engraçado. Rimos, timidamente, mas rimos.

“Gostei da sua camisa xadrez!”

Foi o mais perto que eu cheguei de dizer algo inteligente. Decepcionante.

“Ah, você gostou? Obrigada!”
Ela respondeu guardando os cabelos atrás das orelhas.
Durante esse segundo de conversa já começamos a ouvir gritos das pessoas querendo usar o banheiro que “ocupávamos”.

“Acho melhor eu sair, né, hehe” Ela disse.

Concordei e naquele exato instante perdi a vontade de ir ao banheiro e comecei a sentir umas coisas estranhas. Olhei no celular na tentativa de usá-lo como espelho e perceber se eu estava bêbado, mas a pouca luz não me ajudou. Tinha me invadido uma vontade de falar com aquela garota, de sentir o perfume dela, e pra ser sincero, me deu vontade de beijá-la. Que coisa doida! Cheguei a me perguntar se seria assim que as coisas aconteciam na noite.

Resolvi ir atrás da menina de xadrez e quando eu finalmente encontrei, eu disse:

“Oi, desculpa te atrapalhar, é que eu te achei muito bonita e eu gostaria muito de te dar um beijo”.
Até eu me lembrar se existiu outra, essa foi a coisa mais estúpida que eu disse na minha vida.

Ela sorriu afirmativamente, mas não necessariamente concordando em atender meu desejo.

“Então, é que assim…”
Eu nem tive tempo de explicar nada. Ela me abraçou me beijando. Com um braço deu a volta no meu pescoço segurando um copo. Fomos meio que rodopiando pro meio da pista, nos beijando, eu me sentia meio em alpha por não acreditar que aquilo estava acontecendo.

Éramos dois xadrezes dançantes se beijando.

O copo dela caiu facilitando com que apertasse meu pescoço. A partir daí deixei as sensações me levarem. Fomos parar num canto mais sem luz da balada, a empurrei na parede e coloquei minhas mãos sobre o rosto dela enquanto ela me arranhava por debaixo da camiseta.

Até chegar no meu zíper.

Tudo estava indo rápido demais, eu sabia disso, mas sabia também que eu queria ver até onde tudo ia dar, queria saber o quanto eu sou capaz de viver alguma loucura.

Ela abriu meu zíper e eu tirei seu casaco xadrez.
Quando me dei conta ela estava de joelhos de frente de mim, abaixando minha cueca e eu não estava entendendo absolutamente nada, minha cabeça estava girando numa velocidade incalculável.
Inferiormente nu, ela começou a beijar, lamber e chupar a minha intimidade, por assim dizer. Foi a sensação mais incrível que eu havia sentido nos últimos anos.

Música alta e uma bela garota me proporcionando prazer.
Não havia nada mais que eu pudesse desejar ali.

Deixei que continuasse e ela sabia fazer muito bem. Usava muita saliva, muita mesmo, sabia lubrificar perfeitamente e era incrível a capacidade dela de usar a mão e a boca ao mesmo tempo.

Quando tirei o casaco dela pude perceber que usava um vestido preto médio-brilhante e curto, além de uma meia calça fininha e uma sapatilha com laço dourado. Excelente look, aliás!
Depois de me fazer ver tudo colorido tamanho o prazer que me fez sentir, ela subiu me beijando o pescoço enquanto eu, com o corpo no auge do calor, levantava o vestido dela para tirar a meia calça. Não sabia onde tudo isso ia dar – ou sabia – mas eu queria pagar pra ver. Ela entendeu minha iniciativa e facilitou retirando toda a meia.

Era impressionante como ninguém havia nos percebido ali, ou se havia, entendeu que não era interessante atrapalhar e que tudo estava sob controle.

Ergui o vestido até que percebi que ela estava sem calcinha.
Me aproximei. Enquanto nossas partes íntimas se tocavam, os beijos ia se intensificando e minhas mãos percorriam os seios dela. Primeiro o esquerdo, lentamente, abaixei o vestido tomara-que-caia e comecei a beijar, algo que talvez, era o seio mais macio que já toquei na vida. Apesar de eu não ter visto tantos assim antes. Ela se contorcia e começou e me arranhar os ombros. Deixei a mão nesse seio e parti para o outro, da mesma maneira, lentas lambias ao redor do mamilo, muita malícia e tesão explodindo pela gente.
O vestido ficou na altura do umbigo, de modo que os seios ficaram de foram e a parte íntima dela também.
Apoiei a perna dela num puff que estava ao nosso lado e fiz o meu papel. Com as pernas afastadas, lambi toda a virilha e região, sentindo o nível de umidade ir para o molhado e encharcado. Enquanto eu lambia e mordia delicadamente, chupava, lambia denovo, em círculos, ela começou a gemer alto, muito alto. Mas isso não era problema, estávamos numa balada, ninguém nunca ia ouvir além da pista estar bombando.
Saí da região no interior das pernas e voltei a beijá-la quando ela me virou contra a parede, me fez sentar no puff e montou em mim.

Montou.

Delicamente, tentativa leve, tudo estava devidamente lubrificado.
“Você tem?”
“Tenho!”
Prontos, em questão de segundos nos encaixamos e meu coração disparou de adrenalina. Calor, muito calor, começou a fazer muito calor ela começou a pular sobre mim que estava com as costas apoiado na parede. Eu acariciava seus seios olhando para os dela, contato visual é tudo, ela deixava a cabeça cair para atrás e pulava, gemia, mordia os lábios e fazia questão que eu percebesse.
De repente levantou e sentou no meu colo novamente, dessa vez de costas. Notei a forma do corpo dela, tão lindo, cintura fina, pele bem cuidada com cremes muito cheirosos além de um cabelo incrível e muito charmoso.

“CONTINUA! ASSIM TÁ BOM!”

Virou a cabeça pra trás e foi tudo que eu consegui ouvir dela.
Continuamos e uma novidade: eu estava feliz! Além do prazer, eu estava feliz! Era uma sensação nova, não que eu seja desses de aceitar isso sempre – até porque nunca me aconteceu antes -, mas foi um surto saudável, que delícia, tudo estava ótimo.
Ela levantou, percebi que gosta de dominar, ficou de costas pra parede e me puxou pra perto me fazendo erguê-la contra a parede. Nova posição. Nos encaixamos de modo que ela ficou suspensa no ar só apoiada nas minhas coxas. Frente e trás, cima baixo, gemidos, mordia meu pescoço. De gemidos pra gritos, altos, fortes, quase destoando a música da balada.
O calor já era tamanho que nossos corpos estavam muito molhados e como eu não tirei a camiseta – só a xadrez que também caiu no chão – o calor parecia maior ainda!
Muita pressão, ela pediu mais força, eu estava no meu máximo, me segurando, ela parecia gritar forte, muito forte, até que eu.

Até que eu fui. E soltei o meu único grito.
Minhas pernas tremeram e ela suspirou longo e lentamente.
Nos abraçamos. Música alta. Pessoas por perto. Seguranças que não conhecem os segredos das casas noturnas. Nos abraçamos.

Sem que falássemos uma palavra, nos soltamos, ela se arrumou, ergui minha calça, pegamos nossos casacos e nos abraçamos ali naquele lugar.
É que tem horas que não é preciso dizer nada. Aquela era uma dessas horas. Não conversamos nada, só ficamos abraçados, eu pensando mil coisas, na experiência incrível e ela, sei lá. Me preocupei e pensei se ela fazia isso com todos, se eu era mais um, não gostei de pensar nisso, mal sabe ela o quanto essa loucura me fez bem, mas que eu não sou assim.

E ela chorou.
“Você deve estar me achando uma vadia, mas não é bem assim, ninguém sabe como está a minha vida e eu gostei de você, não sei fiz ao certo, mas não me arrependo. Eu só queria conhecer alguém legal hoje, e você, foi a primeira pessoa na minha vida que não me chamou de ‘delícia’ ou de ‘gostosa’ e sim, elogiou meu casaco, que aliás, nem é meu, é da minha amiga, senti frio e peguei… Sei lá porque estou falando isso tudo também, enfim…”

Eu não sabia o que responder, o que comentar. Abracei denovo e falei:
“Eu te entendo, você também deve achar que sou um puto e faço isso sempre, mas fico feliz em me ver diferente, sendo assim, da mesma forma, eu não te acho uma vadia e sei lá queria te conhecer mais, você também é incrível e eu o teu sorriso quando te pedi um beijo me encantou, poderia ter falado ‘claro gato’, ‘sai fora idiota’ algo assim, mas você sorriu.”

Nos abraçamos outra vez.

A partir daí eu não lembro direito de nada, como voltei, com meus amigos, se contei pra eles, minha cabeça continuava girando sem rumo, sei lá, eu só sei de duas coisas: voltei pra casa com um casado xadrez que não era meu e estou aqui agora olhando pro celular e pensando: “mando ou não uma mensagem falando que quero encontrar a garota de xadrez-da-amiga novamente?”

Eu Não Tenho Culpa De Ser Assim

Desculpa, não dá mais!
É que da última vez que tentei não foi bom pra mim.
Sei lá, não deu certo, não me senti a vontade pra continuar, aí preferi que parássemos onde chegamos. Não foi uma situação confortável, a gente começou a debater sobre os nossos pontos de vista. O lado bom é que no fim percebi que realmente não era a hora e eu não queria ser um instrumento.

Eu não tenho culpa se quero viver algo especial. E eu não disse perfeito.

Lembra que a gente até já tinha tentado outras vezes? Você insistia e vinha com um monte de argumentos de que estava tudo bem e eu devo confessar que muitas vezes eu só continuei pra você parar de falar. Mas não era eu ali, eu não podia levar adiante.
Você sempre se comportou de uma forma estranha. Parecia ter um desespero pra que nos acertássemos de uma vez, mas não com o objetivo de ver a nossa felicidade e sim, com outro.

E você não faz ideia de quantas dores de cabeça insuportáveis eu fingi pra você não vir em casa, nem das vezes que menti dizendo que o celular estava fora de área e por isso não respondi/recebi suas mensagens. Você sempre me assustou.

É que você nunca vai entender como eu vejo algumas coisas, tipo essas coisas.

Sabe, eu tenho medo. É isso que eu sinto!
Medo de me deixar envolver demais e acabar fazendo algo que não devo e pior, da forma que não quero. Eu não sei se a minha hora é essa, entende? Não sei se estou sendo infantil demais, sei lá, me vem um monte de coisa na cabeça, de repente o teu comportamento é super natural pra uma situação dessas, até porque você já tem outras experiências, de repente eu que estou supervalorizando tudo, até fantasiando talvez. Pode ser, também!

Mas eu só não sei o que fazer, é isso.
E não é que eu não goste de você, é que eu quero de um jeito diferente. Poxa, é uma coisa tão minha, que vai mudar muito a minha vida e vai ficar pra sempre na minha cabeça, eu tenho o direito de me preservar e de sentir medo. Não é mesmo? Que bom que tem gente que consegue tão fácil, mas eu não sou igual essas pessoas.

Mas eu também não quero te prender. Eu não quero te impedir de viver.
Se nem eu me entendo ao certo, como posso exigir isso de você? Você pode fazer o que quiser da sua vida a qualquer momento, é uma pessoa livre.

Minha cabeça está tão confusa! De um lado tem a gente com esses problemas, de outro, todos as minhas amigas e amigos me falando um monte de coisa, me pressionando com suas “experiências bem-sucedidas”. QUE DROGA! Cada um vive a sua vida, po! Que mania idiota que essas pessoas tem de querer opinar em tudo na minha vida!

Olha, a verdade é que eu quero que seja com você. É sério! Só não sei se quero agora, será que você consegue entender isso?

“Ei, calma, tudo bem, ok? Tá tudo bem! Eu entendo!
Eu vou te esperar.
Vou esperar você se sentir a vontade. E pra ser sincero e por mais que me doa falar isso, pode ser que no fim nem aconteça comigo estando com você. A vida muda.
Eu vou te esperar. 
Ei… Levanta essa cabeça, olha pra mim, eu te amo e isso não vai atrapalhar a gente, vou te esperar e te respeitar, sem problema algum. Talvez eu tenha exagerado na insistência e alguns momentos, te devo desculpas. Esqueci de me colocar no seu lugar e isso é péssimo! Prometo que não vai acontecer outra vez! Amor é isso tudo, é respeitar, é admitir o erro, é se colocar no lugar do outro, sabemos disso, mesmo assim ás vezes a gente erra e dessa vez fui eu. Me desculpe e obrigado por tudo que disse, por me fazer sentir especial. E só você consegue isso comigo…
Só posso te pedir uma coisa?
Sempre confie em mim!”

Do Nosso Amor, Só A Gente Entende

É que eu me lembro de como você me fazia bem. Me lembro especialmente quando vejo algo que me lembra você, e olha, na verdade eu não sei o que não me lembra você.
Outro dia, indo ao trabalho, na rotina de sempre, sentei ao lado de uma moça no ônibus que lia o teu livro preferido. Não resisti e tentei ler um pouquinho também e o pouco que consegui perceber me lembrou de quando você ficava feliz em me contar como estava gostando de ler aquele livro e como ele tinha tudo pra se tornar o seu favorito. Ah, o livro se chama: “Esse Tal De Espelho”, que fala de como a gente tem que se olhar pra podermos saber onde erramos e acertamos. Não é um livro de auto-ajuda, é legal e interessante e se tornou teu preferido.

Sempre lembro de como me fazia feliz te ver feliz.

Na fila do sorvete você também ainda está comigo. Sempre fico atrás de pessoas que pedem o mesmo sabor que o seu com a mesma cobertura. Nas lojas de roupas, também  vejo pessoas comprando peças que eu compraria pra você. E até em shows das bandas que mais gostamos eu lembro das músicas que você mais gostava, e especialmente isso, dói muito. Eu canto como se você pudesse me ouvir de onde quer que esteja. E sempre que vou embora, sozinho, sem ter com quem comentar sobre o que eu achei do show, lembro de como ríamos e falávamos de todos os detalhes, lembro dos nossos planos a seguir com a briga que travávamos: pizza ou esfiha? Eu sempre preferia esfiha, mas acabava cedendo a sua chantagem com a pizza de 4 queijos.

Eu ainda faço minhas coisas imaginando onde você está, o que está fazendo e se está feliz. E tem horas que eu falo sozinho esperando o teu comentário sobre o meu assunto.

Que não existe mais.

Tem horas também que eu espero a tua palavra de discórdia sobre algo que eu penso estar certo, palavra essa que eu sempre tentava evitar, mas que sabia que no fim, seria importante eu saber teu ponto de vista, até porque, na maioria das vezes você tinha razão e sobretudo você queria me ver bem.

Lembro dos teus conselhos, do teu jeito de me aconselhar.

E é natural, eu acabo pensando se você ainda pensa em mim como eu penso em você.
Penso se eu faço algum tipo de falta nos teus dias, se a minha palavra ou o meu jeito meio enrolado de falar te dá saudade. Eu me pergunto, e sofro, se eu ainda tenho alguma importância para a tua vida ou se eu realmente me tornei uma página virada, o que é o meu maior medo. E mesmo que eu tenha me tornado isso, por favor, nunca me diga, se tudo o que você quer de mim é só a minha amizade, por favor, nunca me diga.

Tem coisas que eu não preciso ouvir pela sua boca.
Eu não quero ouvir coisas tristes da sua voz que já me disse coisas lindas.
Com a ajuda do tempo, eu vou entender e talvez superar, nem que esse tempo dure mil anos.

Eu também não vou te lembrar outra vez do quanto eu te amo.
Nem sempre há palavras inéditas em páginas viradas. E se eu me tornei uma página pra você, vou guardar as coisas que eu penso e tudo que eu quero sentir, pra outra pessoa.

É que eu me lembro de como você me fazia bem. Lembro de como você estava feliz nas fotos que tiramos, lembro dos planos de próximo-fim-de-semana que fazíamos, das ideias doidas de ir ao parque rolar na grama por horas, ou dos sábados embaixo do sol indo comprar coisas fúteis no centro da cidade.

Sempre lembro de como eu era ao seu lado.
E pior do que eu lembrar, é ser lembrado por outras pessoas, conhecidos que encontro e me perguntam: “Vocês não estão mais juntos? Poxa, se combinavam tanto e eram o meu casal perfeito!”

É quando a coisa mais linda que você pode ouvir se torna a sua maior dor.

Viu, eu estou aqui.
Pra sempre vou estar aqui. Pra sempre serei lembrança e amor.
E sei lá, qualquer dia, se você se lembrar de algo que te fazia feliz, conte comigo, prometo ser a melhor pessoa pra sua vida, e caso eu não consiga ser, prometo que serei a pessoa que mais vai se esforçar nesse mundo pra ver o teu sorriso custe o que custar.
Como já fiz uma vez.
É que eu me lembro de como você me fazia bem.
É que eu me lembro das vezes que sonhamos juntos o “pra sempre”.

Mesmo Querendo Que Você Morra, Eu Te Entendo

Nunca me segurei na esperança, mas é claro que eu sempre fui fã dela.
Sempre pensei estar fazendo tudo direitinho.
Não sei se percebeu, mas eu parei de te chamar no MSN pra falar sobre qualquer assunto, parei de te mandar mensagens de “bom dia”, parei de curtir teus posts.

Eu me afastei pra você se aproximar.

E você não sabe da história a metade.
Eu fiz muito, mas muito esforço pra poder me segurar e não te ligar só pra saber como você estava. Pedi aos meus amigos que o teu nome não fosse mais citado em qualquer conversa que eu estivesse presente, pedi também que não te marcassem mais nas fotos  dos encontros que tivessem com você.
Tudo isso, e muito mais, eu fiz por você, pra me preservar e pra te respeitar.
Você disse que eu te sufocava demais, que eu não te deixava pensar no que queria da vida, que sendo presente como eu estava sendo eu só ia piorar tudo e acabar dando fim a algo que nem tinha começado ainda. E tudo que eu mais queria era que começássemos alguma história.

Mas você me disse coisas que doeram mais que qualquer soco.

E eu não tenho culpa, que droga!
E aliás, você sim tem um pouco de culpa. Porque diabos falava comigo de um jeito que me fazia pensar x mas no fim queria dizer y? Porque comentava de lugares que foi sabendo que esses lugares são justamente os que eu mais gosto de ir? Você também nunca facilitou nada pra que eu pudesse te facilitar. E do contrário de você, preferi usar a sinceridade e se exagerei em algum momento, prefiro errar pela dedicação do que pela falta dela.

E mesmo com a minha distância toda, você nunca conseguiu ver as coisas de uma forma especial. É triste, mas eu posso concluir que durante muito tempo eu gostei de você, em silêncio, te respeitando, te vendo sair e você nunca quis saber se eu ainda tinha vida.

E agora essa.
Me fez te esperar, me fez desenhar dias pra nós dois, me fez acreditar numa idiota de uma esperança de que acontecesse algo com a gente, me iludiu.

Voltou pra tua ex.

Eu não sei como você teve coragem de fazer isso comigo enquanto tudo o que eu fazia era te esperar.
Mas tudo bem. Já faz um tempo que eu vivo as coisas pelo que eu sinto e não pelo que eu sou. Dessa maneira, até consigo me blindar. Mas só ás vezes funciona.
Mesmo depois de tudo isso que me fez passar, eu me coloco no teu lugar e entendo que essa vadia garota deve ter algo muito especial pra você gostar tanto dela assim pra que voltassem.

Enquanto eu te esperava pra mim, você vivia pra outra. Mas tudo bem.

Meu sentimento não morre aqui. Vou guardar pra quando encontrar outro que o mereça. De repente pode ser até você lá na frente…
E sinceramente, que você seja feliz com ela, mas eu preciso dizer uma coisa:

Ninguém nunca vai gostar mais de você do que eu. Talvez nem você mesmo.

Mas isso a vida vai te provar e te ensinar, assim como me ensinou agora.

Onde Tudo Pode Acontecer

Ah se eu pudesse,
Se eu pudesse voltar ali naquele momento do teu “sim, eu aceito”.
Ah se eu pudesse voltar ali naquele momento do teu “desculpa, não rola mais”
E nossa, se eu pudesse voltar ali naquele momento do teu “estou pronta, escolhi você, quero que seja com você”.

Eu faria tudo igual.

Talvez eu só prolongaria mais cada beijo reduzindo a velocidade do contato dos nossos lábios. Talvez eu te olharia mais.
Te olhar antes de um novo beijo me fazia crer que eu estava onde eu sempre quis estar. E isso tem me feito falta. Mais do que o teu perfume, roupas que gosta, jeito de falar, o teu olhar tem me feito uma falta devastadora.
Justamente esse teu olhar que você julga tão normal, ainda mais por não ter olhos verdes ou azuis. Eu sempre gostei.

E eu queria tanto voltar ali pra alguns momentos que vivemos.

Queria tanto as filas de cinemas, mais filas, mais demora (quanta demora!), queria tanto a espera do ônibus ou a espera pelo prato no restaurante. Queria reviver.
É certo que sou capaz de viver isso tudo com outra pessoa, e de repente ser até melhor, mais especial e tudo, mas não vai ser com você, então, não vai ser a mesma coisa. Só porque é do teu jeito de limpar as remelinhas dos olhos ao acordar que eu gosto, bem como é a forma não muito romântica que você diz que me ama que eu gosto: “ok, te amo, seu besta!”

Ah, se eu pudesse.
Ou pelo menos se eu fosse capaz de mergulhar em qualquer balada pelas ruas, pedir doses de bebidas fortes, galantear outras, eu estaria melhor e seria melhor.
Mas não.
Eu não sou assim. Eu sou o mesmo que te ensinou que no fundo é engraçado rir com creme dental na boca, sou o mesmo que te mostrou como tem graça dançar sem música.

Antes eu tinha você, hoje tenho a sua ausência.
Mesmo não sendo como eu queria, ainda é uma forma que eu considero te ter.
Ah, se eu pudesse.

Se pra te ter for necessário nunca mais te ver e só saber que está bem, eu já fico satisfeito. E isso, eu sei, você nunca vai me entender e pra ser sincero nem espero ou conto com isso, não tem problemas.

Ah, se eu pudesse voltar ali naquele momento das fotos que tiramos juntos, eu teria feito mais cócegas em você, que mesmo odiando, estaria rindo, estaria feliz e essa imagem estaria arquivada na minha cabeça.
Se eu pudesse voltar e fazer tudo outra vez, eu faria tudo igual.

E quando me perguntam: “Faz tempo que se viram?!”
Eu respondo: “Não, até que a gente se vê as vezes…”

Você não sabe, mas praticamente toda noite eu te encontro nos meus sonhos, pelo menos lá, o “se” existe.
E você também.
E a gente também.

Entendi Quando Brigar Faz Bem

É que eu evito de te contar certas coisas só pra você não brigar comigo.
Tudo que menos quero é que a gente tenha novos motivos pra brigar, isso é tão péssimo.
A gente tem tantas outras coisas pra nos preocuparmos e assim podermos aproveitar melhor o tempo, que sendo assim, eu não acho justo qualquer tipo de motivo pra brigas.
Me irrita muito o jeito que você responde algumas pessoas na internet, mas se eu falar que não gosto toda vez que isso acontecer, vamos ficar brigando e brigando e isso não é legal.

Eu só esqueço que ás vezes brigar faz bem pra gente.

Confesso que me sinto meio covarde nessa situação, engulo os sapos, aceito tuas opiniões, mas no fim eu discordo de tudo e não dou minha opiniões e mais, acabo guardando pra mim todas as coisas que acontecem com a gente e eu não gosto.

É né, pensando bem…

Será que se eu te contasse que não gosto de como responde as pessoas na internet ou de como é simpático demais com as vendedoras no shopping, você conseguiria repensar? Talvez sim, né. É isso então, que bobagem e que demora pra eu perceber!
E justo eu que tanto não gosto de brigas, acabo evitando algumas sem saber que a maior delas pode ser a definitiva pra nós. Não quero mais isso.
Se eu pudesse escolher, pularia os dias em que os sorrisos não nos visitam. E isso talvez seja o sonho de mais um montão de pessoas…
E outra, nem todas os desentendimentos se transformam em briga, rola uma questão do entendimento, do “me coloco no teu lugar” e pensando assim, é importante o debate sempre, tudo a favor da nossa história, respeitando a nossa personalidade.

Ás vezes eu sou egoísta demais, mesmo tendo a melhor das intenções.

Repensando tudo agora, consigo entender melhor porque você reclama tanto de mim. Das roupas que eu uso, dos amigos que faço, de como assisto a TV no volume alto, está aí a explicação, acontece que no teu caso você prefere me apontar tudo que não gosta abertamente, da menor até a maior situação, por isso então brigamos com mais frequência, pois outro problema é eu não admitir suas reclamações, mas isso é outra história, e eu, já eu, prefiro ocultar pra evitarmos brigas.

Estou com vergonha de mim.

Estou com vergonha de como por todo esse tempo eu fui capaz de evitar que a gente resolvesse alguns problemas nas horas que aconteceram.

Eu nunca cogitei a possibilidade da gente se acertar.
Eu sempre tive medo de ouvir “não vai outra vez”.

Mas isso vai mudar, prometo que vai. Não por mim nem por você, mas pela gente, pela nossa história que merece mais sinceridade em todos os segundos.

Dá até raiva de lembrar como errei nisso, esqueci de como a gente tem um método tão nosso – e gostoso – de resolver as brigas que temos… Hmm, rs.
Mas isso vai mudar, e provavelmente, brigaremos todos os dias se for o necessário. Não tem problema nisso, temos um método tão nosso…

Eu só quero a gente bem.

Eu Assumo Que Me Falta Um Parafuso

Quando eu te disse “não quero mais”, no fundo, eu quis dizer “me espera”.
Eu sei que não foi fácil pra você, mas eu não poderia me obrigar a viver algo que o meu coração não estava mais 100% envolvido. E eu sou real, só faço o que o meu coração manda, poderia seguir regras e alguma justiça e continuar a nossa história pra ser justo com a gente, mas não seria eu ali.

Então eu quis parar.

Você me conhece muito bem, sabe da minha instabilidade emocional, sabe que quanto mais eu digo que eu não quero te ver, é quando eu realmente quero.
E eu tenho consciência que esse meu jeito não me faz muito bem, que existem até pessoas que se afastam de mim por não conseguirem me entender. Mas ora, se nem eu me entendo como posso exigir isso das pessoas, não é mesmo?

O problema é que você me entende.
Por mais que eu diga que não e por mais ódio que isso me causa, você realmente me entende. Por exemplo, nos dias que eu não queria fazer nada, você parecia prever meu estado de espírito insuportável e me trazia meu chocolate preferido.
É dessas coisas que eu vou sentir falta.

Quando eu disse que o amor acabou, no fundo, eu quis dizer que ele dormiu.
E tudo precisa dormir alguma hora.

O tempo é totalmente incontrolável, e através dele, a vida e os sentimentos também se tornam. Eu queria te dizer algo como “Quando novembro chegar a gente volta, ok?” mas eu não tenho esse poder, inclusive por dois motivos; primeiro porque eu estou vivendo uma fase específica na minha vida, onde, infelizmente, pensar nesse assunto não está entre as minhas prioridades, e segundo porque você está vivendo outra fase da vida também, e com certeza tem outros assuntos pra se preocupar.

Vamos brincar com o tempo. Deixe ele tomar as rédeas das nossas vidas. Afinal, não temos outra opção, né?

No entanto, eu não sou idiota o suficiente pra dizer que você não me faz falta. Até porque tudo que construímos, inclusive o próprio fim, foi com muito amor e isso, quando é real, não se perde.

E eu ainda te amo. Por mais absurdo que isso possa parecer.

Eu nunca vou te confessar saudade por que eu sou covarde comigo. Mas só eu sei o qunato me controlo pra não te ligar, pra não te mandar uma mensagem, pra não ir na sua casa. Quando o sentimento aperta, vou ao shopping sentir teu cheiro na loja de perfumes. Sempre que toca uma música que lembra você, eu coloco no repeat.

Eu só não posso deixar que você saiba de tudo isso porque não quero parecer que estou alimentando algum tipo de esperança entre nós, eu não quero ter a ousadia de controlar o tempo. Com todo o meu ódio de clichês, tenho que concordar que “o que tiver que ser, vai ser”, por mais vago e subjetivo que isso possa ser.

Então eu quis parar.

Eu só não quero imaginar outra pessoa no meu lugar descobrindo que você gosta de ouvir música antes de dormir, o quanto acha graça daquele programa de comédia das quintas-feiras, o quanto te irrita o exagero de cebola na comida. Eu não quero alguém no meu lugar, mas eu não torço contra, quero a sua felicidade, é que eu realmente só não posso imaginar isso. E se a única maneira que encontrei pra evitar que eu sofra com isso foi me afastar de você, me desculpa, eu sou covarde demais até pra admitir que eu te amo.

Então eu quis parar.

 

 

Eu Já Tinha Até Escovado Os Dentes

Dá uma risadinha, deita no meu peito, diz que está com preguiça e me convence a ficar mais tempo na cama. Mais tempo com você na cama.
Eu tinha planos de acordar cedo e ir a padaria. Faz tempo que estou com muito desejo de pãozinho com recheio de côco, e claro que eu ia te trazer alguma coisa de chocolate como você tanto gosta. Mas você não desiste de me convencer a ficar mais tempo aqui.
Só acho que joga baixo demais nos argumentos pra me convencer, ora alega não estar com fome dizendo que ainda sente o gosto da pizza da noite anterior, ora diz que viu na previsão do tempo que ia amanhecer chovendo, e como me conhece, sabe que eu não iria só a padaria, que iria também pegar o carro, ir ao mercado e comprar comida pra Loly, nossa cachorrinha.

Ás vezes eu tenho raiva do tanto que me conhece.
E não é que me tornei previsível é que você já leu todo o livro da minha vida.

Chantagista, diz que vai me dar mais um pedaço do edredom se eu resolver ficar mais meia hora, mesmo sabendo que já levantei, até escovei os dentes e só voltei pra dizer que eu estava saindo.
E eu queria resistir a você.
Mas não sou capaz.
Não consigo contrariar qualquer vontade sua especialmente quando te vejo largadinha entre os lençóis, com raiva do barulho dos carros na rua, preocupada em se certificar que realmente ainda é cedo e você poderá dormir mais.
Sento na beira da cama e você corre pra deitar no meu colo. Penteio teus cabelos com os dedos e jogo uma porção deles para trás das orelhas enquanto você me massageia fazendo círculos com o dedo indicador em meu joelho. Toda quentinha, ignora os lençóis que a uma hora daquelas estava completamente no chão servindo de caminha pra Loly, que aliás, parece não estar com muita fome como eu imaginei.

Arrisca mais algumas palavras tentando encaixar algum assunto só pra me prender mais tempo. Novamente chantagista, mente com amor ao dizer que pensou em ir comprar roupas comigo hoje.
Você se irrita e não gosta da minha indecisão na hora de comprar roupas.
Não ouvi direito mais detalhes de tudo que falava porque ao mesmo tempo disso eu estava tentado observar cada centímetro do teu rosto e pensava comigo mesmo: “Nem que eu passe anos aqui nessa mesma posição eu nunca vou encontrar um defeito nela! Até essa pinta minúscula no meio da bochecha só acrescenta o charme dela”.

Eu tenho o defeito de não ver defeito nos teus defeitos.

Quando me dou conta que saí do ar por 3 segundos percebo que você dormiu no meu colo. Te coloco no travesseiro e te cubro. A Loly se assusta um pouco, afinal, de uma hora pra outra ficou sem sua “caminha nova”.
Fico de pé e te vejo dormir.

Saio do quarto, chamo a Loly e lá na sala falo com ela: “Ó, aqui tem um pãozinho de côco que guardei de ontem, come isso e aguenta mais um pouquinho que depois eu vou ao mercado comprar comida nova, tá? Lindona! Boa garota!”

Eu queria resistir a você que mesmo em silêncio me convence.
Volto pra cama.
 

 

 

 

 

Qual É A Moral Do Filme?

Depois de semanas de conversas, consegui dar um passo além e fazer o inesperado: Chamá-la pra sair. Fui clássico e sugeri um cinema. E o mais inesperado aconteceu: ela aceitou! Aí tive que me virar e correr pra comprar uma roupa nova legal, aquele momento inédito mereceria uma roupa inédita. Tinha que comprar a roupa, ir pra casa e depois encontrá-la!
Combinamos as 17hs no Shopping, perto da livraria. Pensei em tudo direitinho e explico. O horário é uma média, antes disso seria cedo demais e forçaria com que nosso passeio acabasse rápido, depois das 18hs já seria meio tarde e ela poderia alegar fazer algo simples pra não chegar tarde em casa. E porque não no cinema? Ah, só pra gente dar uma volta antes, ver umas vitrines e poder jogar conversa fora. Coisa de 15 minutos.

Ás vezes, uma hora, é tudo o que precisamos.

Nos encontramos pontualmente.
Algumas vitrines, minha carteira vazia demais pra poder surpreendê-la comprando algum presente – ah, se eu tivesse dinheiro -, até porque eu tinha gastado meu dinheiro com a minha camiseta nova.
Escada rolante.
Ali é quando as mãos se encostam deliciosa e acidentalmente. Eu não tenho culpa, ela também não, nem nossas mãos. Acontece. E eu gosto.

Fomos pra fila, compramos os ingressos e partimos pro andar das salas. A sessão estava prestes a começar. Entramos. Sem pipocas. E eu sem dinheiro. Só pra relembrar, rs.
É chegada então uma das horas mais preocupantes: “ONDE VAMOS SENTAR?” Ela deixou a decisão em minhas mãos e escolhi umas poltronas na lateral, separadas da parte central da sala.

“Aqui parece legal, não sei se você gosta, o que acha?” perguntei.
“Ah, por mim tudo bem, só deixa eu ficar na parede, haha!” explicou.
“Claro, haha, sem problemas!”

Eu nunca sentei na parte lateral. Sempre achei um péssimo lugar no cinema.
Eu amo mais que tudo sentar na parte da parede quando existe essa possibilidade, desde os tempos de escola.

Conversa vai e vem, ficamos comentando sobre as pessoas entrando na sala. Eu pensava em alguns assuntos mais relevantes, algo que desse pra eu encaixar uma palavrinha a mais, mas eu sou péssimo com roteiros, além de naquela estar com uns 38° de calor tamanho o meu nervosismo.

“Preciso fazer algo antes de começar o filme!” era o que eu repetia em silêncio.
“No próximo trailer, assim que começar!”

Acabaram os trailers. O filme começou. Meus planos foram por água abaixo, ela estava super concentrada no filme, comentou quando eu fiz o convite que não gosta de ser interrompida no cinema. “E agora seu retardado, vai fazer o quê?” Eu me punia em pensamento.
Passada uma hora de exibição de filme, acontece uma cena mais sensível em que o marido aparece na porta de casa, debaixo de chuva, com um buquê de rosas, toca a campainha e a esposa atende a porta correndo. Ela abre e ele fala: “Eu sou um otário, me desculpa?” e ela responde: “É o o otário que eu amo! Claro!” e então eles se beijam. Bonita cena!

Neste momento ela pegou na minha mão.

Aí eu voltei a ficar com raiva pois estava preocupado em ela perceber o quanto eu transpirava de nervosismo, droga! Mas deixei o clima fluir.
Numa atitude mais ousada por minha parte, puxei ela mais pra perto como se eu falasse “vem aqui, é mais confortável” ela aceitou e mais, se acomodou em mim. A partir daquele momento a minha preocupação era a velocidade que meu coração batia de nervosismo e como ela ia sentir isso. Eu sou meio doido, isso sim.

Tem filmes que a gente não precisa ver.

Resolvi seguir o que eu comecei a sentir, era muito forte, e então, delicadamente, virei o rosto dela em direção ao meu e a beijei.

E a beijei.

Foi um beijo curto, não muito, mas ainda curto. Como eu disse, estava nervoso, até me bateu um arrependimento, que foi embora na mesma velocidade que chegou.
Nos acomodamos na medida do possível. Por um momento eu quis ficar na parede – já mencionei como eu amo encostar nas paredes? – mas desisti da ideia depois de vê-la toda quentinha e confortável.

No auge da minha ousadia, tentei outro beijo até que…

Chutei a poltrona da frente sem querer fazendo a pessoa sentada se assustar derrubando toda a pipoca e refrigerante na pessoa de baixo, que reclamou muito, que começaram a discutir. E eu fiquei sem ter o que dizer. O filme passando, “calem a boca!” era a palavra de ordem. E eu ali desesperado, por vergonha de provocar isso na frente dela e por vergonha de provocar isso numa sala de cinema.

Aí ela me beijou.
Denovo.

“Posso te falar uma coisa? Você fica tão sexy tímido e preocupado… Relaxa que eles já estão parando a briga, olha lá…”

Não vi fim da briga.
Não vi o fim do filme.
Não me importei com isso.

Pra Mim, Isso É Ver Passarinhos Verdes

Parece que quando chega o dia de eu te ver, até o Sol muda de cor.
E não é história de “mimimi apaixonado” não, é que parece mesmo, sei lá.
As coisas funcionam muito melhor. Por exemplo: o creme dental não cai na pia, o meu cabelo entende como eu quero que ele fique, a camiseta que pensei usar está passada e quando ouço as músicas na ordem aleatória sempre vem as melhores.

O mundo gosta dos nossos encontros.

E não sou que estou falando isso.
Quase sempre que saímos acabamos encontrando algum conhecido, seja meu ou seu, e sempre dizem algo do tipo “como vocês se combinam!”, ou mesmo nossos pais, sempre dizem algo do tipo: “vocês se matam, mas se amam, né?”. Parece até pegadinha, mas sempre acontece isso. Lembra da vez que fomos entrevistados no shopping pra falarmos sobre os casais que se entendem? Aí a repórter morreu de rir da gente, porque falávamos umas barbaridades engraçadas um do outro, deixando clara a mensagem que por mais diferentes que as pessoas possam ser, elas podem dar certo se o sentimento for real. Eram barbaridades como o meu controle do teu calendário menstrual pra eu poder me lembrar do auge da tua sensibilidade e assim me precaver de possíveis brigas, e a tua habilidade em saber argumentar e me convencer de fazer suas vontades.

A gente sabe se entender.

Aquela história de “Me venceu pelo cansaço!” não rola com a gente. Ou você me dá ótimos argumentos pra me convencer a ir ao parque num dia chuvoso, ou eu simplesmente não vou e te apresento novas opções do que fazer. Aí, eu que tenho que começar a te convencer disso.
Geralmente os debates não existem, porque sempre que a ideia é ir ao parque, faz Sol. Logo, eu acabo aceitando, embora insisto em sugerir outras opções.

Temos sempre o plano B, C, D, E, etc.

Talvez a ideia do mundo gostar dos nos encontros seja justificada já pelo meu espírito ao acordar. É quando eu lembro que a gente vai se ver, automaticamente – e sei lá como – eu acabo vendo as coisas diferentes. Eu acabando distribuindo “bom dia” em casa e todo mundo estranha, fico meia hora brincando com o cachorro e até o cocô dele – coisa que eu nunca encosto – eu limpo. Fico mais tempo no quintal vendo como o dia nasceu e justamente nessas horas aparecem um monte de pássaros em casa, mas eu só reconheço os bem-te-vis por óbvios sonoros motivos. Até os pássaros aparecem para me cumprimentar quando sabem que eu vou te ver.

Saber que chegou o dia de te ver, me faz lembar que chegou o dia de ser melhor.
E isso já começa no pensamento em você, dias antes.
O telefonema e as trocas de mensagens são só ingredientes da minha ansiedade, mas o lado bom é que me fazem mais feliz, salvam meu dia e me fazem superar qualquer tristeza que eu tenha vivido. A prova disso é a cara que eu fico quando a gente desliga e a minha mãe vem dizer: “Nossa heim, que alegria é essa heim, me dá um pouco!?”

Isso porque ela não sabe como fica a minha cara quando você vem me abrir o portão da sua casa.

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