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Descasca o esmalte das unhas devagar

Você acorda já vendo se tem notificações no celular. Acorda já apertando o meio da pasta de dente. Acorda conferindo se faz frio ou calor.
Se olha no espelho, faz cara feia pro cabelo e quando não é dia de lavá-lo, coloca uma touca pra proteger. Entra no chuveiro, liga e mede a temperatura da água um dia com o pé, outro com a mão. Sai, se enrola na toalha e corre pro quarto. Às vezes já sabe o que vestir, às vezes sente o corpo secar só por não decidir.

Vai até a cozinha e pensa em algo leve pra comer.
Liga a TV, vê as notícias da manhã, confirma a previsão do tempo.
Confere a bolsa, confere todo o mar de coisas que leva nessa bolsa, muito à se prevenir, pouco à se utilizar. Esquece do perfume. Escolhe o perfume. Uma borrifada em cada lado do pescoço e em cada pulso.

Sai de casa pra esperar o ônibus chegar.
Já de fones de ouvido e óculos de sol, abre o instagram e vê fotos pra inspirar.
O ônibus chega, você entra e procura banco pra sentar. Quando encontra já é um motivo pra comemorar; quando não, não tem problema também, às vezes tem gente que te ajuda com a bolsa; às vezes não. Tudo bem também.
O mesmo acontece se pega metrô ou trem.

Chega no trabalho, pausa a música e distribui alguns “bom dia”.
No almoço prefere tenta continuar comendo algo leve, mas na sexta-feira você se permite relaxar.
Prende o cabelo, não foi dia de lavá-lo.
Com uma das mãos acomoda a maioria dos fios, com a outra pega um elástico para segurar. Uma última puxada com uma mão para cada lado e é criado um rabo de cavalo para te ajudar.

Volta do almoço, segundo turno de trabalho.
Às vezes tem um vídeo engraçado pra assistir, às vezes não.
Às vezes tem mil notificações no celular, às vezes só a lembrança de alguma conta pra pagar. Às vezes os dois.

Acaba o expediente, hora de ir pra casa.
Na volta lembra do livro que tenta terminar.
Fones de ouvido, livro e ninguém pra incomodar. O mundo pode até cair e você não vai se importar.
Cansada, deseja a hora de chegar em casa e os amigos não param de falar no celular. Responde uma outra conversa, digita um outro “hahaha” sem ter dado 1 sorriso sequer.

Chega em casa, outro banho pra relaxar.
Tem dias que prefere lavar o cabelo a noite e secá-lo antes de dormir; tem outros que prefere não lavar; tem outros dias que lava e deixa o tempo secar.
Já de pijama, conversa com a família – nem que seja pelo celular, nem sempre tem algum assunto muito relevante pra comentar. No celular, confere as outras conversas que deixou de opinar. Ainda entra rapidinho no Facebook, ou no chat pra se atualizar.
Curte um ou outro post, ouve uma outra música, posta um ou outro clipe e escolhe desconectar.

Deita no sofá; um seriado pra se distrair.
Vai mergulhando nas horas da noite e quando se dá conta vê que passou da hora de dormir.
Vai até a cama, senta de um lado e retira os chinelos.
Chega a pensar se vale a pena escolher alguma roupa desde já, às vezes escolhe, às vezes não.
Dá uma última conferida no celular, confere se o despertador vai te acordar.
Descobre parte da cama coberta pelo edredom. Deita devagar.
Se encolhe pra se aquecer; agora a Terra pode parar de girar.
E se desliga do mundo, entra em mais um sonho até um novo dia nascer e você acordar vendo novas notificações no celular.

No meio tempo entre tudo isso, esbanja um sorriso aqui e outro ali, conversa no telefone, manda um “<3” gentil no fim de algum e-mail. Tira e coloca o óculos quando lembra de usar. Promete um regime novo com uma barrinha de cereal pra começar. Digita um “Ai amiga, a gente precisa conversar”. A cabeça voa sem sair do lugar. Lambe os lábios e às vezes se enfurece por ter esquecido a manteiga de cacau. Pesquisa novos cortes de cabelo. Reclama com o pessoal do trabalho que não tem mais roupa pra usar. Planeja comprar um novo creme para rejuvenescer. Entra numas ideias de suco verde pra desintoxicar. Descasca o esmalte das unhas e lembra que é preciso marcar manicure. E talvez pedicure. Depilação com certeza!

No meio tempo tudo isso existe alguém que te espera se você encontrar um tempo para enxergar.

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Em Dezembro de 2013 lancei o primeiro livro desse blog: “Um Travesseiro Para Dois”
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Somos todos farinha da mesma vida

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=FJBw7Co0efc&w=420&h=315]

Aí está você.
Uma pessoa como outra qualquer, nem pior nem melhor que ninguém. Só uma pessoa só.
Você é uma pessoa com algumas experiências.
Aos olhos dos outros podem não ser tantas assim, aos seus olhos são todas experiências valiosas e cada uma tem um valor que te fez e faz ser quem você é. Não importa quantas sejam.

Você já chorou por alguém e já amou alguém também.
Já quis voltar e já preferiu não voltar. Já tentou começar e já preferiu terminar.
E não foi só uma vez. Nem duas. Muito menos só três.
Você lembra de todas – ou pelo menos da maioria – das suas noites de sexo.
Você se vê nos reflexos da janela do metrô e se vê nos versos que chegam até você pelos fones de ouvido.
Você vê graça nos cachorros e nas risadas dos nenéns.
Você sente saudade e gostaria de reviver muitas coisas, mas você também acha que muitas dessas coisas nem poderiam ter começado para que um dia não tivessem terminado. A saudade é um dilema pra você. Você não gosta de sofrer. Você custa a entender que sofrer faz bem pra crescer, como qualquer pessoa pensa.
Por quê é aquilo né: se nós soubéssemos do fim, muitas vezes nem começaríamos.

Você ajuda bastante os seus amigos.
É o tipo de pessoa que todo mundo vem pedir ajuda quando a coisa está preta. E você nunca hesita em ajudar. E isso te faz bem.
Tem vezes que ajuda falando sem parar e dá muitos pontos de vista, outras vezes só prefere escutar.
Você faz falta para muitas pessoas mas nem todas demonstram isso.
Muitas delas podem até não te falar o quanto, mas a sua presença irradia os lugares e os momentos podem ser divididos em dois: antes e depois de você chegar.

Como qualquer pessoa, tem vezes que você também precisa de ajuda.
E perfeito seria se não precisasse demonstrar isso, seria melhor se percebessem.
Mas o tempo tem te mostrado que as coisas realmente não são como você gostaria que fossem, ou pelo menos muitas delas não. Tipo as pessoas.
Você não entende como alguém consegue trair outro alguém. Não entra na sua cabeça o que as pessoas tem feito com o amor. Mas você também erra. E muito. Como qualquer pessoa.
E aí que você já ouviu de alguém que seu problema é pequeno demais, já ouviu que deveria se preocupar com outras coisas e já ouviu coisas do tipo “você não merece passar por isso” como se você algum dia na vida achasse que merecesse.

Tem gente que prefere usar a mão pra te apontar do que te ajudar.
É só você contar uma ou outra coisa sobre a sua vida que já aparece gente dizendo o que fazer; mas quase ninguém aparece perguntando o que você deseja fazer. Essas são as pessoas. Se você mudar de país, elas vão continuar sendo as mesmas pessoas.

Você já se perguntou quais são os seus defeitos para as coisas não darem certo como gostaria, e mais, já perguntou porque parecem dar mais certo para outras pessoas do que pra você. E não é inveja, é inquietação mesmo.
É que você sabe que sempre tenta espalhar o bem, mas se questiona por esse mesmo bem acontecer numa velocidade reduzida pra você; se tratando da mesma moeda, claro. Pensa assim, como qualquer outra pessoa.

Você gostaria de ter mais dinheiro.
Com mais dinheiro, você acredita que poderia se entreter mais e pensar menos nas coisas ruins. Você poderia viajar, poderia comprar coisas, poderia fazer um monte de coisa diferente pra se ocupar. Aí você lembra que esteja onde estiver algum travesseiro estará te esperando e nesse momento dinheiro nenhum vai melhorar a sua vida.

Você quer alguém legal pra completar a sua vida.
Quer passar a manteiga no pão de manhã e quer ter com quem conversar sobre o jornal. Quer segurar uma caneca com alguma bebida quente com as mãos cobertas pelo moletom. Você quer enroscar suas pernas em outras durante a noite. Você quer começar muitos S01E01 dos mais diversos seriados.

Você se irrita com a rotina.
Esse negócio de levantar, fazer o mesmo caminho até o trabalho, pegar o mesmo trânsito, dar os mesmos “bom dia”, reclamar da segundas-feira, deseja a sexta, comer mais do que deveria no almoço, beber menos água do que gostaria, voltar pra casa, mesmo caminho, mesmas pessoas, mesmo cansaço. Tem dias que você não aguenta tudo isso. Se não fosse um livro ou uma música pra entreter, você certamente já teria desistido. Tem vezes que você tentar mudar as coisas. Marca de ver algum amigo bem no meio da semana, quando tudo está bem até ao cinema consegue ir. Vez ou outra, bem vez ou outra, tenta comer fora. E apesar do cansaço você fica feliz com essa novidade na semana. Você gosta de experimentar gostos diferentes da mesma vida.

E aí que você passa muito tempo na internet.
Sobe e desce sua timeline procurando coisas, ou algo interessante, ou engraçado, ou bonito, ou qualquer outra coisa que chame sua atenção, de foto à vídeo. Você não percebe mas fica longos minutos repetindo esse processo e só intercala entre as redes sociais. Pega o celular e começa a ver fotos dos amigos, dá um coração aqui e outro ali. Depois volta pra sua timeline no computador. Depois repete tudo isso.

Você quer ser feliz.
Você sabe as coisas que tem feito e as coisas que precisa fazer pra isso acontecer. Você sabe bem dos seus defeitos, sabe bem o que precisa fazer pra melhorá-los ou pelo menos sabe o que não precisa fazer pra piorá-los. Você tem discernimento. A vida até que te faz sentido em alguns momentos. Muitos dos problemas da sua vida são causados por você, outros, pela própria vida mesmo. Ela é assim. Você não é melhor nem pior que ninguém, você só quer ser feliz, como qualquer outra pessoa. Aí está você.

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Só me acompanha na volta pra casa

Leia ouvindo.
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=pQ8mJMv5nxE&w=560&h=315]

Eu queria que você não se assustasse comigo.
Queria que meu jeito de mostrar que gosto não te incomodasse tanto.
Sabe, eu já ouvi algumas vezes na vida que tenho mania de acelerar as coisas. Nunca contrariei, mas sempre me perguntei se isso era tão ruim como parecia ser pelo jeito que me contavam. Entendo que preciso ir com calma para não meter o pé pelas mãos, mas todas as coisas que faço são só pra mostrar o quanto eu gosto e não o quanto eu quero prender alguém comigo.

Tá tudo tão estranho que a gente estranha quando alguém tem um comportamento estranhamente bom.

A impressão é que as pessoas andam tão desconfiadas umas com as outras que rola uma defesa do tipo: “duvido que seja uma gentileza, deve ter alguma intenção por trás disso”, ou seja, não existe mais gentileza nesse mundo, só segundas intenções. As experiências ruins tomaram o lugar das boas. Que coisa terrível de ter que aceitar.

Mas eu não quero que tenha medo de mim.
Não quero te assustar, não quero te pressionar a nada, nem muito menos quero ser o culpado por algo não dar certo entre a gente, algo aliás, que nem começou praticamente. Conversas resolvem.

Eu concordo com quem já me disse que a minha ansiedade me domina.
Talvez seja uma pressa infantil de querer viver logo as coisas boas, sei lá. Não quero exatamente justificar, mas tento entender pelo meu próprio bem. Mas as pessoas também não me ajudam e não decidem o que querem.
Já teve casos em que fui com bastante calma e paciência, aí a pessoa diz que pareço que não gosto da mesma maneira. Tipo? Já teve casos em que consegui me policiar e perguntar menos vezes se está tudo bem e se eu poderia ajudar em algo, mas depois fiquei sabendo que a pessoa disse que eu parecia não me importar com a vida dela. Tipo? Ou seja, ninguém sabe o que quer nessa vida.

E eu só quero que alguém queira viver algo bom, e que se tiver um espaço pra isso, que me deixe ocupar.

Também não quero dramatizar as coisas e erguer o troféu da derrota, só que as coisas não estão fáceis, sabe?
Todo mundo quer a mesma coisa só que do jeito que desejam e não do jeito que merecem. É muita gente escolhendo e pouca gente vivendo. Muita gente querendo tudo perfeito e pouca gente querendo viver algo direito. Eu também estou nesse meio, não posso me isentar.

Lembro que já dei sinais de que a pessoa estava indo rápido demais comigo, só que depois percebi que tudo estava bem e que na verdade aquela velocidade era normal, era até parecida com a que eu vivo as coisas, no fim percebi que eu queria viver essa velocidade com outra pessoa. Essa era a verdade. Eu não me importaria com isso se fosse com outra pessoa, mas me importei com ela. Mas tudo bem, eu não sabia direito o que eu queria e fui deixando a vida me mostrar. Gosto dessa parte da minha vida.

Sou das pessoas que deixam o relógio correr ao invés de correr contra ele.

É engraçado esse paradoxo: sou uma pessoa extremamente ansiosa para muitas coisas, mas me orgulho da paciência com que eu eu deixo as coisas acontecerem também. É que na minha cabeça é muito clara a ideia de que se eu não tentar, não tem como saber como vai ser.

Bem, eu não quero que tenha medo de mim.
Já comecei assumindo meus erros e toda essa minha ansiedade pela vida, mas eu gostaria que valorizasse a parte boa desse meu jeito; essa parte boa minha em só querer viver uma história bonita.
Na pior das hipóteses, talvez valha você considerar que é melhor eu demonstrar alguma ansiedade do que algum tipo de indiferença por você. É melhor eu demonstrar que gostaria de te ver mais, do que nunca mais te ver. E eu sei, sério, eu sei, que tudo depende, que mesmo as coisas que eu fizer de bom podem prejudicar e incomodar alguém, tipo você, mas eu quero acertar. Eu já cansei de ter que voltar pra casa sozinho. Cansei de ver as pessoas reclamando e desejando as mesmas coisas que eu posso resumir em: alguém pra dividir o banco do metrô. E aí tem as pessoas que encontram alguém assim, mas só veem os defeitos e logo desanima; e tem as que não encontram, que só desejam, mas pouco fazem pra mudar. E tem eu.

Tem eu que assusto com a intenção boa. Tem quem acelera mais do que freia. Tem eu que por ter tanta ansiedade pareço mais daquelas pessoas possessivas do que as que gostam de cuidar. Mas também tem as pessoas que veem as coisas erradas nas pessoas certas. Tem as pessoas que encontram tudo o que sempre quiseram em alguém, mas que isso não é o bastante. Tem todo tipo de gente. Tem um monte de coisa envolvida, tem um monte de sentimento. Só não precisa ter medo de mim, não precisa ter medo do meu jeito; eu não vou te machucar. Não precisa fugir ou ignorar minhas mensagens.

Eu posso até não ser quem você gostaria, mas sou quem garante que mal jamais te faria.

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Essa dúvida pode te matar

Leia ouvindo:
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Tudo bem não saber que roupa vestir de manhã e ficar horas em frente o guarda-roupa escolhendo, agora, ficar em dúvida sobre ter ou não a presença de uma pessoa na sua vida, ah, por favor, cuidado com isso.
Não cabe a ninguém julgar como as coisas acontecem, sem contar que a velocidade de cada uma delas depende de cada pessoa, mas talvez valha pensar que a partir do momento que as nossas decisões influenciam a vida de uma outra pessoa, devemos considerar que não somos tão independentes assim.

Nessa vida cheia de incertezas, é cruel manter mais uma dentro da vida de uma pessoa.

Há verdades que doem, mas por mais doloridas que possam ser, sempre serão verdades, sempre serão coisas impossíveis de se contrariar. Desse modo, é valioso quando optamos por falar a verdade ao invés de desenharmos um mundo com tantas voltas que não saem do lugar e que no fim significam a mesma coisa.

Esse negócio de “estou em dúvida do que eu quero” não faz bem pra ninguém e é só tempo perdido.

A gente tem tanto medo de tentar que nem consideramos acertar.
A nossa prisão no passado nos afasta de dias melhores no presente e no futuro.

Isso quer dizer que os problemas que criamos pra nós mesmos, tipo a dúvida em continuar ou não uma história com uma pessoa, só alimenta uma angústia que empaca a nossa vida e não nos deixa crescer. É que a gente acaba ficando refém de algo que nem aconteceu ainda, a gente acaba dependendo da possibilidade das coisas, e o que é pior, de possibilidades que estão nas nossas mãos.

As oportunidades são as passagens dessa viagem que é viver.
Está nas nossas mãos a escolha de agarrar a alguma delas e sair por aí correndo atrás de ser alguém melhor. Tentativas sempre são válidas, sempre trazem paz.

O mesmo acontece com as chances.
Entre dar uma chance ou viver com uma dúvida, a melhor saída talvez seja sempre eliminar alternativas, ou seja, não dá pra enxergar problema em algo que não aconteceu, apesar da nossa mania em querer prever o futuro: “ah, aí vou dar uma chance  e já sei como vai ser; vai ser assim e assado” Quem garante? Entendo que temos uma preocupação em errar, só que maior que isso deve ser a vontade em acertar e não precisar ter dúvidas de novo. Melhor que a dúvida em saber se algo vai dar certo ou não, é ter a certeza de que você tentou tudo que podia, independente do resultado. No fim, ninguém perde nada, você respeita sua vontade e a si mesmo ao tentar todas as vezes e aqueles que chances tiveram de você se veem com uma oportunidade valiosa de fazer diferente do que foi feito na última vez. O curioso é que isso não se aplica só em “segundas chances para pessoas que desperdiçaram a primeira” mas sim em casos de “tenho medo de tentar e ver que a pessoa não era o que eu esperava”. Nem todas as chances justificam os fins.

Já é tudo tão difícil nessa vida. É difícil ter que lidar com tanta conta pra pagar no fim do mês, difícil ter que lidar com a vontade de ter coisas que não podemos, difícil ter que lidar com todas as coisas que não gostamos em nós mesmos, que vendo de uma forma generosa, é injusto também dificultar as escolhas que dependem da gente. Temos um terrível tendência em dificultar ao invés de facilitar. E apesar de coerente, o discurso de “é que já passei por isso antes” não pode nortear um futuro que você nem conhece! As pessoas não são iguais. E que bom.

Aquela história de “preciso de um tempo pra saber o que eu quero” é extremamente perigosa. Por um lado faz sentido esse tempo ara se avaliar e perceber quão importante tal pessoa é na sua vida – pois alegar que o tempo serve “pra ver se me faz falta” é uma loucura, pois claro que fará, cedo ou tarde, de um jeito ou de outro – por outro lado, no entanto, com esse tempo é dada a largada para dias de caos e desespero por parte de quem espera a resposta, seja qual for. E eu sei que tem vezes que a gente evita esse assunto só pela pessoa parecer “estar gostando demais ainda” e vez ou outra somos flagrados fazendo joguinhos do tipo “vamos ver se a pessoa mudou mesmo”, mas no fim, o que essa pessoa precisa da gente é só alguma definição, seja ela qual for. Se você não querer mais nada e sentir que ela quer o contrário, ninguém tem culpa, desde que seja esclarecido por você quais suas intenções. O mesmo vale se você estiver no lugar de quem espera uma resposta, não adianta também parar toda a sua vida e viver alimentando uma incerteza ao invés de sair por aí vivendo certezas.

Nós podemos até não saber o que queremos, aí entra naquela de um dia querer algo e no outro dia, outra coisa, mas nós sabemos muito bem o que não queremos, e a partir disso é justo que saibamos respeitar à nós mesmos. Na dúvida entre continuar e parar, é preciso encontrar a paz. Se a opção for continuar, que continue sabendo que pode dar certo ou errado, que pode ser incrível ou uma bosta, que pode durar 1 dia ou 100 anos; já se a escolha for por parar, que perceba também que está jogando uma oportunidade embora da sua vida, que a partir de então será só mais uma incerteza de companhia, que talvez você comece a pensar “como seria se eu tivesse tentado?”, que talvez você se arrependa e queira correr atrás, mas que sobretudo, que perceba que o que tinha você não tem mais.

O medo de não fazer a melhor escolha só te faz perder tempo para aproveitar alguma delas. E você nunca saberá qual a certa ou errada se você não tentar. Pense em você, mas pense também na outra pessoa. Vocês podem até não darem tão certo como espera, mas podem e devem viver em paz com a morte da dúvida.

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Eu sou um filme pra você assistir de novo

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=fWbvBtDUTd8&w=560&h=315]

Nós marcamos a vida das pessoas.
E aí depende da gente sobre qual maneira vamos marcar.
Tem palavras que renovam vidas, tem outras que destroem auto-estimas.
Tem pessoas que amaldiçoam perfumes e que nunca mais conseguem fazer com que esqueçamos delas ao sentir o mesmo cheiro outra vez qualquer. Tem gente que pega alguns dos refrões que gostamos pra si e custa para que consigamos ouvir novamente sem ter uma visita da lembrança. Nós somos tão submissos à nós mesmos.

Por isso nós gostamos de datas.
Datas servem pra marcar ainda mais a vida de uma pessoa na outra.
O primeiro beijo, o primeiro sim, a primeira vez, o primeiro filme, a primeira viagem, e tantos outros primeiros que construímos e que muitas vezes acabam se tornando eternos. Este somos nós: sempre em busca de motivos pra celebrar e as datas servem pra isso. Sem contar que não tem como não querer se prender a esse tipo de coisa, pois a sua memória pode não funcionar, mas o calendário estará sempre lá pra te lembrar no acaso de um segundo que aquele dia x não é so um dia x. Nós amamos motivos pra comemorar, nós amamos o “aquele dia que passamos juntos”.

Beijamos com a mão na nuca porque gostamos disso. É assim que gostamos beijar.
Pode ser que outras pessoas também o fazem, mas nós temos um jeito nosso de fazer e é esse jeito que será lembrado. Outros gostam de beijos com a mão no rosto e por aí vai. Na prateleira da vida tem uma caixinha de surpresas chamada futuro. É lá que vamos nos surpreender com uma onda de lembranças do que já vivemos e das pessoas que já passaram pela gente. E dentro das lembranças, existem as que inspiram e as que aterrorizam. As que inspiram existem pra nos lembrar de quanta coisa boa já vivemos e quão capazes somos de viver coisas ainda melhores, já as lembranças que aterrorizam são as que trazem à tona cada um daqueles momentos que nós não gostaríamos de ter vivido. O mérito aqui não é desqualificar a importância da dor na vida de uma pessoa, mas sim o desejo real e justo de sofrer menos nessa vida já sofrida.

Em cada beijo que damos, damos também um pedaço do que somos.
O mesmo funciona para os abraços e para as noites de sexo. Por isso, viver uma história com alguém é doar parte da própria vida pra fazer com que a vida da outra pessoa seja melhor.

Talvez por isso que nos abalamos tanto quando uma pessoa nova entra na nossa vida. E aí, assustados dada a importância desse momento, nos defendemos alegando medo de sofrer de novo ou alguma outra daquelas respostas que damos para tentar explicar porque as coisas não saem do lugar, até nos rendermos. É que do primeiro beijo até o último segundo juntos acontece uma troca de vidas; um empresta parte da própria pro outro. Nós damos permissão para um corpo estranho dormir ao lado do nosso, damos permissão para uma nova voz nos fazer companhia no dia a dia, damos permissão para que essa outra pessoa tenha a liberdade de falar sobre o que podemos melhorar. Por isso a tristeza é tão forte quando alguém vai embora da nossa vida. Porque ela não leva só os momentos que foram vividos; essa pessoa leva parte do que somos e do que fomos durante toda a história, dure 1 dia ou 100 anos.

Acreditar em alguém é o um investimento de alto risco. Mas é um investimento sempre válido.

No fim das contas, o negócio é que você nunca será esquecido.
Talvez a rotina e a lentidão do tempo para te trazer novidades te façam pensar que deixou de ser um para se tornar mais um, mas pelo contrário. Entenda que ninguém também vai ficar te lembrando como você foi importante para aquela pessoa, mas no que vale se apegar é na certeza de que você fez tua parte para tentar melhorar a vida daquela pessoa.

O famoso “viver intensamente cada segundo” significa que está nas nossas mãos a possibilidade de fazer com que um segundo qualquer se torne uma daquelas novas datas para serem lembradas. É trazendo para os menores exemplos que dá pra enxergar as maiores atitudes. Entenda que a sua lembrança faz morada na vida de quem já passou por você. De vez em quando esse alguém que já passou por você te encontra num momento da vida em forma de saudade. E isso tudo que estamos falando não é para servir de consolo, mas é pra te fazer enxergar uma verdade, te fazer ver que vale muito mais a pena ser real do que ser uma paisagem, que vale muito a pena aproveitar do poder que temos de melhorar vidas.

Não meça esforço, ele pode ser o último da sua vida. E vale a pena saber que o mínimo que fazemos pode ser o máximo que alguém pode ter. As pessoas não esquecem, só param de lembrar. Você sempre será lembrado, tipo um filme pra ver de novo.

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Aqueles que gostam de abraços nas escadas rolantes

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=pHvO7-K7jko&w=560&h=315]

Quando a gente gosta de alguém a gente gosta de contar para os amigos.
É bom demais falar pra quem gosta da gente sobre quem novo que estamos gostando.
Rola aquela excitação dos parques de diversões e repetimos as mesmas histórias para todos os nossos melhores amigos, aí fica aquela chuva de copia e cola no whatsapp falando sobre o mesmo assunto em todas as conversas. Que coisa mais terrivelmente deliciosa.

Do nada passamos a nem ligar pro trânsito insuportável de cada dia, muito menos pra lotação do transporte público. Isso não significa que os problemas sejam resolvidos, mas que começamos a dar menos importância para todas as coisas que nos irritam e passamos a focar na importância em todas as coisas que nos fazem bem. Rola uma cegueira gostosa sobre as coisas ruins da vida.

Engraçado que quando estamos gostando de alguém tudo é motivo de assunto.
Uma volta qualquer do trabalho pra casa passa ser uma volta que tinha dois cachorros no caminho, um casal rindo na avenida, o preço do sorvete que aumentou, a blusa que foi esquecida e a noite esfriou, as vontades de comprar algumas coisas, as dívidas pra pagar outras, os planos pro fim de semana, o resultado do futebol, as coisas que eu chefe diz, aquela pessoa chata do trabalho, aquela pessoa legal, o sabor da comida no almoço, o vídeo engraçado do dia… E por aí vai. Acontece que gostamos de compartilhar tudo o que vivemos com quem estamos gostando. É um lance de compartilhar a vida em sua essência. Pois essas mesmas coisas passam pelos nossos olhos todos os dias, mas é só o coração chegar chegando e começar a bater mais forte que essas coisas ganham importância especial.

E como ficamos bobos, né? Sim, ficamos insuportavelmente bobos. Se não tem assunto, inventamos um novo. Se tem, falamos sobre o mesmo mil vezes. Antigamente as orelhas esquentavam pelas horas no telefone, hoje são as teclas do teclado do computador ou a tela do celular que faltam cair de tanto digitar o dia todo. Ignoramos um amigo aqui e outro ali, mas aquela pessoa, ah, aquela pessoa não. E poxa, rola uma licença sentimental nesse caso, né? Não é uma questão de não se importar com mais ninguém, mas sim de se importar muito mais com alguém especial. Aí faz sentido, né?

Tem um negócio que muda também: auto-estima.
Da noite pro dia começamos a escolher as melhores roupas, e nos dias em que “vamos ver aquele alguém” acontece toda uma dedicação em escolher a roupa mais legal e o perfume mais gostoso. Também começamos a comprar um pouco mais. Pois é, viver uma história com alguém não é o que podemos chamar de barato, mas tem o lado bom que a gente gosta de se cuidar um pouco mais. Funciona assim: num domingo qualquer você faria qualquer coisa, até mesmo iria ao shopping dar uma volta, agora, num domingo com a companhia daquela pessoa podemos até ir ao mesmo shopping, mas algumas dívidas são feitas lá. As vitrines chamam mais atenção e uma história liga a outra. Alguém fala “Ah, sempre quis comprar um desse” e na cabeça já liga o botão do Possíveis Presentes Pra Dar™. Alguém diz “Vamos só dar uma passada?” e algumas novas sacolas cheias de compras vão segurar a vela dos dois na volta pra casa. Nós passamos a consumir a vida de um jeito diferente.

O passar dos dias são comemorados com festa.
Há quem poste nas redes sociais: “sexta-feira, sua linda!”, há quem não fale nada mas nem por isso comemora menos. Há quem explana, tipo: “@fulano olha isso, lembrei de você!”. E é louco também como parece que começamos a atrair algumas coisas. Aquelas matérias sobre “coisas pra fazer no fim de semana” começam a aparecer perto do fim de semana. Aquelas promoções tipo “faça x coisa e ganhe um par de ingresso” brilham nossos olhos e não pensamos duas vezes em ver qual é.

Fazer qualquer coisa fica mais legal quando estamos na companhia de alguém legal.
Até uma escada rolante começa a ter um sabor diferente. Mudamos da raiva em ver as pessoas ocupando a parte da esquerda, ao esquecimento em se ver ocupando a mesma faixa da esquerda só pra manter ali uma mão dada. Ou então, para os mais ligeiros, rola aquele degrau maravilhoso que parece ter sido feito pensando na vida dos casais. Perceba que para dois amigos conversarem é um tanto desconfortável. Um sempre vai ficar mais alto que o outro e vai ouvir menos; a comunicação é prejudicada até que alguém fala “Peraí, deixa a gente sair e você continua… Pronto”. Agora quando estamos na condição de poder abraçar alguém a qualquer hora, parece magia: alguém fica um degrau acima e o abraço se encaixa de uma maneira meio inexplicável. Pode até rolar um beijo aqui e outro ali, só a escada que poderia não parar de rolar. São alguns segundos que fazem tão bem. Daria pra ficar uma vida falando sobre como esses segundos são gostosos pra vida de qualquer pessoa.

A música diz que “quando a gente gosta é claro que a gente cuida” e poucas verdades são maiores do que essa. Nós somos aqueles que gostam de cuidar mesmo, de perguntar se está bem, se melhorou do resfriado, se comeu bem e devagar, se tem organizado as coisas, nossa, são tantas coisas pra se preocupar que as contas se perdem. Mas também pudera, não bastasse a vida que temos nós começamos a ver graça em cuidar da vida de quem estamos vivendo. Mas vale explicar: não é cuidar da vida no sentido fiscal da coisa, é cuidar da vida no sentido de zelar, de querer e lutar pelo bem da pessoa. Entende?

É então, nós ficamos bem diferentes.
Esses somos nós, aqueles que gostam de abraços nas escadas rolantes, que cuidam, que contam para os amigos, que dividem todos os detalhes da nossa vida tão básica, é, isso mesmo, que transformamos a nossa vida tão comum em uma vida interessantíssima sem muito esforço. Isso é bom, isso é gostar de alguém, isso é sobre como a gente fica quando a gente está gostando de alguém. Nós somos assim mesmo e pra sempre assim seremos, pois tem um treco chamado amor no meio disso tudo.

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Márcio Rodrigues.

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Aquele negócio no pé do ouvido

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=B13npHcO_xc&w=420&h=315]

Você não para.
Se eu fosse contar todas as vezes em que fica se mexendo eu não conseguiria dormir.
Mas isso não é uma reclamação, é uma constatação.
É melhor te ter inquieta do que nem te ter. E te ter significa me ter também.
Mas que é uma verdade que você não para, ah, isso é. Você parece que sonha estar caindo de algum lugar.
Tem horas que enrosca a perna por entre as minhas,
tem outras que prefere se encolher inteirinha.
Tem também as vezes em que pega o edredom todo só pra você.
E apesar de me ouvir espirrar, nem liga pro frio que me faz passar.
Quando coloco uma mão embaixo do travesseiro geladinho pra relaxar,
você parece fazer de propósito e indica que quer que eu te abrace,
puxa meu braço por cima de você e leva minha mão até embaixo do seu rosto.
E como eu posso negar?
Só acho engraçado que quando mostro que eu também quero,
você se faz de desentendida e não se toca nem que o teto caia.
Cheia dos caprichos, ainda tô sabendo como lidar.
Aí no meio da noite coloca os pés gelados sobre a minha perna quentinha,
me dá uma agonia, uma tremedeira impossível de disfarçar,
mas você se encolhe e nem sai do lugar.
Tem vezes também que percebo que você fica em dúvida sobre quem é o colchão.
Tipo, do nada sinto minhas pernas pesarem e quando reparo são as suas
em cima das minhas como se fossem a coisa mais leve – não que sejam pesadas –
do mundo.
Agora, vou eu tentar fazer o mesmo com você?
Uma chance pra você me cotovelar até me ouvir cair no chão.
Mas nem tudo é essa folga que estou comentando não.
Pois você sabe muito bem quando a gente se encaixa e reconhece muito bem
o meu recado ao segurar no seu quadril assim como quem não quer nada.
E sabe o que é o pior? Você judia de mim.
Se mexe devagar, toda cheia de manha e se esfrega como se falasse:
“Eu sei o que você quer, seu besta, mas você vai ter que conquistar!”
Faz isso só pra ter o prazer em dificultar e em ver o quanto posso me esforçar.
E tem gente que ainda chama isso de charme, eu chamo de judiação.
Mas quando eu quero, você conhece, e talvez por isso provoque tanto,
quando eu quero, eu faço o impossível até conseguir.
Aí com você de costas pra mim coloco uma mão por dentro da sua blusinha pela frente.
Deixo a mão um tempo ali como se eu também não soubesse do que está acontecendo.
Faço círculos devagar, esfrego o dedo na barriga pra lá e pra cá,
e continuo até a sua palpitação aumentar.
Subo a mão em direção ao seu pescoço mas paro num lugar melhor no caminho.
Não faço ideia do porque, mas ali tem um espacinho que a minha mão gosta de ficar.
Aí desço essa mesma mão um pouco pra sua cintura e ali é que eu gosto de me divertir.
Abaixo e levanto sua calcinha devagar.
É um movimento que se repete algumas vezes, variando de velocidade.
E tudo isso é o que consigo fazer com uma mão só.
Só que você também é cheia de jeito.
Nas poucas vezes em que quem está de costas sou eu, você sabe como atiçar.
Solta a sua mão da minha e vai descendo pela minha barriga.
O problema é que eu não consigo evitar de mostrar que já gostei da ideia.
E o que você faz é só fingir que não percebe e começa e menosprezar.
Coloca a mão dentro da minha cueca sem precisar tocar lá e fica ali um tempinho
até voltar pra minha mão perto do meu rosto e eu me virar pra você de novo.
Você não para.
E eu não quero que você pare.
Me faz bem ter a sua companhia e vou fazer tudo para que continue gostando também da minha, assim como gostamos do jeito que a gente dorme de conchinha.

dormir

 

Em Dezembro de 2013 lancei o primeiro livro desse blog: “Um Travesseiro Para Dois”
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Vocês estão estragando tudo

É difícil ter que continuar nadando nesse mar de gente sem coração.
É por isso que cada vez mais a gente vê tantas pessoas desacreditando sobre os mais bonitos sentimentos dessa vida.
Talvez seja por isso também que os refrões de mais sucesso são os de dor.
Vocês estão estragando tudo!
Esse negócio de entrar na vida de uma pessoa, ajudando a fazer com que 1 minuto se transforme em uma vida inteira, e depois sair dessa mesma vida sem mais nem menos, não é algo que se recomende pra ninguém.
Parece que ninguém mais se importa com ninguém.
As pessoas estão deixando de ser pessoas para se tornarem copos plásticos, daqueles que você usa e depois joga fora sem pensar duas vezes. A metáfora pode ser pobre mas nem por isso menos certeira.

Dizer que gosta de alguém se tornou motivo pra se afastar e não pra se aproximar; parece ser a pior coisa a se ouvir, parece que cria-se então um escudo ou algo do tipo “não me venha com essa história”. Aí vem gente que diz “calma, já sofri demais e não quero passar por isso de novo” e essa reação soa como uma vingança em outra pessoa que nem tem culpa de nada, e que até que prove o contrário, é só mais uma pessoa tentando ser feliz com alguém.
Confessar felicidade pela volta dos sorrisos, todos dedicados à alguém especial, também não é algo para se comemorar, é algo para prejudicar, para colocar por terra todos os planos.

O que vocês querem da vida então?
Não dá pra perceber na segunda palavra que a pessoa está abrindo a vida pra você entrar? Não tem como dizer pro coração: “goste um pouco mais devagar”. Quem consegue esconder que está gostando? Por quê então fazem tão pouco com o muito que tanto fazem por vocês?

Vocês estão estragando tudo!
É mais fácil conhecer uma pessoa que tem uma história triste pra contar do que uma feliz pra inspirar. E isso é culpa de vocês!
Isso é culpa de vocês que não sabem o que querem, que trocam de opinião como trocam de roupa, que passam de um amor pro outro com se fosse uma baldeação no metrô. A vida não é só de vocês que agem dessa maneira, não mesmo!

Um beijo é feito por duas bocas, que fazem parte de duas pessoas, onde cada uma tem um coração e uma reação diferente, onde cada uma aproveita de um jeito diferente. Isso significa que tudo o que você fizer que tenha relação com outra pessoa terá efeito nessa outra pessoa. A língua portuguesa resume isso em uma palavra: respeito.

O olho no olho depois de um beijo é o passaporte para fazer as malas e se mudar para dentro da vida da pessoa.

Mas por quê vocês estão estragando tudo, então?
Por quê vocês inventam tantas histórias como se lidassem com crianças recém nascidas? “Ah, porque eu não quero te ver mal”. Que saco, quanto mais você faz algo que não é sua vontade para não ver a pessoa mal, mais mal você está fazendo à ela. Se a sua vontade é ir embora e nunca mais telefonar, que seja dito isso e não algo do tipo: “Acho que você gosta mais de mim do que eu de você!”. Esta é uma das piores coisas a se ouvir!

Não se vive uma história pela competição, se vive pelo coração.
É este coração que diz o quanto está gostando, o quanto está fazendo bem; ele que diz o tamanho da vontade de planejar coisas e incluir alguém nesses planos. Não existe essa merda de história de alguém gostar mais que outro alguém, as pessoas gostam diferente, de jeitos diferentes, umas demonstram mais e outras menos. O que existe é o fim das coisas. Por mais cruel que seja. Existe o fim da vontade de continuar, de ligar, de perguntar se está tudo bem, de dizer que chegou em casa, de dizer pra onde está indo. Existe o fim, é isso, existe o fim, não existem desculpas, existe o fim das coisas.

“Ah você é uma pessoa perfeita, o problema sou eu e não você!”
Mas é claro que o problema está em vocês que dizem uma coisa dessas!
Ninguém é obrigado a gostar de ninguém e nem existe um contrato com data de validade das histórias, mas existem as pessoas reais que mergulham e vivem cada segundo construindo momentos incríveis, momentos dos dois, momentos da história dos dois. Também não existe ninguém perfeito. Nem dá pra falar que existe quem erra menos, porque voltamos na questão da competição. Mas existem erros e acertos, didaticamente dessa maneira. Custa falar que cansou e que não quer mais? Custa ser real pelo menos na hora do tchau? O que não dá pra entender é como vocês inventam coisas pra justificar a real vontade de vocês!

A vontade de não machucar só machuca mais.
A mentira pra esconder só traumatiza mais.
A preocupação em manter uma amizade só diminui as chances disso se tornar verdade.

Vocês estão estragando tudo!
Vocês e essas desculpas e esse jeito de lidar com as pessoas; jeito de lidar com o que as pessoas sentem. “Ah, mas você é sentimental demais, por isso fica mal assim!” É ISSO! Vocês precisam aprender que as pessoas não são iguais à vocês. Existem as que vão sofrer e vão chorar sangue com o fim de uma história, assim como existem as que vão sair pela porta sem olhar pra trás. O que não deve existir é essa falta de respeito de vocês para com todas as outras pessoas do mundo.

Valorize quem quis te dar um beijo, poderia ser qualquer outra pessoa, mas você foi a escolhida. Valorize quem te pede pra avisar se chegou bem em casa, poderia ser uma preocupação para qualquer outra pessoa, mas é por você. Valorize quem transa com você e te entrega o corpo, poderia ser pra qualquer outra pessoa, mas é com você. Valorize quem te pede desculpas, poderia ser qualquer mentira, mas é uma desculpa pra você. Que saco, valorize quem diz que gosta de você, poderia gostar de qualquer outra pessoa, mas gosta de você.
É tudo uma questão de valorizar o que realmente importa nessa vida: o coração das pequenas coisas; a origem. Ao invés de ver possessividade no pedido de “me avisa quando chegar”, veja como alguém que se preocupa. Ao invés de ver como quem reclama demais as conversas tipo “você parece distante, não me manda mais mensagem” veja como alguém que está tentando melhorar a vida dos dois.
Vocês, vendo com esses olhos egoístas, só estão estão estragando tudo!

Quem somos é tudo o que temos nesse mundo.
E por isso, somos responsáveis em fazer desse mundo algo melhor na medida do possível.
Existe amor dentro das pessoas, sabiam? Que vocês um dia percebam isso e parem de olhar só para os próprios umbigos e percebam que estão estragando tudo, antes que seja tarde demais. Vocês estão matando o que de melhor nós temos: nosso coração.

foto

por Márcio Rodrigues.Instagram: @marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com

É claro que eu tenho medo, caralho

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=pJfm4xfPoic&w=420&h=315]

Ou você acha mesmo que só você tem medo de não dar certo de novo?
É engraçado como as pessoas olham apenas para os próprios umbigos e esquecem de considerar a vida dos outros.
Eu definitivamente não sou melhor que ninguém, mas eu sou alguém de carne e osso e estou de saco cheio dessa minha vida que joga gente na minha frente pra brincar com o jeito que eu sou. Que bosta!

Se eu pudesse escolher quem sou, talvez eu seria uma daquelas pessoas filhas da puta que usam outras pessoas como copos de plástico e depois fica tudo bem. Amanhã o sol nasce outra vez. Mas eu não conseguiria por dois motivos: primeiro porque isso vai contra o jeito que encaro a vida e o respeito que as pessoas precisam cultivar entre si; segundo que, meu, sério, ser uma pessoa desgraçada a ponto de prejudicar outra pessoa e não se importar pode ser qualquer coisa, menos ser humano, menos ser digna de ter vida.

Então assim, se for pra começar com essa de que “tem medo de viver de novo o que já viveu um dia” eu sugiro que se tranque no seu quarto pelo resto dos seus dias. Nem você, nem eu temos como saber como vai ser o futuro, sequer o amanhã ou o próximo segundo, mas me irrita esse discurso furado de “já passei por isso antes” como se TODAS AS PESSOAS FOSSEM IGUAIS E FOSSEM FODER COM A SUA VIDA SEMPRE.
A raiva aqui é pra expressar de forma clara toda a minha indignação sobre esse jogo barato de pisar em ovos sobre a vida, ao invés de só viver a vida como ela deve ser vivida.

Eu não quero perder meu tempo falando das coisas que já vivi e de quantas pessoas infelizes passaram pela minha vida, mas posso te dizer que apesar de não ser a pessoa mais experiente do mundo, eu sei bem o que é chorar de doer, e por mais que a minha dor não seja a pior do mundo, PRA MIM POR UM SEGUNDO FOI. Eu sei bem como é não conseguir dormir por ver a vida indo pelo ralo só porque uma pessoa se achou no direito de entrar na minha vida e sair como se nada tivesse acontecido e como se eu fosse só uma paisagem pela janela do ônibus.

Teve gente que quis me usar pra se distrair. Teve gente que me usou pra se vingar de quem nem conheço. Teve gente que fez com que eu me entregasse e me revelasse só pra ter o gostinho de dizer aquela bosta de “acho que você gosta mais de mim do que eu de você”. Teve gente também que me falou que o passado ainda é muito presente e que não se sente confortável pra viver o presente. E teve outras vezes em que me falaram que estavam com medo do futuro, assim como você tem feito. Entenda, o que me irrita não é o medo pela incerteza sobre como vai ser, mas sim, a covardia de nem tentar conhecer as exceções da vida.

Falto morrer quando ouço alguém dizer que “a vida é assim mesmo”, “as pessoas são todas iguais”, “normal fazerem isso”. Normal é o cacete! Não estou dizendo que não acredito nisso e que isso não faça algum sentido, estou dizendo que é injusto viver nivelando as coisas por baixo, na busca do “mais ou menos”, onde tudo que não for muito ruim já é motivo pra comemorar.
O que busco pra mim é a pessoa mais capaz de me fazer o máximo feliz possível. Eu nunca vou me sujeitar a viver por migalhas ou a aceitar uma vida mais ou menos, simplesmente porque eu me esforço em fazer com que a vida da pessoa que está comigo seja a melhor de todas, com que os momentos que dividimos entre para a lista dos inesquecíveis e não só fiquem na lista dos “momentos que já vivi”.

Me vendo falar assim pareço ser a pessoa mais durona do mundo, mas isso é totalmente o contrário. O que hoje me faz falar com tanta firmeza é a certeza de que eu quero o melhor dessa vida e vou correr atrás disso; a certeza de que eu sei bem que existem pessoas horríveis nesse mundo, mas que também existem pessoas incríveis, prontas e capazes de me fazer feliz de um jeito que eu nunca pensaria ser. Não consigo provar isso, mas consigo sentir isso.

Eu entendo os seus receios e como eu disse, são justos e fazem todo o sentido.
Mas por favor, não tenha medo de fazer com que a sua vida seja renovada, não tenha medo de deixar alguém entrar nela pra mostrar que tudo pode mudar, não tenha medo de arriscar e deixar com que tentem mais uma vez colocarem no seu rosto um sorriso que você gosta de exibir. Não tenha medo de eu estar aqui pra tentar te dar da vida o melhor, pois eu também já conheço muita coisa do pior. Eu também tenho medo, caralho. Só que mais do que medo eu tenho é vontade de viver as melhores coisas que a vida puder me proporcionar.

timidez

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Deixa eu te falar umas verdades

Eu vejo em você alguém que já passou por alguns bocados.
Dentro desses bocados, alguns foram bons, outros nem tanto.
Isso não te faz nem melhor ou pior que ninguém, isso te faz você.
E é assim sendo exatamente como você é que você tem mudado o mundo devagar.
Eu sei que tem dias que esse mesmo mundo conspira contra tudo,
e que a vontade de mandar isso tudo à merda é grande,
só que maior que essa vontade, eu sei também que é a sua vontade de viver
coisas pra temperar a vida mais com sorrisos do que com lágrimas.
Não que eu queira adivinhar quem você é,
mas essas são algumas coisas que deu pra perceber no meu primeiro “Oi” com você.
Lembro que rapidamente ficou claro como você batalha para que
a sua opinião seja a última a perdurar. E achei graça nisso.
Você também gosta de compartilhar dos refrões que mais fazem sentido pra você,
e sem querer, consegue inspirar as pessoas ao falar sobre isso.
Você sorri.
Aponta com o olhar pra onde gostou e não pensa duas vezes para exibir um =).
mas também não hesita em usar o mesmo olhar para reprovar alguma coisa.
O jeito que o seu cabelo fica quando brilha no sol dá pra perceber que é alguém diferente.
Isso te faz especial.
Ser do jeito que você é te faz uma companhia gostosa pra compartilhar.
Também dá pra perceber isso no jeito que você abraça.
É engraçado mas os seus braços envolvem de um jeito que não dá vontade de parar.
Entenda, não quero romantizar de um modo clichê o jeito que eu te vejo,
mas esses são só alguns detalhes que podem passar despercebidos a olho nu,
mas que dá pra sentir no ao presenciar você mexendo no cabelo.
Dá pra encontrar valor nas suas entrelinhas recheadas de energias positivas.

De um jeito ainda primário já consegui ver parte da dor que viveu.
Sem detalhes pra comprovar, mas com um coração no lugar
é possível entender que de todas as coisas que você precisa nessa vida,
a última delas é de novos motivos para exibir mais choro do que riso.
A felicidade não é um privilégio só seu,
mas é um direito que você merece desfrutar.
E a propriedade pra dizer isso vem de como você enxerga as pequenas coisas.
É bonito ver como você compartilha de uma coincidência de cores em um dia qualquer
e posta foto pra mostrar como achou diferente.
Ou fotos de frases em muros dessa cidade. Você gosta de mostrar o que faz bem!
Tem também a lista de filmes que diz já terem te feito emocionar e cujo os quais
indica sem pestanejar: “Você precisa ver esse filme, é sensacional”.
Indica num tom como se a vida fosse ser dividida e isso é legal de sentir.

Por essas e por algumas outras é que dá pra sentir alguns dos bocados que já viveu.
Não é qualquer pessoa que vê beleza em coisas em que todas as pessoas só veem; não é qualquer pessoa que dá carinho só por carinho fazer bem a alguém; não é qualquer
pessoa que parece dormir sorrindo.

Você não é qualquer pessoa e imagino não ser eu quem te fala isso pela primeira vez,
mas caso sim, não me importo em te lembrar de algo que deveria saber e que é bonito
em você. É que ao saber que o seu dia teve momentos que te impediram o riso, já é algo para lamentar, pois se tem algo que o mundo precisa de você é da sua forma de ver a vida.

valorize

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