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Como a gente encurta essa distância toda?

É claro que eu queria tudo isso diferente. Queria você mais perto. Queria sentir mais o cheiro da sua pele. Queria tudo isso e muito mais, mas hoje não posso ter. Hoje eu só tenho você e tá tudo bem. É bom te ter ainda que eu não possa te ver sempre.

A gente encurta os quilômetros de distância aproximando os nossos corações. Leio suas palavras atravessando meus olhos e morando no meu peito. Ouço a sua voz de olhos fechados para salvar o som delas e poder ouvir sempre que eu quiser. Eu mentiria se eu dissesse que é fácil lidar, mas eu nunca pensei que gostar de alguém fosse algo para chamar de fácil. A gente encontra um jeito. Um jeitinho nosso de ficar pertinho.

Só que tem dias que realmente é complicado.
A linha telefônica não ocupa a mesma função de um abraço quando o meu dia não é bom. E da mesma dor eu sofro quando te sinto não estar bem. Nessas dias é bem difícil. O que me tranquiliza é o que sentimos e como conseguimos alimentar esse sentimento todo um pouco mais a cada dia. A ligação difícil de hoje vai ser a mais gostosa amanhã.

A minha cabeça dá um nó quando a gente se vê.
Parece que consigo congelar a parte ruim da minha vida e só focar em você. Essa distância me ensinou a valorizar o que merecemos viver pelo tanto que a gente se cuida. Eu não tenho tempo para momentos ruins quando estamos juntos. Até me esqueço de te explicar porque a semana não foi boa. Eu só quero ficar perto de você fazendo qualquer coisa.

Quando a gente se vê, eu só quero ficar te vendo.

Há quem diga que essa nossa dificuldade é algo que pode fragilizar nossa história. Já ouvi histórias de quem viveu algo parecido e até me sensibilizei e parei para pensar um pouco. Bem pouco. Porque eu não dou muito ouvidos para pessoas que opinam sobre a minha vida, pior ainda quando essas pessoas carregam um pessimismo devastador. Pior ainda – porque sempre pode piorar – é quando essas pessoas usam da própria experiência para prejudicar e influenciar outras. Eu não ouço o que dizem da gente porque ouço o meu coração. Nós nunca dissemos que seria fácil, sempre foi claro em nossas cabeças o quanto depende da gente. E acho que esse é o segredo: só depende da gente e do quanto a gente gosta de se gostar. Se amanhã a gente não se falar mais, vou levar pra sempre a coleção de sorrisos que dei das vezes que a gente se falou.

A distância, embora dolorosa, não deveria ser encarada como um problema. Tem muita coisa além da vontade de se ver sempre. Tem gente que se vê todo dia e se machuca mais do que a distância machucando a gente. Acredito que a falta da presença física – porque sempre estamos presente em alma e coração – que sentimos é algo que só tempera o que vivemos.

E vai que tudo muda um dia? Vai que por algum motivo vamos ficar perto um do outro? Vai que?

A gente encurta essa distância toda fazendo uma só coisa: cuidando um do outro; semeando boas palavras nas horas do dia e colhendo os melhores momentos quando a gente se encontra. Longe da visão, mas dentro do coração.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees
curta: Um Travesseiro Para Dois

Conheço seus motivos para me odiar

Porque eu já estive no seu lugar.
Já fui eu quem quis matar quem já beijei. É que a minha raiva era tamanha que transbordava. Eu não queria aceitar o jeito que as coisas aconteceram daquela vez. Foi uma merda. Por isso eu entendo você e não tenho outro discurso a não ser te respeitar.

Ainda que nenhuma palavra que eu escolher para te dizer funcione para te fazer melhor, eu sinto que devo te falar algumas coisas.

Me desculpa pelo jeito que tudo aconteceu. Apesar que é algo que não tem como você responder: “sim, te desculpo”.

Hoje eu me vejo na mesma posição que já odiei: hoje sou eu quem não consegue explicar o por quê das coisas serem assim, eu só consigo dizer que é o jeito que devem ser agora. Isso quer dizer que viver tudo isso com você me faz reviver tudo que já vivi com outro alguém.

Aparentemente sou eu quem está estragando agora do mesmo jeito que estragaram comigo um dia. Confie em mim quando digo que imagino o que deve estar sentindo por eu já ter sentido algo parecido.

É irônico como o mundo caprichosamente dá voltas. Veja, ano passado eu me via chorando sem parar e lutando para entender algo que não dava para entender. Eu senti tanta dor! Eu pedi para voltar, eu disse que tudo ia ficar bem, eu sugeri engolir os maiores sapos, eu fiz de tudo para continuar vivendo o que eu vivia. E hoje sou eu quem nega tudo isso para você. É só mais um tapa entre tantos que a vida dá. Me desculpe por relacionar o meu passado com o nosso presente mas tudo é tão misturado pra mim.

Você tem seus motivos para me odiar e eu não quero diminuí-los.
Não sei quando a gente vai voltar a se falar – se é que vamos. Não sei se algum dia a gente vai se ver se de novo.

Apesar de no fundo querer tanto, eu não quero piorar tudo agora e dizer o quanto seria bom a gente continuar sendo amigos. Esse é um sentimento que só faz sentido pra mim agora, pois quando ouvi de outro alguém eu não entendia.

Eu não vejo a hora do tempo passar só pra ver o que vai acontecer. É que agora penso ser certo te dizer que quero terminar, mas e se amanhã outro alguém pensar ser certo me dizer que quer terminar? A vida é cheia das armadilhas.

Quando uma história acaba normalmente só acaba para uma pessoa, a outra pensa que vai poder continuar vivendo com a parte boa. É que eu ia gostar de continuar vendo seus posts e fotos, não queria te sentir tão longe, mas eu entendo que você vai me excluir de tudo e vamos nos desconhecer num clicar de botões; meu número será deletado, nossas fotos serão rasgadas e as músicas que a gente gostava não serão mais ouvidas. E eu entendo tanto. Daquela vez também me disseram que era pra gente “continuar se falando” mas eu queria que aquela pessoa se explodisse, jamais ia continuar a vida como era.

Conheço seus motivos para me odiar. Eu já tive os mesmos para odiar outra pessoa. Nessas horas a gente nem lembra do quanto já amou um dia. Eu entendo.

Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Muda que a vida muda

Mude tudo em você.

Troque esse cabelo. Cozinhe algo diferente. Mude. Mude para mudar, faça ser para melhor. Mude o caminho do trabalho. Mude o lugar do almoço. Mude o jeito de dar “Oi”. Mude o jeito de responder “Tudo e você?”. Muda que a vida muda.

E se não souber por onde começar, experimente jogando fora as lembranças ruins. Deixa os dias que não são bons de lembrar lá no passado. Você nunca vai esquecer, mas não precisa se lembrar sempre. Muda isso também.

Mude o jeito que lida com os amigos.
Encontre espaço na sua agenda para evitar o “vamos marcar sim”. Marque mesmo! Tente ser disponível, ouça mais – eles precisam tanto que os ouça. Muda que a vida muda.

Mude de emprego. Atualize seu currículo. Faça um curso. Economize mais. Não coloque culpa na rotina pela sua vida não ser tão boa quanto gostaria. Faça entrevistas. Diga o que sonha viver. Inspire sendo quem você é. Fale mais sobre os seus planos.

Mude a forma de ver as pessoas.
Olhe para quem te olha. Responda quem te pergunta. Não precisa ser uma pessoa reativa sempre. Não é todo mundo que não presta – o que é alguém que presta? Você presta? Todo mundo que já viveu com você acha que você presta? Tem tanto beijo bom esperando por você. Abraços demorados e algum calor para compartilhar entre as mãos. Você não precisa ficar falando de quem não fala sobre você. Não precisa dedicar tanto tempo para quem nem liga se você está com vida ou não. Deixa quem você já gostou lá pra trás. Você nunca vai esquecer, mas não precisa se lembrar sempre – aqui também. Muda.

Mude a música que costuma ouvir.

Confie no modo aleatório e no “Descobertas da semana”. Descobrir, aliás, é a palavra. Prove aquele café que você sempre quis mas nunca conseguiu. Experimente os pratos que te chamam a atenção. Almoce fora no fim de semana. Vá ao cinema no meio da semana. Todo dia pode ser uma sexta-feira. Muda que a vida muda.

Em nenhum momento falei aqui para você parar de reclamar, mas acho que isso não é preciso falar para mudar.

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Márcio Rodrigues.
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Poderia ser a gente, mas você não colabora

E quando vai mudar de ideia?
Eu me pergunto isso todo dia.
É que cada vez mais eu me sinto certo de que poderia ser a gente, mas você realmente não colabora. Você me desvia e me deixa perdido. Me vejo num navio de indecisões onde não sei se insisto ou desisto.

Eu poderia ser o comentário que você ia gostar de ler nos seus posts cheio de indiretas. Seria o seu abraço virtual. Eu poderia ser o link engraçado para melhorar o seu dia. Eu poderia ser o muffim para acompanhar seu frapuccino do Starbucks. Poderia ser a cobertura extra do McDonald`s. Eu poderia ser o refil do Burger King. Eu poderia ser tudo de bom nesse mundo para você, mas você não colabora.

Será que você é daquelas que olha para a quantidade de seguidores que eu tenho no Instagram? Será que você se importa se o cara é ou não popular?

Eu não tenho certeza de nada além de que cada pergunta minha é uma visualizada sua.

Já embarquei naqueles clichês de quem quer alguém. Já escrevi uma mensagem bonita para te enviar mas renuncei na hora de mandar. Já parafrasei músicas que encaixavam as letras do seu nome – eu acho que sou louco. Já te coloquei em refrões que nem faz ideia que existem: “Eu não vou mais olhar pra trás, porque hoje tenho a seunome para ficar em paz”.

Do que será que você gosta?
Ou melhor, será que você gosta de algo ou de alguém?
Será que você ia gostar do meu jeito destrambelhado de ser no shopping, ou só gosta das vitrines? Eu não sei dizer, porque poderia ser a gente mas você não colabora.

Eu curto suas fotos e fico de olho nos comentários. Lá tem gente que te flerta escancaradamente nas suas selfies: “que gata, hein? Te mandei inbox ;)”, lá tem gente que comenta “top”, tem gente que ri “kkkkkkk”ou “hahahaha”, tem gente que comenta “irado”, tem também elogios nas suas fotos da academia: “uau, que magra”.
E tem eu: ¯\_(ツ)_/¯ Às vezes comentando com emojis que não significam muito, outras só um =).

Realmente não tenho muito para te oferecer não.

E o mais triste é que eu não sei se você gostaria do pouco que tenho, porque você nem me deixa chegar perto. Tipo, será que você ia gostar de colocar a meia por cima da calça no frio assistindo TV? Será que no calor você ia achar graça em sujar o rosto com sorvete?
Será que você ia gostar de alguém para contar o que quiser? E de ter alguém para contar o que quiser que você também poderia beijar?

Poderia ser a gente, mas você não colabora. Que pena.
Aprendi que a vida é feita de oportunidades que a gente não pode perder. Será que eu sou uma dessas para você? Ou sou só mais uma para você desperdiçar?

RECADO IMPORTANTE! 🙂

Gente, eu tenho uma banda de rock chamada Dinamite Club.
Quinta-feira agora, dia 28, sairemos em turnê em algumas cidades do Brasil para abrir os shows do The Story So Far, uma banda dos Estados Unidos. O fato é: quem for dessas cidades abaixo e quiser aparecer para me dar um “oi” ou comprar um livro – porque eu vou levar – anote na sua agenda e compareça. <3

Rio de Janeiro/RJ – 28.01 – Quinta-feira – TEATRO ODISSÉIA
Belo Horizonte/MG – 29.01 – Sexta-feira – A AUTÊNTICA
São Paulo/SP – 30.01 – Sábado – CLASH CLUB
Curitiba/PR – 31.01 – Domingo – JOHN BULL PUB
Porto Alegre/RS – 01.02 – Segunda-feira – ANEXO B

Todas as infos estão aqui: http://on.fb.me/1ZLVSQm

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Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees

Você precisa de respostas

Porque não vai dar para continuar desse jeito.
Você precisa saber. É preciso saber. Você precisa saber se isso vai dar em algo ou não. Você tem o direito de saber se a caminhada vai chegar em algum lugar; tem o direito de saber se o que faz para agradar realmente agrada.

Todo mundo precisa de respostas, mas nem todos querem dar. Às vezes para continuar tendo o controle da situação, outras vezes só porque acha que deve satisfação para ninguém.

Não deve dar satisfação o cacete! É claro que deve. Ninguém tem o direito de te colocar numa posição de espera. Ninguém pode fazer a sua vida parar e decidir para que lado você deve andar. As coisas estão completamente erradas.

Ainda que não saiba se “vamo combinar um dia” realmente vai acontecer, você precisa saber se a sua preocupação em perguntar se chegou bem em casa é algo que atrapalha ou faz bem.

Você precisa saber quando vai pode dizer que vocês tem algo. Isso é namoro ou o quê? Como chama quando está ficando mais de 1 mês? O que você deve responder se perguntarem o que vocês tem? É para isso que existem as respostas e as definições. Não é rótulo, é paz. Não é garantia, é verdade. É necessário ser justo com as pessoas e a melhor ferramenta para isso é a verdade. É preciso posicionar. É preciso indicar se as coisas estão evoluindo ou não. É preciso entender se os passos estão sendo para frente ou para trás. É preciso, por Deus, é preciso saber se você está errando pensando acertar! É preciso que você saiba de tudo isso! Todo mundo merece saber disso tudo.

E não é sobre estragar a magia de como as coisas acontecem. Vai muito além, é sobre dar segurança para a próxima mensagem de “bom dia”. Será que outras pessoas pessoas mandam as mesmas mensagens que você manda para aquela pessoa? Será que outras pessoas recebem avisos de “qualquer coisa te aviso”como você recebe quando sugere algo para fazer?

Você precisa de respostas simplesmente porque, atualmente, a sua vida está totalmente relacionada a outra. Essa pessoa que te cultiva esperanças frágeis tem a obrigação de avisar se o que vivem é diversão ou é de coração. E mal nenhum vai fazer desde que a verdade seja a única coisa que você ouvir.

Ninguém é dono de ninguém nesse mundo. E é exatamente por isso que precisa de respostas. Porque se elas não forem como deseja, você vai poder pegar as suas coisas e sumir para recomeçar. Se as respostas não forem como deseja, você vai poder virar essa página pesada para escrever outra. É mais descomplicado do que parece ser.

Você não deve exigir que alguém sinta o que você sente, não deve esperar que façam o que faria e muito menos deve esperar que aquela pessoa seja isenta de decepção para você, mas você tem o direito de viver em paz. E com dúvida ninguém fica em paz. Com a incerteza ninguém é feliz. Com indiretas e palavras escorregadias ninguém dá acorda bem.

Você precisa de respostas. Assim como eu, assim como todos nós.
Você precisa resolver o que está pela metade para que possa viver o inteiro.

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Márcio Rodrigues.

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A gente aprende a viver sem

É que no começo parece que a vida vai parar, principalmente porque as horas parecem não colaborar, tudo passa mais devagar e a gente até pensa em maneiras para evitar levantar, como se faltar no trabalho fosse melhorar. A gente tenta de tudo mas no fundo sabemos que tudo que fizermos só vai, no máximo, adiar o inevitável.

O peso de recomeçar parece ser insuportável.

Como que a gente vai continuar? Como vou passar naquela rua de novo sem lembrar? Como que faz para pular essa fase e tudo ficar bem? A gente se pergunta um milhão de coisas. A única coisa certa, porém, é que no fim a gente aprende a viver sem, daquele mesmo jeito que a gente vivia antes com.
A gente aprende a continuar. A gente aprende a passar naquela sem lembrar – ou aprendemos a lidar com a lembrança. A gente aprende que pular a fase não faz a gente ser melhor. A gente encontra, dentro da gente, respostas de cada uma das um milhão de perguntas que a gente se faz.

A vida é única escola onde ter aula vaga não é legal.

Porque é preciso receber cada um dos dias do jeito que eles aparecem pra gente. É preciso aceitar que tudo está uma bosta para que tudo volte a ser gostoso de novo.

A gente aprende a viver sem um monte de coisas e pessoas nessa vida, mas a única delas que não podemos viver sem somos nós mesmos. A gente não pode esquecer de quem somos, do que gostamos e de onde queremos chegar. Não podemos esquecer de quem gostamos e de quem gosta da gente; dos blogs que gostamos de ler (<3), dos vídeos que gostamos de assistir e dos shows que gostamos de ver. Mas, do contrário, a gente pode tranquilamente aprender a viver sem aquele beijo, sem aquele sexo, sem aquela mensagem e sem a companhia daquela mão na nossa. A gente aprende que toda vez que vermos aquele filme vamos lembrar daquela pessoa, a gente aprende que toda vez que ouvirmos aquela música vamos lembrar daquela pessoa. A gente aprende que aquelas fotos também podem ser só aquelas fotos. A gente aprende que bobagem é lutar para esquecer e que só vence aquele que se respeita e busca aprender a lembrar.

Por isso, fica bem, tá?
Não dê forças para dor. E sabe como você faz isso? Falando menos vezes sobre ela. Quanto mais você fala sobre o que não gosta, mais força isso vai ter dentro de você. É preciso entender que tudo tem uma data de validade, só que às vezes a gente não quer ver, né? Você come comida vencida? Então por que fala de coisas vencidas?

A gente aprende a viver também sem a necessidade de ter. Ter alguém, ter sucesso, ter um carro, ter uma roupa, ter uma balada, ter que ter. A gente aprende.
Quando a hora chega a gente aprende que esse negócio de “um dia a hora chega” é verdade. Quando é dia seguinte a gente aprende que o dia seguinte também chega e faz bem mesmo. Quando uma nova pessoa nos elogia, a gente aprende a deixar pra lá os elogios daquelas velhas pessoas. É mais fácil do que parece ser e do que essas palavras podem explicar.

É só você colocar na cabeça que, um dia ou outro, vai chegar uma hora que a gente aprende a viver sem.

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Márcio Rodrigues.
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Será que você merece o que eu sinto?

Será que para você faz sentido eu pensar tanto assim na gente? Me pergunto todos os dias sobre até que ponto está me fazendo bem ficar pensando no quanto eu gostaria de te fazer bem.

É que existem pessoas que simplesmente não merecem o que a gente sente.

E o problema é convencer o meu coração sobre isso. Uma parte de mim te deseja de um jeito estranho e até meio doentio onde me vejo fazendo planos para nós dois sem você saber, outra parte, porém, pondera sobre o quanto vale a pena ser para você exatamente do jeito que eu gostaria que fosse para mim.

Será que você merece o que sinto? Será que esse é o seu jeito mesmo ou está sendo só o seu jeito comigo? Será que você guardaria um espaço para mim na sua vida como eu guardo para você?

É claro que falando assim parece que eu espero alguém perfeito, só que não tem nada disso. O negócio é que eu tenho o direito de esperar o mínimo de quem eu tanto dedico o meu máximo, só que com você eu não tenho certeza disso. Você não me dá a segurança de sequer um fim de semana.

O meu jeito parece te assustar, meu carinho parece te sufocar. Essas coisas tem me feito repensar muita coisa, com exceção, é claro, a possibilidade de eu mudar esse meu jeito por alguém. Isso está fora de cogitação. Acho que o problema da gente está simplesmente na gente. E talvez eu esteja insistindo demais em algo que não vai acontecer.

Será que você merece mesmo que eu use minhas músicas preferidas para pensar em você?

Eu já não mais sei de nada direito, a não ser a minha total certeza da felicidade que quero viver com alguém, só não sei se esse alguém seria você. Por isso que que eu me pergunto se você merece mesmo o que sinto por nós dois. Me pergunto sobre o quanto faz sentido minha risada boba com uma nova mensagem sua; me pergunto se você gosta mesmo ou só diz gostar dos links que te mando para assistir. Você não me deixa ter certeza de muita coisa e isso não tem me feito bem.

Será que estou gostando sozinho de nós dois?

São tantas perguntas, mas no fundo eu sinto cada vez mais que me vejo dificultando respostas de perguntas fáceis, afinal, nenhuma dessas dúvidas existirão se você me fizesse acreditar em algo – qualquer coisa.

Eu não vou me decidir agora, mas questionar já é me movimentar. Questionar como reage com o que sinto já me faz pensar duas vezes se devo te mandar uma mensagem, se devo te chamar para sair ou se devo elogiar sua roupa.

Ainda não sei dizer se você merece o que sinto, mas sei que o que sinto é bom o bastante para eu esperar alguém disposto a merecer.

Márcio Rodrigues.
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Sou de ansiedade, com ascendente em pressa

E não que eu me orgulhe disso, mas assim eu sou.
E na verdade, eu já passei muito perrengue por essa ansiedade toda. Uma vez eu devia esperar para fazer o pedido de ter algo mais sério, não esperei, assustei e afastei. Outra vez não quis dar o tempo que me foi pedido, preferi decidir e me arrependi. Esse é o tipo de coisa que acontece com gente como a gente. Sem contar aquela vez que preferi não me dar um tempo para pensar e depois tudo o que eu queria era esse tempo de volta.

Só que tem o lado bom também.
Eu penso não ser obrigado a aceitar o tempo de ninguém. Não sou obrigado a ficar esperando outras pessoas decidirem o que farão com a vida na qual tem total interferência na minha. É por isso que eu prefiro pecar pelo excesso do que pela falta. Prefiro parecer interessado demais do que desinteressado.

Entre uma e outra história toda eu vou tentando equilibrar meu jeito.

Tem também a parte da vida parecer rastejar para acontecer.
É difícil aceitar que “as coisas são assim mesmo, tudo tem sua hora” quando eu quero rasgar as mangas para fazer essa hora ser agora. Já! Não daqui a pouco.

Nisso tem a ver também com a parte boa de ser assim: eu aproveito os segundos.
Não faço parte do time que gosta de joguinhos com o coração. Esse negócio de “vou mandar uma indireta”, “vou esperar que perceba” e tudo mais, não tem nada a ver comigo. Se eu quero que saibam, eu vou fazer com que saibam.

E isso é ainda mais certo quando envolve um sentimento bom.
É que para mim não faz sentido deixar alguém não saber do que eu sinto e esperar que esse alguém perceba sozinho.

Quanto mais você espera da vida, menos ela acontece.

O tempo é algo valioso demais para ser desperdiçado esperando.

Se eu estiver gostando de você, você vai saber disso. Se eu estiver odiando, também saberá. Se eu quiser pedir desculpas, vou te pedir. Se eu achar que errou, vou te falar. E continuo assim.

O segredo está em conseguir respeitar todo este valor do tempo.
Respirar um pouco antes de dizer e pensar um pouco antes de decidir.

Não é sobre a pressa ser inimiga da perfeição, mas sim do coração.

É por isso, também, que não consigo engolir aquela história de “amanhã a gente conversa”, “tenho algo para te falar, mas depois te conto”, “vê quando você pode e a gente se fala”. Não, sério. Não! Me diz agora, dá um jeito – a gente sempre arranja um jeito – vamos resolver já e me diz agora o que quer. Se não quer mais, diz agora. Se quer diferente, diz agora. Só diga o que quer.

É sempre melhor escolher a dor da verdade do que a mentira do amor.

Sou de ansiedade, com ascendente em pressa na tentativa de felicidade.

Márcio Rodrigues.

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Você não precisa passar por isso

Você não tem obrigação de viver algo que não deseja. Não tem obrigação de fazer nada que te pedem. Você tem o controle da sua vida e das suas atitudes e ninguém tem o direito de te fazer passar de trouxa. Eu sei que muitas vezes esse tal de “passar de trouxa” é quase que inevitável, principalmente quando existe um sentimento envolvido. Afinal, tem vezes que apesar de saber que não devemos, acabamos fazendo o que não precisamos; acabamos respondendo a mensagem que merecia ser ignorada, acabamos adiando compromissos para aproveitar as chances de encontros, acabamos fazendo tudo o que é possível só para viver um pouco mais daquela esperança que alimentamos de ver as coisas dando certo.

Só que você não precisa passar por isso.
Você não precisa chegar em casa se sentindo mal. Não precisa dizer “tudo bem” se na verdade está tudo uma bosta. Não precisa ter a paciência de responder “Beleza, deixa para a próxima” Você não precisa fingir uma coisa quando sente outra. Não é mudando o seu jeito que a vida vai mudar para você e fazer as coisas funcionarem.

Você não precisa esperar que te ofendam para saber como é ruim ser ofendido. Você não precisa esperar que te traiam para saber como é horrível ser a segunda pessoa na vida de outra pessoa. Você não precisa passar por isso.

Não precisa ficar puxando assunto que não vai ser respondido. Não precisa sequer se preocupar com a saúde de alguém que não está nem aí para a sua. Você não precisa se cobrar ser uma boa pessoa para quem não é uma pessoa boa para você. É quase que tudo meio óbvio, meio automático de pensar e fazer, mas tão difícil de começar. Eu não quero que pense que a minha posição é confortável de só te falar o que não precisa fazer, se for o caso, que duvide do que penso e faça o que sente, mas você pode pensar e decidir se merece passar por tudo que tem passado. É uma escolha sua. Apesar de não ser você quem decide para quem gostar, é você que decide se o tanto que dizem gostar de você é o bastante.

Você não precisa passar por isso.
Não precisa ouvir a música que te faz mal. Não precisa rever o filme que te faz dar saudade. Não precisa frequentar sozinho os mesmos lugares que frequentou acompanhado.

A dor é natural, mas o sofrimento é opcional.

Até porque eu sei que muitas vezes a gente revive algumas coisas como se aumentassem as chances de vivermos novamente, como se ouvir aquele refrão outra vez fará aquela pessoa voltar. Mas não vai. Você sabe que não vai. Não é olhando para o relógio que as horas passam mais rápido.

Você também não precisa dedicar seu tempo para quem não dedica para você. Não precisa investigar os perfis nas redes sociais para saber com quem a pessoa tem andado, para onde e tudo mais que tem feito. Você não precisa saber de uma vida que não liga para a sua.

O sofrimento é opcional porque a gente sabe bem quando vamos fazer uma coisa que tem chances de não nos fazer bem. É como se você, mesmo sabendo da chance de morrer, tentasse se jogar do viaduto só para ver o que pode acontecer. Você sabe que bem não vai te fazer, mas você mesmo assim tenta. “É só uma olhada no perfil, rapidinho”, “Quero saber como anda a família”, “Estou com saudades dos amigos” são alternativas para sofrer. Você sabe que o que encontrar não te fará bem, mas mesmo assim você vai procurar.

Você não precisa passar por isso. Não precisa desperdiçar seu tempo tão precioso, este mesmo tempo que poderia ser aproveitado com você e as coisas que você gosta. Eu acho que está claro o quanto você não precisa provar para ninguém como é uma boa pessoa. É sabendo que você não precisa passar por isso que você prova o quanto ama a si próprio. É você em primeiro lugar sempre, depois outro alguém se der tempo.

Presta atenção. Ajude a curar o seu coração. Colabore para que os dias bons voltem. Preencha a sua rotina com boas notícias. A sua felicidade depende do jeito que você cuida da sua própria vida e não do jeito que cuidam dela para você.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees
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Deixa eu ver se entendi certo

Você só me quer quando você quiser? Preciso que você desenhe porque eu não estou conseguindo entender se é isso, ou eu que não quero entender. Eu não sei onde errei ao te falar que eu não sou alguém para brincar e descartar – existe alguém assim? Não sei onde errei ao te dizer todas as bostas que passei e como se transformaram em feridas que demoraram para cicatrizar, fazendo também com que eu demorasse para me permitir conhecer outro alguém. Então, deixa eu ver se entendi certo: eu sou a desgraçada da pessoa certa na hora errada? Porque é melhor ser o diabo do que ser uma pessoa certa, só que na hora errada. Que diferença faz? Que benefício traz? Entenda, porém, que eu não estou te obrigando a gostar de mim como já deixei claro que gosto de você. O problema é o seu desdém e as vezes em que você parece se divertir comigo enquanto eu demonstro ficar feliz com você.

Eu não sei em que droga de mundo você nasceu. Não sei o que te faz pensar que pode ter o direito de dizer o que pensa para alguém como se fosse ouvir só um passivo “Tudo bem”.

Você nunca pensou na minha parte da história.
Agindo desse jeito, você comprova que só ignorou quando te dizia estar empolgado que a gente ia se ver, você comprova que deu de ombros para todos os links de coisas legais que eu te mandei para a gente fazer.

A minha iniciativa só te distraía.

Era como se eu fosse alguém para te ajudar a passar o tempo. “Quer fazer algo hoje?” me perguntava; e eu “Quero! Vamos comer alguma coisa?” – Já te respondia com uma sugestão. Penso agora que seria eu a estar no último lugar da lista do seu celular. Penso agora que era eu a última tentativa para dar um ou outro beijo, já que quem você gostaria não te queria. Penso agora que, por Deus, eu era a merda da sua última prioridade. Enquanto eu te colocava a frente de muitas coisas e ia atrás de mil outras para fazermos juntos. Eu pensei que você gostava disso!

Você nunca teve a obrigação de me corresponder, mas sempre teve a de me posicionar. Sempre teve a obrigação de me dizer em que fase da vida estava, sempre teve a obrigação de me explicar se comigo era só mais uma das suas “saídas de sexta”. Sempre teve a obrigação de deixar claro para mim que a nossa noite juntos era só sexo, enquanto para mim era um começo de noite com um filme bom para lembrar e uma companhia boa para acordar.

E o que eu era para você? O que sou? Só alguém para você ver quando quiser? Será que é por isso que nas vezes que eu sugeria algo você nunca podia? Será que é por isso que quando eu convidava: “Vamos fazer algo sexta?”, você sempre respondia com um “Não sei, até lá te confirmo”? Você esperava ver como ia ser a sua semana para saber se teria um espaço para eu me encaixar? Você tentava confirmar outras coisas com outras pessoas para que pudesse dizer que comigo não daria mais? E eu, você sabe como eu me sentia? Sabe como eu me sinto? Você pensou nisso?

Deixa eu ver se entendi certo: você pensou que eu era só mais uma das outras pessoas que só passaram pela sua vida? Sendo que para mim você poderia ser a última?

——-

Pessoal, um minuto da atenção de vocês:
Um amigo meu e grande fotógrafo, Leandro Asai, está com um projeto incrível para a sua filha Lucy: https://www.catarse.me/Alucynation – conheça e colabore!

Márcio Rodrigues.
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