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Se Tudo Der Errado, Farei Tudo Outra Vez

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=uJjM_-IYUPQ

Sem querer e se eu pudesse gostaria de desfazer, mas o tempo e você me fizeram cultivar uma casca em mim que eu não consigo quebrar. É que agora antes de lembrar das vezes que a gente sorriu, lembro das vezes que me fez chorar, e de todas, lembro de todas, sério, eu lembro de todas as vezes que eu tentei ter teu riso mais uma vez, de todas as vezes que insisti, de todas as ideias que eu tive, todas as atitudes que tomei, as mensagens que mandei e todas as vezes que telefonei. Eu lembro de tudo e se hoje eu sou alguém que você não conhece direito, entenda, a culpa é toda sua.

Nasci pra mergulhar nos dias da minha vida, não rosto de ficar a beira-mar. Eu preciso de mais, preciso do máximo e de toda a força, nem que eu me arrependa amanhã. Com isso, assumo o risco de sofrer a pior das dores quando algo não der certo, ao passo que é grande a possibilidade de viver a maior da felicidade ao encontrar um motivo novo pra celebrar as coisas boas da vida.

Igual a você, hoje eu também mudei.
Desapeguei às nossas fotos e às lembranças da gente andando de mãos dadas na avenida. Hoje tento me concentrar no que nem aconteceu na minha vida, no entanto, relaxa, eu te levo comigo e sempre vou levar, até por quê, é impossível, eu não consigo te deletar da minha vida. E acho que eu nem quero isso. Sua lembrança é boa pra não me deixar esquecer das coisas que eu já passei e de tudo que eu ainda quero viver. Admito, no entanto, que tem horas que eu lembro do quanto eu quis que fosse com você que a minha vida continuasse, mas as coisas que eu quero não significa que as terei, aprendi isso.

Você vai acreditar em mim se eu enumerar todos os esforços que fiz pra gente recomeçar? Vai acreditar se eu disser que fui na porta do seu trabalho só pra te ver mais uma vez, que fui à shows das suas bandas preferidas só pensando que talvez eu te encontraria? São coisas que eu não precisaria te falar e além disso, são coisas que eu fiz porque meu coração gritou “vai lá e faça” e também por isso em nenhuma delas – porque tem muitas outras que nem citei – eu tentei falar com você. Aos poucos fui percebendo e entendendo a proporção desse meu sentimento. Comecei a perceber que é algo que eu não preciso encontrar explicação, tão menos preciso provar pra alguém, quem quer que seja, que é algo real. É só um sentimento meu.

Me cabe agradecer à todos que pedi opinião sobre as coisas que eu já fiz. Eram momentos que eu colocava tudo na balança pra tentar equilibrar o que fazia sentido, o que era surreal e o que era especial. Das opiniões que me deram, desconsiderei as que desrespeitavam a essência do meu sentimento, apesar de entender que nem todos entenderiam o sentimento que acabei construindo. Essas coisas me serviram pra balancear o que vale e o que não vale a pena dividir da minha vida e principalmente, à quem vale ou não a pena dividir.

Se eu te disser que a saudade foi embora, eu vou mentir.
Ela ainda vive aqui comigo, basicamente porque os capítulos que seguiram na minha história não foram capazes de me fazer querer reler o livro todo, sendo assim, vez ou outra eu me pegava voltando na nossa página favorita, tendo consciência de que ao mesmo tempo você poderia estar escrevendo um novo capítulo da sua história, com uma nova pessoa, em um novo lugar, com novos sentimentos. Faz parte.

Há quem vá dizer que isso aqui é tudo fraqueza. Vou relutar em confirmar e insisto no pensamento de que tudo não passa da minha análise sobre quem fui e em quem me tornei depois de você. Não aprovo 100% das coisas que eu faço, mas comecei a entender que algumas delas eu simplesmente deveria fazer, pelo bem estar do meu coração e pelas cicatrizes que ainda não se fecharam.

A lucidez da nossa experiência me fez ter novos pontos de vista.
Eu posso morrer ainda hoje, mas vou poder ter certeza de que um dia eu amei alguém de um jeito que ninguém nunca, em nenhuma circunstância, em nenhuma possibilidade, vai amar mais do que eu. Pode ser que amem igual, só que mais do que eu, coloco a minha vida em jogo que ninguém vai. E isso me preenche e me faz bem feito a imagem das nossas iniciais que encontramos nos desenhos das nuvens certa vez. Essa certeza vai morar em mim até o fim da minha vida, como um sentimento bom igual aquele dia que confessamos sentir da vez que deitamos na grama do parque vimos um casal de passarinhos sendo felizes ali no alto daquela árvore. Eu sou assim, eu lembro.

Guardo comigo todas as vezes que me trouxeram um sorriso.

Posso garantir que a minha vida não foi em vão. Vivi uma história real, intensa e sincera, uma história capaz de contrariar à mim mesmo e à todas as minhas vontades. E isso é bom, isso é especial, isso eu vou levar comigo pra debaixo da terra.

E o meu amor é assim.
É algo que rende horas de explicação, como se houvesse alguma, é algo que gera debates e diversos pontos de vista, como se algum deles fosse convincente e unânime, pois não, nunca será, ele nunca será explicado, ele será sentido, ele já foi sentido, pode ser que eu sinta de novo, pode ser que eu nunca mais sinta, não há como prever, só há como ter certeza de algumas coisas desse meu amor. Primeiro que é algo meu e que eu não espero retribuição, não espero que sintam igual, e se for pra esperar algo, que seja respeitado e valorizado. Segundo que esse meu amor é o que me faz acordar todos os dias. É o melhor dos meus sentimentos e é por quem eu vivo, por quem me orgulho e é a visão da minha vida. Terceiro que nem que seja eu a última pessoa à sentir isso desse jeito, profundamente incondicional, inexplicável, incompreensível e às vezes até inadmissível, serei essa pessoa e vou sentir esse meu amor, distribuindo à quem me faz bem e à quem não faz também, afinal, sentimento bom é pra ser compartilhado.

E à você, por você, criei uma casca. Só que se você for inteligente, vai entender a diferença entre criar algo e ser algo.

 

 
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Bom Natal à todos vocês leitores do Um Travesseiro Para Dois!
Obrigado pelas visitas e por mais um Natal juntos! Tentei escrever um texto que envolvesse coisas que a gente passa durante o ano, tentei falar um pouco da essência do sentimento bom, dos sentimentos raros, dos sentimentos sinceros e da confusão de todos eles juntos. Pode ser que você não se identifique, pode ser que se identifique até demais, pode ser que você apenas sinta, pode ser que ache bobagem, mas de tudo do que pode ser, só gostaria que fosse real.

Como todo sentimento deve ser.

Pelo amor, acima de tudo! ♥

Para Evitar Que Seja Tarde Demais

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=ZADpco6Zn9I

Hoje saio – todos saímos – de casa com a maior incerteza de que vou voltar a noite. E em momentos como agora, quando começo a pensar em como temos vivido é que eu começo a pensar sobre o quanto eu gostaria de poder fazer algo pra mudar tudo isso… Até me lembrar que o que me resta, o que nos resta, é cuidar de nós mesmos e de quem gostamos.
Nossa vida não vale nada diante de algumas pessoas, se é que podemos chamar de pessoas. Vivemos um mundo onde uma vida é tão descartável quanto um beijo. E aqui você tem o direito de achar uma louca comparação, mas ambas são importantes, ambas nos fazem melhores, nos trazem oportunidades e nos fazem felizes. É uma questão de mudar a forma de ver.

Olha, de repente é por isso que meus pais me cobravam tanto quando mais novo, cobravam uma postura mais adulta hoje e sempre, por isso me cobravam e ainda cobram responsabilidade, organização e sobretudo maturidade para encarar os dias, por que nem tudo é como eu quero e apesar de outras épocas terem sido relativamente mais fáceis, hoje a nossa vida não vale nada e por isso os dias precisam marcar, por isso precisamos viver no máximo todos eles. Talvez meus pais fazem isso por saberem que há a chance de me deixarem só em algum momento e eu preciso aprender a ser só.
Assunto estranho né, meio sem pé nem cabeça, mas é a mais pura realidade e quando a gente escancara as possibilidades da vida assim, é normal que a gente se assuste.

No meu caso, no nosso caso, penso e me preocupo bastante com você. Aos poucos fui concluindo e te fazendo entender que não era possessividade, mas sim uma forma de zelo, uma forma de demonstrar sua importância para a minha vida, e digo mais, mesmo que você não entenda, eu vou continuar sendo assim, porque eu gosto de você.

Devo te falar que nem sempre fui assim.
Já vivi fases onde só o meu umbigo que me importava, onde eu descartava qualquer opinião de qualquer pessoa que fosse contra a minha. Eu mudei tanto, você me mudou tanto.
Lembro que pouco a pouco fui começando a ouvir mais do que falar, fui começando a observar o seu jeito de falar, de defender uma ideia e de como explicar o seu ponto de vista, e isso foi me motivando a tentar ser melhor pois esse meu jeito nunca me convenceu e nunca me trouxe os sorrisos que eu tanto já busquei.

Das vezes em que tentei me imaginar sem você, todas elas eu fiquei mal. Entenda que não estou mais na fase, nem na idade de supervalorizar as pequenas coisas e que não estou falando que mergulho em depressão quando me imagino sem você, aqui, falo de como vai me fazer falta se eu perder você nos meus dias, se eu perder sua opinião, se eu perder o seu carinho no meu cabelo, se eu perder contato com você e não puder mais te mandar uma mensagem de saudade.
Veja, é por isso que me preocupo. E saiba que não me afeta negativamente pensar na possibilidade de você ter que seguir a sua vida sem a minha. Minha experiências até aqui me fizeram ver que preciso valorizar enquanto tenho, porque depois que perdi, não há valor que seja justo.

Estou tentando lembrar, mas acho que nunca falei com você dessa maneira, né? Nesse tom de seriedade e de uma forma adulta e convincente pra você. É mesmo, fazendo sentido, nunca falei assim. É que hoje acordei diferente.

Não sei exatamente por quê, não fiz nada especial pra isso, pelo contrário, segui minhas atividades pela manhã como em outra qualquer, mas algo me dizia que eu precisava te falar algumas coisas e essas todas até agora são só algumas.

Acordei raciocinando até demais. Lembra como desligamos o telefone na noite passada? Ou seja, eu não teria motivo pra vir falar essas coisas que podem parecer confusas pra você, eu sei, mas vou tentar ser claro.
Já faz um tempo que comecei a valorizar todos os meus dias e todas as coisas que possuem influência na minha vida, e você claro, foi uma das melhores que me aconteceu nos últimos meses mas não sei se consegui te convencer disso, ou melhor, não lembro nem se já cheguei a comentar algo parecido com você antes. Então a hora é agora.

Olha, quero te falar que eu gosto de você mais do que você imagina, e de cara, peço para que se a ideia for fazer algo para se comparar a mim, que não o faça. Não vivemos uma competição mas uma história e eu só estou com você porque te aceitei do jeito que você é.

Se eu morrer, você promete se lembrar dessas coisas? Se eu não te ver nunca mais por algum motivo, por favor, nem que dure anos, não esqueça dessas coisas e jamais duvide. Por favor, não pense que é um discurso dramático para tentar te comover pois essa seria a pior das minhas atitudes, só estou lendo uma carta aberta que meu coração escreveu pra você.

De verdade, se alguma coisa acontecer com a gente que nos impeça de ficar juntos, qualquer coisa, se você se cansar de mim, enfim, não sei, só não esquece e não duvide que seja sincero. E garanto, que pra sempre vai ser!

Se amanhã quando acordar, ou quando for dormir, você se sentir insegura, pensa que quando eu te perguntei se queria viver uma história comigo, eu não estava brincando, ou seja, estou e estarei na sua vida, em forma de lembrança em uma foto ou em forma de refrão de música.

Eu só precisava tirar esse peso de nunca ter sido claro você sobre as coisas que sinto e acho que consegui ser e a conclusão é que eu não quero que nada acabe, mas se algo der errado nessa vida, que você leve essas palavras com você pra lembrar quando sentir vontade. Ou saudade.

Se eu morresse agora, já morreria feliz por ter visto mais uma vez esse teu sorriso tímido de canto de rosto.

Imagina Ser Feliz com o Mínimo?

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=oKhagERGRxU

Ê saudade sem graça, saudade que mais vem do que passa.
Tenho sentido tanto isso ultimamente, sabe?
Pensei sobre os motivos que justificassem isso e consegui perceber algumas coisas. Primeiro que realmente há uma saudade forte que me confunde e vez ou outra me deixa mal, segundo que não tem como controlar.

Engraçado que se a gente parar pra pensar em todas as coisas que fazemos todos os dias, podemos concordar que temos mais motivos para seguir em frente pensando e fazendo coisas novas do que pra pensar no que já tivemos um dia. Só que nesse caso em especial, dá pra ir um pouco mais além, pois a saudade aqui em questão não é de alguém que se foi, mas sim de alguém que eu gostaria que chegasse. A tal da saudade pelo que nem tive ainda. Uns chamam de ansiedade, outros de sofrimento antecipado e há quem diga que é só coisa da minha cabeça. Quer saber? Nem me preocupo no que parece ser, mas sim no que sinto que é.

Posso pensar aqui em alguns situações que envolve essa, digamos, saudade antecipada. Vai ver é a minha sede de ser feliz, sede de viver coisas novas ou reviver, dessa vez acompanhado, todas as coisas boas que tive que viver sozinho. É, faz sentido, pode ser algo por aí mesmo. Também, no entanto, pode ser uma vontade de enterrar as coisas que terminaram não tão bem assim na minha vida, aquelas páginas que foram mal viradas e que vez ou outra são tremuladas pelo vento de só mais uma das minhas várias noites sem ninguém. Está aí, outro motivo pertinente. Ou quem sabe, em uma real possibilidade e parando aqui pra pensar friamente, toda essa saudade pode ser uma salada de sentimentos bons que eu sonho em dividir com alguém para fazer esse alguém feliz.

Ainda há tempo de fazer alguém feliz nesse mundo?

Sou capaz de trocar a minha felicidade pela de alguém que eu gosto, que me faz sentir especial, que faz com que eu me sinta seguro, que me deixa dizer o que penso, que discorda de mim, que concorda, que me ajuda, que me mostra que eu posso ser diferente todos os dias. Alguém que faça eu me sentir alguém, sabe?

Ainda há espaço para as pessoas que querem fazer outras felizes?

Sabe… Nem eu sei direito.
Minha cabeça funciona bem até demais e eu me perco nesse monte de pensamento. Me perco por não saber exatamente como me comportar, o que falar, o que não, quando agir, quando não. Pensei que isso pararia nos meus 15.
Ainda continuo o mesmo que assistia os amigos de escola distribuindo seus beijos enquanto eu me preocupava em chegar logo em casa pra fazer a lição logo e poder sair na rua pra jogar bola. Talvez eu tenha amadurecido tarde demais, ou talvez eu tenha desenvolvido valiosos pontos de vista cedo demais. É, vai ver é por isso que me chateio tanto com algumas coisinhas que acontecem e com as histórias mal contadas da minha vida nas quais tanto cansei de procurar resposta. Sabe quando você fica se perguntando como se viesse alguém pra te dar a resposta? Então, fiz isso tantas vezes, faço isso tantas vezes. Pareço louco, mas isso pode ser bom, afinal, não dizem por aí que o legal é viver a vida loucamente? O “intensamente” já está fora de moda.

Acho que essa saudade pelo que nem vivi ainda tem tudo a ver com as coisas que quero dividir, com as opiniões que quero ouvir, com as lições que quero aprender e com, acima de tudo, a vontade que exala em cada célula do meu corpo em querer fazer alguém se sentir especial, e tão logo, eu me sentir também.

Só me preocupo em saber se existe mais alguém assim nesse mundo, pois embora o ideal seja encontrar alguém que não necessariamente seja igual a gente, mas que nos complete, não sei se o que sou perto das pessoas que se acostumaram com o mínimo. E aqui falo do mínimo do que pode ser feito e não do valor ao mínimo. Tenho a impressão que as pessoas se cansaram umas das outras. Cansa se esforçar, cansa ousar, cansar convencer, cansa tentar o máximo. A gente vive em mundo onde pensar em casamento é algo tão brega, usar uma aliança de compromisso é algo tão infantil e desnecessário e fazer planos para um futuro próximo é tão precipitado, segundo a lei do “viva o hoje”. E nessas desse mundo mudar, param no tempo aqueles que vão contra a maré e mantém os valores e os fieis sonhos, por mais bregas que possam ser.

O brega é sincero.

Hoje a aparência conta muito. É importante ter beleza, a inteligência a gente pode aparentar segurando um livro qualquer no metrô.
O carro que se tem e os lugares onde se pode levar alguém são fatores determinantes para tornar uma pessoa interessante ou não. Vejo por aí as pessoas comentando que o mundo está realmente assim. É infantil convidar um amigo para um café às 18hs, o legal mesmo é combinar a balada de sexta-feira.

De pessoas assim, eu não sinto saudade. Se essas são mesmo as pessoas que existem nesse mundo, eu prefiro continuar esperando alguém diferente. Nem que leve anos.

Porque aqui dentro de mim, continua sendo só saudade.
Só saudade de fazer alguém se sentir bem, de dar um presente surpresa e de ficar na dúvida se sugiro dividir a conta no restaurante ou se gasto o vale-refeição pra pagar. Saudade trivial, saudade do básico, saudade do acelerador do coração.

Saudade que mais vem do que passa.
Qualquer dia vai embora pra dar lugar a um sentimento que traga algum alívio.

Episódios Ruins Não Precisam de Reprises

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=qKpLtHw7IKQ

Chega uma hora na vida que a gente aprende a ver algumas coisas de maneiras diferentes.
Por exemplo, quando pequenos, ficamos ansiosos pelo aniversário porque é quando ganharemos presentes, depois de mais velhos, nos preocupamos em apenas reunir as pessoas que nos fazem algum bem. Valores e prazeres novos de uma mesma felicidade.

Nesse sentido, lembro que os motivos que sempre tive pra comemorar eram só meus ou de alguém da minha família, aí o mundo girou e me ensinou uma nova forma de ver a felicidade, que é a que me encontro hoje.

Hoje a minha felicidade é totalmente dependente da sua. É isso.
Não há sorriso no meu dia se não houver no seu também. E claro, não que eu seja submisso ao seus prazeres, longe disso, prefiro falar que aprendi a compartilhar dos seus sentimentos. Se você está feliz, pode ter certeza que estou ainda mais por te ver assim; se está triste, acredite que sou quem mais pensa em encontrar uma maneira de te fazer ficar bem logo.

Você é o tipo de gente que não merece nada menos que a felicidade.
Não vou enumerar minhas justificativas, até por quê é muito subjetivo e varia de pessoa pra pessoa, mas eu tenho meus reais motivos pra lutar pela sua felicidade e pra viver tanto os seus sentimentos. Há quem diga que isso é ser “grude”, penso que quem diz isso só quer uma pessoa que faça o mesmo. É confortável reclamar de algo que não temos mas queríamos ter, é confortável encontrar defeitos em coisas que não tem defeitos ou criar julgamentos em coisas que não simplesmente não podem ser julgadas.

Todos que nos dizem o que fazer, não sabem o que fazer quando é a vez deles.

Mas tudo bem, não é de hoje que não dou atenção para o que as pessoas dizem com relação a gente e especialmente com relação à mim e às minhas atitudes. Sempre vai ter alguém pra falar qualquer coisa e eu tenho dó dessas pessoas, porque elas só querem ter ocupação com a própria vida pra não precisar falar da vida de mais ninguém, elas só querem alguém como eu tenho você.

Acho que cheguei num certo ponto de maturidade. Penso nisso quando percebo nos planos que tenho pra gente, no valor pelas minúsculas coisas que aprendi a ver depois de você e na minha sincera e gratuita preocupação em saber como foi seu dia. É que eu já fico desenhando o nosso futuro aqui na minha cabeça, quando for a hora do mais importante “sim”, quando for a hora de decidirmos os nomes dos nossos pequenos…

Nunca pensei que ia gostar tanto de ver alguém se maquiando como gosto de ver você, mesmo com caras e bocas. Ou,  que ia achar tão divertido ver alguém escovando os dentes, ou também que ia gostar  tanto de perder noite de sono pra ficar vendo outra pessoa dormindo como as vezes faço com você. São coisas que de repente eu já tinha em mim, mas que só você conseguiu explanar, só você conseguiu fazer com que eu colocasse pra fora estes que são alguns prazeres que hoje eu gosto tanto de sentir.
Tenho certeza que se caso a nossa história seja interrompida, eu não vou conseguir ver essas coisas em outra pessoa…

Ainda sobre a maturidade que estou falando, hoje me preocupo em saber como foi o seu dia, como foi no trabalho e se está se sentindo motivada diariamente. Uma visão amadurecida. Em outra época me preocuparia se você tinha borrado suas unhas recém-feitas ou se tinha molhado o seu cabelo recém-escovado. Olha, são preocupações que ainda tenho, não mudei tanto nisso, o que mudei foi a escala de valor por todas as preocupações.

Tenho certeza que posso ser mais útil te motivando do que compartilhando uma dor sua.
Por isso, não preciso ficar perguntando tanto como e porquê algumas coisas ruins aconteceram, preciso pensar em como te fazer melhor, em como te motivar e em como te relembrar como você é muito maior que qualquer dor.

Está entendendo o negócio da maturidade que eu falei?
Sou a mesma pessoa, mas agora vejo diferente, agora, depois de você.
É muito trivial eu adotar o discurso de querer e lutar pela sua felicidade, mas quando digo isso há um sentido mais profundo. Primeiro, eu não consigo controlar as coisas que acontecem na minha vida, o que dirá na sua? Logo, devemos aceitar as coisas que a vida nos faz viver, visto que não podemos simplesmente desfazer. Segundo, é uma questão de aproveitar melhor o tempo. Ao invés de eu ficar na de “calma, vai passar”, “não fica assim”, “é complicado, eu sei”, falando coisas que você sabe, prefiro aproveitar o tempo e a fragilidade do seu momento para algo tipo: “vamos sair pra tal lugar, você precisa espairecer” ou “comprei o chocolate que mais gosta, pra te animar”, ou seja, prefiro propor soluções do que desdobramentos

Filosofei falando sobre a sua importância pra minha vida. E falaria por mais horas e horas.
Foi um “resumo aprofundado” sobre minha mudança de pensamento e comportamento, sua relação com isso e como eu vejo até onde tudo pode chegar, basicamente por um motivo: eu gosto de você e ninguém nunca vai gostar mais que eu.

Parece Bobagem Vendo de Fora, Né?

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=n2nMv-eULfg

Isso, faz isso!
Você está agindo certinho dessa maneira. Mas também pudera, eu não poderia esperar outra coisa de alguém que simplesmente não gosta de admitir que também erra, nem mais nem menos, mas igual a qualquer ser humano. Mas você não, você tem perfeição, a razão é sempre sua. Por isso faz sentido agir desse jeito e vir com sete pedras na mão pra cima de mim, e o pior, com a maior cara de pau do mundo tentando me convencer que a culpa é exclusivamente minha para as coisas não estarem dando certo como já deu um dia.

Do contrário de você, eu assumo que erro. E não é pouco! Erro quando quero acertar e erro quando me excedo, mas a discussão aqui não é essa, mas você tem mania de tentar reverter as coisas pro seu lado todas as vezes. Sério que não cansa disso?

Eu que comecei sim essa briga toda, mas tem um motivo pra isso, eu quero falar sobre a gente e mais exatamente sobre você, que por mais raiva que eu sinta agora, sei que é alguém que eu gostaria de viver o resto dos meus dias e – de novo – do contrário de você, não tenho vergonha de falar isso na sua cara.

O negócio é que eu não aguento mais ser segundo plano pra tudo na sua vida. E por favor, não queria me pedir calma!
Cansei de não ver o seu esforço. É só por isso que estou falando, só pelo esforço. É muito previsível agora você vir com um discurso pronto de que “você espera demais das pessoas”, “você não valoriza as coisas que eu faço”, “você quer que eu seja igual à você”, e eu te digo na sua cara, que não é disso que estou falando. Estou falando exatamente o contrário, falo sobre eu esperar sua reciprocidade, sobre eu querer valorizar algo que você faça com sinceridade pra mim, e jamais, jamais vou querer que seja igual à mim, só quero que seja você, você que eu conheci e me conquistou com o teu próprio jeito.
Inevitavelmente acabo pensando se o problema está mim, se enjoou do meu jeito, se eu já não tenho mais graça pra nada, sei lá, coisas do tipo. É que é uma merda, se coloca no meu lugar. Começa e lembrar das vezes que eu te pedi pra fazer algo, nas festas de amigos que pedi pra me acompanhar, ou nos filmes que eu disse que gostaria de ver, tenta se lembrar e tenta ver quantas vezes você aceitou, e das vezes que aceitou, quantas foi porque você quis e não porque você queria meu silêncio com aquele jogo: “É isso que você queria então? Tá feliz?”.

Gosto do mínimo, não de migalhas.

E é exatamente assim que tenho me visto com você; vivendo com restos, humilhando carinhos e respostas de SMS, me ajoelhando pra você querer fazer algo que te faça mover 1 dedo por mim. Isso não é o que eu idealizo de felicidade.

Olha o jeito que você fica quando eu só toco no assunto? Se descontrola, quer falar mais alto que eu, me xinga, não me olha nos olhos, finge que está me ouvindo, se distrai, por favor, presta atenção no jeito que você age… Até parece que eu gosto desse tipo de conversa! Claro que não! Por mim eu aproveitaria esse tempo agora com você fazendo qualquer merda de outra coisa a não ser olhar pra sua cara e me queixar pela sua falta de  esforço por mim, pela gente.

Entenda que eu não falaria tanta coisa se você não fosse importante pra mim.
Tenho milhares de coisas pra jogar na sua cara e te fazer chorar aqui na minha frente só ao lembrar de todas as vezes em que você se desesperou e só tinha a mim pra te ajudar, sendo que em todas elas ajudei com o maior prazer e com o objetivo de te ver bem de novo, te ver bem como eu tanto gosto.

Olha, te dou o direito de estranhar essa minha explosão e seria bobagem eu tentar explicar porque estou agindo assim, mas coloca uma coisa na sua cabeça, estou desse jeito, um poço de nervos e à beira da loucura porque eu gosto de você, acredito em você, na gente, nos que já vivemos.

Esquece tudo que já te pedi e me atenda apenas um pedido: mostre que gosta mim. Não estou pedindo demonstrações incríveis, carros de som, presentes caros e surpresas do nível, estou pedindo você de volta, você que me encantou, você que eu tanto gosto, você que me faz sentir melhor. Faz um esforço pela gente, para de ser tão intransigente, para de querer ensinar tanto e tenta aprender um pouco, não comigo, mas com a nossa vida.
Só tenta, pelo menos.

Pronto, acabei, é isso.

Queria Te Abraçar, Mas Preferi Outra Coisa

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=BB0DU4DoPP4
Quanto tempo vai demorar pra você perceber que as coisas não vão mudar se você só esperar que mudem?
Será que você está esperando alguém que te prove isso? Ou talvez algo que justifique o marasmo dos dias? Sei lá, qualquer coisa convincente que te faça crer que há um motivo para as coisas estarem como estão, ou vendo diferente, serem como são? Atire a âncora, pare o barco e respire.

Sabe aquelas coisas que conseguem ser ao mesmo tempo boas e ruins? Tipo a chuva, que pode refrescar e alagar? Pois bem, a vida é exatamente igual, recheada de surpresas que fazem nosso coração acelerar de felicidade e acelerar de desespero. Cabe a nós somente respeitá-la e ingênuo é aquele que tenta compreendê-la: “Ah não, faz de tal e tal maneira que dá certo”. Não há receita, não há uma máxima, não há uma verdade. Há a experiência, o passar dos dias, os novos pontos de vistas, as lições e todas as coisas que aprendemos sozinhos com a nossa própria vida.

É bem verdade, não conseguimos viver sozinhos, mas também não podemos ser dependentes. Sós nascemos, sós morreremos. E nesse sentido a importância da autosuficiência sobressai diante de todas as coisas. As pessoas não estarão para sempre ao nosso lado, não teremos pra sempre as mesmas palavras de conforto, os sorrisos não serão eternos, tampouco as lágrimas, nenhum dos momentos.

Sei bem que tem horas que a gente se vê como se fosse a única pessoa do mundo a passar por determinadas coisas. É quando pensamos que nossos problemas são os piores, que os nossos dias são os mais difíceis, que o nosso trânsito sempre demora mais. Pra mim, isso nada mais é do que uma incansável busca por respostas em situações que o que deveria ser feito é aceitar. A gente reclama porque esperamos que resolvam, mas dificilmente percebemos que ninguém vai resolver nada, e nem exatamente por não saberem, mas sim por simplesmente não haver solução.

Faz parte da gente não admitimos a não-solução das coisas.

Pode parecer confuso mas essa a vida que temos e talvez seja confuso justamente porque a gente tenta fazer com que não seja ao invés de aceitarmos que de fato é. São voltas e voltas em que partimos de um lugar e voltamos para o mesmo. E quem disse que isso é ruim?

A mesma mão que te ergueu hoje pode te empurrar amanhã.
Não quero tremular a bandeira do ceticismo, mas é seguro manter um pé atrás diante das pessoas pois elas podem machucar, e muitas vezes até mesmo sem saber. As possibilidades das coisas darem errado nessa vida são enormes basicamente por um motivo: é um mundo repleto de pessoas onde impressionantemente nenhuma é igual a outra, nenhuma é igual à você, apesar de terem pontos em comum, nenhum ser humano é igual ao outro neste mundo. E isso é algo que tem um lado e um ruim (lembra do que já falamos ali em cima?). Nós não aprendemos com quem ainda não aprendeu e sim com quem já passou por algo parecido e pode nos transmitir conhecimento; em geral nos aproximamos daqueles que mais nos identificamos por algum ponto. Eis uma síntese do valor das diferenças entre as pessoas. E indo além sobre as possibilidades das coisas darem errado, posso ousar em definir: dão errado porque não acontecem como o nosso esperado. E aí entra a nossa teimosia, o nosso desejo em controlar as coisas, o nosso até desespero em ter o controle dos dias, como se os céus pudessem controlar a força do vento. As possibilidades das coisas darem certo nessa vida são enormes basicamente por um motivo: por nós mesmos.

A gente esquece que tem horas que precisamos de um furação, já em outras onde uma brisa é o bastante.

Você não se cansa de ser assim?
Quero me colocar no seu lugar e entender como que você consegue deixar a vida correr entre os seus dedos. Em nenhum momento estou dizendo que é fácil, mas eu só queria entender como não há iniciativa. Quanto tempo vai demorar pra você perceber que as coisas não vão mudar se você só esperar que mudem?
As frases de efeito e os seriados na TV não exatamente traduzem o que você está passando, dão uma margem e um ponto de vista bem atrativo, mas não adivinham que você queria o “eu te amo” no fim da mensagem, não adivinham que a sua tristeza é provocada pela falta de iniciativa onde espera que o mundo seja colorido, ao invés de querer colorir você mesmo, com seus lápis e suas cores preferidas.

O seu telefone não vai tocar, não vão mais te chamar pra sair, você não vai mais ouvir elogios, o ônibus não vai passar, um e-mail importante não chegará, do almoço você não vai gostar, a sua roupa não vai servir… Se você não querer o contrário disso tudo. Entenda que não há uma pessoa que possa mudar sua vida e realizar todos os seus sonhos além de você.
Se for o seu caso, reconheça que já tem respostas pelo seu comportamento. Reconhecer não significa concordar e ser passivo diante da conclusão. Se é o teu passado que te afasta do futuro, entenda, só você pode mudar. Se foi uma ferida que não cicatrizou, só você pode curá-la, se foi uma frase que te magoou, entenda, há tantas outras frases esperando que você as ouça. Se você quiser.

Deixa a vida chegar pra você.
Não se preocupe tanto com as coisas que não dão certo e mantenha o foco em tudo que deseja realizar, nos sabores que deseja experimentar, nos filmes que deseja assistir, nos fins de tarde com alguém especial que deseja acompanhar… Traga pra perto os pensamentos que te trazem sorrisos, as lembranças que te aquecem o peito e as palavras que te suspiram.

Que a sua vida seja sua e não de um passado que magoou, de um presente que desespera ou de um futuro que amedronta. Troque o disco, rasgue as páginas, veja diferente e lembre-se que ninguém nunca fará isso por você.

Ninguém nunca saberá o que é melhor pra você além de você mesmo.

Queria te abraçar, mas preferi te lembrar o quão importante você é pra si próprio.

Só não deixa o relógio correr, não dê chance para o “tarde demais”.

Qualquer Dia Volto a Ser Quem Eu Gostava

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=hA7o59lqOs4

Estou meio irreconhecível ultimamente.
Os motivos pelos quais meu coração faltava sair pela boca em outra época, hoje passam pela minha cabeça como uma brisa de primavera. Ainda estou pensando se isso é bom ou ruim, o fato é que tudo tem andado estranho demais.

Não tenho certeza se hoje faço parte das pessoas que desacreditam das coisas boas, devo admitir, no entanto, que a sucessão de coisas que não deram certo me fizeram perder um pouco a paciência com as pessoas, com o mundo e muitas vezes até comigo mesmo. Eu não queria estar assim, não queria ter mudado assim, mas eu já segurei tanta lágrima dentro de mim que aparentemente tudo se congelou e petrificou meu coração. Tem horas que eu não sei mais quem eu sou.

Se eu pudesse fazer apenas 1 pedido nessa vida, certamente eu pediria pra ter minha reciprocidade gratuita de volta. Muito embora eu tenha sofrido demais por ela, gosto mais de quem eu era do que de quem eu sou. As coisas tem me cansado demais, as pessoas, os discursos cheios de argumentos como se fizesse algum sentido além da teoria, as conversas, mesmas conversas desinteressantes, uma forçação de barra tão estúpida que aos poucos tem me distanciado de alguns princípios que eu sempre zelei.

Não vejo mais brilho no olhar, nem sorriso de orelha à orelha, nem surpresas sem objetivo além de serem surpresas. Vejo as coisas tão programadas, tão aceleradas, tão previsíveis… Vejo pessoas tão desesperadas em ter algo que elas nem conseguem dar, vejo prazeres jogados no lixo ao serem substituídos por sensações fugazes e que não trarão nada a não ser uma aguda dor de cabeça no dia seguinte. Ou eu estou exagerando, ou as coisas realmente mudaram como tenho visto.

Falta espaço pra eu ser quem eu sou e falta motivação para as pessoas acreditarem nelas mesmas. Hoje ninguém acredita no diferente, ninguém considera ser feliz, ninguém se esforça, ninguém confessa, ninguém se declara. Apesar de todos quererem.

E a merda é que eu me vejo contaminado por comportamentos como esses. Já fui da época de me esforçar por quem me trazia riso solto, hoje penso duas vezes e só faço algo quando tenho certeza – se é que existe – de que a pessoa está sendo realmente sincera comigo e não está só em busca de uma cama dividida.

Eu queria gostar de quem já gostou de mim.
Em outra época, certamente isso teria acontecido, mas estou numa fase estranha, nova, adulta, crescendo, uma fase em que infelizmente acredito mais nas propagandas na TV do que nas pessoas que me fazem algum tipo de elogio.

Quando começo a pensar nessas coisas que eu gostaria de ser, lembro das coisas que eu já tentei ser, lembro o quanto me esforcei por pessoas que se fizeram de desentendidas e que pior que isso, pessoas que não valorizavam o que eu fazia e ainda zombavam de mim. As pessoas passam por cima do respeito e da nossa cabeça na mesma passada.

E isso dói.
Afinal, quero dividir a música da chuva na noite de um sábado, mas com quem? Quem vale a pena? Em quem posso acreditar? Pra quem posso me permitir deixar que as coisas aconteçam? Com quem posso deitar sem remorso? Em quem posso beijar de olhos fechados? À quem posso telefonar pra perguntar se está tudo bem? Eu não sei.

Hoje sou algo que não gosto de ser, mas o que me tranquiliza é pensar que isso é uma fase, que hora ou outra voltarei a ver encanto e voltarei a me fascinar pelas pequenas coisas como já fui um dia, me tranquiliza pensar que eu tenho certeza que há uma pessoa lá na frente pronta pra querer um abraço meu e pronta pra receber o melhor dos meus.

Para as coisas mudarem, primeiro preciso querer que mudem.
E eu quero.

Estava Esperando a Certeza Pra Falar

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=_lkJkwnXQZ8

Estou aqui pra falar que eu tenho pensado em você.
Sabe, não é algo que eu tenho gostado mas é algo que eu não posso controlar.
Fazia tempo que eu não me impressionava com qualquer coisa e hoje acabo me impressionando por lembrar de você várias vezes durante o meu dia. Já faz tanto tempo desde a última vez que nos falamos e especialmente por isso eu teria motivo pra desacelerar e te esquecer, ou pelo menos sei lá, te guardar dentro das minhas lembranças, mas eu sou incapaz e ultimamente, talvez como nunca antes, tenho convivido a sua lembrança.

Voltei a pensar em você como alguém que me fez bem. Você lembra?
Esses dias me peguei rindo pra janela do ônibus quando a música que começou nos meus fones era um daqueles refrões que você tanto gostava. Ouvir de novo sem você foi como voltar no tempo e de alguma maneira te senti pertinho de mim ali de novo.

Teve uma época que comecei a me desesperar dada a quantidade de coincidências que começaram a me assombrar depois da nossa última despedida. Conheci pessoas com o mesmo nome que o seu, senti seu perfume em quase todos os lugares por onde passei e por algum motivo que eu não sei explicar qual, comecei a gostar de manteiga na pipoca como você tanto gostava.

Nessas de voltar a pensar, me dei conta do quanto você me faz falta.
Das experiências que tive depois, posso tranquilamente contar nos dedos de uma das mãos todas que me fizeram pensar em dar um segundo passo, mas aí, como se fosse uma intervenção divina, as coisas simplesmente não caminhavam.

Foi muito complicado ter que viver a fase de te comparar com as outras pessoas. Te procurei em todos os poucos beijos que dei depois de você, senti falta do seu carinho na minha nuca como fazia enquanto nos beijávamos e me deixou meio pra baixo o fato de eu não ter teu nariz encostando no meu depois de cada um dos beijos, sabe, aquele nosso beijo de esquimó? Errei em te comparar, mas eu não tinha controle do que estava fazendo e tudo o que eu sempre quis desde que terminamos, era encontrar alguém que preenchesse o incrível cratera que você deixou em mim.

Eu só não esperava que o tempo me fizesse pensar em você de novo.

E agora que voltei a pensar, me bateu uma vontade de te dizer que todo esse espaço vazio em mim não pode ser preenchido por outra pessoa que não seja você. É um espaço seu, como se tivesse seu nome, como se só você conseguisse se encaixar. E é muito difícil ter que conviver com a sua falta.

Só que assim, quer saber? Eu até tenho motivos pra não pensar em você se eu lembrar de tudo de horrível que me disse e das cosias que me faz passar, mas novamente, volto a me entregar para a parte boa da lembrança, a parte que se transforma em saudade na qual tenho me rendido.

Não estou falando isso pra te assustar, pra te pressionar ou pra te comover, só estou falando porque eu tenho pensado muito e não é de hoje, estou falando porque de alguma maneira eu também sei que te faço bem, que alguma coisa me diz que você ainda não encontrou quem ceda uma parte do edredom nas noites de frio, alguém que busque água na cozinha pra te evitar a enfrentar o medo do escuro, alguém que apesar de reclamar, tira o DVD do aparelho e assopra pra tirar as sujeirinhas na tentativa de fazê-lo funcionar, alguém que após perceber que um dos seus pés ficou severamente gelado, acorda e sai em busca da sua meia perdida entre nossos lençois. Eu não posso garantir, no entanto, que não tenha encontrado alguém assim, de repente você pode estar vivendo outra história neste exato momento, mas eu tenho certeza, eu tenho a mais absoluta certeza, que as coisas que eu fiz, do jeito que eu fiz, pra te ver feliz, ninguém nunca vai fazer melhor.

E é por isso que eu te falo todas essas coisas.
É que mais do que a saudade de ser feliz, me bateu a saudade de fazer alguém feliz, a saudade de te fazer feliz.

E se você quiser, nós podemos recomeçar. Se não, aos pouquinhos vou te colocar de novo lá no fundo da minha gaveta de lembranças, junto das roupas que gosto mas esqueço de usar, porque te jogar fora da minha vida eu nunca vou fazer.

Já Vi um Filme Assim

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=EqWLpTKBFcU

Continuo igual.
Assustadoramente igual. Continuo me preocupando com quem não liga se tenho vida, continuo correndo atrás quando o justo seria que corressem por mim. Continuo repetindo os mesmos erros de quando mais jovem, continuo me precipitando, continuo demonstrando demais, continuo sendo EU DEMAIS quando na verdade eu gostaria de ser EU MELHOR.

É uma droga! E quando paro pra pensar nessas coisas, nem eu mesmo me suporto. A última que me aconteceu foi reincidente e esse é um motivo que eu deveria me acostumar, mas não, é incrível, as coisas acontecem da mesma forma, só mudam os protagonistas, e eu tenho as mesmas atitudes, a mesma cabeça baixa, a mesma covardia por mim mesmo, uma covardia que chega a doer, é uma fraqueza que meu deus do céu, ficaria semanas pra falar apenas sobre isso.

Eu não tenho coragem de ser feliz. Não tenho coragem de tentar. Dá pra pensar por esse lado se eu for o extremo do racional. Comigo é assim: Ou meto o pé pelas mãos ou acabo não fazendo nada, absolutamente nada.

E foi isso que me aconteceu recentemente. Eu não fiz nada quando eu precisaria ter feito algo. E a merda é que só de pensar nas opiniões que vou ouvir a quem eu contar eu já fico desesperado. “Por quê você conta para as pessoas então?!” A resposta é: Eu não sei por quê! Só sei que eu sinto tanta coisa, penso em tanta coisa que eu não consigo guardar comigo, não consigo acumular, não consigo processar sozinho, quero compartilhar, quero de alguma maneira algum tipo de ajuda.

Eu tenho vergonha, é isso.
Não é a vergonha do arrependimento ou no sentido de pena, é a vergonha de timidez. Eu não sei lidar comigo, não sei lidar com as coisas que sinto – não que eu penso ser o único no mundo assim -, eu só não sei. Faz sentido se eu pensar que essa timidez toda existe pela minha ansiedade de viver algo sólido, viver algo que dê pra eternizar em fotos, o que também tem a ver com o medo de assustar com a minha sede para que as coisas aconteçam, ou seja, é muita vontade misturada com muitos sonhos, contra a realidade dos fatos e o ponteiro do relógio. Explico. Eu, por mim mesmo, acabo me bloqueando de falar coisas que eu deveria falar, coisas que eu não posso guardar. Aí eu fico pensando que a hora certa vai chegar, mas esqueço que o relógio não para e o tempo é severo nesses momentos. Fico esperando a oportunidade que eu julgo ser perfeita para ter atitude, fico esperando a abertura certa para que eu possa dar um passo a mais, e enquanto espero, o que eu fico fazendo é ser eu mesmo. Fico sendo eu demais! Que merda, que saco!

Meus amigos devem imaginar que é “bobagenzinha”, mas eu não brinco quando posto na internet algo dizendo que eu queria sumir por dias, meses, semanas, que seja! Essa vontade transborda quando me vejo infantil diante de coisas que eu já deveria saber lidar. Talvez eu não tenha crescido ainda o suficiente…

E tudo fica ainda pior quando vejo que praticamente todas as pessoas sabem o que, que horas e como fazer, enquanto eu me vejo suando as mãos diante de qualquer passo que tento dar, de qualquer sinal de aproximação, qualquer tentativa de demonstração de interesse. É tudo aparentemente tão fácil e pra mim aparentemente tão difícil.

Lembro da vez que ouvi um “vou ao banheiro” exatamente no momento em que eu estava certo que tentaria um beijo. Teve o dia do “podemos sim, aí a gente chama um pessoal pra ir junto!” quando fiz o convite para o cinema. Isso sem contar a vez do “Desculpa, me ocupei aqui e esqueci de responder, mas hoje vou sair com um pessoal” depois de eu finalmente ter apertado “enviar mensagem de texto” após ter pensado por minutos no que convidar para fazer. É.

A gente só entende como é viver quando a gente se propõe a viver.
Ninguém nunca vai saber melhor de você do que você mesmo, ninguém nunca vai te entender mais do que você mesmo, ninguém nunca vai gostar mais de você do que você mesmo deve gostar.

E entre uma tentativa e outra, o relógio corre. Os dias, semanas e meses se vão.

Torço muito para que eu esteja engando ao pensar que talvez o amor que as pessoas buscam não seja o mesmo que eu, que a tal da questão de “química” e “hora certa e pessoa certa” não seja tudo uma grande bobagem criada pra casais se gabarem de argumentos que defendam a espontaneidade do amor.

Eu queria conseguir tentar. Penso em exatamente todos os detalhes, desde a hora que eu acordo. Deixo tudo exatamente combinado, coloco minha melhor roupa, pego tudo que me resta de dinheiro para assegurar um pouco de alegria e no momento em que eu mais preciso de mim mesmo, eu fujo.

Esses dias foi mais um pra minha coleção de “Não foi dessa vez.”
Tive que me consolar ouvindo os refrões mais desnecessários na volta pra casa. Isso já não me afeta mais, pois é algo que já vivi tantas vezes que pra mim é bem natural e chega a ser previsível depois do último “tchau” na despedida.
Já teve vezes em que a vontade era virar o rosto e acidentar um beijo, aí eu poderia alegar que foi incontrolável, que foi mais forte do que eu. Será que convenceria? Eu poderia levar um tapa também por tal atitude. Nas duas situações, eu pelo menos haveria tentado.
Pra não ser tão injusto e eventualmente apelativo demais, devo dizer que algumas vezes já deu certo, foram vezes em que não me reconheci e a felicidade foi tanta na mesma volta pra casa que fiz dos refrões desnecessários minhas trilhas sonoras de completa alegria, cortando as ruas dessa cidade, cantando o mais alto que eu podia. Foram noites felizes, histórias pra contar nas quais guardei todos os detalhes. Não por ninguém, por mim mesmo.

O mais louco é que isso pra mim é algo tão pesado de falar e que no fim das contas só significa a vontade de viver a maior das felicidades. É uma infeliz realidade sobre a busca por um momento feliz.

Vai passar.

Vá Viver o Mundo, Mas Depois Volte

Leia ouvindo: http://www.youtube.com/watch?v=daGcpvxPbCo

Decidi que mudaria minha vida. Eu estava certo de que conviver com o marasmo do dia só ia me fazer mal, só ia me deixar pra baixo, só ia abaixar ainda mais a minha já baixa auto-estima. Então pesquisei, juntei algum dinheiro abdicando de prazeres que eu sempre gostei e me matriculei.

Talvez tenha sido um dos passos mais importantes da minha vida. Não tenho um salário de pagar cerveja para os outros, tampouco posso oferecer algum conforto para as pessoas que conheço, mas confio muito em mim, em quem eu sou, nos meus amigos e na minha família, que aliás, não se encaixa naquele padrão de seriado americano com irmãos, casas de dois andares e gigantes árvores de natal.

Lembro que comemorei como nunca o fato de finalmente ter conseguido me inscrever nesse meu tão sonhado curso. Era um importante passo para a minha carreira, especialmente por eu saber que eu sou a esperança da minha família para dias melhores.

Tudo corria bem até que me dei conta de um motivo pra ficar melhor ainda.
Fazia tempo que eu não me impressionava tanto com alguém a ponto de querer saber mais, de querer ficar por perto, de querer pelo menos ficar olhando sem fazer nada. Então aconteceu com você, ou melhor, comigo por você.
Comecei a te olhar diferente, muito embora eu tinha certeza que você nunca reparava em mim. Ora, não faço parte de um perfil de beleza indiscutível, e como já falei, não tenho dinheiro para ter bens e até hoje continuo andando com guarda-chuva quebrado pelas ruas. Se fosse eu no seu lugar, também não repararia.

Vi os dias passar e vi aumentar a minha vontade de falar com você. Interessantíssima, inteligente, irretocavelmente linda, papo de emoção mesmo, me impressionei do primeiro até o segundo da saudade que é pelo qual tenho vivido.
Não quero muito falar sobre como aconteceu, até por quê foi uma coisa tão mágica que eu não consigo lembrar de muita coisa, ou se lembro acho que é mentira, que não poderia ser comigo, que não poderia ser tão perfeito. Mas tem uma coisa que pode passar o tempo que for, eu nunca vou esquecer: seu sotaque. E vou além, a forma como constroi uma frase, como mexe no cabelo, como reclama e comemora o frio, a forma como usa os olhos…

Depois de te observar tanto e por tanto tempo é meio louco pra mim lembrar que tivemos algo, que realmente aconteceu, que você realmente se interessou por mim a ponto de se entregar. É louco imaginar que eu nunca quis tanto que o frio aumentasse como naquele dia e como eu nunca quis tanto que as horas demorassem pra passar…

Só que a minha vida é cheia das curvas e lá na frente estava escrito que você ia virar à direita enquanto eu te esperava à esquerda.

Sem tempo o suficiente para eu acreditar que é real, mas com tempo o bastante para eu acreditar que os sonhos podem se realizar, você teve que partir. E partir pra longe! Outro estado, outras pessoas, outra realidade, a sua e a nossa realidade. Desde então não me restou outra coisa a não ser tentar te deixar de lado um pouco e pensar em mim, no meu tão sonhado curso, no meu futuro, nas coisas que eu sempre quis e que nunca estive tão perto de ter.

E como as coisas não pudessem ficar ainda mais loucas, a vida vai e me surpreende de novo. Voltamos a conversar mais vezes pela internet. Eu já tinha vivido outras histórias, inclusive alguns relacionamentos relativamente longos – pra você ter ideia do quanto de tempo passou desde aquela noite de frio -, e você possivelmente deve ter vivido tantas outras também, especialmente por ser assim tão perfeita como pra mim você é.

Bom, voltamos a conversar e eu voltei a gostar disso. E então um dia você disse que viria pra minha cidade e que gostaria de me ver. Dá até arrepio de lembrar! É muito doido tudo isso, você aparece na minha vida como um furacão, vivemos uma história de poucas horas, você parte e eu fico com a saudade, aí agora você fala que quer me visitar… Acho que tenho o direito de achar tudo uma grande loucura. Uma gostosa loucura.

Infelizmente não foi da vez que deu certo. Você ia aproveitar o feriado, mas houve alguns pepinos que impediram sua vinda, ou seja, faltei ter um AVC de ansiedade para sua chegada e no fim tive que me controlar porque não seria daquela vez. Só que lá no fundo do meu coração, algo me dizia para eu não perder as esperanças pois essa história ainda dar muito pano pra manga. E deu! Em uma outra conversa que tivemos você oficializou que viria para a minha cidade no próximo feriado, que aliás, estava muito perto de chegar.

As semanas se rastejavam e nada conseguia acelerar os dias que me sufocavam só pela ansiedade de te ver de novo. Lembro que poucos dias antes saí com alguns amigos e não consegui disfarçar a minha extrema euforia pela sua, posso chamar de “volta”. Eles riam de mim e diziam que nunca me viram de tal maneira antes, que você realmente conseguia mudar meu jeito e que isso era bom de se ver.

Então você chegou!
Me perdoa, não consigo lembrar de detalhes, sei que pode parecer mentira ou desrespeito, mas é absolutamente o contrário. Não lembro porque você tem algum tipo de encanto que me cega e isola meu cérebro, com você, eu sou apenas coração.
Você chegou e foi tão bom te dar o abraço mais longo da vida de novo, foi tão especial ver que continua a mesma que me tirou o riso solto naquela vez, continua com a mesma beleza na qual me vi rendido e completamente perplexo. Você é incrível e não há uma palavra que eu diga aqui que defina isso.

Lembra da foto que tiramos? Aquela que você usava minha blusa. Mandei para os meus amigos e eles me disseram que a tempos não viam um casal que combinasse tanto e que transmitisse uma energia tão boa. Eu com cara de bobo, só conseguia dizer que a culpa é sua. E esta é a maior verdade.
Tivemos novos momentos de uma história só nossa, de um jeito nosso, com risadas que só nós damos pelos motivos que só nós vemos graça e eu tenho certeza que vou levar esses momentos pra sempre comigo.

Só que você teve que partir. De novo. Faz sentido, tinha que voltar para a sua cidade e tocar a sua vida, continuar seus planos.
E eu, de novo, e praticamente descrente do amor, fiquei aqui com a saudade, transbordando esse tal do amor, olhando a nossa foto, lembrando do seu cabelo e pensando por quê eu nunca encontrei alguém que fosse capaz de pelo menos lembrar um pouco você.

Você me mudou.
Você me ensinou que as coisas podem acontecer, que o sonho vale a pena, que os momentos podem ser eternos, que o bom de viver é a expectativa pelo que pode acontecer amanhã de bom em nossas vidas.

E hoje vou levando a minha como um motivo pra você se orgulhar, mas saiba que continuo te esperando.
Quem sabe um dia.



Baseado em uma história real.

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