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Meu Desafio é Conviver Comigo Mesmo

Não há reza que mude quem e o que eu sou.
Embora eu gostaria de ser diferente, não adianta, eu não posso fazer nada pra isso. Só se eu nascesse de novo.
É triste porque eu me vejo diferente demais de muitas outras pessoas, diferente das pessoas que você parece gostar. Eu não me encaixo no perfil que te chama atenção, eu não conheço as músicas que você mais gosta, não li os livros que já leu, tampouco vi os filmes da sua vida, e muito, muito menos tenho o corpo que você admira.

E se o problema fosse eu não me encaixar no seu perfil até tudo bem, mas não, na verdade eu me sinto bem abaixo da média de todas as outras pessoas. Não consigo me sentir atraente, sinto vergonha e costumo recusar elogios que recebo. Não sei pelo que você se interessaria em mim. O problema está em mim.

Aquele discurso de que “o que importa é o que você é” eu já sei décor. “Beleza interior” também já cansei de ouvir. E não foi uma ou duas vezes, foi uma centena delas. Mas sabe, é difícil, é bem difícil.

Tenho defesas por coisas que nem são ameaças pra mim. Se alguém me olha no metrô, instantaneamente eu acho que é algo em mim que está errado; minha roupa suja, meu sorriso com resto de almoço, qualquer coisa do tipo.
Eu não admito ser um motivo para ser admirado.
E também não preciso ouvir de ninguém que isso não é algo bom de se pensar. Como eu disse, gostaria de ser diferente, mas já não tenho tempo pra isso e o que tem feito é aprender a conviver com quem eu sou.

Gostaria de ser efetivamente especial na sua vida. Mais do que te convencer, gostaria de me convencer que sou importante. Gostaria de ser um motivo de orgulho, gostaria de ver um sorriso sincero no seu rosto se um dia a gente andasse pelas ruas. Mas tudo o que eu consigo ter certeza é de que eu não sou como as pessoas esperam. Não sou como você espera.

Vejo nas ruas um monte de gente que vive sem a menor possibilidade de ter sua imagem contestada. Pessoas que se garantem. Garotas que são charmosas ao fazerem um rabo de cavalo e garotos estilosos que se fazem presente, enquanto isso eu me vejo sendo só mais uma pessoa entre todas desse mundo.

Não é fácil.
Guardarei pra sempre o dia que alguém me convencer de que isso tudo é bobagem, porque eu simplesmente não aguento mais. Eu não aguento mais te ver curtindo foto de pessoas bonitas, não aguento mais ver as pessoas bonitas postando fotos, enquanto no meu caso a cada 10 fotos 1 é minha.

Talvez uma saída pra mim nessa história toda em que te incluí seja te deixar partir. Você é incrível, possui uma beleza estonteante e não merece nada menos que alguém à sua altura, alguém para se orgulhar ao apresentar ou mostrar fotos aos amigos, alguém para a sua família ficar feliz, alguém para você carregar uma foto 3×4 junto com todos os seus passos.

Eu me esforcei tanto pra chamar a sua atenção. Comprei as mesmas roupas que aquelas pessoas usavam nas fotos que você curtiu, comecei a falar sobre os mesmos assuntos, tentei me enquadrar, tentei me garantir perto de você. Tentei tanto.

Eu não queria ter cortado o meu cabelo, mas uma vez você disse que gostava desse estilo, fui lá e fiz. Eu não acho que eu precisava de academia, mas você elogiou as pessoas que cuidam do corpo e eu me inscrevi pra cuidar do meu também. Eu nunca soube inglês igual a você, mas me inscrevi num curso pra aprender a falar o nome das bandas que você gosta. Foi muito esforço.

Tem horas que a gente deve reconhecer que não dá mais pra insistir.

E não pense que eu sofro pensando tudo isso, já aceitei o jeito que eu sou e até a onde eu posso ir. Já descartei a possibilidade de te impressionar, já considerei a possibilidade de viver aqui vendo meus seriados favoritos esperando algum convite pra fazer algo legal.

Conclusão: não tenho nenhum diferencial e nada pra te oferecer a não ser quem eu sou.
Só que eu preciso pensar com calma, preciso ter certeza que a minha hora chegou, acho que preciso definir sem ninguém quando vai ser o momento de ter alguém. Eu preciso gostar de mim para que alguém possa gostar.

Na pior das hipóteses, pelo menos eu tenho tentado.
Eu juro que tenho tentado.

Ontem mesmo retribuí um sorriso que ganhei no ônibus com outro sorriso. Já me senti especial.

 

 

 

 

Mas ó, eu vou gostar se você me aceitar assim como eu sou.

Se Você Não Conseguir, Posso te Empurrar

Ainda bem que não vai dar tempo nem de sentir saudade.
Algumas coisas nós esquecemos na mesma velocidade com que vivemos. E você foi assim na minha vida. Apareceu como um furacão devastando tudo que via pela frente, ignorou as minhas vontades e as minhas forças, não deu a mínima para os planos que eu fazia na minha vida e simplesmente virou tudo do avesso.

E sabe, foi tão bom.
Foi tão especialmente bom poder matar a saudade do frio na barriga que cheguei a pensar que nunca mais sentiria de novo. Você atingiu a perfeição nesse sentido. Me fez ver a vida e as coisas boas que ela oferece pra gente de um modo que ninguém nunca conseguiu antes.

Na ousadia de uma história nova, vivemos uma porção de momentos que podemos chamar “nossos”.

E o tempo foi nosso carrasco nisso. Os dias não passaram, correram, enquanto o coração chegava a doer de tanto acelerar. Em alguns momentos, confesso, considerei a possibilidade de tudo isso ser um grande, horroroso e fulminante pesadelo, daqueles que fazem a gente perder o sentido nas coisas, que faz a gente correr deitado na cama como se tivesse caindo de um penhasco, sabe? Eu sonhei muito e a minha saída era colocar na cabeça que isso era uma loucura, que era algo que eu estava vivendo justamente por querer viver algo parecido. Louco, não? É sim.

Na minha cabeça desenhei dias que seriam os melhores pra nós e que só exigiriam o básico de nós. Materializei o que seria de mais especial em nossas vidas e isso tudo eu fiz sem você saber. Geralmente eu planejava nas minhas voltas pra casa na ansiedade de chegar logo pra poder falar com você.

E então quando eu estava começando a assimilar essas novidades e o turbilhão de coisas nas quais eu não parava de pensar e pedir aos céus que acontecessem, tudo mudou. Tudo, caprichosamente, mudou. E fui então surpreendido pela imprevisibilidade do tempo que tratou de se esgotar exatamente nessa fase.

No fim, eu sei que você foi embora pra dar lugar a quem realmente merece.

O problema é convencer meu coração de que isso tem um lado bom. A dor que eu sentia por ele quase me rasgar o peito de tão forte que batia, foi substituída pela dor de não ter com o que preencher o espaço vazio que você deixou em mim.

No silêncio da sua ausência era onde eu procurava pelos seus abraços.

E não há quem diga: “Posso imaginar o que você passou…” porque ninguém poderá. Os sentimentos são comuns à todas as pessoas, mas as manifestações são particulares em cada uma delas, e aparentemente, as coisas pra mim parecem sempre ser um pouco mais complicadas. Ou eu penso nisso como se me trouxesse algum alívio.

Você se foi e ainda bem que não demorou pra isso, pois não sei como eu lidaria caso tivesse que conviver um pouco mais com a sua ilusória companhia.
Apesar da velocidade com que as coisas aconteceram, no fim eu te agradeço por ter participado de alguns momentos especiais na minha vida, nos quais independente de você querer isso ou não, levarei pra sempre na minha.

Vai ver a vida dá dessas: testa a gente pra saber até onde iremos, o quanto suportaremos, e o quanto seremos capazes de aprender e a crescer com os acontecimentos. Sei lá, estou filosofando aqui naquela clássica, embora vã, tentativa de encontrar respostas para as coisas.

Você preferiu ir embora me deixando com as sacolas de compras nas mãos. Já tinha economizado dinheiro e comprado algumas coisas que você não parava de falar que queria. Eu queria te surpreender, apesar do pouquíssimo tempo juntos. Eu queria te fazer sentir especial, eu queria entrar pra sua história, eu queria ser representativo, queria ser alguém, queria ser eu, queria ser seu.

Ainda bem que não vai dar tempo nem de sentir saudade, porque eu prometi a mim mesmo – e não faz muito tempo -, que as minhas dores e ataques de saudade durariam no máximo um dia, afinal, se não é algo bom, não há por quê gastar tanto tempo e energia com coisas que não me fazem bem.

Você pode ir da mesma forma que chegou. Pode ir como um furacão, levando e lavando todos os lugares onde passou pra chegar, e não precise se preocupar comigo, estarei ocupado demais refazendo planos que eu nunca deveria ter interrompido. E se você não conseguir sair da minha vida, eu posso te empurrar pra fora dela.

Pode ir.

Eu Sei Que o Problema Está Em Mim

Se pelo menos fosse uma novidade pra mim, eu poderia parar e pensar: “Nossa, mas o que eu faço agora? Não sei lidar com isso e tenho medo!” Só que não é. E mesmo assim, eu paro e penso a mesma coisa. Os anos vão passando, vou crescendo e aprendendo um monte de coisa nessa vida mas continuo sem entender muito bem como lidar comigo mesmo.
Já tentei de tudo pra resolver isso com o objetivo de me fazer ter vida de novo. Em muitas das vezes que tentei, pensei como seria bacana sei lá, acordar no dia seguinte, sem peso na consciência e pensar: “Como é bom o gosto de ter tentado!”. Só que eu não consigo.

Desisto das coisas que quero sem nunca sequer ter tentado.

E ninguém precisa me falar o quanto isso errado e me faz mal, afinal, da minha vida e de todos os meus problemas eu sei bem. Valorizo uma opinião de fora, sob outro ponto de vista, só não abaixo a cabeça para definições alheias sobre como eu sou ou como eu devo ser.

O negócio é que mais uma vez eu me vejo sem nenhuma direção, sem querer saber nenhuma opinião, mas querendo tomar alguma decisão.
A gente já se conhece a um tempinho, nos falamos com certa frequência e sério, eu tentei, tentei com tudo que eu tenho de força, tentei não me render, tentei resistir, tentei te evitar, tentei não te chamar pra conversar, tentei de tudo, mas todos os meus esforços foram em vão. Eu simplesmente não consegui.

Eu não consegui parar de gostar de você. Na verdade eu só estou começando.
E se esse fosse o maior problema eu poderia comemorar, o negócio é que você nem sabe disso. E eu, ah eu, como todas as outras vezes na minha vida, não sei nem como te dizer.
Nunca encarei momentos como esses de forma normal, como algo natural, sempre considerei tudo muito especial e talvez esteja aí meu erro.

É que eu gosto demais, choro demais, rio demais, sinto saudade demais, sinto raiva demais, sinto amor demais. Sinto amor demais. É que eu… sinto amor demais.
Aqueles que me conhecem sabem que não estou mentindo e que não preciso disso pra tentar comover ninguém, até porque, eu nunca tive alguém de fato, logo, nunca tentei.

É uma merda porque eu vejo os dias passando, a gente conversando, já fez mais de mês, não foi 1 nem 2, foram mais de 3 e continuo aqui sem novidades sobre o que eu sinto por você. Sem coragem pra falar o que eu tenho sentido.
É claro que tem muito a ver com medo. Morro de medo de que você se afaste de mim, de ouvir o mais cruel “não” que já ouvi. Tenho medo de fazer papel de ridículo, tenho medo de parecer gostar demais, tenho medo de te sufocar.

Em outras palavras, tenho medo de tentar ser feliz.

Simplesmente porque me dói a barriga imaginar que vou ter que te encarar e dizer olhando para os seus olhos, as coisas que eu só dizia treinando para o espelho. Acho que eu fico assim meio sem chão porque eu sei que o que sinto é real e eu gostaria muito que fosse correspondido.

Gosto das coisas da vida como se ela fizesse os meus gostos.

Pagaria pra ver sua cara se eu te contasse tudo que faço com você sem nem você perceber. Percebo que você não está bem pela quantidade de risadas que publica na internet. Algo não deu muito certo quando a foto que você posta é de algum ângulo inusitado dessa cidade. Parece loucura, parecem pequenas coisas demais, mas são as pequenas coisas que fazem todo o resto ser grande.

Não tenho certeza sobre como vai ser na próxima vez que a gente se ver, não sei se vou conseguir matar essa minha angústia e tentar falar logo tudo de uma vez ou se vou deixar comigo uma vez mais.

Entre todas as minhas dúvidas sobre o que fazer com o que eu sinto por você, tenho uma certeza: é real.

Quem sabe um dia.

Afinal, o Que Falta pra Gente?

Já que eu não posso voltar no tempo, fico aqui todo dia usando toda a minha força pra pensar como eu faria diferente se você me ligasse de novo, se você me chamasse pra dar uma volta qualquer, sem motivo especial, só por dar uma volta. De novo.
Me torturo em silêncio e longe de você porque recusei todos os seus convites, dos mais ousados aos mais simples. Em pensar que faz tanto tempo que não vou ao parque… Neguei acreditando que teriam outras oportunidades, que você poderia me esperar e mais, neguei porque eu não queria cancelar meus planos já definidos em todas as vezes que me convidou. O curioso de tudo isso é que se eu parar pra lembrar nas coisas que fiz nas vezes que, sei lá como dizer, te “dispensei”, vou perceber que não fiz nada que realmente fosse especial a ponto de me fazer levar pra vida.
E pode até não parecer, mas eu procuro fazem coisas que me sirvam de algo, não vivo pelas mesmices, tão menos sobrevivo com migalhas. Gosto de coisas inteiras e de histórias capazes de se tornar lembranças pra compartilhar depois. Tudo que faço na minha vida eu vejo dessa maneira. E lembro que exatamente todas as vezes em que não quis sair com você, os “rolês” não me renderam nada mais que novos buracos na minha já esburacada conta bancária.

Só que agora eu me vejo aqui, sem perspectiva de nada interessante para fazer, sem vontade de aceitar os convites que recebo, sem vontade de sair de casa.
Eu só fico pensando nas vezes em que eu te disse “não”.
Acho que você ia estranhar se eu te chamasse no chat pra conversar agora. E mais que isso, tenho medo de você usar da frieza pra falar comigo – justa, eu sei, com seus motivos – mas tenho medo de não conseguir dizer que eu só quero aceitar um convite antigo seu.

Das pessoas que contei sobre os convites que me fez, ouvi dizerem que eu deveria ter aceitado um ou outro e que mesmo depois de recusado, eu poderia ter mandando uma mensagem agradecendo e dizendo que a gente poderia marcar uma próxima vez. Teve gente também que disse que fiz a melhor coisa, afinal, que coisa mais chata passar a tarde de sábado no parque, né?

Mal sabem o quanto eu gosto e o quanto eu sinto saudade de fazer isso, e mais, mal sabem que só não faço isso porque não recebo convites do tipo.

Eu errei e deixei as oportunidades saírem das minhas mãos. Acho que não faz sentido eu pensar nisso agora, você deve estar fazendo alguma coisa legal por aí com alguém igualmente legal, sei lá, e na verdade até quero que esteja, quero que esteja se divertindo.

Eu sou total responsável pelas coisas que não acontecem na minha vida.
Faz parte. Mas…

(…)

Eu tenho todos os motivos pra não dedicar nenhum segundo da minha vida pra você; não mover um dedo, não dedicar um pensamento. Mas tem horas que isso não dá tão certo assim e me vejo querendo falar com você de novo e de novo. Que coisa estranha. Das pessoas que dividi essa minha situação, ouvi dizerem que o problema é que eu me apego demais e muito rápido e que isso além de sufocar as pessoas, sufoca a mim mesmo, então, eu preencho os espaços vazios na minha cabeça com possibilidades que não passam de possibilidades.
Não foi uma nem duas vezes que te chamei pra dar uma volta pela cidade. Se eu tivesse mais dinheiro, certamente o convite seria mais sofisticado e eventualmente irrecusável. Uma famosa peça de teatro e um jantar em um restaurante de pompa seriam opções, só que tudo o que eu tenho a oferecer pra você e para quem quer seja sou eu mesmo.

Às vezes leio o histórico das nossas conversas. Pode parecer meio deprimente, mas me faz bem rever algumas coisas que já disse e todos momentos de risada que já demos pelos motivos mais bobos, eu revivo e rio de tudo de novo como se fosse a primeira vez.

Eu queria me sentir confortável de te convidar mais uma vez pra sair. E essa é uma das coisas que meus amigos não podem saber, porque nas vezes que eu só mencionei essa possibilidade, tive dedos apontados para o meu resto como se eu estivesse falando a pior das coisas. Entendo eles e vendo de fora, provavelmente eu falaria e faria algo parecido. Tem aquele discurso pronto sobre humilhação e de amor próprio, né? Sei como é.

Por isso que algumas coisas que eu vivo procuro guardar pra mim, assumindo todas as consequências de darem certo ou errado, prefiro guardar pra mim.
Se eu me sentisse a vontade de falar com você de novo eu te contaria um segredo: tenho guardado dinheiro pra poder pagar o táxi na sua volta pra casa. Dia desses perguntei para um taxista quando daria de tal shopping até a sua casa, ele me falou mais ou menos e a partir daí resolvi poupar um dinheiro. Melhor seria se eu tivesse um carro, com alguma música agradável, tudo ficaria mais gostoso e divertido, mas infelizmente ainda não é o caso. Então, por enquanto, eu tento me virar como posso e acho que você vai gostar de voltar pra casa de táxi ao invés de metrô e ônibus.

Olha que coisa doida, tenho feito planos pra quando sairmos sem mesmo ter te feito um novo convite. É que eu quero me preparar para a próxima vez, não quero ganhar mais um “não” pra minha coleção.
Depois das vezes em que tentei e não deu certo comecei a pensar em como eu estava fazendo. Notei que eu estava ansioso demais. Notei também que convites para o cinema e passeios pelo parque não são assim tão irresistíveis como em tempos atrás. E ninguém tem culpa disso, as coisas mudaram bastante e eu que fiquei estacionado no tempo.
Por isso tudo e pelo meu medo de errar de novo, estou me organizando para quando eu tiver coragem de te chamar pra sair mais uma vez. Ah, é verdade, enquanto pensava nas vezes em que não deu certo, me veio a mente que você recusava por pensar que em todas elas eu ia tentar algo com você, talvez um beijo roubado ou uma mão a mais. E olha, vou confessar que você é sim absolutamente atraente e vou mentir se eu disser que não sonhei com a possibilidade de acontecer algo, só que antes de qualquer pensamento desses eu sempre imaginei no quanto seria agradável a gente sair pra conversar sobre os pontos de vista que temos das coisas.

Em todas as vezes que você me disse “não”, eu só queria um “sim” pra aprender com você.

Mas tudo bem, é passado, são coisas que não voltam.
Vi no celular que faz um tempinho que não trocamos mensagens, acho que essa é uma boa hora para te mandar um ‘oi’ qualquer, aí, quem sabe, se eu tiver alguma coragem, te convido pra fazer alguma coisa.

Pelo menos a sua volta pra casa estará confortavelmente garantida.
Eu tenho passes de metrô pra mim.

Você Quer Soluções ou Uma Plateia?

A gente sempre precisa, pode até não estar fazendo falta agora ou sei lá, pode não ser um motivo tão gritante hoje, mas no fundo, todo mundo precisa, e mais, todo mundo quer um alguém pertinho, respirando no pé do ouvido, fazendo o corpo se arrepiar e nos arrancando um riso infantil e sincero de canto de boca.

Tem as pessoas que gostam de fingir que não precisam. Rio delas, porque pra mim elas são as mais fracas e mais carentes neste sentido, só que elas não gostam de demonstrar isso.

Parece que é defeito demonstrar carência. Sendo que independente da pessoa, todos nós somos em algum momento da vida.
Não costumo confiar na distribuição escancarada de sorrisos por todos os cantos. Ninguém é morada da felicidade. Como já pensei tempos atrás, somos e seremos uma perfeita gangorra… E isso deve ser respeitado.

No mundo em que vivemos, demonstrar uma sensibilidade particular é um crime inadmissível, se você for homem então, prepare-se para ter dedos apontados à você acompanhados de afirmações do tipo: “Cara, você é muito gay!”, “Nossa, mas só escreve coisa de bichinha!”, sabe? Faz parte. Mas você não precisa se sentir reprimido ou discriminado por isso, por um simples motivo: As pessoas que te dizem isso são as que mais leem escondido o que você escreve. Afinal, se eles te julgam dessa maneira, é sinal que leram o que escreveu. Entenda.

Esse mundo está carente de pessoas realmente carentes.

Além das pessoas que fingem carência para ter audiência, há também as outras pessoas que sofrem por tudo que entende ser um motivo. Não me cabe definir o que de fato é carência ou não, mas há um bom senso a ser respeitado que algumas pessoas não respeitam. Com qual objetivo? Elas querem atenção. Elas querem ser reconhecidas, querem ser um motivo a mais para ter vida nesse mundo além de só mais um pessoa. Por isso, ela parece planejar o que escrever nos lugares para demonstrar – infantilmente – que não está bem. Ela espera uma chuva de: “Conta comigo, fica bem!”, porque aí ela vai se sentir querida. Essas pessoas não tem culpa de serem assim e nada vai mudar isso a não ser o decorrer dos dias; a lágrima assumidamente escorrida e o sorriso honestamente dado.

É mais fácil encontrar corações de pelúcia do que pessoas com coração.

Há uma motivação contundente que me convence de que as coisas mudam: a lei do plantou, colheu. Penso pelo princípio de que todas as coisas que fazemos na vida possuem uma interligação, afinal, nós protagonizamos todas os momentos das nossas vidas, dos que gostamos e dos que não. Dada a nossa participação nisso tudo, vale a reflexão sobre como estamos nos comportando diante delas. Não quero convencer ninguém da minha tese, mas eu acredito que se  a coisa A não deu certo, talvez tenha sido porque na coisa C eu fui deficiente em algum momento. Talvez.

É um erro buscar a felicidade suprema, nós precisamos é do equilíbrio da vida, recheada de lições, com cobertura de “aprendi”, “errei” e “vou tentar”.

Sejamos práticos. Se até hoje nenhum relacionamento seu deu certo como esperava e queria, pense sobre todas as outras coisas que tem feito na vida. Pense sobre você no trabalho, na família, com os amigos. A gente não precisa ser perfeito em tudo, mas cabe a nós mantermos as coisas devidamente equilibradas, ainda mais se pensarmos que a vida dá pra gente o que precisamos e não o que queremos.

E eu sei, é uma droga ter que pensar sobre a gente enquanto a vida parece correr a vontade de ter uma ligação de “estava com saudades” só aumenta. Só que tudo isso faz parte, ainda mais, por não podermos controlar o relógio dos nossos dias.

É importante sermos sinceros com nós mesmos. Se não está bem, não forje o sorriso; Se não tem motivos pra reclamar; não cave motivos. A vida é muito sincera – o que não significa ser justa – e o nosso papel com ela é muito simples e efetivo: que sejamos mais coração e menos frases de efeito.

Acho o termo “auto-ajuda” pesado e psicológico demais, prefiro chamar de “abraço por palavras”, nos quais, todos precisamos, inclusive eu mesmo. E já me faz um bem muito grande ser quem dá o abraço.

Todo mundo precisa e todo mundo quer dividir o edredom e bater os pés com meias numa noite de inverno. Todas as pessoas, sem exceção!
Talvez seja só uma questão de ver o que você tem feito para merecer isso, talvez devemos perceber se não estamos supervalorizando as dores dessa vida, ou, talvez, devemos perceber, aceitar e respeitar que tudo não passa de uma questão de tempo e que varia de pessoa para pessoa.

Na falta de saber o que fazer, podemos começar acreditando que o melhor está por vir.

*título especialmente inspirado na música “Felicidade Relativa” da extinta banda Fullheart.

É Que A Gente Prefere Assim

Você vira uma página atrás da outra enquanto recolhe para atrás da orelha um pouco do seu cabelo. Eu só fico te vendo folhear esse catálogo de viagem.
Nunca fui desses com muitos planos e vontades para realizar, mas depois que eu te conheci comecei a dar um valor especial para os momentos que a gente chama de “nosso”, e por isso também sem me empolgo quando pinta alguma ideia de fazer algo diferente, como a viagem que estamos planejando para esse próximo feriado.

Vou te falar que já me auto-estudei já tentei me entender pra poder compreender como eu fico quando a gente tá assim, perto. Engraçado que sinto a mesmas coisas em todos os lugares, desde a nossa cama ao amanhecer até você sentada aí nessa cadeira escolhendo um destino para nossa viagem.

Te vejo conversar com o vendedor com um brilho nos olhos sem igual. Me chama e pede opinião, digo duas ou três coisas nais quais acho relevantes, mas não vejo problema em deixar a decisão oficial na sua mão por dois motivos: 1) você sabe muito bem como anda a minha conta bancária, 2) eu realmente prefiro que você escolha. Nunca fui bom nesse negócio de decidir as coisas.

Eufórica, bate os pés no chão a cada palavra do vendedor sobre os lugares que estão no catálogo. “Olha, isso, não é lindo?” Me pergunta com um sorriso impossível de discordar. “Nossa, é mesmo, acha que decidiu?”, “Ai meu, ainda não sei, são tantos lugares, só quero conhecer um lugar novo!” Me deixo escapar o riso de canto de boca demonstrando que temos tempo para você escolher com segurança.

Decido levantar da mesa e olhar alguns banners pela loja. Quantos lugares, quantas opções e o curioso é que eu vejo a gente em todos os eles. É como se eu pudesse prever fotografias nossas nesses lugares, como se eu pudesse imaginar a sua felicidade nesses cantinhos de mundo.

“Posso saber o que está pensando aí?” me pergunta enquanto lentamente me abraça por atrás colocando os dois braços sobre os meus ombros. “Estou pensando que definitivamente, pra mim, não importa pra onde vamos contanto que vamos juntos”. E sem falar uma palavra me vira o rosto e me presenteia com um rápido beijo. “Vou voltar pra falar com o moço ali, ele saiu para tomar uma água!”. “Sim, claro, vai lá!”.

Escolho por ficar de longe e começo a pensar em nós dois. Meus pensamentos passeiam por vários lugares e situações, mas são interrompidos quando me toco que, sei lá, estou com uma pessoa tão maravilhosa, com você, alguém me faz um bem sem igual. Te ver ali fazendo planos pra uma viagem só nossa me preenche o peito. Em outras palavras, te ver feliz é algo que eu não consigo explicar quão bem me faz. Cheguei a um ponto que eu não me importo tanto mais comigo, sei que não é algo certo de se pensar, mas explico: é que hoje tenho certeza que a minha felicidade só existe se a sua também existir. Hoje tenho certeza que pra eu dar um sorriso preciso ver o seu antes e não é uma questão de submissão, mas sim de plenitude. Já tive outros motivos para ser feliz mas você é o melhor deles.

“Ah, acho que vou pensar melhor e depois volto, tá? Obrigada!” Te vejo despistar e se despedir do vendedor.
“Mas por quê você não fechou negócio? Não está tão animada para sair?!”
“Sim, estou, mas enquanto ele falava, falava, falava, eu pensa nas parcelas, nos sacrifício que teríamos que fazer para pagar. E podemos deixar isso para uma outra hora, né? Com o dinheiro que vamos economizar nesse viagem a gente um faz um bate-volta para a primeira praia, tomamos um banho de mar e voltamos pra casa, daí alugamos uns DVDs, compramos uma coisas gostosas para comer e vamos vivendo.”

O complicado pra mim é que até na sua resposta você me surpreende e me deixa sem as minhas. No entanto gosto da suas surpresas e surtos positivos. Acho especial.

“Bom, então tá, qualquer coisa a gente vê no site depois! Quer dar uma volta no shopping?” pergunto.
“Ah, até quero, mas pensei na gente comprar umas coisas legais e preparar um prato em casa, o que acha?”
“Acho bem bacana, podemos tentar!”

Você sempre com algumas das melhores e mais revolucionárias ideias, demonstrando criatividade e sede pelo novo. O que te torna ainda mais sexy.

“Podemos ir para aquela praça perto de casa e ficar um pouco sem fazer nada? haha” Faço o convite.
“Claro que podemos, é basicamente isso que eu queria fazer mesmo, bobo! haha”

Você e a sua arte em me surpreender.
Que eu tanto gosto.

Esse é Só Pra Te Lembrar

Sabia que se a gente falar dos sonhos a gente fica cada vez mais perto deles? É claro que não tem como eu prever isso, mas olha, o que custa a gente preencher nossa cabeça com pensamentos bons ao invés de todos os outros?

Nossas reclamações pela falta de abraços não trazem novos abraços. Ou seja, para a tal das pequenas coisas acontecerem é necessário que a gente faça pelo menos uma coisa: a nossa parte. Somos viciados em esperar as coisas das pessoas. Somos viciados em ser quem espera um abraço forte ao invés de ser a gente quem dá. É automático e está presente em todos nós. É tão boa a sensação de SMS surpresa… Mas a gente esquece o quanto pode ser bom se for a gente quem envia essa SMS. Além do receber, o prazer está no fazer. Só que a gente esquece.

É tão mais cômodo compartilhar uma foto com alguma mensagem bonita ao invés da gente criar a nossa própria mensagem, né? É, só que talvez seja um caminho desgastado demais já.

Sério que você aí que está lendo isso não se cansou de tanto esperar as coisas caírem nas suas mãos? É sério mesmo que você gosta da ideia do “Deixa eu ver agora o que ele(a) vai fazer!”? Você fala sério quando diz que prefere ficar na sua e não correr atrás? São algumas simples perguntas que dizem muito sobre quem você é e sobre como tem vivido, afinal, nós construímos a nossa história, portanto, se a sua atual fase não for a que  esperava, entenda, com certeza você tem total influência nisso.

“Você fala assim como seu eu tivesse um botão de liga/desliga pra determinar quando acontecem as coisas na minha vida, né?” Você pode estar pensando isso aí, eu sei. Mas olha, eu não falo como se fosse fácil ou difícil, falo como uma alternativa interessante para que todos nós pensemos.

Não te traz sorrisos mas você insiste em visitar o perfil de você-sabe-quem, de abrir aquela pasta – que deveria ter sido escondido ou deletada – cheia de resgates de lembranças no formato de fotografia. Não te traz sorrisos mas você passa naquela rua que já foi sua segunda casa por tanto tempo. Não te traz sorrisos, mas você insiste em ouvir os refrões que já foram ouvidos em momentos que te faziam sentir especial. Faz parte, é verdade, só não te faz bem. Não mais.

E eu posso fazer ideia sobre o quanto é difícil se desprender, no entanto, convido você que está lendo isso agora a pensar comigo em alguma outra alternativa para deixar as coisas pra trás a não ser querendo e lutando para que isso aconteça. A porta nunca vai abrir se você não empurrar.

Vamos tentar uma coisa.
Assim que acabar de ler esse texto, feche as janelas do chat no Facebook, não responda o Whatsapp.
Humildemente convido você a colocar pra tocar uma música que te faz bem, seja qual for, aquela que te acalma, e sugiro que feche os olhos por alguns instantes.

Já escolheu a música? Já se isolou do mundo?

Vou confiar em você.
Agora, de olhos fechados, lembre de tudo o que já te fez mal. Isso mesmo, parece estranho mas é verdade, peço para que lembre das vezes que chorou, nos motivos e em quem te fez chorar. Tenta lembrar de tudo. Não vai ser um momento divertido, mas vai ser importante.

Lembrou?
Legal. Estou confiando em você.

Agora quero que lembre-se de todas as melhores coisas que já viveu, em todos os motivos e pessoas que já te fizeram soltar um sorriso sincero. Lembre de tudo – você está de olhos fechados, né? – eu confio em você. Lembre de tudo, daquela tarde de sábado, do beijo tímido no cinema, da comemoração de 1 ano, daquela melhor volta pra casa de toda a sua vida, da primeira disputa do “desliga você”.

(Este é o momento em que após ler isso você fecha os olhos e faz o que sugeri).

Espero de verdade que você tenha parado para pensar agora nessas coisas, e mais que isso, espero que tenha surtido efeito o bastante para você conseguir equilibrar o que de fato espera da sua vida: viver uma lembrança, ou viver o agora. As lembranças foram criadas pra gente se lembrar de quem somos. São as atuais lembranças, que um dia já foram verdade, que te fizeram chegar até aqui. Todos os sorrisos e todas as lágrimas te fizeram melhor pra chegar até aqui e você precisa acreditar nisso. E o que você espera daqui pra frente?

Sabia que se a gente pensar nos sonhos a gente fica cada vez mais perto deles?
Acho que você sabe muito bem do que estou falando.

Desse Jeito Não Vai Funcionar

Engraçado que não fui eu quem quis assim e hoje é você quem age dessa maneira toda estranha, sem fazer o menor sentido. Afinal, não terminamos numa boa com as coisas tudo certas entre a gente? “Numa boa” quero dizer né, claro que nenhum fim é bom. Ok, tem vezes que é sim, mas não foi o nosso caso.

O que eu não entendo é o jeito que você tem se comportado depois que terminamos, ou melhor, depois que você terminou. E não adianta vir me colocar o dedo na cara pra falar alguma coisa sobre mim, você deve se lembrar que eu não queria isso, que eu tentei um milhão de vezes te entender, mas vai ver foi exatamente isso que te irritou tanto: o fato de que eu querer te entender. Não vale a análise agora e só vai me desgastar.

É que você não tem percebido a forma ridícula que tem se comportado com relação a mim. Me chama no celular pra conversar, mas reclama quando não respondo imediatamente, e quando respondo e tento manter um clima bacana, você impressionantemente planta algum motivo pra brigar comigo. Presta atenção, não estou me fazendo de vítima, só que é exatamente isso que tem acontecido. Quer queira, quer não.

Você faz de um tudo pra chamar a minha atenção e se aproveita do fato de eu não ter te excluído das minhas contas nas redes sociais. Eu não teria por quê fazer isso, mas você está me forçando aos poucos a fazer. Se faz presente da forma mais infantil que existe, postando imagens e me marcando, mandando músicas que faziam as nossas trilhas, sei lá, várias coisas que mais parece que você quer deixar claro que está por ali, que quer marcar território, afinal, se não fosse por isso, por quê estaria fazendo? Fico pensando o que você acha que eu pensaria se não isso.

Olha, eu vou mentir se te falar que te esqueci. É claro que não, até por quê não faz tanto tempo assim. Ainda tenho algumas das suas lembranças me perseguindo, especialmente quando estou sozinho em um lugar qualquer ou dirigindo por essa cidade. Mas eu me aliviei quando coloquei na minha cabeça que isso faz parte.

Hoje faço do nosso passado o meu presente.

Sei que não tem sido fácil pra você, mas não pense que tem sido pra mim. Não acredite tanto nas risadas que dou na internet, nos lugares que visito, nas fotos em que apareço, não leve assim tão a sério.

Os motivos que uso pra sorrir são alternativas pra não chorar.

A conclusão da minha visão sobre isso é que tudo faz parte. Eu não poderia esperar por menos, não poderia evitar a saudade e fugir da lembrança, do dia do fim até a um minuto atrás eu tenho tentado entender de uma vez por todas que vai ser difícil, mas é assim que tem que ser e eu preciso superar.

No entanto, devo dizer, fico triste com o jeito que você se comporta. Se a sua ideia é voltar, é que continuemos a nossa história, entenda que tem feito tudo para não dar certo. A sua pressão, mesmo na melhor das intenções, tem me sufocado e tem me confundido ainda mais sobre as coisas que tenho sentido por você.

Não queira controlar o tempo e acelerar as fases da nossa vida. Apenas viva.

Se agora eu falo isso com tanta propriedade foi porque lá atrás eu tive que engolir o pão que o diabo amassou pra conseguir atravessar os dias e continuar fazendo as minhas coisas. Demorei, mas estou tentando seguir.

Desculpe, não quero que me leve a mal sobre as coisas que estou dizendo, mas o respeito é um dos maiores sentimentos que tenho por você e gostaria que tivesse o mesmo comigo.

Entenda, o amor não morreu. Mas a gente precisa deixá-lo dormir e acordar quando quiser. Se ele quiser.

É Uma Espera Por Algo que Valha a Pena

Eu sinto tanta saudade.
Sinto saudade de gostar de alguém, de perder o ar com uma mensagem nova no celular, de sentir o coração bater mais rápido quando chega a hora de se encontrar. Sabe essas coisas? É então, são dessas e de outras milhares de coisas que eu sinto saudade.
Acho que desaprendi como é gostar de alguém, como é ter alguém especial nos meus dias. Vida estranha, não queria isso mas é exatamente isso que tem acontecido.

Eu não consigo obrigar o meu coração a bater mais rápido. Ele bate por quem acha que deve.

Já cheguei a pensar que o erro estava em mim, por sei lá, ter uma postura meio defensiva pelas coisas que eu já passei. Poucas e boas. “Boas”, né. Então comecei a me dar oportunidades para viver algumas experiências aqui e acolá pra ver se meu abraço ia se sentir amparado em outros braços, mas não deu muito certo e tudo o que eu ganhei, se é que posso falar que ganhei algo, foi uma dor de cabeça ao gerar expectativa sentimental por alguém que eu não conseguia sentir nada igual.

Toda tentativa serve para algo. E o algo, acima de tudo, é sempre muito válido.

Hoje eu não consigo muito me envolver, não consigo me permitir e apesar de saber que isso não me faz bem, eu não consigo mudar, pelo menos não tenho conseguido. E o louco é que eu gostaria de estar vivendo exatamente o contrário disso.

Ao invés de ter que me justificar por não corresponder a um sentimento, gostaria de não conseguir explicar tudo que eu sinto.

Das vezes que tentei lembro das que fiz pessoas especiais chorarem por mim. Lembro e fico mal, porque eu não queria prejudicar, não falei por não gostar, só que eu prefiro sempre a sinceridade diante das outras alternativas para resolver as coisas. É claro que eu poderia sentar e prolongar as coisas por mais tempo, dar novas chances para as chances já dadas, é claro, eu poderia mas aí não seria eu. Neste caso, eu estaria arruinando um dos pilares que acho mais importante para a vida a dois: o respeito.

Acredito que nunca fui a pessoa certa para as oportunidades que me apareceram.

Quando tive nas mãos o melhor dos roteiros para uma nova história, eu simplesmente não consegui, e pior, eu nem queria decorar minhas falas, fazer minha parte, fazer meu papel.

Eu me canso das incansáveis tentativas das pessoas em me fazer entender que as coisas não assim.

Eu nunca disse que tudo funciona como eu planejo, nunca afirmei que o meu raciocínio é o mais eficaz, exatamente por isso não gosto quando me apontam o dedo me julgando frieza, instabilidade ou qualquer coisa que denote alguma falta de sensibilidade.

A verdade é que transbordo sensibilidade e tenho os melhores sentimentos guardados para quem merecer. E não espero muito não, me entrego quando sinto que devo. O problema eu só tenho visto vazias tentativas de história, e desculpa, mesmo sendo com a melhor das intenções, mesmo que pareça que exijo demais, nenhuma das histórias em que protagonizei até hoje foram capazes de fazer meu coração aumentar o ritmo. Eu não tenho culpa.

Ok, até tenho minha culpa, não estou tão perto da perfeição assim. Talvez a minha culpa esteja na a ansiedade em que vivo meus dias, querendo tudo pra ontem, tudo já pronto. Também sou um gerador de expectativas, também acho que vai ser demais quando na verdade é de menos. E pensando bem, agora com calma, foram as minhas frustrações que me fizeram ser quem sou hoje. Foram as lições que já aprendi que me fazem evitar ter aulas repetidas. Então, no fim, posso concordar se alguém me disser que o que eu sinto é um assustador medo de me machucar de novo. Infantil, mas assustador. É assustador porque é infantil, vai saber.

Mas é interessante separar as coisas: 1 – vivi poucas mas traumáticas situações que me fazem torcer o olho para alguma novidade; 2 – eu morro de medo das novidades.

Quanto mais perto a gente fica do que não começou, mais perto também ficamos do que vai acabar.

E eu, de verdade, não quero passar por tudo de novo, não agora.
Que coisa mais doida, que vida mais doida, que pessoa mais doida eu sou.

Mas volto a dizer, eu sinto tanta saudade de gostar de verdade.
Só estou esperando alguém que convença meu coração disso.

Enquanto Isso o Edredon Continua Sendo Só Meu

Eu sinceramente não espero muito de você.
Pra quem já secou os olhos de tanto sofrer por tanta gente que ao invés de marcar minha vida com algo que valesse a lembrança, só fizeram questão de se tornarem novos motivos para eu esquecer, passei a desacreditar um pouco no que eu idealizo de especial na minha vida. Hoje eu deixo na mão do que tem que acontecer, é irreversível e até meio inocente eu querer mudar alguma coisa sendo que já vai acontecer, sabe?

Mas, devo falar, eu espero coisas boas pra nós. Pelo menos são em todas elas que eu me apego e direciono tudo que há de bom em mim.
Não tenho muitos planos do que fazer, tenho sim algumas vontades, mas prefiro decidir com você o que e quando faremos, por uma questão de respeito. E quer saber? No fim das contas, independente do que eu faça, se for com você, não vai ter o menor problema. Contanto, peço, que não seja algo como correr no parque ao sol do meio-dia, porque isso, vou te contar, vai ser muito difícil que eu consiga fazer. Só que eu não disse “não”, disse que vai ser difícil e espero que tenha entendido que se for importante pra você, eu prometo tentar.

Ultimamente tenho controlado minha ansiedade. Tenho reparado que as estreias no cinema estão tão condizentes com a minha vontade de vê-las, e aí entro em paranoia, pensando se você gostaria de ver alguma delas.
Recebo e-mails de compras coletivas e pacotes de viagens e também me pego pensando como seria a sua reação se eu comprasse pra gente algo desse tipo, sei lá, na surpresa mesmo.

Quando vejo meus amigos na internet combinando as baladas do próximo fim de semana, lembro das vezes em que me rendi à essas ocasiões na expectativa ingênua de faturar algo mais do que uma conta gorda de cartão de crédito no fim do mês.

As bocas que beijei sabem menos de mim do que eu gostaria que soubessem.
E os abraços que já dei duraram menos tempo do que eu gostaria que durassem.

Talvez essas coisas tenham acontecido para me mostrar que de fato não era a hora. Comecei a aceitar, vida estranha, comecei a aceitar. E todo o dinheiro que eu gastava nesses lugares hoje eu guardo pra gente aproveitar de uma forma melhor.
Não foi uma ou duas vezes, foram bem algumas em que aceitei perder algumas horas de sono no meio de pessoas misturadas entre as que querem esvaziar a cabeça do stress da semana, as que querem dar risadas e fazer palhaçadas com os amigos e as que buscam novos contatos na agenda do celular focados em um único o objetivo: o contrário do meu.

O que procuro eu não vou encontrar na entrada VIP de uma sexta-feira, mas sim na fila do supermercado em um sábado a noite.

Você vai rir se eu te contar que já me vi rindo com você vendo a TV aos domingos? É que nunca passa algo interessante, aí com o que me resta pra ver, sei lá, algo seriado aleatório, já me peguei rindo e imaginando: “Vai ser legal quando a gente estiver vendo isso juntos”. São coisas que nascem e ficam na minha cabeça e não me importo de serem assim.

Dizem que chego a ser infantil quando falo de nós dois e eu nem ligo. O que me importa de verdade é saber se estou te fazendo bem, se de alguma forma estou te estimulando a ser melhor para si mesmo antes de tentar ser especial pra mim. O tempo me fez entender que pra eu ser alguém melhor, eu preciso ajudar alguém a ser também e isso me conforta e me anima. Fico feliz com a possibilidade de ajudar alguém a ser feliz. Até me empolgo, imagina que legal ouvir de alguém: “Você me faz feliz!”.

São só algumas coisas que eu penso sobre a gente.

Mesmo sem ter te conhecido ainda.

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