É um jeito que vocês deveriam ver. Eu juro.
O dia inteiro ela tenta lidar com o cabelo.

É um prende e solta que não tem fim. “Ele tá sujo hoje” ela alega quando prende apressada num rabo de cavalo. “Lavei hoje, né?” ela diz quando teve pique para acordar mais cedo e ter um banho mais demorado.

Quando o cabelo dela está solto, ela costuma tirá-lo do rosto algumas vezes durante o dia; ora repartindo e colocando um pouco atrás da orelha, ora só tirando da frente dos olhos com uma leve passada de dedo. Agora, quando ela prende o cabelo… Ela prende de formas muito variadas. Tem dias que ela prende com o já citado rabo de cavalo. Tem dias que ela usa uma caneta ou o que mais tiver pela frente só para dar um jeito rápido, principalmente se estiver estressada. Nesse caso, meu amigo, ela fica puta da vida e só quer encontrar uma maneira de parar de se irritar com esse cabelo.

Tem dias que ela puxa todo o cabelo para cima e fecha num coque. Aliás, dias assim são sempre incríveis. Mas às vezes esse coque se solta um pouco pela nuca, deixando fios mais longe da cabeça e um pouco da franja perto do rosto. Eu não tenho certeza, mas a impressão é que faz parte do penteado deixar um pouquinho da franja. Ela faz ser natural o que me soa tão especial.

Falando nisso, será que ela sabe como fica quando prende o cabelo?
Será que alguém já falou? É que quando ela prende o cabelo é tão, tão, eu não sei explicar. Mas vou tentar.

O negócio é que o jeito que ela cuida do cabelo é bonito. E não é sobre cosméticos, é sobre o jeito que ela toca no cabelo durante as horas do dia; é sobre como, talvez sem querer, ela consegue ser ainda mais charmosa.

É sobre o bonito se transformar em lindo.

Inquieta, ela está sempre em mudanças: Faz progressiva, deixa natural, pinta de uma cor, de outra, não pinta, repica aqui e acolá, corta muito ou corta pouco. Ela parece estar sempre querendo dar um quê a mais para o cabelo.
Ela sempre diz que  “precisa cortar”, que “tá sem corte”, que “precisa dar um jeito nesse cabelo”, mas quem sou eu para falar o contrário, né? Eu sei que vou gostar de qualquer coisa que ela fizer, porque a beleza não é no cabelo sozinho, é na proprietária dele.

Eu fico pensando no privilégio de todos os shampoos e cremes que ela usa. É que eles beijam aquele cabelo bem na hora do banho. E poucos momentos são mais especiais para beijar alguém quanto no banho.

Não é só “prender o cabelo”: é levantar os braços, encontrar algo para prender, recolher uma parte com uma das mãos, depois a outra metade com a outra, juntar tudo e finalmente prendê-lo. Não é um gesto, é um ritual.

Ela pode ter qualquer corte e qualquer cor, quem faz o cabelo ser bonito é o fato dela ser linda.
E ela ser linda só é uma verdade pelo jeito que ela é. É sobre o jeito dela.

Quando ela prende o cabelo é um jeito que vocês deveriam ver. Eu juro.
Mas esse é o tipo de coisa que a gente não deve ver com os olhos, mas sim com o coração.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees