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Antes de você eu já sorria

É então, foi isso.
Nem chegou a começar e eu já tenho que lidar com o fim.
Mas isso não é novidade pra mim, e também não falo isso pra me fazer de vítima.
É que a gente vai criando uma casca e poucas coisas impressionam tanto.
E isso é algo que tem um lado bom e um ruim:
– o bom é que nos protegemos
– o ruim é que nos protegemos tanto que deixamos de nos permitir.
Mas eu tenho consciência dessas coisas, não é bem por aí comigo.
E ter consciência tem um lado bom e ruim:
– o bom é que eu sei que devo me permitir
– o ruim e que eu sei que deveria me permitir menos às vezes. (mas só às vezes).

É isso.
Tenho que te ver indo embora e não há nada que eu posso fazer pra voltar.
Eu nunca te obrigaria a viver algo que não gostaria. Nunca te falaria coisas que eu não gostaria de ouvir. E eu já fiz tudo, apesar de tão pouco tempo juntos.
Tem coisas que a gente precisar admitir antes de querer arrumar. Então eu já entendi que essa foi só mais uma vez que não deu certo pra mim. E no momento quero aproveitar o meu direito de pouco me importar com aquela história de que “deu certo enquanto houve história”, pra mim, por enquanto, não deu certo merda nenhuma. Ver indo embora uma pessoa que você gosta não significa dar certo em nada. Apesar de ser verdade, vou levar um tempo pra concordar que foi bom enquanto durou, por enquanto só repito pra mim mesmo o quanto me frustra aceitar que terminou.

Engraçado que eu me dediquei.
Mais uma vez eu me dediquei e tentei ser uma pessoa boa. E acho até que consegui.
Só que nem todo mundo está pronto para a pessoa que somos.
As fases precisam coincidir para que algo a mais possa existir e resistir.
É aquela história: às vezes somos a pessoa certa na hora errada, às vezes somos o contrário.

Gostaria, porém, que nunca duvidasse das coisas que já te disse.
Se não quiser guardar minhas mensagens, guarde minha verdade. É que eu sempre fui real em cada coisa que te falei ou te escrevi.
Lembra quando eu disse que gostava do jeito que mexia no cabelo? É então, eu gostava mesmo, não era conversinha fiada pra te levar pra cama. Lembra quando eu te disse que sentia saudade mesmo tendo acabado de sair da sua casa? É então, eu sentia mesmo, não falava isso pra você me achar bonitinho e fofo. Lembra quando eu disse que poucas vezes me senti com alguém igual me sentia com você? É então, poucas mesmo, talvez nunca. Era bom me sentir bem do seu lado. Lembra quando eu disse não me importar em você sair com seus amigos e aproveitar seu tempo? É, eu não me importava mesmo. Não fazia charme ciumento pra você se tocar e ficar comigo. Sempre pensei que precisava viver as coisas que gosta. Eu apareci na sua vida pra somar não pra subtrair. Lembra quando falei que podia comer metade da minha barra de chocolate? Então, podia mesmo. (só não podia comer a barra toda.)

Eu até que fico feliz.
Apesar de ainda não saber lidar muito bem com esse fim – quem sabe lidar com algum fim? – eu fico feliz ao lembrar que fiz minha parte para que nunca me esqueça. Tem que começar uma história fazendo história. E eu tenho certeza que nunca vai me esquecer. Isso é algo que estranhamente me faz bem.
Sei lá, esse gostinho de “missão cumprida”, de que marquei uma outra vida com parte da minha, é algo que faz bem.
Digo isso por ter certeza que você vai se lembrar de mim em vários momentos da sua vida. Pra sempre.
Você vai lembrar das minhas manias, vai lembrar do jeito que a gente ria. E capaz que lembrará disso após a próxima boca que beijar.
E nem que demore pra acontecer, nós ainda vamos nos encontrar nas lembranças dessa cidade. Talvez nos relógios das avenidas ou nas calçadas largas; talvez nas sorveterias ou talvez na fumaça da caneca em uma noite de frio. Não quero amaldiçoar seu futuro com o nosso passado, mas de mim você vai lembrar e essa é uma verdade que você deve aprender a lidar.

Bem, é isso então.
Pareço estranhamente conformado ao falar desse modo?
Até eu me assusto com essa minha tranquilidade toda.
Mas dá pra explicar: eu já me apaixonei por tantos beijos que me deixaram pra trás, já incluí tantas pessoas nos meus sonhos que depois não quiseram mais, já comentei pra minha família sobre tantas pessoas que depois foram embora, que não me estranha aceitar que mais uma vez aconteceu assim. É uma pena porque eu estava até que gostando dessa coisa de conversar sempre, de contar detalhes do dia e perguntar sobre a família, sabe? Essa coisa toda de dividir a própria vida com outra. Mas eu não te quero obrigada à viver comigo. Tentei te mostrar que tínhamos uma bonita história pra viver e mais do que ficar mal por não ter dado certo, eu fico bem por ter certeza de que fui pra você quem eu gostaria que fossem pra mim.
Está tudo bem e tudo vai ficar ainda melhor, afinal, antes de você eu já sorria.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees

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Eu odeio joguinhos mas preciso aprender jogar

[youtube http://www.youtube.com/watch?v=hA7o59lqOs4&w=420&h=315]

Já entendi que as coisas nunca serão do jeito que eu gostaria.
E que a saída para eu me prevenir de sofrer mais, talvez seja eu me importar menos com o destino. Mas sabe, é bonito falando, difícil é ver alguém fazendo.

É uma bosta quando você liga as peças da sua vida e se vê em mais uma daquelas situações em que não gostaria de viver de novo. Volta aquela sensação de “eu já passei por isso antes” e você se sente um lixo. Eu me vejo assim. Às vezes.
É que eu gosto. Eu gosto de gostar; gosto de ter a quem gostar e nem sempre isso é o bastante.

Tipo você.
Eu gostaria de perguntar a noite como foi o seu dia, mesmo tendo falado com você durante ele todo. Sei lá, inventaria algum assunto, transformaria mais uma viagem de ônibus em uma viagem cheia de detalhes, com gente dormindo, rindo, ouvindo música alto, gente de todo o tipo. Eu detalharia cada detalhe pra você. Assim, redundante mesmo.
Gostaria de saber quem são seus amigos para que eu pudesse ilustrar cada um deles na minha cabeça toda vez que menciona algum deles. Eu gostaria de ter a liberdade de poder te ligar a qualquer hora. Gostaria de te chamar pra sair mais vezes do que já saímos. Eu gostaria de te dizer que ficaria feliz em te ver alguns dias a mais durante a semana. Gostaria de poder te abraçar depois de uma risada nossa. Gostaria de te dizer sem titubear que te vi linda todos esses dias até aqui.
Gostaria de tanta coisa sobre você mas ainda não é hora de saber.
Apesar de eu saber que não é algo bom, eu gostaria de poder acelerar o tempo, só hoje, só essa semana, só esse mês, gostaria de ver o tempo correr pra saber se vou sofrer com você. Eu sei que isso é surreal, que essa história de tentar prever só me deixa mais longe do que é real, mas fazer o quê, é algo que eu gostaria mas não é algo que vai acontecer.
Gostaria de não ter que medir minhas palavras com você. Não que eu deixe de ser quem sou quando estamos conversando, mas sabe, eu tenho pressa em ser feliz. Tenho pressa em poder tocar o seu rosto sem aviso-prévio, tenho pressa em poder te abraçar de surpresa nos corredores do supermercado, tenho pressa em te ver deitada no meu peito no cinema, tenho pressa em te ver de pijama numa noite de sábado de edredom. Mas eu sei, nem adianta ninguém me dizer, eu já sei que eu preciso esperar.

A dor faz a gente acumular muita coisa boa pra despejar em uma pessoa.
Sortuda quem for essa pessoa.

Isso significa que as merdas que já vivi não me fizeram desacreditar do que ainda quero viver, muito pelo contrário, só me deram mais certeza. O sofrimento que passei me deu cada vez mais certeza que eu tenho muita coisa boa aqui pra compartilhar, por isso minha frustração com esse jogo de esperar.

Eu sei que tenho que esperar, mas você sabe o quanto eu já te esperei?
Eu sei que é preciso te dar um tempo, mas você sabe quanto tempo eu já estou aguentando por mim mesmo?
Eu sei que eu preciso te dar espaço, mas você sabe quanto espaço sobra aqui entre os meus braços?

Eu só tenho pressa de você por ter certeza que tenho muita coisa boa pra te oferecer.

Só que agora eu não posso fazer nada.
Eu até posso ir curtindo algumas fotos suas, posso te mandar links que talvez te faça rir, posso sugerir uma estreia do cinema e posso perguntar como foi o seu dia, mas ainda não como eu gostaria. E isso tudo faz parte.
A vantagem dessa pouca velocidade com que as coisas tem desenrolado é que você tem conseguido me fazer esquecer o passado. Lembro que antes de você eu estava numa fase de me afundar em refrões e em comidas gordurosas no fim de semana; eu não queria saber de mim. Agora tenho visto minha motivação voltar. Aos poucos.

Eu não quero estragar tudo. Não quero te assustar.
Não de novo.
Não quero ser quem mete o pé pelas mãos alegando ser na melhor das intenções. Aliás, eu nem preciso das melhores, as boas já podem bastar. É que tenho dessas, não sei viver do mínimo se sei que posso dar o máximo. Mas estou aprendendo a me controlar.
É que quando a gente vê que a vida recomeça a gente volta a se empolgar como na primeira vez.

Um instante inédito na vida é capaz de ocultar qualquer reprise do passado.

É só sentir de volta uma pequena esperança em dias melhores que eu nem lembro mais da última boca em que beijei. Essa parte é boa na vida.

Tudo bem eu me encaixar no jeito que a vida se propõe a ser. Tudo bem eu escolher o meu lugar na mesa e aprender a jogar. Tudo bem eu desenvolver alguma maneira de saber lidar com esses momentos incertos de tentar ou não tentar, falar ou não falar. Tudo bem eu falar menos que sinto saudade do que eu falaria. Eu odeio joguinhos da vida, mas  tem vezes que não há outra saída a não ser jogar. Eu sozinho, por mim mesmo, não sou capaz de mudar um mundo inteiro, então é preciso me adaptar. Tudo bem tudo isso junto e um pouco mais. E nesse caso, jogar é te respeitar. É pensar em você, pensar em nós dois.

Eu só não quero ser um novo objeto na sua prateleira. Eu não quero ser a pelúcia que no começo você adora e dorme junto mas que depois cansa de brincar. Não quero ganhar o prêmio de fofura se eu não puder beijar a sua boca. Não quero ser a pessoa mais especial que conheceu se não sou capaz de ser quem pode tornar especial um dia seu. Dá pra entender?
Eu já estraguei muitas histórias, já estragaram muitas minhas também, mas eu não quero mais. Da vida eu só quero a paz e com o coração eu quero acelerar.

Por isso vou te esperar aqui. Tenho um tempo pra te dedicar.
Você tem meu telefone, sabe onde eu moro, conhece alguns dos meus amigos, sabe como me achar. Vamos continuar conversando, talvez até saindo. Vai vivendo a sua vida aí, vou tocando a minha por aqui e a gente espera pelo dia então que os dois decidirem jogar no mesmo time, já que por enquanto, nessa jogo inevitável que a vida se faz, nós não somos adversários, mas também não podemos comemorar no vestiário. Não ainda.

Já entendi que as coisas nunca serão do jeito que eu gostaria, mas ter você comigo hoje pra rir da vida seria algo que eu me orgulharia.

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ps1: Pessoal de SÃO PAULO capital: que tal organizarmos um encontro de leitores como já fiz uma vez? A gente poderia se encontrar pra falar sobre vida. Basicamente. Seria divertido! Respondam nos comentários o que acham da ideia! 🙂

ps2: Textos exclusivos + detalhes sobre como comprar seu livro “Um Travesseiro Para Dois” aqui:
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Frio de sobrar a manga do moletom

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=er5BJuO0KEo&w=560&h=315]

Embora eu não tenha muita coisa pra oferecer,
tudo o que eu sou, eu vou gostar de ser pra você.
Por isso, se quiser, te empresto meu cobertor de abraços.
Hoje que tá fazendo frio eu posso te aquecer com meus braços.
E falando uma coisa ou outra eu posso tentar aquecer seu coração.
Esse é aquele frio de colocar as meias por cima do pijama.
É aquele frio de sobrar a manga do moletom, de fazer “cabana” com as mãos
e dar um sopro pra aquecer.
Imagina que demais a nossa conchinha pra dormir?
Depois de embrulhar os pés no edredom, eu poderia colocar minha mão
por cima de você e a levaria até seu rosto.
Por mim, nem precisaríamos mudar de posição.

Que tal um filme?
Eu também poderia preparar algo pra gente, se quiser.
Hoje tá frio, o ideal seria algo quente.
Eu ia gostar de ver seu óculos embaçado pela fumaça da caneca.
O meu também ficaria.

Caso sinta vontade de falar sobre a semana, nós podemos conversar.
Só ia propor que escolhamos uma música calma pra relaxar.
Tem vezes que queremos ser ouvidos e não opinados. Eu gosto de escutar.
Pode me falar o que espera da sua segunda-feira.
O que pretende fazer de diferente?
Se por um dia preferir chá no lugar do café já vai ser um dia mais experiente.
Nessas pequenas escolhas que o lado bom da vida está presente.

Ok, eu poderia contar da minha vida também, se quisesse.
Poderia falar como foi meu fim de semana e o que espero para os próximos dias.
Talvez eu reclamaria que fazer tantas baldeações no metrô me cansam,
talvez eu falaria que tenho que entregar algumas coisas nem tão legais assim,
ou talvez eu meteria o pé pelas mãos e daria alguma brecha de que eu ficaria feliz
se nós encontrássemos mais algum dia no meio da semana. Vai saber.

Hoje eu gostaria de te oferecer uma viagem pra um lugar quente.
Mas no momento só posso oferecer o calor das minhas mãos.
E alguma delas no seu cabelo pra você relaxar.

Não sei se as minhas ideias são boas assim o suficiente.
Talvez eu nem saiba direito o que dizer sobre a gente,
mas eu gosto de deixar claro que a única intenção
é te fazer sentir bem, te fazer sentir diferente.
A única intenção é te convencer que as ideias que tenho eu dedico à você.
E não pra qualquer outra pessoa que aparecer na minha frente.

Tenho medo de não te corresponder.
Sei lá, vai saber, essa coisa toda de fases diferentes,
de se antecipar, querer cuidar e por isso assustar.
E tem vezes que eu gostaria de mudar se eu pudesse,
só que no fim prefiro ser eu, e só falo isso por um motivo:
porque eu só posso garantir “eu mesmo” para oferecer a alguém,
eu só posso garantir que as coisas que me fazem bem
são as mesmas coisas que eu posso oferecer pra alguém.
(apesar de que eu posso inventar coisas novas, eu vou gostar!)

Não tenho medo de nada não.
Coisa boa é ter frio na barriga; melhor ainda é conseguir esquentar.
Sei lá, vai saber, essas coisas de se permitir viver,
de deixar acontecer, de aproveitar mais do que querer entender.
E eu não gostaria de mudar nada não,
no fim prefiro me surpreender, e só falo isso por um motivo:
Hoje tá fazendo frio que abraços podem aquecer
e tem um lugar sincero aqui no meio dos meus braços pra você.
É só querer.

friimagem: Google.

—-
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Descasca o esmalte das unhas devagar

Você acorda já vendo se tem notificações no celular. Acorda já apertando o meio da pasta de dente. Acorda conferindo se faz frio ou calor.
Se olha no espelho, faz cara feia pro cabelo e quando não é dia de lavá-lo, coloca uma touca pra proteger. Entra no chuveiro, liga e mede a temperatura da água um dia com o pé, outro com a mão. Sai, se enrola na toalha e corre pro quarto. Às vezes já sabe o que vestir, às vezes sente o corpo secar só por não decidir.

Vai até a cozinha e pensa em algo leve pra comer.
Liga a TV, vê as notícias da manhã, confirma a previsão do tempo.
Confere a bolsa, confere todo o mar de coisas que leva nessa bolsa, muito à se prevenir, pouco à se utilizar. Esquece do perfume. Escolhe o perfume. Uma borrifada em cada lado do pescoço e em cada pulso.

Sai de casa pra esperar o ônibus chegar.
Já de fones de ouvido e óculos de sol, abre o instagram e vê fotos pra inspirar.
O ônibus chega, você entra e procura banco pra sentar. Quando encontra já é um motivo pra comemorar; quando não, não tem problema também, às vezes tem gente que te ajuda com a bolsa; às vezes não. Tudo bem também.
O mesmo acontece se pega metrô ou trem.

Chega no trabalho, pausa a música e distribui alguns “bom dia”.
No almoço prefere tenta continuar comendo algo leve, mas na sexta-feira você se permite relaxar.
Prende o cabelo, não foi dia de lavá-lo.
Com uma das mãos acomoda a maioria dos fios, com a outra pega um elástico para segurar. Uma última puxada com uma mão para cada lado e é criado um rabo de cavalo para te ajudar.

Volta do almoço, segundo turno de trabalho.
Às vezes tem um vídeo engraçado pra assistir, às vezes não.
Às vezes tem mil notificações no celular, às vezes só a lembrança de alguma conta pra pagar. Às vezes os dois.

Acaba o expediente, hora de ir pra casa.
Na volta lembra do livro que tenta terminar.
Fones de ouvido, livro e ninguém pra incomodar. O mundo pode até cair e você não vai se importar.
Cansada, deseja a hora de chegar em casa e os amigos não param de falar no celular. Responde uma outra conversa, digita um outro “hahaha” sem ter dado 1 sorriso sequer.

Chega em casa, outro banho pra relaxar.
Tem dias que prefere lavar o cabelo a noite e secá-lo antes de dormir; tem outros que prefere não lavar; tem outros dias que lava e deixa o tempo secar.
Já de pijama, conversa com a família – nem que seja pelo celular, nem sempre tem algum assunto muito relevante pra comentar. No celular, confere as outras conversas que deixou de opinar. Ainda entra rapidinho no Facebook, ou no chat pra se atualizar.
Curte um ou outro post, ouve uma outra música, posta um ou outro clipe e escolhe desconectar.

Deita no sofá; um seriado pra se distrair.
Vai mergulhando nas horas da noite e quando se dá conta vê que passou da hora de dormir.
Vai até a cama, senta de um lado e retira os chinelos.
Chega a pensar se vale a pena escolher alguma roupa desde já, às vezes escolhe, às vezes não.
Dá uma última conferida no celular, confere se o despertador vai te acordar.
Descobre parte da cama coberta pelo edredom. Deita devagar.
Se encolhe pra se aquecer; agora a Terra pode parar de girar.
E se desliga do mundo, entra em mais um sonho até um novo dia nascer e você acordar vendo novas notificações no celular.

No meio tempo entre tudo isso, esbanja um sorriso aqui e outro ali, conversa no telefone, manda um “<3” gentil no fim de algum e-mail. Tira e coloca o óculos quando lembra de usar. Promete um regime novo com uma barrinha de cereal pra começar. Digita um “Ai amiga, a gente precisa conversar”. A cabeça voa sem sair do lugar. Lambe os lábios e às vezes se enfurece por ter esquecido a manteiga de cacau. Pesquisa novos cortes de cabelo. Reclama com o pessoal do trabalho que não tem mais roupa pra usar. Planeja comprar um novo creme para rejuvenescer. Entra numas ideias de suco verde pra desintoxicar. Descasca o esmalte das unhas e lembra que é preciso marcar manicure. E talvez pedicure. Depilação com certeza!

No meio tempo tudo isso existe alguém que te espera se você encontrar um tempo para enxergar.

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Em Dezembro de 2013 lancei o primeiro livro desse blog: “Um Travesseiro Para Dois”
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Somos todos farinha da mesma vida

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=FJBw7Co0efc&w=420&h=315]

Aí está você.
Uma pessoa como outra qualquer, nem pior nem melhor que ninguém. Só uma pessoa só.
Você é uma pessoa com algumas experiências.
Aos olhos dos outros podem não ser tantas assim, aos seus olhos são todas experiências valiosas e cada uma tem um valor que te fez e faz ser quem você é. Não importa quantas sejam.

Você já chorou por alguém e já amou alguém também.
Já quis voltar e já preferiu não voltar. Já tentou começar e já preferiu terminar.
E não foi só uma vez. Nem duas. Muito menos só três.
Você lembra de todas – ou pelo menos da maioria – das suas noites de sexo.
Você se vê nos reflexos da janela do metrô e se vê nos versos que chegam até você pelos fones de ouvido.
Você vê graça nos cachorros e nas risadas dos nenéns.
Você sente saudade e gostaria de reviver muitas coisas, mas você também acha que muitas dessas coisas nem poderiam ter começado para que um dia não tivessem terminado. A saudade é um dilema pra você. Você não gosta de sofrer. Você custa a entender que sofrer faz bem pra crescer, como qualquer pessoa pensa.
Por quê é aquilo né: se nós soubéssemos do fim, muitas vezes nem começaríamos.

Você ajuda bastante os seus amigos.
É o tipo de pessoa que todo mundo vem pedir ajuda quando a coisa está preta. E você nunca hesita em ajudar. E isso te faz bem.
Tem vezes que ajuda falando sem parar e dá muitos pontos de vista, outras vezes só prefere escutar.
Você faz falta para muitas pessoas mas nem todas demonstram isso.
Muitas delas podem até não te falar o quanto, mas a sua presença irradia os lugares e os momentos podem ser divididos em dois: antes e depois de você chegar.

Como qualquer pessoa, tem vezes que você também precisa de ajuda.
E perfeito seria se não precisasse demonstrar isso, seria melhor se percebessem.
Mas o tempo tem te mostrado que as coisas realmente não são como você gostaria que fossem, ou pelo menos muitas delas não. Tipo as pessoas.
Você não entende como alguém consegue trair outro alguém. Não entra na sua cabeça o que as pessoas tem feito com o amor. Mas você também erra. E muito. Como qualquer pessoa.
E aí que você já ouviu de alguém que seu problema é pequeno demais, já ouviu que deveria se preocupar com outras coisas e já ouviu coisas do tipo “você não merece passar por isso” como se você algum dia na vida achasse que merecesse.

Tem gente que prefere usar a mão pra te apontar do que te ajudar.
É só você contar uma ou outra coisa sobre a sua vida que já aparece gente dizendo o que fazer; mas quase ninguém aparece perguntando o que você deseja fazer. Essas são as pessoas. Se você mudar de país, elas vão continuar sendo as mesmas pessoas.

Você já se perguntou quais são os seus defeitos para as coisas não darem certo como gostaria, e mais, já perguntou porque parecem dar mais certo para outras pessoas do que pra você. E não é inveja, é inquietação mesmo.
É que você sabe que sempre tenta espalhar o bem, mas se questiona por esse mesmo bem acontecer numa velocidade reduzida pra você; se tratando da mesma moeda, claro. Pensa assim, como qualquer outra pessoa.

Você gostaria de ter mais dinheiro.
Com mais dinheiro, você acredita que poderia se entreter mais e pensar menos nas coisas ruins. Você poderia viajar, poderia comprar coisas, poderia fazer um monte de coisa diferente pra se ocupar. Aí você lembra que esteja onde estiver algum travesseiro estará te esperando e nesse momento dinheiro nenhum vai melhorar a sua vida.

Você quer alguém legal pra completar a sua vida.
Quer passar a manteiga no pão de manhã e quer ter com quem conversar sobre o jornal. Quer segurar uma caneca com alguma bebida quente com as mãos cobertas pelo moletom. Você quer enroscar suas pernas em outras durante a noite. Você quer começar muitos S01E01 dos mais diversos seriados.

Você se irrita com a rotina.
Esse negócio de levantar, fazer o mesmo caminho até o trabalho, pegar o mesmo trânsito, dar os mesmos “bom dia”, reclamar da segundas-feira, deseja a sexta, comer mais do que deveria no almoço, beber menos água do que gostaria, voltar pra casa, mesmo caminho, mesmas pessoas, mesmo cansaço. Tem dias que você não aguenta tudo isso. Se não fosse um livro ou uma música pra entreter, você certamente já teria desistido. Tem vezes que você tentar mudar as coisas. Marca de ver algum amigo bem no meio da semana, quando tudo está bem até ao cinema consegue ir. Vez ou outra, bem vez ou outra, tenta comer fora. E apesar do cansaço você fica feliz com essa novidade na semana. Você gosta de experimentar gostos diferentes da mesma vida.

E aí que você passa muito tempo na internet.
Sobe e desce sua timeline procurando coisas, ou algo interessante, ou engraçado, ou bonito, ou qualquer outra coisa que chame sua atenção, de foto à vídeo. Você não percebe mas fica longos minutos repetindo esse processo e só intercala entre as redes sociais. Pega o celular e começa a ver fotos dos amigos, dá um coração aqui e outro ali. Depois volta pra sua timeline no computador. Depois repete tudo isso.

Você quer ser feliz.
Você sabe as coisas que tem feito e as coisas que precisa fazer pra isso acontecer. Você sabe bem dos seus defeitos, sabe bem o que precisa fazer pra melhorá-los ou pelo menos sabe o que não precisa fazer pra piorá-los. Você tem discernimento. A vida até que te faz sentido em alguns momentos. Muitos dos problemas da sua vida são causados por você, outros, pela própria vida mesmo. Ela é assim. Você não é melhor nem pior que ninguém, você só quer ser feliz, como qualquer outra pessoa. Aí está você.

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Só me acompanha na volta pra casa

Leia ouvindo.
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=pQ8mJMv5nxE&w=560&h=315]

Eu queria que você não se assustasse comigo.
Queria que meu jeito de mostrar que gosto não te incomodasse tanto.
Sabe, eu já ouvi algumas vezes na vida que tenho mania de acelerar as coisas. Nunca contrariei, mas sempre me perguntei se isso era tão ruim como parecia ser pelo jeito que me contavam. Entendo que preciso ir com calma para não meter o pé pelas mãos, mas todas as coisas que faço são só pra mostrar o quanto eu gosto e não o quanto eu quero prender alguém comigo.

Tá tudo tão estranho que a gente estranha quando alguém tem um comportamento estranhamente bom.

A impressão é que as pessoas andam tão desconfiadas umas com as outras que rola uma defesa do tipo: “duvido que seja uma gentileza, deve ter alguma intenção por trás disso”, ou seja, não existe mais gentileza nesse mundo, só segundas intenções. As experiências ruins tomaram o lugar das boas. Que coisa terrível de ter que aceitar.

Mas eu não quero que tenha medo de mim.
Não quero te assustar, não quero te pressionar a nada, nem muito menos quero ser o culpado por algo não dar certo entre a gente, algo aliás, que nem começou praticamente. Conversas resolvem.

Eu concordo com quem já me disse que a minha ansiedade me domina.
Talvez seja uma pressa infantil de querer viver logo as coisas boas, sei lá. Não quero exatamente justificar, mas tento entender pelo meu próprio bem. Mas as pessoas também não me ajudam e não decidem o que querem.
Já teve casos em que fui com bastante calma e paciência, aí a pessoa diz que pareço que não gosto da mesma maneira. Tipo? Já teve casos em que consegui me policiar e perguntar menos vezes se está tudo bem e se eu poderia ajudar em algo, mas depois fiquei sabendo que a pessoa disse que eu parecia não me importar com a vida dela. Tipo? Ou seja, ninguém sabe o que quer nessa vida.

E eu só quero que alguém queira viver algo bom, e que se tiver um espaço pra isso, que me deixe ocupar.

Também não quero dramatizar as coisas e erguer o troféu da derrota, só que as coisas não estão fáceis, sabe?
Todo mundo quer a mesma coisa só que do jeito que desejam e não do jeito que merecem. É muita gente escolhendo e pouca gente vivendo. Muita gente querendo tudo perfeito e pouca gente querendo viver algo direito. Eu também estou nesse meio, não posso me isentar.

Lembro que já dei sinais de que a pessoa estava indo rápido demais comigo, só que depois percebi que tudo estava bem e que na verdade aquela velocidade era normal, era até parecida com a que eu vivo as coisas, no fim percebi que eu queria viver essa velocidade com outra pessoa. Essa era a verdade. Eu não me importaria com isso se fosse com outra pessoa, mas me importei com ela. Mas tudo bem, eu não sabia direito o que eu queria e fui deixando a vida me mostrar. Gosto dessa parte da minha vida.

Sou das pessoas que deixam o relógio correr ao invés de correr contra ele.

É engraçado esse paradoxo: sou uma pessoa extremamente ansiosa para muitas coisas, mas me orgulho da paciência com que eu eu deixo as coisas acontecerem também. É que na minha cabeça é muito clara a ideia de que se eu não tentar, não tem como saber como vai ser.

Bem, eu não quero que tenha medo de mim.
Já comecei assumindo meus erros e toda essa minha ansiedade pela vida, mas eu gostaria que valorizasse a parte boa desse meu jeito; essa parte boa minha em só querer viver uma história bonita.
Na pior das hipóteses, talvez valha você considerar que é melhor eu demonstrar alguma ansiedade do que algum tipo de indiferença por você. É melhor eu demonstrar que gostaria de te ver mais, do que nunca mais te ver. E eu sei, sério, eu sei, que tudo depende, que mesmo as coisas que eu fizer de bom podem prejudicar e incomodar alguém, tipo você, mas eu quero acertar. Eu já cansei de ter que voltar pra casa sozinho. Cansei de ver as pessoas reclamando e desejando as mesmas coisas que eu posso resumir em: alguém pra dividir o banco do metrô. E aí tem as pessoas que encontram alguém assim, mas só veem os defeitos e logo desanima; e tem as que não encontram, que só desejam, mas pouco fazem pra mudar. E tem eu.

Tem eu que assusto com a intenção boa. Tem quem acelera mais do que freia. Tem eu que por ter tanta ansiedade pareço mais daquelas pessoas possessivas do que as que gostam de cuidar. Mas também tem as pessoas que veem as coisas erradas nas pessoas certas. Tem as pessoas que encontram tudo o que sempre quiseram em alguém, mas que isso não é o bastante. Tem todo tipo de gente. Tem um monte de coisa envolvida, tem um monte de sentimento. Só não precisa ter medo de mim, não precisa ter medo do meu jeito; eu não vou te machucar. Não precisa fugir ou ignorar minhas mensagens.

Eu posso até não ser quem você gostaria, mas sou quem garante que mal jamais te faria.

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Essa dúvida pode te matar

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=OijM5843pTI&w=560&h=315]

Tudo bem não saber que roupa vestir de manhã e ficar horas em frente o guarda-roupa escolhendo, agora, ficar em dúvida sobre ter ou não a presença de uma pessoa na sua vida, ah, por favor, cuidado com isso.
Não cabe a ninguém julgar como as coisas acontecem, sem contar que a velocidade de cada uma delas depende de cada pessoa, mas talvez valha pensar que a partir do momento que as nossas decisões influenciam a vida de uma outra pessoa, devemos considerar que não somos tão independentes assim.

Nessa vida cheia de incertezas, é cruel manter mais uma dentro da vida de uma pessoa.

Há verdades que doem, mas por mais doloridas que possam ser, sempre serão verdades, sempre serão coisas impossíveis de se contrariar. Desse modo, é valioso quando optamos por falar a verdade ao invés de desenharmos um mundo com tantas voltas que não saem do lugar e que no fim significam a mesma coisa.

Esse negócio de “estou em dúvida do que eu quero” não faz bem pra ninguém e é só tempo perdido.

A gente tem tanto medo de tentar que nem consideramos acertar.
A nossa prisão no passado nos afasta de dias melhores no presente e no futuro.

Isso quer dizer que os problemas que criamos pra nós mesmos, tipo a dúvida em continuar ou não uma história com uma pessoa, só alimenta uma angústia que empaca a nossa vida e não nos deixa crescer. É que a gente acaba ficando refém de algo que nem aconteceu ainda, a gente acaba dependendo da possibilidade das coisas, e o que é pior, de possibilidades que estão nas nossas mãos.

As oportunidades são as passagens dessa viagem que é viver.
Está nas nossas mãos a escolha de agarrar a alguma delas e sair por aí correndo atrás de ser alguém melhor. Tentativas sempre são válidas, sempre trazem paz.

O mesmo acontece com as chances.
Entre dar uma chance ou viver com uma dúvida, a melhor saída talvez seja sempre eliminar alternativas, ou seja, não dá pra enxergar problema em algo que não aconteceu, apesar da nossa mania em querer prever o futuro: “ah, aí vou dar uma chance  e já sei como vai ser; vai ser assim e assado” Quem garante? Entendo que temos uma preocupação em errar, só que maior que isso deve ser a vontade em acertar e não precisar ter dúvidas de novo. Melhor que a dúvida em saber se algo vai dar certo ou não, é ter a certeza de que você tentou tudo que podia, independente do resultado. No fim, ninguém perde nada, você respeita sua vontade e a si mesmo ao tentar todas as vezes e aqueles que chances tiveram de você se veem com uma oportunidade valiosa de fazer diferente do que foi feito na última vez. O curioso é que isso não se aplica só em “segundas chances para pessoas que desperdiçaram a primeira” mas sim em casos de “tenho medo de tentar e ver que a pessoa não era o que eu esperava”. Nem todas as chances justificam os fins.

Já é tudo tão difícil nessa vida. É difícil ter que lidar com tanta conta pra pagar no fim do mês, difícil ter que lidar com a vontade de ter coisas que não podemos, difícil ter que lidar com todas as coisas que não gostamos em nós mesmos, que vendo de uma forma generosa, é injusto também dificultar as escolhas que dependem da gente. Temos um terrível tendência em dificultar ao invés de facilitar. E apesar de coerente, o discurso de “é que já passei por isso antes” não pode nortear um futuro que você nem conhece! As pessoas não são iguais. E que bom.

Aquela história de “preciso de um tempo pra saber o que eu quero” é extremamente perigosa. Por um lado faz sentido esse tempo ara se avaliar e perceber quão importante tal pessoa é na sua vida – pois alegar que o tempo serve “pra ver se me faz falta” é uma loucura, pois claro que fará, cedo ou tarde, de um jeito ou de outro – por outro lado, no entanto, com esse tempo é dada a largada para dias de caos e desespero por parte de quem espera a resposta, seja qual for. E eu sei que tem vezes que a gente evita esse assunto só pela pessoa parecer “estar gostando demais ainda” e vez ou outra somos flagrados fazendo joguinhos do tipo “vamos ver se a pessoa mudou mesmo”, mas no fim, o que essa pessoa precisa da gente é só alguma definição, seja ela qual for. Se você não querer mais nada e sentir que ela quer o contrário, ninguém tem culpa, desde que seja esclarecido por você quais suas intenções. O mesmo vale se você estiver no lugar de quem espera uma resposta, não adianta também parar toda a sua vida e viver alimentando uma incerteza ao invés de sair por aí vivendo certezas.

Nós podemos até não saber o que queremos, aí entra naquela de um dia querer algo e no outro dia, outra coisa, mas nós sabemos muito bem o que não queremos, e a partir disso é justo que saibamos respeitar à nós mesmos. Na dúvida entre continuar e parar, é preciso encontrar a paz. Se a opção for continuar, que continue sabendo que pode dar certo ou errado, que pode ser incrível ou uma bosta, que pode durar 1 dia ou 100 anos; já se a escolha for por parar, que perceba também que está jogando uma oportunidade embora da sua vida, que a partir de então será só mais uma incerteza de companhia, que talvez você comece a pensar “como seria se eu tivesse tentado?”, que talvez você se arrependa e queira correr atrás, mas que sobretudo, que perceba que o que tinha você não tem mais.

O medo de não fazer a melhor escolha só te faz perder tempo para aproveitar alguma delas. E você nunca saberá qual a certa ou errada se você não tentar. Pense em você, mas pense também na outra pessoa. Vocês podem até não darem tão certo como espera, mas podem e devem viver em paz com a morte da dúvida.

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Em Dezembro de 2013 lancei o primeiro livro desse blog: “Um Travesseiro Para Dois”
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Eu sou um filme pra você assistir de novo

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=fWbvBtDUTd8&w=560&h=315]

Nós marcamos a vida das pessoas.
E aí depende da gente sobre qual maneira vamos marcar.
Tem palavras que renovam vidas, tem outras que destroem auto-estimas.
Tem pessoas que amaldiçoam perfumes e que nunca mais conseguem fazer com que esqueçamos delas ao sentir o mesmo cheiro outra vez qualquer. Tem gente que pega alguns dos refrões que gostamos pra si e custa para que consigamos ouvir novamente sem ter uma visita da lembrança. Nós somos tão submissos à nós mesmos.

Por isso nós gostamos de datas.
Datas servem pra marcar ainda mais a vida de uma pessoa na outra.
O primeiro beijo, o primeiro sim, a primeira vez, o primeiro filme, a primeira viagem, e tantos outros primeiros que construímos e que muitas vezes acabam se tornando eternos. Este somos nós: sempre em busca de motivos pra celebrar e as datas servem pra isso. Sem contar que não tem como não querer se prender a esse tipo de coisa, pois a sua memória pode não funcionar, mas o calendário estará sempre lá pra te lembrar no acaso de um segundo que aquele dia x não é so um dia x. Nós amamos motivos pra comemorar, nós amamos o “aquele dia que passamos juntos”.

Beijamos com a mão na nuca porque gostamos disso. É assim que gostamos beijar.
Pode ser que outras pessoas também o fazem, mas nós temos um jeito nosso de fazer e é esse jeito que será lembrado. Outros gostam de beijos com a mão no rosto e por aí vai. Na prateleira da vida tem uma caixinha de surpresas chamada futuro. É lá que vamos nos surpreender com uma onda de lembranças do que já vivemos e das pessoas que já passaram pela gente. E dentro das lembranças, existem as que inspiram e as que aterrorizam. As que inspiram existem pra nos lembrar de quanta coisa boa já vivemos e quão capazes somos de viver coisas ainda melhores, já as lembranças que aterrorizam são as que trazem à tona cada um daqueles momentos que nós não gostaríamos de ter vivido. O mérito aqui não é desqualificar a importância da dor na vida de uma pessoa, mas sim o desejo real e justo de sofrer menos nessa vida já sofrida.

Em cada beijo que damos, damos também um pedaço do que somos.
O mesmo funciona para os abraços e para as noites de sexo. Por isso, viver uma história com alguém é doar parte da própria vida pra fazer com que a vida da outra pessoa seja melhor.

Talvez por isso que nos abalamos tanto quando uma pessoa nova entra na nossa vida. E aí, assustados dada a importância desse momento, nos defendemos alegando medo de sofrer de novo ou alguma outra daquelas respostas que damos para tentar explicar porque as coisas não saem do lugar, até nos rendermos. É que do primeiro beijo até o último segundo juntos acontece uma troca de vidas; um empresta parte da própria pro outro. Nós damos permissão para um corpo estranho dormir ao lado do nosso, damos permissão para uma nova voz nos fazer companhia no dia a dia, damos permissão para que essa outra pessoa tenha a liberdade de falar sobre o que podemos melhorar. Por isso a tristeza é tão forte quando alguém vai embora da nossa vida. Porque ela não leva só os momentos que foram vividos; essa pessoa leva parte do que somos e do que fomos durante toda a história, dure 1 dia ou 100 anos.

Acreditar em alguém é o um investimento de alto risco. Mas é um investimento sempre válido.

No fim das contas, o negócio é que você nunca será esquecido.
Talvez a rotina e a lentidão do tempo para te trazer novidades te façam pensar que deixou de ser um para se tornar mais um, mas pelo contrário. Entenda que ninguém também vai ficar te lembrando como você foi importante para aquela pessoa, mas no que vale se apegar é na certeza de que você fez tua parte para tentar melhorar a vida daquela pessoa.

O famoso “viver intensamente cada segundo” significa que está nas nossas mãos a possibilidade de fazer com que um segundo qualquer se torne uma daquelas novas datas para serem lembradas. É trazendo para os menores exemplos que dá pra enxergar as maiores atitudes. Entenda que a sua lembrança faz morada na vida de quem já passou por você. De vez em quando esse alguém que já passou por você te encontra num momento da vida em forma de saudade. E isso tudo que estamos falando não é para servir de consolo, mas é pra te fazer enxergar uma verdade, te fazer ver que vale muito mais a pena ser real do que ser uma paisagem, que vale muito a pena aproveitar do poder que temos de melhorar vidas.

Não meça esforço, ele pode ser o último da sua vida. E vale a pena saber que o mínimo que fazemos pode ser o máximo que alguém pode ter. As pessoas não esquecem, só param de lembrar. Você sempre será lembrado, tipo um filme pra ver de novo.

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Aqueles que gostam de abraços nas escadas rolantes

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=pHvO7-K7jko&w=560&h=315]

Quando a gente gosta de alguém a gente gosta de contar para os amigos.
É bom demais falar pra quem gosta da gente sobre quem novo que estamos gostando.
Rola aquela excitação dos parques de diversões e repetimos as mesmas histórias para todos os nossos melhores amigos, aí fica aquela chuva de copia e cola no whatsapp falando sobre o mesmo assunto em todas as conversas. Que coisa mais terrivelmente deliciosa.

Do nada passamos a nem ligar pro trânsito insuportável de cada dia, muito menos pra lotação do transporte público. Isso não significa que os problemas sejam resolvidos, mas que começamos a dar menos importância para todas as coisas que nos irritam e passamos a focar na importância em todas as coisas que nos fazem bem. Rola uma cegueira gostosa sobre as coisas ruins da vida.

Engraçado que quando estamos gostando de alguém tudo é motivo de assunto.
Uma volta qualquer do trabalho pra casa passa ser uma volta que tinha dois cachorros no caminho, um casal rindo na avenida, o preço do sorvete que aumentou, a blusa que foi esquecida e a noite esfriou, as vontades de comprar algumas coisas, as dívidas pra pagar outras, os planos pro fim de semana, o resultado do futebol, as coisas que eu chefe diz, aquela pessoa chata do trabalho, aquela pessoa legal, o sabor da comida no almoço, o vídeo engraçado do dia… E por aí vai. Acontece que gostamos de compartilhar tudo o que vivemos com quem estamos gostando. É um lance de compartilhar a vida em sua essência. Pois essas mesmas coisas passam pelos nossos olhos todos os dias, mas é só o coração chegar chegando e começar a bater mais forte que essas coisas ganham importância especial.

E como ficamos bobos, né? Sim, ficamos insuportavelmente bobos. Se não tem assunto, inventamos um novo. Se tem, falamos sobre o mesmo mil vezes. Antigamente as orelhas esquentavam pelas horas no telefone, hoje são as teclas do teclado do computador ou a tela do celular que faltam cair de tanto digitar o dia todo. Ignoramos um amigo aqui e outro ali, mas aquela pessoa, ah, aquela pessoa não. E poxa, rola uma licença sentimental nesse caso, né? Não é uma questão de não se importar com mais ninguém, mas sim de se importar muito mais com alguém especial. Aí faz sentido, né?

Tem um negócio que muda também: auto-estima.
Da noite pro dia começamos a escolher as melhores roupas, e nos dias em que “vamos ver aquele alguém” acontece toda uma dedicação em escolher a roupa mais legal e o perfume mais gostoso. Também começamos a comprar um pouco mais. Pois é, viver uma história com alguém não é o que podemos chamar de barato, mas tem o lado bom que a gente gosta de se cuidar um pouco mais. Funciona assim: num domingo qualquer você faria qualquer coisa, até mesmo iria ao shopping dar uma volta, agora, num domingo com a companhia daquela pessoa podemos até ir ao mesmo shopping, mas algumas dívidas são feitas lá. As vitrines chamam mais atenção e uma história liga a outra. Alguém fala “Ah, sempre quis comprar um desse” e na cabeça já liga o botão do Possíveis Presentes Pra Dar™. Alguém diz “Vamos só dar uma passada?” e algumas novas sacolas cheias de compras vão segurar a vela dos dois na volta pra casa. Nós passamos a consumir a vida de um jeito diferente.

O passar dos dias são comemorados com festa.
Há quem poste nas redes sociais: “sexta-feira, sua linda!”, há quem não fale nada mas nem por isso comemora menos. Há quem explana, tipo: “@fulano olha isso, lembrei de você!”. E é louco também como parece que começamos a atrair algumas coisas. Aquelas matérias sobre “coisas pra fazer no fim de semana” começam a aparecer perto do fim de semana. Aquelas promoções tipo “faça x coisa e ganhe um par de ingresso” brilham nossos olhos e não pensamos duas vezes em ver qual é.

Fazer qualquer coisa fica mais legal quando estamos na companhia de alguém legal.
Até uma escada rolante começa a ter um sabor diferente. Mudamos da raiva em ver as pessoas ocupando a parte da esquerda, ao esquecimento em se ver ocupando a mesma faixa da esquerda só pra manter ali uma mão dada. Ou então, para os mais ligeiros, rola aquele degrau maravilhoso que parece ter sido feito pensando na vida dos casais. Perceba que para dois amigos conversarem é um tanto desconfortável. Um sempre vai ficar mais alto que o outro e vai ouvir menos; a comunicação é prejudicada até que alguém fala “Peraí, deixa a gente sair e você continua… Pronto”. Agora quando estamos na condição de poder abraçar alguém a qualquer hora, parece magia: alguém fica um degrau acima e o abraço se encaixa de uma maneira meio inexplicável. Pode até rolar um beijo aqui e outro ali, só a escada que poderia não parar de rolar. São alguns segundos que fazem tão bem. Daria pra ficar uma vida falando sobre como esses segundos são gostosos pra vida de qualquer pessoa.

A música diz que “quando a gente gosta é claro que a gente cuida” e poucas verdades são maiores do que essa. Nós somos aqueles que gostam de cuidar mesmo, de perguntar se está bem, se melhorou do resfriado, se comeu bem e devagar, se tem organizado as coisas, nossa, são tantas coisas pra se preocupar que as contas se perdem. Mas também pudera, não bastasse a vida que temos nós começamos a ver graça em cuidar da vida de quem estamos vivendo. Mas vale explicar: não é cuidar da vida no sentido fiscal da coisa, é cuidar da vida no sentido de zelar, de querer e lutar pelo bem da pessoa. Entende?

É então, nós ficamos bem diferentes.
Esses somos nós, aqueles que gostam de abraços nas escadas rolantes, que cuidam, que contam para os amigos, que dividem todos os detalhes da nossa vida tão básica, é, isso mesmo, que transformamos a nossa vida tão comum em uma vida interessantíssima sem muito esforço. Isso é bom, isso é gostar de alguém, isso é sobre como a gente fica quando a gente está gostando de alguém. Nós somos assim mesmo e pra sempre assim seremos, pois tem um treco chamado amor no meio disso tudo.

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Márcio Rodrigues.

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Aquele negócio no pé do ouvido

Leia ouvindo:
[youtube http://www.youtube.com/watch?v=B13npHcO_xc&w=420&h=315]

Você não para.
Se eu fosse contar todas as vezes em que fica se mexendo eu não conseguiria dormir.
Mas isso não é uma reclamação, é uma constatação.
É melhor te ter inquieta do que nem te ter. E te ter significa me ter também.
Mas que é uma verdade que você não para, ah, isso é. Você parece que sonha estar caindo de algum lugar.
Tem horas que enrosca a perna por entre as minhas,
tem outras que prefere se encolher inteirinha.
Tem também as vezes em que pega o edredom todo só pra você.
E apesar de me ouvir espirrar, nem liga pro frio que me faz passar.
Quando coloco uma mão embaixo do travesseiro geladinho pra relaxar,
você parece fazer de propósito e indica que quer que eu te abrace,
puxa meu braço por cima de você e leva minha mão até embaixo do seu rosto.
E como eu posso negar?
Só acho engraçado que quando mostro que eu também quero,
você se faz de desentendida e não se toca nem que o teto caia.
Cheia dos caprichos, ainda tô sabendo como lidar.
Aí no meio da noite coloca os pés gelados sobre a minha perna quentinha,
me dá uma agonia, uma tremedeira impossível de disfarçar,
mas você se encolhe e nem sai do lugar.
Tem vezes também que percebo que você fica em dúvida sobre quem é o colchão.
Tipo, do nada sinto minhas pernas pesarem e quando reparo são as suas
em cima das minhas como se fossem a coisa mais leve – não que sejam pesadas –
do mundo.
Agora, vou eu tentar fazer o mesmo com você?
Uma chance pra você me cotovelar até me ouvir cair no chão.
Mas nem tudo é essa folga que estou comentando não.
Pois você sabe muito bem quando a gente se encaixa e reconhece muito bem
o meu recado ao segurar no seu quadril assim como quem não quer nada.
E sabe o que é o pior? Você judia de mim.
Se mexe devagar, toda cheia de manha e se esfrega como se falasse:
“Eu sei o que você quer, seu besta, mas você vai ter que conquistar!”
Faz isso só pra ter o prazer em dificultar e em ver o quanto posso me esforçar.
E tem gente que ainda chama isso de charme, eu chamo de judiação.
Mas quando eu quero, você conhece, e talvez por isso provoque tanto,
quando eu quero, eu faço o impossível até conseguir.
Aí com você de costas pra mim coloco uma mão por dentro da sua blusinha pela frente.
Deixo a mão um tempo ali como se eu também não soubesse do que está acontecendo.
Faço círculos devagar, esfrego o dedo na barriga pra lá e pra cá,
e continuo até a sua palpitação aumentar.
Subo a mão em direção ao seu pescoço mas paro num lugar melhor no caminho.
Não faço ideia do porque, mas ali tem um espacinho que a minha mão gosta de ficar.
Aí desço essa mesma mão um pouco pra sua cintura e ali é que eu gosto de me divertir.
Abaixo e levanto sua calcinha devagar.
É um movimento que se repete algumas vezes, variando de velocidade.
E tudo isso é o que consigo fazer com uma mão só.
Só que você também é cheia de jeito.
Nas poucas vezes em que quem está de costas sou eu, você sabe como atiçar.
Solta a sua mão da minha e vai descendo pela minha barriga.
O problema é que eu não consigo evitar de mostrar que já gostei da ideia.
E o que você faz é só fingir que não percebe e começa e menosprezar.
Coloca a mão dentro da minha cueca sem precisar tocar lá e fica ali um tempinho
até voltar pra minha mão perto do meu rosto e eu me virar pra você de novo.
Você não para.
E eu não quero que você pare.
Me faz bem ter a sua companhia e vou fazer tudo para que continue gostando também da minha, assim como gostamos do jeito que a gente dorme de conchinha.

dormir

 

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