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Eu e meus motivos para querer te matar

(leia ouvindo a música, é importante!)

Começo pensando que não tem justificativa.
Mas isso não significa que tenho uma sentença definitiva.
O que não me entra na cabeça é como você conseguiu fingir que estava tudo bem, enquanto aproveitava o seu tempo livre – que eu sempre respeitei – para fazer tudo o que fez.
Sempre estive por aqui, não te esperando, mas vivendo e guardando as minhas melhores experiência para dividir com você, mas o que você fez no fim?
Eu quero que se dane se pensa que estou me fazendo de vítima agora, pois o foco não é esse, a única verdade é que você se engana ao pensar que é gente.

Você lembra do quanto te ajudei?
Disso você não lembra, duvido.
Mas eu lembro e faço questão de esfregar na sua cara.
Lembra de todas aquelas vezes que você se sentia um lixo de pessoa e eu estava lá, me dedicando, falando qualquer coisa, fazendo alguma coisa que seja pra te animar e te mostrar que isso é só coisa da sua cabeça. Eu estava lá pra te provar que é uma pessoa especial e tem seu lugar guardado no coração de muitas pessoas. Eu também estava lá quando pediu torcida para que as respostas que tanto esperou fossem positivas. Eu estava lá para te falar para ir com calma, pra respirar melhor e não se exceder.

Eu era o meu melhor tentando te fazer melhor.

Mas você preferiu viver do jeito que acha certo.
Você preferiu ir atrás de outra boca para encontrar prazer na diversão do proibido. Você acha adulto sair se divertindo como se não existisse o amanhã, nem muito menos eu.

E sabe o que me dá mais rava de você?
Eu.
Exatamente isso.
Mais raiva que de você, eu só consigo sentir de mim.
Pois eu não me importei com o que fez e escolhi dar uma nova chance pra nós dois. Tudo bem que por um lado eu não me arrependo já que era meu coração dizendo o que deveria ser feito, já por outro, me frustra ver gastei um valioso tempo vivendo algo que só existia na minha cabeça.

Pensei ter você comigo, mas era um pensamento solitário.

Parecia que enquanto eu fazia planos pra gente melhorar, você fazia os seus para tudo estragar.

Por um tempo eu desejei a sua morte.
Tudo que eu queria era que você sumisse do mundo, pois ninguém aqui nesse planeta merece dividir o mesmo ar que o seu. Durante esse tempo eu quis te ver no chão, quis te ver implorar perdão, quis te ver comendo o tal do pão que o diabo amassou pra ver se você ia aprender que não se faz isso com as pessoas e, claro, não se faz o que fez comigo.

Não tenho perfeição, mas tudo que eu já tentei melhorar até aqui eu me inspirava em ser alguém para você se espelhar.

Eu só esqueci de considerar as grandes chances que a gente tem se decepcionar nessa vida.
É que tem vezes que as coisas parecem ir tão bem, que nada de ruim pode acontecer.
Só parece.
Você não faz ideia do sangue que me ferve toda vez que falo sobre isso!
O que mais me dá raiva é que você poderia fazer qualquer coisa da sua vida, desde que não envolvesse a minha de um jeito que eu não gostaria.

E a gente sabe muito bem quando estamos fazendo alguém sofrer.

Não adianta falar que “não queria que você ficasse assim”, pois quando a gente não quer que algo aconteça a gente simplesmente não faz.
Só que você fez. E não foi uma vez. Mas pelo menos foi a última vez. Pelo menos comigo.

As pessoas e o talento delas em se fazerem desinteressantes.

Não guardo rancor, deixo as coisas ruins nos dias que passaram, mas é só tocar nesse assunto que eu revivo cada segundo que você me fez de idiota. E ignoro as coisas que me dizem. Opiniões agridem sentimentos.

O bom de reviver é que a gente lembra de tudo que precisamos esquecer.

E por mais contraditório que pareça, sempre que essa história volta pra minha vida eu desejo com ainda mais força que você simplesmente: aprenda.

Hoje eu não tenho tempo de te desejar nada, pois tenho que aproveitar esse tempo desejando coisas para a minha vida. Hoje eu só consigo pensar que você tenha tudo o que merece. Nada mais. E o mesmo penso pra mim.

Engraçado que tudo começou de um jeito natural.
Não fiz planos para nada, não cogitei que um capítulo viraria uma história, mas nós conduzimos a nossa vida juntos para construir algo por nós dois. Lembro que conversávamos sobre sinceridade e me impressiona lembrar como você atuou bem ao fingir que concordava que sinceridade é tudo.

Sinceridade continua sendo tudo mesmo, o que se tornou NADA é você na minha vida.

E eu não estou lamentando.

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Você Tem Todo o Direito de Discordar

A verdade é que a gente nunca vai parar.
A gente nunca vai parar de procurar respostas pra um monte de coisa na nossa vida. Do trânsito caótico ao motivo pelo qual alguém disse que não queria mais viver uma história com a gente. A gente nunca vai parar.
E sabendo disso, dá até para entender todo mundo que desconfia de que as coisas podem dar certo um dia.

É que cansa se empolgar.
É ruim quando parece que o frio na barriga se congelou.

Sabe todas as vezes que a gente acha que vai ser a última vez?
Tipo isso. Todas aquelas vezes que a gente pensou ter certeza que seria a última vez que daríamos uma nova chance, que a gente pensou que ia confessar amor, que a gente pensou que ia sofrer, que a gente ia tentar. Todas aquelas vezes.

Cada nova última vez é sempre uma nova primeira vez.

Isso significa que todas as vezes em que as coisas não dão certo podem representar novas chances de algo dar certo. Sem contar que dá pra gente pensar: Afinal, o que é dar certo? Será que “dar certo” é alguém dizer que a ama a gente, comprar presentes, colocar uma aliança no dedo e mudar o status de relacionamento na internet? Vai saber.

Há quem prefira aparentar viver algo bom do que viver de fato algo melhor ainda.

“Dar certo” pode ser uma questão de cinco minutos ao lado de alguém que te faz parar pra pensar. Isso mesmo! Como não dá pra gente definir o que é gostar de alguém, dá pra gente pensar em algumas possibilidades. Talvez gostar de alguém seja o momento que você para pra pensar no que a pessoa disse ou o momento em que o que a pessoa disse faz a gente parar e pensar. Só você sabe quando você gosta.

Não se trata de uma pessoa bonita, se trata de uma pessoa que faz a gente se sentir uma pessoa bonita.

Gostar de alguém é urgente demais. A gente gosta hoje e sem saber por quê, amanhã não gostamos mais. E assim somos nós.
Tem boca que a gente beija e depois olha pra trás pensando: “Por quê fiz isso?”. Tem boca que a gente beija e depois olha pra trás pensando: “Por quê não fiz isso?”. Tem boca que a gente beija e nem olha pra trás. A gente é assim mesmo. Todo mundo é assim mesmo. E aqui também não se trata de deixar as pessoas numa média-comum, fazendo de todas iguais ou muito parecidas, aqui se trata de aceitar que ao mesmo tempo que você não é a pior pessoa, você não é a melhor. E que todos os erros que você crucificou, você pode cometer amanhã. Aqui se trata de aceitar que quanto mais insubstituível alguém especial pode parecer em nossa vida, mais rapidamente deixado de lado esse alguém vai ser. Porque a gente não tem como prever quando a gente gosta, a gente só gosta.

É triste quando a gente perde tempo.
Sabe, quando fazemos aquele joguinho idiota de charme em “se fazer de difícil” como se no fim valesse alguma pena? Isso é perca de tempo. Isso é vida se perdendo.

O tempo que a gente perde brincando de gostar, a gente ganha se permitindo gostar.
E o louco é que esse mesmo tempo nunca volta.

Tem gente que gosta de provocar ciúmes pra se sentir valorizado. Tem gente que não suporta nem uma brincadeira de ciúmes. Tem gente que é tão desligado que nem sabe o que é ciúmes. Tem gente que antes do “Oi, que saudade!” diz “Quem era aquela pessoa?”. Tem gente que antes do beijo de saudade olha pra boca desconfiando ter sido beijada momentos antes. E quando tempo se perde nisso tudo? Quando tempo que não vai voltar nunca mais?
Tem também gente que beija aqui mas deixa o pensamento em outra boca.

A gente se engana. A gente faz tudo errado pensando em fazer o certo.

No fim, a única certeza é que: não temos certeza de um monte de coisa. Porque amanhã a gente vai mudar e vai gostar de ruivas e não mais de loiras – ou de morenos e não mais de loiros. Amanhã a gente vai gostar das pessoas saradas de academia e não mais das magrelas de óculos de grau. Amanhã a gente não vai gostar de ninguém e mal vamos nos suportar. Ou vice-versa.

E aí a gente vai pra internet reclamar da temperatura.
Ou a gente vai pra um bar apagar a memória na bebida que vai embora pelo ralo dia seguinte abrindo a porta para os antigos problemas voltarem.

Nós somos assim, não tem jeito.

O que nos une é exatamente aquilo que nos afasta: o coração e a mesma vontade de ser feliz.

É ele que, apesar de ser o mesmo, muda a forma que atua de pessoa para pessoa.
O seu corpo pode querer fazer uma coisa, mas o seu coração nem sempre vai querer fazer também.

O amor embriaga a nós, jamais ao coração.

Quantas vezes você não dormiu com alguém e acordou pensando em outro alguém?
Ou quantas vezes você não conseguiu responder “Eu te amo também” porque lembrou de quem pensa ainda amar de verdade? Quantas vezes você escreveu a mensagem toda e não mandou?
Esta é a saudade. É tipo um botão que o coração aperta como se falasse: “OPA, ESTOU AQUI!” E há quem tenta enganar, há quem tenta esconder, mas pior que tudo é quem tenta não sentir. E infelizes são aqueles que renegam a saudade.

A gente só sente saudade do que da nossa vida fez parte de verdade.
Porque tem coisas que fazem parte da nossa vida só por fazer.

E nem sempre significa que a gente gostaria de viver de novo, nesse caso, é quando aparece a lembrança.
O tempo transforma qualquer saudade em lembrança. E a vida vai seguir, as contas vão chegar, a vida vai sempre continuar.

Só que desanima recomeçar, né?
Como falamos ali em cima, cansa se empolgar.
É um saco se ver envolvido de novo, se ver fazendo planos e comprando mimos, se ver com vontade de nunca mais sair de perto. É um saco mas é disso que a gente gosta.

Pode gostar do que não se tem, mas é melhor valorizar o que se tem.
Em outras palavras, é possível se encantar por outra pessoa que você não esperava nada, mas é importante valorizar quem sabe que você odeia falar no celular, que sua cor preferida é a azul e que você come devagar.

A vida é uma história em que todos os dias são capítulos novos e com o nosso jeito vamos escrevendo os detalhes. Nós somos a capa. O que falamos são as palavras e a forma que conduzimos é o roteiro. Tem capítulos que acabam bem, outros não. Tem dias que faz sol, outros não.

A graça dessa instabilidade que é viver é a surpresa que a gente pode ter a cada novo dia.
A saudade pode voltar a ser amor, e o amor pode ser pra sempre amor também sendo saudade.

Não que tudo isso seja verdade na sua vida, você tem todo o direito de discordar.
Mas o fato é que cansa se empolgar, mas é quando a gente cansa que vemos como vale a pena. E a verdade é que a gente nunca vai parar.

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A Gente Finge que Não Sabe de Nada

Olha como ela faz.
Posso até não estar completamente certo, mas algum sentido isso faz.
Dá pra perceber que ela quer ser vista e mais, que ela gosta de ser vista.
E nem falo no sentido de promiscuidade, falo de ser sexy sem ser vulgar.
Ela coloca a mão no cabelo devagar e troca a bebida de mão.
Vez ou outra ela some: ou para pegar mais bebida ou para ir ao banheiro.
Gosta de sorrir e mostrar que a felicidade está ali.
Ela sabe que estou olhando pra ela, ah se sabe.
Ela sabe que estou gostando do jeito que ela dança e conversa com os amigos, que aliás, pelos abraços fraternos, deixou claro que são só amigos mesmo.
Quando ela fica sozinha ela vai dar uma olhada no celular pra disfarçar, só que seu rosto fica ainda mais evidente no meio daquele escuro com luzes piscantes.
Os amigos voltam e ela comemora, ela quer se esbaldar.
Ela está ali para ser distrair.
E para seduzir.
A bolsa na diagonal no peito dá o toque de aparente responsabilidade.
Ela vibra quando começa uma música que gosta muito.
Coloca o braço pro alto segurando o copo e toma o cuidado de medir os movimentos do corpo.
Ela vai e vem, ela ondula, ela se move de modo a seduzir.
E ela consegue.
O calor aumenta e ela coloca parte do cabelo atrás da orelha e pede pra amiga segurar a bebida.
Ela se abana com as próprias mãos na tentativa de conquistar alguma brisa que traga frescor.
Ela olha para os lados e sabe bem para onde olhar.
Como eu disse, ela sabe que está sendo olhada e discretamente dá a entender para a amiga o quanto está gostando desse jogo.
Ela gosta mesmo é de provocar.
Ela se afasta um pouco dos amigos como se indicasse que gostaria de uma aproximação, mas após a primeira atitude contundente ela se retrai.
O negócio dela é o jogo do talvez.
Ela gosta mesmo é de brincar com as possibilidades, com o “quem sabe”.
Só que eu não vou passar a noite toda aqui parado. Ah, não vou.
Então eu me aproximo devagar e dessa vez tento inverter o jogo.
Eu me faço presente, eu me faço que ela perceba.
Converso com meus amigos e faço um ou outro movimento indicando que estou gostando da música.
Eu também olho no celular quando meus amigos se afastam.
Dou uma conferida nas novas fotos postadas e dou uma outra risada.
Ela percebe quando eu paro de olhar pra ela.
E então ela se irrita e volta a provocar.
E o jogo é esse: nada certo e tá tudo bem.
Ela vai pro meio da pista puxando uma amiga pra dançar.
Escolhe ficar na minha frente para que eu veja outros caras se aproximarem.
Ela não vive de elogios, mas ela gosta de usá-los a seu favor.
De longe e sem me importar vejo outros oferecerem bebidas.
Vejo também outros tentando tocá-la e ela delicadamente se afasta e sem falar uma palavra deixa claro que não quer nada.
Pronto.
Ela volta para onde estava.
E eu vou entrar no jogo.
Vou pra perto dela com meus amigos, assim, bem devagar.
Aumento meus movimentos aos poucos até a gente se encontrar.
E a gente se esbarra. Mãos de desculpas e um riso de canto de boca.
Então a gente começa a brincar de se conquistar.
Esse é o jogo, esse é o clima, essa é a valorização do talvez.
A gente reveza momentos de frente um para o outro e momentos que nos ignoramos.
Mas estamos ali.
Não dá pra garantir nada, mas isso também significa que não dá pra excluir nada.
A pista vai esvaziando, a gente vai ficando meio descolocado.
Altas horas já se passaram.
Por gestos que se tivessem voz diriam: “Amiga, olha meu cabelo que nojo, to encharcada!” ela já aparenta reclamar de cansaço.
Ela só não contava que eu gosto de cabelos molhados.
“Este é o seu melhor momento!” exclamo.
“Hahaha como assim?” questiona intrigada
“Conversar com você no fim da noite significa que estamos mais próximos de sair daqui” indireto.
“Tá, mas e daí?!” exige explicação.
“E daí que agora ao te ver com a maquiagem se desfazendo, o cabelo molhado, a aparência de cansada, consigo ver como você realmente é muito bonita.”
“Nossa, hahaha, besta!” se surpreende enquanto eu saio sem falar outras palavras mas com a semente da intriga positiva jogada.
Não dá pra garantir que vai acontecer alguma coisa,
mas alguma coisa eu já fiz pelo menos.
E a noite ainda não acabou.

Não Quero Acreditar Que Fiz Por Merecer

Eu nunca fiz as coisas de um jeito que eu posso chamar de “certo”. Fiz do meu jeito.
Quando parecia que eu deveria fazer uma coisa, eu ia lá e fazia exatamente: outra.
Mas também não me culpo por isso, afinal, a gente não pratica o erro, a gente erra enquanto corre atrás do acerto.

A parte ruim do descontrole da vida é quando a gente magoa alguém sem querer.

E eu fiz tanto isso.
Não me cabe contar quantas vezes soube que fui motivo de chateação. O pior é que eu nunca fiz nada por mal, nem deixei de fazer por bem, eu só ia fazendo do jeito que eu achava certo e foi em cada uma dessas escolhas que eu atingi algumas pessoas que eu não gostaria.

Somos nós pelo mundo e não o mundo por nós.

Eu até tinha consciência de que eu não consigo ter o controle das coisas do jeito que eu pensava ter, eu só não sabia que o meu jeito meio ao contrário de ser poderia afetar tantas pessoas do jeito que afetou. Não se trata do inferno estar cheio de boas intenções, se trata das intenções serem apenas boas mas acabarem se tornando um inferno para outras pessoas.

E tem vezes que a gente erra tanto que acaba se conformando com o fato de ser errante.

Também não quero dizer que não podemos errar, mas sim que todos os nossos erros resultam em chances de acertos. E disso a gente não pode se esquecer.
Mas chegou uma época que passei a aceitar que esse meu jeito era imutável e que só ia me restar aceitar as consequências das coisas que eu fizesse e das que eu não fizesse também.

A melhor parte do erro é saber que ele também tem seu lado bom.
E é muito bom quando a gente erra o pensamento de que nada vai mudar e de que a sentença é sofrer.

Aconteceu que fui deixando o mundo girar.
Ainda errando aqui e ali, mas aceitei o fato de eu não conseguir controlar a minha vida, embora eu tivesse consciência de cada coisa que eu fazia, aceitei que elas podem repercutir de formas diferentes em diferentes pessoas.
E quando eu pensava que tudo estava certo, felizmente eu me enganei.

Não há vida que não caiba uma mão para ser dada.

E aí apareceu alguém para me mostrar uma forma diferente de ver os dias.
E por muito tempo foi bom assim.
Engraçado que é sempre igual, né? Aparece quando a gente menos espera e acontece do jeito que a gente também menos espera.
Vi nesse alguém uma oportunidade de aprender e, mais que isso, de me rever e tentar enxergar aqueles meus erros na tentativa de evitar com que acontecessem de novo. E até que fui conseguindo.

Se entregar é viver e só se entrega quem gosta de viver.

Eu sinceramente não me arrependo.
A gente construiu muita coisa legal juntos. E as segundas-feiras deixaram de ser só segundas-feiras. Lembro que apesar de eu ter esse conflito contra mim mesma e acabar chateando as pessoas que gosto de um jeito que eu não gosto, vi nesse alguém novos motivos para mudar a forma de ver e viver a vida.

Cada lágrima escorrida há de ser uma lição aprendida.

E na prática foi isso mesmo.
As coisas começaram a sair do meu controle e comecei a me questionar sobre o que estava acontecendo. Comecei a me perguntar porque o meu esforço parecia tão em vão e porque todas as coisas que eu fazia em busca de sinceros sorrisos só traziam novos motivos para velhas brigas.

Reciprocidade é o atalho para a felicidade.

Porque até que a gente pode ser feliz e cantar por aí como a nossa história é maravilhosa. Mas não adianta fingir se no fim a mensagem de saudade não vai ser respondida ou se o tempo com você não tem espaço na agenda de outro alguém. E foi assim que aconteceu comigo.
Me vi vivendo por dois, me superando a cada dia pelo bem de nós dois e não senti que isso fazia diferença no fim, não senti que a importância que eu pensava ter conquistado, enfim. Não aconteceu.

A gente precisa saber que estamos fazendo certo para fazermos melhor ainda.
Do mesmo modo, a gente precisa saber que erramos para podermos não errar mais.

E eu queria saber se o motivo de alguns dos sorrisos eram as coisas que eu fazia.
Eu queria ouvir que a minha companhia fazia sentido e que a minha forma de ver a vida acrescentava em alguma coisa.
Eu nunca quis juras de amor nem promessas de “pra sempre”. Eu não pensava no futuro longe, eu pensava na futura meia hora.

Bem, se eu parar pra pensar talvez eu mereça todas essas coisas. Mas eu não acho justo raciocinar por esse lado. Dentro da minha imperfeição que eu tenho procurado respostas para fazer com que essa vida não seja em vão. Em cada motivo que eu já tive pra me arrepender foi onde eu busquei força pra reviver e fazer tudo diferente.

Dá pra acreditar que as coisas que a gente faz são interligadas, só não entra muito na cabeça ter que aceitar que a vida se vinga dos erros que a gente cometeu. Por isso, eu prefiro pensar que a felicidade que construí ali durou enquanto a primavera existiu. E eu não vou parar por aqui, tenho um verão todo pela frente pra ir atrás de novas e melhoras companhias.

Não me cabe julgar esse alguém, nem se trata de aceitar, eu prefiro mudar a forma de ver e pegar pra mim o que mais me valeu no fim: a experiência.

Texto inspirado no resumo da história de uma leitora:
“Sempre fiz tudo meio ao contrário. Já magoei tantas pessoas ao meu redor sem ao menos ter conhecimento disso. Até que encontrei uma pessoa que por um tempo foi o meu tudo (e ao mesmo tempo o meu nada). Mas eu fiz o (im)possível pra mudar e ser o melhor pra ela. Só não recebi muita coisa em troca.”

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Não Tem Muito o Que Enrolar


(leia sempre ouvindo a música, é importante)

Bateu.
Hoje me bateu uma saudade que eu não consegui controlar direito.
Não tem muito o que disfarçar ou inventar outras palavras para definir: é saudade mesmo.
Eu sei que é bom ver a vida correndo, mas é uma pena ver que algumas coisas não vão voltar nunca mais. É ruim porque a gente começa a pensar no que poderia ter feito pra tentar evitar o fim, mas isso nada mais é que uma tentativa desesperada de reviver algo que já passou.

É difícil ter que lidar com uma rotina nova quando a antiga nos garantia sorrisos.
A gente não considera que sorrisos ainda melhores estão por vir, a gente só quer os que a gente gostava. E continua gostando.

Eu gostava tanto do jeito que você falava o meu nome. Eu gostava tanto do jeito que a gente se chamava no diminutivo, sabe? Aquelas coisas de casais melosos tão boa de se viver que nem o mais duro dos corações consegue enfrentar.

Já faz um tempo que tudo acabou e eu venho tentando aceitar.
E por mais que digam que depende de mim, só eu sei como é difícil ter que me acostumar com a sua ausência e ter que me acostumar com a a falta das suas opiniões sobre tudo em minha vida.

Eu sinto tanta falta. Eu sinto tanta saudade.
E não há palavra bonita que possa disfarçar o que a gente sente.

Às vezes eu penso em te ligar pra saber como você está de verdade pois ler as coisas que posta na internet não é a mesma coisa, ainda mais porque eu leio cada palavra como se você tivesse falando no minha frente. Não penso em te ligar pra te pedir pra voltar – por mais que eu gostaria – queria ligar pra saber como vai a sua vida, se realizou novos sonhos e se tem conseguido tirar os planos do papel como sempre quis. E como eu sempre apoiei.

Já passei da fase de me rever e enxergar todos os meus erros na nossa história.
Pra sempre eu vou te agradecer por isso, pois só depois de perceber a falta que você faz na minha vida foi que eu vi que eu não fui nem 1% do que você merecia.

Eu poderia dar voltas aqui e falar qualquer outra coisa para mantar a pose de alguém forte, mas não tem o que fingir e ao enganar o que eu sinto, estarei enganado a mim mesmo, por isso não tem outra palavra que possa definir a não ser saudade.

Demorei pra conseguir passar na sua rua sem mais poder descer na sua casa. Demorei pra não me abalar ao ouvir o seu nome por outras pessoas. Demorei pra não me importar tanto ao ouvir as músicas que você tanto gostava. E na verdade as coisas ainda não estão 100%, até porque nunca estarão, a gente sempre vai tentando.

Se um dia eu pudesse te falar todas as essas coisas, a primeira delas seria que eu não estou te pedindo pra voltar e que sei que o mundo girou pra nós dois, eu só estou falando que hoje você me faz muita falta e eu não gosto de mentir pra ninguém, muito menos para o meu próprio coração. Também não sei como você reagiria ao saber dessas coisas. Talvez você choraria na minha frente por eu detalhar coisas que a gente fazia, talvez você nem ia se importar e ia sentenciar que passou. E na verdade eu nem quero muito saber. Hoje eu só sinto.

Hoje eu aceito que está difícil pra ver se um dia fica mais fácil.

E não vai ser por falta de tentativa.
Eu não vou tentar te apagar da minha vida, até porque isso seria a maior bobagem que eu poderia fazer. Mas eu vou tentar dar um passo a mais depois do primeiro, eu vou tentar parar de reler as coisas que a gente escrevia um pro outro, eu vou tentar parar de visitar seu perfil nas redes sociais, vou tentar parar de relacionar as músicas que eu ouço à você, eu vou tentar viver mais por mim e menos por você mesmo sem te ter.

Só que hoje é saudade.
Um dia você foi amor, ontem você foi dor, mas hoje você é saudade. Amanhã será lembrança, eu sei.

É isso.
Cada segundo falando sobre você, falando sobre o que passou, é um minuto a menos pra eu ficar mais perto de alguém novo e do que está por vir, que aliás, é só o melhor.

Mas hoje eu ia gostar de te dar um beijo de saudade.
Era bom.

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Talvez a Culpa Seja Toda Minha

Talvez eu não seja uma pessoa pronta.
No exercício de pensar diferente, acho que vale também inverter os papeis em que me coloco e assim repensar se eu tenho assim tantos motivos pra reclamar.
E como eu reclamo, vou te contar viu?
As coisas nunca estão boas. O meu trânsito é sempre o pior, os meus amores são sempre os mais cafajestes, o meu salário é sempre o menor, a minha aparência é sempre a pior. E por aí vai.

Preferir reclamar do que tentar mudar é ver a vida correr pela sarjeta.

Meu cabelo nunca está bom.
O tempo passa mais devagar pra mim, o tempo passa mais rápido pra mim. Os elogios nunca são reais. Quando tudo dá certo, alguma coisa com certeza vai dar errado.
Assim sou eu, assumidamente assim sou eu.
Eu não coloco o pé pra fora de casa pra viver mas reclamo que a minha vida não tem vida. Eu não conheço uma pessoa nova sequer, mas reclamo que todas as pessoas são iguais nessa vida.

O problema está em mim e não na minha vida.
Problema que aliás, todo mundo tem, mas eu tenho a mania de achar que os meus são sempre os piores.

Choro com os filmes de casais felizes, mas não tenho opinião sobre o que é ser um casal feliz. Ou se tenho, não aceito outra para me rever. Admiro pessoas bonitas pelas ruas e automaticamente me faço de uma horrível pessoa e me coloco no último lugar na fila de quem tem algum diferencial. Me encanto por alguém mas não sei bem conversar com ninguém, porque fico na armadilha entre falar o que seria bom eu falar e falar o que eu sinto.

Outro problema é que eu penso demais.
A gente mergulha nos clichês de como viver e nos abraçamos neles com se fossem a única alternativa.

Hoje eu quero me rever.
Não vejo problema em deitar com uma pessoa estranha na primeira noite, se é a vontade dos dois, que seja obedecida. Meu cabelo nunca está bom, mas eu também nunca tento mudar nada para que ele fique melhor. E mais do que qualquer análise sobre o jeito que eu me comporto e o jeito que eu sou, lembro das coisas que eu já fiz com a vontade de nunca mais repetir.

Eu poderia não ter aumentado o tom de voz naquele dia. Eu poderia não ter desligado na cara. Eu poderia ter elogiado mais ao invés de exigir o contrário. Eu poderia ter feito mais surpresas ao invés de esperar alguma pra mim. Aliás, eu poderia ter esperado muito menos e ter feito muito mais. Eu poderia ter corrido atrás do jeito que eu quis e ter ignorado quem me disse que seria humilhação, nada mais e nada menos que, ouvir o meu coração. Eu poderia ter feito um monte de coisa ao invés de ter feito outro monte de coisas, mas agora já passou.

Finalmente eu olho pra mim e consigo ver o que eu quero da minha vida.
E sabe o que eu quero? Eu vou te contar:
Eu quero a demora pra acordar e ver alguém ali comigo com preguiça de se levantar com o cabelo todo enroscado e a marca do travesseiro no rosto. Eu quero cantar junto não necessariamente os meus refrões favoritos, mas os novos favoritos que a gente definir. Eu quero as mensagens mais bobas de saudade e a competição infantil sobre quem gosta mais. Quero essas coisas.

E eu já tive algumas dessas coisas.
Mas nessa de pensar que pra mim nada nunca vai dar certo como eu espero, é claro, que eu não aproveitei nada como deveria. E isso me deixa mal.
Me deixa mal porque se eu pensar de verdade, vou ver que a minha vida é ótima – não perfeita – e todos os motivos pra reclamar que existem são criados por mim mesmo. Me deixa mal porque eu tive um monte de convite pra sair nos quais todos rejeitei. Me deixa mal porque todo mundo que se aproximou de mim eu olhei torto prevendo segundas ou terceiras intenções, como se eu soubesse o final. Me deixa mal porque eu não queria desacreditar nas pessoas como eu fiz até hoje. Me deixa mal porque comecei a ver a minha vida de um jeito egoísta que consistia no mundo fazer as coisas pra mim e não eu as coisas pelo mundo.

Mas eu estou mudando.
Não sinto mais dor nas músicas que falam sobre felicidade, uso todas ao meu favor e me inspiro para construir novos motivos e novos meios de ser feliz.

Talvez eu não seja uma pessoa pronta.
Mas só o fato de ter consciência disso já me torno uma pessoa mais preparada do que fui ontem.
Uma pessoa mais preparada pra receber a felicidade que eu sonho.

CURTA: www.facebook.com/umtravesseiroparadois <3
ps.: AINDA ESSE ANO sai o 1° livro aqui do Um Travesseiro Para Dois. =)

Nós Já Fomos Mais Inteligentes

Valeu.
Até que foi bom mudar o status o colocar o seu nome ao lado do meu. Valeu.
Foi uma temporada que aproveitei, foram coisas que a gente viveu que me trouxeram uma nova maneira de viver.
Eu bem que poderia listar alguns motivos pra gente nunca mais se ver. Poderia começar falando do quanto você me fez chorar com o seu jeito intransigente em querer que coisas aconteçam da sua maneira, mas eu não vou fazer isso. Eu poderia também jogar na sua cara e rogar uma praga para que colha as coisas que me fez pensar, mas eu não vou fazer isso.

A vida dá só uma chance de ser melhor do que foi ontem.

A segunda chance nem sempre a gente quer, nem sempre a gente precisa. Isso significa que se a gente não aproveitar pra aprender na dor, não adianta querer lições quando tudo estiver bem, porque isso não é garantia de nada. E como a gente muda de ideia todo dia sobre praticamente tudo, a gente também mudar a forma de ver, e com isso, as segundas chances a gente deixa esquecer. A questão aqui é valorizar o momento de dor e não ignorar.

Valeu.
Ainda não deu tempo de sentir saudade, mas eu sei que vou sentir.
É bem capaz que eu não consiga mais ver as suas fotos e também acabe me afastando de alguns dos seus grandes amigos que se tornaram meus também, isso faz parte, mas vou fazer a minha parte para permanecer comigo as coisas boas que a gente construiu juntos. Muitas das coisas boas que eu aprendi sobre a vida eu devo à você. É bobagem ignorar esse fato e deixar que o egoísmo tome conta de mim e me faça ter um discurso de “tudo de bom que aconteceu comigo eu fiz por merecer”, pois quando a gente vive junto, a gente aprende junto.

A nossa pior dor nunca será a pior de todas.

Acho que eu não vou ficar bem se te ver de mãos dadas com outra pessoa. É, não vou.
Mas também, não sei como vai ser caso seja você quem vai me ver antes entregue a outro alguém.
A gente tem a mania de achar que os fins são sempre definitivos, a gente esquece de ver que cada fim é exatamente um recomeço. A gente tem mania de comparar felicidades e dizer que “nunca foi tão feliz na vida”, e isso é uma bobagem.

Felicidade não se compara, felicidade se aproveita.

E eu também nunca vou te comparar com ninguém.
É claro que vou acabar observando aqui e ali todas as diferenças, mas o negócio é me adaptar e estar disposto à novas lições. As coisas que só faziam parte do nosso mundo, vão continuar só fazendo parte do nosso mundo. Eu não tenho por quê levar pra outro alguém a informação sobre os seus filmes favoritos. Eu preciso mostrar quais são os meus.

Tem gente que não gosta de recomeçar por não conseguir se animar em conhecer uma uma outra pessoa e ter que se apresentar de novo, mas dá pra pensar que quanto mais a gente fala sobre a gente, mais a gente fica consciente dos nossos defeitos e mais perto ficamos de uma saída para lidar com todos eles. Sem contar que:

Novas pessoas em nossa vida significam novas maneiras de viver os velhos dias.

Por isso eu não vejo o fim com maus olhos.
Também não celebro e digo que era o que eu precisava, pois por mim seria você pra mim para o resto da minha vida. Mas quem manda no destino, né? Infelizmente a gente teve que seguir por caminhos diferentes e agora eu preciso lidar com o resto de você em mim. Preciso aprender a lidar quando eu sentir o seu perfume por aí ou em cada novo show da sua banda favorita – que se tornou uma das minhas também. Porque viver com alguém é assim: a gente se conhece pra se somar.

Viver com alguém é permitir que discordem do que sempre pensamos estar certos; é permitir que critiquem o jeito que a gente vê a vida; é permitir que a nossa opinião mude ao aceitar uma nova.

Valeu.
Eu bem que poderia esbravejar toda a minha raiva de você, mas aprendi a aproveitar o tempo, aprendi que o tempo que eu gasto falando sobre coisas que eu não gosto, eu posso aproveitar vivendo todas as coisas que eu amo.

Eu não estou te agradecendo, eu estou dizendo que tudo que gente viveu, valeu.

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ps: o nome do texto é o nome de uma música da minha banda, que acho que se encaixou perfeitamente com o texto. Ouçam aqui: http://migre.me/gqGi5

Me Ajuda Pra Eu Poder Te Ajudar

Eu nunca te cobrei nada.
Nunca quis que fizesse nada além do que sempre fez, porque isso foi o que sempre me satisfez. Sempre me vi feliz por ter você pra me deixar bem.
Funciona assim: prático.

A gente começa uma história com alguém pra poder dar um novo sentido à nossa sem ninguém.

Na jornada da vida, a gente sempre está em busca de alguém pra compartilhar todas as coisas. E é tão bom quando a gente encontra. É bom se sentir seguro.
Faz bem saber que a gente pode conversar com alguém a hora que a gente quiser e sobre o que a gente quiser. São coisas como essas que constroem alguns dos melhores momentos da nossa vida. Pouco a pouco a gente vai se encaixando e vai começando a ver um novo sentido nas velhas coisas. Isso tudo acontece quando a gente se sente útil, quando a gente se sente parte de alguém também, quando a gente se preenche ao ver que o nosso o jeito completa o de alguém.

Mas quanto mais a gente espera o planejado menos eles sai como o esperado.

E isso não é de todo mal.
Os ajustes fazem parte de qualquer história, e mais que isso, os ajustes servem de estímulo pra gente sempre continuar buscando melhorar nas coisas não tão boas assim.

Acontece que você tem arranhado tudo que eu construí de mais valioso em você: a confiança.
Você me conhece, sabe de tudo que já passei nessa vida e, dentro disso, sabe bem como não foi fácil pra mim me permitir viver de novo. Ou pelo menos eu sempre pensei que soubesse disso.

Tudo muda quando a nossa forma de ver muda.

Nos exercícios mais difíceis é onde a gente encontra as melhores lições. Ou seja, não quero insistir, mas essa conversa seria mais fácil se você conseguisse se colocar no meu lugar. Não é questão de me fazer de vítima, mas de cumplicidade, de ver que se eu não estou bem por algo que você me fez, antes de julgar se é certo ou errado, se tem ou não sentido, você pode me respeitar e se colocar no meu lugar ao mesmo tempo que a gente tenta entender tudo que aconteceu.

Eu nunca quis investigar sua vida por valorizar a sua liberdade.

Assim como eu gosto e preciso ser livre, eu sempre te deixei ser da mesma maneira. Até que você me desse motivos pra pensar diferente.
A gente não precisa esconder provas se não somos culpados.
E muitas vezes a postura pelo medo de ser descoberto é pior do que a descoberta em si. O que mais me deixou com raiva foi o seu jeito de fingir que nada aconteceu. Você sabe bem do que estou falando. Não posso tocar no assunto que você se exalta e tenta trocar a conversa, mal sabendo que, quanto mais você tenta fugir do que me intriga, maior essa intriga fica.

A gente não tem que brigar, a gente tem que se acertar.

Só que não depende só de mim.
Você não precisa ter medo de me falar os seus erros.
Pior mesmo é ter que descobrir coisas que você, aparentemente, não gostaria que fossem descobertas.
Eu não quero saber das suas senhas, nem do seu celular, mas por quê não quis me mostrar quando perguntei numa boa de quem era a mensagem? Mas não, preferiu desviar e travar a língua em mil vezes tentando me enganar.
Você não contava que eu descobriria, né?
Não pense que eu gosto de ir atrás, mas eu não conseguiria dormir e nem olhar pra sua cara sem saber exatamente do que se tratava.

Eu nunca te exigi perfeição, só a sinceridade.
Aceitei todos os seus defeitos, bem como você aceitou os meus, e pensei que dentro desse acordo a gente encontraria os nossos acertos e as nossas soluções. Eu nunca quis desconfiar de você. E você sabe disso.

Você não tem a obrigação de estar comigo pra sempre na sua vida. Você pode me querer hoje e amanhã nunca mais.
Se for pra escrever uma história com alguém de meias palavras eu prefiro escrever a minha com palavras inteiras sem ninguém.

Também não quero falar sobre isso o resto da minha vida.
Eu quero que você pense sobre o que aconteceu.
Perfeito seria se conseguisse pensar como seria pra você se fosse eu no seu lugar, mas como eu não posso esperar por isso, eu vou te dar a oportunidade de saber que toda a confiança que eu tinha por você está em cacos.

A sua sorte, por enquanto, é que da minha parte ainda existe amor. Ainda

Inspirado em uma história real.

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Nem Sempre é Só Passar a Mão

Eu queria saber o que passa na cabeça de vocês que dizem ser fácil se revelar pra alguém. Olha, não que seja O Maior Segredo do Mundo™, mas pra mim, não é nada fácil chegar em alguém que eu não conheço e pedir um beijo. Apesar que eu não sou um parâmetro, né? Quando vou em alguma balada com meus amigos – aliás, fazer o quê, eu não sei – eu sempre me assusto com o jeito que os caras chegam nas meninas. E eu sempre me assusto ainda mais com o jeito que algumas delas acham normal isso. Tipo, é aquele negócio de puxar pelo braço, trocar meia dúzia de palavras e dar um beijo. E eu vejo isso pensando: “Como é fácil!”. Aí todas as vezes que eu tentei algo parecido – aliás, pra quê, eu não sei – eu nunca me dei bem. Teve uma vez que segurei uma garota pelo braço e ela gritou como se eu tivesse batido nela. Oi? Teve uma outra vez que até consegui ir além: me aproximei, toquei no braço dando a entender que eu queria conversar – aliás, aprendi que muito da magia está em ‘dar a entender’, né? – aí ela voltou perto de mim pra ouvir melhor o que eu tinha pra falar. Aí eu já tentei beijá-la e sabe o que ela fez? Isso mesmo: não fez nada. Ela só desviou e foi embora. E claro, como esquecer, teve aquela incrível vez que após conseguir conversar com a garota – aliás, nem lembro como começou – nessa ida e vinda da conversa cheia de assuntos randômicos do tipo: “Ah legal, e você gosta de cachorro?” – Po, não é normal perguntar isso? – Sei lá, mas eu queria saber mais dela. Aí quando perguntei ela respondeu algo que eu não entendi, então tentei me aproximar pra ouvir melhor e acabei derramando bebida na roupa dela.

Ela ficou bem brava. Disso eu lembro.

Mas pra não ser injusto com as baladas, também aconteceram coisas parecidas comigo em outros lugares.
Tinha uma garota do trabalho que eu estava meio ~gostandinho~, sabe? Sabe aquele gostar timidamente, só trocando um olhar aqui e outro ali e uma porção de “bom dia”? Então, tipo isso.

Ela era bem bonita! E como.

Na verdade não como eu fantasiei depois de conhecê-la melhor, mas como eu também não sou nenhum astro do cinema, fica elas por elas.
Então, nessas de se olhar aos poucos um dia a gente saiu juntos do trabalho.
Embarcamos em um lindo e maravilhoso romance depois das 18hs num trem que tinha todo tipo de pessoa, menos as educadas àquela hora, e também, que tinha todo tipo de cheiro, menos algum bom. Até aí beleza né, ela sabia que eu não tinha culpa. Aí durante a viagem, já fazendo baldeação entre uma estação e outra vi que a conversa ia muito bem, obrigado. Vi que ela mexia nos cabelos mais vezes que as mulheres que trabalham comigo costumam mexer, e construí pra mim a tese de que isso é uma demonstração de charme das mulheres. Reparei também que ela não estava muito preocupada em chegar logo em casa, dada a velocidade com que praticamente se arrastava andando até o acesso do metrô.

O único atalho para os sonhos se realizarem mais rápido é a ansiedade.
E isso não significa algo positivo.

Eu tinha praticamente certeza que “ela estava na minha”, aí claro, comecei a jogar um charme. (qual a chance?)
Sei lá, comecei a andar de um jeito mais, digamos, sofisticado, e trouxe para os assuntos várias coisas legais que seria legal fazer na vida. E que eu nunca fiz. Ela pareceu super animada com a ideia de esquiar e a minha sorte é que passei uma baita veracidade porque eu tinha visto um programa sobre esqui um dia antes.
Bem, percebei que eu precisava definir essa situação de alguma maneira, que eu precisava falar com ela e já logo tratar de beijar aquela boca até que:

“Me empresta R$ 3?”

Foi o que ela me perguntou. Naquela hora eu queria tudo, menos ter três reais.
Mas eu tinha.

“É que esqueci de carregar o bilhete do metrô e estou sem dinheiro aqui, só com cartão. Aí fiquei com vergonha de te pedir antes… Viu como eu vim andando devagarzinho? Hihi”.

Então ela queria o meu dinheiro – poxa, quanto hein? – e não EU MESMO.
Emprestei, passamos pela catraca, e como na vida de pobre toda desgraça é pouca, ela beijou um cara logo depois.

“Esse é meu namorado!”.

Bem, acho que eu nem preciso continuar, né?
Pois é, agora me diz, como é que eu posso provar pra uma garota que o quero vai além de passar a mão no bumbum dela? – Não que isso não seja bom e não que eu também não queira isso. Tipo, como eu vou aprender a “dar ideia” numa garota se eu gosto tanto de conversar sobre a vida e todas as coisas malucas que a gente vive? Sem contar dinheiro, como é que eu vou chamar uma garota pra jantar se o dinheiro que eu tenho só é capaz de pagar meia tigela de açaí?

“Ah, mas a garota ideal não liga pra essas coisas, ela se importa com você!”

AH VÁ. Vai contar isso pra qualquer outro, menos pra mim.
Qual a chance de eu tentar qualquer convite, qualquer aproximação se eu não tiver um dinheiro pra pelo menos bancar o “rolê”? É bom esclarecer: não que as garotas sejam interesseiras, mas é uma questão de segurança, de ter ali uma reserva pra poder sugerir coisas divertidas.

Por isso que não me entra na cabeça como as pessoas se beijam assim tão fácil. E transam.

Ou as coisas estão difíceis demais.
Ou as pessoas estão dificultando demais.
Ou eu estou fazendo o que é fácil ficar difícil demais.
Ou todas as coisas.

Mas devo falar, minha vida até aqui não é só de insucessos, HEHE.
Teve uma garota que conheci pela internet =P Aff, que mina! Digo, que garota!
A gente conversava bastante. Eu curtia as fotos dela e ela as minhas. Inclusive antes da gente se conhecer, fui no instagram dela e curti várias fotos antigas.

Para boa entendedora uma curtida basta.

Fui me fazer presente, né?
Aí rolou aquela troca de curtidas, até que nos adicionamos e começamos a conversar.
Depois de dias, finalmente marcamos de nos encontrar no shopping. Guardei dinheiro e fui preparado.
Nos vimos e o abraço foi daqueles bem gostosos, que a gente não quer largar.
Ela sugeriu que a gente fosse pra um banco mais afastado pra conversar melhor. Aceitei.
Chegando lá, sentamos, sem falar nada nos beijamos e ela levou minha mão até o bumbum dela! #sonhorealizado #atitude. Aí entendi o recado e tentei fazer o mesmo, só que aqui no meu, como eu posso chamar… aqui na minha parte mais sensível…(?)

E sabe o que ela fez? Isso mesmo: nada.
É que eu não deixei, segurei a mão dela e continuamos nos beijando.

Eu queria saber o que passa na cabeça de vocês que dizem ser fácil se revelar pra alguém, pois nem sempre a intenção é só em passar a mão.

Tudo isso pra falar que não dá pra saber se a gente vai perder ou ganhar, mas a gente sempre pode tentar e se permitir.

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A gente nunca vai se esquecer

A gente nunca deixa alguém 100%.

Tipo, ninguém nunca sai da vida de ninguém por completo.
Aí depende da gente julgar até que ponto isso é bom e ruim. Um lado bom é que as lembranças e lições que vamos levar pra sempre são motivos pra gente ser melhor todos dias, não por ninguém muito menos pelo passado, mas só pela gente. Um lado ruim é que a gente não pode viver no sentimento de “você nunca vai me esquecer” ou “eu nunca vou te esquecer”. As coisas simplesmente acontecem e o tempo é deliciosamente incontrolável.

Não é problema ter uma música especial pra viver por dois.

Tudo bem também já fazer aqueles planos ansiosos, com nomes dos filhos e lugar onde morar. Tudo isso faz parte e vamos repetir enquanto estivermos vivos. Planejar não significa realizar. É importante e é tão gostoso manter o clima de compartilhar sonhos e vontades. É incrível estar com alguém que completa as coisas que a gente vive.

Não é nada fácil e indolor gostar de alguém.
Mas a gente gosta mesmo é do difícil, né?
Se o amor fosse premeditado talvez a gente não valorizaria tanto. Todos valorizamos, o que muda é a maneira com que fazemos isso.

 

A gente gosta de agregar valor em tudo que vivemos.
Por isso encontramos alguém especial nos refrões das músicas ou nos tipos de comida. A gente faz isso propositalmente inconsciente. É bom demais falar “Nossa, fulano ama essa música! Sempre lembro!” ou “É o prato preferido de ciclano”. A gente gosta disso, não adianta querer mudar.

A lembrança há de ser uma lição e não uma prisão.

E mesmo que a lembrança tenha peso de saudade, não é algo a que devemos ser refém. É uma questão de valorizar o tempo: o tempo que a gente perde revivendo uma lembrança dolorosa a gente ganha indo atrás de momentos novos pra viver.

Somos uma mistura de lembrança, saudade e esperança.

Tem dias que uma parte fala mais alto que a outra, igual os dias que fazem mais sol que outros. Não há receita, há adaptação. Vamos lidando dia após dia com esse jeito maluco que todos temos de ser. E é exatamente dentro de cada aparente insuportável dificuldade que mora a nossa força de superar.

Ninguém vai te esquecer do jeito que você pensa e nem você nunca vai esquecer de alguém do jeito que espera. São os dias que fazem a gente, e dentro deles, são os momentos que fazem o que somos.
Até que ponto vale a pena desejar a vingança do tempo?
Até que ponto vale emplacar o discurso de “Você vai sentir minha falta e vai ser arrepender por tudo que me fez!”. Até que ponto? Voltamos ao tempo: a força que a gente deseja essas coisas pode ser tão melhor aproveitada desejando coisas boas pra nós mesmos. Talvez seja hora de virar o disco.

Essa pessoa aí que você está lembrando não te esqueceu como você pensa que esqueceu. Ela te encontra nas cenas dos filmes e nas pizzas do fim de semana. Ela também te vê sem querer ao conhecer novas pessoas com o mesmo nome que o seu. Essa pessoa te encontra ao sentir o seu perfume em um metrô qualquer. Essa pessoa te encontra nas ruas que passaram juntos; te encontra nas coisas que você não gostava e que outras gostam; te encontra nas piadas que faziam das outras pessoas e que agora não tem mais com quem fazer. Essa pessoa nunca vai te esquecer, mas não espere que ela te diga isso. E na verdade, até que ponto vale a pena que essa pessoa te diga isso?
Talvez seja melhor aceitar que não existe mais nada, mas tudo que existiu é algo que nunca vai ser esquecido.

É que a gente gosta mesmo de justificativas e não de respeito.

A gente gosta de questionar o por quê ao invés de parar e aceitar: “é assim ué”. E não se trata de acomodação, se trata de uma busca maldita por algum tipo de conforto, por algum motivo que justifique a dor, uma busca por qualquer razão, qualquer diabo de razão que possa nos tranquilizar e fazer voltar nossas noites de sono. Mas por quê?
A gente quer mesmo é que aquela pessoa ali em cima – aquela que já pontuamos que nunca vai te esquecer – peça pra voltar. E não só isso: que peça pra voltar de joelhos. A gente quer estar por cima sempre. E não adianta dizer que “não é bem isso, só quero que a gente volte” pois no fundo há uma ferida aberta por essa pessoa.

Aceitar não é submeter, é deixar viver.

Às vezes é melhor acontecer uma coisa mais uma vez pela primeira vez do que acontecer a mesma coisa outra vez por simplesmente acontecer.
Em outras palavras: às vezes é melhor ter aquele sentimento bom pela primeira vez por alguém novo, do que desejar que alguém do passado volte pra reviver um velho sentimento.
Claro, há exceções. Tem momentos que voltam, tem pessoas que voltam, e isso tudo acontece pra gente aprender a considerar TUDO nessa vida, ao invés de pensar que: “não, isso nunca pode acontecer”. Mas às vezes, insisto, vale mais a pena a gente aproveitar o tempo querendo novidades do que a volta no tempo.

É excitante ver a vida recomeçando.

Você também nunca vai esquecer essa pessoa.
Não adianta viver os fins de semanas sob efeito de alcoól pelas baladas na sua cidade, você nunca vai esquecer. Você vai se ver – mesmo sem querer – cantando aqueles refrões que cantavam juntos. Você vai encontrar essa pessoa nos programas preferidos que ela dizia; você vai encontrar na ausência da companhia nos fins de semana no parque; você vai encontrar essa pessoa na saudade de uma opinião sobre qual roupa vestir essa noite.

Portanto, toda essa lembrança, toda essa saudade, todo esse sentimento já vivido, vai morar na sua vida e na vida de quem já viveu com você. E como lidar?
O mesmo tempo que dilacera é o que ajuda. Os dias vão passar, outros filmes vão ser lançados, outros pratos serão provados, outros perfumes serão comprados, outros planos serão feitos, outros sorvetes serão tomados, outras risadas serão ouvidas, outros conchinhas serão compartilhadas, outros motivos serão encontrados, outros refrões serão cantados, outros momentos serão vividos. Mas sempre e pra sempre seremos nós mesmos; sempre seremos aquela pessoa que viveu aquele tempo bom e que traz saudade. E essa pessoa, essa aí da sua cabeça, sempre vai ser aquela pessoa com quem viveu aquele tempo bom e que traz saudade.

A gente nunca vai se esquecer, a gente vai se guardar.

Márcio Rodrigues.
instagram: @marciorodriguees

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