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Pra Mim Ainda Não é Fácil Assim

Estou longe de ser quem eu gostaria de ser,
mas sou sincero ao dizer que sou tudo que eu tenho de melhor pra você.
Houve um tempo em que eu pensei em desistir dessa história de conhecer alguém pra chamar de meu; houve um tempo em que eu desanimei e quase joguei tudo pro ar e jurei nunca mais acreditar que seria possível confiar em alguém nessa vida, mas se tem uma coisa que eu gosto é de aprender. Gosto de saber que nem sempre a razão esta do meu lado, e fico tão feliz quando alguém consegue me mostrar isso.
Por isso que quando eu digo que fico feliz em te ver feliz, você pode acreditar em mim. Qualquer dia desses eu vou saber como te agradecer por não me deixar desistir da minha própria vida, e o que é mais louco, sem ter que fazer nada para evitar além de me mostrar verdade no olhar e no conforto de um abraço.
Eu já tive vergonha de chorar por alguém.
Já tive vergonha de mostrar minha sensibilidade e admitir que a vida não anda tão boa quanto as novelas mostram ser. Não que eu me orgulhe dessa fase, mas aprendi a aceitar que se não fosse passar pelo que passei eu não estaria hoje pronto pra você.
Eu não me contento em só te ver feliz.
Vivo com a consciência de que tenho que fazer com que a nossa história seja especial para nós dois, por nós dois.
Não me passa pela cabeça ter que te imaginar longe de mim. E se quiser chamar de egoísmo, chame, chame do que quiser, acontece que o tempo ensina a gente a encontrar valor no que realmente merece e não no que queremos. Talvez a gente se mereça.
Eu não me vejo dependente de você, mas ao seu lado eu me sinto estimulado a ser alguém melhor e consigo ver que não tenho motivos pra pular de cima da ponte, como eu tentei tantas vezes.
As coisas andam tão estranhas que a gente tem medo de acreditar no lado bom de todas elas. É difícil confiar quando uma coisa dá realmente certo. São tantos motivos e exemplos para crer que na verdade tudo é tão forçado, que as pessoas só fazem coisas por objetivos e não por sentimentos, que custa a acreditar que o coração ainda bate involuntariamente; tudo leva a crer que algumas pessoas fazem com que o coração bata propositalmente. Mas nisso eu não quero acreditar.
Tenho medo de falar essas coisas você. Eu ainda tenho medo de me entregar de uma vez, tenho medo de me doar pra você e correr o risco de você usar tudo isso contra mim qualquer dia desses. Tenho medo por já ter vivido algo exatamente assim e acho que não estou preparado para viver tudo outra vez. O que vai na contramão dessa minha intenção é cada batida que o meu coração dá quando a gente se vê. É que a sua companhia me traz paz e o som da sua risada se tornou minha música preferida.
Outro dia fiquei pensando sobre o que acontece comigo quando estou com você. Lembrei que fazia tanto tempo que eu não gostava assim de ser gostado.
Tem vezes na vida que a gente sente saudade de que sintam saudade da gente.
Eu também não espero que entenda essas contradições sobre minhas intenções e as coisas que tenho feito por nós dois. Eu ainda estou machucado demais.
É difícil ter que passar sem ninguém na rua que a gente já passou com alguém.
Dói feito faca no peito ter que trocar o nome na agenda do celular. Quando a gente chora parece que a lágrima rasga o nosso rosto de tão pesada. Eu lembro bem como é viver tudo isso.
O lado bom é que todas as coisas ruins que já passei significam todas as coisas boas que eu também tenho chances de viver com você. Por isso eu me permiti te beijar naquela nossa primeira vez. Eu vi no seu jeito uma chance de acreditar que a minha vida não acabou no passado. Sem saber muito bem por quê, eu gostei de me sentir amparado quando você me disse que se eu precisasse de ajuda, você estaria lá.
Mas eu também não quero que me veja como vítima e como alguém que tem a maior parte da vida recheada de sofrimento. Te contar os detalhes dos meus medos é uma tentativa de me aproximar ainda mais de você. Não pense que é fácil.
Eu te escolhi pra contar sobre os meus sonhos interrompidos. Te escolhi pra ouvir o jeito que você vê a vida.
E à essa altura eu não consigo mais voltar atrás. Eu já não consigo desfazer o tempo e voltar para o último dia antes de você entrar na minha vida. E na verdade eu nem quero também. Eu já não consigo fingir muita coisa e a pose de uma pessoa fria tem caído por terra um pouco a cada dia. É novidade pra mim compartilhar das minhas opiniões e ouvir alguém dizer que concorda, e que quando não, mesmo assim consegue mostrar que eu posso sempre pensar diferente.
Estou longe de ser quem eu gostaria de ser,
mas vou gostar se você continuar me ajudando a ser alguém melhor pra mim e pra você.

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Sobre Novas Formas de Ver as Velhas Coisas

De quanto tempo o tempo precisa para mostrar que vale a pena esperar?
Se ao ver as fotos do que já vivi não me trazem sorrisos inéditos, porque eu tento voltar?
É que a gente sempre tenta encontrar uma resposta pra tudo. A gente não admite o fato e tentamos encontrar algo que o justifique. Em vão, mas tentamos.
Eu nunca menti nas vezes que retribuí “te amo também” ou quando fui quem falou primeiro. Nunca menti quando não aguentei e deixei o choro correr.
Mas parando pra pensar, consigo ver quantas vezes eu menti pra minha própria vida. Tipo naquelas em que fiquei com medo da carência e fiz convites irreais, ou aquelas outras que não aceitei não ter alguém pra dar risada comigo vendo seriado da TV.

Eu não passo de alguém tentando aprender a viver.
E dentro de cada erro eu espero um acerto para melhorar.

Sabe aquelas vezes que você deu a mensagem como lida? Pois é, quem estava por trás era eu e não uma máquina. Eu que faltei me matar de raiva pelo jeito que você me tratava e sequer me respondia. Sabe aquelas outras vezes em que eu te mandei mensagem perguntando “Vamos fazer alguma coisa hoje?”, pois é, era eu quem estava esperando você responder que sim ou que não, mas pelo menos que respondesse. E não uma máquina.
Não que eu faça as coisas esperando algo em troca, mas é natural que esperemos reciprocidade das coisas boas que fazemos, e mais que natural, é justo.

Quanto mais coisas boas alguém faz pela gente, mais ainda a gente deve retribuir e tornar isso sim um ciclo vicioso. A gente pode ser viciado em praticar o bem.
Quando eu posto uma música com uma frase bonita é porque eu sei que vai servir pra te dar uma mão se você se sentir caindo.

Eu só dou like na sua foto porque não posso te dar um abraço.

Eu nunca me forcei estar nos mesmos lugares que você. Eu apenas estive.
E de todas as coisas que passam pela minha cabeça quando a gente se vê, você não sabe da metade. E à essa altura, nem precisa saber.

Fico triste em ver que não existe mais o que prometemos ser indestrutível. Mas me conforta saber que a fonte não esgotou por falta de esforço, que a tempestade não acabou por falta de desejo ou que o perfume não durou por falta de amor, pois

Eu sempre tentei ser pra você quem eu gostaria que alguém fosse pra mim um dia.

A gente vive a vida de um jeito meio egoísta, eu sei.
Compramos roupas e coisas descoladas para desfilar pelas ruas.
Aí a gente vê pessoas saindo do shopping com sacolas recheadas de felicidade, mas elas não tem pra onde ir com aquelas roupas. A gente também vê casais saindo felizes de restaurantes e mal sabemos se existe uma família prejudicada nessa felicidade. Eu quero dizer que o prazer que nos alimenta e nos enche de orgulho está nas coisas que o dinheiro não compra.

As melhores coisas da vida não tem preço, tem valor.

Por isso eu pensei que ia gostar da carta que te escrevi.
Achei que ia achar gentil da minha parte tentar descrever detalhes de como a gente vivia e do jeito que você dá risada.

Todas as vezes que acerto em pensar por dois são as mesmas que eu também posso errar.

Mas eu não me machuco por ser tão dedicado a algo que eu não posso ver, gosto da magia que é se empenhar por um sentimento. Tipo, a gente gosta de algo que não vemos, né? Não dá pra gente tocar no amor da pessoa. A gente confia que a pessoa sinta algo que possa nos ajudar a ser melhor.

Eu sinto que sou alguém transbordando sentimento pra completar o que falta em outro alguém.

Assim como há alguém que consiga pegar pra si todo esse meu sentimento que transborda, me ajudando a respirar e a medir as coisas que acontecem comigo, por melhores que sejam.
Meu edredom é grande demais pra mim. Minhas risadas são muitas pra mim, minha vontade de ajudar vai além de ajudar a mim mesmo.

Todo mundo precisa de alguém par assoprar a fumaça da xícara.

Eu não consigo saber se estou sendo agradável o bastante.
Não consigo saber se o que eu falo é o que a pessoa quer ouvir, não consigo saber se o que ela espera são mais palavras ou só uma atitude mais acintosa, não consigo saber se as risadas que a pessoa dá são pra mim ou são de mim. Eu só consigo ser assim, exatamente do jeito que eu sou. E eu sei que isso é o que vale a pena, mas é o meu coração que esquece disso às vezes.

É difícil se manter real e sentimental em um mundo que parece valorizar apenas o que é funcional. Tipo, aparentemente, não é necessário escrever uma carta pra dizer o quanto gosta, uma SMS já funciona. Não é necessário criar uma música com melodias para trilhar a história, dedicar um verso já funciona.
Não é necessário abrir a porta do carro, ter um carro já funciona.

As pessoas estão terrivelmente acostumadas a serem acostumadas.
Em um mundo onde valor está no que funciona e não no que se tenta, faz sentido não esperar que a mensagem seja mesmo respondida ou que o convite seja mesmo aceito.

Isso começou a ser sobre você e acabou sendo sobre a minha vida.
Que claro, automaticamente tem a ver com sua, depois do que vivemos.
Mesmo falando um pouco mais sobre isso, ainda consigo me perguntar: quanto tempo o tempo precisa para mostrar que vale a pena esperar?

Já que eu não consigo responder e não há quem consiga, vou começar esperando o amanhã chegar com suas novas oportunidades e novas formas de ver as velhas coisas.

Gostou?
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Deixa Eu Te Contar Uma Coisa

A gente vai poder se ver.
Você tendo a vida que sempre quis ter.
E eu tendo a vida que fiz por merecer.
Qualquer dia a gente vai se ver.

Mas eu vou lembrar pra sempre das mensagens que você não respondeu, vou lembrar dos presentes que fingiu gostar, vou lembrar dos abraços que recusou, vou lembrar das vezes em que quis mais ter razão do que ser feliz, vou lembrar de você. Eu vou lembrar das coisas que a gente viveu pra eu ter certeza de todas aquelas que eu não quero viver de novo.

Você não é uma má pessoa, eu é que não consigo ser uma pessoa boa do jeito que você gostaria. Eu que não me encaixo nos padrões. Não tenho beleza para se orgulhar ao contar para os amigos e amigas, não sei falar outra língua pra te impressionar, não tenho dinheiro o bastante para pagar o melhor sorvete e o melhor cinema, nem pra ter o melhor perfume. Eu não me encaixo nos teus sonhos, não faço parte dos seus projetos de vida.
E olha que já me importei demais. Não quero pontuar os esforços que já fiz pra você, mas só quero lembrar que eu nunca me contive diante das minhas vontades de fazer você mais feliz.

Mas agora que as coisas já se resolveram talvez não valha tanta pena assim lembrar.
Talvez não me valha mais a pena te lembrar que eu sempre cedi por querer o nosso bem, talvez não valha mais a pena te lembrar que eu nunca me esforcei tanto por alguém e que até as coisas que não eu não gostava eu fiz pra te ver bem. Sem pensar na submissão, só pensando na gratidão e em como é bom ganhar um riso teu.

O que me traz tranquilidade é saber que eu não consigo pensar em nada que eu poderia ter feito, que eu não fiz. Eu não consigo ver alguma coisa que eu poderia ter te falado mas que não falei. Eu não consigo pensar em sequer uma atitude que eu poderia ter tomado mas que não tomei pra você.

Ter paz é saber que tentamos todas as alternativas que temos nessa vida.

Eu nunca dormi com o pensamento de “bem que eu poderia fazer isso”, e sim, com aquele tipo “agora eu posso tentar fazer isso”, pois eu tenho por mim como diretriz de vida a ideia de que a gente sempre pode fazer ainda melhor do que já achamos ter feito, ou seja, eu sempre pude fazer bem mais do que eu pensei já ter feito pra você, eu sempre pude te mostrar que você é mais especial do que fazia ideia ser.

Só que eu não preciso te convencer de mais nada.

Hoje sou eu quem não quer mais nada.
Hoje sou eu que me cansei e que não está bem para tentar mais nada, pois eu sei que se me desse na telha com certeza eu encontraria algo ainda mais legal pra tentar fazer pra você.

Deixei a felicidade chegar pra mim quando assumi que mora um coração aqui.

É uma felicidade solitária, porém sincera.
Eu tento todo dia ser melhor pelas coisas que eu penso, tendo todo dia mudar quem eu fui ontem, tento todo dia aprender um pouco mais dentro dos meus próprios erros. E isso eu não devo à ninguém, só à mim mesmo.
Não é ingratidão com você, mas acontece que de todas as suas lembranças infelizmente só consigo pensar nas tão boas assim. Ou você acha que é fácil ouvir que está tudo bem, que a história tá linda e depois se ver na sarjeta junto com o água da chuva? Não é.

Vou deixar pra você o peso de ter que pensar melhor antes de agir.
Te dou de presente o pensamento de que se a gente não quiser mudar, não adianta querer que as coisas mudem da noite pro dia.
Também quero deixar marcado pelo resto da sua vida que alguém um dia quis ser um só alguém e não só mais um alguém nos seus dias. Quero que lembre que o tempo não vai nunca mais voltar, que o meu choro vai secar e com ele vai ir embora a parte do que a gente viveu.

Vou deixar ir embora tudo de bom que a gente viveu só pra deixar que coisas ainda melhores cheguem com a sua saída da minha vida.

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Eu Só Não Sabia que Poderia Ficar Ainda Melhor

Tudo bem não querer que algumas coisas aconteçam,
até aí começar a pensar que o fato delas acontecerem ou não pode influenciar a nossa vida de forma negativa, é escolha de cada um.
Isso não é uma máxima que se aplica a tudo, mas é um ponto de vista a se considerar.

De todas as coisas que a gente ouve nessa vida, é melhor acreditar nas melhores.
É que os exemplos de coisas que não dão certo não comprovam que nunca dará certo um dia, portanto, é confortável lembrar das exceções e de que tudo de ruim que pode acontecer, pode simplesmente não acontecer. Mas é bom entender que não é pra ignorar essa possibilidade, mas sim pra trocar de prioridade.

O pensamento bom é o atalho para que as coisas boas aconteçam. A gente escolhe seguir ou não.

O fato é que a gente se fala há um tempo.
Sabe aquela conversa morna de internet e tal? Pois é, essa mesma, a gente conversava sobre amenidades, nada muito grande ou muito sério. Até que a coisa começou a mudar. Sem querer  – ah vá, ná? – deixei escapar uma cantada aqui e outra ali e sem querer – duvido! – ela deixou escapa que estava curtindo essa ideia.

Quando a gente se permite mais, a gente aprende mais.

Nunca fui daqueles de me bloquear diante das coisas ou de bradar: “Ah, isso eu jamais vou fazer”, porque vai saber né, amanhã estou eu lá fazendo exatamente as coisas que jurei de pés juntos nunca fazer.
Acontece que no começo eu não considerava nada entre a gente, até porque tínhamos amigo em comum, e sei lá, ia parecer meio estranho, enfim, nem passou pela minha cabeça nada.

Nem toda decepção é negativa.

Acabei me decepcionando comigo mesmo e comecei e vê-la de um jeito meio diferente. Não faço a menor ideia do que me deu na telha, talvez pelas nossas conversas, pelas fotos que ela postava, pelo jeito interessante que ela se demonstrava, ou por tudo isso junto, vai saber, só sei que começou a nascer em mim uma vontade de ver mais de perto.

O mais louco é que a gente nunca tinha se visto na vida, embora já podíamos falar que nos conhecíamos bastante, afinal, a gente conversava tipo MUITO. Ah, internet! <3
E foi meio que assim, pouco a pouco, fui deixando amadurecer a ideia de que poderia acontecer alguma coisa ali. Apesar de eu me assustar um pouco, gostei do frio na barriga que veio me visitar.

Vale ressaltar que em nenhum momento pensei: “pode ser a pessoa ideal pra minha vida”, o que é bem estranho vindo de mim. Eu só me permiti pensar diferente sobre a gente, a troco de nada mesmo. E quanto mais louco isso parecia, mais eu queria que acontecesse.

O que o tempo mais espera da gente é que a gente dê tempo à ele.

É bem isso, não adianta forçar nada, a gente pode sim facilitar, fazer a nossa parte, colaborar, acompanhar o relógio, mas querer viver sem regra não faz com que as coisas que desejamos aconteçam mais rápido.

Aí a gente marcou de se ver.
Naquela altura nossas conversas já eram um bocado abusadas. Já rolava aquelas indiretinhas de ciúmes, do tipo: “Ihh, quem é esse cara comentando na sua foto?” seguido por um “Hahaha, tô brincando!”. Brincando uma ova! Era só teste pra ver a reação.

No jogo que é a conquista, pontua mais quem consegue perceber mais reações.
Apesar de, claro, ter gente que acha que está dando mole mas na verdade está ou contrário; ou gente que acha que tem alguém dando mole quando na verdade é só amizade.

Amizade, esse é um ponto.

Não tem como mentir que a gente já era amigo.
Eu contava quase todas as minhas coisas pra ela e ela bem que contava algumas bem particulares, então, aos poucos, fomos criando aquele vínculo gostoso de confiança. Nunca me proíbi.

Voltando ao dia que a gente marcou de se ver, nos encontramos.
Ela estava bonita e eu estava, como eu posso dizer, eu estava “ok”.
Aí foi aquele negócio, conversa vai e vem, aquele sustinho de ver pessoalmente uma pessoa que me conhecia tão bem. Tocamos no assuntos dos amigos em comum que a gente tem e tudo ia muito bem.
E bota bem nisso.

Até que entre uma brincadeira ou outra de “err se liga, você tá ótima” tocando no corpo e ela exibindo charme do tipo “aff meu,  tô naaada” exercitando o mais profundo charme, a gente se beijou.
Foi louco! Bem louco! Tipo, não sabia até que ponto aquela conversa ia dar apesar das indiretas. Poxa, somos muito amigos e viver aquele momento foi bem estranho.
Lembro que depois do beijo a gente se olhou e deu risada, mas não interrompemos o carinho, pelo contrário, demos outro beijo, e outro, e outro.
A partir dali nossas conversas ficaram mais deliciosamente carinhosas e nem vimos a hora passar naquela cafeteria.

Vale lembrar que o tempo é implacável e isso é algo que a gente tem que lidar.

Estava ficando tarde e precisávamos ir embora.
Nos despedimos e partimos em direções contrárias.
Voltei pra casa com a cabeça maluca, sei lá o que tinha acontecido, eu não estava acreditando muito em tudo, mas estava contente e feliz por ter vivido aquela experiência.
Ela me avisou que chegou, eu também e o dia acabou.

Dia seguinte ela me chamou no chat normalmente, pra saber como eu estava. Respondi normalmente e perguntei normalmente como ela também estava.
Aí vem a parte louca da história: isso tudo só aproximou a gente ainda mais.
Sempre ouvi muita história que não rola “amigos ficarem” e coisas do tipo, e aliás, eu nunca parei pra pensar nessas coisas. Mas a gente serve pra provar que as exceções são valiosas e por isso tão raras. E que além disso, que se bloquear de viver coisas por causa de opiniões de outras pessoas ou de que “todo mundo diz” e etc, não leva a lugar nenhum.
Conversamos bastante sobre a gente e concordamos que foi uma experiência única pra ser vivida ali. Vez ou outra lembramos do dia e damos risadas sobre como foi e em como o mundo deu voltas, como a gente não esperava nada daquilo – até que esperava um pouquinho pelas indiretas, vai – mas esperar é uma coisa, acontecer é outra, né?

E a gente só não contava que o que era bom poderia ficar ainda melhor.
Que a nossa amizade evoluiu para algo ainda maior, onde a gente pode confiar cegamente um no outro pra falar sobre qualquer coisa, inclusive sobre outros alguéns.
Desde então, a gente ficou mais próximo e eu preciso da presença dela pra me frear ou pra me acelerar nessa vida.

Por uma vida com mais chances para as exceções.

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Foi Demais Te Conhecer Um Pouco Mais

Texto especial recomendado para maiores de 18 anos!

Recebi então o convite para uma festa de um amigo. Era sua comemoração de aniversário em um bar bem gostoso que eu já tinha ido umas poucas vezes. Em tempo: não gosto muito de bares e baladas, minha vida noturna se resume em realmente ser noturna: dormindo.
No dia da festa eu acordei meio desanimado. Fazia frio e eu tenho muita preguiça de fazer qualquer coisa no frio.

Mas as horas foram passando eu até que fui me animando.
Perto da hora de sair de casa, falei com uns amigos que iriam também pra gente combinar como ir e tal. Propus uma carona pra não precisarmos ir com muitos carros e também para racharmos o estacionamento. No fim, todo mundo ia de lugares diferentes e não ia rolar essa facilitação, então, tive que ir sozinho mesmo sabendo que ia pagar o estacionamento sozinho mesmo.

Dizem que há males que vem para o bem, né? É.

Entrei no bar e de longe vi alguns dos meus amigos. Foi uma festa só! A gente se cumprimentava e todos comemoravam minha presença, visto que, como eu disse, não sou muito de sair a noite. Me acomodei em uma poltrona, peguei uma bebida e puxei conversa com o pessoal. Foi bacana porque quando a gente se reúne é sempre igual: falamos de mil assuntos ao mesmo tempo! E é sempre muito legal saber detalhes da vida deles que a correria do dia a dia impede de detalhar.

Entre um gole e outro reparei uma presença que me surpreendeu.
Era uma garota que eu havia conhecido semanas atrás, em uma outra dessas ocasiões, aí em pouca conversa eu já fiquei meio interessado nela. Lembro que no dia seguinte daquela festa rolou aquele momento clássico: Sabe como é né, aquele negócio de adicionar no Facebook e falar ameninas bem rápidas.

Gostaria que ela tivesse dado mais abertura.
Tivesse dado mais abertura.

Bem, ao reparar a presença dela fiquei com uma vontade de começar uma conversa, mas a gente estava meio longe e além disso, eu não sou bom em falar com gente que mal conheço, ainda mais em um ambiente em que eu não estou 100% confortável. Pensei em agir diferente. Já que eu não conseguia me aproximar dela, pensei em fazer algo para que ela me notasse. Me levantei da poltrona e puxei ainda mais conversa com meus amigos, dessa vez gesticulando mais e rindo um pouco mais alto, aí entre uma risada e outra eu olhava pra ela e comecei e perceber que nossos olhares se cruzavam. Ela parecia me estudar de longe, colocando parte do cabelo atrás das orelhas esbanjando charme. Como ela é charmosa!

Como ela,
é charmosa.

Conversa aqui e ali, as horas foram passando, o lugar foi ficando um pouco mais cheio e ficou mais difícil de olhá-la de longe. Isso me incomodou bastante, pois era importante tentar perceber se ela realmente estava interessada. Até que do nada algumas das meninas amigas do meu amigo aparecem em nossa “rodinha” falando: “Gente, tudo bem a gente ficar com vocês aqui? Tá ficando cheio e tem uns caras ali torrando nossa paciência!” Claro que a gente aceitou e só depois eu percebi ali entre elas, meio afastada, a tal garota charmosa. O problema é que eu fico nervoso quando tenho que ter atitude, sabe? É que eu não quero parecer cafajeste e não quero puxar assunto de um jeito besta e infantil, sei lá. Eu não sei bem como xavecar, o que dizer para impressionar, essas coisas.

Mas eu tinha que fazer alguma coisa.

Resolvi aos poucos ir mudando de lugar na rodinha até ficar mais perto dela. E deu certo!
Com uma aproximação suave consegui ficar exatamente ao lado dela! Vitória! A parti dali eu precisaria demonstrar alguma atitude, pois ela poderia simplesmente se virar e me ignorar.

“Nossa, se deixar, o pessoal fala a noite inteira sem parar, né?” Foi o que eu disse me mutilando por dentro por tamanha bobagem. Ué, a gente estava em um bar, uma comemoração, amigos reunidos e etc, é claro que eles vão conversar sem parar, que pergunta mais idiota!

“Meu, estava pensando a mesma coisa, sei lá, eu não tenho tanto pique, por isso fico mais quieta. É que na verdade eu nem sou tão de balada assim e tal.”

“Eu nem sou tão de balada assim e tal”
“Eu nem sou tão de balada assim e tal”
“Eu nem sou tão de balada assim e tal”

Era parte do que eu precisava ouvir. Apesar de eu não saber xavecar – e está claro isso – eu gosto da minha parte que sabe aproveitar as deixas.

“Nossa, nem eu, hahaha, me sinto meio perdido aqui, mas é legal saber que não sou o único”. Falei comemorando.
“É, não que eu me sinta perdida, mas eu só não curto muito”. E ela fez questão de completar me dando um tapa na cara. Ora, como eu vou falar que a garota é perdida na cara dura? Sei lá, poxa, nem sabia o que falar.

“Vou ali na parte externa tomar um ar, quer vir comigo?” Este é um momento importante! Quando a gente faz um convite, quando a gente demonstra interesse em falar mais, quando a gente deixa claro que em outro ambiente é melhor para conversar coisas que poderiam ser conversadas em qualquer lugar! Ainda bem que lembrei disso.

“Ah, pode ser, está muito barulho aqui mesmo!” Ela aceitou e eu vibrei.

Lá fora a gente conseguiu sentar. Já era meio de madrugada e o frio aumentava. Ela estava de vestido. Começamos a falar sobre como é engraçada essa galera de balada, com as pessoas se comportam. E o que eu achei mais legal é que ela estava sendo recíproca pelo que eu falava, ela estava realmente curtindo a conversa.

“Meu, cê tá meio que tremendo, pega minha blusa e nem vem falar que não quer!” Ofereci meu casaco xadrez já colocando nos ombros dela.
“Aiii besta, não precisava, mas obrigada! Está quentinho!” agradeceu.

Tínhamos esquecidos dos nossos amigos lá dentro. A conversa estava tão boa e eu não queria sair dali.
“Sério, hahaha, não ri, teve um dia que eu estava segurando no metrô e do na…” bati na mão dela explicando a história e derrubei bebida no vestido. Na hora eu me desesperei!
“Por favor, me desculpa, aí meu deus, que burro, foi sem querer, mesmo!” tentava me justificar.
“Não tudo bem, só era um vestido novo mas ok, acho que sai quando lavar!” ela gentil, me dando um tapinha de leve.
“Deixa eu ver se já secou…” No momento em que me abaixei perto do pescoço dela pra ver o vestido senti uma mão no meu pescoço.

Era a mão dela.
Então fechei os olhos por um segundo e fui levantando devagar, vindo do pescoço, passando pelo rosto, até chegar de frente pra ela.

O beijo aconteceu ali.

Nos beijamos e não queríamos parar! Apoiava minha mão no rosto dela enquanto ela entrelaçava os dedos no meu cabelo vindo pela nunca! Que momento, que beijo!
Estávamos sentados um ao lado do outro, então com uma das mãos coloquei as pernas dela em cima da minha para poder chegar mais perto e para ficar mais confortável. Ela deixou.

Quando finalmente paramos de nos beijar, voltamos a outro beijo. Foi um negócio meio estranho porque a gente não queria parar! E começou a fazer mais frio, nem sei que horas era àquela altura.

“Vamos pra dentro? Vi um lugar ali!” Sugeri sem nem saber que lugar era esse, só apostando que ela confiaria em mim.
“Tá, vamos!” Confiou.
Discretamente entramos de mãos dadas e fomos para um espaço perto do palco, onde havia uns sofás meio escondidos e aquela hora vazios, pois o pessoal todo estava na pista dançando. Estava tão escuro só com aquela luz piscante que acabei tropeçando e bati meu dedo numa mesa. Mas até aí nada sério.
“Eita, se machucou?” Ela perguntou.
“Não, não, está tudo bem” E naquela altura, mesmo que eu tivesse perdido um braço eu ia fingir que estava tudo bem.

Sentamos no sofá e em questão de segundos ela sentou em meu colo. Eu estava sentado com ela em cima de mim, envolvendo minhas costas com as pernas. Como lá dentro já estava calor, só me preocupei em tampar parte do vestido dela com a minha camisa que ela havia tirado.
Voltamos a nos beijar como se nunca tivesse acontecido antes! A música era alta, as pessoas falavam mais alto ainda. O engraçado é que chegou um momento que parecia que não tinha nada nem ninguém ao redor da gente, eu não conseguia ouvir mais nada.
Comecei a intercalar beijos e mordidas, passando pelo rosto, descendo pelo pescoço até chegar nos seios. Que chegada, que momento.
O vestido era ousado, embora não vulgar, aquele tal de “frente única”. E isso facilitou a entrada da minha mão pelas costas chegando aos seios. Com uma das mãos comecei a apertá-los com certa delicadeza, variando a intensidade, até que ela falou:
“Calma, aqui não, melhor a gente ir pra outro lugar!”
E pra eu pensar em um lugar melhor aquela hora com aquela circunstância?
Só veio o meu carro na cabeça!
“Vamos para o meu carro, está no estacionamento!” sugeri.
“Melhor, vamos!”.

Saímos do bar ainda mais discretamente e entramos no estacionamento que era ao lado.
Ela envolta com a minha camisa novamente e eu conversando com o manobrista. Expliquei que a gente ia ficar um pouco no carro porque ela não estava bem. Prontamente ele concordou e me deu a chave.

Liberei o alarme e já entramos pela porta de trás.

Pela porta de trás.

Sentei no meio do banco e enquanto ela me beijava eu tentava abaixar os bancos da frente para aumentar o espaço, não consegui. Resolvi ficar do jeito que estava sem saber no que ia dar.
Acabei descendo todo o vestido dela até a cintura e me vi com aqueles seios nu na minha frente. Abruptamente ela tirou minha camisa.
Comecei a lamber seus mamilos, mordendo devagar, arranhando suas costas e apertando sua cintura. Ela fazia a mesma coisa com as minhas costas, com a diferença do nosso tamanho de unhas.
Então ela se virou e indicou que queria sentar no banco e que era pra eu ficar por cima.
Naquela dificuldade que é o carro me levantei e deixei claro que entendi.

Atitude. É preciso ter atitude.

Ao vê-la naquela posição não pensei duas vezes em tirar todo o seu vestido. E ela riu comprovando que era isso que esperava de mim enquanto tirava a minha calça. Disfarçadamente, aproveitei e peguei embaixo do banco de motorista um pacote de camisinhas que lembrei ter escondido ali – escondo assim para não ficar muito a mostra e todo mundo ver, afinal, nunca se sabe, né? – e joguei num canto  em cima do banco.
Me joguei em cima dela e voltamos e nos beijar. Levantei suas pernas jogando atrás do meu corpo e comecei a pressionar a sua região mais delicada. De repente, os dois tiveram uma atitude e tanto: Quando pensei em tirar a calcinha dela, ela já estava com a mão na minha cueca. E fomos certeiros! Ficamos os dois ali nus. O calor começou a aumentar, reparei rapidinho que os vidros já estavam embaçados e que somados com o insufilm seria impossível ser percebido ali. Entramos nesse momento preliminar de enrosco.

Preliminar.

Ela me jogou de volta no banco sentado e se abaixou na minha frente. Com uma das mãos pegou meu pênis e começou a me fazer perder o ar.
Lambia, molhava, mordia, deslizava, babava, apertava, esfregava. Eu nem conseguia olhar essa delícia toda. Me revirava com a cabeça e só sentia meu corpo tremer! Ela sabia exatamente o que estava fazendo, não era uma iniciante muito menos tímida nesse sentido.

Todo mundo pode ser tímido, mas tem momentos que é proibido.

Eu ouvia o barulho da saliva junto aos movimentos de cima-baixo e vi como ela parecia sentir um grande prazer em me deixar maluco! Interrompia o momento me inclinando pra frente, puxando seu cabelo pra trás e dando alguns dos mais intensos beijos. Era meu sinal para mostrar gratidão ao esforço dela e em como ali estávamos sendo um só. Quando eu não estava mais aguentando, novamente a fiz sentar no banco enquanto a beijava e com uma das mãos pegava uma camisinha.

Há habilidades que a gente só desenvolve com o tempo.

Sem enxergar, só sentindo a parte certa que eu deveria puxar, cortei o pacote e tirei.
Interrompi um beijo para nos proteger e me voltei à ela. Segurei meu pênis para encontrar o lugar certo, respeitando a sensibilidade daquela região pra ela – e pra mim também – até que encontrei. Tranquilamente fui entrando devagar.

Fui entrando devagar.

Na companhia do momento o som molhado do prazer que lubrificava nossos corpos.

Não percebi qual dos celulares, mas batemos em algum que começou a tocar uma música intensamente bonita. E agitada. Era a deixa.

Me movimentei de acordo com o compasso da música e fazia meus movimentos de frente e trás. Ela começou a gemer, a gemer lentamente e depois mais de pressa, mais rápido, mais e mais, e começou a ser mais alto.
Me arranhava sem parar! Mordia meu pescoço, não queria parar!

“Isso, isso, mais, mais, mais!” me pedia.

E eu fazia meu papel.
“É isso que você quer? Quer mais então?” provocava usando a voz ao meu favor.
Aumentei a velocidade e indiquei que ia mudar de posição. Coloquei minhas mãos uma em cada banco da frente e apoiei as pernas dela em meus braços para facilitar a abertura.

Ela deu mais abertura. (E o quanto eu queria, lembra?)

Naquele momento já éramos um só, já éramos o máximo do prazer e ninguém queria parar!
Então ela mostrou que gostaria de outra posição. Voltei a sentar no banco e ela em mim.
E ela em mim.
Encontrou o encaixe perfeito e foi descendo devagar. Conseguia ver sua expressão de prazer e o jeito que mordia os lábios, ali, totalmente entregue pra mim!
Nos encaixamos e ela começou a pular! Com o cuidado para não bater a cabeça no teto do carro, ela pulava, mais e mais, mais rápido, mais forte, mais precisa. Apoiei minhas mãos em sua cintura e conduzi a dinâmica. Ela pulava e também revezava em movimento de frente e trás, como se fizesse um “S” com o corpo, rebolava em cima de mim. Levei minha boca aos seus seios e mordia sem parar. Tocava, mordia, lambia.
Suávamos incansavelmente. Que momento! Ela gemia, gritava, sussurrava. Apoiava a cabeça em meu ombro para inovar o movimento e eu conseguia sentir sua respiração quente em minhas costas, que aliás, molhava o banco de tão suadas. Seu cabelo caía no meu peito e se mistura ao suór do momento. Mas ali nada mais importava, eu só queria mais, ela só queria mais.
Uma nova posição.
Saiu de cima de mim, apoiou a barriga no banco e levou as mãos até a janela dos fundos.

Delicadamente de quatro.
Me aproximei e novamente penetrei. Confesso que havia a preocupação dos manobristas aparecerem, mas eu tinha reparado que eles guardaram o carro bem longe da entrada como se previssem que ele seria muito utilizado ali, mesmo parado.
Enrolei parte do seu cabelo na minha mão e com a outra a pressionava no banco e então eu acelerava.

“Isso, entra forte! Mais, mais, mais mais! Assim, gostoso, que delícia!” ela sussurrava.
O efeito visual de vê-la naquela posição mais os comandos de voz que ela dava faziam com que eu me tremesse por inteiro. Não evito de demonstrar minha sensibilidade, não sou melhor que ela, estava ali para fazer a minha parte ao mesmo tempo que ela fazia a dela. Havia uma troca de prazeres, como deve ser.

A impressão que eu tinha era a de que o som dos nossos corpos colidindo poderia ser ouvida de bem longe dali, tamanho o volume.

“Vem, vai, quero ver você gozar, vai, me mostra, quero só ver, vai, vai, vai!” ela me provocava. E como é difícil aguentar a uma provocação. É o tipo de coisa que ativa o instinto mais animal que existe. Me nasceu um ódio ali que eu tinha que mostrar que conseguiria resolver o desafio que ela lançava. Que malícia, que jeito de lidar!
Fui mais forte, segurando e quase arrancando os cabelos dela! Comecei a dar tapas na bunda, tapas que mais pareciam socos e ela parecia não se incomodar.
“Ahh, agora quer bater? Então bate mais forte, que só ver!” Que momento, que momento…
Ali então estavam somadas a nossa penetração, meu corpo todo arranhado por ela, seu cabelo enroscado na minha mão e um tapa aqui e outro ali.

“AHHH, AH AH AH ah ah h h…” Foi meu grito de misericórdia.
Os corpos desacelerando devagar, respiração ofegante, completamente suados e devidamente dentro um do outro, sendo um profundamente um só. Me joguei para o banco e procurava ar pra respirar. Senti que ela tremia o corpo inteiro e também tentava respirar, então me aproximei e indiquei que ela poderia descansar em meu peito. Estávamos ali, entregues.
A camisinha caiu no tapete embaixo do banco, exatamente de onde ela veio.
Momentos depois e alguns beijos para selar o acontecido, balbuciamos algumas poucas palavras e ela perguntou como faríamos para sair dali.
Sugeri que saíssemos com o carro mesmo, já pagando o estacionamento e tudo. Ela concordou. Nos vestimos e pulamos por dentro do carro para o banco da frente. Dei partida e fomos até o portão.

“Tó, metade, vi quanto era na porta!”
Ela rachou o estacionamento comigo.

Ah, sobre o aniversário do meu amigo?
“Cara, desculpa, tive que sair correndo, uma das garotas amiga da sua amiga passou meio mal e a gente veio procurar uma farmácia, beleza? Te ligo amanhã. Feliz aniversário!” e cliquei em enviar.

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Uma Vida Empurrada Com a Barriga

O que a gente precisa a gente não sabe direito.
Mas o que a gente quer, ah isso pode ter certeza que a gente sabe.
Grande parte das coisas que a gente quer são as mais difíceis de se ter.
É importante se manter excitado pelo novo para ter vontade de conquistar coisas grandes. Só não pode confundir essa vontade com uma ambição viciada e maldosa.
Não que seja difícil ter uma conchinha preguiçosa em um fim de semana de frio, difícil é ter a conchinha que a gente quer. Não que seja difícil beijar uma boca no próximo sábado, difícil é beijar a boca que a gente quer.

A gente muda de ideia todo dia e ao mesmo tempo que assusta nos anima.
É legal se manter flexível, aberto às possibilidades. Gente que vive de extremos nem sempre aprende lições, só as devora. Mas também não é para levantar a bandeira da turma de cima do muro, personalidade é poder. Só vala pensar que quanto mais achamos estar certos, mais chances temos de estar errados.

Ter alguém pra apelidar de amor faz bem.
Mas ter esse amor pra chamar de si próprio faz mais ainda.
Não que exista alguma receita de como fazer pra lidar com a nossa vontade de querer alguém para nos tirar o ar – pois não dá – mas há como a gente mudar o foco.

A gente não precisa lembrar que é importante gostarmos de nós mesmos simplesmente porque isso é algo que nunca deve ser esquecido.

E quando a gente acorda com o saco cheio dessa vida, da rotina de trabalho e muitas vezes com estudo, com o saco cheio do transporte público, de pagar contas, do trânsito, do sono, da preguiça, do mundo? Quem nunca? Não há problema nenhum em sentir essas coisas, sem demagogia agora sobre “valorizar as pequenas coisas”, pois ninguém vive sorrindo todos os dias, e se vive, não gosta de mostrar que as coisas não andam bem.

Felicidade requer legitimidade.

A gente tem que buscar essa danada da felicidade real e não só aparentar ter uma vida feliz.
Não dá viver na média, sendo uma pessoa mediana, tendo uma vida mais ou menos e diminutiva. Sabe gente que fala “Ah, tá tudo bem, vamos empurrando com a barriga”? Ou gente que fala: “Comprei um carrinho, é humilde e tal, mas é meu!”. Essas pessoas vivem a tal vida mediana. E aqui não estamos falando de dinheiro, de fama ou status, estamos falando de valorização.

Dá pra entender que sonhar cansa demais.
Mas se não fosse assim, não seria sonho, seria uma espera.
E sonhos não possuem data pra acontecer, sonhos se realizam no momento que querem. O que dá pra fazer é buscar atalhos para não deixar o tempo crucificar nessa ansiedade para as coisas acontecerem.

Se a vontade é subir no altar de véu e grinalda, aceite mais convites para sair.
Se a vontade é ter alguém especial pra conversar e dar um beijo no semáforo vermelho, faça mais convites para sair.

É confortável esperar, por isso a gente espera. Mas é desinteligente, por sua vez, exigir.

“Tenho medo de terminar porque não quero uma clima ruim!”
Quanto mais tempo se passa vivendo com medo, menos se aproveita vivendo com amor.

“Tenho medo de falar que gosto e não ser recíproco”.
A gente tem medo de que chova e mesmo assim estendemos a roupa no varal. Se chover, estende de novo depois. Se não for recíproco, será depois.

“Fala desse jeito e tal, acha que é fácil esquecer?”
Primeiro que ninguém acha nada, e os que acham, apenas acham, não sabem. Segundo que se for pra viver indo atrás das coisas fáceis de se fazer, é melhor nem viver. O brilho no olho mora na realização do sonho.

Tem uma boca lá fora esperando pela nossa.
Tem presentes nas lojas esperando pelos nossos sorrisos de alegria.
Tem filmes para estrearem esperando a nossa companhia.
Tem dias para se tornarem datas.
Tem noites para se tornarem crianças.
Tem beijos para se tornarem preliminares.
Tem abraços para se tornarem morada.
Tem palavras para se tornarem apelidos.

O que a gente precisa a gente não sabe direito.
Mas o que a gente quer, ah isso pode ter certeza que a gente sabe.
Mas a gente precisa ter consciência pra saber se o que a gente quer é o que a gente merece.

Mas uma conchinha nunca vai fazer mal pra ninguém.

Sobre os Motivos Para Reclamar

Você foi mesmo.
Quando eu menos esperava, tive que me conformar com o fato de te ver indo embora.
Nessa vida tem as coisas que a gente quer viver e as que a gente precisa. Só me coube aceitar.
É ruim de te ver de longe e não poder mais sentir o seu cheiro.
Também é muito complicado pra mim fazer algumas coisas que a gente fazia juntos. Ainda não superei e não adianta fingir o contrário. Pelo menos comecei a entender que eu só ia começar a viver melhor com a sua ausência, no momento que eu me permitisse ser alguém melhor, no momento que eu lembrasse que eu dei melhor, no momento que eu aceitasse que durante o nosso tempo você foi o melhor pra mim.

A gente não pode fugir de nós mesmos.

Ainda bem que eu nunca tentei isso.
Mas ouvi muita coisa de algumas pessoas. Ouvi receitas de como passar por essa sem sofrer demais, dicas de como esquecer algo rapidamente, e etc. Não fiz nada do que me indicaram, porque percebi que em todas essas coisas eu não seria eu mesmo, em todas essas coisas que eu seria o que gostariam que eu fosse. E isso não ia me trazer os sorrisos que me fazem melhor.

É difícil lidar com a saudade quando chove nessa cidade.
Não é tarefa fácil manter o equilíbrio quando o que a gente vê ao redor são centenas de casais felizes com motivos para celebrar os dias de chuva. E aí a gente tem que voltar para casa lidando com o metrô de sempre, com os fones e os refrões de sempre e com a nossa imagem de sempre refletida na janela. Sem ninguém pra conversar.

Só sabe o valor da dor aquele que se permitem senti-la.
Pois fugir dos maus momentos não vai fazer com que os bons cheguem mais rápido.

Eu sei de tudo isso, só estou dizendo que não é fácil.
A gente começa a se perguntar um monte de coisa, né?
É normal a gente começar a falar que ninguém presta, que a vida não é justa e que não nascemos para a felicidade mesmo. Isso são só tentativas de defesa; tentativas de amenizar os efeitos da dor procurando em outro motivo a resposta pelos nossos dias “mais ou menos”.
Só que o problema vai além de uma fase ruim.

Pior do que não ter alguém para fazer feliz é não sermos felizes com nós mesmos.

Eu sei disso também.
Só que é complicado ver o sol quando a gente está no fundo do poço. E cada um tem o seu próprio poço, com a sua própria profundidade. Não cabe espaço para julgamentos.
A luta é contra a saudade.
A saudade é uma lombada que existe na estrada da vida. Não adianta querer passar de pressa, acelerando ainda mais. O negócio é aceitar que é preciso reduzir a velocidade e passar devagar, pois do contrário, os danos serão ainda maiores.
Parece que tem horas que essa merda de saudade não vai me deixar viver nunca mais.

Se eu te visse de novo talvez eu nem ia conseguir falar nada, porque ultimamente tenho me afogado em tudo que eu teria pra te contar; dentro de mim transborda sentimentos demais.

É fácil dizer que as coisas não andam bem, difícil mesmo é reconhecer que já foram piores.

Já tive dias que pensei que não resistiria até a noite.
E isso, por si só, já é um motivo para comemorar, visto que hoje eu já consigo tomar café sem a companhia da sua voz no meu ouvido. E tenho conseguido mais coisas. Já me afeta menos ouvir o nome das bandas que você gostava.

Tenho lido coisas sobre pessoas que se encontram de novo.
São valiosos pontos de vista que não me influenciam, mas me lembram que eu nunca estou com 100% de razão e que sempre existe tempo para aprender um pouco mais.
Acho que eu gostaria de te ver de novo só pra saber se continua a mesma pessoa.
Queria saber se ainda tem as mesmas manias; se ainda dorme com a TV ligada e se ainda deixa a toalha molhada jogada no sofá.

Só que hoje eu não posso fazer nada.
Não fui eu que quis assim.

Lembro da gente conversando sobre o futuro.
A gente falava de como seria legal ter uma casa pra morar, mas que se isso fosse difícil demais de conquistar, já ia nos bastar ter uma nuvem lá no céu.
Pena que não mais nesse mundo, só que mais pessoas ainda precisam conhecer o jeito que você dá risada, agora, aí em cima na nossa futura casinha.
Eu fiquei por aqui com os nossos sonhos e a nossa vontade de fazer alguma coisa pra esse mundo ser melhor, já você, você foi mesmo.

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Imagina Como Seria a Gente Mudando o Status?

Não quero chamar sua atenção.
Tenho medo e começa por aí.
Tenho sim aquele medo infantil de você me perceber, mas isso tem uma explicação: prefiro que não me perceba ao invés de me perceber como amizade.
Eu não quero sua amizade.
Eu quero os teus beijos.
Mas por enquanto eu vou querendo aqui te vendo viver.

É ruim gostar de longe.
É pior ainda ter que conviver com a saudade do que eu nunca tive.
Mas é importante, e isso eu sei bem.
Primeiro porque ao me relacionar com esses sentimentos malucos, eu acabo desenvolvendo um jeito mais confortável de viver. Embora isso não signifique viver feliz.

Nem sempre eu te chamo no chat pra saber se você está bem,
muitas vezes eu te chamo pra ver se você vai me perguntar se eu estou bem.
É uma merda porque acabo entrando naquele jogo de ver se você vai reagir da forma que eu reagiria. E isso é realmente uma merda. Acabo me condicionando a esperar sua atitude, se é que ela vai vir.

Quando eu curto suas fotos é pra você perceber que eu estou te acompanhando e estou gostando do que tem feito. Não se trata de indireta, se trata de pista. Eu saio deixando pistas pra você me perceber e talvez ver que eu não sou qualquer pessoa, apesar de eu ser uma pessoa qualquer.

Nem melhor nem pior que ninguém, eu sou tudo que você está perdendo pra conhecer.
Também não se trata de prepotência, acontece que, como eu disse, acompanho as coisas que você posta e já sei identificar quando está feliz ou não. E por isso, tenho certeza que sou quem você ia gostar de sentar pra conversar por horas; tenho certeza que sou quem poderia te ajudar sem dizer uma palavra, sem te julgar.

Eu poderia ser convencional e me amostrar pra você.
Sei lá, poderia te provocar e fazer chover frases de efeito pra te impressionar.
Poderia também postar alguma foto mais ousada na tentativa da gente interagir.
Mas aí não seria qualquer outra coisa, menos eu.

Poxa, eu penso tanto na gente, sabe?
Sem brincadeira, penso mesmo.
Fico pensando como a gente se daria bem e como a gente conseguiria viver uma coisa bacana juntos. Estou gostando por nós dois e por enquanto isso não é problema pra mim.

Pode parecer triste demais, mas me faz bem cultivar aqui dentro um sentimento bom pra você. E ainda não sei se você precisa saber disso. É que eu não quero manchar a imagem que você tem pra mim, não quero que mude o seu jeito, não quero outra pessoa. Por isso eu tenho medo de me aproximar.
Tenho medo de lá no fundo você não ser nada do que eu imaginei.
E é claro que isso parece uma loucura desenfreada. E é mesmo.

É bobagem querer explicar a loucura que é viver.
Os que tem resposta para as atitudes do coração, são aqueles que vivem como se tivesse um manual de instrução. Quanto mais a gente tenta entender o que sentimos, menos esse sentimento é real. Tem coisas que a gente precisa simplesmente “não entender”.

É tipo a gente.
Não faço ideia do por quê que comecei a gostar de você.
E depois de em vão tentar entender, resolvi aceitar que esse negócio de coração é mais delicado do que eu penso e com isso tenho conseguido ser menos infeliz, o que não significa ser mais feliz.

Não que eu tenha motivos pra reclamar, mas nunca as coisas estão boas o bastante pra gente, né?
E poxa, sei lá, eu ia gostar se você me reparasse.
Eu ia gostar se você valorizasse a forma que eu te vejo, não como alguém que só quer te ver bem, mas como alguém que quer te fazer feliz.
Eu até acho que estou longe de ser quem você sempre sonhou,
mas eu ia gostar de tentar ser alguém que te ajudasse a sonhar mais vezes.
Eu ia gostar de te imitar dando risada, ia gostar até de te ver com uma meia rasgada. (Tá, isso eu não tenho certeza).

Mas ia gostar se você gostasse da ideia de que eu gosto de você.
Eu ia gostar ainda mais.
Mas eu não quero chamar a sua atenção.

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Antes Nós, do Que Mal Acompanhados

Teve uma vez que eu me entreguei de verdade, sabe?
É, não medi esforço e ignorei qualquer blá blá blá tipo “cuidado pra não gostar rápido demais”. Vivi uma fase que vou levar pra sempre comigo e conheci uma felicidade especial enquanto existiu.
Aí o tempo mostrou que eu deveria viver coisas novas.
E eu bem que tentei.

É difícil gostar de outra pessoa quando a gente nem gosta tanto da gente.

Não é papo de confete, é um negócio de auto-estima mesmo, sabe?
Levei muito tempo até que eu me aceitasse exatamente do jeito que eu sou. E mesmo assim, vez ou outra tenho algumas recaídas.

É difícil quando a gente tem mais vontade que oportunidades.

Também é bem complicado quando as oportunidades aparecem, desenhando um mundo novo e diferente pra nossa vida, e a gente se decepciona.
As pessoas cansam rápido demais, desistem rápido demais e mesmo assim querem tudo rápido demais. Aí fica fácil, né?

Vou falar que até que eu me dei algumas oportunidades.
Facilitei para que algumas coisas acontecessem de modo que me fizesse entender o que eu quero e quem eu sou. Em outras palavras: bem que eu tentei encontrar o carinho que eu gosto em bocas que eu nem me lembro o nome; bem que eu tentei sentir aquele frio na barriga fazendo coisas que eu jamais faria novamente. E que coisas.

Todas as tentativas de ser feliz nessa vida me renderam – e ainda rendem – lições.

Vendo que as coisas não andavam como eu gostaria, pensei em dar uma revitalizada e a mudança começo por dentro de mim.
Mudei o foco e me tornei a maior das prioridades.
Ainda com aquele meu jeito meio que não me importando com coisas que todo mundo se importa, tipo um guarda-roupa recheado de roupas da moda, mas mesmo assim finalmente consegui me colocar à frente dos meus dias e coloquei na cabeça que eu sou a minha melhor companhia.

Não há solidão que resista ao amor próprio.

E quando eu levava uma vida tranquila tudo virou de ponta cabeça de novo. Ainda bem.
Até hoje eu agradeço por existir uma coisa para unir pessoas nessa vida: a internet.
Foi através dali que a gente começou a se falar preguiçosamente.
Eu claro, com aquele meu jeito não com um, mas com os dois pés atrás. E você na ofensiva mas até que me respeitando bastante. Começou bem.

Tem fases na vida que estamos tão sensíveis que até uma mensagem com demora pra ser respondida se torna um motivo pra chorar. Acontece.
Nossa cabeça entra em parafuso e a luta é sempre contra nós mesmos.

O atalho para a felicidade que queremos é a paz que vivemos com nós mesmos.

Resolvi te dar corda e ver até onde ia dar.
O problema é que a corda acabou e ainda não sei como tudo vai acabar.
Se é que vai acabar.

Eu ainda não sei muito sobre a sua vida, todos os detalhes que só o tempo pode me falar. Mas só de saber que apesar de tão pouco tempo a gente já está se dando tão bem assim, eu já fico feliz e você nem sabe quanto.
Meus amigos já me ridicularizam por eu suspirar pelos cantos. Mas também pudera, só eu sei como doeu me reconstruir, só eu sei o quanto eu demorei pra voltar a ter confiança na minha própria vida, o quanto demorei pra mudar meu jeito de pensar e finalmente perceber que os elogios podem ser reais.

Além de galanteios, os elogios podem ser reais.

E eu gosto do que está acontecendo.
Essa rotina de conversa no WhatssApp não é o que eu chamo de preferida, mas é melhor te ter dessa maneira do que não te ter na minha vida.
Eu gosto de saber como você tem vivido seus dias tão agitados, e bota agitado nisso, né?
Não quero fiscalizar seus passos, não quero te prender a nada, você sempre vai ter a sua liberdade para fazer o que me bem entender, o negócio é que se você quiser alguém pra compartilhar dos seus prazeres, eu quero ser esse alguém pra você.
Também não te peço muito coisa, está tudo indo muito bem, as coisas estão acontecendo no tempo delas e você tem conseguido o que eu não imaginei que alguém conseguiria: você tem me feito sentir especial. Você tem me deixado ocupar um lugar pra chamar de meu dentro do teu peito. E isso é tão bom.

Ainda sobre te pedir alguma coisa, gostaria só que a gente fizesse um acordo.
Gostaria muito que fizéssemos o exercício da sinceridade e da verdade mais clara e absoluta pra nós dois. Todas as outras coisas que restam pra nós, eu vou gostar de conhecer em você sem você me explicar.
Pode deixar que eu vou gostar de decifrar seu jeito, vou gostar de saber suas manias e de decorar o som da sua risada. E se me cabe alguma coisa, posso te avisar pra não se importar muito com o meu jeito instável e sentimentalmente incontrolável.

A gente pode combinar assim: vamos dando nosso melhor um pro outro sem pensar no fim.

Inspirado em uma história real.

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Sou Eu, Não Repare a Bagunça

Eu já quis as coisas rápido demais.
Já quis ser indubitável, já quis os fins de semana sem aproveitar a minha semana.
Hoje eu só quero a paz de poder dormir sem dor.
Se a gente parar pra pensar, embora não tenhamos ainda todas as coisas que sonhamos, já é vantagem não termos motivos pra reclamar, e mais, já é muita vantagem não aumentarmos os motivos se caso tenhamos.

Não dá pra gente ignorar fatos, mas dá pra gente viver tudo de um jeito diferente, afinal a mudança começa por dentro da gente.

Toda a pressa que eu já tive de viver um monte de coisa nunca me fez viver mais rápido.
Tudo que a nossa vontade menos precisa é de ansiedade.
Pode acreditar quando te dizerem que você é o seu pior inimigo.
De todas as coisas que a gente tem pra acreditar nessa vida, a melhor escolha é sempre nas coisas boas.

Hoje eu quero deixar a saudade no lugar dela: no passado.
Mas assumo ter a fraqueza em não resistir a um sorriso gratuito ou uma palavra inteligente soando como música ao meu ouvido.
Não que eu não tento ser forte, mas a vontade de ter um motivo pra me render é maior que a vontade de policiar.
A gente dificulta e facilita sem saber. O que a gente fez ontem pra facilitar pode ser hoje um motivo pra dificultar, e vice-versa. Isso justifica o que dizem sobre não existir regras pra viver.

É claro que eu queria uma mensagem gentil antes de dormir, mas já está de bom tamanho ter a certeza de que vou conseguir dormir.
Os olhos veem o que o nosso coração deixa ser visto.
Eu voltaria atrás e pediria uma porção de desculpas a mais; também voltaria pra dizer mais vezes o quanto eu gosto; voltaria pra ter mais atitude em situações em que não tive nenhuma. Mas nada voltaria como eu gostaria.

É bom deixar o calendário correr sem querer rasgar as folhas.

Eu também já fui devagar demais.
Eu nunca fui bom em entender sinais e talvez por isso eu acho que perdi algumas oportunidades nessa vida. Quando não foi pior: quando pensei ter entendido um sinal mas na verdade não passava de algo que não precisava ser compreendido. E então a confusão se fez.

A vida é um motor sem freio e sem acelerador,
é bobagem tentar controlar, tentar se apressar ou se forçar viver mais devagar.
Damos a partida a cada piscar de olhos e aí só vamos escolhendo as curvas pela frente.

Acho que eu já fiz gente sofrer demais.
E sem querer.
Nunca cultivei rancor em mim, nunca usei da vingança pra me aliviar.

Tem vezes que é com a melhor das nossas intenções que a gente machuca mais.

Pensando bem, eu também já cobrei demais!
Já exigi umas coisas que eu nem podia oferecer. E é loucura lembrar que eu já discuti por motivos que eu nem fazia questão de entender.

O tempo existe pra gente acompanhar, mas a gente insiste mesmo em comandar.
“Que passe logo!”, “que passa devagar”, mas nunca o “que apenas passe”.
Lá no fundo, no entanto, eu sei que não sou uma má pessoa.
Apesar de já ter feito muita coisa errada sendo que algumas delas sem querer, aqui dentro mora e sempre vai morar um coração.

Gosto de dizer que a saudade me faz companhia.
Gosto de ouvir que a minha companhia se faz saudade.
Gosto de abir a geladeira achando que não tem mais, e lá no fundo encontrar cheio um potinho de manteiga. Gosto de pegar a pasta de dente e ver que me deixaram um finzinho de presente. Gosto de enroscar meus braços em um abraço apertado quase sufocado.

Por isso que eu faço a minha parte sobre a dor.
Deixo de querer que passe rápido demais,
Deixo de querer que permaneça pra eu me vitimar,
Deixo só que ela visite de passagem, o bastante para eu colecionar mais uma lição pra aprender.
Tudo pode parecer confuso demais, mas sou eu, não repare a bagunça.

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