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E Se Eu Repetir Isso Todos os Dias?

Pode até não ser com você que eu vou dividir o resto dos dias da minha vida,
mas só de saber que por enquanto eu tenho você aqui pertinho já um motivo pra eu me tranquilizar.
Sabe, caminhei com o tempo até te encontrar naquele dia pela primeira vez.
Eu vivia uma fase só minha, que coisa, uma fase particular onde eu não via espaço para dois no meu edredom. E aí veio a minha primeira lição: quanto mais a gente acha que está certo, mais chances existem da gente estar errado.

A vida mudou quando eu mudei e comecei a ver beleza até na rotina de todos os dias.
Mais do que a preguiça ao acordar, comecei a agradecer por mais um dia indo trabalhar. Sem receber um salário que eu gostaria – é bem verdade, mas recebendo um salário que no momento eu merecia. Pouco a pouco eu fui mudando o jeito de ver a minha própria vida como se eu esperasse você chegar pra compartilhar comigo, com se eu me preparasse pra dar o meu melhor quando você chegasse.

E agora a gente dança até sem música.
A gente dança com a trilha do comercial na TV, a gente dança enquanto esperamos o microondas aquecer.

Agora estou conhecendo o meu melhor e devo isso à você.

Vi devagarzinho que gosto mesmo é do beijo mordido.
Nunca pensei que ia me arrepiar ao te ver pronta pra gente sair. E também nunca pensei que sentiria uma felicidade inédita ao te apresentar de boca cheia para os meus amigos, e quando voltar pra casa receber algumas mensagens no celular de alguns deles falando: “Vocês se combinam” me tirando um sorriso besta no canto da boca.

Quando a saudade vem me visitar,
dou um jeito de voltar na lembrança de você prendendo o cabelo ou do seu jeito preguiçosa de dizer que é cedo pra levantar.

A felicidade também é transformar as pequenas coisas em soluções contra a saudade.

Saudade que aperta e até me tira o ar,
pois é difícil ter que esperar a semana acabar pra te encontrar.
Mas a gente também tem aprendido juntos que a distância nem sempre fragiliza, ela só tende a fortalecer ainda mais e a nos tornar mais sinceros, pois as confissões de “quero que o tempo voe!”, “que semana longa!”, são de verdade e não são só efeitos de resposta obrigatória.

E quando você chega?
A gente se abraça devagar e nem passa pela cabeça se largar.
Coloco minha mão na sua nuca enquanto você passeia com os dedos pelo meu rosto. É a gente se reconhecendo e fazendo o nosso corpo conversar.
Encostamos nossas testas e mal consigo ver um sorriso abrindo em você. Tocamos o nariz e fazemos círculos de mimo que como se brincássemos com o nosso rosto. Te roubo um beijo pra te provocar vir atrás de mais um. Volto pra tentar outro e você me segura mordendo minha boca devagar – e o quanto isso é bom. A gente fica perto a ponto de ouvirmos nossa respiração acelerar. E como isso é surreal.

Já teve vezes que enquanto te via dormir pensei em quem passeou pelo seu corpo antes de mim.
Te ver deitada é te ver por inteira, te ver verdadeira, te ver na real beleza.
Pensei nessas pessoas por gratidão ao te deixarem me encontrar, pela gratidão de pelo terem terem te feito sorrir além de chorar e pela gratidão de terem sumido pra eu me aproximar.

Não tem espaço pra lágrima no seu rosto tão acostumado em ter sua boca sorrindo.

É bobagem, mas eu gosto de planejar.
É bom imaginar que você estará comigo nos próximos momentos da minha vida; é bom saber que posso contar com a sua companhia; é bom reservar um cantinho pra você dentro de cada um dos meus sonhos. E nem precisa dar tudo tão certo assim no final, valorizo o jeito que a vida muda de lugar. Mas tem um gosto especial ver a vida passando e te ligar pra falar que os bons momentos estão chegando.
E na sua vida eu também quero participar ainda mais.
Quero entender do que você tem medo e o que te coloca na parte baixa da gangorra que é viver.

Torço para eu ter também um cantinho pra chamar de meu na sua vida e poder te assistir sendo feliz.

Pode dizer sem se preocupar com o tempo,
dizer daquele jeito que é tão seu, pausadamente, fazendo de cada palavrinha uma nota musical ao meu ouvido. Pode dizer quando não tiver tantos motivos pra dar risada que eu prometo me virar pra te arranjar algum novo pra você. Pode confessar que gosta mesmo é de quando eu viro pra montar a conchinha e que gosta tanto também quando durmo depois só pra te massagear. Diz as coisas que você gosta que eu faço pra você, diz pra eu poder melhorar, pra eu poder caprichar.

Sempre dá pra fazer bem melhor depois que a gente sabe que o nosso melhor faz bem.

Diz também que eu continuo sendo alguém que tira um sorriso seu, sem julgar de ser o melhor, mas valorizando que pelo menos eu tento fazer com que seja um especial.

Igual eu te digo.

Pode até não ser com você que eu vou dividir o resto dos dias da minha vida, mas eu posso dizer que a minha vida já é divida em antes e depois de você.

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Um Dia Difícil Para os Inimigos

Pensando bem,
Seria bem melhor se eu parasse de pensar.
Sei que tenho a mania de querer que as coisas saiam da minha maneira, mas quem não?
Não tenho paciência pra entender aquela história de “tudo a seu tempo” e etc, até porque quem precisa ser convencido disso não sou eu, mas o meu coração.
Mas já que as coisas não estão dando certo ao mergulhar de cabeça, é também de cabeça que eu vou sair de tudo.

Eu vou sair de todos os lugares onde entrei sem querer, inclusive da sua vida.
“Sua” no caso, de ninguém especial, mas de quem já me foi especial um dia.

Talvez este seja um momento meu.
É, talvez realmente o problema no momento seja eu. Tipo, por mais que eu queira tanto uma coisa, é inteligente reconhecer que talvez não seja a hora dessa coisa acontecer. Faz todo o sentido.

Eu nunca dei um tempo pra mim. Eu nunca vi quem eu sou. Eu nem lembro mais de quem já fui.

E não vejo problema, na verdade eu não vejo nada. Aí que está.
A gente passa a vida buscando sorrisos. E nem adianta aquele negócio de “eu não busco nada nada, deixo que as coisas aconteçam!” porque todo mundo busca. Cada noite que você sai para se divertir é uma nova oportunidade que está dando para que novos sorrisos se aproximem de você, em outras palavras, a gente vive dando chance pra gente.

Só que a gente também esquece de dar um tempo pra gente.
É, parar tudo e repensar nós mesmos, sem uma meta estabelecida, sem um por quê especial, sem uma satisfação oficial. É só uma questão de sentir a nós mesmos.
Todo esse raciocínio pode parecer meio filosófico demais, mas se fosse fácil se chamaria qualquer outra coisa, menos vida.

E a grandeza está em reconhecer que as coisas não andam bem.

Lembrando agora dos beijos que dei ultimamente é difícil encontrar algum deles onde eu estive de verdade. É que às vezes a gente vive as coisas às cegas e isso não é defeito, isso é ser humano. Mas também não causa efeito.
Todo dia a gente levanta pra buscar novos motivos pra viver. Cada dia de trabalho, cada passo dado, cada abraço, cada ligação e cada SMS, todas essas e outras coisas que a gente faz são pequenas atitudes nossas para de alguma maneira nos aproximar de coisas que gostamos.

O problema é quando a gente esquece de nós mesmos.
A vontade de abraçar o mundo é tão grande que esquecemos de abraçar a nós mesmos.

Acho que agora não é o momento de me arriscar tanto assim.
Não que seja por alguém, não que seja uma defensiva diante da vida, é só uma mudança de visão na tentativa das coisas melhorarem na minha vida.

Talvez não seja a hora de confessar saudades, não agora.
Talvez não seja a hora de formalizar sentimentos e intenções.
Talvez não seja a hora de ouvir os refrões que me levam para o passado.

E isso tudo porque talvez eu não esteja pronto pra tudo isso.
É claro que não dá pra controlar, mas dá pra eu mudar o foco e mudar a minha inclinação para os acontecimentos. Dá pra eu me preservar mais, dá pra eu me desculpar mais, dá pra eu me esforçar mais, dá pra eu correr mais, dá pra eu telefonar mais, dá pra eu visitar mais. E ao passo que eu for conseguindo cada uma dessas coisas eu estarei me distanciando da saudade dolorosa, da solidão que corta, da expectativa inflada, da vontade de clicar em “enviar” e tudo mais que me traga algum desequilíbrio.

Todo esse conceito pode cair por ter quando o sol nascer amanhã.
Posso acordar de um jeito pior ainda que acordei hoje, eu sei. Posso inclusive acordar mandando mensagens desnecessárias. E isso não será problema, desde que eu não faça mais nada fugindo de mim, pelo medo da minha própria vida, medo de mim mesmo, medo do meu próprio tempo, medo do meu próprio respeito, desde que eu não faça isso por medo de aceitar que eu sou a minha melhor companhia.

Não quero chorar ao ver uma foto. Não quero me desesperar com um chamado no chat, não quero fazer do celular refém do meu coração e me tornar dependente de cada vibração. Não quero viver coisas lembrando de outras.

Eu não quero mais me decepcionar comigo.

Por isso eu vou mudar.
E pra começar eu vou aceitar que talvez agora não seja o momento para que todas as coisas que eu quero realmente aconteçam. E então ao mesmo tempo que eu me respeitar eu estarei me preparando para tudo que eu realmente mereço.

Pensando bem,
Seria melhor se eu parasse.
Inclusive de pensar.

Aliás, a Gente Precisa Conversar

Tenho te percebido diferente, mas está tudo bem.
É que eu sei bem como é sentir medo do futuro.
Sei como é estranho a gente sair da nossa tal “zona de conforto” pra começar a arriscar em algumas coisas, e nesses momentos a gente nem pensa nas chances de darem certo, só nas de darem errado. Isso é medo.

Não é por falta de vontade é por medo mesmo.

Tipo, não que a gente não queira fazer algumas coisas,
pois queremos até demais, o negócio é que a gente tem medo de sofrer de novo e ter que recomeçar. De trocar o nome na agenda do celular. De não mais passar por aquela rua de sempre.

A expectativa pelo novo coloca a mão em nosso ombro como se falasse: “Você está mesmo pronto?”. E sentado ao outro lado da gente está uma coisa chamada lembrança e muitas vezes apelidada de saudade. Nossa cabeça vira uma confusão entre tudo que a gente acaba lembrando sem querer e tudo que a gente sente falta e não conseguimos esquecer. É uma vida sem manual.

Talvez eu possa te ajudar se você quiser.
Eu não sei muito bem um monte de coisas, mas o pouco que sei de algumas me faz alguém capaz de te segurar quando você estiver caindo.

Já é tão delicada de construir, não deixa que o medo impeça de cultivar confiança em mim.

Eu não consigo prometer que não vou te fazer sofrer.
Afinal, posso fazer sem perceber, vai saber. Mas se é de promessa que você precisa, posso te tranquilizar que os meus esforços pela gente serão focados em te fazer rir, e assim, poderei rir também.

A gente sabe o momento que começamos a deixar de gostar de alguém, mas nunca saberemos quando começamos.
Até pode rolar aquele “Tudo começou naquele dia!”, mas não há precisão, há especulação.

É que essas coisas não são tão certeiras assim, pois se fosse, a gente poderia acordar repetindo: “Hoje eu vou gostar de alguém!”.
Vale repetir, no entanto.

O amor nasce exatamente no intervalo de um piscar de olhos.

Também não dá pra dizer que a gente consegue fazer coisas pra gostar de alguém.
Absolutamente tudo tem a ver com a fase que vivemos.
Perdi as contas de quantas vezes fui a pessoa certa na hora errada mas doeu muito mais todas as outras em que fui a pessoa errada na hora certa. É que dói muito gostar e não poder.

Infelizes são aqueles que vivem fazendo coisas na tentativa de doutrinar o mundo aos próprios caprichos. Tipo, gente que se comporta de acordo com a conveniência do momento, com o objetivo de chamar a atenção, de ter algum tipo de destaque. Isso aí não é uma felicidade saudável. Ok, vai ter gente interessante que vai gostar da roupa da moda que estiver vestindo, mas você precisa mesmo é de quem goste de você sem roupa. Por isso, não faz sentido ter preciosismos por padrões, se a pessoa é linda de morrer ou se é popular, se tem um ou outro quilo a mais ou se é sarada de academia, faz sentido se a pessoa – seja quem for – perceber que o que te faz dormir melhor é uma conchinha preguiçosa antes do filme acabar.

Me deixa gostar de você.
Me deixa pegar na sua mão, ser gentil e pagar a conta toda um ou outro dia, enquanto eu tiver vale-refeição. Me deixa te mostrar algumas coisas legais de viver e eu te deixo me ensinar algumas das suas preferidas.

Eu não sei se você é quem eu sempre quis.
Até porque eu já quis tantas pessoas diferentes nessa vida, assim como todo mundo, a gente quer uma coisa nova por dia. Mas eu sei que pelo menos agora eu vou gostar de poder chegar em casa e te mandar mensagem que cheguei.

Também não sei se sou quem você sempre quis.
Não tenho tanto dinheiro pra gente viajar, mas vez ou outra dá pra gente montar uma barraca na sala e fingir que estamos acampando.

Olha aqui, não precisa ter medo.
A gente não sabe de nada nessa vida, a gente só sente.
E é tão bom quando podemos permitir que os nossos sentimentos falem mais alto, né?
Não precisa se preocupar comigo, não precisa se preocupar em me magoar,
eu quero você hoje comigo desde que você queira isso também.
E eu vou te respeitar se mesmo depois dessa conversa você ainda sentir medo.
E também vou ter que dar de presente um boneco do Chuck, aquele dos filmes, pra você sentir o que é medo de verdade.

A gente tem que ter medo de verdade, não medo da verdade.

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Então Você Assume o Risco?

Então me diz que você prefere.
Mas diz olhando não nos meus olhos, mas aqui dentro da minha alma, que você prefere.
Quando você deixar claro não pra mim, mas pra você, eu paro de tentar.
Eu não sou nenhuma criança pra você ter que me explicar todo o monte de coisa que diz ter aprendido na sua vida.

Você só conhece de mim o que eu deixei você conhecer.

E acredite, eu sou muito mais do que já pude mostrar pra você.
Só que como qualquer pessoa que tenha sangue correndo em cada célula desse corpo, a minha paciência esgota, embora lentamente; escorrendo como a pior das lágrimas de dor. Mas esgota. E eu vivo tentando evitar com que isso aconteça para que eu não me chateie mais.

Eu quero ouvir da sua boca o que o seu coração te diz.

Quero saber se você tem coragem de falar na minha cara de novo aquele seu discurso batido de “quero muito ser feliz!”, “quero muito alguém pra me mimar” agora que tudo o que você está conquistando de mim é a minha distância.
Eu não vou entrar no clichê de que você só vai dar valor quando perder, já tem gente demais falando isso nesse momento, sendo assim, prefiro falar somente de você.

E não vira o rosto enquanto eu estiver falando porque foi você que fez a gente chegar nessa conversa. Deve se lembrar de quantas e quantas vezes eu tentei conversar, tentei resolver, tentei recomeçar, não pela vitória minha ou sua em uma briga qualquer, mas por mais uma noite juntos que a gente pudesse dormir. Mas você parece não ter reconhecido meu esforço, então, aqui estamos.

Presta atenção nas coisas que você diz.
Nenhum machucado nessa vida me doeu tanto do que as coisas que já ouvi de você. E não estou falando só dos seus excessos e perdas de controle justificando “ah sou assim mesmo, fazer o quê” – que por si só já beira a bestagem -, estou falando de como você vomita cada palavra que seria mais justamente usada para unir pessoas. E como me provou com isso que o impossível é completamente possível. Tá difícil de entender? Vou deixar mais claro.

Você revela amor mas não faz ideia do que isso significa!
Você diz que sente saudade mas não dá a mínima para as minhas mensagens de “tudo bem?”
Você fala que gosta das pequenas coisas mas torce o nariz quando a minha proposta de algo pra gente fazer não envolve passeios que custem mais de dois números.
Você diz que já sofreu MAS NÃO VÊ O QUE ME FAZ PASSAR!
Você julga injustiça nas histórias das outras pessoas mas não para pra enxergar a quantidade de merda que faz.
Você fala que as pessoas precisam valorizar quem gostam delas, mas não dá uma bosta de valor quando eu te ligo pra saber se chegou, quando eu pergunto se eu seu dia foi bom, quando eu peço pra me avisar quando chegar em casa, quando eu falo que gosto de você e você ME IGNORA.

Você está vendo tudo isso?

Acha mesmo que está sendo saudável pra mim ter que olhar nessa sua cara e te falar tudo isso?
Me diz como você quer que eu acredite nos sonhos que diz ter se todos os meus que eu tinha pra nós dois você está destruindo pouco a pouco?
O que são coisas boas pra você?

Pior que não conseguir sentir é mentir estar sentindo.

Eu comprei todas as suas falas.
Mas não me arrependo de nada.
Porque do contrário de você aqui dentro mora um coração.
E desde que me conheço por gente eu ouço o que ele me diz e vou agindo por ele. Já teve vezes que parei no meio do caminho e pensei: “poderia ter sido diferente”, mas rapidamente fechei meus olhos de novo e voltei a caminhar confiando no que ele queria que eu fizesse, pois, mesmo que não desse certo como eu imaginava, certeza que alguma coisa eu aprenderia no fim.
Por isso, é claro que acreditei quando você me disse que eu era especial. É claro que contei para os meus amigos que você tinha um monte de qualidade e que fazia eu me sentir de um jeito que eu nem me lembrava ter me sentido antes. É claro que contei pra minha família que eu estava feliz. É claro que eu ia trabalhar mais feliz e lá no trabalho todo mundo sabia que o motivo era você. Eu comprei todas as suas falas.

Mas não me arrependo de nada.

Eu sou verdade demais pra toda essa verdade que você finge ser.
E é justamente em todas aquelas pequenas coisas, em todas aquelas palavras bonitas –  e que acabei de falar – que você usou de forma totalmente errada comigo, que eu acabei conhecendo quem você é.

Você não tem o direito de se arrepender.
Porque eu não vou te esperar.
Não vou esperar você pensar duas vezes.
Eu não vou te dar chance pra rever qualquer coisa.

Tem um uma vida inteira lá fora só pra mim.
Tem um monte de novos braços querendo meus velhos abraços,
é, todos os meus velhos abraços que você tanto gostou mas que desperdiçou.
E agora nem me cabe entrar no assunto da minha importância e em tudo que eu poderia fazer por você, pois como eu já disse, mas volto a repetir, você só conhece de mim o que eu deixei você conhecer. E ainda foi muito.
Uma pena pois o plano era te fazer feliz.
Mas você gosta mesmo é de ignorar sentimentos, pisar em pensamentos, cuspir em lembranças, bater em corações e resgatar um passado desgraçado que só te faz mal e que só te atrapalha de viver o teu presente.
Você gosta mesmo é de correr riscos, feito cego em corda bamba.
Só esquece de considerar os 100% de chances que as coisas tem de saírem fora do teu planejado.

E disso, eu não preciso.

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Se For Pra Ser Igual a Mim, Que Não Seja Ninguém

A vida tem razão.
Quando a gente consegue o que a gente tanto quer, nem sempre a gente valoriza.
Dá pra entender isso direitinho vendo o tempo passar.
Sempre desejei alguém que se parecesse comigo, que gostasse das mesmas músicas e compartilhasse dos mesmos livros, aí quando eu encontrei, eu cansei.

A gente não se contenta nem quando conseguimos algo que nos faz contentes.

Mas dá pra explicar isso melhor.
Sempre pareci o único a rir de algumas piadas por aí. Meus amigos sempre diziam que eu sou chato demais porque gosto de coisas que só eu gosto, mas pudera, eu não sei como eles conseguem achar graça nas piadas dos programas de TV. Prefiro comprar um outro DVD do meu seriado preferido. Mas gosto é gosto. Onde eu quero chegar é que quando finalmente encontrei alguém que gostasse do mesmo seriado que eu, que risse das mesmas piadas no sense, eu simplesmente me vi incomodado. Isso explica a estranheza em conseguir aquilo que a gente tanto deseja.

Nem sempre estamos prontos para realizar os nossos sonhos.

Até porque eles mudam tanto.
Hoje a gente quer uma coisa, daqui a meia hora já queremos outra. E do contrário do que aparentemente parece, isso não é ruim, na verdade é muito legal renovar opiniões e ter novos desejos, o problema é quando os sonhos envolvem outra pessoa.
É difícil ter que me despedir de alguém que se esforçou tanto por mim.
Pelo menos consigo ser justo e reconhecer todo esse esforço, e mais que isso, consigo agradecer por tanta dedicação. Dispensando, no entanto, o discurso de “podemos ser amigos”.
Mas o que poucos sabem e na verdade é o que me mata por dentro é que eu não gostaria que fosse assim.

Almas únicas não são completadas por almas gêmeas.

Se somos pessoas individualmente diferentes, como conseguimos alguma felicidade real ao termos ao nosso lado alguém exatamente igual ao que somos? É prático e tem um fundo de verdade. Para certos olhares pode parecer até um egoísmo, só que não é, se trata de desejar o novo, a experiência pelo que não conhecemos.
A não ser que a busca seja por alguém só para desfilar de mãos dadas pela cidade, do contrário, é certo afirmar que alguém igual a gente não traz a nossa felicidade.
Vale salientar que também não se trata de uma busca pelo mais absoluto e completo desconhecido, mas sim, pelo quê a mais que a gente só encontra em quem não parece com a gente.

O beijo que a gente menos espera é o que mais nos excita.

Ninguém gosta de assistir um filme sabendo o final.

Voltando ao foco, eu simplesmente não consigo gostar de quem se parece comigo. Mas sou cheio de covardia ao bradar mundo afora o quanto eu gostaria de ter alguém que fosse assim e assado, que gostasse de x e y, aí quando encontro alguém mais ou menos assim, eu enjoo mais rápido do que posso imaginar. E ninguém tem culpa. É só o mundo caprichando nas lições da vida.

Também dá pra ter outros pontos de vista.
Se eu não me sinto feliz ao encontrar alguém exatamente igual a mim, logo, eu não sou uma pessoa fácil de deixar feliz? Tipo, nem eu mesmo me suporto? Pode ser bem por aí também. Essas e outras loucuras andam com a gente todos os dias.
A verdade é que é muito melhor usar a sinceridade do que a conveniência.
Ter alguém só pelo frio que tem feito, pela vontade de mostrar aos amigos e outras coisas, não acrescenta em nada na vida de ninguém. Ao mesmo tempo que fazer um monte de exigências, mesmo que na brincadeira, não nos aproxima de quem esperamos, e mais, de quem realmente merecemos.

Já fui pior, já exigi demais.
Muito pior do que sonhar com um perfil que gostamos é exigir que a pessoa seja de tal e tal maneira, só pra agradar por completo. Esta é uma das maiores bobagens dessa vida. É que a gente tem mania de pedir mais do que agradecer. Nunca estamos satisfeitos, sempre pode ser melhor, sempre pode ser mais, mais e mais. E não estou falando que não podemos torcer por mais, estimular mais, esperar por mais, mas sim que é injusto exigir que a vida nos traga as coisas exatamente do jeito que queremos. Aqui, vale lembrar da história de que a gente só colhe o que planta.

Se eu pudesse voltar atrás,
falaria pra cada pessoa assim tão parecida comigo, que tentou me fazer feliz um dia e eu me cansei:
“Não quero que aceite minhas desculpas, só quero dizer que você é incrível e que tem alguém muito especial te esperando lá na frente!”

Eu queria seguir padrões,
mas só consigo seguir meu coração.

Pago Pra Ver Acontecer Uma Segunda Vez

Sei que eu não sou uma pessoa perfeita.
Sou lá cheia das minhas manias e do meu jeito de encarar a vida, mas nem que fosse possível me tornar uma pessoa perfeita, eu não ia querer.
Gosto mesmo é do desafio de aplicar aqui a lição que aprendi lá atrás, por mais que eu não tenha distribuído sorrisos durante as lições. Mas isso é outra história.

Já fiquei em dúvida se eu sei bem como fazer alguém feliz, sabe?
É meio maluco, eu sei, mas é normal a gente rever algumas coisas quando elas não tem dado muito certo.

Eu gostaria de lembrar de você menos do que eu lembro.

Gostaria de ter aquele desapego com o que eu sinto. Queria mesmo é colocar na prática aquele negócio de “a fila anda”, de “o que passou, passou”, mas antes de eu querer qualquer coisa eu preciso respeitar o jeito que eu sou.

Eu lutei pra não me ver longe de você.
Lutei pra manter comigo o seu apelido na agenda do celular e pra ter a companhia da sua risada durante os seriados na TV, mas eu fiz o que pude, fiz tudo o que estava ao meu alcance até aceitar que vivia contra a minha própria vida, e não a favor dela. Era eu contra o jeito que os dias passavam.

O problema é que de todos os motivos que colecionei pra me fazer acreditar que te ver partir seria o melhor pra nós dois, todos eles, um por um, caem por terra diante da minha preocupação em saber porque não vejo mais notícias de um sorriso no seu rosto.
Eu deveria me afastar e focar minhas energias exclusivamente para a minha própria felicidade, mas se eu não entendo, não vou exigir que alguém entenda – muito menos você – como eu ainda me preocupo com quem não compartilha mais dos meus dias.

O corpo tenta enganar mas o coração sentencia que só a verdade corre pelas veias.

Fico imaginando o que raios acontece na sua vida que não vive da felicidade que tanto esperava. Pois é, ao invés de me preocupar com a minha, vivo a indignação de não entender a sua.

Se chama amor, não tem tradução ou formas de explicar.

Vez ou outra trago sem querer uma lembrança abusada da última vez que a gente se viu. Lembro que as coisas já estavam bem entre a gente, e então, levei comigo a sua imagem sorrindo depois do meu último adeus até aqui. É o tipo de momento que gosto de reviver sem ninguém, só pra me aquecer.

Será que a saudade que sinto também faz morada no seu peito antes de dormir?

Já me perguntei coisas como essas um milhão de vezes.
Nessa busca em entender porque você mudou tanto, acabo encontrando tempo pra voltar a lembrar da gente. E não, eu não gostaria que isso acontecesse.
Sei que passou um bom tempo desde que o nosso abraço deixou de ser acompanhado de um beijo de “que bom te ver de novo!”, mas é natural, eu fico pensando se você encontrou um pouco de mim em todas as bocas que já deve ter beijado, fico pensando se quem te viu sorrir depois de mim conseguiu perceber como você ri de um jeito diferente, de um jeito só seu que eu até poderia detalhar, mas eu prefiro só me lembrar pra não me machucar mais.

O problema é se tornar refém do que não existe mais.

E sei bem disso.
Como eu disse, tenho certeza que depois de mim você saiu pra conhecer o mundo e ganhar novos abraços, mas posso falar? Não sei exatamente por quê, mas alguma coisa me diz que dos abraços que te dei você nunca terá outro igual, e não me leve a mal, acontece que eu dedicava o meu melhor em cada coisa que eu fazia por você, do envio da mensagem no celular ao nosso beijo antes de dormir, tudo porque pra mim você não merecia nada menos que o melhor de mim.

Não passo uma semana sem que nasça uma nova pergunta sobre você.
Não de pessoas ao redor, mas de mim mesma, aqui dentro de mim, sabe?
Lembro de você falar que meu cheiro ficava na sua roupa e que você gostava disso e aí aparecia minha cara tímida mas profundamente feliz ao te ver comentar sobre um pedacinho de mim fazendo parte de um pedacinho de você

Transformo toda a dor da lembrança na certeza de que da minha parte era amor.

E talvez por isso eu ainda me pergunto tanto sobre você.
Vai ver é porque por mais que eu tentasse encontrar respostas pra tudo na minha vida – e quem não? – tudo que eu preciso fazer é entender que existem duas coisas nessa vida: as que eu sinto e as que acontecem. Sendo assim, tudo que eu sinto é algo só meu, e não se trata de egoísmo, se trata de algo inexplicável que pra quem vê de fora pode se tornar em motivo pra julgamento, mas que pra mim, é só o que eu posso dizer sobre o que sei de mais sincero a respeito do amor.

Prometo parar de pensar se você sente algo parecido com a saudade que eu sinto.
Mas fico triste ao saber que aquele sorriso que eu tanto gosto tem visitado seu rosto menos vezes do que acho justo, e fico mais triste ainda em pensar como isso é horrível, pois mal sabem todas as bocas que te beijaram que outro sorriso igual ao seu, jamais encontrarão nessa vida.
Eu sei.

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Fiz uma pesquisa na página do blog no Facebook (facebook.com/umtravesseiroparadois) pedindo a colaboração dos leitores sobre qual tema que eles gostariam de ler. Pedi para que resumissem o tema e escolhessem uma trilha sonora. O tema escolhido foi este abaixo:
“Então, me diz, de uma vez por todas, quem apagou o seu sorriso? Desde quando você me deixou nunca mais te vi sorrir… Me lembro do seu ultimo sorriso pra mim, só, depois não sei o que houve, não sei por onde andou, não sei quantas bocas beijou, não sei se sente falta do meu abraço, do meu cheiro…”
e a trilha sonora está no texto, ambos da querida leitora Gabriela Piovezan, que disse estar tensa com a minha resposta do texto “Olha Marcio, to numa tensão, desde ontem esperando seu texto, achando que pudesse ser pra mim…” (desculpem a demora!), então, achei justo tentar homenageá-la pela dedicação e carinho que ela tem pelo Um Travesseiro Para Dois.


Agradeço a participação de todos, em breve a gente combina isso de novo!
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Como Se Você Não Soubesse Dessa Merda Toda

Ninguém tem que te entender.
Você não tem que fazer sentido pra ninguém, nem pra você mesmo.
Tem gente que gosta de te dizer o que fazer mas nem eles sabem o que fazer na vez deles. Eles só querem tumultuar.
As pessoas dizem que você se apega rápido demais como se você não soubesse. Seus amigos dizem que você não tenta esquecer como se você não tentasse. E tratam de te considerar uma pessoa depressiva por postar na internet alguma música com refrão mais verdadeiro.

Ser verdadeiro só incomoda as pessoas que não conseguem ser.

Para essas pessoas o que importa mesmo é manter as aparências. É fingir que está tudo legal, que os problemas não existem e que os motivos pra chorar são exclusivamente os episódios tristes das novelas.

Tem gente que diz que você procura demais.
Engraçado que essas pessoas vivem falando do que gostam, de como gostam, de como não gostam, enfim, sempre vivem criando um modelo que elas julgam ideal. Mas elas não se enxergam. Ninguém senta ao seu lado pra te perguntar o que acontece, e quando sentam, falam como se tudo fosse algo muito simples de resolver e quem faz drama na história é você.

É assim que a gente vive.
As pessoas vivem nem tanto querendo ajudar as outras, mas muito mais querendo jogar na cara o quanto sabem mais que as outras. São coisas diferentes.
Te faz bem ouvir uma experiência alheia, um ponto de vista de quem já viveu algo parecido, mas faz muito mal ouvir o que temos que fazer, se devemos correr atrás ou largar de mão, se devemos mandar ou não aquela mensagem, se devemos ou não chamar no chat.

Você não precisa que te deem as respostas, você precisa que te mostrem como chegaram até elas antes de você. Aí você escolhe tua estrada.
Isso não significa que seguirá o mesmo caminho que elas, mas que por este as coisas podem funcionar.

Dizem que você não se permite viver coisas novas,
que quando parece surgir uma oportunidade você vai e foge, ou vai e fala demais, ou fala de menos, ou simplesmente espanta.
Aí te apontam o dedo dizendo que é uma pessoa complicada demais, que dificulta demais, que valoriza demais o que não merece.

E o que merece ser valorizado. Alguém consegue te responder?
Você não tem culpa em valorizar o abraço igual ou mais que uma noite de sexo. Você não tem culpa de reler mil vezes as mesmas mensagens.

Ninguém sabe o que você deve fazer.
Te dizem que “já passou a hora de mudar de vida”, que “o tempo voa e você está aí”, que “ignorar é a melhor saída”, como se você não soubesse cada uma dessas “dicas”. Aí você não aguenta, se descontrola e manda se ferrar quem chega pra te julgar, e claro, ainda sai de errado na história.

Suas ideias nunca são as melhores.
Quando imagina ter escolhido o presente ideal vem alguém e diz que não é tão legal assim, ou que até é legal mas não para ocasião. Depois que você já comprou o presente vem alguém para te mostrar uma oferta em outro lugar.

Você pensa em comprar uma roupa especial.
E aí te chamam de brega e dizem que é “um dia como outro qualquer”, que você não deve se preocupar tanto, que tem gastado dinheiro demais com o pouco.

Tem gente que diz para você ter paciência,
que você não vai morrer até o fim de semana, que terão outros muitos dias pela frente, que tem muita coisa pra viver e todo aquele blá blá blá que dá vontade de vomitar, mas ninguém considera que amanhã nada mais pode existir. Nem você, nem sua história, muito menos seus planos para o próximo fim de semana.

Não é todo mundo que consegue viver intensamente.

Daí vem gente falando para você se acalmar e pisar no freio.
Vem gente dizendo que você não pode demonstrar tudo tão rápido, que deve manter uma distância para preservar a saudade, que não deve responder as coisas rapidinho para não parecer uma pessoa desesperada. E aí voltamos ao “falam isso como se você não soubesse”. É que essas pessoas são aquelas lá de cima que vivem pelas aparências e sonham em viver uma história a dois só para ter foto curtida na internet; essas pessoas vivem uma mentira e não uma vida.

Aquele que usa o coração sempre assusta quem não usa.

É, pois é. É possível não usar o coração.
Pelo menos não publicamente. Essas pessoas não cantam para os quatro cantos as coisas que existem, mas quase choram sangue no travesseiro antes de dormir. Elas são assim.

Tem gente que acha que você manda no que sente, que existe um botão “parar” e um “começar” dentro de você, e por isso falam assim tão da boca pra fora “vê se faz alguma coisa”.

É isso.
Tem gente que não para e nunca vai parar de te falar um monte de coisa que você já sabe de trás pra frente. Eles vão continuar te apontando o dedo e falando num tom como se fossem donos da verdade.

Mas você não pode se importar,
pois a vida é sua.
Só sua.

Promessa Continua Sendo Dívida

Você promete relevar?
Promete ignorar minha mania em querer as coisas muito corretinhas?
Ah vai, por favor, diz que não vai se importar por eu conversar dormindo e eu prometo que nenhuma das conversas será sobre outra pessoa, além de claro, você.

Se eu dar um presente e você não gostar, promete me dizer?
Não sou muito bom em improvisos, mas te prometo que outros daqueles corações de pelúcia com braços abertos eu não vou te dar.
As coisas boas que eu já fiz por quem gostei não são nem metade de tudo que eu quero fazer pra você.

Você vai comigo comprar roupas quando eu precisar?
Eu já não sou uma criança, eu sei, mas é que até hoje eu não consigo me decidir rapidamente sobre qual roupa comprar ou qual perfume escolher. Se você quiser aproveitar, a gente pode até comprar alguma coisa pra você, talvez.

Prometo não comemorar quando o seu time levar gol,
mas você promete me deixar comer alguma coisa gordinha no meio da madrugada?
Tenho um estilo de vida simples, dou risada com os piores programas da TV e gosto de assistir o telejornal na volta do trabalho. Choro com injustiça nos seriados e falto perder o ar de tanto gritar quando vejo que a minha mãe fez manjar de sobremesa.

Falando nisso, promete me ajudar a cozinhar?
Já posso adiantar que tudo que eu sei fazer na cozinha se resume em: nada.
Mas não é por falta de vontade, é que eu sinto que o que eu preciso é de alguém comigo pra me incentivar. E lavar a louça que eu sujar.

Talvez algum dia eu acorde com preguiça de responder a sua mensagem de texto, mas não me leve a mal, é a minha operadora de celular que precisa mesmo é ser operada pra ver se melhora alguma coisa, mas enquanto isso não acontece eu prefiro me poupar a ter que me estressar.

Tem um montão de mensagem que te mandei que acabaram não sendo enviadas.

Lá no começo, teve também um montão de vezes que eu abri sua janela do chat e fiquei lá parado imaginando como seria a gente conversando e como seria legal se você aceitasse sair pra tomar açaí comigo. Ou sorvete. Ou um suco. Ou alguma comida quentinha no inverno. No fim, preferi não falar nada, mas vez ou outra eu visitava o seu perfil pra ver suas fotos novas. É, disso você não sabia, né?

Você promete tentar entender que eu não sou normal?
Não estou dizendo que sou melhor que ninguém, mas é que o meu jeito é um bocado estranho e já teve um monte de vezes que eu me senti ainda mais estranho quando o que eu deveria me sentir era atraente.

Quando olham pra mim no metrô eu tenho certeza que o meu nariz está sujo ou que tem pasta de dente no meu rosto.

Eu sou meio assim; desengonçado sem você.

Teve um dia que ajudei uma senhora a atravessar a rua e as pessoas me olharam estranho como se tivessem me parabenizando, mas o engraçado é que ao invés de me olhar elas poderiam ter ajudado a senhora, né? É.

Se eu te falar que raramente consigo usar um par de meias iguais, você promete não rir?

Eu não sou bom em um monte de coisa.
Tipo, eu não sou bom em ter beleza. Dia dessas me comparei com as fotos dos galãs que você suspira e vi que a gente até tem uma semelhança: tanto eles quanto eu somos diferentes. Eles são bonitos e eu sou eu, somos tipo inimitáveis, sabe? Nem que eles façam cirurgia, jamais se parecerão comigo, e eu nunca com eles. Isso é uma coisa boa, né? Somos exclusivos! Olha lá uma coisa em comum.

Eu também não sou bom em compartilhar frases pra você se emocionar, mas esses dias aprendi que se eu colocar “aspas” no começo e no fim das frases, vou parecer mais inteligente e vai parecer que peguei de algum livro todas as frases que leio pelos muros da cidade. Agora eu tenho tentando pensar nas minhas próprias frases, qualquer dia te mostro.

Se eu disser que sofri você promete não me achar um clichê?
Eu sei que todo mundo sofre, mas e se eu te disser que não lembro da última vez em que me vi feliz por alguém como me vejo com você, você promete não me achar um clichê? E se mesmo assim você me achar um clichê, promete confiar em mim?

Se é clichê dizer que o melhor está por vir, confia no clichê de que eu quero te fazer feliz; só que do meu jeito, nem melhor, nem pior que ninguém, mas do meu jeito.

Sabe, eu já mudei bastante.
Hoje eu não ligo tanto para o chinelo virado ao contrário no chão; hoje eu entendo que da mesma forma que eu tenho pressa pra chegar, todas as outras pessoas também, então não adianta eu ficar bravo com as pessoas correndo no metrô de manhã; hoje eu penso que os carros loucos no trânsito podem estar levando uma futura mãe ao hospital.

Eu sou um quebra-cabeça jogado ao chão e você é quem tem me montado peça a peça.
Promete ter paciência comigo?
Promete terminar de me montar pra ver se fico parecidamente bonito com os galãs da TV?

Prometa uma ou outra coisa dessas que te pedi e eu fico com a dívida daquela blusinha esquisita irreverente que você tanto quer.

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Fiquem com a Verdade, Enquanto Eu com a Felicidade

Então eu vou me render aos clichês.
Vou me deixar levar pelas coisas que tenho sentido ultimamente.
Mas antes, vou te falar: sabe, dia desses lembrei de algumas coisas que já vivi.
Não foram tantas assim pra colocar um filme em cartaz, mas o bastante para me fazer entender o que exatamente me faz feliz e o que não me faz tão bem assim.

Dentro dessas lembranças, vi que não gosto quando a voz é mais alta que o normal, vi também que são tão poucos os motivos que valem discussões, que não acho justo desgastar uma história dando em voltas em coisas que não fazem bem. E aliás, as discussões podem ser evitadas.

Troco discussões sem fim por conversas em prol do final feliz.

Lembrei também de quantas noites eu demorei pra dormir por não conseguir me resolver. Esse negócio de “amanhã a gente conversa” nunca deu certo e eu sempre me torturava querendo resolver, juro, sem briga, só querendo o bem, mas o que eu sentia da outra pessoa era um sentimento mais raivoso recheado de acusações tipo “você está querendo ser certo sempre!”, quando na verdade eu nunca me importei com a merda da verdade, e sim com felicidade. Complicado, né? É.

Lembrar que já sofremos deixa a gente mais forte pelo que sentimos.

É que assim, ao relembrar de todas as coisas tristes que passei, consigo ver o quanto eu quero evitar com que cada uma delas aconteça novamente, consigo ver onde também errei – afinal, nunca me vi com toda a razão -, consigo ver muita coisa, mas principalmente consigo ver todas as coisas boas que eu quero viver.

A gente tem que lembrar da dor pra ter certeza sobre o que esperamos do amor.

Mas também reservei um tempo para lembrar das coisas boas.
Lembro das estreias do cinema e dos presentes nas datas comemorativas, lembro dos gostos particulares e das palavras no diminutivo, mas chega uma hora que todas as coisas boas que a gente vive se transformam em saudade boa pra fazer a gente melhor. Não dizem que do passado a gente só devem levar as lições? Então, das coisas boas do passado eu levo a motivação em correr atrás de viver algo ainda melhor, ou então, de reviver as mesmas coisas mas de um jeito deliciosamente sem igual, de um jeito sentimentalmente individual, de um jeito que eu acho que mereço viver. 
Isso significa que a gente pode ser feliz mais de uma vez nessa vida.

Nunca gostei da história do “Fulana foi a pessoa que mais me feliz na vida”. Acho meio delicado afirmar. A gente até pode ter vivido inesquecíveis histórias com determinadas pessoas, mas afirmar quem é que mais fez feliz talvez seja exagero demais. É que parece que a gente vive refém daquela felicidade do passado, sabe? Parece que ninguém nunca mais vai conseguir fazer a gente se sentir igual, quando o que mais procuramos em uma nova história é um pouco de alguém diferente que nos faça sentir novo de novo, um pouco de alguém que possa nos surpreender e comprovar que o melhor ainda estava por vir. E assim então viver todos os dias.

Nos clichês a gente pode confiar.

Naqueles clichês da ansiedade pelas estreias no cinema, em falar no diminutivo, nos gostos particulares e nos presentes nas datas comemorativas. Tudo isso faz parte da nossa vida e das histórias que vivemos. É bobagem se prender e se evitar de viver tal coisa pelo medo da lembrança do passado.

A vida existe pra gente fazer do ontem uma inspiração do que queremos viver amanhã.

Mas claro, isso não significa que vivo em função do que já vivi um dia, jamais. Isso significa que quanto mais feliz eu acho que estou, mais ainda eu vou estar.

Também não digo que nunca tive sorte nessa vida.
Prefiro pensar que eu vivi tudo o que eu poderia do jeito que eu deveria, mas passou.
Ninguém acorda sabendo como vai terminar o dia, por isso a gente pode viver com aquela friozinho da surpresa, do inesperado, da ansiedade, fazendo sempre a nossa parte que para que tudo seja bom pelo menos para nós mesmos.

Hoje eu gosto de ter a sua mão pra segurar quando a gente anda na rua.
Eu gosto de conversar com você ao som dos seus pais reclamando alguma coisa lá no fundo. Hoje eu gosto de ouvir o som da sua risada e te ouvir falar como foi o seu dia. Eu gosto de te ter perto da minha família, bem como gosto de estar perto da sua. Gosto das suas mensagens sem hora marcada, gosto do seu carinho deliciosamente involuntário, gosto do seu perfume que fica todo na minha roupa quando a gente diz tchau. Hoje eu gosto de pensar em coisas pra gente fazer, nem que não seja nada mais que um filme no DVD.

Na minha vida moram experiências que eu não faço a menor questão de esquecer. Nunca vou esquecer as pessoas que já passaram por mim. O que eu faço agora é guardar cada uma delas em um lugar só pra elas, onde eu não preciso mais buscar porque hoje eu sou feliz ocupando o meu tempo pensando em você, rindo com o seu jeito de falar e respirando fundo com as coisas que eu planejo pra gente.
Hoje eu me rendi aos clichês e me vejo entregue ao que nem sei que vai acontecer, mas que sei que está me fazendo bem.

Como Eu Me Sinto Quando

Tudo que a gente passa nessa vida tem um motivo para acontecer, uma inspiração pra motivar ou uma lição pra aprender.
É que a gente tem mania de querer tudo fácil demais.
A gente não quer demora pra ser feliz, mas também não temos pressa em espantar a tristeza. Isso significa que muito – se não tudo! – depende da gente.

Mas tem horas, eu sei, que parece surgir uma força fora do normal que puxa a gente pra baixo e nos mantém lá.
Parte dessa força atende por um nome chamado: passado.
O passado segura a gente, nos sequestra dentro das próprias lembranças e parece que quanto mais força a gente faz pra sair, mais presos ficamos. E bem, é isso mesmo, é exatamente isso que acontece.

A vontade de esquecer só deixa a lembrança ainda mais forte.

Pena que nem tudo está em nossas mãos.
Por exemplo, é praticamente impossível agradar a tudo e a todos e deixar tudo e todos no mesmo nível de felicidade. Mas quer saber? Isso não é de todo mal. Ter o controle significa não ter a experiência e a gente vive em busca de novos episódios nessa história que é a nossa vida; a gente vive pra ver coisas diferentes. Se tivéssemos o controle de tudo que queremos, em nada aprenderíamos. No entanto, claro, isso não significa que o descontrole é bem-vindo, mas sim, que o dia a dia é bem-vindo, que a graça está mesmo no momento seguinte, na próxima SMS, na próxima ligação e na próxima espera na catraca do metrô. Se é que me entendem.

A cada noite que deitamos no travesseiro ficamos cada vez mais perto de tudo que merecemos nessa vida, pois a verdade é que mais do que a gente ter tudo o que queremos, teremos tudo o que merecemos, e isso, claro, são coisas diferentes.

Por um mundo com novas formas de ver para então viver de novas formas.

A gente também se culpa demais.
É muito chato se sentir motivo de tristeza pra alguém, como se a nossa vida tivesse total influência em tudo o que acontece na vida das pessoas. Não é bem por aí. É claro que podemos influenciar e com isso construir momentos e palavras que ressoam por anos, mas nem sempre a gente tem culpa, e isso significa que não podemos resolver.

Se age com o coração, age feliz.

Sempre vai ter alguém que vai sorrir menos que o outro no fim.
Só que a gente não tem muito o que fazer pra evitar que isso aconteça, e querer encontrar algum jeito de amenizar o jeito que a vida acontece, nada mais é que uma atitude infantil de querer controlar o ponto mais excitante da vida: o jeito que ela é imprevisível.

A graça em acordar todo dia está justamente em não saber o que vai acontecer. Se vamos sair de camiseta ou de moletom com capuz.
Melhor que tentar planejar o que pode acontecer é celebrar o que está acontecendo.

Então faz assim,
Deixa o passado fazer parte da sua história em silêncio, deixa o presente te mostrar como você pode se surpreender com o lado bom da vida, deixa o futuro ser seu como sempre foi e viva pouco a pouco do jeito que você quiser. Só não deixa que seus medos em não ser compreendido, sua saudade pelo que não existe mais e a sua preocupação em ter feito bem ou não para alguém, em ter dito ou não a coisa certa, em ter feito ou não a escolha certa, enfim, te atrapalhe de viver cada segundo de todos os seus dias. A não ser que você escolha viver pelo que já viveu, o que será uma pena.

Quem te aponta egoísmo por viver por si desejaria viver exatamente igual a você.

E aqui não estamos falando em não se importar com ninguém, com o passado, presente ou futuro, aqui estamos falando em se importar no que vai jantar hoje a noite, no livro que vai começar a ler amanhã, no esforço no trabalho e em ter por perto as pessoas que nos tiram o mais sincero dos sorrisos e que de alguma maneira nos convencem que somos mais especiais do que imaginamos. Viver por si é comprar as roupas preferidas, é cantar os refrões que mais gosta e confessar saudade toda vez que quiser, sem se importar com o que vão falar.

Vamos deixar o mundo girar na velocidade que ele quer.
Vai acontecer muita coisa pra fazer com que ele pare. Muita gente vai tentar te convencer que ele tem girado rápido demais e que isso não é tão legal. Mas a verdade é que a gente que deve acompanhar o ritmo do mundo e não o contrário. Se ele tem girado de um jeito assustador, a saída e correr ainda mais pra não ficar pra trás e viver só do que poderia ter acontecido ou do que já aconteceu.

Não viva pelo que poderia ter acontecido, viva pelo que está acontecendo e pelo que você gostaria de viver.

É mais ou menos assim que a gente deve se sentir quando sentimos falta de motivos pra ser feliz.

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