Te desejar “bom dia” pela manhã.
E aparecer, à noite, para saber se foi bom mesmo.
Se sim, a gente pode comemorar rindo de algum tiktok bobo.
Se o dia não foi tão bom, a gente pode conversar com calma e atenção – mas não muito para não ficar um clima chato.

Perguntar das músicas que você gosta.
E porquê.
Gostar de música todo mundo gosta de várias, mas os motivos são pessoais.
Eu tenho as que me animam no trânsito; mas também tenho as de ouvir em noites de chuva.
Trocar playlists.

“Me manda uma playlist que me ajude a te conhecer sem você dizer uma palavra” – é sobre esse tipo de interesse.

Comentar de shows; dos que já foi e dos que gostaria de ir.
E descobrir que, naquela quinta-feira, nós dois estávamos no mesmo show. Mas a gente nem sonhava se conhecer ainda.
Na verdade, puts, você tinha conhecido outra pessoa.
Te contar que acabei me viciando naquela banda que você indicou.
E pensar como, aos olhos dos interessados, isso é um pequeno gesto do mundo dizendo que você comprou ingresso pista premium para participar da minha vida.

Pedir sua opinião sobre uma dúvida minha.
Seja ela sobre qual roupa fica melhor em mim.
Seja sobre o rumo que eu devo tomar na minha carreira.
Valorizar a sua forma de ver e agradecer pela.

Notar que você passou a postar menos. E perguntar se tá tudo bem – com o cuidado para não perseguir ou invadir.
E ouvir áudios seus dizendo que “tá tudo bem sim, só fiquei um pouco de saco cheio de Instagram :)”
Mas aí, numa conversa mais profunda em que você conta detalhes seus, juntar lé com cré, faz sentido a sua ausência da internet.

Arriscar um convite pra gente se ver.
E ver que você gostou de ideia, apesar de estar corrida por esses dias.
Entender, mas mesmo assim anunciar: “Não sei se viu, mas abriu um lugar novo e que, pelo visto, é bem gostoso de ir à noite. Vou te mandar o Insta”. Só para você entender que não era um papo do tipo “bora marcar alguma coisa”. Era um convite pra você.

Ficar feliz quando o celular piscar e a mensagem for sua me chamando pra fazer alguma coisa – mas dessa vez eu não conseguir, mas a gente já deixar marcado. Mensagem esta que é um sinal de que ruim a minha reputação não está. O que também não significa exatamente algum interesse seu por mim. É só uma mensagem. Eu responder 07 segundos depois que recebi? Sim, mas ainda é só uma mensagem. Eu abrir a conversa outras vezes pra “vai que me mandou outras e não li”? Sim, mas continua sendo uma mensagem.

E, num outro papo qualquer, a gente entrar num espiral de conversas que começa comentando o absurdo final daquela série e vai até a projeção econômica do país para os próximos meses. E tudo parecer estranhamente interessante.

Perceber que você gosta de viajar.
Contar que eu gosto e perguntar se você já foi para o lugar x.
E te ler dizer que simplesmente odeia o lugar x :’)
Mas que o lugar y é o seu sonho.
Que eu anotei no celular pra entender mais sobre porque não seria uma má ideia pra mim – apesar de eu não me dar bem no frio.

Sou eu um pouquinho por dia.
Com medo da vida me foder de novo ao me expor e respeitando tudo o que você já passou, mas ainda assim animado por investir em te mostrar que posso ser alguém legal; que posso ser alguém para você rir junto; que a gente pode ser uma dupla legal – ou pra te alertar que o alface ficou no dente.

E também posso ser, imagina que louco, quem vai ser ser a primeira pessoa a te ver acordar; a primeira pessoa entre as bilhões do mundo a te ver pela manhã – mesmo sabendo que você, definitivamente, detesta a sua aparência nas primeiras horas do dia.
(talvez porque ninguém te disse que ela tá longe de ser ruim)

Tudo isso pode acontecer se eu puxar assunto para você me notar.
Posso até descobrir que você já me notava.
Aí o coração não aguenta não.

por Márcio Rodrigues
@marciorodriguees
umtravesseiroparadois@gmail.com