A gente estava se dando bem.
Tão bem que os planos já continham a presença um do outro.
E aí teve um dia que, num jantar, eu postei.
Queria mostrar como o prato que eu pedi era bonito.
Aparentemente, um story qualquer entre os outros que já fiz e os outros bilhões sobre comida feito todos os dias.
Mas aquele dia não era um qualquer, tampouco aquele post – obviamente que não pra mim.
Aquele foi o dia que, pela primeira vez, mostrei um pedacinho de você no meu stories e, sem alarde, abri às pessoas que me seguem que uma companhia especial se fazia presente – mesmo não mostrando tudo. Todo mundo, certamente, entendeu.

No primeiro plano estava o meu prato, talheres e copo com bebida. Ao fundo, porém, meticulosamente, aparecia parte do seu braço, ombro e, claro, sua roupa.

– “Que prato bonito, deixa eu fazer um stories clássico aqui!” eu disse.

Mas o que mais importava estava no que eu não disse.
Bem mais do que satisfação para quem quer que fosse, aquela foto foi um tipo de registro da oficialização da sua entrada na minha vida, mesmo que eu não tenha mostrado tudo de você. E também não precisava.o
Aquele post foi uma espécie de código social – e virtual – de que eu estava entrando numa história nova com alguém. Meus amigos mais atentos já haviam comentado de terem visto eu te marcando em posts de memes –imaginam se vissem nossa DM e há quanto tempo a gente troca vídeos de cachorros engraçados.

Depois do post, o emoji dos olhinhos para o lado foi o que mais recebi dos meus amigos; aqueles que já sabiam de você e da gente.

Assim como é possível perceber quando uma pessoa está solteira por meio dos seus posts – pelo boom de selfies, por exemplo –, é possível perceber quando essa mesma pessoa conheceu uma outra. A gente sempre vai dando sinais. É um ciclo natural de entrada e saída de pessoas na nossa vida.

Agora, para além da simplicidade quase ingênua de te mostrar nos meus stories, havia uma autoafirmação de que eu estava pronto para viver uma nova história e passar a compartilhar isso com outras pessoas; de que eu estava seguro para deixar outra pessoa participar dos meus dias. Acima de tudo, era como se eu me sentisse bem em emoldurar você como nova parte da minha rotina.

Talvez, para você e para muita gente, tudo isso seja uma grande bobagem, mas talvez também signifique que se a gente desse mais valor a bobagens desse tipo, seria mais fácil transformar dias comuns em dias especiais. E sempre vai ser mais legal ter uma vida com dias especiais.

Eu gosto de lembrar sorrindo de quando comecei a te mostrar nos meus stories – mesmo que você, um dia, não chegue a fazer parte deles mais.

—-
por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com