Percebo um pouquinho por dia. 
Um eu que eu nem sabia que eu gostava tanto. 
Um eu, que aconteceu, depois que você apareceu. 
Mudei tanto. 
Há coisas em mim que antes eu nem sabia que precisava. 
E hoje parece que sempre estiveram aqui. 
Você normalizou o melhor de mim. 
Tem um pouco de você em mim em todas as coisas que eu faço. 
Ou em muitas das coisas que penso. 
 
Tem você na crença de que eu posso superar um dia ruim e na compreensão de quem tem dias que são uma bosta. 
Tem você nos filmes que eu torcia o nariz e hoje gosto de gostar. 
Tem você em mim nas manias, na conchinha-surpresa no meio da noite, na voz calma que acalma. 
E na confusão de chinelos saindo do sofá. 
 
Tem também um pouco de você em mim na companhia. 
A companhia que abrevia a solidão e que cobre o coração nos piores momentos; tantos e tão lentos. 
Companhia que pode ser dividida em cômodos pela casa ou assistindo a mesma coisa na TV. 
Ter um pouco de você em mim é admitir que eu não tenho tudo e que, do todo, eu sei tão pouco.  

É praticar o ouvir você e processar para o meu bem. Entender e respeitar como você enxerga as coisas, mesmo que a gente não enxergue algumas da mesma forma. Ter um pouco de você em mim é automatizar a lembrança de você. Comprar aquilo no supermercado por saber que você vai gostar, ainda que não tenha me pedido.
 
Tem muito de você nos meus planos; na vontade de experienciar e conquistar algumas coisas pra ver qual vai ser o tamanho do meu sorriso emendando com o seu. Tem você em mim na vontade de te ver vencer, de te ver sendo quem você gostaria de ser e ao reservar minutos do meu dia para te desejar o bem – no silêncio do meu pensamento. 

Ter um pouco de você em mim é rir sozinho repetindo coisas que você fala, me ver imitando seu jeito e entender que, apesar do mundo hostil lá fora, a gente constrói um mundo nosso blindado de qualquer energia ruim. 
 
É saber que a vida não é fácil, mas que ela facilita enquanto a gente se tem. 
Um pouco de você em mim por dia me faz melhorar muito. 
E você nem imagina. 

///
por Márcio Rodrigues.
umtravesseiroparadois@gmail.com
@marciorodriguees