Termina assim: 
Chega um dia que um beijo é o último. 
E aí a pessoa sai da nossa vida. 
E o sofá fica grande para um. 
A risada vira perseguição. 
Quando a rotina vira evento a gente vira vento. 
Desprendidos do sentir. Um grande tanto faz. 
É isso. Outro fim. 
 
Eu já vivi tantos outros assim. 
Não sei quantificar e é menos sobre a quantidade. 
A gente se acostuma. A dor é terna.  
Mas eu cansei do antes porque me anima demais o que virá. 

Fico pensando como vai ser quando a gente se conhecer. 
Ando me descobrindo um pouco mais por dia. 
Precisava melhorar, estava puxado ser do mesmo jeito.
Mas o plano é pegar leve comigo.
Eu nem te conheço ainda mas fico pensando:
Será que você vai gostar de mim?
 
Vivo uma ansiedade boa de sentir. 
É a ansiedade para mergulhar em uma vida diferente da nossa; de trocar as experiências e as lições que a gente aprendeu. 
Por exemplo, aprendi a demonstrar. 
Porque antes eu não o fazia. Tinha tanto medo de parecer grudento demais. 
Ouvi gente dizer que eu deveria “jogar o jogo” mas eu nunca entendi. 
Sinal que sempre perdi. 
Hoje eu não me importo não; talvez, se a gente se der bem e rápido, você se afaste de mim caso eu decida te contar o quanto me faz bem. Tem gente que transforma boa notícia em ruim. Quando a gente pode só conversar. 
Desse medo eu não morro mais. 
Quando a gente se conhecer você não vai ter dúvidas das coisas que eu sinto. 
Do que eu não gostar ou do que amar, você vai saber. 
 
Já senti muita falta de ser ouvido. 
Me envolvi com gente que não queria se envolver de tanto que falava de si. 
Não havia espaço para perguntas de tantas respostas que apareciam. 
A gente não se descobria.  
Abreviado, percebi que era uma história entre duas pessoas vivida por uma. 
Teve outras vezes também que vivi sozinho. Já gostei demais por dois. 
Quando a gente se conhecer eu quero te contar sobre mim, como penso e como quero saber a sua opinião sobre as coisas.
Qualquer coisa. A gente não precisa concordar. 
Desde que seja evidente que lugar do arroz é embaixo do feijão.
 
Você ainda não é verdade.
Eu sou vontade.
A gente é um plano.
Mas estou empolgado demais com a possibilidade do futuro ser bom.

Começa assim: 
Chega um dia que um beijo é o primeiro. 
E aí a pessoa entra na nossa vida 
E o sofá fica pequeno para dois. 
A risada vira refrão. 
Quando a rotina vira vento viver junto vira alento. 
Empolgados em sentir. Um grande tão bem que faz. 
É bom isso. Outro sim. 
Quando a gente se conhecer. 

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por Márcio Rodrigues
marciorodriguees@gmail.com