Quando que você não vai mais ser dor em mim? 
Quando que vou conseguir ouvir uma música sem lembrar de você cantando junto? 
Quando vou parar de me sentir mal pensando que a culpa foi só minha?  
Quando vou começar a ter mais carinho por mim? 
Eu acordo procurando com respostas como essas no teto da minha cama. 
Mas só tem você. 
Doendo. 

Queria pular para o dia que o que a gente viveu vai virar passado. 
Pular para o dia que vou me referir a você como “uma história que eu tive”. 
Quando a gente sente que superou? 
Em que página do calendário eu encontro isso? 
O horóscopo vai me dar dicas sobre quando vai ser sua partida da minha cabeça? 

Estou tentando me ajudar. 
Me distanciar dos gatilhos que me levam a você.  
Aquela série que a gente começou eu não pretendo terminar.  
Aqueles lugares que a gente visitou não planejo voltar. 
Os amigos que eram mais seus que meus, eu tento não me estender ao conversar. 
Não agora. 
 
Preciso dar espaço para a minha cabeça respirar. 
Organizar tudo o que estou sentindo. 
Preciso me desvencilhar da angústia de me derramar tanto em você e depois te ver partir. 
Um sentimento estranho de transbordar minha vida na sua sem poder conversar mais. 
Também preciso encontrar um lugar na minha vida para deixar as coisas que me disse sobre você. 
Os detalhes da sua família. Planos no trabalho. Suas queixas sobre a vida. 
Não posso levar comigo toda essa carga; por isso preciso encontrar um lugar para deixar. 
 
Porque te esquecer, na verdade, não sei se é o que preciso. 
Preciso aprender a conviver com o que a gente viveu, mas rezar para te esquecer não; isso seria ignorar as lições de tudo isso que tiro para mim. 
Eu só queria saber quando acaba. 
Quando vou sentir que superei. 
Quando vou sentir. 
Quando. 
Enquanto isso, estou me apegando ao fato de que cada dia mais longe de você é um dia mais perto de uma nova história, um novo alguém, um novo eu e novos planos.  
Hoje está doendo mas amanhã vai doer menos.

por Márcio Rodrigues.
@marciorodriguees