Você me contou que gosta do TikTok e eu tive um piripaque.
Pensei: “puts, não vou consegui acompanhar; meu instagram, que é a rede social que mais uso, est´á abandonado há meses”.
Sabe como é né, apaixonados podem negar, mas conhecer alguém é abrir uma planilha no excel cheia de prós e contras para saber se vai ter futuro – mesmo que até o presente sequer exista ainda direito.
Vai ver é coisa de signo; como você disse.
Mas a gente é bem diferente, você sabe.
Gosto de acordar cedo, você não gosta de acordar.
Sou praia, você frio.
Silêncio e carro de som.
Doce e salgado.
Um monte de coisa que não tem muito a ver.
Mas aí a gente se viu.

E deu vontade de saber de você.
Das coisas que você gosta; te contar das minhas.
Eu só não sabia que elas não combinariam muito.
Lembra do nosso sorriso amarelo do tipo “hehe, parece legal” reagindo sem graça ao modo empolgado de um e o outro contar algo que ama?
Ainda custo a entender como você não gosta de filme de terror.
Eu nunca consegui terminar nenhum documentário que você ama.
A gente tinha tudo para não dar em nada.
E olha no que deu.
Apesar de seguir revoltado com o fato de você ainda mandar emojis em 2021.
E não gostar de figurinhas.
Quem não gosta de figurinhas?
Descobri que você.

Descobri também que não lembro bem de mim antes da gente.
Porque fui entendendo como me fazia bem te ouvir falar das coisas que te fazem bem. A minha reação de zoar com a sua cara era uma defesa para não revelar, muito na cara, o meu interesse sobre como você é interessante.
Já mencionei que não sou muito inteligente?

Você não faz o meu tipo e sei que não faço o seu também.
Mas será que esse não era o tipo de coisa que a gente precisava?
De alguém trazendo um jeito novo de ver as coisas de sempre?
Até porque essa ideia de “tipo”, além de cafona, só funciona no excel.
Que eu nem sei mexer.
E que você manja tudo.
E que medo eu tenho agora; pensando bem.

Você trouxe cor para uma parede por pintar na minha vida.
Porque se fosse eu, seria a mesmo de sempre.

Coração acostumado fica viciado em atalho.
Eu estava acostumado a um tipo de pessoa, meu coração precisava de outra.
O problema é achar possível pensar friamente enquanto o coração age no calor. Porque se fosse para calcular, talvez a gente não seria a gente.
E, hoje, somos.
Enquanto a gente for, o que vou buscar saber é que tipo você gosta.
De desafio de dança ou trend de imitar professor.
Isso, no TikTok.
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por Márcio Rodrigues
@marciorodriguees